O homem põe
Conta um jornal de Madrid que um hespanhol, enfastiado de viver, deliberou suicidar-se, e, para tornar infalível a sua morte, tomou as mais minuciosas medidas. Inabalavel no seu funesto designio, encaminhou-se para a praia do mar, munido de uma escada de mão, de uma corda, de uma pistola carregada, de um frasco cheio de veneno e de uma caixa de phosphoros. Deitando a vista em redor de si, enxergou uma estaca, que enterrada a poucos passos, elevava a extremidade fóra da agua; a ella encostou a escada, e subindo amarrou ao topo a corda, com a qual fez um nó á roda do pescoço, tragou o veneno, e, acendendo um phosphoro, deitou fogo ao fato: feito isto applicou a boca da pistola ao ouvido e deu um pontapé na escada. Porém, neste momento supremo, tremeu-lhe a mão quando dava ao gatilho; a bala em logar de penetrar-lhe na cabeça, cortou a corda; e o desgraçado caiu n’agua, apagando-se assim o fogo que lhe lavrava na sobrecasaca. A dose d’agua salgada que teve de engolir obrigou-o a vomitar o veneno, que ainda não tinha produzido effeito. Perdidas as esperanças de morrer, foi-se para casa, convencido de que ainda não era chegada a sua hora fatal.