Beja 24 de dezembro
Na sessão municipal celebrada hontem leu-se, entre outros officios, um da grande commissão encarregada de trasladar os restos mortaes de Alexandre Herculano do cemiterio da Azóia para o claustro de Santa Maria de Belem, e de erigir-lhe ahi um mausoleo. Relataremos o que se passou: O sr. presidente tomando a palavra disse que as nações contrahiam por vezes dividas de gratidão que irremissivelmente teem de satisfazer se desejam ser consideradas com dignidade entre os povos cultos. Que Alexandre Herculano trabalhara toda a sua vida a bom da patria, da sciencia e da humanidade, que as suas obras severas e conscienciosas nas suas apreciações, honradas com o braço que as traçou, são vividas demonstrações dessa brilhante scentelha que Deus concede a poucos, a raros, e que se denomina o genio. E Alexandre Herculano era um genio. Noutro paiz, exclamou o orador sendo calorosamente apoiado, que não fosse o nosso, não se aguardaria a morte para lhe serem conferidas honras. Em seguida enumerou os serviços prestados por Alexandre Herculano aos municípios, que elle considerava obra sahida das mãos de Deus, instituição perfeitissima, couto da verdadeira liberdade, e terminou propondo que, salvando qualquer deliberação que mais tarde os seus collegas hajam de tomar para honrar a memoria de Alexandre Herculano, a vereação subscrevesse para o monumento que a grande commissão central de Lisboa projecta erigir no claustro dos Jeronymos. A proposta foi approvada por acclamação e em seguida aberta a subscripção entre os srs. vereadores. Applaudimos.