Barrancos, 11 de maio de 1869
Sr. redactor.—Se a sociedade assenta as suas bases na boa harmonia entre os homens, pela sua dependência; e se a religião faz conhecer a existencia de Deus, dos seus preceitos e da sua bondade; porque não havemos de amar a Deus e aos homens? Nos povos mais selvagens, onde a civilisação ainda não chegou; lá n’essas plagas do novo mundo, onde o nosso visinho Colombo foi buscar a immortal fama do seu nome, lá mesmo conhecem a existencia d’um deus a quem adoram, e lá mesmo vivem em sociedade; mas como não se acham civilisados, faltando-lhes o complexo de todos os conhecimentos adquiridos pelo uso da razão e os verdadeiros principios da religião, não estranham o homicidio; e aquelle que não tem coragem para praticar semelhante malvadez, é desprezado por todos os indigenas! Mas cá no nosso Portugal, onde todas as nações conhecem o muito progresso que tem havido, depois que somos livres, aqui estranha-se já muito, tão horroroso attentado. E ainda ha povos n’este nosso abençoado torrão, que não tem sido possível domesal-os? e um d’elles é bem conhecido!... Parece impossível! Tem continuado inalteravel o socego publico n’esta villa, podendo asseverar que a crise passou (?) e que infundados foram os receios que tivemos. Pede a justiça que n’este logar tributemos ao sr. tenente Fialho, commandante do destacamento, todo o louvor, pelas acertadas providencias, que d’accordo com o sr. administrador do concelho teem tomado para garantir a inviolabilidade do cidadão e da propriedade: o destacamento do seu commando é modelo d’ordem e disciplina, e o seu comportamento está superior a todo o elogio; com prazer registamos estes factos, porque é realmente um cavalheiro, que alli a fina educação, o perfeito conhecimento dos seus deveres, e isto não é commum e portanto com orgulho diremos que um official com qualidades semelhantes nobilita o exercito portuguez, e tomando-se distincto com facilidade adquire a estima publica. * *