Noticias de Mertola
O nosso assiduo Correspondente dá-nos as seguintes: Divisão administrativa.—Não possd deíflf de começar pelo assumpto de maior gravidado para Mertola na crise que actuàlmente nos rodea vMd qüe os homens d’esla localidade que abri gam no peito o nobre sentimento do amor local não podem deixar de estremecer-lhe o coração nem olvidar-se um só momento da divisão admínls* Irativa. O resultado dos altos círculos espera-se Com ansiedade e impaciência, como o innocente prelo em ferros espera a liberdade pela sentetiça. Gozaremos dá alforria, ou seremos escritos, Como nos sentenciou o nosso illustre governador civil? Mertola não pode sei* de nenhum outro conce lho;—edificou-se neste loca! para ser livre a de si mesma. D'esto verdade se não compenetrou o cl*m* governador Civil quando lhe decretou a dilaceração. A esta hora deve estar lavrada a sentença: será Comarca, ou terá que continuar a viver martyr d’uma longínqua distancia de 30 a 40 kilometros de maus caminhos e caudalosas ribeiras? Uma reforma não deve ser obra de partidos, de paixões, e nem de patronatos.—Os erros e as paixões matam uns e dão vida a outros, quando ás reformas não prezide a sanclldade da consciência e imparcialidade; e matar moralmente é um crime de lesa humanidade. E tem consciência quem pretenda dilacerar um município como o de Mertola com a sede n’um local que as mais próximas villas distam lhe 35 kilometros em cujas distancias nenhuma outra villa se appresenta no districto e talvez poucas no reino? Pois estas verdades serão escurecidas, e as nossas vozes serão entoadas no deserto? Cremos que não. A nossa justiça deve ser attendida, e a nossa posição respeitada pelas supremas capacidades a quem incumbe o ultimatum da obra. Ladrões.—Espalhou-se no Algarve a noticia de que a estrada de Mertola a Beja estava enfri la de ladrões, e desde então tem cessado assim dizer o transito daquella província por esta villa. O rebate foi falso, porque a estrada tem estado sempre limpa e nenhum facto, absolutamente se tem dado n’este transito—Convem pois desmentir falsidades, para utilidade de quem transita e de todos em geral. Fiscalisação.—Sobre fiscalisação aduaneira, caminham mal as cousas por cá: não sei se devido aos empregados pela má interpretação que dão á lei, se pelos defeitos da mesma lei, que precisam corrigidos. Os casos são muitos, mas vamos trazer para exemplo um só:—O creado do sr. Francisco Geraldo da aldeia de Sant’Anna de Cambas comprou em Serpa vinte tantos alqueires de azeite que conduzio para casa de seu amo. No dia seguinte caminhou para Mertola a vendel-o, mas ou lhe esqueceu a guia em casa ou a perdeu, e perguntado por ella mette a mão á algibeira e não a achando ficou surprehendido. Pedio 5 a 6 horas de espera para a apresentar e não lhe foram concedidas!—Perdida a carga foi acto continuo remettida a S. Domingos, e ali, depois do apprehendido apresentar as mais claras provas de que o azeite era nacional, comprado em Serpa; documento de quem lh’o vendeu, e, creio que, documento da mesma alfandega em Serpa, de que ali o havia manifestado, assim mesmo lhe foi imposta a multa de 20$000 reis pela sra. tara—Isto é duro, e até barbaro. Pois não se deverá attender á nacionalidade comprovada, e ao documento passado por quem vendeu o genero? Pois a consciência não dirá ao empregado que só os generos estrangeiros infiltrados aos direitos devem ser perdidos, e que apenas uma leve multa, pela imposta transgressão, lhe poderá ser imposta? Parece que deve:—pelo menos certos logares deverão ser somente confiados a homens de inteira consciência, e o julgador devia ser sempre gratuito. Ha mais casos de que tractaremos d’outra vez. Estudantes.—Foi estudar para Coimbra o sr. Medeiros, prior do Espirito Santo, deixando em seu logar um reverendo, do Algarve, que estava coadjutor em Martin-lungo. O logar é lotado em 600$000 reis—o sr. Medeiros dá 100$000 reis a quem o substitue, e receberá 500$000 reis. Ainda não temos nem sabemos o nome do recemchegado ecclesiastico. Mina.—A de S. Domingos tem despedido muita gente—calcula-se de 400 a 500 pessoas. Faz falta no anno máo que ahi temos. Correm versões sobre este acontecimento, mas será facil ninguém attingir ainda a verdadeira causa; que uns dizem ser a baixa dos mineraes nos mercados inglezes; outros a affluencia daquelle genero da mina de Tarsys nos mesmos mercados; alguns attribuem a desgostos da empreza sobre os tributos lançados e ao embaraço do nosso governo em levar avante a egreja já construída, com altares, santos, sinos e relogio, tudo prompto e no valor de muitos contos de reis. Mas nós inclinamu-nos a que seja ao corte que se anda fazendo para pôr a mina a céo aberto. Até á semana seguinte. 5. do G.