BEJA 2 DE JULHO
Cultura e espectáculoEconomia e comércioJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localPreçosJulgamentosLivros e publicaçõesMercados e feirasPreços e mercadosSessões da câmaraVandalismo
Por occasião de contrahir-se o ultimo empréstimo, o anno passado, os portadores de títulos do empréstimo de D. Miguel afixaram aos logares mais publicos de Paris uns cartazes em que Portugal era insultado. O governo mandou intentar acção contra os auctores de tal publicação. Na primeira instancia fez-se-nos justiça; no tribunal da cassação porém os juizes accordaram que os réus não haviam sido bem julgados, e absolveram-nos. Dos cartazes passaram para o folheto e para o livro os portadores do empréstimo. Fizeram de um e outro larga distribuição na França e na Inglaterra e dos espalhados em Portugal alguns exemplares nos tocaram. N’estes folhetos e livros faz-se a historia circumstanciada do empréstimo, e publicam-se alguns documentos que os portadores julgam aproveitar á sua causa. Certos jornaes francezes, analysando aquellas publicações, escreveram violentamente contra o nosso credito, e, com pequenas variantes, os artigos estão sendo agora reproduzidos. O governo guardou silencio então e guarda-o hoje. O accordão da Côr de cassation desanimou-a? Armados com o accordão, tirando do silencio do governo portuguez todo o partido, os portadores dos títulos representaram á camara dos deputados francezes. A commissão deu o seu parecer e concluiu por se entregar o negocio ao governo afim de que o tome em consideração. E que fará o governo francez? Imporá ao nosso a liquidação do empréstimo? Ignoramos; o que sabemos porém é que os títulos appareceram no mercado e subiram de preço em Paris. São vendidos actualmente a 125 francos, a 12,5 por cento! Ora se o governo tivesse, como lhe cumpria, destruido os effeitos d’essas publicações com outras demonstrativas da improcedencia da causa movida contra Portugal, outra teria sido, sem duvida, a deliberação da camara dos deputados francezes, e o nosso credito, agora que precisamos levantar desoito mil e quinhentos contos, não encontraria indisposições e desconfianças.
Cultura e espectáculoJustiça e ordem públicaPolítica e administracção do EstadoCrimesDebates políticosFestas civis e popularesLivros e publicações
N’uma correspondencia de Lisboa para um jornal de provincia diz-se, fallando-se das festas do tricentenario: “...a bandeira dos republicanos foi recolhida pela policia, mas os republicanos, se cederam para não perturbar as festas, protestaram depois e nomeadamente em um jantar que se deu em uma casa ahi para as bandas de S. Nicolau, a que assistiu o redactor do Bejense e outros jornalistas.” No jantar a que o correspondente se refere, e onde é verdade que estivemos, não se protestou contra o succedido no Terreiro do Paço no dia 10 de junho. Fallou-se do acontecimento e nada mais. Agora nós sabemos muito bem o que o bom do correspondente queria dizer; mas se o informaram mal, ou se querendo dizer burra não lhe chegou a lingua, apesar de a ter comprida de mais, d’isso não temos nós culpa. E para se sahir com tão importante noticia ruminou o homem desoito dias! Sempre ha cada um...
Economia e comércioAgriculturaComércio localPecuária
Obteve a melhor e mais lisongeira acceitação em Bordéus uma remessa de carneiros portuguezes que um negociante de Lisboa ali mandou como experiencia. E’ grande a importação de gado vaccum, lanigero e suíno que se faz n’aquelle mercado; em vista de tão lisongeiro resultado é de esperar que os exportadores portuguezes ali concorram com vantagem, contribuindo assim para o desenvolvimento das relações commerciaes entre Lisboa e Bordéos, que o nosso zeloso consul n’aquella praça, o sr. barão de Mendonça, tanto procura promover.
Acontecimentos na Europa
Economia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroComércio localCorreioEstacçõesHomicídiosImpostos e finançasMovimentos de tropasNavegacçãoNomeaçõesTelégrafoVentos fortes
Na tela da discussão continua de pé a pendencia entre a China e a Russia, discussão agora mais accentuada com novos e importantes successos. O London & China Telegraph publica telegrammas de Pekin confirmando a noticia de terem as tropas chinezas invadido varios territorios russos, e de terem as tropas russas evacuado Katakargan e Samarcand; e corria o boato de que os chinas tomaram o forte Naryn em Semireckensk pertencente aos russos. Os telegrammas parecem demonstrar que a luta entre os dois imperios está infelizmente declarada; não temos por emquanto noticias em contrario e assim vemos confirmada a nossa opinião por vezes manifestada de que a pendencia que tanto tem, e com justa razão, preocupado a diplomacia, só poderá ser resolvida pela força das armas. Vejamos no entanto o que dizem as correspondencias de S. Petersburgo dirigidas ao Times. Todas as tropas que se encontravam estacionadas em Tuchkend foram enviadas para a fronteira da China, e expediram-se reforços do interior da Russia para a fronteira extrema. Os maiores preparativos que o governo do Czar faz são maritimos. Em Kronstadt armaram-se muitos navios com destino á China. Toda a flotilha de navios-torpedos vae sahir para as possessões russas do Amor, de onde poderão ser dirigidos sobre os portos chinos. Em caso de guerra, o designado para commandar a esquadra russa na China parece ser o almirante Chestakoff, marinheiro distinctissimo, que commandou em 1860 a armada russa nas aguas da China, quando o imperador Napoleão mandou ali um corpo expedicionario. Depois de 1862 o almirante commandou como immediato a esquadra de Kronstadt, e por seu caracter independente teve desintelligencias com o ministro da marinha e deixou o serviço, passando em França os annos de exilio, e frequentando circulos onde se tornou muito conhecido e apreciado. Apesar da eminencia de uma guerra entre a China e a Russia, e talvez que a estas horas já se disparassem os primeiros tiros, o governo inglez não pensa em aliviar os chinezes da carnada de opio que os seus negociantes lhes mettem á cara, e que elles devem tomar, custe o que custe. N’uma das sessões da camara dos communs, um membro pronunciou-se contra a continuação do commercio do opio com a China; o marquez de Hartington, sub-secretario d’estado do departamento das colonias, respondeu que o commercio do opio era um elemento de receita para as Indias e que o momento não era o mais bem escolhido para tentar experiencias sobre as receitas indianas. O mercantilismo inglez domina sempre nos conselhos de guerra; e os chinezes, se tiverem de travar peleja com a Russia, não devem contar senão com os proprios chineses. A questão, conforme se vê, é analysada por uma fórma bem caracteristica em relação ao papel que a Grã-Bretanha está desempenhando. Deixemos porém este assumpto por hoje, e, pondo igualmente de parte, em consequencia da falta de espaço, a questão, aliás importante, das fronteiras da Grecia, de que nos occuparemos no proximo numero, vamos dar, posto que resumidamente, noticia dos ultimos successos tambem importantissimos, de que nos falla a ultima mala chegada aos portos da Europa. Os ultimos numeros do Correio Hespanhol de Buenos-Ayres noticiam a eminente catastrophe: o exercito avança sobre a capital da republica, amontoando aos muros todos os apetrechos de guerra, não para assassinar a liberdade e a soberania, como o pretende o jesuitismo, mas contra o mais respeitavel e digno do paiz. Por toda a parte o grito de As armas? A patria argentina, dizia tambem á ultima hora: “Soprae, ventos do passado, para que se não ouça o rumor da onda que avança silenciosa, e onde se intenta perpetrar o ultimo crime contra a liberdade. O presidente da republica é, e deve ser de futuro, o prisioneiro de Buenos-Ayres.” Esta attitude explica-se pela mudança de residencia do poder nacional para Belgrano. O presidente Avellaneda abandonou a capital ao sentir os primeiros ensaios da revolução, fugindo para o porto de Blanca, perto do rio Colorado. A força principal do governo acha-se em Rosario, ao norte de Buenos-Ayres, e o general Roca, candidato official á presidencia, contra Avellaneda, cujos poderes breve se extinguirão, calcula pôr em pé de guerra 30:000 homens, contando com a esquadra. A revolução dispõe em troca das guardas nacionaes e da defeza da capital. A causa da guerra civil é a luta dos dois candidatos á presidencia: o general Roca e o dr. Tejedor. Roca tem o apoio dos doze estados da republica, que se ligaram, e Tejedor é protegido pela região de Entre-Rios. Com relação aos principios politicos, as duas facções pretendem representar a liberdade e o direito. Se a guerra tomar proporções, não será difficil ver dentro em breve completamente desmembrada a republica argentina. Ácerca d’estes successos aguardam-se com impaciencia novas noticias. Seguiremos o assumpto com a maxima imparcialidade.
Economia e comércioFeiras
Começou quarta feira a demolição da pescaduria.
Economia e comércioTransportes e comunicaçõesEstradasObras de infraestrutura
O orçamento supplementar para a estrada de Quintos é de 800$000 reis, ao que ouvimos. Desgraçada obra! Se durar como attritos e dificuldades se tem levantado, será... eterna.
Economia e comércioSociedade e vida quotidianaFalecimentosFeiras
Falleceu, quarta feira, a ex.ma sr.ª D. Marianna Rosado, filha do nosso amigo o sr. José Maria Rosado, e cunhada do nosso collega do Diario de Portugal, o sr. Pedro Victor da Costa Sequeira. Acompanhamos os nossos amigos na justa dôr que os opprime, e enviamos-lhes os nossos sentidos pesames.
Cultura e espectáculoConcertosLivros e publicações
Recreio musical é o titulo de uma nova publicação que sahiu no dia 10 em Lisboa, e cujos dois primeiros numeros recebemos e agradecemos. No logar competente damos o annuncio e chamamos para elle a attenção dos leitores.
ReligiãoSociedade e vida quotidianaFestas religiosasPobres e esmolas
Pobre Pedro! Pobre, velho! Se não é a romaria lóia da cidade, á capellinha onde és venerado, ninguem dava pelo dia do teu nome. Esteve deveras chôcho o S. Pedro. Fogueiras poucas, os mastros desamparados e até a bexenina parecia rabiar com custo. Pois ha annos desbancavas João com quanto elle seja o santo... Mas garrido e brincão do kalendario, este anno porém levou elle a palma. Não vale porém zangar bom velho, nem dizer ao Precursor o que Zé Povinho, segundo o ultimo Antonio Maria, disse aos ministros, que felizmente nos governam.
Município e administracção localNomeações e cargos
Foi nomeado escrivão da administração do concelho de Beja o sr. Fialho Gomes.
Economia e comércioAgricultura
Os trigos novos, geralmente, apresentam boa côr, mas estão miudos.
Economia e comércioAgricultura
O vinho regula de 800 a 1:000 rs. o almude.
Messejana
Cultura e espectáculoAssociações recreativasBailesFestas civis e populares
Festejou-se o tricentenario de Camões. A festa teve logar na casa da Sociedade recreativa Messejanense, que estava vistosamente illuminada. O sarau principiou ás 9 horas proferindo um dos socios um discurso em honra do grande epico, e recitando em seguida outros diversas poesias a Camões. A villa illuminou e os sinos repicaram até alta noite.
Está de visita, em Beja, o filho do sr. visconde de Matos de S. Domingos.
Arqueologia e patrimónioDescobertas e achados
Eis a pauta do jury ordinario que hade funccionar n’este semestre: Carlos José d’Affonseca Passanha, Deodato Antonio de Vargas, Victorino José Passos, Ignacio de Britto Sobral, Eutropio Ferreira da Silveira Machado, Elisiario José Baptista, Francisco Antonio Guerreiro Franco, Augusto Cesar Correia da Fonseca, Manoel Gonçalves Caejo, Antonio Henriques Doria, Francisco Antonio Penedo, Antonio Adriano Correia da Fonseca, Francisco Dias Rosa, José Augusto Guerreiro d’Aboim, José Bernardo Baião, Fernando Cesar Penedo, Caetano José Ferreira, Francisco Manoel Henrique Lopes, João Felicio, José Telles Tinoco de Menezes, Antonio Cordeiro de Sousa Feyo, Francisco Antonio de Castro e Lança, José Francisco Lourenço Anjo, João Bernardo Netto Doria, Antonio Eduardo Baptista Freire, Antonio Manoel Thomaz, José Martins Nogueira, José Joaquim Palma, Visconde da Côrte, João Antonio Galvão, José Antonio Galvão, Joaquim Manoel Paulino, Antonio Nunes Ribeiro, Joaquim Felipe Fernandes, Miguel Joaquim de Britto e Cesario Venancio Camacho.
Ao digno vice
consul de Portugal em Cárceres, o sr. Themudo, agradecemos a remessa da Cronica da Estremadura, que publicou o seu excellente artigo sobre Camões, e ao Illustrirte Zeitung o numero commemorativo do centenario.
Vae collocar
Transportes e comunicaçõesCorreio
se uma caixa de correio na rua 11 de outubro.
Economia e comércioEducacção e instruçãoFeirasProfessores
Tricentenario de Camões é o titulo de um esplendido ordinario que o habil e distincto professor da Sociedade philarmonica artistica bejense, o sr. Cançado, escreveu e dedicou á redacção do Bejense. A philarmonica teve a amabilidade de, na terça feira, vir tocal-o ao nosso escriptorio, o que então lhe agradecemos, ao levantar um brinde, e aqui o fazemos de novo.
Economia e comércioPreçosFeirasPreços e mercados
Sahiu o preço definitivo da 15.ª feira de S. João. Ficaram cada 15 kilogrammas por 4:400 reis.
Publicou
se a 33.ª folha de As mil e uma mulheres.
ReligiãoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesEstradasFestas religiosasObras de infraestruturaPobres e esmolasPontes
As festas da Rainha Santa em Coimbra começarão no dia 8 á noite, com a ida da imagem de Santa Clara para Santa Cruz, e terminarão no dia 11 com o regresso da mesma imagem de Santa Cruz para Santa Clara. O Largo 8 de maio, as ruas do Visconde da Luz, da Calçada e da Louça, o largo da Portagem e a Ponte do Mondego terão brilhantes decorações e profusão de luzes, e a vasta alameda da estrada da Beira até ao porto dos Bentos será surpreendentemente illuminada. Á portagem haverá luz electrica. A maior parte da ornamentação irá de Lisboa, e a outra parte foi em Coimbra encarregada a um habil artista pintor, que de certo hade desempenhal-a condignamente. Haverá um bodo aos pobres por subscripção publica.
No mercado vendem
Economia e comércioJustiça e ordem públicaCrimes
se fructas podres e mal sazonadas. Será bom que a policia verifique o que dizemos, e, a ser certo, que cumpra com os seus deveres.
Recebemos e agradecemos o volume 2.º dos Homens da Cruz Vermelha.
O escrivão de direito o sr. Antonio Augusto Emilio Breda de Mello foi transferido para Beja.
Exército
Por lapso escrevemos que a empreza Sereias romanticas nos brindára com uma soberba vista da Batalha, quando não foi aquella empreza mas a Empreza Noites romanticas, de que é proprietario o sr. Nunes Collares, que nos fez o presente. Pedimos desculpa do erro involuntario que commettemos.
Fez
Política e administracção do EstadoEleições
se domingo, na Sociedade bejense, a eleição da direcção, recahindo a maioria dos sufragios, para directores nos srs.: Antonio Guerreiro Faleiro, Rafael da Cunha Barradas, José Telles Tinoco de Menezes, José Candido de Castro e Sousa, José Duarte Laranja Gomes Palma, e para thesoureiro no sr. Francisco José Lampreia.
O nosso collega Commercio de Lisboa christmou
Economia e comércioComércio local
se em Diario de Lisboa.
A banda do 17 tocou das seis ás oito horas da noite, no largo nove de julho, domingo ultimo.
Economia e comércioAgricultura
Recebemos e agradecemos o Discurso proferido nas festas do tricentenario, em Leiria, pelo sr. Campos Junior.
Município e administracção local
Vão, no mez proximo, á praça differentes bens nacionaes no concelho de Vidigueira.
O sr. Pinheiro Estevão, escrivão de direito em Beja, foi transferido para Pombal.
Reuniu, domingo, em assembléa geral, a Sociedade philarmonica artistica para a approvação dos estatutos; por proposta de um socio, porém, nomeou-se uma commissão para rever aquelle trabalho. Logo que ella elabore o seu parecer haverá nova convocatoria.
Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisPreçosTransportes e comunicaçõesCorreioIndústriaPreços e mercados
Que lindo presente é um relogio, objecto util e ao mesmo tempo lisongeando o amor proprio! Recomendamos encarecidamente aos nossos leitores o annuncio, que hoje publicamos, da casa Belmont, uma das maiores e mais acreditadas fabricas de relogios que se conhecem. O negocio consideravel que faz esta casa habilita-a a dar por preços excessivamente baratos os seus productos: um exemplo corrobora o que dizemos. A casa Belmont vende por 53:000 rs. um chronometro kalendario, admiravelmente montado em diamantes, e indicando os mezes, os dias, as horas, os minutos, os quartos de minuto, objecto este que n’outra fabrica se não compra por menos de 200 a 300$000 reis. Os nossos leitores porém estabelecendo relações, pelo correio, com a casa Belmont de Besançon, podem certificar-se do que levamos dito. Ver o annuncio.
Publicou
se a caderneta 28 de As Doidas em Paris.
Publicou
se o n.º 37 da Moda illustrada.
Ultima hora
O sr. visconde de S. Januario acceitou a pasta da marinha.
PARIS, 30 de junho, á tarde
Justiça e ordem públicaBebedeiras e desordens
As noticias vindas dos departamentos dizem que, em toda a parte, os jesuitas deixaram os seus estabelecimentos declarando ceder á força. Não houve nenhuma violencia nem nenhuma desordem.
Acidentes e sinistrosArqueologia e patrimónioEconomia e comércioEducacção e instruçãoAgriculturaDescobertas e achadosIncêndiosIndústriaInstrução públicaPecuária
RELATORIO acerca do estado da industria pecuaria no districto de Beja, apresentado á junta geral em 1879: (Continuado do n.º 1:016). Não é assim que um agricultor cuidadoso deve dirigir as suas explorações, em detrimento dos seus proprios interesses e da riqueza publica. Bastaria este unico facto para, por elle só, se avaliar a maneira pouco cuidadosa como se exerce a industria agricola n’este districto! E’ aos poderes publicos que compete dirigir o bem estar, em geral, da riqueza publica, e promover ao seu engrandecimento. Pertence aos poderes publicos empregar varios meios, embora indirectos, que vençam a ignorancia de muitos, mostrando-lhes pelas boas praticas a maneira mais conveniente de explorarem as suas industrias. Consegue-se por esta fórma, desde já, o que a instrucção adquirida, mas que falta á maioria dos nossos agricultores, lhes deveria ter ensinado. Emquanto não houver essa instrucção, a iniciativa particular intelligente não pode manifestar-se. E’ emquanto ella não se desenvolve que alguns governos amantes do progresso, que o enunciam como uma lei necessaria, teem legislado varias medidas que, se fossem bem acceites pelas corporações a quem a sua execução compete, e por aquelles a quem ellas mais vão beneficiar, teriam dado já os resultados altamente uteis da sua adopção. Infelizmente, no nosso districto pouco se tem acceitado d’ellas. Criaram-se as intendencias pecuarias e não se lhes tem dado a protecção e incitamento necessario. Os veterinarios poderiam melhor conhecer das condições agricolas-pecuarias dos seus districtos e das necessidades da pecuaria das suas circumscripções se as juntas geraes os auxiliassem com as subvenções devidas para as suas frequentes visitas onde os chamassem, ou o estudo das condições economicas da exploração das differentes especies pecuarias, da zootechnica emfim exercida em varios pontos, ou as manifestações pathologicas que requerem ser bem conhecidas, tanto nas suas causas como no modo de as debellar, pelos meios que a moderna sciencia veterinaria aconselha. Era assim que esta util instituição prestaria aos seus devidos fins, ficando a seu cargo promover tudo quanto visse para o desenvolvimento da riqueza pecuaria. —Criaram-se as quintas districtaes d’ensino agricolo-pecuario, e para Beja tornou-se horrorosa essa instituição! Pois que melhor ensino do que tem o verdadeiro caracter pratico? Não temos nós por ventura muito a muito que aprender em tudo que respeita ao aproveitamento mais economico dos nossos terrenos e dos nossos gados? Não ha, por ventura, toda a vantagem em experimentar os modernos aperfeiçoamentos da alfaia agricola, para diminuir os custos da producção? Em ensaiar o melhor meio de alcançar forragens economicas para os gados, para os não deixar morrer de fome? Em demonstrar a utilidade da estabulação para algumas especies? Em demonstrar o melhor aproveitamento dos estrumes? Em mostrar como as nossas especies pecuarias podem melhorar muito por um bom regimen, por bem dirigidas selecções e até por alguns cruzamentos?... Pois, por ventura, chegámos nós ao apogeu das nossas industrias agricola e pecuaria? Por certo que não! —Aproveito, portanto, esta occasião, em que tenho a honra de apresentar á illustrada consideração de v. ex.as estes breves apontamentos ácerca da industria pecuaria n’este districto, para lhes pedir a todos quantos se interessam pelas prosperidades d’elle, que bem apreciem a utilidade das instituições creadas pelos governos, quando essas instituições sejam devidamente aproveitadas por aquelles a quem mais beneficiam; e serão sem duvida v. ex.as os primeiros a promover-lhes o seu engrandecimento. E será assim, partindo a idéa de progresso d’aquelles que pelo seu saber e posição social teem uma certa auctoridade para aconselhar os... incredulos, que nós poderiamos collocar-nos, como nação culta, a par d’aquelles que teem emprehendido e realisado esse progresso em todas as fontes da sua riqueza; emquanto nós descuidosos as não temos, infelizmente, sabido acompanhar. O Intendente de pecuaria, Eutropio Ferreira da Silveira Machado.
Bibliographia
Economia e comércioEstatísticasComércio localIndústria
Annuario historico e estatistico de Portugal e Colonias, por Andrade Corvo, Antonio de Serpa Pimentel, Carlos Lobo e Pinheiro Chagas. Editores, Eduardo da Costa Santos e J. A. Leitão & Irmão. Está no prelo o 1.º volume d’esta importante obra; refere-se este volume aos successos de 1879. Esta utilissima publicação para a qual se assigna rua do Almada, 209, Porto, resume e aprecia, no fim de cada anno, a historia politica e social do nosso paiz; analysa o estado da fazenda publica, os melhoramentos realisados, o movimento commercial e industrial, scientifico e litterario, a situação economica das colonias, e dá muitas e variadas noticias, estatisticas, etc. Divide-se em dez capitulos. O primeiro volume conterá mais de 300 paginas. Por assignatura 1:000 reis; avulso 1:200 reis.
Bibliographia
Cultura e espectáculo
Tratado de equitação racional, segundo o systema “Baucher”, resumido e compilado pelo capitão de cavallaria Damasceno Rozado. E’ um bello volume em 4.º grande, bem impresso e ornado com treze excellentes gravuras, digno de figurar nas estantes de todas as bibliothecas, e bem assim digno do assumpto de que trata. Divide-se em quatro partes, e está escripto em linguagem vulgar e comprehensivel a todas as intelligencias ainda ás menos robustas. Reconhecidissimos agradecemos ao seu auctor o exemplar com que muito nos honrou.
Bibliographia
Preços
Grammatica Nacional, ou Methodo Moderno para se aprender a fallar e escrever sem erros e mesmo sem auxilio de mestre a Lingua Portugueza — comprehendendo um vocabulario orthographico prosodico da mesma lingua, por Domingos d’Azevedo. Lisboa, rua do Ouro 101, 3.º. Acha-se concluida, e custa a modica quantia de 1:200 reis, esta utilissima publicação, a que por varias vezes temos alludido, recommendando-a pela sua reconhecida utilidade. No prelo tem agora o sr. Domingos de Azevedo O Ollendorff aperfeiçoado — novo methodo para aprender o francez sem auxilio de mestre — 2.ª edição. Lisboa. Sebastião J. Baçam.
Aljustrel, 5 de junho
Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoEstatísticasJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoPreçosSaúde e higiene públicaAgriculturaCemitériosDenúncias e queixasEstradas e calçadasExamesFurtos e roubosGoverno civilHospitaisLivros e publicaçõesPreços e mercadosPrémios e distinções escolaresSessões da câmara
Tem sido grande o desejo de virmos á imprensa accudir ás calumnias e infamias publicadas por um correspondente d’esta villa, no Jornal do Povo, esperando para isso que a questão terminasse, e o seu auctor deixasse ver o seu nome. Convencidos hoje que essa serie de infamias não tem fim, e que o miseravel auctor d’essas correspondencias, se esconde detraz d’outro nome, por ter a certeza que os calumniadores recebem mais tarde ou mais cedo o premio da sua virtude, vimo-nos obrigados a fazer a seguinte declaração, para que se não diga que o que o Jornal do Povo tem publicado sobre o titulo de febres paludosas é a expressão da verdade. Desistimos do nosso proposito porque temos, como acima dissemos, a certeza de não ser o auctor das correspondencias o signatario d’ellas, e isto, porque foi offerecido a Francisco Paes dinheiro para assignar uma das referidas correspondencias, e que quem o convidou a isso, segundo elle mesmo declara, foi Metello, Joaquim Pedro, que são incapazes de escrever, e Figueiredo que a faz soffrivelmente, por que os infernos parecem tel-o vomitado sobre nós, como castigo dos grandes roubos e infamias que a gente com quem elle se dá praticou nos ultimos annos. Em vista, pois, de se assalariar gente para calumniar caracteres nobres, dignos e illustrados, o publico que declare se temos razão para os lançar ao desprezo que merecem. Mas se por ventura se decidir a tomar a responsabilidade dos seus escriptos, como é obrigação sua, venha com o seu nome, porque tambem publicamos o nosso, e veremos se ambos podemos fazer alguma cousa em beneficio d’este concelho, que tem sido roubado e ludibriado d’uma maneira incrivel. E para lhes mostrarmos os nossos desejos ahi vae o pano d’amostra. Em 30 de junho de 1874 foi approvada a conta de 250:000 rs. de trabalhos que fez de empreitada na rua que sae d’esta villa para o cemiterio Antonio Francisco Panella. Fez-se? Não consta, o proprio signatario do recibo diz que abusaram do seu estado, e da sua boa fé, e elle merece credito, por que é um homem bemquisto e honrado. No mesmo dia mez e anno, outra de 264:955 rs. de trabalhos feitos em diversas ruas da villa e aldeia. Fizeram-se? Ninguem o diz, e temos por conseguinte n’estas duas verbas um desfalque para o cofre do municipio, de 514:955 rs. Quem o fez? Os homens nobres, ricos e por quem o povo chora, ao ver os desconsiderados pelo sr. governador civil. Mas repare. No dia 25 de agosto de 1872, e em sessão, a mesa administrativa da misericordia diz entre outras cousas o seguinte: procederam a exame no mesmo hospital para tomarem conhecimento de tudo que n’elle existisse, visto que a extincta commissão não só nada pertencente a elle entregou á actual mesa, mas nem mesmo se dignou aqui entrar e conduzir a mesa, para que a esta fosse entregue a roupa, mobilia e mais utensilios. Tres enxergões em pessimo estado, incapazes do serviço, só proprios para o lume 2; cobertores de algodão muito usados 3; em bom uso, a roupa que a mesa encontrou em um estabelecimento que tem mais de 1:000$000 rs. de rendimento!!! Mais adiante diz a acta: E interrogado o enfermeiro ácerca da existencia das roupas d’este hospital, bem como das arcas grandes, compradas para a guardar, respondeu que nenhumas arcas tinham dado entrada no hospital, nem ali se guardavam as roupas, mas sim em casa do ex-thesoureiro Antonio Severino Camacho d’onde vinham á medida que eram necessarias, e que por tanto em seu poder deviam existir as arcas de arrecadação. Tendo-lhe a mesa notado que para o hospital foram comprados 48 lençóes, sendo metade de linho e a outra de algodão, respondeu, que nunca ali vira semelhante numero de lençóes, pelo que suppunha existirem na mão do dito thesoureiro. Sabem quem assigna esta acta que mostra uma vergonha inexcedivel? São entre outros Joaquim Antonio Inglez, Antonio Teixeira dos Santos, Antonio Honorio, Manoel Raposo Beja, Antonio Zacharias Lança, amigos intimos dos membros da commissão administrativa, Antonio Xavier Loureiro, Antonio Severino Camacho, Joaquim Izidoro Moreira Bragança, o mesmo Antonio Honorio e Francisco Maralhas. Que dizem a este sudario? provavelmente que não ha motivos de queixa e que a administração da commissão era exemplar. Mais e fica-se hoje por aqui. A misericordia tem 674 alqueires do trigo de rendimento. Sabem quantos alqueires de trigo conta a tal commissão ter vendido no anno de 1872? trinta e dois pelo preço de 420 reis o alqueire!!! E o resto? Resumindo, Antonio Francisco Panella foi chamado por Antonio Severino Camacho para assignar um documento de ter recebido reis 250$000 por uma empreitada que elle diz não fizera e que abusaram do seu estado e boa fé. A conta dos 264$955 não está dizendo quem foi o empreiteiro ou se o houve, nem se prova em boa fé que esse dinheiro fosse gasto como se diz. Que as contas da misericordia emquanto a geriram os homens a quem o correspondente tanto engrandece são a vergonha eterna de quem tenha um bocadinho de dignidade. Se estes factos não merecem a attenção do correspondente do Jornal do Povo pelo facto de ir desmascarar os seus homens e mostrar ao povo que elle tem obrigação de os afugentar com a dignidade que deve revestir a independencia popular, então deixe que nós só levaremos a tarefa ao fim; mas se continuar a calumniar dois cavalheiros, mais nobres, mais dignos e illustrados do que elle, levante a mascara e não queira que outro dê o seu nome para á sombra d’elle saciar a sede da calumnia e da infamia que o domina desde os primeiros dias da sua razão. Quem procede assim é cobarde e miseravel; venha o seu nome porque nós tambem daremos o nosso.