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Beja 18 de novembro

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Caiu o ministério. Um ministério á altura de gravidade de circunstancias, creado de proposito para matar a hydra, com a confiança da corôa, caiu antes da abertura das côrtes! Nunca esperámos tal. Quem visse o alarde que a imprensa baldomera fez quando caiu o ministério progressista nunca imaginaria que fizessem tão triste quão ridicula figura. Ao menos os progressistas, caíram ante a opinião publica que os condemnava, e porque a corôa lhe retirou essa escora a que chamam confiança, porque, n’esta abençoada terra, todo o ministério que se aconchegue na celebre capa, escusa de ter medo da opinião publica. Morreram pois os títeres como viveram. Indecentes e ridículos! O rei, com estes golpes de estado, está creando uma grande populariedade, e tanto assim que no dia da queda do ministério, sua magestade, quando vinha da inauguração do primeiro albergue nocturno, recebeu a maior prova de frieza e descontentamento, que um rei póde receber—só o cumprimentaram empregados publicos e soldados! O novo ministério é tambem da grei baldomera, dos eternos espoliadores do povo, d’esses poços de ambição, d’esses comilões encartados. O povo, por irrisão, chama-lhe o ministério de S. Martinho ou a sam-martinhada, a qual é composta da seguinte forma: O magnifico Fontes, presidencia, fazenda e guerra interinamente; Thomaz Ribeiro, reino; obras publicas, Hintze Ribeiro, e interinamente com a pasta dos estrangeiros até á chegada de Serpa Pimentel; Vilhena, justiça; Mello Gouveia, marinha e ultramar. Em Portugal formou-se o ministério Sampaio; quasi ao mesmo tempo, em França, era nomeado o ministério Ferry. O ministério Sampaio era de transicção, o ministério Ferry tambem assim o consideravam. O ministério Sampaio fez as eleições, o ministério Ferry tambem. Ambos ganharam. Mas passadas as eleições em Portugal e em França teve-se como indispensavel uma recomposição ministerial. E a recomposição appareceu. Mas como? O ministério Ferry apresentou-se ás côrtes, deu conta dos seus actos e teve uma votação contra. Demettio-se. Mais. Todos sabiam que o sr. Gambetta succederia ao sr. Ferry mas que julgam que aconteceu? Que o sr. Gambetta assumio logo o poder? Não, apresentou-se ás côrtes, obteve em duas votações a indicação de que devia ser elle o presidente do conselho, e então é que acceitou o encargo. Era em Portugal o que vimos? O sr. Sampaio assumir a dictadura; avizinha-se a epoca da abertura das côrtes, e o gabinete fugir á obrigação de ir perante ellas explicar-se, entregando o poder ao sr. Fontes sem que para isso houvesse uma indicação. Mas o sr. Fontes é o chefe do partido dizem, o poder portanto está onde deve estar. E não é o sr. Gambetta o chefe do partido republicano? É, e todavia por assumir o poder não se contenta com uma votação, apesar da grande maioria, e provoca segunda. Quam diversamente se comprehende e pratica o systema representativo nos dois paizes! Mas Portugal é monarchico e a França republicana. Cá temos as conspirações de serralho, lá comprehende-se e pratica-se o systema representativo. Abrio antes de hontem a junta geral. Tem discutido eleições e por proposta do sr. procurador por Ferreira, um progressista par sang, tão puro como o do moderno representante do concelho de Cuba, foi negado assento na junta ao procurador effectivo por Vidigueira e ao substituto por Odemira. Dá que scismar, que sendo a junta quasi toda regeneradora, um progressista pusesse fóra um correlionario para reforçar a maioria. E agora nos lembrou um verso de Bocage: “...... andas tanto / Tanto d’aqui para ali / Procurador não me enganei / Tu procuras para ti.” O novo ministério foi mal recebido na imprensa e o Porto acolheu a noticia da elevação do grande homem á presidencia do conselho com indefferentismo. O melhor porem é que o governo tem seis dias de vida e já está em crise, pois falla-se na sahida do sr. Hintz e em serem dadas as pastas que actualmente gere uma ao sr. Cardoso Avelino (obras publicas) e a outra ao sr. Mendes Leal (estrangeiros). Que seriedade em tudo isto! Mas no fim de contas o paiz tem o que merece. Nada mais e nada menos. As eleições para cargos districtaes e municipaes neste concelho, foram protestadas. Contra a primeira protesta o sr. Penedo por ter sido votado para a junta geral, o sr. Menezes, facultativo do partido da camara municipal, contra a segunda o sr. Felippe de Vargas por serem eleitos vereadores alguns cidadãos que foram votados para a junta geral como procuradores substitutos. O sr. Vargas fundamenta, não dizemos bem, moldou o seu protesto por um celebre accordam do novo conselho de districto que poz fóra das cadeiras curuea o sr. Caetano José Ferreira e outros. Applica aos fieis regeneradores a doutrina dos seus pontifices, doutrina que nós, seja dito de passagem, combatemos, quando ella foi pregada mas que não estranhamos que um correligionario nosso a aproveite. Tornar-se-hão as settas em grelhas? Vel-o-hemos.