Beja 24 de dezembro
Arqueologia e patrimónioMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localReligiãoCalor extremoCemitériosFestas religiosasObras municipaisObras religiosasRuínas e monumentosSessões da câmara
Na sessão municipal celebrada hontem leu-se, entre outros officios, um da grande commissão encarregada de trasladar os restos mortaes de Alexandre Herculano do cemiterio da Azóia para o claustro de Santa Maria de Belem, e de erigir-lhe ahi um mausoleo. Relataremos o que se passou: O sr. presidente tomando a palavra disse que as nações contrahiam por vezes dividas de gratidão que irremissivelmente teem de satisfazer se desejam ser consideradas com dignidade entre os povos cultos. Que Alexandre Herculano trabalhara toda a sua vida a bom da patria, da sciencia e da humanidade, que as suas obras severas e conscienciosas nas suas apreciações, honradas com o braço que as traçou, são vividas demonstrações dessa brilhante scentelha que Deus concede a poucos, a raros, e que se denomina o genio. E Alexandre Herculano era um genio. Noutro paiz, exclamou o orador sendo calorosamente apoiado, que não fosse o nosso, não se aguardaria a morte para lhe serem conferidas honras. Em seguida enumerou os serviços prestados por Alexandre Herculano aos municípios, que elle considerava obra sahida das mãos de Deus, instituição perfeitissima, couto da verdadeira liberdade, e terminou propondo que, salvando qualquer deliberação que mais tarde os seus collegas hajam de tomar para honrar a memoria de Alexandre Herculano, a vereação subscrevesse para o monumento que a grande commissão central de Lisboa projecta erigir no claustro dos Jeronymos. A proposta foi approvada por acclamação e em seguida aberta a subscripção entre os srs. vereadores. Applaudimos.
Instrucção primaria
Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoEstatísticasMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localReligiãoSociedade e vida quotidianaBeneficênciaEscolasExamesImpostos comerciaisImpostos e finançasIndústriaInstrução públicaLivros e publicaçõesProfessores
No Diario do governo vieram as instrucções ás camaras municipaes e juntas de parochia, sobre a reforma da instrucção primaria decretada em 2 de maio de 1878 e 11 de junho de 1880. Pelos diplomas citados, a instrucção primaria é obrigatória desde a idade de seis a doze annos para todas as creanças de um e outro sexo, cujos paes, tutores ou outras pessoas encarregadas da sua sustentação e educação não provarem legalmente qualquer das circumstancias seguintes: 1.º que dão ás creanças a seu cargo ensino na propria casa ou em escola particular; 2.º que residem a mais de 2 kilometros de distancia de alguma escola gratuita, publica ou particular, permanente ou temporaria; 3.º que seus filhos ou pupilos foram declarados incapazes de receber o ensino em tres exames successivos annuaes perante os jurys de instrucção primaria; 4.º os que não poderem mandal-os por motivo de extrema pobreza e que não tenham recebido o beneficio do vestuario e livros da parte das juntas de parochia e commissões de beneficencia. São responsaveis pela obrigação do ensino as pessoas acima mencionadas e bem assim os donos das fabricas, officinas, emprezas agricolas ou industriaes, em cujos serviços as creanças estejam empregadas, que lhes não dispensem o tempo necessario para a frequencia da escola. Os paes e todos os responsaveis pela educação das creanças, que não as apresentarem aos professores na competente epocha da matricula, incorrem em penalidades, que consistem na affixação de seus nomes na porta da egreja parochial e em differentes multas. Vejamos agora os encargos das juntas de parochia: as juntas de parochia fazem annualmente na epocha fixada pelas camaras municipaes o recenseamento de todas as creanças de seis a doze annos, declarando os paes, tutores ou pessoas a cujo cargo estejam; as officinas e lavores agricolas ou industriaes em que forem empregadas; as distancias a que residem do local da escola publica ou particular, e se recebem o ensino em familia ou em escola livre. Este recenseamento é affixado na porta da egreja. Incumbe ás juntas de parochia dar casa para escolas, ministrar habitação aos professores, fornecer mobilia escolar, organisar as bibliothecas das escolas e auxiliar as commissões promotoras de beneficencia. As juntas de parochia, que pelos seus actuaes rendimentos não poderem satisfazer todos os encargos que ficam indicados, são obrigadas a lançar para esse fim um imposto especial, que não poderá exceder a 3 por cento addicionaes ás contribuições geraes directas do estado, podendo afóra d’isto sollicitar subsidio do governo. Resumamos o que respeita ás camaras: em cada parochia haverá a cargo da camara uma escola primaria com ensino elementar para o sexo masculino e outra para o feminino, e além d’isto na séde do concelho uma escola de ensino complementar para cada um dos sexos. Em qualquer das escolas de ensino elementar ou complementar haverá um ajudante para cada grupo de sessenta alumnos com frequencia regular, além do primeiro grupo. Sendo encargo obrigatorio das camaras municipaes os vencimentos dos professores e ajudantes das escolas de instrucção primaria com ensino elementar ou complementar, são as camaras obrigadas quando sejam insufficientes as suas receitas ordinarias a lançar um imposto especial para a instrucção primaria. Este imposto directo ou indirecto poderá elevar-se até uma somma igual ou equivalente ao producto do 15 por cento addicionaes ás contribuições geraes directas do estado. Quando as despezas com aquelles vencimentos excederem a totalidade do mencionado imposto, as camaras municipaes tem direito a reclamar recursos dos districtos, e quando estes sejam insufficientes é o governo obrigado a conceder os subsidios necessarios para occorrer ás despezas municipaes da instrucção primaria.
Empréstimo de D. Miguel
ExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoDecretos e portariasReformas
Paris, 18, t. Camara dos deputados.—O sr. Marion interrogou o ministerio relativamente á petição da junta dos possuidores do empréstimo portuguez de 1832, e queixou-se de que o gabinete tivesse rejeitado essa petição, fundando-se n’uma resolução do senado no tempo do imperio. O sr. Rouher, bonapartista, observou que era innopportuno discutir o credito de Portugal no momento da emissão d’um emprestimo portuguez. O sub-secretario do ministerio dos estrangeiros certificou que o ministro dos estrangeiros tem dado sempre a mesma resposta ás pretenções dos possuidores do emprestimo de 1832. Accrescentou que quando os interessados appellarem para a equidade e benevolencia do governo portuguez, o governo francez estará prompto para os apoiar. O sr. Marion quiz insistir, mas, ante as reclamações da camara, retirou a sua pergunta ao governo, declarando que apresentará ulteriormente uma interpellação. Afirma-se que a opinião do procurador geral da coroa é que seja mantido o decreto que concede aos coronéis de infanteria a garantia de reforma em generaes de divisão. Ora sendo assim a logica pede que volte a dirigir os negocios da guerra o sr. João Chrysostemo. Isto vae divertido. Segundo lemos em uma folha lisbonense estão concluidas as negociações sobre o tratado de Lourenço Marques. Parece que ha um artigo reversaI em que se inserio que o tratado, em vez de ser de duração limitada, passa a ficar sujeito á revisão de 12 em 12 annos; e tambem á passagem de tropas, ao estabelecimento de armazens em territorio portuguez, e a outros pontos, que, por obscuros ou omissos, se prestavam a interpretações contrarias aos nossos interesses, se fizeram acclarações.
Acontecimentos na Europa
Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoPreçosReligiãoTransportes e comunicaçõesComércio localDebates políticosEleiçõesEscolasiluminação públicaInstrução públicaLivros e publicaçõesMercados e feirasPreços e mercadosSecasTelégrafoVisitas pastorais
As noticias que encontramos nas folhas parisienses com respeito á politica interna de França são altamente importantes, mas, como n’esta secção temos de tratar dos successos que mais preoccupam o mundo politico europeu, vamos, para interesse dos leitores, consubstancial-as, sentindo porem que não possamos analysal-as miudamente conforme era nosso desejo. O partido bonapartista tende a dissolver-se. No seio de suas fileiras lavra a mais espantosa anarchia e dois dos seus mais importantes membros M. M. Duval e Michel acabam de se separar. O primeiro filiou-se no partido legitimista e o segundo no centro direito do duque de Broglie. Este vem corroborar plenamente a nossa affirmativa de que a restauração do imperio em França é um impossivel. A França deixou de ser monarchica e imperialista para ser republicana. Nos circulos politicos da Europa causaram favoravel impressão as declarações feitas no senado pelo ministro dos negocios estrangeiros, sr. Barthelemy Saint-Hilaire, respondendo á interpellação dos senadores duque de Broglie e Gontaut-Biron, interpellação que não derramara toda a luz que as direitas da camara desejavam, ácerca do procedimento preterito e futuro do gabinete Ferry na politica exterior. Algumas folhas, entre ellas Le Rappel, censuram a politica do gabinete accusando-a de parcialissima, demonstrando ao mesmo tempo que se receia dos partidos avançados. “Art. 11.º De hoje em diante a educação religiosa não formará parte das materias obrigatórias do ensino primario. A instrucção religiosa será ministrada fóra das horas de ensino aos alumnos das escolas publicas, pelos ministros dos differentes cultos, conforme as familias desejem. O conselho departamental poderá, conforme a opinião dos conselheiros municipaes, auctorisar os ministros do culto que queiram ministrar a instrucção religiosa nos locaes das escolas. Fica revogado o disposto nos art. 18 e 45 da lei de 15 de março de 1850 relativos ao direito d’inspecção dos ministros dos cultos.” Posta á votação a urgencia da sua discussão, o sr. Paulo Bert declarou-se a favor d’ella, e o bispo d’Angers combateu-a. A urgencia da discussão foi votada. Paulo Bert tomou a palavra, sustentando e resumindo as origens do citado projecto de lei. Entre outras affirmativas, disse que a liberdade religiosa não está de modo algum ameaçada. Estes assumptos prendem muito a attenção e mostram a grande força de vida politica em França. As noticias da Irlanda, conforme os telegrammas de Dublin e as correspondencias enviadas ás folhas de Londres, continuam a prender a attenção publica. Ao mesmo passo que o governo toma todas as medidas preventivas, o movimento de resistencia accentua-se, de hora a hora, e faz prever serias difficuldades. Os meetings multiplicam-se, e os agitadores aconselham aos rendeiros que não paguem, emquanto as rendas não forem reduzidas a uma certa cifra, em verdade tão mesquinha que os proprietarios não podem acceitar por forma alguma. Os habitantes das cidades vão seguindo o exemplo das povoações ruraes. Em Castlebar teve logar um grande meeting para resolver os senhorios a reduzirem as rendas das casas: os inquilinos negam-se ao pagamento, ou offerecem uma renda que elles proprios arbitram. Além da liga agraria, que tem agitado o paiz, falla-se de uma outra liga, a liga dos consumidores, que tem por fim não pagar os generos alimenticios senão por um preço determinado, muito inferior ao preço corrente nos mercados. Parece que o governo britannico está resolvido a convocar o parlamento antes da epocha ordinaria; seria para desejar que as camaras preterissem a questão irlandeza á questão hellenica, porque aquella é de urgencia indeclinavel. Do Oriente as noticias são muito importantes. Um jornal de Constantinopla, o Vakit, dá-nos curiosas informações relativamente a um projecto d’alliança, que seria uma especie de sonho dourado, ha muito tempo, dos homens politicos de Constantinopla e de Washington. Não temos pela noticia da folha turca grande fé, mas entendemos que, a titulo de informação, devemos pôr os leitores ao corrente d’esse projecto, que por ser n’este momento simples utopia, não deixa de indicar uma forte tendencia dos Estados-Unidos para crear na Europa novas e importantes relações commerciaes. Esta alliança teria por alvo ferir a Inglaterra. A alliança dos Estados-Unidos com a Turquia permittiria á grande republica americana firmar pé em terra europea, e é claro, para todos que conhecem o antagonismo e animosidade que existem entre a America e a Inglaterra, que essa alliança teria desastrosas consequencias para esta ultima potencia. Os jornaes inglezes impressionaram-se muitissimo com a linguagem da imprensa ottomana ácerca d’este assumpto; e a substituição do presidente Hayes pelo general Garfield nas ultimas eleições presidenciaes não é de molde para serenar essas más impressões e apprehensões. Censurou-se ao sr. Hayes não ter trabalhado sufficientemente na destruição da influencia ingleza nas quatro partes do mundo. Ao contrario, o general Garfield está inteiramente disposto a trabalhar n’esse sentido e já por diversas vezes se declarou amigo da Turquia. Além d’elle, o sr. Arthur, novo vice-presidente dos Estados-Unidos, visitou a Turquia ha sete ou oito annos, demorando-se no paiz cerca de um anno. Portanto o terreno está preparado e certo é que, se a republica americana espera grandes vantagens d’uma alliança com a Turquia, esta por sua parte póde esperar muito da sua approximação á America. Seria para ella a rehabilitação e uma garantia seria da sua manutenção na Europa. Conta-se em Constantinopla, que o primeiro acto do novo presidente dos Estados-Unidos será enviar ao sultão uma declaração amigavel e ao mesmo tempo um projecto d’alliança com a America. Se este acontecimento vier a produzir-se, é naturalissimo que a Turquia acceite com o maior desvanecimento as propostas do governo de Washington, e veremos então a politica europea passar por transformação radical.
Circular aos governadores civis ordenando
Educacção e instruçãoInstrução pública
lhes que enviem ao ministerio do reino relatorios circumstanciados de tudo que hajam feito e alcançado para o desenvolvimento da instrucção primaria no paiz.
ExércitoRecrutamento
Ditta relativa ao recrutamento militar de 1878 e 1879, dirigida aos governadores civis.
Política e administracção do EstadoDecretos e portarias
Portaria determinando que os conselhos academicos consultem ácerca das reformas no ensino superior.
Regressou de Evora a Beja o digno prelado d’esta diocese, o nosso amigo o sr. dr. Boavida.
Exército
A commissão de engenheiros encarregada da inspecção aos quarteis militares, examinou, antes de hontem, o de infanteria n.º 17.
Economia e comércioMunicípio e administracção localAgricultura
Domingo vae á praça o trigo dos fóros e rendas do municipio.
Justiça e ordem públicaJulgamentos
Continuemos a noticia das audiencias geraes: o 11.º réo, accusado de espancamento, foi absolvido; os 12.º, 13.º e 14.º réos, accusados de attentado contra o pudor, foram absolvidos.
Ferreira
Religião
Foi encontrada abandonada á porta de uma egreja uma creança recemnascida. Deu entrada no hospicio de Beja.
O nosso amigo o sr. Cunha Seixas deixou de fazer parte da redacção do Diario da noite.
No dia 15 do proximo mez de janeiro vão á praça differentes bens pertencentes á misericordia de Beja.
A banda do 17 tocou domingo da uma ás tres horas da tarde, no largo Nove de Julho.
ExércitoNomeaçõesTransferências
Foi transferido para o 17 de infanteria o alferes de caçadores n.º 10, o sr. Francisco Antonio Palermo da Oliveira.
Educacção e instruçãoEscolasExames
Tiveram logar esta semana, no lyceu, os exames dos candidatos ao magisterio primario.
A caderneta n.º 2 do romance de Rochefort Os Communistas no Exilio acaba de ver a luz publica.
Publicou
se a 6.ª caderneta da obra de Paulo de Kock, A Casa Branca.
ExércitoNomeações
Foi promovido a brigada e collocado em caçadores 1 o primeiro sargento do 17 de infanteria, o sr. José Moreira Franco.
Economia e comércioExércitoMunicípio e administracção localFeirasMovimentos de tropasPartidas
Esteve n’esta cidade, e partiu, segunda feira, para Evora, um destacamento de cento e cincoenta e tantas praças de infanteria 15.
Município e administracção local
Estão assentes no novo edificio dos paços do concelho todas as portas exteriores.
ExércitoJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localJulgamentosRecrutamento
O supremo tribunal administrativo declarou isemptos do recrutamento, entre outros mancebos, Agostinho, filho de Custodia do Sacramento, de Cambas, concelho de Mertola; Antonio, filho de Roipão Antonio Farinho, da freguezia de Brinches, concelho de Serpa; Antonio, filho de Andreya Maria, de Selmes; e José, filho de José Joaquim da Rosa, de Villa de Frades, concelho de Vidigueira; e sujeitos ao serviço militar: Joaquim, filho de Antonio Lerias, de Baleizão; José, filho de João Ribeiro; Joaquim, filho de Joaquim Maria, de Beringel; João, filho de José Pacheco, da Salvada, concelho de Beja; e, do concelho de Mertola, Francisco, filho de José Martins Theodoro, Antonio, filho de José Baião Louro, e Innocencio, filho de João Hilario Quaresma.
Justiça e ordem públicaMunicípio e administracção localJulgamentos
O tribunal de contas deu quitação pela sua gerencia no anno de 1878-1879 ao recebedor da camara de Ourique.
Foram nomeados quartos distribuidores para o serviço telegrapho
Transportes e comunicaçõesTelégrafo
postal em Beja os srs. Antonio Augusto Duarte, José dos Santos Nobre, Luiz da Silva e Matheus Gonçalves Faria; Cuba, José Francisco da Cruz Junior; Ferreira, João Francisco de Azevedo; Mertola, Pedro Joaquim Marques; Moura, Manoel José Angelina; Odemira, Francisco Silvestre; Serpa, Manoel Baptista Salta; Vidigueira, Antonio José Quaresma.
ExércitoJustiça e ordem públicaCrimesMovimentos de tropas
Foi mandado retirar o destacamento de policia civil em Odemira.
Cultura e espectáculoEconomia e comércioAgriculturaLivros e publicações
Sahiu o n.º 2 do Jornal de Agricultura e Sciencias correlativas.
Economia e comércioReligiãoFeiras
Visitou officialmente as juntas de parochia desta cidade, segunda e terça feira, o magistrado superior do districto.
Publicou
se o fasciculo 8.º do 4.º volume do Universo illustrado.
Economia e comércioFeiras
A carne de marranita, no mercado de terça feira, regulou por 160 a 180 reis cada kilogramma.
Terça feira via
Economia e comércioJustiça e ordem públicaTransportes e comunicaçõesFeirasImpostos comerciaisJulgamentosTelégrafo
se no mercado o commissario de policia, o chefe de esquadra, dois cabos e os guardas assim: á esquina do Lima 2; da rua da Conceição 2; da da Torrinha 2; da travessa da Audiencia 2; da rua do Sacramento 2; da rua das Ferrarias 2; da rua dos Aferidores 2. Em Lisboa pergunta-se: mas porque é que sahiu o Gamara? Em Beja ha curiosidade de saber porque foi um tamanho apparato policial? Valha-os Deus Nosso Senhor! E já agora disparataremos nós tambem fechando a noticia com o seguinte telegramma: “Sabugal ás 3 da tarde. O imposto sobre porcos produz um vulcão. Morras aos fiscaes nos mercados de Alfaiates, Touro, e Sabugal. Ninguem pagou. Os fiscaes fugiram. Escrevo.—Moreira.”
Baleizão
Economia e comércioFeiras
Quarta feira casou o nosso amigo Frederico Augusto d’Oliveira com a sr.ª Emilia Carolina Goes, natural d’aquella aldeia. Desejamos-lhe os maiores auspicios.
Meteorologia e fenómenos naturaisFrio intenso
Tem nevado durante estes ultimos dias, sendo o frio intenso.
Transportes e comunicaçõesEstradasObras de infraestrutura
Foram recebidos provisoriamente os lanços de estrada da Salvada em reparação e o de Quintos em construcção.
ExércitoMeteorologia e fenómenos naturais
Esteve em Beja, de passagem para o Algarve, o nosso amigo o sr. Ednardo Ernesto d’Alcantara Ferreira, digno alferes d’infanteria, em commissão, e que ha pouco regressou do ultramar. Tivemos summo prazer, depois d’alguns annos, em apertar a mão d’este habil rapaz, a quem a sorte por algum tempo não favoreceu como a sua intelligencia o impunha. Que viaje com prazer.
Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
O preço camarario do azeite é de 1:200 reis o decalitro.
Partio hontem á toda a pressa para Aldeia Nova uma força do 17 de infanteria.
ReligiãoCulto e cerimónias
Parece que dois reverendos bulham por querer um dizer e oppôr-se o outro a que diga as tres missas do natal.
Cultura e espectáculoConcertos
Au petit diable, é o titulo de uma walsa que o Recreio musical publicou no 16.º numero que acaba de ser distribuido.
Município e administracção local
No dia 18 e 19 de janeiro proximo vão á praça differentes bens nacionaes no concelho de Beja.
Serpa/Chefiaria
Economia e comércioJustiça e ordem públicaSociedade e vida quotidianaAgriculturaHomicídiosPobres e esmolasPrisões
Na herdade da Chefiaria, Serpa, foi assassinado por sua filha e genro um pobre camponez. Os assassinos foram presos.
ExércitoLicençasNomeações
Concluiu a licença o sr. tenente coronel de 17 de infanteria.
Educacção e instruçãoExamesProfessores
A menina Maria Ignez de Britto, filha do nosso amigo o sr. Miguel Joaquim de Britto, obteve no exame que fez para professora de ensino primario distincção. Damos-lhe os nossos parabéns.
Principia hoje a novena da circumcisão.
Cultura e espectáculoSociedade e vida quotidianaAssociaçõesAssociações recreativasLivros e publicações
Acabamos de receber, o que bastante agradecemos, um exemplar dos Estatutos da Associação dos Jornalistas e Escriptores portuguezes, que ultimamente se fundou em Lisboa, sob a iniciativa do nosso collega o sr. Eduardo Coelho.
ReligiãoCulto e cerimónias
Hoje, em todas as parochiaes e nos conventos, celebrou-se a missa solemne da Natividade, e que vulgarmente se appellida de missa do gallo.
Está vago o logar de cantoneiro de Beja á Salvada.
Justiça e ordem públicaCrimes
Teem licença por trinta dias o juiz de direito de Cuba e o escrivão do juiz ordinario de Ferreira.
Almodovar—18 de dezembro de 1880. Sr. redactor
Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoEconomia e comércioJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaAcidentes de trabalhoAgriculturaCalor extremoCrimesExplosõesFalecimentosFestas civis e popularesGoverno civilHomenagensLivros e publicaçõesPobres e esmolasQuedasRepartições públicasTempestades
No jornal O Progresso, de 30 de novembro ultimo, noticiámos que esteve n’esta localidade o ex.mo sr. conselheiro governador civil deste districto, e narrámos a maneira por que foi aqui recebido tão illustre hospede, e isto sem outro fim que não fosse o de demonstrar que Almodovar sabe render homenagem aos homens dignos e illustres; aquella innocente narrativa, porem, fez transbordar a bilis, ha muito alterada, do correspondente do Jornal do Povo n.º 257, o que não surprehendeu, pois que todos aqui o conhecem como susceptivel d’estas tempestades, e ei-lo na arena da imprensa classificando mais uma vez o seu genio bondoso: não o tememos por lado algum, fique sabendo isto. Diz elle que o ex.mo sr. conselheiro governador foi esperado a um kilometro d’esta villa sómente pelos empregados publicos; pergunta-me quantos homens independentes contei n’essa phalange processional; affirma com certo entono, bem explicito, que aqui ainda os ha. Sim senhor, ha, e o articulista é o primeiro, pois não é? Com que então entre os cavalleiros que esperavam o ex.mo sr. governador não achou nenhum independente? Esta parte do articulado presta-se para resposta que não seria agradavel, por isso, e pelas raivas que facilmente conhece, não exploraremos mais este campo; aquelles, porém, que lhe rendam graças pelo mimo! Continua o angustiado correspondente querendo fazer ver que o mesmo ex.mo sr. só foi acompanhado por algumas pessoas do foro que por acaso o encontraram, levantando-se vivas que foram correspondidos por alguns com calor e enthusiasmo, sendo duzia e meia dos taes foguetes do ar os que foram lançados! Nada mais e nada menos!... Mas sua ex.ª foi o unico culpado d’esta pobre e fria recepção! Para que não transigio com a imposição que lhe fizeram do correspondente para ser delegado de confiança n’este concelho? Acceite-lhe agora as consequencias!... Se o illustre chefe superior do districto tivesse andado, como não devia, enganei-me, como devia, veria agora aquelles escravos que o esperaram a um kilometro desta povoação metamorphoseados em cidadãos independentes! O povo viria, ainda ao mais recôndito canto do concelho, victorial-o, acompanhal-o! Não por encontro fortuito, mas de proposito; a tal duzia e meia de foguetes do ar seria transformada em dezoito grozas!... Finalmente tudo seria enthusiasmo, delirio mesmo, e grandeza!! Mas quem nunca poderia fazer brilhante figura n’esta festa civica é quem nas trevas forja a queda dos seus parentes, e quem, sem o menor motivo, os guerreia, felizmente sem resultado, inventando offensas que não recebeu e nem foram sonhadas, para a salvo da opinião publica poder aggredir! Pode pois proseguir. Continua ainda o correspondente dizendo que sua ex.ª elogiou os chefes das repartições, e com especialidade o sr. Metello, secretario da camara, e que se tivesse vindo n’outra era não teria a quem elogiar. O correspondente revela que é hospede n’estas cousas publicas chamando chefe de repartição ao sr. Metello, e um mau humor contra o empregado que o antecedeu. Quem ha aqui que ignore que os trabalhos da competencia d’este empregado se acharam em ordem? Informe-se o correspondente e saberá que o ex.mo sr. Borges Pacheco, quando veio visitar o districto, teceu ao empregado a quem me refiro os mesmos louvores que agora foram dirigidos ao sr. Metello, e se o empregado publico merece elogios porque cumpre com o seu dever, dir-lhe-hemos que aquelles não foram menos bem cabidos, pois aquelle restabeleceu a escripturação que se achava n’um cahos e este seguir um caminho terraplenado; isto porém não quer dizer que o sr. Metello não é um empregado trabalhador e intelligente. A paixão do articulista variou-se completamente; quando nós o vimos no dia da chegada do ex.mo sr. governador, envolto em comprida capa, demonstrando pesado luto e de má catadura, logo prophetisámos explosão de grande lava! Não nos enganámos; pobre Jornal do Povo!... Foi elle o submergido. Bem se vê quanto pode um affecto desordenado!... Coitado!... Chore... chore, que a lagrima é livre; não mais o interromperemos nas suas lamurias; sirva-lhe porém de lenitivo que o proprio a quem tanto odeia lhe ha de dar ensejo para que se realisem os seus sonhos dourados, devendo ter comtudo muito conta que não se opere alguma metamorphose dos nomes de João para José; não sabe a quem me refiro? Sabe, sabe; e tu que sabes e eu que sei, calla-te tu que eu me callarei. E’ isto o que ouvimos dizer, mas salvamos a nossa responsabilidade.
Serpa
Cultura e espectáculoTransportes e comunicaçõesLivros e publicaçõesTelégrafo
19 de dezembro. Pergunta-se ao sr. Graça Afreixo se a sua correspondencia publicada no Jornal do Povo foi feita d’encommenda como a que escreveu contra o sr. dr. Valle, quem mais tarde pediu um favor a quem s. ex.ª respondeu pelo telegrapho? Em respondendo, commentaremos a sua correspondencia que dá logar a muitas coisas.
21-12-80
Sociedade e vida quotidianaFalecimentos
Sr. redactor.—Consta que vae ser levantada a quantia de 700$000 rs., que o sr. João de Brito Apollonia tem sob hypotheca de todos os seus bens, em seu poder a juros, pertencente aos orphãos herdeiros do fallecido Thomaz Lampreia, d’esta aldeia; isto por resolução do conselho de familia, e dizem que porque a não julgam alli bastante segura.
Bibliographia—A Moda illustrada
Cultura e espectáculoMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoCheiasDebates políticosLivros e publicações
Publicou-se o numero 48. Este numero contém 42 modelos de diversos vestuarios, bordados, enfeites, etc. A Moda illustrada é o unico jornal da especialidade que temos escripto em portuguez e muito honra a Empreza Horas Romanticas que o publica. E’ sem contestação muito superior aos francezes. Cada numero consta de 12 paginas, 8 das quaes cheias de bellas gravuras, e dá minuciosissimas descripções de todos os modelos, de fórma que qualquer senhora poderá facilmente fazer as proprias toilettes. Todos os numeros da Moda são acompanhados d’uma folha de moldes e debuchos. Segundo uma declaração que vem impressa no numero que temos á vista, a empreza da Moda illustrada distribuirá com o primeiro numero do proximo anno, em supplemento extraordinario, um tratado de corte de vestidos, adornado de muitas gravuras. Este supplemento será unicamente entregue ás assignantes do jornal. A mesma empreza distribuiu o fasciculo 117 do Diccionario de Geographia Universal, e continua a publicar com a maxima regularidade os romances que tem no prelo. A Empreza Litteraria de Lisboa, sob o titulo Revista Moderna, vae encetar no primeiro de janeiro uma publicação mensal. A parte politica será alternadamente escripta por jornalistas de todos os partidos. E’ uma verdadeira novidade. A mesma empreza continua a distribuir aos seus assignantes a Historia de Portugal illustrada, que está sendo publicada aos fasciculos. E’ esta uma publicação de muito interesse e pela fórma como é escripta digna de todos os encomios.