Quando o ministério progressista subiu ao poder escrevemos: «Entre o partido denominado progressista e o nosso não póde haver contrariedade politica de especie alguma. Os novos ministros se não teem direito á nossa plena confiança, teem incontestavel direito á nossa benevola espectativa.» Decorreu tempo, vimos o que eram, conhecemos o que valiam os actuaes conselheiros da corôa, e entendemos que devíamos subir da espectativa e guerrear a situação. Isto com respeito á politica geral; relativamente á politica local, diremos que sahimos da abstenção, quando a arraia meuda dos granjeias de cá nos aggrediu com armas pouco leaes, tomando como pretexto da aggressão a obra dos paços do concelho. Ora ahi teem desvendado o mysterio, e explicada a mudança do catavento, que é menos digna de reparo do que a junção da arraia meuda granjeia com os homens da penitenciaria, com esses leprosos politicos de cujo contacto fugiam como o diabo da cruz. É mais digna de reparo será esta evolução politica para quem souber que os citados granjeias deveram a sua emancipação aos esforços dos nossos amigos. A planta primitiva e os orçamentos dos paços do concelho tiveram sempre paradeiro conhecido — o archivo municipal — e não consta que fossem escamoteados em tempo algum; agora por artes de berliques e berloques, por escamoteação, é que, no officio da junta geral á camara de Beja, foi substituida a palavra primitiva pela de definitivo, mas o caso explica-se facilmente, sabendo-se que a maioria dos juizes, que tinham de sentenciar no pleito, eram os proprios que alteraram, como muito bem quiseram, a tal planta. Já se vê pois que o verdadeiro interessado, em que ella não apparecesse na junta, era incontestavelmente a actual camara de Beja. O sr. Fernando Penedo, por exemplo, não; esse morrer-se-ia até por ver lá a tal planta, e o sr. Almeida então ficaria com isso mais contente do que se o elevassem de novo á edilidade. Agora nós também tivemos pena, muita pena, mas de ter o sr. Poças Leitão, por circumstancias, abandonado os trabalhos da junta. O novello procurador por Vidigueira, e não o procurador por Vila [ilegível], quem o faria pular. O projecto definitivo havia de apparecer, e então veriamos como os srs. Fernando Penedo e Almeida se justificavam da elevação do segundo andar, da construcção do subterraneo, da abertura da rua, do alargamento da escada, etc. E elles a darem-lhe! Pois que culpa tem a camara, e que culpa temos nós, de que publicassem o parecer? Os retratos que a camara projectava collocar nas sallas dos paços do concelho eram os dos seguintes varões illustres, filhos de Beja: D. Francisco Alexandre Lobo, D. Fr. Amador Arraes, Jacinto Freire de Andrada, José Agostinho de Macedo, Bento de Espinosa, Antonio de Gouveia, André de Gouveia, dr. João Affonso, Fr. Luiz Perestrello, Angelo Pacense, Pegas e Diogo de Gouveia. A junta geral, referindo-se ao projecto da camara, mandou escrever n’um periodico: «para ficar obra perfeita, apenas na salla magna lhe falta o busto de Jayme José Ribeiro.» Soberba archi-pulhice, mas que não surprehenderá quando se souber que faz parte da junta geral quem, sendo vereador, substituiu por “de Santa Catharina” a denominação de um logar publico, de uma praça, a que a vereação de 1868 dera o nome “de Jacinto Freire de Andrada”. Não admira portanto que quem fez isto lembre o busto do pobre idiota de Belem para ser collocado a par do retrato do reformador da universidade de Coimbra, do defensor dos direitos da corôa no concilio de Trento, do reitor da universidade de Paris, do auctor dos Dialogos, do da Meditação, etc. Com que então só para reparações na estrada da Salvada são precisos 4:114$000 reis, e isto porque a mofina da camara actual só trata dos paços do concelho, e não cura, como outras, de conservar os lanços de estrada construidos? Pois deixem o Contribuinte pôr ponto no trabalho que traz entre mãos, que nós mostraremos que foram justamente as vereações que elle elogia as que levaram maiores sabonetes da commissão de viação por não tratarem das estradas, por empregarem os cantoneiros na terraplenagem, na abertura de covas para o arvoredo, etc. Mas a camara actual é que carrega com a cruz! É ella a flagellada! Mas que culpa teem os vereadores de que publicassem o parecer?
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