Sabado, concluida a discussão do emprestimo para as obras no ultramar, votado o projecto que respeita á reorganisação dos quadros dos officiaes da armada, o relativo aos officiaes inferiores do exercito, com modificações, e o caminho de ferro de Mormugão, entrou em discussão, na casa hereditaria, o parecer sobre o imposto de rendimento; fallaram contra os srs. Serpa, e conde do Rio Maior, respondendo a este o relator, o sr. conde de Samodães, e áquelle o sr. ministro da fazenda. O sr. de Samodães não defendeu o imposto, em compensação porém declarou que era essencialmente governamental, não só com respeito a esta situação, mas a todas que estejam no poder, e que só fará opposição aos inimigos do throno e do altar. E feita esta importante declaração arranjou as malas e partio para o Porto, deixando a outro catholico, ao sr. Barros Gomes, haver-se com a opposição. Isto é original. Ao sr. de Samodães, relator do rendimento, redactor da Palavra, catholico e dynastico, seguiu-se, segunda feira, o sr. conde de Valbom que condemnou a forma d’imposto em these e, na hypothese sujeita, achou-o injusto e desigual. Analyzando a peregrinação d’este projecto de lei, o sr. conde de Valbom, flagellou a pertenciosa ineptia do sr. ministro da fazenda que, inconscientemente, copiou um projecto de lei da legislação financeira prussiana, e a vergonhosa transigencia d’esse mesmo ministro que, da commissão de fazenda da camara baixa acceitou um projecto que sendo uma adoptação da legislação italiana, que estes casos regula, era o aniquilamento da elaboração cerebral do sr. Barros Gomes. O digno par discutiu todas as hypotheses absurdas d’este projecto, com a proficiencia por todos reconhecida, e evidenciou os erros em que, na defesa da obra alheia, tinha caido o sr. Barros Gomes. Continuando disse que o projecto contem desigualdades como esta. Os individuos que tenham um rendimento de 59$000 reis proveniente de qualquer propriedade imobiliaria, não são feridos pelo imposto de rendimento; mas qualquer possuidor de titulos de divida publica, embora o seu rendimento seja inferior a cincoenta mil reis, está sujeito á acção do imposto! Segundo as estatisticas consultadas pelo sr. conde de Valbom apenas ha no paiz duzentos e quinze mil individuos cujos rendimentos sejam superiores a cincoenta mil reis. São estes contribuintes que serão sobrecarregados pelo novo imposto, o que para elles representará um addicional sobre as contribuições até agora pagas, não inferior a 60 0/0. O mesmo digno par admitte o direito que qualquer governo tem de lançar impostos sobre os seus titulos de divida publica, mas nas actuaes condições financeiras, em que o nosso paiz tem de recorrer frequentemente ao credito, é um expediente que, prejudicando a cotação dos nossos papeis de credito, nenhuma receita dará, visto que qualquer operação que o estado faça será tomada pelos banqueiros em condições de não serem prejudicados pelo novo imposto. É receber com uma das mãos o que se é forçado a dar com a outra. Depois de ter esmiuçado bem essa miseria que denominam imposto de rendimento, o sr. conde de Valbom terminou o seu discurso aconselhando o sr. Barros Gomes. Ao sr. conde de Valbom seguiu-se o sr. Carlos Bento. Limitou-se a fallar do imposto lançado nas inscripções. Disse que este imposto era o calote official. Terça feira fallou o sr. Fontes. O chefe do partido regenerador começou por declarar que, approvando o projecto na generalidade, posto que o achasse vexatorio e iniquo, dava uma prova do seu nenhum facciosismo politico e evidenciava assim que por modo algum queria acintosamente estorvar a marcha governativa do actual gabinete. Posto que esta forma de imposto em theoria fosse mais racional, na sua pratica tem taes inconvenientes que nenhum homem d’estado pode com proficuidade servir-se d’elle. E que não se dissesse que era esta a sua opinião d’este momento, porque elle, orador, já em 1872, n’um relatorio seu, apresentára esta mesma doutrina. O digno par foi apontando os defeitos do projecto, e refutando os argumentos apresentados pelo sr. Barros Gomes, e referindo-se ao imposto lançado sobre as inscripções, manifestou a opinião de que as nações podem, querendo, tributar qualquer manifestação da sua riqueza publica; mas ao mesmo tempo entendia que o paiz não pode desprezar, calcar aos pés as clausulas estabelecidas pelos seus parlamentos. Os prestamistas do estado entregaram o seu dinheiro ao paiz na convicção que lhe era garantido, por disposições legislativas, um certo juro, agora o governo portuguez, deitando para o lado os compromissos tomados, vae burlar os que na maior boa fé emprestaram ao seu paiz os seus capitaes. Disse ainda o sr. Fontes: o imposto de 3 0/0 não é um imposto muito aggravante; mas nós, que, ainda por largos annos, para os nossos melhoramentos temos de recorrer ao credito, termos um tal precedente estabelecido, como uma ameaça sobre aquelles que pretendessem serem credores da nação, é um erro economico das mais funestas e desgraçadas consequências. Respondeu ao sr. Fontes o sr. Barros e Sá. Começou por chamar seu velho amigo, seu talentoso amigo ao orador que o precedera. Declarou-se parente por affindade e não sanguineo do actual ministério e por isso, dizia o sr. Barros, não me corre muito o dever de defender a parte politica do gabinete. Ora vejam! Se o sr. Barros não fosse affim de Barros era capaz de desprezar as convicções com que tem acompanhado os progressistas e votava contra elles. O resto do discurso do sr. Barros foi uma defeza muito peior do que um ataque vigoroso. Seguiu-se o nosso honrado sub-chefe o sr. Vaz Preto que declarou votar contra o projecto tanto na generalidade como na especialidade, e que n’algumas palavras breves mas sensatas demonstrou que o imposto que se propunha era iniquo, desigual e vexatorio. A esta vigorosa affirmação correspondeu da parte do ministério e da maioria o mais absoluto silencio. Decididamente não sabemos quem defenderia na camara dos pares o imposto de renda se o sr. Barros Gomes não tivesse ali seu dedicado sogro. Em vista da mudez governamental, coube ao sr. conde de Bomfim a palavra, logo após o sr. Vaz Preto. O digno par affirmou resolutamente o seu voto contrario ao projecto, tanto na generalidade como na especialidade, e acompanhou a sua declaração d’algumas resumidas reflexões tendentes a mostrar a iniquidade do tributo. Ainda, no meio do mesmo silencio ministerial, fez identica declaração, seguida d’algumas razoaveis ponderações no mesmo sentido, o digno par, sr. Margiochi, e em seguida foi votada a especialidade. Passou por 13 votos de maioria.
As côrtes foram prorogadas até ao dia 7.
Annuncia
se a ultima e irrevogavel funcção, mas se Deus quizer, a pedido de varias familias, a companhia trabalhará até 26 d’este mez. Verão se nos enganamos.
A camara dos pares approvou antes de hontem, na primeira parte da ordem do dia, os seguintes pareceres depois de alguma discussão: 92, ácerca das providencias para combater o phylloxera; 105, elevando a dotação para as obras da barra e porto de Vianna do Castello; 100, ácerca do imposto de importação sobre a semente de algodão, e o projecto que regula a promoção dos officiaes que forem lentes da escola polytechnica e o que approva umas transferencias de sobras de uns para outros capitulos do orçamento do ministerio da guerra.
A camara dos deputados approvou os seguintes projectos de lei: lanço de via ferrea do Pinhão; auctorisação para o governo dispender com a crise de trabalho, se se prolongar nos Açores, 18:000$000 rs.; a reforma do tribunal de contas; o parecer rejeitando as emendas ao caminho de ferro do Douro; o da melhoria de vencimentos aos officiaes inferiores das guardas municipaes; as emendas feitas pela camara dos pares ao projecto relativo aos officiaes inferiores do exercito; o orçamento rectificado; a penitenciaria agricola; concessão á Misericordia de Caminha de uns quarteis pertencentes á fazenda nacional; concessão de um terreno do estado á camara municipal de Abrantes; annexando á comarca de Leiria a freguezia de Maceira; auctorisando a abertura de um credito de 50.000$000 rs. para compra de torpedos; relevando o governo da responsabilidade em que incorreu pela celebração de um contracto com o banco ultramarino; criando seis logares de escrivães do commercio; criando uma medalha para os exploradores; o parecer sobre as emendas feitas ao projecto de responsabilidade ministerial; auctorisação para o governo comprar um edificio para estação de saude; considerando facultativos militares, para a reforma como tenentes de infanteria contando a antiguidade do posto, os cirurgiões ajudantes, ficando extensivo este beneficio aos cirurgiões do ultramar; e creando no Porto uma casa de detenção para menores, e o projecto que trata da creação de novas comarcas.
Acontecimentos na Europa
As folhas de Madrid occupam-se d’um successo importante, que póde ser altamente fatal ao actual ministerio que o sr. Canovas del Castillo conseguiu organisar. Fallamos da colligação dos deputados e senadores contra o governo, colligação que apesar de ser monarchica não deixa comtudo de offerecer importancia. O gabinete é accusado pelos que acceitam a monarchia affonsina de ser pouco activo em remediar os males da nação e de indolente em face da questão de Cuba. A colligação dos monarchistas é, conforme a phrase popular, uma questão de tira-te tu para me pôr eu; e, no entanto, a Hespanha, a infeliz Hespanha, continua sob a acção d’um despotismo feroz que não só a envergonha ante os povos livres, mas que lhe damnifica o commercio, a industria e a agricultura. As noticias recebidas das provincias em Madrid são tristissimas; milhares de familias luctam com a miseria e com a fome; o numero de fabricas fechadas, em resultado da crise de trabalho, é espantoso, e em diversas localidades varias guerrilhas de bandoleiros levam a consternação ao seio das populações e põem em risco a vida dos mais notaveis possuidores de dinheiro. A côrte folga e o povo geme. Esta verdade confirma o antagonismo entre as classes, antagonismo que os verdadeiros democratas procuram extinguir. Deixando porem os assumptos da politica castelhana porque assim nol-o obriga o exiguo espaço de que podemos dispor, e lançando mão das folhas de Londres e de Roma temos de fallar, ainda que resumidamente, não só nos successos de Italia mas tambem dos da Allemanha e da Russia. Conforme se sabe a eleição complementar, a que se procedeu segundo estava estipulado no dia 23 do preterito mez, confirmou a victoria do governo. A lucta foi liberrima e o povo teve occasião para declarar francamente qual a politica, d’entro da orbita monarchica, que mais lhe convinha; a politica progressista-democrata foi, pois, a que triumphou. A abertura do parlamento teve logar no dia 26 e o discurso da corôa diz que espera, graças á iniciativa da Inglaterra e ao accordo das potencias, uma prompta solução para as questões da Grecia e do Montenegro, e declara igualmente que a situação actual é favoravel á paz. Está outra vez na talla da discussão a questão entre o governo allemão e o Vaticano. Sobre este assumpto as folhas italianas e as de Berlim escreveram largamente, sendo para notar que as do partido ultramontano nas duas potencias agridem energicamente o sr. de Bismark por não se submetter ás deliberações da curia, o que nos parece demonstrar que desta vez ainda falhará a tentativa para o restabelecimento das relações entre a Santa Sé e a Allemanha. A questão está no entanto submettida ao reichstag. A Gazeta da Allemanha do Norte inseriu um importante despacho confidencial enviado pelo sr. de Bismark ao embaixador allemão em Vienna. O despacho diz que o chanceller não pensou jamais em admittir a revisão ou abolição das leis de maio, como julgavam os ultramontanos. Um modus vivendi supportavel, baseado na tolerancia reciproca, foi quanto pareceu possivel attingir. Não era isto, conforme a ninguem era dado ignorar, o que o partido ultramontano esperava; d’aqui a guerra encetada contra o chanceller do imperio. Demoremo-nos um pouco neste assumpto que é importante. A situação parlamentar, diz uma folha de Berlim, nunca foi tão grave na Allemanha; os ultimos incidentes politicos são de tal gravidade que não podem ficar no olvido. Bismark depois de ter vendido e ludibriado todos os partidos do parlamento, chegou a ponto de não poder contar com as boas graças de qualquer d’elles. Os nacionaes-liberaes, não tendo conseguido effectuar a conciliação dos seus chefes, voltaram de novo para a opposição, salvo uma pequena fracção que segue a voz do sr. de Bennigsen, e que se tornou impotente desde o momento em que renunciou á fusão com os conservadores, não podendo portanto entrar no campo dos seus antigos amigos. Os conservadores não estão menos descontentes com o principe de Bismark, porque a esperança de se converterem em partido governamental não se realisou. Os clericaes, que durante um breve momento se consideraram indispensaveis á politica reaccionaria de Bismark, encontraram-se n’um estado de indivisivel desillusão, e, estando privados das compensações e premios, a que se julgavam com direito, pelos serviços que prestaram por occasião da discussão das leis financeiras, no anno passado, manifestam altamente o seu arrependimento. Os progressistas, que nunca sustentaram por qualquer preço a politica bismarkiana, ao contrario—quasi sempre a combateram, poucas vezes a louvaram ou a toleraram—receberam n’estes ultimos tempos um reforço consideravel pela eleição ao reichstag do sr. Virchow, seu verdadeiro chefe, que até o presente tinha sido o seu leader unicamente no landtag prussiano. Ainda não é tudo. Ao lado d’esta visivel transformação sempre hostil ao principe de Bismark, acaba de se manifestar um outro facto, que merece ser aquilatado com a maior attenção. Os differentes partidos do reichstag tiveram n’esse facto um pretexto magnifico para dar uma lição muito sensivel ao governo. Tratava-se d’uma provocação mal disfarçada e evidentemente premeditada, que dava ares de preludio para a dissolução, mais ou menos proxima, do parlamento allemão. Desta questão resultou a apresentação d’uma ordem do dia hostil ao principe de Bismark, a qual fôra approvada; conforme era natural declarou-se o dualismo entre o reichstag e o chanceller; Bismark comtudo não cedeu: o parlamento foi encerrado porque o imperador preferiu mais uma vez seguir a politica das aventuras do que obedecer ás praxes constitucionaes. Os factos posteriores a estes successos são bastante conhecidos para que d’elles façamos menção. O conflicto, resultado da excitação dos espiritos, póde comtudo ser origem de mais graves successos. Fallemos agora ácerca dos assumptos politicos na Russia. A questão suscitada entre a Russia e a China continua ainda no campo da discussão e a todo o momento é aguardada a ultima palavra da diplomacia. Segundo as ultimas noticias esperava-se em S. Petersburgo um embaixador chinezo; se ha de fallar com conhecimento de causa do estado actual das relações entre a Russia e o celeste imperio. Até então, é prudente não depositar grande confiança nas noticias de sensação que diariamente nos chegam do estrangeiro. Como facil é de presumir, os russos, preoccupados com esta questão, abandonaram posto que por momentos os principios predicados pelo nihilismo; no entanto o receio entre as auctoridades de que a revolução se manifeste n’uma ou noutra provincia do imperio é grande, e os membros da aristocracia e do militarismo que seguem o partido liberal não cessam de recommendar ao czar as reformas que julgam mais urgentes para desarmar os revolucionarios. O Daily News diz que o general Lorís-Melikoff submetteu ao czar um projecto de duas camaras legislativas. O czar regeitou-o, dizendo que depois da sua morte o principe herdeiro, caso seja proclamado, fará as reformas que são declaradas urgentes. Apezar da obstinação do czar em ceder ao grande principio reformador, o conde Lorís-Melikoff continua a desenvolver grande actividade, e os negocios politicos da sua alçada são manejados por mão habil e forte. Fallaremos mais desenvolvidamente sobre este assumpto.
Carta de lei creando na faculdade de philosophia da universidade de Coimbra, o logar de chefe de trabalhos preparatorios e preparador do laboratorio chimico.
Ditta que diminue os vencimentos dos governadores civis.
Ditta que concede ao collegio da regeneração de Braga, o convento de Nossa Senhora da Conceição.
Ditta que cede definitivamente, á misericordia da ilha das Flores, a egreja em ruinas de S. Francisco da villa de Santa Cruz.
Ditta considerando de festa nacional, e de grande gala, o dia 10 de junho de 1880, por se completar o terceiro centenario de Camões, e auctorisando o governo a auxiliar quaesquer trabalhos de iniciativa particular tendentes a commemorar aquelle dia.
Ditta auctorisando o governo a adjudicar em hasta publica, precedendo concurso, a construcção de uma ponte metalica sobre o rio Douro.
Ditta approvando o contracto provisorio do 25 de novembro de 1879, para a navegação regular por barcos movidos a vapor, entre Setubal e Alcácer do Sal.
Ditta que auctorisa o governo a cobrar as contribuições e mais rendimentos no anno de 1880-81; e a que auctorisa a despeza ordinaria e extraordinaria em 1880-81.
Portaria ao director geral dos correios recommendando
lhe que a commissão encarregada de organisar os regulamentos em harmonia com a reforma telegrapho-postal, ultimamente votada pelas côrtes, se desempenhe, com urgencia, do que lhe foi incumbido.
Camões
Numero unico consagrado ao terceiro centenario do immortal poeta pela Bibliotheca progressista. Agradecemos o exemplar com que fomos brindados.
Recebemos e agradecemos O [ilegível]. Muita vida ao novo collega é o que lhe desejamos.
A banda do 17 de infantaria está ensaiando o hymno do Tri-centenario.
Atravez do Continente negro
Publicou-se o fasciculo 8.º.
Vidigueira
Partio no dia 4 para a Vidigueira, com 20 guardas civis, o chefe de esquadra de policia d’este districto.
Está mal ferido um alumno da casa pia, por ter rebentado uma bomba de dynamite, que cahira de um foguete, e elle apanhára.
Vidigueira
Sabado chega á Vidigueira um esquadrão de cavallaria n.º 5, que tem de acompanhar das Relíquias a Cuba, a ossada de Vasco da Gama.
Cuba
Foi approvada a caução prestada á fazenda publica pelo recebedor da Cuba.
Safára
O sr. José Pedro Caeiro d’Almeida, thesoureiro da alfandega de Safára, foi julgado quite para com a fazenda publica no anno economico de 78-79.
As ruas do transito da procissão do Sacramento estavam atapetadas de espadana e flores, e as janellas ornadas de colchas de damasco.
Deram entrada na cadeia dois individuos. Estão implicados no negocio do real d’agua.
Recebemos o numero da Moda illustrada commemorativo do centenario de Camões. Entre outros primores vem uma poesia do nosso illustre correligionario Fernando Caldeira, e a musica para ser recitada. Agradecemos.
Sabado, á noite, queimou-se no largo de Santa Maria um bonito fogo de artificio a expensas da irmandade do Sacramento. Tocou durante o fogo a banda do 17 de infantaria e a Philharmonica artistica bejense.
Publicou
se o n.º 13 do Universo illustrado, com o qual termina o 1.º trimestre do presente volume.
A irmandade do Santissimo de Santa Maria deu domingo um bodo a 200 pobres e o costumado jantar aos presos da cadeia civil. Foi levado procissionalmente. Acompanhavam-o a irmandade, e as auctoridades administrativas, militares, ecclesiasticas e judiciaes.
Recebemos e agradecemos A Revolução, folha republicana. É redigida em hespanhol. Muita vida ao novo campeão popular.
Vidigueira
No dia 7 inaugura-se na Vidigueira uma escola para ambos os sexos. Denominar-se-ha Vasco da Gama, e o dinheiro para a construcção do edificio sae da verba votada pelas côrtes, para as festas do centenario.
No limite das freguezias de Santa Maria e do Salvador, levantou-se domingo, para a solemnidade da posse, um formoso arco triumphal.
Publicou
se a 24 caderneta de As Doidas em Paris.
A folhinha da diocese de Beja, para o anno de 1881, é composta pelo discreto monsenhor Camacho de Brito.
Segunda feira a irmandade de Santa Maria foi, procissionalmente, levar o Baptista para o convento da Conceição, e no mesmo dia e pela mesma fórma dirigio-se á cadeia, onde distribuiu uma avultada esmola aos presos, a irmandade de S. S. do Salvador.
Nos officios funebres em honra de Vasco da Gama, officia o respeitavel prelado d’esta diocese; assiste o sr. governador civil, commandante militar, e outras auctoridades. A entrega dos ossos do famoso argonauta será feita pelo sr. conde do Vidigueira, ao representante da academia das sciencias.
Ourique/Mertola/Pedrogão
Foram transferidos para Montemór o juiz de direito de Ourique, o sr. Manoel Joaquim Maciel; o de Mertola, Campos Paredes, para Pedrogão; e o de Villa Franca, Lobo de Moura, para Mertola.
A cidade illuminou nos tres dias da festa do Santissimo, e bem assim as fachadas das egrejas de Santa Maria e do Salvador.
Hontem á noite ia havendo um serio conflicto no largo do Salvador. É o caso que a policia, inconsideradamente, deu licença para um sol e dó, e o tal sol e dó era a capa que encobria insultos. Isto cada vez está melhor.
Recebemos o 1.º volume da Galeria dos varões illustres. Respeita a Camões e é escripto o volume, que as Horas romanticas editou, pelo sr. Latino Coelho. Agradecemos.
Sahiu a 13.ª caderneta de As mil e uma mulheres.
No acto de dar a posse á irmandade de Santa Maria á do Salvador, a expensas de quem, para o anno, se hade fazer a festividade ao Sacramento, houve Te-Deum por musica vocal e instrumental, e queimaram-se centenares de girandolas de foguetes, e bellas peças de fogo preso.
Publicou
se o 7.º fasciculo do Amor dos Amores.
Sahiu, domingo, a procissão do S. S. que ia bella e majestosa. Formavam o préstito mais de 500 irmãos e além do palio levava os andores de S. Sezinando, Santo Antonio, S. Francisco, Baptista, Evangelista, Baptismo de Christo, Senhor Resuscitado e Senhora da Conceição. Este andor era precedido de um lindo anjo. Fechava a procissão uma força do 17 de infantaria precedida da sua banda. A philharmonica artistica precedia o estandarte.
A camara municipal de Beja resolveu fazer
se representar na procissão civica de 10 de junho.
Recebemos e agradecemos os livros
Luiz de Camões, Marinheiro, estudo do sr. Eça, e o poemeto A Camões pelo sr. A. da Conceição. Editou luxuosamente estes livros o nosso amigo o sr. David Corazzi, proprietario das Horas romanticas.
As missas executadas no triduo de Corpus Christi pela philharmonica bejense foram: na sexta feira—missa grande do maestro Pinto; sabado, dita pelo maestro José Augusto de Carvalho; domingo, dita por D. Manoel Prietro Luzelli.
O largo do Salvador, na noite de domingo, estava illuminado a balões de côres. Produzia optimo effeito.
Portalegre
Regressou ao seu quartel a força do 17, destacada em Portalegre.
Vidigueira
Corre que na noite de terça feira se commetteram desacatos na Vidigueira. Dizem que foi tirada do cemiterio uma porção de ossos e á porta de um foi collocado um craneo, á de outro uma tibia etc., etc.
Recebemos e agradecemos o Correio de noticias. É folha dedicada ao clero e ao professorado. Tenha muita vida o novo collega.
As irmandades do S. S. de Santa Maria e do Salvador convidaram para tocar, durante o fogo, duas bandas marciaes; queriam que os intervallos fossem preenchidos agradavelmente; pois deu-se o contrario, as bandas tocavam ao mesmo tempo, o que produzia um effeito pessimo. Estafaram-se os musicos e o publico ficou com o bichinho do ouvido mortificado. Pois sempre que se juntem as taes bandas avisem para... cada um fugir.
Deu, sabado, uma reunião de familias a Sociedade philharmonica, e passou-se mui agradavelmente. As salas estavam bem decoradas, e o serviço foi profuso e variado. Dançou-se animadamente, e alguns dos socios executaram nos intervallos algumas peças de musica, que foram muito e muito applaudidas. A reunião terminou de manhã.
Esteve hontem em Beja, vindo do Algarve, o rvd.º bispo de Angola.
Vidigueira
Parte amanhã para Vidigueira uma ala do 17 de infanteria, sob o commando do major, para prestar as honras devidas ao almirante dos mares das Indias.
Terça feira foi levada do convento da Conceição para a egreja, procissionalmente, a Senhora da Conceição. Fechava o préstito a philharmonica artistica.
Quintos
A camara adjudicou sexta feira a feitura da ponte de Quintos e respectivas avenidas.
A suprema de Beja resolveu que na sala das suas sessões houvesse um livro de ponto no qual todos os empregados da junta geral assignassem diariamente o seu nome, e que ás duas horas o ponto fosse fechado por um dos vogais supremos; não sendo legalmente a junta geral outros empregados alem dos que fazem parte da repartição districtal d’obras publicas, repartição esta composta d’um quadro technico de que é chefe o 1.º engenheiro, entendemos que semelhante medida, pela fórma como foi feita, é uma offensa de direitos e attribuições que a lei e praxes seguidas dá aos chefes de repartição; não contrariamos o principio fiscal e ainda a fórma da sua applicação, e a este respeito, por maior analogia, citaremos como norma a seguir o que se faz nas repartições dependentes do tribunal de contas, as quaes tendo por chefes differentes contadores, e havendo em cada repartição um livro de ponto, são aquelles que o fecham e o remettem ao presidente do tribunal para os verificar; é tambem este o principio seguido em todas as repartições publicas, e estranhamos que a suprema o ignore. Consta-nos que o 1.º engenheiro, sem se insurgir contra o principio fiscal, se tem recusado a assignar o ponto, comparecendo e dirigindo a sua repartição, e que vae recorrer para o conselho de districto por abuso d’authoridade e offensa de direitos. Sabemos a causa d’estas desconsiderações, e a seu tempo as apreciaremos.