Circulo 119 (Beja)—Candidato constituinte—MANOEL THOMAZ FERREIRA NOBRE DE CARVALHO. BEJA 12 DE AGOSTO
Cultura e espectáculoEconomia e comércioEstatísticasExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoSaúde e higiene públicaTransportes e comunicaçõesAbastecimento de águaAgriculturaCapturasCorreioCulto e cerimóniasDebates políticosDecretos e portariasDenúncias e queixasEleiçõesEstradas e calçadasGoverno civilHospitaisImpostos e finançasJulgamentosLivros e publicaçõesMovimentos de tropasNomeaçõesNomeações eclesiásticasObras de infraestruturaObras municipaisObras religiosasRecrutamentoTelégrafoTrânsito e circulacção
Nunca nos passou pela mente que o julgador de Maria II, o homem que patenteou o desvairamento de uma cohorte dominada pelas ambições e vaidades cabralinas; o juiz implacavel que condemnava no tribunal da opinião publica, o despotismo e a oppressão de governo dos cabraes; nunca nos passou pela mente, repetimos, que o vigoroso redactor do Espectro que levantou uma guerra civil em defeza dos direitos populares; estivesse reservado para em 1881 servir de instrumento passivo aos que procuram por todos os meios, ainda os mais indecorosos e aviltantes esmagar a liberdade da consciencia, a liberdade do pensamento; emfim todas as liberdades populares onde quer que se manifestem! Sabíamos que as perseguições haviam de chegar um dia, porém, o que não esperavamos era que, os falsificadores dos orçamentos das obras da penitenciaria e de Tancos, os escamoteadores do cofre das remissões, os padrinhos dos larapios do correio geral e da alfandega, os concussionarios das portarias surdas, emfim os homens que se teem coberto com a celebre capa que o sr. Mariano de Carvalho classificou, estivessem reservados para executores de semelhante covardia! E não o esperavamos com tanta mais razão quando é certo que a imprensa regeneradora no dia 13 de março publicou e fez espalhar profusamente por todos os circulos da capital, proclamações sediciosas, chamando o povo ás barricadas, aconselhando-o a que atravessasse arames nas ruas para impedir o transito á cavallaria e a que lançasse das janellas agua e azeite a ferver sobre a guarda municipal e que á falta d’estes elementos lhe atirassem com garrafas, e é certo que ainda houve quem acceitasse o pérfido conselho, porque na praça de Camões foi lançada agua a ferver sobre o general Macedo! Foram estes os covardes personagens que, na mesma occasião (13 de março), quizeram fazer da camara municipal instrumento das suas arruaças querendo que os camaristas se uniformisassem e de estandarte alçado fossem em nome do municipio obrigar o rei a abdicar! Estes acontecimentos apenas datam de ha 6 mezes, ainda não são tão remotos para que já estejam esquecidos. O que diriam esses poltrões se o governo progressista os mandasse metter no Limoeiro? Elles que chamaram o povo á revolta são os mesmos que mandam encarcerar e perseguir todos os que não approvam os seus actos vis e torpes! Covardes! Elles que mandam prender o editor do Seculo, supprimir os jornaes a Marselhesa e a Scentelha, processar O Trinta, O Tempo e Antonio Maria! Elles, emfim, que difficultam a habilitação dos jornaes politicos e que mandam querellar de numero-programma, porque temem a publicidade dos seus torpissimos actos! Covardes! Qual é a lei que prohibe a publicidade de qualquer numero-programma d’um jornal? É a lei da dictadura? É a lei dos apostatas? E ainda é mais: é a excepção do codigo fundamental do paiz! É pisar aos pés o § 3.º do artigo 145.º da carta constitucional! É a negação inqualificavel á disposição do § 12.º do citado artigo! É, n’uma palavra, o partido dos Vampas que, depois de terem arrastado o paiz á bancarrota, pretendem deshonrar a liberdade! O povo já conhece demasiadamente esse bando de miseraveis que o espoliam; o que resta é ter a coragem precisa para os bater na lucta eleitoral. Os homens que nos governam arvoraram-se em carrascos das liberdades populares. Não são portanto dignos do nosso suffragio. O nosso dever é votar contra elles. Á urna pelos constituintes! Á urna pela opposição! Á urna contra o governo que nos avilta! No n.º 1:075 do Bejense dissemos ao Districto de Beja: Authorisados pelo sr. Nobre de Carvalho respondemos é falso. Deve agora o Districto de Beja provar a verdade das suas asserções. No ultimo n.º do Districto de Beja encontramos como prova das suas asserções as seguintes linhas: Authorisados pela redacção do Districto de Beja podem os redactores do Bejense responder ao sr. Nobre de Carvalho: Que mente. «Desde que o Districto em vez de provar as suas asserções recorre ao insulto perdeu o direito a quaesquer explicações.» É o que o sr. Nobre manda responder. Finalmente, confessaram que o sr. Nobre de Carvalho empregára em beneficio do hospital de Beja o seu subsidio de deputado, na legislatura de 1879. Estamos plenamente satisfeitos. Nada mais desejavamos e nada mais queremos obrigal-os a confessar. Mas, accrescentam, o sr. Nobre de Carvalho não entregou no cofre do hospital toda a importancia do seu subsidio; empregou a maior parte d’elle na compra de objectos necessarios para o estabelecimento e no pagamento de dividas incobraveis. E então? Quem póde negar-lhe o direito de assim empregar o seu dinheiro? Quem será assas ousado para se attribuir a qualidade de juiz n’uma questão, em que unicamente o sr. Nobre o podia e devia ser? Responder ao resto do artigo do Districto de Beja, em que as nossas palavras e argumentos se acham alterados, truncados, falsificados, e omittidos, levar-nos-ia certamente a abandonar a discussão grave e pausada, e a moderação de linguagem. Preferimos o silencio; a unica resposta que se deve áquillo que não a merece. Chamamos a attenção publica para o seguinte artigo que o orgam do partido constituinte publicou: «Pronõe-se por Beja o nosso amigo o sr. Nobre de Carvalho, e o governo propõe, segundo cremos, o sr. José Maria Borges. Este cavalheiro deseja ser deputado do governo, o sr. Nobre de Carvalho aspira a ser deputado por Beja. O sr. José Maria Borges foi já, n’uma das legislaturas anteriores, deputado não sabemos por onde, nem elle, e, se elle nos fizer a honra de lêr a nossa folha, talvez por ella fique sabendo a noticia de que será deputado por Beja, se triumphar a lista da auctoridade. O sr. José Maria Borges, que só muito superficialmente conhecemos, é comtudo um d’esses deputados, que depositam no governo tanta confiança que nem mesmo querem saber qual é o circulo por onde são eleitos. Distribuir as candidaturas é uma das attribuições do governo, attribuição que não vem na Carta, e ainda que não deixa de ser quasi a unica de que o governo faz uso. Beja costuma resistir a estas imposições imprudentes dos governos, e é um dos poucos circulos do paiz, que teem a nobre independencia de votar em quem lhes apraz e não em quem os governos querem que elles votem. Beja pertence á lista d’aquelles circulos, que, seguindo o exemplo do Porto e de poucos mais circulos do paiz, escolhem representantes seus e dispensam o governo de lh’os mandar de Lisboa pelo telegrapho. Por isso Beja tem tido a gloria de ter o nome do seu deputado associado a todos os protestos que se teem formulado na camara contra a covardia ou contra as prepotencias dos governos. Beja foi um dos dezenove circulos, que, pela voz dos seus representantes, rejeitaram o tratado de Lourenço Marques; e, emquanto os outros circulos do paiz, passaram pela vergonha de ver menos prezado o voto dos seus representantes, porque eram representantes de burgos podres, Beja póde gloriar-se de que foi um dos poucos que impuzeram legitimamente, pela bocca dos seus representantes, ao governo do paiz, o caminho da verdade, o caminho do patriotismo indicava. O sr. Nobre de Carvalho nunca sahiu do chapéo dos ministros, tem sido sempre o representante legitimo dos seus eleitores. Tem-se dirigido nobremente aos seus concidadãos, a solicitar o seu voto, e tem cumprido nobremente a missão recebida dos seus patrícios. Tem-se mostrado digno da confiança dos seus eleitores pela isenção do seu caracter, pela isenção do seu voto. Apresenta-se de novo perante os eleitores de Beja, sem passar pelas ante-camaras dos ministros, e n’esta occasião em que o povo exerce a sua soberania, dirige-se ao povo e não áquelles que lh’a usurpam, áquelles que se arrogam o direito de nomear um deputado para um circulo como se nomeassem um cabo de policia. Que façam isso com outros circulos, comprehende-se, que mandem os seus pretorianos destoados para os differentes burgos podres do paiz, que infelizmente não são poucos, vá. Mas que pretendam tratar Beja, a capital do Baixo Alemtejo, com a mesma sem ceremonia, que pretendam impôr a Beja um deputado carimbado com o sello ministerial, depois de Beja ter mostrado n’umas poucas de eleições successivas, que sabe eleger, que póde eleger, que quer eleger, que se não curva ás imposições da auctoridade, nem acceita o supremo vilipendio de ser considerado como uma das guaritas para onde o governo manda o n.º 56 ou o 57 d’aquella companhia da guarda municipal que entra de serviço nas côrtes quando sobe ao poder cada novo governo, isso é que nos parece o cumulo da audacia. Beja saberá castigal-o, e mostrar ao governo que ainda conserva os seus antigos briosos, que não foi debalde que padeceu pela liberdade, que sabe comprehendel-a, que sabe conservar-a, e que hade continuar a ser uma d’essas poucas, mas briosas cidades, que protestam pela sua energia e pela sua isenção contra a corrupção e contra a covardia geral. Com respeito ao recenseamento politico Beja só sabe que houve oito reclamações para que entrassem mais oito ou dez eleitores; ha mais cinco talvez 600!!! Aqui anda cifra de mais. Com certeza que anda. E uma vez que o Districto de Beja nos vem fazer perguntas taes, não tendo nós tomado parte na feitura do recenseamento, hade permittir que lhe perguntemos: Será verdade que um empregado da fazenda pedio a demissão? E sendo porque a pedio? Será verdade que se mandou preparar em certa villa uma arruaça ao sr. Nobre de Carvalho, e que se recommendou que tudo era permittido inclusive o tiro? E do recrutamento, o que nos diz o Districto de Beja? Sim o que nos diz? E dos criminosos da Cabeça Gorda o que póde informar? E os de Ervidel já receberam o conto e quinhentos para a torre? Os de Baleizão os 3:000$000 para a egreja, e os de Beringel os 2:000$000 para melhoramentos? Veremos o que responde o Districto, e continuaremos. É interminavel a serie de perguntas que temos a fazer, como interminavel é a teia de trapaças urdidas pelos bons dos regeneradores d’esta terra. Regeneradores? Ora adeus! Em Beja não ha regeneradores; ha uma manchinha que não quer descer do poleiro, que chama a isto seu, e que para conservar a mando desce ás maiores baixezas. Uns perfeitos negociantes em politica. De Beja expediram para o Progresso e para o Diario Popular o seguinte telegramma: «Beja, 11, ás 10, h. 49 m. da manhã.—Grandes escandalos eleitoraes e arbitrariedades. Eleição á cabralina. Chegou cavallaria, infantaria e policias. A villa e aldeia, estão em estado de sitio. O administrador foi á aldeia de Pias dar escandalosamente posse á junta de propriedade d’uma egreja que o visconde de Altas Moras ahi está construindo. O encarregado do visconde foi intimado a apresentar á junta a conta do dinheiro gasto. É uma estupidez e desaforo d’aquelles ignorantes. O visconde vae tomar providencias para defender a sua propriedade e processar judicialmente todos os que pretendem roubal-o. Em Aldeia Nova já correu sangue. Um progressista foi barbaramente esfaqueado por muitos regeneradores. Consta-nos que se planeiam muitas violencias que hão de dar resultados funestissimos.» Como a espionagem está estabelecida em toda a parte o governador civil teve conhecimento d’este telegramma, e para diminuir o effeito que necessariamente produz, expediu um outro ao Diario de Portugal de que é proprietario. Eil-o: «Beja, 11 ás 4 e 40 m.—Á redacção do Diario de Portugal.—Os jornaes progressistas devem trazer ámanhã telegrammas de sensação dos progressistas de Moura. Prevenimos o publico que se não assuste porque tudo aquillo é feito por amor da arte e sem a menor idéa offensiva.» Hade ser isso. Hade ser sim, senhor Joaquim Hedwiges; em tempo escreveu no jornal de que é proprietario e redactor: «as autoridades administrativas continuarão a ser especialmente agentes eleitoraes, as eleições continuarão a ser a expressão da vontade dos governos e não a representação genuina do voto popular.» Mas porque Joaquim Hedwiges escreveu o que ahi ha e não quer ser desmentido, por isso não recua em praticar toda a casta do desatino, em levar por diante os maiores attentados contra a liberdade. O que Joaquim Hedwiges quer é ganhar, é ser um bom agente eleitoral. Pois melhor lhe iria e nos iria se fosse um bom governador civil.
Exército
Quasi todo o regimento 17 está empregado na campanha eleitoral. Parece porem que ainda assim falta gente por isso que já vae ser mandada de Evora para esta cidade mais tropa.
Educacção e instruçãoInstrução pública
Economia Política é o titulo do 12.º volume da Propaganda da instrucção para portuguezes e brazileiros que David Corazzi acaba de editar. Agradecidos pelo exemplar que se dignou enviar-nos.
Exército
Destacou para Moura uma força do regimento de cavallaria n.º 3.
Economia e comércioAgriculturaPecuária
O gado muar e cavallar pouca procura teve.
Economia e comércioComércio localIndústria
O nosso amigo, o sr. Manoel Thomaz Ferreira Nobre de Carvalho, depois de vivas e repetidas instancias, acceitou o cargo d’agente, n’esta cidade, da companhia financeira portuguesa, do que é accionista. Congratulamo-nos com o nosso amigo, pela merecida prova de confiança que acaba de lhe ser dada, e áquelle importantissimo estabelecimento de credito damos os nossos parabéns por tão acertada escolha. Os proprietarios, industriaes e commerciantes d’este districto vão ter, na nova agencia, largos recursos para as suas transacções, e por isso os felicitamos também.
Economia e comércioAgriculturaFeirasPecuária
O gado vaccum teve alguma procura durante a feira.
Teem nestes dias apparecido bastantes moedas de 500 reis, falsas.
Economia e comércioFeiras
A fructa que appareceu á venda na feira foi pouca e essa mesma má e cara.
Vão vender
Município e administracção local
se as estrumeiras municipaes.
Economia e comércioJustiça e ordem públicaCrimesFeiras
Tem sido bem dirigido o serviço de policia na feira.
Justiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisCrimesSecas
Foi promovido a cabo da secção do corpo de policia civil, o guarda n.º 13, o sr. Amaro.
Política e administracção do EstadoEleições
Reune no dia 14 a commissão do recenseamento politico para a extracção dos cadernos para a eleição geral.
Educacção e instruçãoReligiãoConcursos e provisões
Hoje fizeram concurso differentes oppositores a egrejas parochiaes d’esta diocese.
Cultura e espectáculoFestas civis e popularesTeatro
Taborda, Anna Pereira e Julio Vieira deram, domingo, um espectaculo no theatro provisorio. Foi uma noite de festa.
David Corazzi, o incansavel editor, acaba de publicar mais dois Contos infantis. Intitula-se o primeiro O Jantar dos Tãos e o segundo O Pintarroxo. Ambos os contos contam duas edições.
Publicou
Cultura e espectáculoEducacção e instruçãoInstrução pública
se o n.º 8 da Revista da Sociedade de instrucção do Porto.
As amas dos expostos e mães subsidiadas hão de receber 2 de setembro os salarios do mez de agosto.
Economia e comércioAgricultura
O trigo tem tendencias para a alta.
Manifestou
Acidentes e sinistrosEconomia e comércioSociedade e vida quotidianaBeneficênciaFeirasIncêndios
se incendio terça feira, em um palheiro na rua da Mouraria. Foram promptos os soccorros.
Cultura e espectáculo
José Dallot começou hontem os seus espectaculos. Dois por dia, nem menos, e sempre á cunha.
Publicou
Cultura e espectáculoLivros e publicações
se o n.º 115 do Jornal de Viagens.
Economia e comércio
O mercado de porcos esteve animado.
Cultura e espectáculoTouradas
Da Sociedade protectora dos animaes recebemos e agradecemos uns impressos intitulados—Os passaros, os burros e as touradas.
Justiça e ordem públicaCrimes
Foi despedido do corpo de policia civil o cabo Ramos.
Economia e comércioJustiça e ordem públicaBebedeiras e desordensFeiras
Terça feira, por causa de logares para barracas, houve, na feira, uma pequena desordem.
Economia e comércioFeiras
Quatro barracas de quinquilharias, um botequim com limonada de cavalinho, um judeu a vender tamaras, o Riffa com o seu bazar, muito pó, encontrão sem conto, é o que se vê e se apanha no rocio da feira ha tres dias.
Acidentes e sinistrosEconomia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisFeirasIncêndiosSecas
A terra deu quarta feira signal de incendio. Foi na horta Secca e felizmente extinguiu-se sem grandes prejuizos.
Acontecimentos na Europa
Cultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoMunicípio e administracção localSaúde e higiene públicaAgriculturaConferênciasReformas
A febre eleitoral domina todos os espíritos. A Hespanha, França e Allemanha preparam-se para a lucta que n’este mez terá logar e n’este assumpto, aliás importantissimo, diversas são as opiniões, ácerca dos seus provaveis resultados. A julgar pelo que vemos nas folhas de Madrid a victoria pertencerá ao governo, mas nas futuras camaras o partido republicano será brilhantemente representado por muitos dos seus mais notaveis athletas. Todos os partidos sem excepção do carlismo que atulha ainda com a resurreição da monarchia tradicionalista e com los foros se empenham na lucta e trabalham com a maxima actividade para o triumpho dos seus candidatos. Na França a mesma actividade se observa. O partido imperialista pensando ainda na proclamação do imperio pede a revisão da constituição e trabalha desesperadamente para a victoria dos seus correligionarios. Com a mesma energia se sustentam os trabalhos nos campos dos mais partidos. O partido republicano, consciente porém da sua poderosa força e confiado nos sentimentos liberaes do povo aguarda o momento decisivo da lucta para entrar abertamente no trilho das reformas que ha muito reclama a França. É indubitavel que a victoria coroará esplendidamente o partido republicano. São diversas as opiniões relativas ao resultado provavel da lucta eleitoral na Allemanha e crê-se geralmente que o príncipe de Bismark se enganará nos seus calculos em poder conseguir obter uma camara a favor da sua politica. Algumas folhas deram curso ao estranho boato d’uma projectada alliança entre a Italia, a Austria e a Allemanha, o qual appareceu após a noticia da conferencia dos imperadores do Norte, facto aliás importante, de que fallámos em a nossa pretérita revista. Sabe-se hoje que tal boato é destituído de fundamento. Ácerca das falladas allianças dizem de Vienna á Gazette de Francfort: «Confirma-se na ministerio dos negocios estrangeiros, que não teem fundamento os rumores de intelligencias entre a Austria e a Italia. O gabinete actual não tem motivos nem desejos de entender-se com o gabinete italiano sobre uma acção politica encaminhada a produzir modificações territoriaes. É verdade, que recentemente, um ex-capitão do exercito austriaco, chamado Herling, sondou o governo com esse fim; porém tudo indica que as suas proposições foram regeitadas. Sabe-se, é certo, que a Italia não excita a Austria a que se engrandeça do lado do Oriente, senão com o fim de occupar, por seu turno, Trieste e o Trentino; isto mesmo justifica a prudencia da Austria.» Desmentido esse boato a imprensa parisiense não deu maior curso, mas vemos que as folhas dos pessimistas fallam com o maximo interesse da entrevista dos imperadores da Austria e da Allemanha procurando encontrar assumpto favoravel ás idéas bellicosas que espalham. É verdade que a respeito da entrevista pouco transpira mas não nos parece que os seus resultados sejam contrarios á sustentação da paz e nada vemos que possa ameaçar os interesses dos conservadores.
Lisboa, 26 de julho de 1881
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Cidadão redactor.—As maiores novidades d’esta terra, actualmente, cifram-se em trabalhos eleitoraes, e ainda nas perseguições ordenadas pelo Sardeuapalo portuguez e este governo Cabralino e anti-liberal. Estes baldomeras e seus seicarios, teem feito os actos mais infames de que ha memória desde os Cabraes. O governo de sua magestade, porque o que este governo tem feito só o governo real o faria, continua com as torpes perseguições. Já ninguem em Lisboa póde expor as suas idéas e os seus principios republicanos, que se não exponha a ser insultado pela policia e levado para a Boa Hora, e até para o Limoeiro. Os subsidios ás egrejas teem chovido, sobem a mais de 30 contos os que se teem distribuido. Consta tambem que o candidato governamental pelo circulo 98 é o sr. Hintze Ribeiro, ministro das obras publicas e estrangeiros, quase o homem dos sete instrumentos, ou o caro Fontes. Ora que partido terá este nino pelo circulo 98, para se propor a deputado? Lá se foi mais libras do thesouro, e as de policia, e mais empregados do estado. Inaugurou-se no domingo o novo mercado de peixe no Atterro. Foi uma providencia muito necessaria; pois que o outro era uma vergonha. Ha dias houve reunião magna em casa do carrasco Fontes, poder occulto dos dictadores, proprietario da penitenciaria, valido das instituições, homem dos sete instrumentos, o fatme arranjo, etc., etc., que Deus guarde para consolo das velhas. Resolveu-se impedir, por todos os meios legaes e illegaes, possiveis e imaginaveis, que os candidatos republicanos sejam eleitos pelo povo. Tornaram-se celebres pelos seus palavrões, entre outros o sr. Arrobas, e o Fonseca tri-encommendador regenerador euraqui etc., etc. Este sr. Fonseca era o anno passado republicano, e este anno subiu mais um degrau; é regenerador. Se s. ex.ª vai subindo assim, dentro em pouco espero de o ver sebastianista... e açanhado. Houve, domingo, 7, um meeting no circulo 96, em que o sr. dr. Manoel d’Arriaga expoz o seu programma com a costumada eloquencia. Reinou sempre a melhor ordem. Estavam perto de duas mil pessoas. Por hoje nada mais. Fernando Augusto de L. e Mello.
Ferreira
Estabeleceu-se aqui uma nova pharmacia, o sr. Gama Freire; a armação é moderna e de gosto. Conta portanto hoje Ferreira tres pharmacias, sendo aliás uma terra salubre.
Ferreira
Queixam-se algumas pessoas que o pezo da carne no açougue é muito roubado. Vá com vista a quem competir.
Ferreira
Ha nesta villa um bom matadouro, e junto aquelle optimo curral; ignora-se pois a razão porque o arrematante faz do dito matadouro curral.
Ferreira
Município e administracção localObras municipais
Continua o calcetamento da praça, produzindo o trabalho optimo effeito; o desenho é igual ao da praça de D. Pedro em Lisboa, honra ao mestre da obra, e louvores á camara.
Ferreira
Transportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacções
Vão apparecendo algumas estrumeiras nas ruas da villa. Na estação presente pode trazer consequencias funestas, e por isso seria para desejar uma medida preventiva.
Ferreira
Economia e comércioSaúde e higiene públicaAgriculturaPecuária
Dizem que existe muito gado atacado de pezunha. Ao fiscal do matadouro se recommenda tal facto porque a saude do povo está acima de qualquer interesse particular.
Ferreira
Economia e comércioMunicípio e administracção localSociedade e vida quotidianaAgriculturaCasamentos
O sr. José Jacintho de Campos, escripturario de fazenda d’este concelho, e ultimamente transferido para Almodovar, casou com a filha do sr. Diogo do Cabo Pilta; o casamento foi á capucha, e contra vontade do pae da noiva. Emfim boa lua de mel aos nubentes.
Ferreira
Meteorologia e fenómenos naturaisCalor extremo
O calor tem sido excessivo n’estes ultimos dias, o thermometro tem marcado á sombra 37.º.
Ferreira
No logar do Paço, as sezões tem atacado muita gente.
Ferreira
Saúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaFalecimentos
No mez proximo findo e na freguezia da villa falleceram 15 creanças de febres intermittentes.
Ferreira
Política e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaFalecimentosGoverno civil
Falleceu no 1.º do corrente mez, após um longo padecimento, a esposa do sr. Alfredo Cesar de Vilhena, cunhado do ex.mo sr. governador civil substituto d’este districto.
Ferreira
Economia e comércioAgriculturaColheitas
O anno vae pessimo, as colheitas de cereaes são más, e as vinhas e olivaes por emquanto é pouco satisfactorio o seu estado.
Ferreira
Economia e comércioAgricultura
A farinha já se vende a 700 reis os 60 litros; o trigo está por 600 e 650 reis, com tendencia para a subida.
Ferreira
Transportes e comunicaçõesNavegacção
A fabrica de moagens a vapor vae tendo agora algum movimento e os seus moinhos que se avistam da villa tambem é raro o dia que não trabalham.
Ferreira
Economia e comércioPreçosPreços e mercados
O mercado aos domingos tem sido fraco, algumas fructas verdes, e poucas hortaliças. A batata conserva o elevado preço de 520 reis por 15 kilos.
Ferreira
Município e administracção local
A camara municipal estabeleceu ultimamente uma postura prohibindo as estrumeiras nos ferragiaes proximos á villa.
Ferreira
Município e administracção localObras municipais
Por todo este mez nos deve ficar concluida a obra da praça, e os moradores da mesma vão mandando caiar as fronteiras de seus predios. É caso de se dar parabéns, e bom seria que os habitantes em geral, d’esta villa, tambem mandassem caiar na frente de suas casas, cumprindo assim uma das disposições das posturas municipaes.
Bibliographia—Historia de Portugal illustrada
Preços
A publicação d’esta obra que a Empreza Litteraria de Lisboa tem no prelo vae muito adeantada e brevemente estará concluido o quarto volume. Conforme os leitores sabem a Historia de Portugal illustrada é publicada aos fasciculos que se distribuem regularmente. Cada fasciculo acompanhado d’uma excellente gravura custa a bagatella de 100 reis.
Bibliographia—Desenho Linear
Cultura e espectáculoEducacção e instruçãoMeteorologia e fenómenos naturaisCheiasEscolas
É este o 8.º volume publicado pela Bibliotheca do Povo e das Escolas, da qual é proprietario e editor o nosso amigo o sr. David Corazzi. O presente livrinho é illustrado com 81 gravuras. Os volumes d’esta Bibliotheca constam de 64 paginas, de composição cheia, e custam apenas a modica quantia de 50 reis.
Bibliographia—A Moda illustrada
Cultura e espectáculoLivros e publicações
A empreza Horas Romanticas acaba de distribuir o numero 63 d’este interessantissimo jornal de familias.
Bibliographia—A Europa Pittoresca
Distribuiu-se o fasciculo n.º 8 d’esta explendida publicação da qual é director proprietario o sr. Salomão Saragga, Paris, e gerente em Portugal o sr. David Corazzi.
Bibliographia—A Volta de Rocambole
A empreza Noites Romanticas, do nosso amigo o sr. F. N. Collares, distribuiu o ultimo volume d’este bellissimo romance repleto de peripeias, e encetou a publicação do terceiro volume. Os dois volumes custam brochados 1:000 reis.