Parabena
Município e administracção localTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstradas e calçadasTelégrafo
Por um boletim telegraphico, dirigido pelo Snr. Marianno Joaquim de Souza Feio ao Snr. Francisco Antonio de Castro, se soube n’esta cidade, no dia 26, ás 5 horas da tarde, que o contracto do caminho de ferro do sul havia sido approvado, n’aquelle mesmo dia, pela Camara hereditaria, sem discussão. O nobre procedimento da Camara hereditaria, com relação ao contracto em questão, é a resposta mais eloquente, que poderia dar-se a todas as rasões, que se tem addusido contra o mesmo contracto. Para aquella respeitável parte do poder legislativo a vantagem da via-ferrea do sul, tal qual o contracto a determina, é um axioma, e os axiomas não se discutem. Tem-se ultimamente levantado, por parte da Imprensa, algumas objecções contra o traçado da linha ferrea das Vendas Novas a Beja e Evora, e pretendido demonstrar-se que uma nova directriz, seguindo outra parte mais povoada, e mais culta da província, faria reverter a linha em condições de maior prosperidade para o Alem-Tejo, e para o paiz em geral. Não nos sendo possível, desde já, entrar em considerações, tendentes a demonstrar o nenhum valor probativo dos argumentos, que se tem produzido a favor de um novo traçado, declaramo-nos comtudo em opposição com semelhante idéa, reservando-nos para tractar d’este assumpto com toda a extensão e claresa que elle merece. Só falta para realisar este importantissimo melhoramento material a sanção do chefe de Estado;—com essa contamos nós com tanta certeza, quanta é a consideração, e o interesse, que prendem o animo do Augusto Monarchá a todas as medidas que tem por fim o engrandecimento e prosperidade deste paiz, que tem a felicidade de se ver regido por um Rei tão intelligente e tão virtuoso. Damos, pois, a todo o districto os nossos sinceros parabéns, por vêr o modo lisongeiro por que foi acolhida na digna camara dos Pares a questão da nossa maior utilidade, e a maneira rapida e segura porque vamos caminhando para uma epocha de maior felicidade.
Desastre
Acidentes e sinistrosEconomia e comércioMunicípio e administracção localReligiãoSociedade e vida quotidianaAcidentes de trabalhoAgriculturaIncêndiosPobres e esmolas
Teve lugar no dia 23 do corrente, na herdade de Monte Alvo, concelho de Moura, um d’esses acontecimentos desastrosos, que enchem a alma da mais pungente consternação—Duas creanças, uma de onze mezes de idade e outra de 3 annos, que haviam sido deixadas por seus pobres paes n’uma choça, em quanto estes procuravam pelo seu trabalho no campo os meios de sustentação, foram devoradas pelas chamas do incêndio, que se havia ateado na mesma choça pelo descuido de uma terceira creança de 6 annos, que milagrosamente escapou a esta terrível catastophe. Dentro em huma hora foram reduzidos a cinzas os corpos d’aquelles dois innocentinhos, que, suspirando, talvez, pela hora em que tornariam a ver seus paes que lhes viriam matar a fome e rodeal-os de carinhos e afagos, encontraram a afflicção e a morte em tão desastroso fim.
Outro
Sociedade e vida quotidianaBeneficênciaPobres e esmolas
Uma pobre mulher, de 80 annos de idade, indo pedir uma esmola a uma casa, em Moura, onde costumava ser soccorrida, e encontrar as mais decididas provas de caridade, ao descer a escada cahi-o tão desastrosamente, que ficou logo morta.
Prisão
Justiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localReligiãoTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroCapturasEstacçõesFestas religiosasHomicídiosPrisões
Deu entrada nas cadêas de Moura, no dia 17 do corrente, José Dias Pinto, Hespanhol, natural de Cortegana. Havia annos que as authoridades do reino visinho requesitavam a captura d’este indivíduo, a quem se attribue o crime de assassinato, praticado na pessoa de um outro hespanhol, na sitio denominado a contenda, freguezia de Santo Aleixo, concelho de Moura. O criminoso refugiara-se por longo tempo n’aquelles sitios, e por muitas vezes frustrara todas as tentativas, que se haviam feito para o entregar á acção da justiça. Depois de muitos sacrifícios, e de repetidas e multiplicadas averiguações, pôde o administrador do concelho de Moura, o sr. cappitão Mendonça, descobrir que o assassino resedia na malhada dos caeiros, e, dirigindo-se para aquelle ponto, acompanhado por seis cabos de policia, e pelos regedores de Safara e de Santo Aleixo, conseguia encontral-o junto á Ribaira de Mortigão, onde o capturou. O Criminoso acha-se hoje entregue ao poder judicial. Cada vez se faz sentir com maior urgência a necessidade de empregar uma força de cávallaria na policia do concelho de Moura. A authoridade administrativa d’aquelles sitios luta, realmente, com os maiores embaraços para conseguir a captura de qualquer criminoso, e vigiar pela segurança dos povos a seu cargo. É necessário que o Governo se convença de que, se não tomar providencias a tal respeito, não haverá meios possíveis de obstar ao crime, porque a impunidade continuará em todo o seu auge. Achamos que mandar estacionar vinte cavallos em Moura não é objecto que demande grandes sacrifícios ao Governo, e esperamos que dentro em pouco se realisarão os nossos pedidos.
Pedido
Economia e comércioMunicípio e administracção localPreçosImpostos e finançasObras municipaisPreços e mercados
Recommendam-nos de Moura um pedido á Camara Municipal d’aquella villa, a que não podemos esquivar-nos, attentas as rasões de justiça que o acompanham. Construira-se, ha annos, na praça d’aquella villa um pequeno, mas formoso passeio, que muito abrilhanta aquelle sitio publico, e que é hoje um dos principaes recreios dos seus habitantes. Povoam este lindo recinto algumas arvores, que, nas horas calmosas do estio, espargem por sobre elle a mais fresca e agradavel sombra, e lhe dão, no mimo da sua vegetação um aspecto verdadeiramente encantador. É certo, porem, que aquellas arvores para se conservarem, carecem de ser regadas nos mezes do estio, e que a falta d’esta condição de vida trará, de certo, a morte d’aquelle ornamento do passeio. Diz-nos o nosso correspondente de Moura que a Camara não tem mandado regar as arvores, porque, sendo aquella obra feita á custa da bolsa dos particulares a elles cumpre, e com especialidade aos que habitam a praça, fazer esta despeza. Confiados na benevolencia e illustração dos Cavalheiros que compõem aquella corporação, repetimos o pedido, que o nosso correspondente nos recommenda e estamos certos de que a Camara considerando o referido passeio como obra de melhoramento municipal, e completamente sugeito á sua fiscalisação tomará á sua conta a conservação das arvores, mandando-as convenientemente tratar.