Parabena
Por um boletim telegraphico, dirigido pelo Snr. Marianno Joaquim de Souza Feio ao Snr. Francisco Antonio de Castro, se soube n’esta cidade, no dia 26, ás 5 horas da tarde, que o contracto do caminho de ferro do sul havia sido approvado, n’aquelle mesmo dia, pela Camara hereditaria, sem discussão. O nobre procedimento da Camara hereditaria, com relação ao contracto em questão, é a resposta mais eloquente, que poderia dar-se a todas as rasões, que se tem addusido contra o mesmo contracto. Para aquella respeitável parte do poder legislativo a vantagem da via-ferrea do sul, tal qual o contracto a determina, é um axioma, e os axiomas não se discutem. Tem-se ultimamente levantado, por parte da Imprensa, algumas objecções contra o traçado da linha ferrea das Vendas Novas a Beja e Evora, e pretendido demonstrar-se que uma nova directriz, seguindo outra parte mais povoada, e mais culta da província, faria reverter a linha em condições de maior prosperidade para o Alem-Tejo, e para o paiz em geral. Não nos sendo possível, desde já, entrar em considerações, tendentes a demonstrar o nenhum valor probativo dos argumentos, que se tem produzido a favor de um novo traçado, declaramo-nos comtudo em opposição com semelhante idéa, reservando-nos para tractar d’este assumpto com toda a extensão e claresa que elle merece. Só falta para realisar este importantissimo melhoramento material a sanção do chefe de Estado;—com essa contamos nós com tanta certeza, quanta é a consideração, e o interesse, que prendem o animo do Augusto Monarchá a todas as medidas que tem por fim o engrandecimento e prosperidade deste paiz, que tem a felicidade de se ver regido por um Rei tão intelligente e tão virtuoso. Damos, pois, a todo o districto os nossos sinceros parabéns, por vêr o modo lisongeiro por que foi acolhida na digna camara dos Pares a questão da nossa maior utilidade, e a maneira rapida e segura porque vamos caminhando para uma epocha de maior felicidade.