[Queirella / Vizeu] Queirella
Vizeu, 23 de agosto, 79. ... sr. redactor do Bejense. Acabo de receber de um dedicado amigo a noticia, de que em um dos numeros do seu jornal vem inserta uma correspondencia de Aljustrel, anonymo, bem entendido, datada de 12 do corrente, em que o seu auctor principia por dizer: «O sr. dr. Figueiredo ex-administrador deste concelho de accordo com o sr. Cardote, juraram perder Antonio Joaquim Inglez, unico empregado honrado que aqui tem vivido, forjando infamias de que só elles são capazes, e de que ainda ninguem se lembrou, á excepção d’elles! e continua n’este theor e forma...» Nenhuma duvida pode haver de que o fim que o auctor anonymo teve em vista, proclamando o director do correio de Aljustrel o unico empregado honrado que tem vivido n’aquella villa, foi fazer-se ouvir ao longe; pois que em Aljustrel sabia elle que um tal disparate apenas poderia provocar a justa indignação das pessoas sérias e honradas, e a gargalhada dos proprios amigos d’aquelle empregado publico. Ás invectivas que o auctor anonymo publicou contra mim não posso, nem devo responder. As injurias, calumnias e diffamações nunca foram consideradas razões, senão para servirem de prova contra quem as emprega. Direi apenas, por agora, e unicamente para esclarecimento de quem por tão vagas declamações, mal poderia ficar sabendo de que se tratava o seguinte: Um amigo meu, que, como o sr. director geral dos correios sabe, não foi o sr. Cardote, escreveu-me de Aljustrel, em 2 de julho, uma carta, que foi detida no correio d’aquella villa, mas que eu não cheguei a receber. A 10 do mesmo mez era eu avisado de que os amigos intimos do director do correio andavam propalando uma noticia completamente falsa, que me dizia respeito. Mais tarde, a 24, quando o meu amigo soube de que eu não respondera á sua carta por a não ter recebido, vim ao conhecimento de que aquella noticia não podia espalhar-se, a menos que não houvesse sido devassado e dolosamente alterado o conteudo da carta subtrahida. A 29, dirigi-me ao ex.mo sr. director geral dos correios, expondo-lhe o facto e pedindo-lhe providencias, cujo resultado aguardo. Achando-se, pois, este negocio affecto ao ex.mo sr. director geral, não posso, nem devo por emquanto fallar do director do correio de Aljustrel. Mais tarde, se o julgar necessario ou conveniente, me occuparei d’elle, não com vagas declamações, nem com attestados de carteiro, mas sim com documentos. Assim o declaro desde já ao meu protector para seu conhecimento, e para que me não leve a mal as referencias, que por ventura tenha de fazer-lhe, ao apreciar, uma a uma as graves e repetidas queixas que me têm sido dadas contra aquelle empregado, mesmo antes de eu ter sido administrador d’aquelle concelho, e os meios de que elle tem lançado mão para obter que sejam archivadas. Ao auctor da correspondencia, que defendendo como elle diz, a causa da justiça, julgou, todavia, conveniente esconder-se por detrás da capa do anonymo, como faria qualquer covarde que tivesse perpetrado um crime atroz, tenho simplesmente a dizer, que no tribunal de Beja lhe poderei estreitas contas do seu procedimento. Não vale, porem, fazer-se substituir no banco por algum d’aquelles celebres proprietarios, que só podem pagar as custas... na cadeia. Termino aqui, sr. redactor, esperando que v., que fez inserir a accusação, se dignará mandar inserir tambem a defeza, e n’esta esperança assigno-me. De v. etc. M. J. Rodrigues de Figueiredo.