BEJA 23 DE NOVEMBRO
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Revista da semana—Não trouxe o Diário uma unica providencia de interesse publico mas em compensação abundaram os boatos. Diz-se que entre os membros do gabinete não ha a melhor harmonia e que o sr. ministro do reino chegara até a pedir a sua demissão. Parece que um projecto do sr. Fontes em que não só quer considerar nacionaes as dividas do sr. D. Luiz, mas até pretende elevar a dotação real de um conto de reis diário a dois, foi a causa da desintelligencia. Sobre o assumpto appareceu no Jornal do Commercio um excellente artigo. Se não fôr desmentido na folha official o que nelle se diz, havemos de o reproduzir porque as idéas ahi expendidas não destoam das que já por outra occasião manifestámos. Parece que vamos a ter a nossa bab wher e uma guarda civil de 3:000 homens divididos em tres corpos sendo de cavallaria um e de infanteria dois. Fazemos votos para que esta medida vá por diante, e que aquella não passe de boato. Somos contra o chuço e a raúna. O corpo consular diz-se que vae ser reformado e que a fazenda publica terá uma nova organisação. Se consistir em augmento de papelada e por consequência de empregados, o melhor será deixal-a como está. Das colonias consta-nos que se vae tractar seriamente, e informam-nos que o Tejo será fortificado com tres monitores, e que se vae formar uma esquadrilha de evoluções. Venham lá mais essas manobras. Como se verá n’outra secção d’esta folha está fixada, para o dia 28 do corrente, a abertura da linha ferrea de Ciudad-Real a Badajoz que liga as linhas de Lisboa e Madrid. Não ha como estava projectado, inauguração solemne. Apenas assistem alguns ministros hespanhoes e portuguezes á festa coroando-a com dois jantares um em Badajoz e outro em Lisboa. Estão novamente a concurso asininas de Aljustrel. Approxima-se o anno de 1867, e por conseguinte a epocha da reunião dos corpos legislativos, em cuja sessão, é voz publica e constante, serão apresentados pelos srs. ministros grandes projectos de reformas em differentes ramos da publica administração. Entre estas reformas aquella que mais occupa os ânimos, aquella de que mais se falla por toda a parte, e até se discute, é sem duvida a que se diz reforma administrativa. Parece mentira como certas pessoas tem tão bons correspondentes nos gabinetes dos srs. ministros, ou como estes propriamente andam a mostrar a sua obra a tanta gente, que já nos dizem quaes os logares que ficam, os que são suprimidos, as economias que se fazem, as despezas que se augmentam, e tantas outras cousas, que nos deixam abismados de tanto saber! A verdade é que a cousa toma vulto; visto que alguns jornaes nos noticiaram, que algumas camaras já teem dirigido representações ao governo, pedindo não sejam suprimidos os districtos a que pertencem: parece-nos isto ou muito prematuro, ou então que conhecem d’elles tanto a inutilidade da existência, que já anteveem que, havendo golpe, necessariamente lhes hade tocar por casa. Esta gente pois, que sabe tudo, affirma que é o districto de Beja um dos suprimidos. Não sabemos que razões tenham para assim o poderem dizer; mas, sejam ellas quaes forem, hão de permittir-nos que lhes digamos, que não o podemos acreditar, talvez porque, apesar de nos faltarem tão boas informações, confiemos mais no bom senso e intelligencia do sr. ministro do reino. O sr. Martens Ferrão sabe que o districto de Beja mede uma area de 1:076:522 hectares de superfície, como ha pouco acabou de verificar a nossa excellente, bem dirigida, e trabalhadora commissão geodésica, e que por conseguinte um districto tal não pode dividir-se sem um grande transtorno e graves vexames dos povos, que o compõem. Sabe mais sua ex.ª que entre este districto e o do Faro pôz a natureza uma cordilheira de montanhas, atravessadas de caudulosas ribeiras; e que os usos e costumes de seus habitantes, natureza e cultura de solo, são tão differenles dos nossos, como se vivéssemos a cem legoas de distancia. Sabe tambem sua ex.ª que a povoação alentejana mais próxima de Faro, dista doze legoas, sendo nove d’aspera serrania; e que, ainda quando construída a linha ferrea, esses habitantes ficam mui distantes d’ella pois lhe fica a estação mais próxima a não menos de 20 kilometros de distancia, e d’ahi a Faro talvez não tenham a percorrer menos de 80 kilometros, o que tudo lhe trará uma despeza próxima de 3:000 rs. o que corresponde a quasi dez dias de trabalho ao operario. E quantos d’estes terão dependências no governo civil? Sabe tudo isto sua ex.ª, e sabe mais ainda, que a existência de uma linha ferrea não é razão sufficiente de suppressão de districtos; porque, se o fora, deviamos ficar com tres únicos, Faro, Lisboa e Porto, construída que fosse a linha do Algarve. N’estes termos, quer esta gente fazer-nos acreditar que o sr. ministro despreza todas estas circumstancias, que a sua alta capacidade e prudência bem hão de ter meditado, e vem propor a suppressão d’um districto de uma tal area, para conservar um outro, cuja superfície dividida, por exemplo, pelos de Lisboa e Evora, ainda nenhum d’estes fica com uma area igual á que hoje tem o de Beja. Demonstremos: O districto de Portalegre tem de superfície 637:750 hectares, metade d’esta que são 318:875 reunidos aos 744:892 hectares que tem actualmente o districto de Lisboa, fica este contendo 1:063:767, que são menos 12:755 que os que o de Beja tem. A outra metade 318:875 reunidos aos 739:790 que tem actualmente o districto d’Evora fica este contendo 1:058:865 que são menos 17:657 que os que o de Beja tem. A’ vista do expendido parece incrivel que nos queiram fazer acreditar maranhões de tal ordem e com tanta semceremonia. Estamos convencidos, por conhecermos o caracter do sr. ministro do reino, que a uma tal medida—a ser de vantagem tomar-se, o que para nós é ainda controverso, como em outra occasião havemos de demonstrar—hade presidir a maior prudência e rectidão, e não a compadrice, a predilecção, ou a boa ou má vontade; porque em medidas d’esta ordem deve haver toda a attenção á topographia do paiz, á sua população, aos seus usos, costumes, e meios de vida, para assim fazer-se uma divisão, que, estando em harmonia com estas prescripções, todas as classes possam levar aos tribunaes respectivos suas pendências sem gravissimo vexame e, porque é preciso não olvidar o principio de que todo o governo livre deve ser estabelecido em attenção á maxima vantagem dos governados e não á dos governantes. Ficámos hoje por aqui.
FESTEJOS EM VENEZA
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Foram brilhantes os festejos que a rainha do Adriático fez para celebrar a sua emancipação do jugo austríaco. No dia 7 teve lugar a entrada do rei Victor Manoel. Desde as humildes janellas do gondoleiro até as do aristocrata, desde a rua mais obscura até á formosissima praça de S. Marcos, tudo estava empavoado de galhardetes, sanefas, cobertores de seda e bandeiras. Ás 11 horas e 15 minutos chegou á estação do caminho de ferro, acompanhado dos principes Humberto e Amadeu e do ministério, o rei da Italia. Terminadas as felicitações que lhe dirigiram a municipalidade e auctoridades civis e militares entrou sua magestade e os principes, depois de saudarem o povo, n’uma sumptuosissima gondola tripulada por marinheiros revestidos dos costumes tradicionaes do tempo da republica: faziam parte no cortejo a gondola da cidade, as das cidades venezianas, Mantua, Vicencia, Padua, Verona, Udine, Rovigo e Treviso, sendo cada uma d’ellas enfeitada com as suas respectivas cores municipaes e conduzidas por marinheiros revestidos de trajes históricos. De conserva com o real cortejo, navegavam milhares de gondolas ordinárias, entre as quaes destacavam algumas pertencentes ás familias nobres de Veneza. Pelo canal grande se dirigiu o cortejo para a praça de S. Marcos. Ao longo do trajecto, que durou boas duas horas, nas margens cobertas de espectadores, nas janellas dos palacios, na immensa quantidade de gondolas—verdadeiro caes movediço—que formavam alas ao cortejo, resoavam continuos e phreneticos applausos a sua magestade; sobre a gondola real choviam coroas e flores incessantemente. Onde porem o enthusiasmo redobrou foi quando a gondola atracou á Piazzetta. A guarda nacional formada em alas assim como as tropas, representantes de todas as associações italianas e da imprensa europea, milhares de estrangeiros e todo o corpo diplomático vestido de grande uniforme, esperavam o rei. Ao chegar o cortejo operou-se na multidão um movimento electrico; um estrondoso grito de—viva el-rei!—os lenços que por toda a parte se agitavam, o troar do canhão, o rufar dos tambores e o som da musica, tudo isto commovia profundamente a alma. Sentia-se porém que o enthusiasmo universal era verdadeiro, e que as ceremonias officiaes eram simples accessorios. Depois do desembarque, o rei, seguida pelo seu cortejo, dirigiu-se a pé á egreja de S. Marcos para assistir ao Te-Deum. Ao entrar na egreja, Victor Manoel foi saudado e acclamado varias vezes pelo povo que ali o esperava. O patriarcha teve de suspender por alguns instantes o acto divino. Occorriam á lembrança os gritos que restavam em S. Pedro de Roma, no dia de natal do anno 800: Viva Carlos por longos annos, imperador dos romanos. Concluido o Te-Deum, o rei dirigiu-se ao palacio real, atravessando a pé a praça de S. Marcos. No momento em que entrava no palacio a praça estava litteralmente apinhada de gente. Calcula-se o numero de espectadores para mais de 110:000. Quando Victor Manoel appareceu á janella teve logar um plebiscito por acclamação, cuja sinceridade a ninguem é dado contestar. Victor Manoel mostrou-se ainda varias vezes; levantaram-se todas as mãos, e da praça, das janellas, dos telhados, partiu um estrondoso grito de viva el-rei! Á noute illuminou-se a cidade a giorno mas um denso nevoeiro prejudicou um pouco a illuminação do canal grande, porque não se podia formar uma ideia do effeito geral das decorações luminosas dos palacios: era preciso approximarem-se as gondolas a cada edifício para apreciar o effeito das luzes. Apezar d’este inconveniente, algumas d’estas illuminações eram litteralmente maravilhosas. O admiravel palacio Foscari, cuja fachada é recamada de baixos-relevos de um estylo irreprehensivel, apresentava-se illuminado com as tres cores nacionaes, de alto a baixo. Mas o que era sobretudo surpreendente, era a illuminação architectonica da ponte de Rialto. Esta ponte tem um só arco mui elegante e de um vasto perfil. Os parapeitos são ornados de lojas elegantes de um estylo harmonioso. Uma escadaria de 50 degraus dá accesso ás lojas d’esta parte monumental. Tudo isto estava illuminado. A ponte brilhava com luzes vermelhas e verdes. A vasta boca do arco dava uma ideia da gruta de Aladim. No porto os navios que estavam maravilhosamente embandeirados appareceram tambem maravilhosamente illuminados assim como no interior as innumeraveis gondolas com musicas dentro a percorriam, parecia transformada n’um lago de fogo. O aspecto da praça de S. Marcos era maravilhoso tambem; uma onda immensa de luz jorrando de milhares de globos de todas as cores e dos arabescos dos palacios, tornava-a deslumbrante. Toda a noite a praça esteve atulhada de gente que sem descançar acclamava el-rei, os principes e a Italia. N’uma das vezes que el-rei appareceu á janella o povo improvisou uma serenata, entoando um coro nacional, com uma harmonia de vozes que só a natureza ensina. Alem do corpo diplomático, e das deputações das cidades italianas assistiram tambem ás festas mais duas uma romana e outra trentina. No Te-Deum as suas bandeiras estiveram cobertas de crepes. O conde Arnaldene, que em 1821 foi comprometlido na conjuração de Silvio Pellico, presidia á deputação de Mantua. Era a vez primeira, passado quasi meio seculo, que voltava a ver a cidade onde a justiça austríaca lhe havia erguido uma estatua.
Ainda sobre a carta do duque de Saldanha
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A rectificação que o sr. conde de Penha Firme fez áquella parte da carta do sr. duque de Saldanha, em que sua ex.ª contou o que na noute da sua chegada ao Porto se passou a bordo do navio almirante, desagradou aos amigos do marechal. O sr. Meyrelles do Canto foi quem se encarregou de restabelecer a verdade fundamentando-se, segundo diz, em informações de pessoas respeitáveis. A sua carta, como verão, é uma pilula muito bem douradinha mas tem de mau o não a engulirem todos, porque não é com bonitos de frase e com períodos bem torneados, que se rebatem argumentos e razões como as que o sr. almirante Sartorius adduzio em sua defeza. Para quem, pelo prisma da imparcialidade, tem observado esta questão a todos os respeitos desgraçada, e mais desgraçada ainda para aquelle que a levantou, porque o deixa n’uma posição pouco invejavel, a carta do sr. Meyrelles não podia ter valor, mas para os enthousiastas do sr. duque, teve-o e tal que gritaram logo «isto não tem resposta a verdade triumphou.» Pois não era caso para tanto. Pois o que disse o sr. Meyrelles? Que fez elle? Restabeleceu acaso a verdade? Não.
(Carta do sr. Meyrelles do Canto)—Sr. redactor
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A carta do sr. duque de Saldanha, publicada no seu jornal de 26 de outubro findo, produziu, como era de esperar, no nosso pequeno mundo politico, grande sensação, attendendo-se á auctoridade de quem a escreveu, e também á importancia dos factos históricos que a enriquecem. A par d’essa justificada sensação appareceram reclamações de alguns cavalheiros, rectificando asserções do nobre duque, e entre essas a do sr. almirante Sartorius, protestando pela maneira mais energica contra qualquer inferência que se queira tirar de ter s. ex.ª aconselhado o nobre duque na sua chegada a Portugal, a voltar para Inglaterra, porque o seu desembarque só faria augmentar o numero das victimas. Com o mesmo intuito dos illustres reclamantes, com os mesmos desejos de que a verdade, e só a verdade historica seja respeitada, conceda-me v. que sem contestar nenhuma das asserções, nenhum dos factos publicados, eu venha entregar á publicidade o seguinte facto que poderá talvez explicar a affirmativa do sr. duque de Saldanha sobre que recahiu a explicação e protesto do sr. conde de Penha Firme. O sr. conde de Penha Firme commandando a esquadra portugueza contra o sr. D. Miguel, vendo-se em apuros por falta de pagamento dos seus soldos e dos da armada pretendeu partir para Inglaterra, e segundo até se disse e foi constante, vender ali parte da esquadra para obter meios para esse pagamento. Sabendo isto o general Valdez, depois conde de Bomfim, mandou pedir ao sr. almirante Sartorius 48 horas de praso para obter meios que evitassem áquella funesta resolução e com effeito obteve-os do sr. conde de Farrobo, que fez assim ao partido dynastico da sr.ª D. Maria II e ao systema constitucional o mais assignalado serviço. Estava talvez por isso o sr. almirante debaixo da triste impressão da partida, quando aconselhou o sr. duque de Saldanha a partir também e seguidamente seria isso mais acreditável do que qualquer outro intuito menos nobre, pois é inegavel que depois de fornecidos os necessários meios á esquadra pelo sr. conde de Farrobo, o sr. almirante desempenhou com valor e todo o interesse a missão que lhe havia sido confiada. Estes factos sendo-me confiados por pessoa de toda a respeitabilidade, pareceram-me merecer um pequeno logar a par das reclamações referidas, devendo necessariamente concluir-se d’estes factos quão importantes foram os serviços dos srs. condes de Bomfim e Farrobo pois a não terem elles comprehendido quanto compromettida ficaria a causa liberal com a retirada da esquadra, de certo outra phase teria offerecido depois a luta entre os dous principes portuguezes. Lisboa, 5 de novembro de 1866. Meyrelles do Canto.
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(Carta do sr. conde de Penha Firme)—Vi uma carta no seu jornal, de 6 do corrente, assignada pelo sr. Meyrelles do Canto, cavalheiro que me é inteiramente estranho, contendo algumas accusações contra mim, fundadas em informações obtidas de um anonymo, correspondente de toda a respeitabilidade, e procede d’este modo unicamente pelo desejo que tem de estabelecer «a verdade, e só a verdade historica». O respeitavel anonymo que informou o sr. Meyrelles do Canto, assegura (este cavalheiro dá-lhe inteiro credito) o seguinte, como verdades historicas: 1.º que achando-me eu em «apuros por falta de pagamentos dos meus soldos, e dos da armada», eu quizera partir para Inglaterra, «e segundo até se disse, e foi constante» para vender ali uma parte da esquadra, afim de obter os meios de me pagar, e aos officiaes e tripulação; 2.º que o cavalheiro Valdez, conde de Bomfim, exigira de mim o prazo de 48 horas para obter fundos, a fim de satisfazer ás exigências da esquadra, e evitar um passo tão fatal á dynastia da rainha e á causa constitucional; 3.º que tendo alcançado os necessários fundos do conde de Farrobo etc., satisfizera os meus pedidos, fazendo assim, ao partido dynastico da sr.ª D. Maria II, e á carta constitucional, o mais assignalado serviço; e que só depois, de embolsado satisfactoriamente o almirante, officiaes e guarnição, é que o almirante desempenhou com valor, e todo o interesse, a missão que lhe havia sido confiada. Não haverá difficuldade em testemunhar mais satisfactoriamente a «verdade, e só a verdade» d’estes factos historicos. O bill sobre alistamento de estrangeiros em Inglaterra, considera crime, e sujeito a prisão e multa, qualquer subdito britannico que entra no serviço militar, contra alguma potência que está em relações de amisade com o soberano britannico. Segundo as condições d’aquelle acto, procedeu-se de informações a meu respeito, por parte dos agentes miguelistas em Londres, quando eu me empregava em arranjar a nossa pequena esquadra, com o fundamento de que eram navios de emigrados comprados por mr. Aidonin, subdito francez. Fui por consequência obrigado a esconder-me por alguns dias, e consegui fazel-o, evadindo-me de noite em um navio destinado a Bolonha, emquanto que os nossos demais navios, não foram tão felizes, por isso que apprehendidos pela alfandega, em virtude do mesmo bill de alistamento de estrangeiros, e só depois das maiores diligencias de lord Palmerston, que era extremoso amigo da nossa causa, é que elles foram finalmente desembaraçados; mas com a maior recommendaçâo de fazer com que elles largassem immediatamente das costas inglezas, para se evitar um encontro, que podia ser fatal. É pois possível, com tão evidentes provas, tanto no que me diz respeito, como aos nossos navios, por havermos contrariado todos os artigos d’aquelle bill, que eu fosse tão néscio ou falto de bom senso, que navegasse para Inglaterra, para ser ali preso e os navios tomados pelas auctoridades da alfandega, e entregues aos seus legitimos donos? Qual seria o paiz civilisado que permittisse a venda de varios navios de guerra, feita por homens revoltosos nos seus portos? A accusação que eu julgo ter sido feita d’este modo, traz comsigo as provas da sua falsidade. Em resposta ao paragrapho segundo, de que o general Valdez exigiu de mim 48 horas antes que eu executasse a fatal resolução de levar a esquadra para vender os navios, a fim de nos pagarmos do dinheiro que se nos devia, é uma falsidade inexplicavel, sem a menor base em que se possa firmar; independentemente da minha negativa, o que eu disse em resposta ao paragrapho primeiro e o que eu agora tenho accrescentado, provarão sufficientemente a verdade da minha asserção. Em primeiro logar não creio, que o conde de Farrobo estivesse no Porto, na epocha a que se allude; e não podendo consequentemente o dinheiro obter-se em duas ou tres semanas, era portanto impossível fazer-se o pagamento nas 48 horas pedidas. O serviço verdadeiramente importante, feito pelo conde de Farrobo á boa causa, foi um negocio muito posterior á chegada do duque de Saldanha. Em resposta ao que se contem no paragrapho terceiro, é falsidade que nelle se attribue pôde ser abundantemente provada por muitas testemunhas vivas e recordações officiaes etc. Foi alguns mezes depois da visita do duque de Saldanha ao meu navio, que a tripulação da esquadra foi paga (em abril ou maio de 1833); os officiaes em parte, e eu, empregámos todas as nossas forças, pedindo e obrigando (pela minha parte tinha todo o poder de o fazer) que se auxiliasse a causa que eu estava empenhado em defender. Tinha eu então um atrazo de mais de doze mezes de pagamento do soldo da minha patente britannica (que é a minha unica fortuna), e o quinhão de almirante no valor em dinheiro proveniente das numerosas presas, cujo producto tinha sido despendido no serviço publico; perfazendo a totalidade de umas 15:000 libras; e isto sómente foi pago muito tempo depois da chegada da rainha a Lisboa. Pela minha parte, reconheci a importancia vital da expedição próxima a fazer-se ao Algarve sub o commando do duque da Terceira, e do extremo valor dos fundos, ainda que pequenos, em vista de tão apuradas necessidades do governo. Fiz pois o sacrificio de dar tudo para a causa, por que tinha combatido e pela qual continuava a tomar o mais profundo interesse. A causa que eu tinha emprehendido servir era olhada, pela grande maioria dos meus compatriotas, e em França, com profundo interesse e favor. Estava ella de accordo com todos os sentimentos do meu coração, como os meus principios politicos; por isso me determinei a expor a minha vida e fortuna para a sustentar. As infelizes divisões entre os partidos constitucionaes tornaram, mais difficil o que eu tinha a praticar, e por mais de duas ou tres vezes nos levaram ao perigo da destruição. Em conclusão, atrevo-me a dizer que se os serviços de cada portuguez prestados á boa causa fossem pesados, os meus, posto que de um estrangeiro, não seriam de menos valor. Sou etc. Sartorio, conde de Penha firme.
CORRESPONDÊNCIAS
Cultura e espectáculoMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoReligiãoSaúde e higiene públicaConcertosCulto e cerimóniasGoverno civilHospitaisTeatro
Torrão 19 de novembro de 1866.—Sr. redactor.—O dia quatorze do corrente, foi de grande prazer para os habitantes desta villa, pela feliz chegada de s. ex.ª o governador civil, deste districto o sr. José Borges Pacheco Pereira. Esperavam s. ex.ª fóra da villa as auctoridades, muitos cavalheiros e a banda philharmonica torrànnense, tendo ido ao encontro de s. ex.ª na distancia de cinco kilometros o ex.mo sr. Miguel Magalhães Mexia Salema. Logo que se avistou a comitiva, com muitos foguetes se annunciou a todo o povo a chegada de s. ex.ª e ao approximar-se tocou a banda philharmonica, dirigindo-se todos a cumprimentar o muito digno chefe do districto de Beja, acompanhando-o até ao palacio do ex.mo sr. visconde do Torrão seu parente. Depois d’um pequeno descanço, s. ex.ª visitou o hospital, misericordia, e o templo annexo. Á noute alguns cavalheiros se reuniram em casa do ex.mo sr. visconde do Torrão por convite de seu mano o ex.mo sr. Miguel Magalhães Mexia Salema, tendo a honra de serem recebidos pelo ex.mo sr. governador civil com extrema delicadeza e affectuosa urbanidade. O pateo de entrada do palacio do ex.mo sr. visconde do Torrão estava vistosamente illuminado, aonde a banda da philharmonica executava varias peças de musica, repetindo-se na noute do dia quinze. S. ex.ª demorou-se n’esta villa até ao dia 16 pela manhã, e neste pouco tempo visitou os estabelecimentos publicos, cumprindo a alta missão de que estava encarregado. Lembrou com a maior urbanidade a necessidade de se promoverem todos os melhoramentos moraes e materiaes desta povoação, animando e aconselhando sabiamente os meios especialmente para a realisação daquelles cuja falta é mais sentida. É portanto digno do maior elogio o ex.mo sr. governador civil o sr. José Borges Pacheco Pereira pelas maneiras affectuosas com que se apresenta no seio dos seus administrados. O Torrão ficou penhorado com o seu governador civil e cremos que s. ex.ª tambem se retirou satisfeito, e não esquecerá as promessas com que espontaneamente nos honrou de prestar os seus bons officios em auxilio desta povoação. Um amigo do progresso.
Recolheu
Saúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaBeneficênciaMédicos e cirurgiões
O sr. dr. Joaquim José Pimenta Telles, cirurgião ajudante do 17 d’infanteria, que esteve fazendo serviço em cavallaria n.º 4; foi mandado recolher ao respectivo corpo.
Audiencias
Justiça e ordem públicaJulgamentos
Começaram hontem as audiencias do 2.º semestre, n’esta comarca.
A quem competir
Já não é só lixo que se deposita á esquina do becco do Ultimo mas tambem animaes mortos. Não haverá n’esta terra quem tenha força para prohibir taes abusos?
Mais
Economia e comércioMunicípio e administracção localAbastecimento de águaFeirasFontes e chafarizesMercados e feirasObras municipais
Nem menos de cinco lavadeiras estiveram na segunda feira ensaboando roupa no chafariz do Palme. Porque se não cumpre o que a este respeito dispõe a postura?
Não foi pronunciado
Saúde e higiene públicaHospitais
O individuo que no largo do duque de Beja esfaqueou João Augusto de Faria Marques, em consequencia dos peritos o declararem doido, não foi pronunciado. Todavia acha-se recluso no hospital á disposição da auctoridade administrativa.
Exercício
Economia e comércioExércitoTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacçõesFeirasTreinos e manobras
Nas tardes de segunda e quinta feira teve exercício o regimento 17 d’infanteria aqui estacionado.
Despachos
Arqueologia e patrimónioEducacção e instruçãoMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localDescobertas e achados
Para as cadeiras d’ensino primário abaixo designadas foram despachados os srs: Antonio Balthasar de Soria, por tres annos, para a de Sant’Anna de Cambas, concelho de Mertola. José Francisco da Costa Torres, por igual tempo, para a das Pias, concelho de Moura. José Corrêa Ramos Soares, por igual tempo, para a de Messejana, concelho de Aljustrel.
Produção musical
Cultura e espectáculoReligiãoConcertosFestas religiosasObras religiosasTeatro
O sr. José Heliodoro Vargas Junior que com tanto esmero cultiva a sublime arte de Verdi e Donizetti, tem quasi concluídas umas matinas da Purificação de Nossa Senhora. Foi-lhe incumbido este trabalho por um cavalheiro de S. Miguel, onde será desempenhado, por occasião da festividade que ali se hade celebrar em honra da Virgem. Hontem fomos convidados pelo sr. Vargas a ouvir alguns trechos da sua mimosa composição que elle cantou acompanhando-se a pianno. Ficámos satisfeitíssimos, porque ha n’aquelle trabalho excellentes peças de musica, que extasiam umas pelo seu sentimentalismo, que enthusiasmam outras pela sua bravura. Certíssimos pois do bom exito que em S. Miguel hade ter a obra do sr. Vargas desde já lhe damos os parabéns.
Filibert
Com respeito a este cantor diz-nos de Serpa um dos nossos bons amigos: «Filibert tem agradado como cantor distincto e verdadeiro conhecedor da sublime arte de Orpheo, mas ainda tem alcançado as sympathias geraes por suas maneiras dedicadas e conversação agradavel; agradeço-te pois, meu velho amigo, o proporcionares-me o praser de passar algumas noites, que me deixarão saudades, bem como o conhecer um artista de subido merecimento e que se torna credor da estima publica, a que só o mérito tem direito. É o que te posso dizer a respeito de Filibert nas poucas linhas que te escrevo, ainda que mesquinha é a notícia que te dou; para quem tanto merece.»
Escola de menina da Cuba
Educacção e instruçãoSaúde e higiene públicaEscolasExames
Eis o seu movimento no anno escolar de 1865 a 1866: Frequentaram alumnas 65; Alumnos 2; Entraram em outubro 52. A escola foi aberta no dia 4 de junho proximo passado. A maior parte dos alumnos estão doentes. Não houve exames.
Guarnição
Hontem começou a ser feita em ordem de marcha a guarnição da cidade.
Mina
Arqueologia e patrimónioMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoDecretos e portariasDescobertas e achados
A firma Freitas & Dransgoire foi, por decreto de 20 d’este mez, reconhecida proprietario legal da descoberta da mina de manganes, sita no Penedo furado, concelho de Ourique n’este districto.
Biographia
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O sr. D. Miguel Maria do Patrocinio João Carlos Francisco do Assis Xavier de Paula Pedro de Alcantara Antonio Raphael Gabriel Joaquim Gonzaga Evaristo que falleceu em Bronnbach no dia 14 do corrente d’este mez era filho de el-rei D. João VI e da sr.ª D. Carlota Joaquina e nasceu em Queluz em 26 de outubro de 1802. Em 3 de julho de 1827 foi nomeado por seu irmão lugar-tenente e regente do reino de que prestou juramento perante as cortes em 26 de fevereiro de 1828. Em 30 de junho d’esse anno declarou-se rei, e pela convenção de Evora Monte, celebrada em 26 de maio de 1834 e por sua declaração de 29 do mesmo mez sahio do reino embarcando em Sines, no 1.º de junho do mesmo mez. Declarou-o a lei de 18 de dezembro de 1834 e á sua descendência inhábeis para a successão do throno e um decreto, datado de 17 de março do mesmo anno, privou-o das honras de infante. Casou em 23 de setembro de 1851 com a sr.ª D. Adelaide Sophia Amélia Luiza Joaquina Leopoldina princeza de Loewenstein-Wertheim de Rosenberg da qual houve 7 filhos.
O homem põe
Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacçõesIncêndiosLivros e publicaçõesQuedas
Conta um jornal de Madrid que um hespanhol, enfastiado de viver, deliberou suicidar-se, e, para tornar infalível a sua morte, tomou as mais minuciosas medidas. Inabalavel no seu funesto designio, encaminhou-se para a praia do mar, munido de uma escada de mão, de uma corda, de uma pistola carregada, de um frasco cheio de veneno e de uma caixa de phosphoros. Deitando a vista em redor de si, enxergou uma estaca, que enterrada a poucos passos, elevava a extremidade fóra da agua; a ella encostou a escada, e subindo amarrou ao topo a corda, com a qual fez um nó á roda do pescoço, tragou o veneno, e, acendendo um phosphoro, deitou fogo ao fato: feito isto applicou a boca da pistola ao ouvido e deu um pontapé na escada. Porém, neste momento supremo, tremeu-lhe a mão quando dava ao gatilho; a bala em logar de penetrar-lhe na cabeça, cortou a corda; e o desgraçado caiu n’agua, apagando-se assim o fogo que lhe lavrava na sobrecasaca. A dose d’agua salgada que teve de engolir obrigou-o a vomitar o veneno, que ainda não tinha produzido effeito. Perdidas as esperanças de morrer, foi-se para casa, convencido de que ainda não era chegada a sua hora fatal.
Monumento
Arqueologia e patrimónioRuínas e monumentos
Um portuguez natural de Guimarães, e residente no Brazil, tomou a iniciativa para se levantar na terra da sua naturalidade uma estatua ao fundador da monarchia portugueza. E que tal!?
Educacção e instruçãoJustiça e ordem públicaReligiãoSociedade e vida quotidianaCostumes e hábitosCulto e cerimóniasExamesJulgamentos
E que tal!?—Ha em Hespanha um singular costume. Assim que o algoz acaba de justificar um padecente, prendem-no, põem-n’o a ferros e mettem-n’o n’um cárcere. Quatro horas depois apparece um escrivão e interroga-o. —É acusado de ter morto um homem? —Sim, é verdade, responde o algoz. —Porque commetteu esse crime? —Por obedecer á lei e cumprir a minha missão que a justiça me confiou. Lavra-se auto que o juiz examina no dia seguinte. Feito o exame absolve o algoz por sentença, que é solto depois de ter sido por 24 horas tratado como criminoso.
Veneza e as tres cores
Economia e comércioComércio local
É preciso ir até Veneza e dar um passeio desde a praça de S. Marcos até ao Rialto, por exemplo, para se fazer uma ideia da extraordinaria animação que reina entre o pequeno commercio, relativamente aos objectos pintados de encarnado, verde e branco. Se entraes na loja de um merceeiro, offerecer-vos-ha vélas e phosphoros tricolores; o estanqueiro mostrar-vos-ha cachimbos tricolores; a modista, camisas meias e gravatas tricolores; o perfumista, sabonetes tricolores; o sapateiro, chinellas tricolores; na loja de modas, fazendas tricolores; os pintores de tabuletas teem lojas exclusivamente providas de branco e encarnado.
Retratos em lousa
Acidentes e sinistrosEconomia e comércioPreçosIncêndiosIndústriaPreços e mercados
Lucas Fossor, pintor distincto e habil chimico, depois de longos estudos sobre as cores, e particularmente sobre os oxydos metallicos e os saes vitrificaveis, chegou a fixar muito rapidamente sobre o esmalte, a porcelana e a louça vidrada as imagens photographicas. Essas imagens, passadas por fogo de molde como as porcelanas ordinarias, vitrificam-se, incrustam-se na camada esmaltada, e sahem do forno inalteraveis para sempre. As cores podem variar infinitamente, e essas imagens, tão duradouras como as pinturas de Sèvres, apresentam todo o delicado e verdadeiro de uma photographia. São preciosos os recursos que offerece esta invenção para a conservação dos retratos de família. A sua applicação á industria e á grande decoração parece sem limites, pois que permitte decorar não só a louça de mesa, os vasos e os moveis, mas até os quartos e mesmo as frontarias das casas, e tudo isso por preços que só podem permittir a photographia.
Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
Preços por que correm os generos em Beja: Trigo alqueire 530 reis; Milho 400; Centeio 400; Cevada branca alqueire 300 reis; Feijão 900; Chicharo 400; Fava 400; Grão de bico 750; Batatas 320; Azeite almude 3:600; Vinho 1:100.
EXTERIOR—Nova York
Exército
As authoridades federaes prenderam o general Ortega.
EXTERIOR—Florença, 16
A «Nazione» desmente o boato de haver a Inglaterra offerecido ao papa a ilha de Malta para sua residencia, e diz que pelo contrario a Inglaterra aconselhou o papa a conservar-se em Roma.
EXTERIOR—Londres, 16
Acidentes e sinistrosSociedade e vida quotidianaFalecimentosQuedas
Corre o boato de que o príncipe de Galles, tendo dado uma queda de um cavallo, de que lhe resultou um ferimento grave numa clavicula, morreu.
EXTERIOR—Florença, 18
A «Gazeta Official» diz que os governos de Paris e Florença, animados igualmente do desejo de conciliarem os seus interesses, querem dar á convenção de Setembro execução plena e leal. Como estão de accordo quanto ao fim não é duvidoso estarem também de accordo quanto aos meios.
EXTERIOR—Madrid, 19
Cultura e espectáculoExército
No dia dos annos da rainha, sua magestade acompanhada de seu real esposo passaram grande revista ás tropas.
EXTERIOR—Florença, 18
Diz uma circular de Ricasoli aos prefeitos, tratando do convenio de setembro, que a Italia prometteu á França e á Europa não se interpor entre o papa e os romanos; que a Italia deve apesar da efficacia do principio nacional infalivel triumpho; e que deve ser reprimida toda a especie de agitação que tenha por pretexto a pendência romana; e finalmente que o rei está resolvido a conceder todas as garantias de independencia ao chefe do catholicismo, convencido de que lhe podem ser concedidas, sem que sejam lesados os direitos das nações.
EXTERIOR—Madrid, 20
Saúde e higiene públicaTransportes e comunicaçõesDoenças contagiosasNavegacção
Decidiu-se no conselho privativo submetter a rigorosa quarentena os navios suspeitos e infectados de febre amarella procedentes das Antilhas e America.
EXTERIOR—Madrid, 21
Transportes e comunicaçõesCaminho de ferro
O caminho de ferro de Lisboa a Madrid deve-se inaugurar no dia 28 do corrente.
EXTERIOR—S. Nazairé, 20
Exército
Chegaram cartas do México, com data de 9, as quaes dizem que o imperador Maximiliano partira inesperadamente, e que o general Bazaine, tendo saído do México no dia 3, para ir ao encontro de Castelnau, regressou no dia 9 ao México.
EXTERIOR—Paris, 21
As camaras hollandezas abriram as suas sessões.
EXTERIOR—Liverpool, Havre, Marselha, 20
Economia e comércioPreçosPreços e mercados
Fechados os preços dos algodões.
EXTERIOR—Paris, 21
O «Monitor» d’esta tarde diz que o papa póde encarar o futuro com confiança, e incita-o a repellir os conselhos que debaixo da mascara de falso zelo, prejudicam a segurança e dignidade do throno pontifício.
Cultura e espectáculoLivros e publicações
Os abaixo assignados, certos de que todos os amigos do senhor D. Miguel de Bragança, por occasião da infausta morte do mesmo augusto senhor, desejam rogar a Deus pelo descanço eterno da sua alma, desaffogando a saudade, e prestando á sua memória solemne testemunho de respeito e dedicação, resolveram fazer exequias no sétimo dia, por subscripção publica. Para este fim fica aberta a subscripção no escriptorio do jornal A Nação, onde se receberão as quantias subscriptas e com a devida antecedencia se annunciará a hora e o local. Lisboa 16 de novembro de 1866. Conde de Pombeiro. Marques d’Abrantes.