Os nossos amigos commendador Souza Feyo e Sant’Anna, deram licença á camara para poder atravessar os seus predios um cano para dar passagem ás aguas da rua da Fabrica. Porque se não faz a obra? Provavelmente porque é de reconhecida utilidade publica. E a proposito dos canos, quando se tapa o da rua de S. Francisco?
Passou a fazer serviço no caminho de ferro de Beja a Faro, o sr. engenheiro Albuquerque.
Domingo ha funcção tauromachica na praça da Guia. O emprezario, o sr. José Mendes, dará prémios aos curiosos que fizerem as melhores pegas. Sabemos que haverá dentre os lidadores quem faça alguns passos de capa. O gado é melhor que o que se correu no dia 4. Amadores é concorrer que a tarde promette ser cheia.
Os intensissimos calores destes ultimos dias tem prejudicado as searas.
Publicou
se o fasciculo 20 dos Desherdados. Para este romance, cheio de interesse, assigna-se em casa do correspondente dos Serões romanticos, o sr. Fernando dos Prazeres Lança.
Recebemos e agradecemos as cadernetas 55.ª e 56.ª do Diccionario popular.
Domingo tocou das oito horas da noite ás nove e meia, no largo de S. João, a banda do 17 de infantaria. Quarta feira tocou no mesmo local.
Villa Nova de Milfontes
Está a concurso o logar de guarda mór de saude em Villa Nova de Milfontes.
O producto presumido das coimas no concelho foi arrematado, domingo, por tresentos e tantos milrs.
Pelo commissariado de policia foi elaborado um regulamento para as meretrizes. Estabeleceu-se a matricula, revistas sanitarias semanalmente, etc. etc.
O tribunal de contas deu quitações ao sr. Joaquim Soares de Britto Portas, recebedor da comarca de Beja, no periodo de 1 de julho a 20 de outubro de 1874.
Mértola
Foi transferido para a segunda vara do Porto o delegado do procurador regio em Mertola, o sr. Barreiros, e para Mertola o delegado de Povoação.
A camara arrematou, domingo, por 840$000 reis o imposto sobre o vinho.
A Independencia, suspendeu a sua publicação, até ao dia 15 do corrente.
Tem
se realisado algumas compras de lã. O preço, termo medio, tem regulado por 4:500 reis, cada quinze kilogrammas.
Publicou
se o n.º 23 do Universo illustrado. Contendo Santa Sophia em Constantinopla (gravura)=Sobre os objectos d’arte achados na Citânia de Briteiros, de Gabriel Pereira=O ótrio de camelias, romance original de Ricardo da Motta=Methudo de prolongar a vida, por Branco Rodrigues=Russia: o Kremlin, em Moscou (gravura)=A Regina, romance=A guerra=Halleluiah! (poesia de Santos Costa)=A corôa, por Silva Pereira=As folhas do aipo=Torre do Tombo=etc.
O jornal dos ceifeiros sahio domingo, por 300 reis.
Mértola
Foi concedida definitivamente ao sr. Abilio dos Santos Bandeira a mina de manganez do Cerro Grande, concelho de Mertola.
Aldeia Nova / Vizeu
Foi declarado sem effeito o decreto que apresentára na parochial egreja de S. Pedro do Sul, diocese do Vizeu, o parocho da de S. Bento de Aldeia Nova, nesta diocese.
Vae adiantada a obra de alvenaria no theatro bejense.
Serpa
Tem 30 dias de licença com vencimento o sr. João Alexandre Mendes, guarda acavallo da alfandega de Serpa.
Serpa
Foi nomeado definitivamente guarda da alfandega de Serpa o sr. José Jeronimo.
Publicaram
se as cadernetas 25 e 26 do Diccionario geographico. Agradecemos o exemplar que nos mandaram.
Serpa
Na alfandega de Serpa despacharam-se, para consumo, mercadorias na importancia de 7:114$400 que pagaram de direito reis 905$942. A exportação subio a reis 8:760$100 de que a fazenda arrecadou 95$154 reis. Isto em julho do anno passado.
Tribunal de policia correccional
Audiência de 14 de junho de 1877. Presidencia do ex.mo juiz de direito: Accusação—Ministerio publico; Réo—Joaquim Manoel Adriano Bentes; Defensor—o procurador Esteves; Escrivão—Cardoso; Accusado de ferimentos em Manoel Antonio; Condemnado em 20 dias de prisão remiveis a 100 reis e custas.
Aljustrel
7 de junho de 1877. Sr. redactor.—Este concelho não pode subsistir. Pagámos o que não podemos pagar e o nosso dinheiro, o nosso sangue é consumido em fontes da Romeira. Não pode subsistir este concelho, sr. redactor, e os povos de Messejana que nem pelo menos do que o seu coito rende lhe dão para melhorar a povoação, requereram para passar para Ourique onde já pertencem judicialmente. A vontade do sr. governador civil não pode ser superior á dos povos. A representação foi-lhe entregue e sua ex.ª porque não lhe dá andamento? Povos de Messejana, instao porque se dê andamento á representação, e vós habitantes de Ervidel requerei para passardes para Ferreira, ou para Beja. Aljustrel isolado hade cahir por força com os seus Severinos, Rasquinhos, Metellos, e Pinções. Peticionem os povos, peticionem, façamos uma cruzada, porque annexados a Beja, ou a Ferreira, pagaremos menos e a camara não terá por presidente um Severino, mas homens que saibam administrar. V. sr. redactor, tem pedido por mais de uma vez no seu sympathico jornal que a camara contracte com a companhia transtagana o completar-se a linha electrica. A sua ideia foi mui festejada aqui, mas os do pagode não querem melhoramentos e este que era o principal guerreiam-no! Já na Cuba e Vidigueira se não pensa assim. Mas ó que lá ha, quem se interesse pelos moradores do concelho e o sr. Severino, só se interessa pela sua loja.. R. G.
Aljustrel
12 de junho. A feira tem-nos mortificado com o pó e o calor, mas em compensação a este encommodo, não temos a lastimar o facto altamente escandaloso, (até á hora em que escrevemos) do imposto do terrado que a camara tem cobrado nos annos anteriores. Para ver até que ponto somos justos, basta citar este facto e dizer-lhe que cumpriu com o seu dever o que pena foi não o ter feito ha mais tempo. Mas nós não ficamos satisfeitos só com isto, nós queremos mais, e sobre tudo que desta villa ou do governo civil nos expliquem o seguinte: É claro e de lei que a camara não tem direito a cobrar dinheiro pelo terrado da feira; como é pois que ella sempre o tem cobrado? vae esta verba incluida no orçamento? é provável; é ella approvada? mysterio! O anno passado, foi o terrado á praça, e o arrematante principiou a cobrança, e quando já tinha algum dinheiro houve da parte de alguns feirantes a declaração formal de que não pagavam porque não havia lei alguma que os podesse obrigar. Não se livraram alguns de serem presos pelo sabio administrador, prototypo da risada e da seriedade administrativa e este meio deu as consequencias que devia dar, que foi tudo negar-se ao pagamento. Vendo o arrematante que não recebia mais dinheiro, guardou o que tinha recebido e foi declarar á camara que não podia receber o imposto do terrado e por isso que se devia considerar nullo o contracto. Assim foi e a camara desistiu d’aquella fonte de receita. Como é pois que se fazem estas cousas?! Pois a camara não devia incluir esta verba no seu orçamento? certamente: foi ella approvada? quem é então que auctorisou a camara a cobrar um imposto sem as formas legaes?! a dictadura, porque as auctoridades em Aljustrel estão sempre em dictadura, mas a praxe seguida a um acto destes é um bill, deram-lh’o as estações competentes? Não; deu-lh’o o sr. governador civil com o seu costumado desprezo pela boa administração! Se não houvesse um desprezo manifesto da lei da parte de s. ex.ª era isto o bastante para s. ex.ª mandar syndicar dos actos da camara, porque quem pratica um acto desta ordem e de que milhares de pessoas teem conhecimento, não é de admirar que outros se deem, quando só os conhecem trez ou quatro. Eis pois um dos motivos porque o povo grita. Mudemos agora de rumo, porque nos foge o tempo e nós temos mais em que cuidar. Temos clamado no deserto com respeito ao sr. governador civil; é do suppôr que s. ex.ª se torça ao ver os nossos escriptos, mas como s. ex.ª precisa de sustentar a sua popularidade e como se importa pouco com a administração publica, finge que não lê, que não ouve e que é cego talvez; veremos pois se o dr. Muscaró lhe abre os olhos para ler uma portaria que talvez não tarde muito a apparecer, com respeito ao seu desleixo administrativo. O sr. dr. Ganso também nos parece que quer seguir as mesmas pisadas, se assim é, vae muito mal, porque devendo-nos s. ex.ª muito mais conceito do que nos deve o sr. governador civil, seria para nós de muito pezar termos de o censurar como ultimo culpado pelo estado desgraçado em que se acha a saude publica neste concelho. Esperamos que s. ex.ª nos ouvirá e que fará dentro da esphera das suas obrigações tudo quanto possa em nosso beneficio. Por hoje vamos pedir providencias a outro magistrado prototypo de honradez e de imparcial nas suas obrigações. É ao ex.mo juiz de direito. Queixou-se-nos hontem João Nobre morador na córte de Vicente Annes, filho de outro, que tendo fallecido sua mãe e pae, ainda não recebeu a sua legitima apesar de a ter procurado por muitas vezes. Diz elle que podem ser 300$000 reis sendo em dinheiro quasi toda a quantia que entrou na caixa dos orphãos de Aljustrel, mas que se não sabe qual o destino que levou. Não nos admira isto porque no cartorio do escrivão Olympio vimos nós alguns livros de notas em que se notava a sahida de dinheiro pertencente a orphãos, e que só depois de muito trabalho algum entrou. Os homens honrados são assim, mas s. ex.ª hade fazer justiça ao pobre homem como a tem feito a outros. Vamos fechar a correspondencia de hoje com um documento que prova mais uma vez o que são estes meninos, na calumnia e na pouca vergonha, até que os tribunaes lhes tomem contas pelas suas palavras e pelos seus actos. Este documento diz respeito ao sr. Pinheiro e responde de uma maneira cabal ao correspondente do Jornal do Povo a quem não dirigimos mais palavra por nos causar nojo a sua correspondencia. Fique-se com esta: não sabemos quem são os valdevinos que não teem que debulhar, mas se isso nos é dirigido, saiba que é melhor não ter que debulhar, do que causar admiração a todos a maneira como crescem certas fortunas, quando não houveram heranças nem casamentos que as trouxessem: não acha assim algumas em Aljustrel? Ao correspondente do Bejense declaramos que não quebramos a penna, e que melhor serviço faria s. s.ª se a pozesse ao seu lado, do que dar um conselho destes. Cada um sustente-se como poder, porque o vendaval vae-se approximando. Não sei se v. sabe sr. redactor que a meza transacta da misericordia ainda não prestou contas, o que nos deixa ver um descaminho inaudito. Pois como o sr. governador civil não faz caso mostraremos os motivos porque assim procedeu. Eis o documento: Declaramos nós Francisco Antonio Nunes e minha mulher Maria Barbara das Candeias, lavradores do Pego do Seixo, residentes nesta villa de Collos, que o nosso amigo o sr. José Pinheiro da Silva, residente em Aljustrel, nunca teve negocio comnosco se não de pura amizade e que nunca tivemos razão para nos queixarmos do seu procedimento, que tem sido, como todos que o conhecem e podem affirmar, um procedimento, d’um homem honrado e digno de toda a consideração e que por isso as calumnias, que para o desacreditar se publicaram no Jornal do Povo, são infundadas e não merecem credito, porque não houve no Pego do Seixo acontecimento algum deshonroso em que elle tomasse parte. E para prova do que declaramos, e juramos se preciso fôr, fazemos esta declaração na presença das testemunhas João Severino da Silva, e João Affonso, casados, proprietarios, moradores nesta villa de Collos. E por não sabermos escrever pedimos a José Alves de Athayde, nosso genro, morador nesta villa, que este por nós fizesse e assignasse. Collos 4 de junho de 1877. A rogo de meu sogro Francisco Antonio Nunes por não saber escrever e me pedir, José Alves de Athayde. A rogo da sr.ª Maria Barbara por não saber escrever e me pedir, Antonio Joaquim dos Santos Massapina, João Severino da Silva, João Affonso. (Segue-se o reconhecimento). Até á semana.
Moura
Dialogo na villa de Moura. F.—Não sabes que a divisão da coitada fez com que a infallibilidade musical tocasse varias peças do seu repertorio?! F.—Que peças foram? F.—Uma peça complicadissima da Giroflé-Giroflá annunciou á camara que na rua... vive ainda, tolerado pelo Deus bom, o rei dos musicos; aos cantos..., onde nas noites de grande gala se accende o planeta Marte, cuja luz vermelha faz lembrar um vidro enfumaçado, está o Ferra Braz; e na rua de... o rei Zabumba. F.—Não te comprehendo?! F.—Estes deuses archeologicos cheios de piupomees, em torno dos quaes giram outros e outros sóes; do infinito dos quaes é satellite rei dos musicos, mostram-se ardentes defensores da conservação da coitada, e á mais leve picuinha vão buscar uns raios velhos, que ainda estão no dr.... mas que não ardem a cacete, por causa da humanidade. F.—Cada vez te percebo menos?! F.—Aquelles srs. que se insurgem contra a desamortisação, a liberdade da terra, contra o arroteamento dos terrenos incultos, e oppõem a maior reacção ás medidas mais rasgadamente liberaes. F.—Já sei. F.—Sabes que querem dar bordoadas na camara, como se ella não fora filha de Deus! F.—Dizem por esse mundo tanta cousa... F.—Sim; dizem que a coitada é um legado, que ha 300 annos uma F. Dona deixou aos carpinteiros, torneiros, livreiros, encadernadores, sapateiros, typographos, impressores, e fundidores de typos: é o legado mais completo e generoso que a caridade podia offerecer aos artistas. F.—Mas quem se oppõe a isso? F.—Os taes deuses, soes e satellites dizem, que oppondo-se á divisão, transmitem aos seculos vindouros um nome abençoado pela gratidão da posteridade. F.—Deus te salve rei dos musicos...! F.—Este maganão disse, ha pouco, que não tornava a fazer parar o sol, como fez no tempo d’aquelle mandrião de Josué que nunca soube fazer as cousas com limpeza; mas que havia de tirar de tombo da camara cópia do tal legado da coitada por um escrivão de direito, porque desconfiava que o da camara era turco, e que um testa de ferro levaria o requerimento á camara! F.—Mas porque será tanta azafama? F.—É porque na primavera não tem onde apascentar o gado, e eu ouvi dizer, já para ahi, ás boas linguas, que ha herejes que fallam lingua bunda, a quem a coitada deixa mais de 300 mil reis...! F.—Ser turco é peior. F.—Peior é não se intender o despacho da camara e ser preciso consultar o oraculo. F.—É porque não requereram em termos. F.—Oh! com os diabos, será possivel que Jupiter, rei dos musicos e rei Zabumba não decifrem o despacho camarrio?! F.—Só tocando-se uma peça de Offenbach. F.—Vão deixar a camara e coitada, protestando deixar a carta constitucional e a liberdade, e vão representar o paiz dos mortos. F.—Pois a terra lhe seja leve. F.—Sabes o que eu te digo, é que causa nojo ver um scenario tão triste. Não sabem estes myopes que ladram á lua e que acima de tudo e de todos está a lei. A camara fazendo a divisão da coitada, cumpre a lei e attende aos rogos de 600 habitantes, que a pediram. Não falto á verdade se disser que é visivel o prazer no semblante de toda esta povoação por verem levado a termo uma obra tão patriotica. Honra e gloria á camara, que vae fazer d’uns pobres jornaleiros pequenos proprietarios. Bem haja a camara que vae dividir a coitada em courellas. Um Turco.