CORRESPONDÊNCIAS
Villa Real de Santo Antonio 17 de outubro de 1866 — Sr. redactor.—Estou a banhos em Villa Real de Santo Antonio, e daqui fui já dár o meu passeio recreativo a Tavira, Olhão, e Faro,—nessas diligencias que regularmente giram entre estas bellas povoações, por preços commodios, e a bom rigorosamente marcadas. Poderá haver tão boa visita, e mesmo melhores transportes; mas tão bons as mãos um paiz onde tudo mora a agua, malgudando o progresso, e sem melhoramentos. Villa Real prospera em bellos e avultados predios, de dez annos a esta parte construidos. O seu commercio tambem se anima com a pesca das sardinhas; a frequencia annual dos banhos; a navegação e pilotagem da mina de S. Domingos; aMuda a mão d’obra de Mertola, e a pesca da sardinha dão vida e animação á terra que deve o ser ao todo. Para uns tudo vida; para outros despreso e morte. Triste cousa! Mas a morte lenta e moral é peor que a physica e radical?—Que o digam os philosophos, que o declarem os padecentes que o proclamem finalmente os que sabem raciocinar.—Para Villa Real rasgou-se o véo que sustava o seu desenvolvimento:—para Mertola é que não ramu assim a Aurora dos nossos tempos. Minha infeliz terra adoptiva, estavas reservada para alvo das tyrannias; para a guilhotina do século 19! [...] (Continúa).