Revista da semana
Pedio a sua demissão, de ministro das obras publicas e estrangeiros, o sr. conde de Castro. As ignóbeis influencias que o dominavam, e a opposição que se levantou contra o contracto Debrousse, unicamente apadrinhado por um escroc, apressaram-lhe a sua queda. A sahida do sr. conde trouxe serias complicações para os seus amigos collegas. As combinações levaram alguns dias e parece que chegou a assentar-se o seguinte ministério: Duque de Loulé, presidente do conselho sem pasta. João Chrysostomo, ministro da guerra. Anselmo Braamcamp, ministro do reino e estrangeiros. Augusto Barjona, ministro da justiça. Andrade Corvo, ministro das obras publicas. Fontes, ministro da fazenda. Mendes Leal, ministro da marinha. Esta lista porem não vingou. O sr. duque de Loulé, apesar de muito instado, negou-se a fazer parte da nova administração e a recusa de sua ex.ª deu em resultado não quererem tambem aceitar partilha no poder os srs. Mendes Leal, Braamcamp e João Chrysostomo. N’estas circumstancias, o gabinete que não queria morrer, tratou de ir procurar elementos de vida a outra parte, e no dia 10 appareceu, com geral surpresa, reorganisado o ministério da maneira seguinte: Presidente do conselho de ministros, sem pasta—Joaquim Antonio d’Aguiar. Ministro do reino—João Baptista da Silva Ferião de Carvalho Martens. Ministro da fazenda e interinamente da guerra—Antonio Maria de Fontes Pereira de Mello. Ministro da justiça—Augusto Cesar Barjona de Freitas. Ministro das obras publicas, interino, com a pasta dos estrangeiros—José Maria do Casal Ribeiro. Ministro da marinha—Visconde da Praia Grande de Macau. É inegável que os srs. Casal Ribeiro e Martens Ferrão são dois cavalheiros muito intelligentes, muito honrados e geralmente respeitados e bemquistos mas desejavamos não os ver no ministério. Talvez isto provenha de havermos sido dos primeiros que contribuiram para a fusão, e de a haverem elles combatido com todas as suas forças. Ha quem diga que, com a entrada destes dous estadistas para o ministério, ficou resolvido o problema politico, mas a nós parece-nos o contrario porque a recomposição, seja dito com verdade, foi feita contra todas as indicações. Dizemos isto porque sempre temos tido por costume, sejam quaes forem as consequências, emittir a nossa opinião. Esse hybrido amalgama que ahi está não se justifica. Não digam que foi a falta de homens intelligentes na fusão que o aconselhou porque não é assim. No nosso partido ha por exemplo o sr. Rodrigues Sampaio, cavalheiro competente para a pasta do reino, temos tambem o sr. Andrade Corvo para a das obras publicas, o sr. [ilegível] Leme para a da guerra, e muitos outros que achamos escusado enumerar. Porque se lhes não deu então partilha no poder? Sentimos como fusionistas o errado passo que acaba de dar-se, mas nem por isso somos contra o gabinete. Aguardaremos os actos dos novos conselheiros da coroa e serão elles que hão de guiar o nosso proceder. Contra a representação que a camara municipal da Guarda dirigio á casa electiva, contra o casamento civil, appareceu agora um protesto assignado pelo seu digno presidente e por um outro vereador, de cuja ausência se aproveitaram os catholicões para arranjar aquella boa e santa obra! O caso da Guarda faz-nos lembrar um identico que se deu, ha tempos, na camara desta cidade por occasião da nomeação de um continuo. Cá e lá más fadas ha. No Diario não encontramos cousa que mereça extractar-se. Deu-nos o tratado celebrado entre Portugal e Hespanha, duas listas, uma de despachos e outra de mercês, e a ordenança para a armada. Diz-se que a companhia dos caminhos de ferro do sul e sueste fallio em consequencia de não achar quem lhe tomasse as acções. Que dirão agora os impugnadores do contracto de 14 de outubro? Ainda teimarão em que ella tirava um juro de 50 por cento? São capazes d’isso. O contracto Debrousse, segundo informações que lemos, se o governo o apresentar á discussão, será regeitado pelas cortes. Fazem o que devem porque transacção mais desgraçada ha muito que não apparece. A prova real da sua ruindade está no silencio que a imprensa mercantil tem guardado. Nem uma só voz se levantou ainda a defendel-a e até a Gazeta, apesar de levar rasca na assadura, está muda. Diz-se que a opposição está organisada e que o sr. Coelho do Amaral é o seu chefe. As cortes foram prorogadas até ao dia 26 do corrente mez. O projecto de lei de imprensa foi approvado, na camara electiva, com as emendas e alterações propostas pela dos pares. A camara dos pares continua no dulce far niente. A dos deputados boceja e espreguiça-se e a custo lá vae approvando alguns projectosinhos de interesse secundario. Tambem se acha já approvado o orçamento do ministerio da guerra e o 1.º, 2.º e 3.º capitulo do da marinha. Está em discussão o 4.º. Hontem não trabalhou a camara por ser dia sanctificado. Para hoje estavam dados os projectos de lei n.ºs 67, 68, 69 e 77, mas como se espera que o ministério se apresente, é quasi certo não se occupar d’elles. O Bem publico replicou como costuma. É mais um favor que juntaremos aos outros de que lhe somos devedores. Já contavamos com elle mesmo porque não continuar a insultar-nos, seria faltar ao que deve a si e á seita a que pertence. Agradecidos pois e mil vezes. Escravo de Roma, lendo a consciencia e a penna hypothecada a algum outro que ella lhe atira, do muito que rouba aos fieis ad majorem Dei gloriam, o Bem publico não gostou que fallasemos da grande velhacaria do m de gratiam e irritou-se. Se havia de tomar limonadas para refrescar, sahio á rua em mangas de camisa, carregou-se de pedras atirou-nos algumas, e o resto empregou-o contra as vidraças da casa do sr. A. Herculano. Perdoamos-lhe a garotada, porque para castigo basta-lhe a acção que praticou, mas sentimos que por nossa causa fosse incomodado o Tácito portuguez. Diz o Torniquete catholico que lhe não cabe o epitheto de falsificador, porque no que escreveu de nós, foi exactissimo. Porem, para ver se pode safar-se da rede em que o apanhámos, continua a dizer que duvidar e reconhecer são synonimos e para provar isso exclama todo babôso: «O Bejense não deve ter esquecido a qualificação que dava ao Portuguez, quando se batia com elle durante o ministério Lobo d’Avila; e n’essa qualificação acha-se que o duvidamos tem o valor de reconhecemos.» Mantemos pois o que dissemos, que é da mais escrupulosa exactidão. O maior favor que podêmos fazer ao Bem publico é suppor que não sabe a sua lingua. Conta-se que n’outros tempos havia um sargento que dizia pões em vez de pães (...) O Bem publico é como o tal camaradinha. Disse que duvidar e reconhecer eram synonimos, corrigimol-o por isso, mas o bruto a nada se moveu, e persiste na asneira. Ora que cabeçudo! (...) Não é Rousseau, mas, se bem nos parece, Chateaubriand, quem considera o casamento um contracto civil que a egreja sanctifica. (...) Para que não haja duvida bom será ouvilo. No capitulo VIII do IV livro do contract social, escreveu elle: «Ceux qui distinguent l’intolérance civile et l’intolérance théologique se trompent...»