Lisboa 15 de novembro de 1881
Consta que o sr. Sampaio se vai retirar á vida privada. Faz muito bem. Já ha mais tempo que o devia ter feito: escusava de dar a prova da sua demencia e teve. Como homem tem-se pena d’elle por ser um velho, e a maior nobreza para nós é a idade; mas como politico detestamol-o. Pobre Sampaio: quem diria e 46 e 48, quando era perseguido pelo governo do Cabral, que elle trinta annos depois havia de ser o mesmo? Deixamol-o em paz... —E o tigre? e o urso pelado? Já ha muito que não fallamos nesta individualidade, neste gigante!! Deploravel esquecimento!... O urso pelado deve dar urros, que nem o diabo o poderá aturar, com a queda dos saltimbancos de feira, dos palhaços da baixa comedia!... Pobre urso! —O grande poeta revolucionario Gomes Leal, acabou já um poema dedicado ao Sampaio, que tem por titulo “Renegado”. —Foi hoje dado ao registo civil, o nascimento d’uma filhinha do nosso amigo Manoel Bruno. —Foi apresentado no Gymnasio, com grande applauso, a comedia de Sardon Divorçons traduzida pelo distincto escriptor Pinheiro Chagas, como já disse na correspondencia passada. Lacerda e Mello.