Beja 18 de novembro
Acidentes e sinistrosEconomia e comércioEducacção e instruçãoExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoAbastecimento de águaAgriculturaDebates políticosEleiçõesExamesFontes e chafarizesMovimentos de tropasNomeaçõesNomeaçõesObras municipaisQuedasSessões da câmara
Caiu o ministério. Um ministério á altura de gravidade de circunstancias, creado de proposito para matar a hydra, com a confiança da corôa, caiu antes da abertura das côrtes! Nunca esperámos tal. Quem visse o alarde que a imprensa baldomera fez quando caiu o ministério progressista nunca imaginaria que fizessem tão triste quão ridicula figura. Ao menos os progressistas, caíram ante a opinião publica que os condemnava, e porque a corôa lhe retirou essa escora a que chamam confiança, porque, n’esta abençoada terra, todo o ministério que se aconchegue na celebre capa, escusa de ter medo da opinião publica. Morreram pois os títeres como viveram. Indecentes e ridículos! O rei, com estes golpes de estado, está creando uma grande populariedade, e tanto assim que no dia da queda do ministério, sua magestade, quando vinha da inauguração do primeiro albergue nocturno, recebeu a maior prova de frieza e descontentamento, que um rei póde receber—só o cumprimentaram empregados publicos e soldados! O novo ministério é tambem da grei baldomera, dos eternos espoliadores do povo, d’esses poços de ambição, d’esses comilões encartados. O povo, por irrisão, chama-lhe o ministério de S. Martinho ou a sam-martinhada, a qual é composta da seguinte forma: O magnifico Fontes, presidencia, fazenda e guerra interinamente; Thomaz Ribeiro, reino; obras publicas, Hintze Ribeiro, e interinamente com a pasta dos estrangeiros até á chegada de Serpa Pimentel; Vilhena, justiça; Mello Gouveia, marinha e ultramar. Em Portugal formou-se o ministério Sampaio; quasi ao mesmo tempo, em França, era nomeado o ministério Ferry. O ministério Sampaio era de transicção, o ministério Ferry tambem assim o consideravam. O ministério Sampaio fez as eleições, o ministério Ferry tambem. Ambos ganharam. Mas passadas as eleições em Portugal e em França teve-se como indispensavel uma recomposição ministerial. E a recomposição appareceu. Mas como? O ministério Ferry apresentou-se ás côrtes, deu conta dos seus actos e teve uma votação contra. Demettio-se. Mais. Todos sabiam que o sr. Gambetta succederia ao sr. Ferry mas que julgam que aconteceu? Que o sr. Gambetta assumio logo o poder? Não, apresentou-se ás côrtes, obteve em duas votações a indicação de que devia ser elle o presidente do conselho, e então é que acceitou o encargo. Era em Portugal o que vimos? O sr. Sampaio assumir a dictadura; avizinha-se a epoca da abertura das côrtes, e o gabinete fugir á obrigação de ir perante ellas explicar-se, entregando o poder ao sr. Fontes sem que para isso houvesse uma indicação. Mas o sr. Fontes é o chefe do partido dizem, o poder portanto está onde deve estar. E não é o sr. Gambetta o chefe do partido republicano? É, e todavia por assumir o poder não se contenta com uma votação, apesar da grande maioria, e provoca segunda. Quam diversamente se comprehende e pratica o systema representativo nos dois paizes! Mas Portugal é monarchico e a França republicana. Cá temos as conspirações de serralho, lá comprehende-se e pratica-se o systema representativo. Abrio antes de hontem a junta geral. Tem discutido eleições e por proposta do sr. procurador por Ferreira, um progressista par sang, tão puro como o do moderno representante do concelho de Cuba, foi negado assento na junta ao procurador effectivo por Vidigueira e ao substituto por Odemira. Dá que scismar, que sendo a junta quasi toda regeneradora, um progressista pusesse fóra um correlionario para reforçar a maioria. E agora nos lembrou um verso de Bocage: “...... andas tanto / Tanto d’aqui para ali / Procurador não me enganei / Tu procuras para ti.” O novo ministério foi mal recebido na imprensa e o Porto acolheu a noticia da elevação do grande homem á presidencia do conselho com indefferentismo. O melhor porem é que o governo tem seis dias de vida e já está em crise, pois falla-se na sahida do sr. Hintz e em serem dadas as pastas que actualmente gere uma ao sr. Cardoso Avelino (obras publicas) e a outra ao sr. Mendes Leal (estrangeiros). Que seriedade em tudo isto! Mas no fim de contas o paiz tem o que merece. Nada mais e nada menos. As eleições para cargos districtaes e municipaes neste concelho, foram protestadas. Contra a primeira protesta o sr. Penedo por ter sido votado para a junta geral, o sr. Menezes, facultativo do partido da camara municipal, contra a segunda o sr. Felippe de Vargas por serem eleitos vereadores alguns cidadãos que foram votados para a junta geral como procuradores substitutos. O sr. Vargas fundamenta, não dizemos bem, moldou o seu protesto por um celebre accordam do novo conselho de districto que poz fóra das cadeiras curuea o sr. Caetano José Ferreira e outros. Applica aos fieis regeneradores a doutrina dos seus pontifices, doutrina que nós, seja dito de passagem, combatemos, quando ella foi pregada mas que não estranhamos que um correligionario nosso a aproveite. Tornar-se-hão as settas em grelhas? Vel-o-hemos.
Acontecimentos na Europa
Cultura e espectáculoEconomia e comércioEstatísticasExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaAgriculturaCasamentosConferênciasConflitos locaisDebates políticosJulgamentos
No penultimo numero do nosso modesto Bejense dissemos ao finalisar o artigo que elaboramos relativo á importante questão do iberismo, novamente suscitada n’uma entrevista em Caceres, que opportunamente tornaríamos a fallar do assumpto, e, no cumprimento da nossa promessa, seja-nos primeiro que tudo permittido dizer que estranhamos que os principaes pontos da questão não tivessem sido contestados pela imprensa ministerial o que nos leva a crer que nem todos os boatos propalados álem das fronteiras e mui principalmente accentuados nas folhas de Madrid não sejam destituidos de fundamento. Assim, pois, vemos que ficam de pé as allegações das folhas conservadoras de Madrid e de Paris de que na entrevista de Caceres alem da projectada liga aduaneira, primeiro passo para se chegar á politica da federação hispano-portugueza, se tratou do casamento do principe D. Carlos, herdeiro da corôa portugueza, segundo as leis monarchicas, com a princeza Maria de la Paz, filha de D. Izabel de Bourbon. Vamos, pois, proseguir nas considerações que esta importantissima questão nos suggere. A tentativa d’um enlace matrimonial entre os principes das duas casas reinantes da peninsula iberica não é de moderna data; a historia apresenta-nos muitas d’essas tentativas, algumas das quaes chegaram a ser transformadas em factos e em realidades. Modernamente e mui principalmente nos nossos dias os trabalhos para que as duas corôas possam cingir uma só cabeça, vivente esperança dos que suspiram por uma federação monarchica na peninsula ou pela constituição d’um imperio iberico, tem tomado incremento, e por este facto não nos devemos admirar que na entrevista em Caceres se pensasse no enlace matrimonial que tanta celeuma com justissima rasão tem levantado no nosso paiz quando por certo poucos individuos haverá que se tenham esquecido de quanto entre uma parte da nossa aristocracia se forjou para que se realisasse o casamento de D. Pedro V com a princeza D. Maria Izabel Francisca d’Assis, filha de D. Izabel de Bourbon, trabalhos que se frustraram pela recusa d’esse principe. Além d’isto haja vista aos trabalhos do finado Fernandes de los Rios que, appoiado por muitos fidalgos portuguezes dos quaes alguns ainda são vivos, pretendem convencer el-rei D. Fernando a acceitar a corôa de Castella, após a revolução de Cadiz de 1868, para que no futuro a união de Portugal á Hespanha pudesse ser uma realidade. Os que pensam na possibilidade da constituição do imperio iberico, os que teem sido denominados pela ambição de poderem um dia ditar a lei n’uma potencia que seria grande em territorio e em população, esquecem por certo que acima de tudo, acima dos seus interesses pessoaes, acima das suas ambições, está uma grande questão—a questão de nacionalidades—e que esta jamais se domina e se destroe. Demonstrámos em o numero 1:088 do Bejense os perigos que resultariam a Portugal se a politica da federação hispano-portugueza podesse um dia triumphar. Entremos agora na questão das nacionalidades, questão importante que nos corrobora o que então avançámos. Na Europa, e como muito bem diz um distincto publicista nosso compatriota, ainda não houve uma guerra, um grande conflicto internacional, uma reunião ou separação de estados, uma remodelação ou desmembramento depois das guerras de Napoleão I, que não tivesse por origem a questão das nacionalidades. As insurreições da Servia e da Moldo-Valackia, a autonomia e independencia d’estes estados foram questões de nacionalidade. A independencia da Grecia, questão de nacionalidade. A erecção do reino da Belgica, questão de nacionalidade. As insurreições da Polonia, questão de nacionalidade. As revoluções politicas de 1848 transformam-se em guerras na Italia e Hungria por questões de nacionalidade. A guerra da Italia em 1859 e a formação da monarchia italiana, questão de nacionalidade. A guerra com a Dinamarca, por causa do Schleswig-Holstein allemão, d’onde se originou a guerra austro-prussica, questão da nacionalidade. Apenas a guerra da Criméa deixou de ser uma questão de nacionalidade para ser o preludio da questão do Oriente que ainda hoje não obstante os trabalhos na conferencia de Berlim a diplomacia procura resolver no interesse de evitar maior effusão de sangue. Como pois seria possivel a constituição do imperio iberico ou d’uma federação nos estados monarchicos da peninsula iberica se nos dois paizes separados desde 1839 existem as questões de nacionalidade? A independencia e a liberdade de Portugal jamais seria manietada e perdida pelos que acima de todas as conveniencias sociaes e internacionaes collocam unicamente a satisfação dos seus desejos e ambições. Portugal poderia por momentos ser subjugado pela Hespanha mas haveria sempre de pugnar pela sua liberdade e pela sua independencia e reconquistal-a-hia nos campos da batalha dando ao mundo novos exemplos de heroismo, de valor, de civismo e de gloria. A unica forma de governo possivel no futuro da peninsula será, conforme dissemos em o numero 1:088, a federação republicana que assegurará a independencia e a liberdade dos povos. Não ha outra forma de governo possivel e façam os ibericos o que fizerem, preparem quantos trabalhos desejarem, levem as intrigas ao seu auge, n’uma palavra, forjem quantas machinações quizerem, a unica cousa que poderão conseguir é desacreditarem e perderem as instituições monarchicas da peninsula e darem maior força e maior vida ao partido republicano. A peninsula iberica não é a peninsula dos Balkans. Ao passo que nos Balkans estão lançados os germens para a constituição do imperio slavo que n’um futuro mais ou menos longinquo virá a ser uma realidade, na iberia estão preparados os trabalhos para a proclamação do governo republicano debaixo da forma federativa; além o imperio—a união da raça slava—aqui a republica federal—a independencia e a liberdade dos povos—essa forma de governo que hade levantar Portugal ao seu apogeu de gloria e de grandezas e salvar o resto da raça latina das ameaças e da nefasta influencia da perniciosa politica do Norte. É esta a nossa convicção—são estas as nossas idéas, robustecidas com a serie de acontecimentos que uns após outros se teem dado tão rapidos como a velocidade do raio e que a muitos tem ainda que por momentos deixado boquiabertos. A entrevista de Caceres, a julgar pelos assumptos que nella se trataram, foi uma entrevista impensadamente planeada. Os seus resultados deixaram de ser proveitosos ás instituições monarchicas da peninsula para lhe serem unicamente prejudiciaes e ruinosos. O principio monarchico não se reabasteceu—antes pelo contrario mais se desprestigiou, mais se comprometteu, e como consequencia logica trouxe comsigo o impulso ás idéas republicanas. Um passo mais no caminho traçado na entrevista de Caceres para a federação hispano-portugueza será a perda irremediavel das instituições monarchicas da peninsula já condemnadas pela civilisação e pelo progresso. Appellamos para o tempo porque elle nos dará rasão ao que deixámos exposto n’esta importantissima questão que tanto nos interessa como povo livre e independente.
Meteorologia e fenómenos naturaisSecas
Chamamos a attenção dos nossos leitores para o artigo do nosso amigo e collega que está encarregado da secção—Acontecimentos da Europa—e que hoje inserimos. O assumpto, aliás importantissimo, diz ainda respeito á entrevista de Caceres, na qual e ao que parece se trataram importantissimos assumptos de muito interesse para o nosso paiz que merecem a mais seria analyse porque se prende com elles o povo livre e independente. As idéas expendidas pelo nosso bom amigo no seu artigo deixamol-as á elevadissima consideração dos leitores posto se não afastem da justiça e da verdade.
ExércitoBanda militar
Domingo da uma ás tres horas da tarde, tocou ao largo nove de julho, a banda de infantaria 17.
Justiça e ordem públicaCrimes
O sr. Joaquim Pedro Limpo Toscano foi exonerado do logar de juiz ordinario do Alvito.
ReligiãoConcursos e provisõesNomeações eclesiásticas
Ao presbytero José Francisco Acabado, foi acceite a desistência do seu provimento, na egreja de S. Thiago de Cacem, n’esta diocese, como requereu.
Justiça e ordem públicaCrimes
O sr. Francisco Herculano Figueira Salgueiro foi demettido do officio de escrivão e tabellião do juizo de direito de Cuba.
Cultura e espectáculoExército
Sabbado teve revista, o regimento 17 de infantaria.
Política e administracção do EstadoReligiãoEleições
No proximo domingo devem ter logar as eleições parochiaes.
Economia e comércioAgricultura
O sr. Visconde de Carcaveijos, delegado do procurador regio de Villa Franca do Campo foi transferido para Mertola.
Parece que, na noite de S. Martinho, ahi para as Portas de Moura, houve lambada de criar bicho, entre um tal Veigas e filhos de Manoel Thomaz. O auto de corpo de delicto está em poder da respectiva auctoridade.
Meteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção local
Foi concedida por tempo illimitado á sociedade de exploração de minas em Portugal a propriedade da mina de manganez e ferro da herdade da Córte Pinheiro na freguezia de S. Luiz, concelho d’Odemira, districto de Beja.
Arqueologia e patrimónioMunicípio e administracção localEpigrafia
A camara deliberou que na lapide que acima a porta principal dos paços do concelho fosse aberta a seguinte inscripção: “MUNICIPES / SVMPTV PUBLICO A FUN / DAMENTIS / ERUXERUNT / M. D. C. C. C. L. X. X. X. I.”
O matadouro, rendeu no mez de outubro, 6:440 reis.
Economia e comércioImpostos comerciais
O imposto sobre carne esfoladiça rendeu no mez de outubro reis 101:835.
Economia e comércioMunicípio e administracção localFeirasMercados e feirasSessões da câmara
Sexta feira, teve sessão nos paços do concelho a commissão do recenseamento politico.
Meteorologia e fenómenos naturaisSecas
Como do annuncio que vae na respectiva secção, se póde vêr que o nosso antigo e distincto facultativo o sr. Joaquim Baptista Ribeiro, mudou a sua residência da casa da rua das Ferrarias, onde permaneceu bastantes annos, para a rua de S. João.
Tem mais um carteiro effectivo a estação telegrapho
Transportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacçõesTelégrafo
postal d’esta cidade.
ExércitoSociedade e vida quotidianaFalecimentos
Ao digno coronel do regimento 17 de infantaria acaba de fallecer-lhe seu pae. Os nossos sentidos pesamos.
Por aqui a falta de trabalho para pedreiros e carpinteiros é grande.
Economia e comércio
N’estes ultimos dias já tem apparecido no nosso mercado a bôa tainha do Sado.
Município e administracção localTransportes e comunicaçõesEstradasEstradas e calçadasObras de infraestruturaObras municipais
Proseguem por conta do município as obras das estradas municipaes de Beja á Salvada e de Beja a Ervidel.
Vae prolongar
Meteorologia e fenómenos naturais
se até á circumvallação a rua onze de outubro ficando macadamizada e com passeios lateraes. Já não é sem tempo que se tratou de realisar uma obra tão importante e que além do embellesamento traz para o publico grande utilidade.
O caso vedigueirense, até chegou a Paris. A Republique française, noticia os tumultos. E que tal?
Justiça e ordem públicaCrimes
Está incommodado o sr. juiz de direito. Fazemos votos pelas suas melhoras.
Município e administracção local
Tomou hoje conta da administração do concelho o sr. presidente da camara.
Município e administracção localTransportes e comunicaçõesCorreioEstradas e calçadasSessões da câmara
A camara, na sessão de hontem, deliberou denominar Rua oito de outubro, a rua ha pouco aberta entre as do Correio e Mestre Manoel. É a data em que principiou em 1877 a edificação dos paços do concelho.
Município e administracção localSessões da câmara
A camara deliberou na sua ultima sessão segurar os paços do concelho em 35:000$000 reis.
Vae calçar
Meteorologia e fenómenos naturais
se a rua dos Lagares. Não foi sem tempo.
Recebemos e agradecemos a caderneta n.º 3 do Fiacre n.º 13.
Educacção e instruçãoInstrução pública
O n.º 18 da obra de propaganda á instrucção para portuguezes e brazileiros, intitula-se—Noções geraes de Jurisprudência.
Exército
Pedio mudança de situação o sr. major de infantaria Manoel José Gomes.
Município e administracção local
Reassumio o logar de administrador interino d’este concelho o sr. Antonio Anacleto Paes.
Município e administracção local
Pedio de aforamento á camara, para edificações, uma porção do terreno no rocio do Carmo, o sr. Antonio Gonçalves dos Santos Xavier.
Do regresso de casa de seus paes, tornou a passar por esta cidade no dia 14 o novo arcebispo de Gôa, o tal das Theresinhas de Coimbra.
No dia 15 do proximo mez de dezembro vão á praça differentes bens nacionaes nos concelhos de Odemira e Vidigueira, neste districto.
Arqueologia e patrimónioEconomia e comércioSociedade e vida quotidianaDescobertas e achadosFalecimentosFeiras
Falleceu terça feira, uma filhinha do nosso amigo o sr. Antonio Joaquim Duarte Machado. Os nossos pesamos.
Meteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção local
Foi concedida por tempo illimitado á sociedade de exploração de minas em Portugal a propriedade da mina de ferro e manganez do Curral do Vaco de Baixo na freguezia de S. Luiz, concelho de Odemira, districto de Beja.
Política e administracção do EstadoReligiãoEleições
Dizem que na Salvada e Cabeça Gorda os politicos andam tão assanhados que até se vae disputar a eleição da junta de parochia. Não ha que ver, Salvada e Cabeça Gorda andam de dente arreganhado e os homens tanto d’uma parte como d’outra todos querem o penacho. Mas em que ficaremos? Quaes são os mais intelligentes e capazes de desempenhar qualquer cargo? Veremos.
Economia e comércioAgricultura
Começou o apanho da azeitona, e n’alguns lagares já se admitte a destinada a azeite.
Justiça e ordem públicaMunicípio e administracção localCrimes
Sahio ha dias acompanhado de policias o sr. administrador do concelho. Teremos nova hydra?
No mez de outubro abateram
Economia e comércio
se 207 carneiros para consumo da cidade que pesaram 2:327 kilogrammas.
Justiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisCrimesNeve
O sr. Jacinto Alexandre da Fonseca Neves foi nomeado escrivão e tabellião do juizo de direito de Mertola.
No mez de outubro abateram
Economia e comércio
se para consumo da cidade 23 vaccas que pesaram 4:465 kilogrammas.
Justiça e ordem públicaCrimes
O sr. Manoel dos Santos Fernandes foi demettido do officio de escrivão e tabellião do juizo de direito de Mertola.
Justiça e ordem públicaCrimes
O sr. Francisco Antonio Faseada foi nomeado escrivão e tabellião do juizo de direito de Cuba.
Justiça e ordem públicaCrimes
O sr. José Maria de Lemos Junior foi demettido do officio de escrivão e tabellião do juizo de direito de Mertola.
Educacção e instruçãoExércitoEscolasExames
No dia 11 do corrente tiveram logar os primeiros exames na escola regimental de infantaria 17, na classe dos officiaes interiores. Eis o resultado: Approvados com distincção os 1.os sargentos Correia e Lopes e o 2.º Trindade; e simplesmente o 1.º sargento Subtil e o 2.º Mendes.
O sr. Constantino Camillo Belleza de Vasconcellos foi demettido do logar de delegado do procurador regio de Mertola.
ExércitoMovimentos de tropas
Foi rendido por egual força e do mesmo corpo o destacamento de infantaria 17, que se achava em Aljustrel.
Distribuio
se o n.º 7 da Moda illustrada.
Educacção e instruçãoMunicípio e administracção localEscolasSessões da câmara
Na reunião de hontem o sr. presidente da camara apresentou e a camara approvou, o plano provisorio das escolas, deste concelho.
Justiça e ordem públicaCrimes
O sr. Marcos José da Maternidade e Silva foi nomeado escrivão e tabellião do juizo de direito de Mertola.
Justiça e ordem públicaCrimes
O sr. José Domingos da Silva Junior foi nomeado escrivão e tabellião do juizo de direito de Odemira, no impedimento de Jeronymo José Nunes.
Meteorologia e fenómenos naturais
Foi concedido por tempo illimitado á sociedade de exploração de minas em Portugal, a propriedade da mina de ferro e manganez da herdade da Caldeira, districto de Beja.
Jesus Christo, por L. Veuillot. Publicou
Religião
se o 5.º fasciculo. Orna-o um soberbo cromo representando a Pesca milagrosa.
Exército
Regressaram a Beja parte das forças militares que foram á campanha eleitoral em Vidigueira.
Meteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoReligiãoEleiçõesFestas religiosasNeve
Domingo, presidem ás assembléas para as eleições parochiaes os seguintes srs.: Parochia de S. João, Francisco Nunes d’Oliveira; Salvador, Adrianno Antonio Trindade; Santa Maria, João Baptista Branco; S. Thiago, José Penedo de Castro e Sousa; Neves, Francisco José Lampreia; Baleizão, José Francisco Xavier Soares; Salvada, João Bento Lampreia; Quintos, José Manoel Palma; Louredo, José Maria d’Almeida Doria; Beringel, Eduardo Manoel Cardoso Alves; S. Mathias, Antonio Joaquim Pereira Duarte; Albernoa, José Francisco Raposo; Trindade, Manoel Francisco Honorio; Santa Victoria, Manoel dos Prazeres Lança.
Lisboa 15 de novembro de 1881
Acidentes e sinistrosEconomia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisSociedade e vida quotidianaFeirasPobres e esmolasQuedas
Consta que o sr. Sampaio se vai retirar á vida privada. Faz muito bem. Já ha mais tempo que o devia ter feito: escusava de dar a prova da sua demencia e teve. Como homem tem-se pena d’elle por ser um velho, e a maior nobreza para nós é a idade; mas como politico detestamol-o. Pobre Sampaio: quem diria e 46 e 48, quando era perseguido pelo governo do Cabral, que elle trinta annos depois havia de ser o mesmo? Deixamol-o em paz... —E o tigre? e o urso pelado? Já ha muito que não fallamos nesta individualidade, neste gigante!! Deploravel esquecimento!... O urso pelado deve dar urros, que nem o diabo o poderá aturar, com a queda dos saltimbancos de feira, dos palhaços da baixa comedia!... Pobre urso! —O grande poeta revolucionario Gomes Leal, acabou já um poema dedicado ao Sampaio, que tem por titulo “Renegado”. —Foi hoje dado ao registo civil, o nascimento d’uma filhinha do nosso amigo Manoel Bruno. —Foi apresentado no Gymnasio, com grande applauso, a comedia de Sardon Divorçons traduzida pelo distincto escriptor Pinheiro Chagas, como já disse na correspondencia passada. Lacerda e Mello.
Serpa 13 de novembro de 1881
Arqueologia e patrimónioEconomia e comércioJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroCheiasContrabandoDenúncias e queixasEleiçõesEstacçõesNomeações e cargosObras de infraestruturaRepartições públicasRestauro e conservacção
Terminou a eleição municipal no concelho de Serpa. É conhecido o seu resultado, embora sejam desconhecidas as causas que o produziram o que ficam reservadas para serem tratadas em especial; agora occupar-me-hei somente da intervenção dos empregados da alfandega n’esta eleição, eleição puramente local, sem significação politica, propriamente dita, pois é sabido que em assumptos de administração caseira a politica deve ceder o logar ás conveniencias locaes, á boa administração e á escolha de individuos competentes para bem poderem desempenhar-se do encargo de administrar um concelho. Não se quiz entender assim, e, comquanto o assumpto fosse, como disse, puramente de conveniencia local, o governo nada tivesse com semelhante eleição não só pelo seu genero mas pela insignificancia especial do corpo administrativo de que se tratava, e cujo peso tão pouco tem influido sempre na politica geral do paiz, deu-se á eleição por conveniencia particular de dois sujeitos uma feição politica para melhor encobrir o fundado receio de serem esmagados pela antipathia geral, arrancando-se ao serviço para que são destinados trinta e um guardas da alfandega que vieram durante os dois dias da eleição estacionar em Serpa, e pôr-se por ordem do seu digno e zeloso chefe, o fiscal da alfandega de Serpa, servindo por obra e graça do enredo do chefe fiscal da mesma alfandega, o sr. Francisco Rodrigues Pires Lavado, á disposição dos manos Labões e d’elles receberem as competentes listas para com toda a liberdade, dignidade e independencia poderem votar!! Moralizemos agora o caso expondo as circumstancias em que se acha a fiscalização n’este districto, e quaes as consequencias resultantes d’este acto de zelo pelo serviço publico e as vantagens obtidas pelo thesouro com a retirada de trinta e um guardas do serviço da fiscalisação durante tres dias comprehendendo o tempo gasto com a vinda e ida. A fiscalisação da alfandega de Serpa está reduzida á ultima expressão; parte dos melhores guardas do districto teem fugido para outras alfandegas para não servirem sob as ordens do sr. Francisco Rodrigues, e se alguns ainda aqui se conservam é devido á impossibilidade de arranjarem collocação em outra parte; o serviço acha-se senão de todo, quasi abandonado e o contrabando campeãa desassombradamente, é o sr. chefe fiscal quem o diz, por todo o districto sem que seja possivel cohibir-se: á falta absoluta de pessoal, diz elle, é devido a este estado de cousas. O sr. chefe fiscal não póde vedar a torrente do contrabando que invade quotidianamente o districto da alfandega de Serpa por não ter pessoal sufficiente para desempenhar á altura da sua capacidade o logar que exerce, e tem reclamado, como empregado zeloso, com a maior instancia o pessoal bastante para que o serviço possa ser feito com todo o esmero de que elle é capaz! Até aqui vamos bem; mas se o sr. Rodrigues não tem pessoal para guardar o districto, se o sr. Rodrigues se mortifica tanto por ver o seu districto inundado de contrabando d’um extremo ao outro, como é que esse pessoal tão deminuto, póde ser retirado do serviço para andar fazendo eleições municipaes?! Não conhece o sr. Rodrigues que, se com todo o pessoal em serviço o contrabando grassa desassombradamente, com a retirada de trinta e um guardas do serviço, retirada sabida e apregoada com dois mezes de antecipação?! Não percebeu o sr. Rodrigues que este acto por si praticado com conhecimento da causa defraudava sensivelmente os interesses do thesouro que lhe cumpre promover e guardar?! Não comprehende o sr. Rodrigues que ás suas reclamações desharmonisa com os seus actos, e que querendo passar para com os seus superiores por um empregado zeloso, não o é na realidade mais do que um pessimo funccionario que prejudica o thesouro?! Quererá o sr. Rodrigues sustentar que trinta e um guardas retirados do serviço durante tres dias não prejudicam o mesmo serviço?! Pois se 31 guardas empregados em pandiga eleitoral durante tres dias para servir os amigos da localidade não prejudicam o serviço por serem sufficientes os restantes, como é que todos empregados na fiscalização não são bastantes para impedir o contrabando?! Diga sr. Rodrigues, como devemos entender as suas manobras e classificar os seus actos? Ou o sr. Rodrigues burla a direcção geral instando por empregados de que não carece e por isto falta á verdade, ou se os precisa como é que podem elles, os poucos que tem, andar distraídos dos seus deveres por mero capricho seu?! Diga sr. Rodrigues, como entende dever ser classificado o seu procedimento? Como de empregado digno e zeloso?! O sr. Rodrigues retira do serviço parte dos empregados seus subordinados sem estar para isso authorisado, porque ninguem com juizo o poderia authorisar a andar fazendo eleições municipaes com os guardas da alfandega, defrauda os interesses do thesouro permittindo por este facto a entrada do contrabando em maior escala, e não quer ser classificado como pelos seus actos merece! E pede syndicancias!! Pois venham as syndicancias examinar este sudario de abandono, intrigas e alcovitices. Venham as syndicancias ver o guarda Joaquim Luiz empregado exclusivamente em creado de recados do sr. Rodrigues; venham ver o guarda João Machado empregado em picador de cavallo do sr. Rodrigues; venham ver o guarda Antonio Matheus Guerreiro e outros mais irem expressamente a Mourão para trazerem um cavallo para o mesmo sr.; venham ver finalmente o lastimoso estado de todo o districto e quantas vezes o sr. Rodrigues o tem percorrido e quantas tem andado de caçarias e outras patuscadas! Venham ver tudo isto e depois conhecer-se-ha quem falta aos seus deveres e quem pratica taes actos ou quem os censura. Continua. J. P. C. A.
Torrão 7 de novembro de 1881
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Sr. redactor.—Grande derrota soffreram os republicano-progressistas d’esta villa na eleição municipal que teve logar hontem. Dizemos grande derrota porque confiando no choro que foram fazer perante individuos estranhos á politica local, pedindo humildemente a coadjuvação dos mesmos, para poderem ao menos igualar em votos os regeneradores, não poderam conseguir. A lucta travou-se, mas antes, e muito antes já tinham recorrido á influencia de todas as povoações visinhas e remotas. Recorreram a todos os individuos das Alcáçovas, que tinham relações, e influencia n’esta terra, a individuos de Evora, a todos os lavradores do Sado, á excepção do lavrador Antonio Dias, e finalmente uns deixaram as ovelhas, outros as trolhas, uns recorriam á intriga, outros á provocação, perturbando tudo, que se pôde chamar ordem e dignidade, foram derrotados por quatro individuos somente da localidade. O poderoso auxilio dado pelos batoteiros d’Alcacer, administrado por um individuo que tem o appellido d’uma ave que vê muito, mas que é uma topeira em toda a extensão da palavra, os ensaios comicos mettidos a martelo na cabeça do presidente da assembléa, tudo isto e o resto não foi sufficiente para salvar a derrota. Outro officio, politicos de cuecas, não é vergonha o sapateiro trabalhar no seu officio e d’elle tirar o pão necessario á vida, o ferreiro bater o ferro, o pedreiro construir casas, o lavrador compulsar a rabiça do arado, o lojista medir metros de panno cru, e chita: vivam dentro da raia dos seus misteres, e não queiram bravejar para irem comer do orçamento, a procurar nichos para acoitar a preguiça; isso só fazem os malandros. As classes operarias são illustres, illustre não póde ser o desertor de qualquer d’ellas, para viver malandriando. Um pretende ser carteiro para não furar a sola, e trabalhar de sol a sol, outro coberto de calotes não quer ir trabalhar para o campo, nem vigiar o que administra, e lhe não pertence, o aguardentado permanentemente vae qual grifo á procura de carne, que a decomposição lhe annuncia onde está; mas chegando tarde só póde lamber os pratos, nos banquetes dos que bem o conhecem. Succedidos d’aqui com o desprezo dos eleitores, carregados os estomagos de vinho lá vão farejar a victoria facticia dos seus correligionarios Alcacerenses; turba multa das ovações apanhavam aqui e ali algum osso cahido da boca de cão vadio, e ficam chuchando o tutano á espera de melhor presa. E não se envergonham estes tortuegus. É melhor negociar em pelles de coelhos, do que ser politicos de taberna. São assim os republicano-granjolas pela maior parte. E ainda haverá homens serios que os acompanhem. Soou a hora ultima dos vossos feitos, e nem a historia se occupará de vós. Durante a vossa vida, nem fareis pyrilampos, depois da derrota, ninguem conhece a vossa existencia; é como se não existisseis. Juntai as vossas vozes com o chalrear das rans sadinas, e com ellas pranteai a derrota do vosso chefe, e dos abastados lavradores do Sado, que melhor lhes seria tratarem das apeias para as charruas, do que ficarem cobertos de vergonha. E encetem-se á gloria dada pelos vossos correligionarios, e só assim poderão mostrar os [ilegível], que [ilegível] de espanto ao rapazio. Continuaremos.
Bibliographia—Historia de Portugal Illustrada
Preços
Terminou a publicação do quarto volume d’esta importantissima obra que a empreza Litteraria de Lisboa tem no prelo. É escripto por Delfim d’Almeida e Gervasio Lobato. As illustrações são de Manoel de Macedo. A empreza fiel aos seus compromissos continua com regularidade a distribuição dos fasciculos do terceiro e sexto volumes que em breve devem ficar concluidos, unicos que faltam á conclusão da obra. A Historia de Portugal illustrada é distribuida em fasciculos, contendo tres folhas de 8 paginas, formato in-folio com duas columnas, typo completamente novo e optimo papel, e uma excellente gravura impressa em papel velino. Cada fasciculo custa 100 reis. No escriptorio da empreza continua aberta a assignatura.
A Europa Pittoresca
Economia e comércioPreçosPreços e mercados
Distribuiu-se o fasciculo n.º 11 d’esta primorosa e admiravel publicação da qual é director proprietario o sr. Salomão Saragga, 19, Paris, e gerente em Portugal o nosso bom amigo o sr. David Corazzi, proprietario da empreza Horas Romanticas. A Europa Pittoresca é uma obra illustrada com um grande numero de gravuras executadas pelos principaes desenhadores e gravadores do mundo, representando tudo quanto ha de preeminente pelo lado pitoresco, tanto nos aspectos da natureza como nas obras de genio artistico em Portugal, Hespanha, França, Inglaterra, Allemanha, Italia, Grecia, etc. Cada fasciculo custa 600 reis, preço muito insignificante em vista do grande mérito e importancia d’esta obra.
Os insectos
Economia e comércioPreçosPreços e mercados
Segunda parte das Maravilhas da Creação.—O primeiro fasciculo d’esta obra será distribuido na primeira quinzena do proximo mez de dezembro. A obra divide-se em 30 fasciculos semanaes, 15 de 16 paginas e 15 de 8, tendo estes uma gravura de pagina inteira, pelo preço de 60 reis. Cada um pagos no acto da entrega em Lisboa e Porto, e adeantadamente para as provincias em series de 10 fasciculos ou 3 remessas de 600 reis cada uma. Assigna-se no escriptorio da empreza, rua do Arco da Bandeira, 39, 1.º. Lisboa. Sebastião J. Bagam.