Noticias de Barrancos
Em data de 15 diz-nos o nosso correspondente: «No dia 9 do corrente chegou a esta villa um destacamento, commandado por um official inferior, e no dia 12 chegou uma força, commandada por dois officiaes a qual veio render a que aqui se achava que sahio nü dia 12. Estamos aqui esperando o dia 16 para vermos o povo tomar posse das partes que lhes tocou pela divisão do logradouro commum, não approvada por s. ex.ª o governador civil. Já appareceu um pasquim na porta de um cidadão, que é de opinião Contraria á maior parte do vulgo o qual o ameaçava com a morte e a todos os da mesma opinião que se movessem Contra elles!! O primeiro substituto do administrador está ausente d'esta villa, o Segundo substituto que Se acha presente» já lhe destroçaram um olival, e julga-se a sua vida em perigo ’ Omito aqui algumas cousas, para ver se conservo intacta a minha dignidade, mostrando-me por isso imparcial if estas questões. Chegada —No dia 14 chegou, eram duas horas da tarde, a esta vilh acompanhado» do iH.^’ sr, João Pedro dií Mendonça digníssima admitiislrador de Moura, e diurna força do 5 de Cavallariaj commandada pôr uni oíUcial inferior o ex.®* governador Civil. Todos ficamos surprehendidos com a inopinada vinda do nosso affavel governador, á excepção do sr. presidente da camara municipal, que me parece, tinha já recebido uma confidencial segundo ouvi. O sr. governador veio aqui afim de restabelecer a ordem publica, como mui claramente demonstrou na sala das sessões camararias, na presença da camara e do povo, e de pôr as cousas no seu antigo estado. Eu tambem tive a honra de presenciar este acto e ouvir o discurso de s. ex.ª, que era, pouco mais ou menos, contido n’estes termos: «Ha pouco mais d’um anno que aqui estive pela primeira vez, recebendo de todos as maiores demonstrações de amisade... N’esse tempo era outro o meu fim... Hoje venho cumprir uma missão differente, que me cumpre desempenhar. O fim que me traz aqui, povo de Barrancos, é tirar-vos da idéa essa illusão de que vos achais preocupados!... Esse campo de Gamos que vos pertence, não está dividido conforme a lei; mas acreditae o que vos diz o vosso governador, que são puramente verdades, que nem eu nem o governo de s. m. vos quer tirar a vossa propriedade, como vós e alguns mais elevados entre si o pensaveis... Não senhores, não é essa a minha intenção; desfructai-o — mas nós tambem d’ahi... «O povo de Barrancos quiz dividir o seu campo e a s.ª camara cumpriu com o seu dever: tractou da divisão; formou o processo; mas não os processos de cada um d’os agraciados; pouco esse processo foi approvado pelo conselho de districto e por mim, como a lei exige. Passou-se o tempo que a lei marca e veio outra lei: por isso deve considerar-se tudo nullo, e deve ser reduzido ao seu antigo estado. Se o quizerdes dividir novamente eu desde já me constituo procurador á vossa causa e serei igualmente vosso protector. «Amanhã espero ter, na praça d’esta villa, o gado que ha de entrar no montado, e depois de amanhã iremos arrancar as balizas da divisão do terreno. Mandando eu, ha de cumprir-se» S. ex.ª proferiu, além d’isto, muitas outras coisas, que a plebe pouco ou nada intendeu; porque apenas findoü este acto, começaram homens, mulheres e rapazes a gritar na praça: — Queremos a chourella! queremos a rovella! Beato.—Ouvi dizer que ficava aqui o sr. Men* Joaquim «administrando este concelho até janeiro futuro: se assim for pôde ser que • povts aocn^ gue í ainda que elle está a‘uma crise péssima.»