BEJA 2 DE JULHO
Por occasião de contrahir-se o ultimo empréstimo, o anno passado, os portadores de títulos do empréstimo de D. Miguel afixaram aos logares mais publicos de Paris uns cartazes em que Portugal era insultado. O governo mandou intentar acção contra os auctores de tal publicação. Na primeira instancia fez-se-nos justiça; no tribunal da cassação porém os juizes accordaram que os réus não haviam sido bem julgados, e absolveram-nos. Dos cartazes passaram para o folheto e para o livro os portadores do empréstimo. Fizeram de um e outro larga distribuição na França e na Inglaterra e dos espalhados em Portugal alguns exemplares nos tocaram. N’estes folhetos e livros faz-se a historia circumstanciada do empréstimo, e publicam-se alguns documentos que os portadores julgam aproveitar á sua causa. Certos jornaes francezes, analysando aquellas publicações, escreveram violentamente contra o nosso credito, e, com pequenas variantes, os artigos estão sendo agora reproduzidos. O governo guardou silencio então e guarda-o hoje. O accordão da Côr de cassation desanimou-a? Armados com o accordão, tirando do silencio do governo portuguez todo o partido, os portadores dos títulos representaram á camara dos deputados francezes. A commissão deu o seu parecer e concluiu por se entregar o negocio ao governo afim de que o tome em consideração. E que fará o governo francez? Imporá ao nosso a liquidação do empréstimo? Ignoramos; o que sabemos porém é que os títulos appareceram no mercado e subiram de preço em Paris. São vendidos actualmente a 125 francos, a 12,5 por cento! Ora se o governo tivesse, como lhe cumpria, destruido os effeitos d’essas publicações com outras demonstrativas da improcedencia da causa movida contra Portugal, outra teria sido, sem duvida, a deliberação da camara dos deputados francezes, e o nosso credito, agora que precisamos levantar desoito mil e quinhentos contos, não encontraria indisposições e desconfianças.