O anniversario da entrada do exercito liberal em Lisboa commemorou-se nesta cidade tocando na praça de D. Manoel á alvorada a banda do regimento 17 de infanteria e repicando o campanario municipal. Pelas oito horas da noute a mesma banda tocou os hymnos nacionaes na indicada praça, seguindo para o quartel onde tocou até ao recolher as seguintes peças: 1.ª Symphonia da opera Força do Destino. 2.º Côro-duo de tiples da opera Estrella do Norte. 3.º Pout-pourri das Tres Rocas de Cristal. 4.º Duo de tiple e tenor do 2.º acto da opera Um ballo in maschera. 5.º Scena e dueto de tiple e tenor da opera Fiorina. O quartel estava illuminado e na fachada lia-se: Exercito libertador 24 18-33 7.º Entrada em Lisboa. Os edificios publicos estiveram illuminados e alguns cidadãos embandeiraram e illuminaram as suas casas.
Foi despachado para a relação dos Açores o digno juiz de direito e nosso bom amigo o ex.mo sr. Antonio de Almeida de Santa Neves. Damos-lhe os nossos parabéns.
Publicou
se o 6.º fasciculo dos Escravos de Paris. Agradecemos o exemplar que nos foi enviado.
O nosso amigo o sr. Bernardino José d’Almeida Rebello vae abrir um curso de portuguez, latim e francez e tenciona estabelecer um collegio d’educação litteraria, que abrirá em outubro.
Subiu á approvação do governo o orçamento da camara municipal deste concelho para o corrente anno economico.
Hoje houve no monte de Santa Luzia um grande incendio. O fogo consumio os palheiros da herdade e parte da ceara.
Estão a abrir
se os caboucos para o alicerce do chafariz junto do poço Largo.
Na noite de 24 para 25, quatro guardas da alfandega de Serpa tiveram de sustentar na serra um tiroteio por espaço de 2 horas com alguns contrabandistas. Parece que ficou ferido um guarda e morto um contrabandista. Ficaram em poder dos guardas 65 kilos de tabaco.
Hoje teve exercicio o regimento 17 da infanteria.
Abriram
se no rocio do Pé da Cruz novas vallas para o esgoto das aguas.
Domingo tocou das 8 ás 10 horas da noute no largo do duque de Beja a banda do regimento 17 de infanteria. Alem de algumas peças que tocou no dia 24 e que repetio, executou mais um ordinario estrabido da opera comica a filha da madame Angot, o Côro dos conspiradores da mesma opera, e dois wals.
Diz o Jornal do commercio que o sr. Andrade, delegado do thesouro, neste districto, é transferido para Santarem, e que para Beja vem o sr. Camisão, delegado do thesouro em Santarem.
Já foi entregue á camara a cantaria para o chafariz ao Poço Largo. O chafariz é de marmore de Estremoz e foi trabalhado na officina do sr. Romano que á perfeição das suas obras junta commodidade no preço.
Foi nomeado delegado para a comarca de Odemira o sr. José Soares Monteiro de Albergaria e transferido desta comarca para a de Evora o sr. Augusto da Costa Russell Cortes.
Está em Beja o deputado por este circulo o ex.mo sr. Jacintho Perdigão.
A sociedade phylarmonica artistica de Castro Verde, para commemorar o anniversario do passamento do ex-professor da phylarmonica Manuel Jeronymo da Silva Vilhena, mandou no dia 27 do corrente, rezar uma missa a que assistiram, convidados pela direcção, quasi todos os socios e mais pessoas da localidade. Honra lhes seja.
O nosso collega o sr. Marianno de Carvalho traduzio para as Horas romanticas mais um volume da Jules Vernes. Intitula-se a Galera Chancellor. Recebemos hontem o livro mas basta o nome do auctor e do traductor para que aconselhemos o publico a que o leia. A Galera, pelo que ouvimos, é o melhor dos romances do auctor das Viagens aos mundos conhecidos e desconhecidos.
Está affecto á junta consultiva de obras publicas a planta e orçamento de um lanço de estrada real de Beja a Barrancos, comprehendido entre a ponte de [ilegível] e Safára. As obras estão orçadas em 44:000$000 reis approximadamente.
Recebemos o 1.º numero do jornal musical Repertorio de baile que contem um wals intitulado Estrellas do Russaco e o n.º 15 do Repertorio do pianista Traz um novo Bolero composto pelo sr. F. J. Cervantes. Agradecemos.
Inauguraram
se no dia 20 deste mez os trabalhos do caminho de ferro desta cidade a Faro no lanço comprehendido entre Boliqueime e os Cascavaes.
Publicou
se o 4.º fasciculo da Revista Occidental correspondente a 30 de junho ultimo.
Pelo ministerio da marinha foram expedidas as convenientes ordens, para serem collocadas as boias que forem necessarias para designar clara e distinctamente, o centro da calla do Barreiro.
O supremo tribunal administrativo isemptou, entre outros mancebos, do serviço militar Antonio, filho de Maria da Conceição, natural de Peroguarda, concelho do Ferreira, neste districto.
Recebemos e agradecemos a Gazeta Commercial, folha politica que se publica no Porto. Agradecendo ao collega a troca fazemos votos porque a Gazeta tenha longa e prospera vida.
No mez de julho de 1874 pela alfandega de Serpa foram exportadas mercadorias no valor de 22:690$200 reis que pagaram de direitos 410:007 reis afora 49:197 de taxa complementar. No semestre do referido anno as mercadorias exportadas foram no valor de 138:497$650 reis que pagaram de direitos 2:192$351 reis.
Correspondencias—Beja 29 de julho de 1875. Sr. redactor
Vou hoje narrar um dos maiores escandalos commettidos durante a desgraçada e lastimosa gerencia da direcção Bate forte. A medida posta em execução com o maximo descaramento e cynismo é surprebendente e chistosa. É essencialmente agradavel, á primeira vista, o panorama que produz. É bello, doce a todos os paladares e maravilhoso aos seus admiradores. Nunca esta aristocracia balofa foi tão applaudida. Nas proximidades do baile de carnaval, tiveram a feliz ideia de dirigirem cartas a todos os individuos que se achavam em debito, para que assim se fizesse, com mais facilidade, face ás despesas. Louvei muito a maneira zelosa e justa como se tinha andado. Mas nas cartas que suas s.as dirigiram, pediam, no caso de falta de meios os devedores não satisfazerem as quantias alludidas n’uma só prestação, indicassem a melhor maneira de solver os seus debitos. Um individuo, que pessoalmente me contou, apressou-se a responder no dia immediato, apresentando as razões porque não podia entrar de prompto com a quantia exigida, mas que no mais curto tempo estaria quite para com a sociedade. Qual era pois o dever da direcção? Era deliberar se devia ou não acceitar as condições apresentadas. Pois não se deu isto. O mesmo individuo como não recebesse resposta á sua carta—e declaro-lhe, sr. redactor, que era redigida em termos mui delicados e dignos de respeito—entendeu, e muito bem, que aquella corporação concordava plenamente com as ponderações expostas. Comtudo cinco dias depois, o mesmo sujeito dirigiu-se á sociedade acompanhado d’outro socio, com tenção de procurar o sr. presidente ou director de semana, e pedir explicações sobre o caso. Mas oh! que surpresa que lhes estava preparada ao entrarem na sala do bilhar!? Que maravilha! Era nem mais nem menos do que seus nomes e demais consocios, que receberam cartas, estarem mettidos e pendurados n’um quadro expostos á irrisão publica e degradação perpetua. Que vergonha! Que miseria! Estes srs. tão infamemente offendidos na sua dignidade, pediram, acto continuo, em defeza da moralidade e da verdadeira justiça, formal satisfação á maioria da direcção que se achava presente. Estes cavalheiros responderam que tinham procedido em harmonia com os estatutos. Mas que? suas s.as mais uma vez faltavam á verdade, e ao respeito á lei e aos homens! mais uma vez praticaram arbitrariedade e passaram pelas forças caudinas! Eis o que reza o artigo 9.º: «Todo o socio que deixar de pagar duas quotas mensaes, será avisado, por escripto, pelo secretario da direcção, para fazer aquelle pagamento no prazo de oito dias e não o satisfazendo o seu nome será patente em uma das salas do Club por espaço de oito dias, findos os quaes sem que tenha satisfeito a divida, ficará excluido do Club.» Ora, já vê, sr. redactor, havia apenas cinco dias que se fizera a expedição das cartas, ainda faltavam tres, logo que auctoridade tinham os doutos, os distinctos jurisconsultos, os fidalgos de motim, para assim procederem? Isto é horripilante. Por quanto se paga o exame que sofreram os individuos desdenhosamente apresentados no quadro? Respondei respeitaveis Brutos! Que indigno que isto é!! As victimas d’aquella devassa medida, depois de censurar bruscamente os directores, empenharam-nos para que dentro de dois segundos se retirasse da sala aquella nojenta obra, filha das suas excellentes reproducções e obrigaram-os em seguida a rasgar a vergonhosa papeleta, sob pena de exigirem uma assembléa geral e passarem pelo doloroso desgosto de ver os seus actos serem julgados e punidos com o maior rigor como justamente mereciam. Os heroes não tiveram outro remedio senão fazerem o que havia de ser, caros leitores, figura de... de... cera. Finalizado este incidente inesperado, quero dizer, depois de azorragados sem piedade, os temiveis Roldões, desfizeram-se em mil desculpas appellando para o seu pouco... cuidado na interpretação do artigo 9.º (ou talvez, e assim é mais plausivel, o pouco conhecimento que suas s.as tinham d’aquelle artigo) e a precipitação demasiada como se conduziram neste brinquedo. Quem te manda a ti albardeiro tocar rabecão? Magnanimos directores! no seguinte n.º apparecerá mais petisco. Sou, De v. etc. Um socio indignado.
Beja 29 de julho de 1875. Sr. redactor
Venho hoje pela primeira vez comparecer n’este tribunal augusto da imprensa para dizer duas palavras acerca do meu porte no Club artistico bejense e patentear as desconsiderações que tenho recebido. Em 2 de agosto de 1868, installou-se, na rua de Mestre Manoel, o Club artistico, e sendo eu instado por um cavalheiro que sempre me votou amizade e consideração, accedi ao pedido de melhor vontade para que fosse contado no numero de socio primitivo mas não fundador. Muito bem. Passados dois ou tres dias sou desairosamente interrogado, n’um estabelecimento, por um individuo, sobre a minha entrada, imaginando talvez este sr. que lhe tirava o direito de fundador. A esta esperteza não digo agora nada mais, ficando satisfeito com o que n’essa occasião lhe disse. Tenho prestado alguns serviços á sociedade, pelo que não junto a menor pinga, e mormente a certos individuos que á minha vista me elevavam ás maiores alturas, mas na rectaguarda chegavam-me bordoadas de crear bicho. Quem tem culpas suas casa sr. José Francisco Carranquinha? S. s.ª sabe que tudo é verdade. E o que tem mais graça é que esta santa gente, os meus amigos, não são capazes de me pagar os serviços por mim prestados, porque ha coisas que o dinheirito não paga. Ahi vae mais uma prova da muita consideração e estima em que os meus intimos me teem: Approximando-se ha pouco a epocha da eleição da direcção que está funcionando no corrente semestre, um dos meus amigalhotes apresentou a «alguém» uma lista — era a da direcção — entrando para aquella corporação J. A. M., porque dizia elle, era assim que desejava servir o seu credor. Procede-se á votação e... oh fatalidade, J. A. M. transforma-se em zero! Este gracejo é muito frisante e notavel. Pois que quer dizer — um homem pertencendo a uma associação, possuindo esta diminuto numero de associados e tendo-se feito quatorze eleições, ainda se não lembrassem de eleger para director um socio que tem prestado alguns serviços já em favor da sociedade, já particularmente a amigos, promettendo suas s.as recompensal-o na primeira occasião! É na verdade que fiquei mal recompensado, além de muitas desfeitas que se me fizeram, tiveram por ultimo o atrevimento de escarnecer de mim, como se eu fosse algum... Meus respeitaveis e estremosos amigos, examinai os maços de quotas que estão em poder dos mordomos e dizei-me depois se lá se encontram algumas minhas, atrazadas? não, porque sempre estou em dia com o pagamento. Abri os livros onde se inscrevem as contribuições pagas aos differentes jogos ali existentes e dir-me-eis se está aberta alguma quantia? não, porque sempre cumpri o regulamento interno da casa. Como não soubesse alguns jogos pedi immensas vezes a alguém para que em meu logar jogassem, tendo só em vista concorrer com o meu bolo em beneficio da caixa. Sr. redactor, declaro-lhe que o que me fez apresentar n’este logar não é, como os meus amigos intimos suppõem, apoiar os individuos que hoje fazem guerra de morte e com justa causa á direcção transacta, mas sim a dignidade offendida que repelle para longe o ultraje ultimamente feito a este seu creado. Pela inserção d’estas lhe ficará summamente grato quem é De v. etc. José Augusto Marques.