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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 987
37 notícias

Beja 28 de novembro

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Aljustrel · Alvito · Beja · Lisboa · Mértola · Porto · Vidigueira · Portugal Câmara Municipal · Editorial · Governo Civil · Hospital · Igreja · Interpretacção incerta

Junta geral. Accordou o preguiçoso e deitou fogo á casa. Andaram um par de dias á gandaia, mas sabbado trabalharam por atacado os srs. procuradores á junta geral — tiveram duas sessões: uma diurna, e outra nocturna. Na diurna votou-se um parecer approvando differentes orçamentos parochiaes, e outro relativo aos autos da commissão executiva, eliminando-se, por proposta dos srs. procuradores por Beja (dr. Barradas) e Ferreira (Rebello), um período, que envolvia censura ao chefe do districto, e um outro em que se dizia que era preciso castigar severamente certos actos de rebellião praticados pelas camaras municipaes. Ora os taes actos de rebellião, é bom que se fique sabendo, resumem-se afinal de contas em terem algumas municipalidades, zelosas das suas immunidades e prerogativas, negado-se a mandarem á commissão executiva, como ella exigia em officio circular, as folhas dos empregados, copias das actas de todas as sessões etc. etc. Vamos ao outro ponto da discussão. Que elle envolvesse censura ao governador civil, que a não envolvesse, com isso nada temos, absolutamente nada: gostámos porém da discussão e ainda mais das declarações que appareceram. Assim ficámos sabendo que o sr. dr. Machado — é progressista; o sr. dr. Barradas — não é politico. É liberal; o sr. dr. Menezes — é adversario das idéas politicas do sr. governador civil; o sr. Poças Leitão — não é regenerador, nem progressista, nem constituinte. É procurador pela Vidigueira; o sr. dr. Vilhena — é evangelico. E regeneradores? Não ha ao que parece. E todavia nós, e como nós muitas outras pessoas, estavam persuadidas que, dos treze procuradores presentes, dez estavam filiados n’aquelle glorioso partido. Como a gente vive illudida! E nisto se resume a sessão diurna. Na nocturna votou-se o orçamento supplementar e a junta, substituindo por gratificações, para trabalhos extraordinarios, os ordenados do chefe da secretaria e do amanuense, confessou que andára illegalmente quando quiz organisar secretaria privativa. Passou pois pelas forcas. É quanto nos basta. Estamos completamente vingados. Alem da verba para gratificações — negocio que havemos de esmerilhar — auctorisaram-se obras no governo civil, na repartição districtal de obras publicas e a conclusão da nova salla das sessões. A planta e orçamento soffreram tratos de polé. Este cortava aqui, aquelle supprimia acolá, um achava luxo de mais, outro de menos e por fim acabou a coisa por supprimirem as cadeiras para o publico, os logares para a imprensa, os resposteiros, e até os lustres e serpentinas! E todavia os procuradores tomaram esta resolução suprema em sessão nocturna! Também se votaram quarenta e tantos mil reis para o engenheiro da penitenciaria, 100$000 reis para o hospital de Mertola, melhoria de ajuda de custo ao conductor de obras publicas districtal, compra de uma debulhadora, augmento de gratificação ao continuo do governo civil e ao chefe de cantoneiros, mas negou-se uma ajuda de custo ao primeiro engenheiro. Era ainda a coherencia que presidio á suppressão das luzes, a presidir na distribuição do pão do compadre. E com uma boa sangria nas camaras municipaes para despezas do districto, resolução de negocios de simples expediente, e auctorisação para a camara de Vidigueira construir uma estrada não comprehendida no plano — auctorisação que a junta não deveria conceder por isso que o governo ainda não respondeu á consulta da commissão sobre a quem compete a classificação de estradas municipaes, se á junta geral ou ás camaras — terminou a sessão. E os orçamentos da camara de Beja? A commissão encarregada de os examinar apresentou o seu parecer, que não foi discutido para não se alterarem os costumes da casa: lá rejeita-se ou approva-se sem discussão. Para que serviria ella? Para esclarecer os doutos procuradores á junta? Pois elles precisam lá disso, uma vez que os srs. Fulanos e Sicranos votem n’este ou n’aquelle sentido? O parecer foi votado e approvado. Pouco antes porém, os srs. procuradores por Alvito (Machado) e Beja (Barradas) explicaram o seu voto. A falta de espaço obriga-nos a deixar para o seguinte numero a analyse dos arrazoados dos nobres procuradores. Nada perdem com a demora. O parecer conclue porque sejam devolvidos os orçamentos á camara para os reformar em harmonia com as modificações propostas pela commissão, as quaes são as seguintes: que no orçamento ordinario para 1880 seja augmentada a verba destinada para reparações com a quantia necessaria para prefazer a de 5:000$000, em que estão orçadas essas reparações, tirando da verba destinada para construcção de estradas o que seja necessario; que o orçamento supplementar para o acabamento dos paços do concelho seja reformado de modo que fiquem reduzidas (ou eliminadas?) as verbas com applicação ao parquet das salas das sessões, candelabros e estatuetas para a escada, estuques em alto relevo, e outras cousas que a sabia e prudente commissão considera como inutilidades faustosas, que seriam uma affronta á miseria em que vive o concelho de Beja. O Diario da manhã deu logar nas suas columnas ao nosso artigo editorial de sabbado e egual honra nos dispensou as Novidades. Agradecidos. Entre as verbas que dissemos terem sido auctorisadas no orçamento da junta geral, figura uma para obras no governo civil, pois fique-se sabendo que essas obras já estão concluidas ha mezes, por ordem da suprema, da executiva, e que foram feitas por administração. Duas gravissimas infracções da lei se commetteram, mas os srs. procuradores sanccionaram tudo. Agora uma prova de respeito pela bolsa dos contribuintes: pelos prospectos que as casas de machinas agricolas distribuem, todo o mundo sabe o custo das debulhadoras mechanicas, pois apesar de conhecido a junta votou para a compra de uma, movida por maneio, 900$000 reis! Deu-lhe uns 400$000 reis para as quebras. Querem mais? Ahi vae mais. Para trabalhos extraordinarios votaram-se 300$000 reis e alem destes mais 440$000 em duas verbas uma de 200$000 reis e outra de 240$000. 740$000 reis ao todo. Pois ainda assim parece que ha por lá quem não esteja satisfeito, e por isso votou-se mais uma verba, não nos lembra de quanto, para um inspector de expostos! E os livros para as camaras e juntas de parochia? Esses considera-os a junta geral um presente de boas festas; manda imprimi-los por sua conta e dá-os, no dia de anno bom, áquellas corporações. Não bastam os modelos annexos ao regulamento dos expostos, ao que parece. Chegamos a tempo de não haver quem saiba riscar uma folha de papel! Assim não admira que o orçamento districtal suba a perto de 60:000$000 reis. Mas vae tudo bem. Vae tudo como a suprema quer, e é quanto basta. O Diario popular diz que tem pelo sr. dr. Boavida toda a consideração, e que não o tendo offendído, se não pode referir a elle o artigo do Bejense. Pois não nos referimos ao Diario popular nem podiamos referir-nos, em primeiro logar porque sendo a polemica com o Diario da manhã não deviamos intervir n’ella, em segundo porque a proporção que estabeleceu, em coisa alguma nos podia magoar. Lamentou o sr. dr. Machado o atrazo de Beja, disse que lhe faltava agua, que não tinha um jardim, etc. etc. Em quanto a agua o que podemos dizer é que o sr. engenheiro Firmino propoz á vereação de que fazia parte o actual procurador á junta geral, o sr. Fernando Penedo, abastecer a cidade de agua e que a camara nem resposta lhe deu; já agora emquanto a jardins o sr. dr. Machado não pode ignorar que no orçamento de 1877, iam 600$000 reis para se dar começo ao do campo de Oliva, e que a commissão applicou aquella quantia para os ordenados dos seus vogaes e dos conselheiros de districto. Em polemica com o Jornal do commercio, o Diario popular disse que acabava a renovação dos corpos administrativos e que passava a ser triennal a eleição dos mesmos corpos. Uma outra emenda — passar novamente para os padres a presidencia das juntas de parochia — confirma-a o Progresso respondendo á Revolução de Setembro. Diz elle: «Pelo novo codigo administrativo, os parochos que anteriormente eram presidentes natos das juntas de parochia, ficaram excluidos d’essas corporações administrativas. Tirou-se-lhes por conseguinte um poderoso elemento de influencia official.» «Qual foi o parocho que reclamou contra o esbulho? Que agitação produziu essa innovação, aliás pouco conveniente?» E o esbulho vae ser restituido. Ora ainda bem. As ruas de Beja são tortuosas, estreitas, malsãs, e o sr. procurador por Alvito quer que se alarguem e alinhem. Pois algumas se tem alargado e alinhado como as de Onze de outubro, Portas de Mertola, Portas d’Aljustrel, Nove de Julho, Gata, Zorro, Oliarias e se a de S. João não foi tambem no sitio do Buraco, quem lhe pode explicar a razão porque a verba incluída no orçamento para tal obra se não gastou e passou em saldo, é o seu collega o sr. Almeida. Os srs. Paula Costa e Henrique Fonseca nada poderão informar porque não eram edis e o sr. Penedo estava então apeado da vereança por contumaz. A verdade deve dizer-se. No parecer sobre o orçamento da camara de Beja censura-se a vereação porque regateia as sommas precisas para a instrucção publica. Ora o sr. Fernando Penedo, o sr. Paula Costa, o sr. Almeida e o sr. Henrique Fonseca, que saltaram das cadeiras curues para o parlamento districtal, graças á auctoridade, o que fizeram n’este importantissimo ramo de serviço, durante o tempo da sua odilidade? Nem os magros 100$000 para a bibliotheca popular gastaram! Na junta geral do districto de Lisboa tambem appareceu a politica. Propoz-se um voto de censura, não ao delegado do governo, como em Beja, mas ao proprio governo. Intervindo na questão a presidencia disse: «... que a junta, como corpo collectivo, não podia dirigir censuras politicas ao governo. Que esta que estava no animo d’alguns srs. procuradores, era de tal ordem, que feita na camara electiva, daria em resultado a queda do gabinete. Podiam, portanto, os srs. procuradores que assim o entendessem deixar bem consignado na acta o seu protesto, mas que não podiam, no entender d’elle, formulal-o como corporação.» Voto de censura ao governo em Lisboa, voto de censura ao governador civil em Beja, verdadeira assembléa politica a junta geral do Porto, aqui anda coisa. Anda com certeza. As figuras porém é que não estão bem ensaiadas, ou então a indisciplina lavra nas hostes regeneradoras. Assim o sr. Arrobas, em Lisboa, insinuava aos procuradores que fundamentassem os seus votos, em Beja requerendo para fundamental-o, na sessão nocturna, o auctor da censura, a presidencia escudou-se com o § 2.º do artigo 37.º do codigo, e não consentio em tal. Mas o que significarão estes arremessos? No dia 21 inaugurou-se em Villa Viçosa um centro constituinte. A commissão executiva é presidida pelo sr. D. Diogo de Castro Silva Souto Maior. Lamentou o sr. procurador por Alvito que a camara não tivesse mandado á junta geral a planta primitiva dos paços do concelho para se conhecer se tinha sido rigorosamente executada; também nós sentimos que tal documento não apparecesse porque queriamos ver como os srs. Penedo, Almeida, Paula Costa e Henrique Fonseca, vereadores que começaram a obra e a collocaram no pé em que hoje a vemos, com excepção de soalhos e pintura, explicavam ter alterado a planta, construindo subterraneos, um segundo andar, deslocando a cupula, abrindo mais uma escada interior, expropriando prédios para a abertura da travessa entre a rua do Correio e a do Mestre Manoel a fim de isolar o edifício, substituindo pela balaustrada a platibanda de tijolo, alargando a escada principal, etc. etc. Poderosas foram de certo as razões que moveram aquelles srs. a alterarem tão profundamente a planta e foi para que as não ficassem sabendo vista que dos livros das actas pouco se colhe a tal respeito.

Acontecimentos na Europa

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Londres · Viena · Alemanha · América · Áustria · Espanha · Europa · Itália · Reino Unido Exterior / internacional · Igreja · Interpretacção incerta · Telégrafo

A possibilidade de novas publicações para a paz europea já não é uma utopia propalada pelos pessimistas mas um receio para os optimistas. A passo que em Londres existem fundados temores de que a politica internacional do gabinete possa arrastar a nação á guerra, a Allemanha já ninguem desconhece o desejo de Bismark em absorver a Dinamarca por meio da conquista para engrandecer o imperio. Em todo o caso esta ultima noticia, tem produzido viva inquietação entre o povo, porque o projecto, posto que andacioso, traria gravissimas difficuldades sociaes e economicas e poderia ser o germen de terriveis convulsões no imperio. A Allemanha, convem observar, tem as suas industrias opprimidas por uma longa crise, o trabalho paralyzado, a miseria a ralar o povo, que apavorado emigra em grande numero para a America, e não é provavel que acceite o projecto de Bismark e se vá lançar de novo em aventuras da politica aberrante, insurgindo contra si a opinião honrada e justa, que detesta a politica de conquista, impropria d’este seculo e das nações que, como o imperio germânico, se contam entre as mais civilisadas. A miseria e a fome já está horrivelmente invadindo as provincias allemãs prova á sociedade que é impossivel a sustentação da politica conservadora inaugurada pelo gabinete com o apoio do imperador, politica que se reflecte em Hespanha. Onde a côrte com o enlace matrimonial de D. Affonso XII com a archiduqueza d’Austria, está rindo e folgando emquanto que o povo e mui principalmente nas provincias do Levante está gemendo nos antros horriveis da fome e da miseria. Dezenas de contos de reis se applicaram para as festas officiaes. Para se avaliar d’essas loucas despezas bastará ler o programma dos festejos. Eil-o: Um Te-Deum em Santa Maria que deverá custar 2:000 pesetas; o retrato da archiduqueza, 8:000 pesetas; bonus para os pobres, 50:000 pesetas; fogos artificiaes, 20:000 pesetas; illuminações geraes, 125:000 pesetas; graus de licenciado ás faculdades, 10:000 pesetas; theatros, 50:000 pesetas; despezas de representação, 25:000 pesetas; musicas e coretos, 15:000 pesetas; premios para as escolas municipaes, 10:000 pesetas; corridas de touros, 70:000 pesetas; remuneração para um chronista das festas reaes, 5:000 pesetas; melhoramento do collegio de Santo Ildefonso, 6:000 pesetas; imprevistas, 49:000 pesetas. Além d’estes festejos, dar-se-ha em palacio um jantar official de 120 talheres; haverá uma funcção real no theatro da opera e recitas gratuitas em todos os theatros, n’uma só noite. As corridas de touros serão duas. Um outro assumpto nos resta a tratar e esse egualmente é importante, refere-se ás negociações entabuladas entre o gabinete allemão e o Vaticano para o accordo de que por vezes nos temos occupado. Ácerca d’essas negociações podemos dar hoje noticias mais seguras. O nuncio em Vienna solicitou da Santa Sé auctorisação para reatar as negociações; e ao mesmo tempo submetteu á apreciação do Santo Padre e do cardeal Nina os topicos geraes do plano que lhe pareceram melhores para se alcançar o fim desejado sem prejuízo para a causa da Egreja e a contento e satisfação do estado. O Vaticano examinou seriamente as cousas e decidiu em principio que se podia negociar sobre a base proposta pelo nuncio e indicada pelo principe de Reuss e outros personagens. Em conformidade com esta decisão, o cardeal Nina, depois de auctorisado pelo santo padre, formulou as proposições que deviam servir d’instrucções ao nuncio em Vienna. Estas proposições foram julgadas rasoa veis e d’ellas se passou conhecimento ao principe de Bismark, que já estava ao facto de que se passára em Vienna. D’aqui se deriva a primeira viagem do monsenhor Jacobini a Gastein, e a entrevista secreta entre o nuncio e o chanceller allemão. Depois d’uma discussão sob ponto de vista geral, os dois diplomatas comprometteram-se a discutir verbalmente as proposições formuladas pelo cardeal Nina. O resultado final de todas as combinações não foi porém o que os ultramontanos allemães esperavam. Bismark tinha feito taes modificações n’algumas das proposições, que o nuncio viu-se no impossibilitado de as acceitar. N’outros pontos, o accordo foi completo. Os pontos em que as duas partes contractantes estão d’accordo são: pelo que respeita ás leis de maio, não fazer menção alguma de revogação absoluta, mas sim de revisão occasional; dar a mais larga interpretação a essas leis sem offender a consciencia dos catholicos e do clero, o que se póde fazer mediante instrucções a proposito ás auctoridades; amnistia aos bispos e ao clero, castigados pelo unico facto de infracção das leis confessionaes, sendo indispensavel que os interessados façam solicitação formal ao imperador; os bispos ficam obrigados a dar conhecimento ás auctoridades civis das nomeações para beneficios menores e provimentos das egrejas parochiaes; a escolha dos bispos deve ser feita segundo as antigas pragmaticas, cumprindo a uns e outros prestar juramento de fidelidade ao imperador e ás leis do estado. Finalmente as duas partes contractantes teriam de accordar as medidas que entendem adoptar e que são mais aptas para manter a paz, isto é, as instrucções que de uma e outra parte teriam de se expedir ás auctoridades ecclesiasticas, afim que de modo algum se não renovassem os conflictos de outr’ora. Não foi possível o accordo nos pontos seguintes: 1.º Sobre a divisão das escolas como absolutamente a quer o Vaticano; 2.º Sobre a jurisdição suprema que os bispos devem ter sobre o clero e as egrejas; 3.º Sobre os artigos 15, 16, e 18 da constituição prussianna, em vigor, para regular as relações entre a egreja e o estado; 4.º Sobre a livre admissão das corporações religiosas, mesmo a simples titulo de tolerancia. O telegrapho deu-nos n’um dos ultimos dias a noticia de crise ministerial na Italia. Cairoli deu a sua demissão, tendo dado origem á crise a questão de imposto sobre moagens. Opportunamente fallaremos deste assumpto.

Parte official

Educacção e instruçãoMunicípio e administracção localEscolas

Officio circular aos governadores civis em que se lhes recommenda que hajam de empenhar a sua auctoridade e influencia junto das camaras municipaes, e juntas geraes, a fim de que estas deliberem sobre a organisação de escolas officiaes de aprendisagem.

Parte official

Política e administracção do EstadoDecretos e portarias
Évora · Portugal

Portarias mandando vender em hasta publica as typographias dos governos civis de Angra, Evora e Santarem.

Parte official

Évora · Portugal Geral

Ditta mandando syndicar das obras do aqueducto de Evora.

Carta do Porto

Cultura e espectáculoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoCapturasDebates políticosEleiçõesEstradas e calçadasFestas religiosasLivros e publicaçõesNomeações eclesiásticasObras municipaisObras religiosasPrisões
Paris · Porto · Roma · França · Itália · Portugal Correspondência · Exterior / internacional · Igreja · Interpretacção incerta

6 de novembro de 1879. Cidadão redactor: — Á falta de assumpto para fallarmos do interior, fallemos do exterior. Terminou as suas sessões o congresso operario de Marselha em que ficaram vencedores os partidarios do collectivismo, e vencidos os cooperadores. O governo francez vê-se cercado de embaraços; não quer acceder ao pedido da amnistia plena e o resultado da sua resistencia, será a sua morte; que os cardeaes, em cujas cabeças tem sido collocados os barretes, pela mão do sr. Grevy, hajam de dizer officios fúnebres. Não ha muito tempo que o districto de Javel elegeu conselheiro municipal de Paris o nosso companheiro Affonso Humbert, communnlista amnistiado; os liberaes, republicanos francezes annullaram-lhe a eleição e declaram que em nada se tinha alterado a resolução de votarem contra o projecto de amnistia geral; as camaras abrem segundo creio a 27 do corrente e então veremos qual a resposta obtida pelos governamentaes de França; parece-nos já estar vendo Gambetta no poder e Bismark perseguido por atrozes pesadellos; se isto ainda não for tudo, será pelo menos um grande passo. Já que fallámos de congressos aproveitemos a occasião para dizermos que a agrupação operaria da classe de tecelões nomeou já os delegados ao 4.º congresso operario portuguez; a nomeação recahiu sobre os companheiros J. Maia Pina, Silvestre Pinto Caldeira, Eduardo de Carvalho e Cunha; brevemente serão nomeados os representantes das outras agrupações. O Vaticano folga que as eleições em Portugal, dessem maioria aos progressistas, porque não são capazes de alterar as relações entre esta potencia e a Santa Egreja; os governamentaes pela bocca do sr. Marianno de Carvalho declararam proclamar a liberdade de cultos, resta saber quem é o enganado, se o povo, se Leão XIII; no caso do enganado ser o povo (o que sempre tem acontecido) dará pulos de contente a reacção; no caso do enganado ser o papa, pesará sobre Portugal uma tremenda excommunhão, forjada na basilica de S. Pedro; ora os progressistas que desejam as prosperidades da nação portugueza não podem querer que ella soffra o desagrado da curia, e tratarão de não ferir a Leão XIII; está pois visto que o povo será ainda mais uma vez enganado, e que a promessa da liberdade de cultos será ephemera (como todas as que são feitas em vesperas de eleições). Nós os liberaes devemos estar de atalaia para o que der e vier. Vae ser publicado n’esta cidade um livro intitulado A mentira da Egreja de Roma; é devido á penna do nosso intelligente companheiro M. Pinto Canedo, operario-charuteiro; o auctor do livro é um caracter sinceramente liberal o que nos leva a crer que a obra será importantissima, o que não obstará a que seja talvez anathematizada pelo jesuitismo, o que nenhum merecimento lhe tirará. Foram ultimamente presos n’esta cidade alguns desgraçados vendedores de folhas por serem encontrados a jogar jogos prohibidos... para proletarios. Não saberá a policia que bem perto do commissariado existe uma casa de batota? Não saberá que no Grémio Portuense se joga? Não saberá que na rua de Sá da Bandeira existe mais uma que foi aberta ha poucos dias? Sabe mas a essas não vae prender os jogadores porque pode dar-se o caso de prender algum collega... sem querer. N’uma das casas que fallei é director um homem que já foi deputado da nação; é por isso que a policia lá não vae. Que egualdade de justiça a da actual sociedade. Até á carta proxima. Bessa Carvalho.

Noticias diversas

Educacção e instruçãoEscolas

Foi proposto, pela reitoria do lyceu, para porteiro do estabelecimento o sr. Manoel de Andrade.

Noticias diversas

Transportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacções

Na linha de Casevel a machina matou um dos carregadores da estação do Carregueiro.

Noticias diversas

Meteorologia e fenómenos naturais

O tempo corre desfavoravel para as sementeiras.

Noticias diversas

Justiça e ordem públicaReligiãoCrimes

Publicou-se a 41.ª caderneta dos Padres e Beatos e a 7.ª do Amor e Crime.

Noticias diversas

Economia e comércioAgricultura

Ferreira, de vinho novo, tem já exportado mais de 400 pipas.

Noticias diversas

Justiça e ordem públicaPolítica e administracção do EstadoCrimesEleições
Salvada · Portugal

Nos quatro districtos de juiz de paz apenas em um — Salvada — houve eleição.

Noticias diversas

Município e administracção localPolítica e administracção do EstadoRepartições públicas

A camara, administração do concelho e repartição da fazenda, mudam para a casa Maldonado, no largo de S. Thiago.

Noticias diversas

Geral

Publicou-se o fasciculo 10 do Universo illustrado.

Noticias diversas

Economia e comércioComércio local
Portugal

Recebemos e agradecemos o Commercio de Portugal.

Noticias diversas

Transportes e comunicaçõesEstradasObras de infraestrutura
Moura · Portugal

Subiu ao governo o projecto da estrada districtal de Villa Viçosa a Moura, entre Villa Viçosa e Alandroal. As obras estão orçadas em 13:700$000 rs.

Noticias diversas

Educacção e instruçãoNomeações
Alentejo · Ourique · Portugal

O sr. Francisco Ricardo José d’Oliveira, escripturario de fazenda em Ferreira do Alemtejo, foi exonerado deste emprego por haver sido nomeado solicitador de causas na comarca de Ourique, mandando-se abrir concurso para o logar vago.

Noticias diversas

Geral

Está em via de conclusão a calçada da rampa da Guia.

Noticias diversas

Exército

O sr. Luiz Lobo, tenente de infantaria em disponibilidade, foi collocado em infantaria 17.

Noticias diversas

ExércitoNomeaçõesTransferências

Foi transferido de caçadores da rainha para infantaria n.º 17, o alferes graduado o sr. Pedro Joaquim Marques.

Noticias diversas

ReligiãoTransportes e comunicaçõesFestas religiosasObras de infraestruturaPontes
Vendas Novas · Portugal

A ligação das linhas ferreas transtaganas com as do norte, agora estudada, tem uma extensão de 84 kilometros entre as Vendas Novas e a Ponte do Sôr passando por Lavre, Santo Antonio do Couço, proximo de Mora, Santa Justa e Montargil.

Noticias diversas

Justiça e ordem públicaCrimes
Ourique · Portugal

O sr. juiz de direito de Ourique revogou as ordens que tinha dado para se proceder á divisão das propriedades communs. Fez bem em não proseguir em tamanha violencia.

Noticias diversas

Economia e comércioMunicípio e administracção local

A camara mandou renovar a pintura dos bancos publicos.

Noticias diversas

Geral

Recebemos e agradecemos o n.º 16 de Os Dois Mundos.

Noticias diversas

Economia e comércioTransportes e comunicaçõesNavegacção
Barreiro · Lisboa · Portugal

Foi auctorisada a compra de um barco a vapor para transporte de passageiros e mercadorias, entre Lisboa e o Barreiro.

Noticias diversas

Geral · Interpretacção incerta

Appareceu morto, proximo de Quintos, um homem. A auctoridade levantou auto.

Noticias diversas

Geral

Por conta do supprimento de 300 recrutas, do anno de 1878, tem este districto de dar 9.

Noticias diversas

Justiça e ordem públicaJulgamentos

Começaram hoje as audiências geraes.

Noticias diversas

Ourique · Portugal Geral

Tem licença por mais 30 dias o delegado do procurador regio, em Ourique.

Noticias diversas

Transportes e comunicaçõesCorreio
Lisboa · Portugal

Foi confirmado no logar de praticante do correio de Lisboa, o sr. Jayme Lobo de Britto Godins.

Bibliographia

Cultura e espectáculoPreçosLivros e publicaçõesTeatro

Almanach da Praia da Figueira para 1880. Está á venda este curiosissimo livro — verdadeiro guia do banhista — illustrado com o retrato do grande cidadão Manoel Fernandes Thomaz, e com tres magnificas gravuras representando uma das praças da villa, o theatro do principe D. Carlos e a praia de banhos. O Almanach forma um grosso volume de mais de 400 paginas, collaborado pelos principaes escriptores portuguezes e contendo indicações de muita utilidade com relação ao uso dos banhos na Figueira. Custa apenas 240 reis, e, alem de se encontrar á venda nas principaes livrarias, é remettido franco de porte a quem enviar a dita quantia em estampilhas a A. Pessoa de Amorim, travessa de S. Julião, Figueira da Foz.

Bibliographia

Beja · Coimbra · Lisboa · Portugal Correspondência · Geral

Distribuiu-se o fasciculo 28.º do 2.º volume da Historia de Portugal publicada pela empreza Litteraria de Lisboa. Acompanha-o uma lindissima gravura que representa João das Regras nas côrtes de Coimbra. Em Beja é correspondente da empreza o sr. Adrianno Trindade, e no seu estabelecimento se recebem assignaturas e se encontram á venda todas as publicações da empreza e bem assim o Almanach.

Bibliographia

Cultura e espectáculoLivros e publicações

Publicou-se o n.º 24 do Jornal de Viagens e Aventuras de Terra e Mar.

Bibliographia

Arqueologia e patrimónioPreçosReligiãoEpigrafiaObras religiosas
Lisboa · Roma · Itália · Portugal Exterior / internacional

Padres e Beatos. Vae muito adeantada a publicação do 6.º e ultimo volume deste excellente romance de Hector Malot, do qual o titulo nos serve de epigraphe a esta noticia. O romance é illustrado com boas gravuras e a impressão é perfeita. Hector Mallot descreve o viver dos maus padres em Roma e por que faz o elogio dos que seguem á risca os preceitos do Evangelho. É uma obra que todas as pessoas que quizeram lêr, porque não instruem ácerca da vida desregrada dos maus padres, mas egualmente é de boa e salutar propaganda em pró das generosas idéas liberaes. Cada volume custa a módica quantia de 500 reis. As requisições devem ser feitas ao gerente da empreza Serões Romanticos, Lisboa, que o publica.

Bibliographia

Lisboa · Portugal Geral

Diccionario de Geographia Universal. Distribuiu-se o fasciculo 88.º d’esta tão importante publicação. Vae na letra G A L. Cada fasciculo 100 reis. Assigna-se na empreza Horas Romanticas, Lisboa. A mesma empreza encetou a publicação do romance historico Os homens da Cruz Vermelha, por Carlos Pinto de Almeida. Ácerca d’este romance fallaremos opportunamente. Lisboa. Sebastião J. Baçam.

Aldeanova 25 de novembro de 1878. Sr. redactor del Bejense

Religião
Moura · Portugal Correspondência

Muy sôr. mio: en el n.º 982 de su ilustrado semanario, viene una correspondencia del sôr José Caballero Romero á respecto de la letra que se le protestó, y en su refuerzo en el n.º 985, viene otra del sôr Evangelista «Senior» relativa al mismo asunto. El caso es simple, simplicisimo, el dia 30 de agosto de este ano, debia el sôr Romero pagar á mi padre una letra pagavel en Moura, estendida y escrita por el sôr Evangelista como todas las anteriores, sin que exista otra forma de letra que la del aceptante y la del sôr Evangelista. Por las cinco horas y un cuarto de la tarde de ese dia 30 de agosto, como el sôr Romero confiesa en su correspondencia inserta el n.º 975 del Bejense, se presenta el sôr Romero en Aldeanova á mi padre, primero pidiendo reforma y despues queriendo pagar la letra, pero rehusando hacerlo cuando mi padre le dijo que habia de pagar los gastos de protesto, porque yo habia estado esperando hasta despues de medio dia, y no resultando noticia alguna de venir-se á pagar la letra, no habia salido para Moura á protestarla. No es necessario tener grandes experiencias de semejantes transaciones para saber, que el pagamento de una letra debe ser hecho en la localidad que ella designa, y que solo asi puede hacerse el protesto por falta de pagamento, que hade ser hecho el dia de su vencimiento antes de ponerse el sol y solo asi puede la letra conservar el caracter e vantajas de letra comercial, esto que todos saben finge el sôr Romero ignorar. Qualquiera otro que no fuese el sôr Romero, teniendo de pagar en Moura una letra en treinta de agosto, se dirigiria á su acredor con anterioridad, cuando le conviniese pagarla en Aldeanova, ó para convinar como la habia de pagar; pero el sôr Romero guardase para el dia del vencimiento y para las cinco horas de la tarde, y enfurecese porque á essa hora no la encuentra en Aldeanova, que dista 4 leguas de Moura, y que debia ser paga ó protestada en Moura, y despues derrama su negra bilis en la imprensa porque se lo esigia los gastos de protesto á que habia dado causa. El sôr Romero dice que la letra no designa en que sitio ó casa de Moura habia de ser paga, como si eso lo disculpase, si no sabia, se dirigia á cualquier ahogado ó comerciante, que ellos le dirian lo que habian de hacer. Que motivos de quejas tenia el sôr Caballero contra mi padre, cuando el mismo en sus correspondias confiesa, que la deuda de esta letra, tiene origen en responsabilidades suyas que datan del ano de 1858 á 1879, veinte y un ano; esta simple confrontacion de datas muestra que mi sôr padre, ha usado de toda la bondad y contemplación con el sôr Romero; de los quatro contos y tantos mil reis que me firmó el ano 1868 no le cargué juro alguno y concediendole una porcion de anos para su pagamento, que solamente un cinco por 0[0] que hubieremos convinado, hubiera duplicado el capital. El sôr Romero acepta los favores y porque este ano no se le ha hecho, viene á la imprensa á desahogar sus furores contra mi sôr padre á los que no le damos ni daremos la mas minima importancia, seria entretanto mejor que nos pagase la importancia de la letra que nos debe que hasta hoy no me consta que la haya pagado, y despues podrá vomitar las injurias que su falta de criterio le aconseje. No vengo á la imprensa por causa del sôr Romero, no me merece tanto, ni tampoco por las personas que nos conocen bien, porque esos saben hacernos justicia á mi sôr padre y á mi, sin por aquellos que no nos conocen me he limitado á la simple exposition de lo occurrido para que aprecien el fundamento del sôr Romero, para insultarnos y pueda tambien hacernos la debida justicia. El sôr Caballero en su ultimo communicado escita y trata inducir el sôr Evangelista, á la imprensa debido al saber que otras relaciones se hallan estinguidas, y provocarse algun conflicto entre los dos, de mi parte no conseguirá el fin que se proponia, considerando los lazos de familia que existen. Los calificativos de orgulloso y arrogante que me regalan, cuando estoy resentido y offendído, no me offenden siquiera la epidermes. Ojalá que esos séres no tengan defectos más que aquellos mismos. Seu afft. S. S. Luis de Orta.

Tribunaes

Justiça e ordem públicaPrisões

Correccional. Presidencia — Ex.mo juiz de direito. Accusação — Ministerio Publico. Escrivão — Guedes. Defensor — dr. Virgolino. Réo — Luiz Antonio dos Arquinhos, accusado de não acceitar o cargo de regedor para que tinha sido nomeado. Condemnado em 20 dias de prisão remiveis a 200 reis e custas.