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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 991
39 notícias

Beja, 26 de dezembro

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Beja · Lisboa · Portugal Igreja

Lavra a dissidência no seio do denominado partido progressista, e essa dissidência, aliás esperada, hade forçosamente pronunciar-se em breve, com mais clareza, e acabará por tornar inimigos irreconciliáveis, como já o foram, os dois elementos que no pacto da Granja se uniram. Ainda ha pouco era o sr. general Queiroz que, desgostoso com a feição reaccionaria que o partido tem tomado, se queria retirar para a provincia, chegando até a dirigir á commissão administrativa do partido uma circular, na qual, entre outras coisas, dizia: «Razões que me cumpre callar impelem-me a mudar a minha residencia para fóra de Lisboa, e por semelhante motivo, deixar a administração do jornal O Progresso, que durante oito e meio annos tomei a meu cargo, por dedicado partidario, sem remuneração alguma, antes muitas vezes com sacrificio da minha magrissima bolsa.» As cousas porém arranjaram-se e o sr. general Queiroz, esquecendo a sua circular, continua á frente do Progresso. Bom. Depois coube a vez ao sr. dr. Emygdio Navarro, redactor principal da mesma folha, chegando a correr que abandonava o cargo que exerce, e que se retirava do partido; mas a paz restabeleceu-se de novo e os dois elementos lá vão continuando no trilho por elles iniciado. Melhor. Emquanto porém em Lisboa se dão estes factos, entre os membros do centro progressista, na provincia as coisas vão tomando feição mais grave. Differentes centros teem-se dissolvido; as folhas progressistas diminuem de numero, e nem menos de cinco governadores civis deram já as suas demissões. Estes factos, que são importantissimos, demonstram cabalmente a existencia de divergencias e portanto a falta de accordo entre os membros dos dois partidos. Esta dissidencia, conforme dissemos acima, era esperada. O antigo partido histórico, os patuleias, que em 1846 sustentaram, com as armas na mão, uma lucta em pró da democracia, commetteu um grave erro politico em se unir ao partido reformista, partido que, tendo por chefe um bispo e por membros um elevado numero de padres que acceitam o Syllabus, é portanto reaccionario, e, conforme já lemos no Diario Popular, muito mais contrario do que favoravel aos progressos da democracia. «É cedo», disse um dia o orgão do reformismo, para o emprehendimento das reformas politicas. E, comquanto nos ultimos mezes da gerencia regeneradora tivesse inserido differentes artigos democráticos, no sentido meramente de levantar as massas populares em pró do denominado partido progressista, não nos esquecemos da guerra acintosa e anti-liberal feita aos enterros civis, e a todos os tentamens para a victoria do grande principio reformador — a liberdade de cultos. Historicos e reformistas não estão por certo muito tempo unidos. Conciliaram-se para empolgarem o poder, e hade ser a ambição que destruirá o accordo, que nos seus primeiros dias conseguiu illudir o paiz fazendo-lhe conceber a esperança de altas reformas politicas e económicas, muito embora promettidas por elementos velhos e demasiadamente conhecidos. Não estamos pois longe de successos importantes. Aguardemol-os.

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Beja · Lisboa · Porto · Portugal Câmara Municipal · Moderno

Uma folha affecta á actual situação politica, o Diario Economico, sob o titulo A reforma do codigo administrativo, diz o que se segue: «Uma das reformas indispensáveis e que está consignada no programma do partido progressista, é sem duvida a do codigo administrativo. Codigo que pelas alcavalas e arbitrariedades a que dá logar, attesta uma das glorias do partido regenerador, d’esse partido que durante oito annos tanto abusara do paiz para satisfazer ás loucuras e ás ambições dos seus apologistas. Os factos que se teem passado mostram á evidencia a imperiosa necessidade dessa reforma que virá acabar com abusos sempre condemnaveis, com arbitrariedades que tornam o escandalo, com a anarchia existente entre corporações locaes, com a influencia dos modernos capitães-móres de aldeia que, muitas vezes por mesquinhas vinganças, e outras vezes por trica politica, impõem o seu voto ás deliberações justas e legaes das vereações tomadas em nome dos interesses e dos melhoramentos das localidades. Ainda ha pouco que a imprensa portuense se pronunciou com justificada rasão contra as proezas, ilhas sem duvida da trica politica, da junta geral do districto que, em logar de ser, como a de Lisboa, cautelosa no exercicio da sua auctoridade, entendeu collocar a illegalidade acima da justiça. Ás proezas da junta geral do Porto temos agora de juntar as da junta geral de Beja, e juntaríamos as de Castello Branco e as das juntas geraes d’outras localidades se n’o permittissem as dimensões da nossa modesta folha. A camara municipal de Beja, no interesse em que anda empenhada para concluir o edificio das suas sessões, apresentou á junta geral o orçamento supplementar, entregando-lhe igualmente o projecto definitivo da obra, firmado pelo engenheiro, na esperança, fundamentada pela rasão, de que a junta, restringindo-se ao assumpto, fosse cautelosa na sua resolução e examinasse, como lhe competia, se n’esse orçamento tinham ou não sido observados os requisitos legaes, e desse o seu voto, ou lh’o negasse em caso contrario.» No orçamento ainda, dizia o Diario Economico, figurava a verba relativa á collocação em uma das sallas do edificio em construcção, dos retratos dos mais distinctos filhos de Beja, taes por exemplo Amador Arraes, Jacinto Freire, dr. João Affonso, Antonio de Gouveia, etc., pagando assim a municipalidade um tributo de homenagem e de respeito á gloriosa memoria d’aquelles que tanto ennobreceram a historia e a terra que os viu nascer, que lhes serviu de berço e os bafejou com as puras auras de liberdade. Mas querem saber o que fez a junta geral? Fallam melhor do que nós o Bejense. E o artigo conclue que a reforma do codigo administrativo é de necessidade urgente e imperiosa.

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Beja · Belém · Coimbra · Paris · Salvada · Vidigueira · França · Portugal Câmara Municipal · Exterior / internacional · Interpretacção incerta

Quando o ministério progressista subiu ao poder escrevemos: «Entre o partido denominado progressista e o nosso não póde haver contrariedade politica de especie alguma. Os novos ministros se não teem direito á nossa plena confiança, teem incontestavel direito á nossa benevola espectativa.» Decorreu tempo, vimos o que eram, conhecemos o que valiam os actuaes conselheiros da corôa, e entendemos que devíamos subir da espectativa e guerrear a situação. Isto com respeito á politica geral; relativamente á politica local, diremos que sahimos da abstenção, quando a arraia meuda dos granjeias de cá nos aggrediu com armas pouco leaes, tomando como pretexto da aggressão a obra dos paços do concelho. Ora ahi teem desvendado o mysterio, e explicada a mudança do catavento, que é menos digna de reparo do que a junção da arraia meuda granjeia com os homens da penitenciaria, com esses leprosos politicos de cujo contacto fugiam como o diabo da cruz. É mais digna de reparo será esta evolução politica para quem souber que os citados granjeias deveram a sua emancipação aos esforços dos nossos amigos. A planta primitiva e os orçamentos dos paços do concelho tiveram sempre paradeiro conhecido — o archivo municipal — e não consta que fossem escamoteados em tempo algum; agora por artes de berliques e berloques, por escamoteação, é que, no officio da junta geral á camara de Beja, foi substituida a palavra primitiva pela de definitivo, mas o caso explica-se facilmente, sabendo-se que a maioria dos juizes, que tinham de sentenciar no pleito, eram os proprios que alteraram, como muito bem quiseram, a tal planta. Já se vê pois que o verdadeiro interessado, em que ella não apparecesse na junta, era incontestavelmente a actual camara de Beja. O sr. Fernando Penedo, por exemplo, não; esse morrer-se-ia até por ver lá a tal planta, e o sr. Almeida então ficaria com isso mais contente do que se o elevassem de novo á edilidade. Agora nós também tivemos pena, muita pena, mas de ter o sr. Poças Leitão, por circumstancias, abandonado os trabalhos da junta. O novello procurador por Vidigueira, e não o procurador por Vila [ilegível], quem o faria pular. O projecto definitivo havia de apparecer, e então veriamos como os srs. Fernando Penedo e Almeida se justificavam da elevação do segundo andar, da construcção do subterraneo, da abertura da rua, do alargamento da escada, etc. E elles a darem-lhe! Pois que culpa tem a camara, e que culpa temos nós, de que publicassem o parecer? Os retratos que a camara projectava collocar nas sallas dos paços do concelho eram os dos seguintes varões illustres, filhos de Beja: D. Francisco Alexandre Lobo, D. Fr. Amador Arraes, Jacinto Freire de Andrada, José Agostinho de Macedo, Bento de Espinosa, Antonio de Gouveia, André de Gouveia, dr. João Affonso, Fr. Luiz Perestrello, Angelo Pacense, Pegas e Diogo de Gouveia. A junta geral, referindo-se ao projecto da camara, mandou escrever n’um periodico: «para ficar obra perfeita, apenas na salla magna lhe falta o busto de Jayme José Ribeiro.» Soberba archi-pulhice, mas que não surprehenderá quando se souber que faz parte da junta geral quem, sendo vereador, substituiu por “de Santa Catharina” a denominação de um logar publico, de uma praça, a que a vereação de 1868 dera o nome “de Jacinto Freire de Andrada”. Não admira portanto que quem fez isto lembre o busto do pobre idiota de Belem para ser collocado a par do retrato do reformador da universidade de Coimbra, do defensor dos direitos da corôa no concilio de Trento, do reitor da universidade de Paris, do auctor dos Dialogos, do da Meditação, etc. Com que então só para reparações na estrada da Salvada são precisos 4:114$000 reis, e isto porque a mofina da camara actual só trata dos paços do concelho, e não cura, como outras, de conservar os lanços de estrada construidos? Pois deixem o Contribuinte pôr ponto no trabalho que traz entre mãos, que nós mostraremos que foram justamente as vereações que elle elogia as que levaram maiores sabonetes da commissão de viação por não tratarem das estradas, por empregarem os cantoneiros na terraplenagem, na abertura de covas para o arvoredo, etc. Mas a camara actual é que carrega com a cruz! É ella a flagellada! Mas que culpa teem os vereadores de que publicassem o parecer?

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Beja · Portugal Câmara Municipal · Interpretacção incerta

O procurador que prometteu castigar as malfeitorias da actual camara de Beja, e patentear as imperfeições e os erros em que ella cahiu, ao organisar os orçamentos que a junta geral ha pouco lhe ordenara que reformasse, ficou estafado antes de acabar os fundamentos da grande obra. Esgotou-se-lhe a força do beatunto no trabalho heroico de dar á luz o celebre parecer sobre aquelles orçamentos, precedido e seguido de poucas linhas, em que detrás de cada palavra sae a saltear-nos um disparate; por aqui se póde avaliar a capacidade do sujeito. Para continuar a flagellação dialectica da camara, appareceu ha pouco na imprensa um contribuinte, que na verdade o é do cumulo de sandices colossaes e que, acerca da questão dos paços do concelho, vae crescendo a olhos vistos, promettendo tomar proporções assombrosas nas columnas de certo periodico. A quem ler o artigo do contribuinte, comparando-o com as palavras do procurador e com o parecer sobre os orçamentos municipaes de que tratámos no anterior numero, acontecerá infallivelmente o que nos succedeu ao terminar a comparação: suspeitará primeiramente, e depois achará probabilidades mui proximas da certeza, de que procurador e contribuinte são pseudonymos com que se mascara um só inimigo figadal da camara de Beja, ao mesmo tempo que é um perseguidor implacavel da grammatica e do senso commum. A discordante syntaxe de concordancia; a curiosissima orthographia; o luxo de virgulas, quando são inuteis, e a falta d’ellas quando são indispensaveis; a repugnancia a empregar o ponto e virgula e os dois pontos, ou a empregal-os devidamente; os parvos diminutivos; o desordenado das ideias, se ideias ha nesses pasmosos escriptos; o descomedimento e a grosseria da phrase; por vezes a ausencia completa do simples bom senso — tudo nos leva a crer que aquellas tres obras não são de tres escriptores distinctos, mas de um só orate-verdadeiro — o auctor do peregrino parecer que publicámos e commentámos no passado numero. Publicaremos e commentaremos tambem o artigo do contribuinte. Quando? Não o sabemos: a publicação depende do prosseguimento da encetada obra. Queremos escrever mais um d’aquelles artigos que se estendem por muitas columnas, occupando muitas paginas; ora o texto e o commentario do primeiro artigo do citado auctor darão talvez para quatro d’essas columnas. É pouco; trabalhos d’este genero que não occupam pelo menos duas paginas do Bejense não prestam. Continue, pois, o contribuinte a dar-nos a sua prosa, que faz as delicias de uma parte do publico que sabe ler, principalmente da rapaziada do lyceu, que folga sempre que vê um pedante, que a colera estonteia e faz desvariar, engolphar-se no charco do ridiculo, até ao ponto em que fugir á irrisão publica lhe seja tão difficil como difficil lhe é escrever duas linhas em que não se encerre um disparate desmascarado, e não sejam um equivoco da grammatica geral e da indole da lingua portugueza.

Acontecimentos na Europa

Economia e comércioEducacção e instruçãoExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localReligiãoSociedade e vida quotidianaAgriculturaConflitos locaisCulto e cerimóniasExamesImpostos e finançasInstrução públicaNomeaçõesNomeaçõesNomeações eclesiásticasRecrutamentoVisitas pastorais
Berlim · Londres · Viena · Alemanha · Áustria · Europa · Reino Unido Exterior / internacional · Igreja

As noticias concernentes aos assumptos do Oriente prendem igualmente a attenção do mundo diplomatico. Vamos consubstancial-as. O reconhecimento da Roumania pelas potencias póde considerar-se já como um facto. O ministro dos negocios estrangeiros declarou na camara dos deputados que o governo italiano reconhecera a independencia da Roumania, e que vae nomear ministro plenipotenciario junto do principado. É verosimil que a iniciativa tomada pelo gabinete Cairoli seja seguida por outros governos. O sr. de Bismark espera unicamente que termine a questão dos caminhos de ferro para declarar que está satisfeito com as medidas adoptadas pelo governo roumaino para a execução do artigo 44.º do tratado de Berlim. O novo ministério bulgaro compõe-se da seguinte maneira: Monsenhor Clemente, bispo de Tirnova, escriptor distincto, presidente do conselho e ministro da instrucção publica; Natchuvies, antigo ministro das finanças, ministro dos negocios estrangeiros e interinamente das finanças; Grekoff, ministro da justiça e interinamente do reino; Paratitzoff, guerra. Estes tres ultimos faziam parte do gabinete anterior. O sr. Jeonomoff, antigo vice-presidente da assemblea constituinte, e Grechoff, presidente da camara dos deputados na Roumelia, tomarão provavelmente conta das pastas do reino e das finanças. A noticia da organisação do novo gabinete bulgaro foi bem recebida pela imprensa de Londres e Vienna. A situação economica da Turquia é melindrosa. O imperio ottomano reconhece a grande necessidade de reorganisar o exercito, mas nada póde levar por diante em consequencia do seu estado financeiro. No entanto a commissão de reorganisação do exercito turco concluiu já uma parte da sua missão. Preparou-se um plano completo e submetteu-se á approvação do sultão, plano que as auctoridades militares competentes declaram realisavel na Turquia, onde os homens são dóceis e dotados de uma verdadeira aptidão para o estado militar, de modo que uma reserva effectiva consideravel póde ser creada sem que o serviço activo se prolongue por muitos annos. As principaes disposições d’esse plano são as seguintes: 1.ª Uma reducção na duração do serviço activo, que será de 2 annos para a infantaria e de 3 para a cavallaria e artilheria; 2.ª O effectivo do exercito, em tempo de paz, será de 100:000 homens, mas em tempo de guerra poderá formar-se rapidamente um exercito de 1.600:000 homens; 3.ª O exercito será dotado com um orçamento annual de 6 milhões de libras turcas; 4.ª No recrutamento não haverá distincção entre christãos e musulmanos. A conclusão d’esse plano cifra-se em poucas palavras: é preciso dinheiro, muito dinheiro para a reorganisação do exercito, e os cofres turcos estão como as algibeiras dos mendigos. Uma pobreza desoladora e nenhum credito.

Parte Official

Educacção e instruçãoPolítica e administracção do EstadoDecretos e portarias

Portaria mandando abrir concurso para a compra de cavallos reprodutores.

Parte Official

Educacção e instruçãoNomeações

Ditta mandando abrir concurso para o provimento de officios de justiça.

Parte Official

Educacção e instruçãoEscolas

Ditta aos governadores civis sobre edificação e reedificação de casas escolares.

Cultura e espectáculoReligiãoFestas religiosasTeatro

Tivemos hontem, no theatro provisorio, o Santo Antonio. Bom desempenho, e bom mise en scène. O publico sahio satisfeito.

Justiça e ordem públicaCrimes
Cuba · Portugal

Tem 30 dias de licença o sr. juiz de direito da comarca de Cuba.

Economia e comércio

A carne de marranita regulou, no mercado ultimo, por 220 rs. o kilogramma.

Fez

Política e administracção do EstadoEleições

se domingo a eleição da direcção da sociedade philarmonica, e a maioria dos suffragios recahiu nos srs. Antonio Henriques Vital, Francisco de Paula Soares, José Gomes Xavier de Mattos, Manoel Thomaz da Matta Veiga, Leonardo Sanchez Osorio, e Francisco Antonio Ferraz Junior — thesoureiro.

ExércitoBanda militarQuartéis

A banda do 17 de infantaria, domingo, tocou da uma ás tres horas da tarde, em frente do quartel.

ReligiãoCulto e cerimónias
Igreja

Foram, ao que ouvimos, bastante concorridas, as egrejas em que se celebrou a missa do Natal.

Educacção e instruçãoEscolas
Beja · Portugal

Está a concurso o logar de porteiro do lyceu de Beja.

Odemira

Economia e comércioAgriculturaPecuária
Odemira · Portugal

Teve hontem logar, n’esta villa, o mercado annual de gado suíno, que costuma haver no dia 21 de dezembro. Concorreu ao mercado bom gado gordo, regulando por 2:800 reis cada 15 kilos a carne grossa e por menos a miuda.

Odemira

Odemira · Portugal Geral

O anno que vae correndo tem sido um dos mais propicios para a engorda dos suinos; as sobreiras deram fructo em tal e tão grande abundancia, como não ha memoria; em compensação o azinho deu pouco fructo.

Odemira

Odemira · Portugal Geral

Ainda não chegou a mestra de meninas que para aqui foi nomeada.

Odemira

Município e administracção localSociedade e vida quotidianaFalecimentos
Odemira · Portugal

Falleceram n’este concelho, durante o mez d’outubro ultimo, 85 individuos d’ambos os sexos, e em novembro 61.

Odemira

Odemira · Portugal Geral

Durante a semana que acaba de findar, tiveram por estes sítios fortes geadas.

Odemira

Transportes e comunicaçõesCorreio
Lamego · Odemira · Portugal

Chegou no dia 18 a esta villa o sr. João Maria Correia Barbosa, digno director do correio desta villa, que tinha ido visitar seu pae, á sua terra natal Lamego.

Odemira

Saúde e higiene pública
Odemira · Portugal

Tem estado incommodado de saude o sr. Manoel de Sousa Pinheiro, digno escrivão de fazenda desta comarca, que já vae melhor.

Odemira

Cultura e espectáculoExposições
Odemira · Portugal

Consta que um homem casado, proprietario, e residente nos arredores desta villa, mandara expor ha dias um filho que a mulher dera á luz. Consta mais que o expositor, amedrontado pelo caso que se divulgou, fora buscar a creança ao local onde fôra exposta. A justiça não procederá?

Odemira

Justiça e ordem públicaPrisões
Odemira · Portugal

Deram hoje entrada nas cadeias desta comarca Custodia Maria, da aldeia de S. Theotonio, e seu amante José Mestre, sobre quem versam as mais serias suspeitas de terem envenenado um filho da primeira, rapaz de uns 15 annos, e com o unico fim de se assenhorearem d’uma propriedade que ao rapaz pertencia. O supposto crime deu-se nos fins d’agosto ultimo.

Exército

O Melro (fragmento) é o titulo de um poemeto de que é auctor Guerra Junqueiro, e que a empreza Horas Romanticas editou. É um bijou, quer litteraria quer typographicamente. Agradecemos o exemplar com que fomos presenteados.

Beja · Portugal Geral

Por virtude de operações de desamortisação, foram entregues ao convento da Conceição de Beja 127$752 rs.

Justiça e ordem públicaPolítica e administracção do EstadoCrimesEleições
Beja · Beringel · Portugal

Domingo tem logar a eleição do juiz de paz nos districtos de Beja (S. João e S. Thiago) e Beringel.

Publicaram

Geral

se os n.os 18 e 19 d’Os Dois Mundos.

Tribunaes

Justiça e ordem públicaPrisões

Escrivão Carvalho. Réo—José Joaquim Engrossa. Accusado de injurias e ameaças. Condemnado a 10 dias de prisão correccional e custas.

Tribunaes

Arqueologia e patrimónioRuínas e monumentos

Réo—João Baptista Fralda, de Ferreira, accusado de venda de carne arruinada. Absolvido.

Tribunaes

Geral

Réo—José Gomes Ponces, accusado d’uso de medidas illegaes. Absolvido.

Bibliographia

Cultura e espectáculo
Porto · Portugal

Os Apostolos. Distribuiu-se o fasciculo 9.º do magnifico romance Os Apostolos, por Henrique Peres Escrich, continuação do Martyr do Golgotha, que a Empreza da Bibliotheca do Cura d’Aldeia, Porto, está publicando.

Bibliographia

Educacção e instruçãoEscolasInstrução pública

O sr. Ernesto Chardron, incansavel editor portuense, acaba de publicar uma obra de incontestavel merecimento, e é ella a Grammatica Ingleza e exercicios methodicos para uso das escolas, pelo sr. J. Eduardo Van Hafe. É obra de todo o ponto recommendavel para o fim a que é destinada. A’ actividade verdadeiramente pasmosa do sr. Ernesto Chardron, digno dos mais justos e merecidos encomios, muito deve a instrucção publica e a sciencia, porquanto elevadissimo é o numero das obras elementares e de ensino que tem entregado á luz da publicidade.

Bibliographia

Lisboa · Portugal Geral

A muito acreditada Empreza das Horas Romanticas, Lisboa, publica entre outras obras Os Homens da Cruz Vermelha, e tem no prelo novas producções de não menos incontestavel merecimento litterario.

Bibliographia

Geral

Maravilhas da Creação. Distribuiu-se a folha 5.ª, 2.º volume, d’esta esplendida publicação que está saindo sob a direcção do sr. Pedro Posser.

Bibliographia

Geral

Diccionario de Geographia Universal. Está publicado o fasciculo 91.º d’esta importantissima obra, de que toda a imprensa portugueza e parte da estrangeira se tem occupado com justificadissimo louvor. Recommendamol-a.

Bibliographia

Religião

Padres e Beatos. Terminou a publicação d’este romance. Consta de 6 volumes que se vendem brochados a 500 reis cada volume. Mais uma vez o recommendamos.

Paliares

Acidentes e sinistrosEstatísticasJustiça e ordem públicaReligiãoSaúde e higiene públicaDenúncias e queixasJulgamentosQuedas
França Exterior / internacional · Interpretacção incerta

15 de diciembre de 1879. Sôr director del periodico Bejense—Muy sôr mio: En el n.º 987 de su apreciable periodico aparece un comunicado suscrito por el sôr Orta (Luis) en el que desplega toda su energia, para deslucidar los ataques de que su proceder le hacen responsable. En vano dicho sôr procure distraer con pruebas visibles hechos que la sana razón rechaza. La verdad dice sus pruebas claras, evidentes, y sigue su curso, sin que impedimento alguno pueda entorpecerle en su carrera. Tenemos a la vista los razonamientos que denuncié al publico en este periodico Bejense n.º 975, cuya naturalidad y sencillez robustecen su veracidad y exactitud. Del mismo modo podremos estudiar las frases y dignas formas que el D. Luiz usase en el n.º 979, en contestacion a los graves cargos que le hiciera en mi citado escrito n.º 975. De igual manera examinaremos las columnas del periodico Bejense n.º 982, las que nos darán a conocer la contestacion que me mereciera el muy digno comunicado del sôr Orta, affirmandome y ratificando en todas sus partes a los hechos publicados en el citado periodico Bejense n.º 975, y omitiendome a pasar y ser juzgado por los tribunales de justicia. Tampoco debemos dejar desapercibido el periodico n.º 985, el cual vino á ampliar de pruebas cuanto dije. Teniendo el hombre en cuestion “En dicho periodico se lee constantemente el uso de Evangelista de Aldeanova, en el que habla del relator de la forma que has sido pagadas todas mis letras a D. Antonio Orta, declarando noblemente que todas, sin excepcion, y al dia señalado, han sido pagadas religiosamente en el dia de su vencimiento en casa del padre de su sobrino Luiz Orta, en Aldeanova de S. Bento. Declaracion incontestable y honrosa, cuya franqueza ennoblece al que la suscribe, así como humilla y confunde al hombre que, faltando á las consideraciones sociales y al respeto que nos debemos los unos á los otros, se atreve con baldón de la clase á que pertenece desfigurar hechos, y en acusaciones, solo perjudicaría a D. Manuel Evangelista. Pero no es esto solo. En 14 de mayo de 1852 D. Antonio Orta de Aldeanova, padre de D. Luiz, contrató con mi difunto suegro D. Toribio Silvera la heredad de Paliares en valor de reis 11:440$000, con la precisa condicion de ser pagados en el proximo junio de citado año, cuyo contrato o promesa de venta otorgaron documento privado. Viene junio y D. Antonio no paga, le sucede julio y el pago por nacer y por ultimo mi suegro, generosa y gratuitamente, le amplia el plazo para el mes de agosto, que tampoco tuvo lugar, hasta que desgraciadamente en el mez de setembro de 1852, sobreviniendo la muerte de mi suegro, nombraronse albaceas testamentarios D. Pedro Garcia y D. José Palmear, españoles, naturales y vecinos de Cortegana, quienes legalmente autorizados hicieron liquidacion de cuentas con D. Antonio Orta, resultando ser deudor de la heredad de Paliares, tena que haber dado 11:440$000 reis y sólo entregó 8:789$860 reis, quedando devedor de 2:654$140 reis. Árdua y dificil es la posicion en que este sôr Orta se ha colocado; y si yo pudiese disponer de su benevolencia para publicar que D. Luiz Orta de Aldeanova había sufrido un extravio en su imaginacion, entonces yo le haria mas leve su responsabilidad; pero cuando ni aun en sueños puedo formarme esas ilusiones, tenga D. Luiz paciencia y permitame que al publico pueda demostrar. Esta demostracion quisiera yo callar, porque no deseo ver á nadie ultrajado ante el supremo y sagrado tribunal de la opinion pública; pero como D. Luiz continúa y el padre no protesta, ofréceme la responsabilidad entera y por tanto prosigamos. Tanto uno como el otro carece de fundamento y exactitud; no existe un hecho justificable, y en aserto á esta verdad y á la parte desfavorable que me toca demostraré franca y lealmente los comprobantes necesarios. D. Luiz Orta en su primer comunicado n.º 979 empieza con calificaciones tan impuras y desleales que me rebajaria si le pidiera explicaciones, sujetandome á los que me conocen, para que estos le den la apreciacion que entendieren. A continuación de estas calificaciones reunimos en el comunicado del sôr Orta las palabras que ad literam dicen así: “Es falso que el sôr Caballero desposeyese á mi sôr padre de la heredad de Paliares, y de toda falsedad que hubiese faltado a sus pagos.” Árdua y dificil es la posicion en que este sôr Orta se ha colocado… [ilegível] En 7 de outubro de 1852 entregó D. Antonio a los albaceas 30.000 reales; en 15 de octubre 40.000; en 26 de noviembre 14.000; en 26 de febrero de 1855 40.000; en 15 de mayo del mismo año 40.000; total 164.000 reales, sean 7:544$000 reis, que con el 1:245$860 reis entregado a mi suegro hacen la suma de 8:789$860 reis. D. Luiz, sólo ocho contos setecientos ochenta y nueve mil, ochocientos sesenta reis, cuando en junio debió haber dado su sôr padre 11:440$000 reis! De todo viene a demonstrarse que cuando desposeí a D. Antonio de la heredad de Paliares venia debiendo la suma de 2:654$140 reis. Podremos sospechar que D. Luiz continuo manifestando al publico aquellas palabras de “Es de toda falsedad que mi sôr padre haya faltado a sus pagos”. (Continua).

Amoreiras

Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoEducacção e instruçãoMeteorologia e fenómenos naturaisDescobertas e achadosExamesLivros e publicações
Odemira · Portugal Correspondência

16 de dezembro de 1879. Sr. redactor—Acabo de lêr o noticiario do seu jornal, n.º 989, e vejo nas noticias de Odemira uma satyra contra mim, que de certo não faria caso, se ella não fosse ferir os illustres e probos cavalheiros que compozeram o jury na epocha em que fiz exame; mas assim não posso nem quero deixar impune um tagarella de tal ordem; e não sabendo a quem hei de dirigir-me, peço ao tal sabichão, que deu á luz tão engraçada correspondencia, que não venha com o seu incógnito; tire a mascara, e fallaremos a cara descoberta; firme o seu nome se tem consciencia do que diz, porque eu farei o mesmo; e então divertir-nos-hemos com a questão d’empenhos de fome, como v. diz no seu comunicado; porque teremos assumpto para muito tempo. E como noticias isto me abundam por aqui. Diz-se que Rasquinho [ilegível]... [ilegível]. Joaquim Augusto d’Oliveira.