BEJA 21 DE SETEMBRO
Cultura e espectáculoEconomia e comércioEstatísticasExércitoJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoSaúde e higiene públicaTransportes e comunicaçõesarremataçõesCondecoracçõesDecretos e portariasDoenças contagiosasEleiçõesEstradasEstradas e calçadasGoverno civilIndústriaJulgamentosLivros e publicaçõesMédicos e cirurgiõesMercados e feirasMovimentos de tropasNomeaçõesObras de infraestruturaObras municipaisPrisões
Revista da semana—Trouxe a ordem do exercito n.º 34 o detalhe das forças que devem reunir em Tancos. É o seguinte: A brigada de cavallaria é formada dos regimentos desta arma, n.º 2, lanceiros da rainha, e n.ºs 4 e 5, sob o commando do general de brigada, Jeronymo da Silva Mallonado de Eça. A divisão de infanteria é commandada pelo general graduado, Luiz Antonio de Oliveira Miranda, e organisada do modo seguinte: A primeira brigada formada do batalhão de caçadores n.º 2, e dos regimentos de infanteria n.ºs 1 e 3, sob o commando do general de brigada, Augusto Xavier Palmeirim; A segunda brigada formada do batalhão de caçadores n.º 5, e dos regimentos de infanteria n.º 7 e 10, sob o commando do general de brigada, visconde de Sardoal; A terceira brigada, formada do batalhão de caçadores n.º 9, e dos regimentos de infanteria n.º 5 e 16, sob o commando do general de brigada, José Manuel da Cruz. Também na mesma ordem do exercito se encontram diversas portarias e entre ellas uma approvando o contracto feito com o representante da casa Wesley Richards & Comp.ª de Birmingham, para compra de 8:000 carabinas com espada bayoneta do systema Richards com o cano de Whitworth, 2:000 clavinas do mesmo systema, 2:000:000 de cartuxos embalados para as primeiras e 500:000 para as segundas, e na ordem n.º 35, digno de menção, apenas encontramos a sentença condemnando o cirurgião mór do 15 d’infanteria a 3 annos de prisão e á demissão do posto e o regulamento para a conducção de tropas pelas linhas ferreas. O sr. Martens Ferrão entreteve-se esta semana em dar titulos honorificos, medalhas, crachás e outras bugigangas semelhantes, e por uma portaria louvou o governador civil de Bragança, pela regularidade que introduzio no serviço do estabelecimentos pios do districto. Se não gostamos de ver aristocratisar é-nos agradavel ver louvar funccionarios zelosos. Oxalá que este estimulo leve os collegas do sr. governador civil de Bragança a imital-o. Parece que se trata de resuscitar a casa dos vinte e quatro. Pelo menos afigura-se-nos isso de uma portaria que o sr. Corvo expediu nomeando commissões para inquirirem do que actualmente se pratica nas fabricas e officinas relativamente aos contractos de aprendizagem e á duração do trabalho das creanças nos referidos estabelecimentos. Esta medida é utilíssima. Vale o mesmo que nada. Por outras portarias manda o mesmo sr. ministro proceder á arrematação de differentes lanços de estradas, e por uma outra, o seu collega da justiça ordenou ao procurador geral da corôa que expeça, aos seus subordinados, as ordens necessarias para que os procuradores geraes dos orphãos de Lisboa e Porto, e os delegados do procurador regio, nas demais terras onde exercem identicas funcções, observem, na parte que lhes respeita, a disposição do n.º 1.º da portaria de 6 deste mez. Por um seminario; por outro mandou-se proceder, no dia 23 do corrente, á eleição de deputados nos circulos 104 (Lisboa), 21 (Porto) e 99 (Idanha a Nova) que estão vagos, e por uma carta de lei foram confirmadas as concessões feitas á camara de Extremoz por decreto de 10 de setembro de 1863. O boato que correu de haver adoecido em Tancos grande numero de praças é falso. Também o é dizer-se que rebentou a canalisação do Zezere para o acampamento. O governo hespanhol levantou as quarentenas a que estavam sujeitos os passageiros e as mercadorias procedentes de Portugal. O sr. conde de Cavalleiros foi nomeado governador civil de Lisboa. Não ha outras novidades. Os thugs das reputações necessariam ente estão prostrados, a estas horas, ante a sua Kaly, e, agitando frenetica mente o goor knat, dão-lhe graças. E o caso é para isso porque o triumpho que alcançaram sobre o sr. Alexandre Pinto da Fonseca Vaz, foi o mais completo. Habilmente collocada a armadilha segurou a victima e entregou-a aos sacrificadores. Com certeza Rama protegeu o bando. A não ser assim o sr. Lessa, o gooroo, não cantaria victoria. A tão desejada demissão do sr. Vaz, chegou emfim. Se ella porem lhe foi dada justa ou injustamente dil-o o proposito que houve em occultal-a, por muitos dias, do publico e até daquelle a quem dizia respeito! Mas era necessario dar-se, pelo menos, conhecimento d’ella ao sr. Vaz e sua ex.ª, conscio de não haver praticado facto algum pelo que a merecesse, apressou-se, assim que lhe foi notificada, a vir dar conta ao publico do modo brutal como o trataram nas regiões officiaes. No Jornal de Lisboa foi onde sua ex.ª registrou o caso.
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(Demissão do sr. Alexandre Pinto da Fonseca Vaz)—«Acabo de ser demettido do logar de administrador central do correio de Beja, sem ter commettido crime algum, e por tanto sem processo nem julgamento, a não ter sido inquisitória!, e de que não tive conhecimento. Os motivos foram a covarde vingança, e inimizade formal que me tem o director geral dos correios, Eduardo Lessa. Este homem não tendo motivo algum legal e real para que pudesse menoscabar-me no exercicio das minhas funcções, por isso que tanto no estado do cofre, como no movimento de toda a escripturação, e mais serviços da administração, tudo estava em dia e na melhor ordem, como o attestam os balanços e a entrega que fiz da administração, de que possuo os respectivos documentos comprovativos, só recorreu-se ás tricas, fundamentou-se em pretextos futeis, e deturpando factos que, quando mesmo devidamente comprovados, poderiam apenas ser taxados de pequenas irregularidades. Irrogou-me em 31 de julho ultimo a suspensão do exercicio das minhas funcções, e já se sabe a suspensão do ordenado, até que o ministro resolvesse definitivamente. Requeri immediatamente ao ministro para ser ouvido, e negando as falsas accusações que se me faziam, vim a Lisboa para me apresentar e fallar ao ministro, que sempre a isso se negou!! Fiz novo requerimento, com o mesmo pedido do primeiro, e tive por despacho simplesmente indeferido!!! E por fim, no dia 7 deste mez, foi-me communicado um decreto com data, ou anti-data de 22 de agosto ultimo, em que era demittido porque não convinha ao serviço publico que continuasse no exercicio do logar de administrador central do correio de Beja, em virtude da proposta do director geral (palavras textuaes). Será esta uma razão conveniente para se esbulhar um empregado, um antigo funccionario, com vinte e sete annos de serviço, do logar em que estava devidamente encartado, e que era sua propriedade?!!! Que triste idéa deu o Corvo de si! Está aberto um terrível precedente. De hoje para o futuro bem podem os empregados fazer por não descahirem do agrado de seus chefes porque se tal lhes acontecer estão no meio da rua. Arranjado um pretexto qualquer, apresenta-se a proposta de demissão e o ministro se é leviano, se não tem a independencia precisa sacrifica o empregado á má vontade do chefe. N’esta parte, vamos retrogradando novamente? ISSO.»
(Requerimento do sr. Alexandre Pinto da Fonseca Vaz a El-Rei)—Senhor
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Diz Alexandre Pinto da Fonseca Vaz, que acaba de lhe ser communicado officialmente, pelo ministério das obras publicas, um decreto com data de 22 de agosto ultimo, pelo qual foi demittido do logar de administrador central do correio de Beja, em que se achava encartado, e como no mesmo decreto se não dêem os motivos da demissão do supplicante, pois que sómente nelle diz: «que por não convir ao serviço publico que o supplicante continue a exercer o emprego de administrador central do correio de Beja, em conformidade com a proposta que a tal respeito fez o director geral dos correios», e como anteriormente, em 31 de julho proximo passado o supplicante tivesse já sido suspenso do exercício do seu emprego, por despacho do mesmo director geral, fundamentado em alguns verídicos e desfigurados, que lhe foram attribuidos e sobre que o supplicante logo pediu para ser ouvido, e que lhe fosse permittido apresentar a sua defeza, o que constantemente se lhe denegou, indeferindo-se-lhe até os requerimentos que fez para tal effeito, e como um tal procedimento havido com o supplicante que exerce um emprego, não de confiança, mas de serventia vitalícia, porque tinha pago os direitos de mercê, e sellos respectivos, e nelle se achava legalmente encartado, é um acto inqualificável em um governo constitucional, onde o codigo fundamental garante a todo o cidadão a inviolabilidade do seu direito de propriedade, e não podendo o supplicante ser demittido senão em virtude de alguma grave transgressão, devidamente comprovada, dos enunciados nos artigos 41 e 43 do regulamento postal, approvado por decreto de 4 de maio de 1853, devendo por isso ser julgado, e condemnado em juizo competente, na conformidade das leis, o que se não deu, pois que de taes transgressões nunca foi accusado, e muito menos ainda julgado, vem por isso mui respeitosamente supplicar a vossa magestade, em desaggravo de seus direitos, e da sua honra offendida, que os papeis, documentos, e quaesquer do director geral a que se referiu decreto de demissão, que para tão violenta medida lhe hajam servido de base e corpo de delicto, sejam mandados ao poder judicial, e ahi se instaure processo ao supplicante para que tendo a liberdade que a lei lhe facultará de defender-se e mostrar a arbitrariedade, violências e injustiças de que está sendo victima seja devidamente julgado.—E. R. M. Lisboa, 11 de setembro de 1866.—Alexandre Pinto da Fonseca Vaz.
Instrucção primaria
Educacção e instruçãoMunicípio e administracção localReligiãoCulto e cerimóniasEscolasExamesInstrução públicaObras municipaisPrémios e distinções escolaresProfessores
Exames em Villa Nova da Baronia—Terminada a entrega dos prêmios, seguiu-se um eloquente discurso do ill.mo sr. Administrador do concelho excitando os alumnos a frequentarem a escola, e fazendo vêr aos chefes de familia a restrita obrigação que teem de ministrarem a seus filhos, além do sustento corporal, o pão do espirito. Seguiu-se outro interessante discurso do ill.mo sr. Antonio José de Sousa, com aquelle talento que lhe é proprio, principalmente em tudo quanto diz respeito ao digno professor; e merecidos louvores pelo zelo que lhe tem mostrado no desempenho da missão que lhe está confiada; e bem assim no discurso do sr. Sousa se elogiaram as juntas da parochia, actual e transacta, e camara municipal, pelo melhoramento material em que a casa da escola se achava, excitando as referidas corporações a ultimarem os melhoramentos encetados.
Educacção e instruçãoMunicípio e administracção localReligiãoEscolasExamesInstrução públicaPrémios e distinções escolaresProfessoresSessões da câmara
Copia da acta dos exames dos alumnos da escola de instrucção primaria de Villa Nova da Baronia—Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos sessenta e seis, aos dezenove dias do mez de agosto do dito anno, nesta Villa Nova da Baronia, concelho d’Alvito, e casa da escola publica de instrucção primaria desta freguezia, no edifício da extincta camara, sendo ahi presentes o professor vitalicio José da Silva Moraes, e trinta e quatro alumnos (sendo dois do sexo feminino) faltando, d’estes dez para o numero total dos matriculados, um dos quaes é do sexo feminino; visto formalmente a todas as materias, á excepção dos rudimentos de grammatica, sobre que versou o exame do primeiro premiado, sendo-lhe tambem apreendido pelo professor, pelo seu bom comportamento e regular frequência á escola, um compendio de orthographia de Moreira de Sá; que o premio—Signão de Naitlna, offerecido pelo ill.mo sr. Antonio José de Sousa, membro do jury, fosse conferido ao menino Antonio Ignacio, de edade de nove annos, da terceira classe, por ter satisfeito plenamente ao exame a que se procedeu em doutrina christã, feição a em impresso e manuscriptos, arithmetica nas quatro operações—de inteiros e decimaes, systema metrico decimal e sua applicação e rudimentos de grammatica portugueza; que o premio—Biblia da infancia—offerecido pelo sobredito sr. Sousa, fosse conferido ao alumno José Martins, da terceira classe, pelo desembaraço com que se apresentou a lêr, apezar de não ter frequentado a escola nos ultimos dois mezes; que o outro volume 8.º do Archivo Pittoresco, tambem offerecido pela benemerita sociedade Madrepora, fosse conferido á menina Ignacia da Conceição, pela assiduidade com que frequenta a escola. E para constar, eu José Bernardino Pinto de Mello, professor aposentado, subscrevi esta acta que assigno com o jury apreciador dos mencionados exames, e mais alguns cidadãos presentes.—Victorio José Passas—O padre José Joaquim Lamprêa—Antonio José de Sousa—José Baptista Sobrinho—Rafael Baptista Sobrinho—Francisco Joaquim Vasques Peres, escrivão de fazenda d’Alvito—O padre João Cardoso Borges Lopes—O padre Fernando Antonio Sobrinho—Francisco da Costa Fialho—Antonio José Pinto—José Bernardino Pinto de Mello. Esta conforme. Villa Nova da Baronia 4 de setembro de 1866. O secretario do jury, José Bernardino Pinto de Mello.
CORRESPONDENCIAS—Ferreira 18 de setembro de 1866
Cultura e espectáculoMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoAbastecimento de águaDebates políticosEleiçõesFontes e chafarizesLivros e publicações
Sr. redactor.—Lendo o numero precedente do seu jornal, deparei com uma correspondência desta villa; li-a a principio com alguma indifferença, porem em seguida, vendo que me dizia respeito, liguei-lhe a attenção devida: O seu objecto principal, como v. sabe, era narrar os acontecimentos, que tiveram lugar na ultima eleição municipal, e n’esta narração, dirigiram-se principalmente contra a auctoridade administrativa, censurando, calumniando não só esta, mas muitos indivíduos d’esta terra. Admirei-me da ousadia do tal correspondente, e corri a conhecer quem o tal era, e comecei a cabeçal-o!! Qual foi a minha surpresa, quando vi, que o homem, que assim fallava, era «um mascara». Terei como consequência, que esse homem não era capaz, de se apresentar francamente em publico com a verdade, que pretendia demonstrar! Seguiremos o seu exemplo, mas não me occulto ao illustre numero nem aos meus patricios: Sou «o activo galopim eleitoral» (assim denominado na correspondência) que me apronto francamente a dizer a verdade tanto na imprensa, como n’outro qualquer lugar, porque o medo nunca me acompanhou em tempo algum; e deveria calar-me quando «um mascara» para calumniar uma auctoridade, para dar força ao seu argumento, me condemnava? Não. Em nome de Deus e da lei chamemos os homens para o esperado da sua actividade! São duas as proposições, que me dizem respeito, e são por consequência duas as que me estão reclamando justiça n’essa correspondência, por isso vou explical-as, analysal-as e veremos se são verdadeiras: Diz «o illustre Aldeão» que o activo galopim eleitoral auxiliou a auctoridade, porque esta lhe prometteu o livramento do recrutamento de um filho, e apresenta isto como um axioma, que grande calumnia! Eu, e todos em geral trabalhamos segundo a nossa convicção, apezar de não estar em harmonia com o bom senso, justiça, e imparcialidade, como diz «o illustre mascara»; follo sem saber a quem me dirijo, só sei, que não é dr. nem a tal tem aspiração; mas quem me diz, que realmente o não é? Ninguém; por isso guardarei o respeito devido, e direi que a respeito do livramento de meu filho, sempre me portei com a maior dignidade que o dever de um bom cidadão me impõe; se tive alguma esperança no seu livramento, (o que se deve admittir a um pae) não fui fundada em promessas, mas sim na lei! Parece-me que devia haver alguma probabilidade de se livrar um mancebo, que estava collocado no vigessimo quinto lugar do sorteio!? Ainda assim a auctoridade d’essa cidade pediu até aos que estavam depois d’elle, por conseguinte teve de ser substituída por dinheiro, sem haver de minha nem da parte da auctoridade a menor illegalidade, ficando eu completamente satisfeito do modo por que este negocio correu, porque já previa com bastante antecedência, que as boas ou más linguas sempre diriam alguma cousa, se a lei livrasse o meu filho do recrutamento; esta é que é a verdade, mas tudo isto de nada serviu, porque ainda haure quem lançasse mão deste facto declarado abertamente, para junto com outros, dar força ao seu argumento e depois prova-o da modo seguinte: Tripas centenares de pessoas, que lastimam este estado de cousas; pois dir-me-hei que ha milhares de nossos patricios, que são d’opinião contraria. A segunda proposição é que eu trabalhei tendo também em vista mostrar a minha gratidão a alguém, que a um meu havia feito não pequeno favor, havia pouco tempo. N’esta foi menos explicito, que na primeira; favores que estão nas fontes da justiça recebem nós reciprocamente todos os dias, por conseguinte não sei qual d’elles toca aqui referir; qualquer que seja nenhuma força tem para o seu argumento, tivesse lhe feito bem não ser mais explicito, porque se o fosse seria contra elle; todavia é bastante escandaloso, repito, querer entrar na minha vida particular, e para que? Para mostrar vis paixões! Quem quer que sejas se tendes consciencia, consultai-a; desafio-vos para isso; a minha está socegada e tranquilla, a vossa não. A feição da vossa correspondência fez-me crer que tendes o coração muito proximo da bocca, e que tendes um pequeno estomago para digerir o seguinte: Que os verdadeiros filhos de Ferreira não se deixam calcar por estranhos, quando estes apresentam idéa contrarias ás suas; nem pelos seus quando estes nada tem de patriotismo; este é o partido, que aqui se segue; não necessito das vossas pouco sinceras reflexões; para minha defeza apresento o meu comportamento religioso, moral e civil, sou filho d’esta terra, eu, e todos os meus teem vivido com o temor de Deus, e sempre entregues ao honrado trabalho, por consequinte, quando outra cousa não tivesse a meu favor, bastava-me o direito de naturalidade, e o meu comportamento: o qual será verdade? É problema de facil solução; estabeleça-se a hypothese, porque a these será resolvida. Ficamos hoje por aqui, se não dizemos mais, é porque ignoramos a quem nos dirigimos. Sou de v. etc. Em burguez.
Ferreira 17 de setembro de 1866
Município e administracção localPolítica e administracção do EstadoEleições
Sr. redactor.—Conservam-se inconcussos e inabalaveis os principios que estabeleci quando na anterior correspondência apresentei em ligeiros e benevolentes traços a historia algum tanto complicada da ultima eleição municipal, porque contra os factos em que me baseei não ha argumentos e nem cites (em reprehensivel admissão); e é por isso também que debalde tenho esperado a refutação plena do que escrevi accuradamente e sem animosidade, mas só contristado e desgostoso por ver o modo irregularissimo por que corre, note-se bem, a administração das cousas publicas desta terra. [...] (continua) [ilegível]
Albufeira 18 de setembro de 1866
Município e administracção localSessões da câmara
Sr. redactor.—Li no Bejense n.º 299, de 15 do corrente, uma correspondência anonyma, datada de Odemira, que me diz respeito na qualidade de secretario da camara municipal de Almodovar. Sinto em demasia que seu auctor deixe em emanar a responsabilidade das phrases hum que pretende denegrir a reputação de um empregado, que tem dado exuberantes provas de sua probidade e serviços, assás reconhecidos pelos seus conterrâneos, e que na verdade o recommendam ao chefe superior do districto; sinto que se me lança uma luva, que não conheço, e que por consequência não posso aceitar, por isso que não costumo bater-me com guerrilhas: sinto finalmente sobre maneira, não ter de ratificar com diffusão os milagres que se diz por mim praticados na qualidade de empregado publico. Venha novamente á arena da imprensa o insuportável mal informado e revinhador, declare qual d’acto ou deliberação legal da camara, que pretende estygmatisar, e em que me involve como principal auctor (dire a mascam impropria dos homens de bem), e obterá resposta circumstanciada, mas tenha sempre em vista que as punições da lei recahem sem excepção alguma em quem gravemente ferir uma corporação que tem dado subejas provas da sua independencia e intelligencia. Vulte sr. odemirense e fique certo de que não receio o combate e que pronto estou a ser auctorisado a vollar francamente ao assumpto. Pela inserção destas linhas, sr. redactor, lhe ficará muito agradecido o que se diz de v. etc. Manoel Joaquim Ingles.
Revista
Cultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoFeiras
Na tarde de segunda feira teve revista o regimento 17 d’infanteria.
Transferencias
Economia e comércioMunicípio e administracção local
Por despacho effectuado em 14 do mez passado foram transferidos o sr. Miguel Carlos Pereira Dramão e João José dos Santos, este da alfandega de Aldeia Nova para a alfandega municipal de Lisboa, e aquelle de esta para aquella alfandega.
Despachos
Município e administracção localReligiãoNomeações eclesiásticas
Por despacho effectuado em 13 deste mez foram apresentados nas seguintes parochiaes igrejas, d’esta diocese, os presbyteros: Antonio de Macedo e Silva, na de Nossa Senhora a Bella, concelho de S. Thiago de Cassem. Eduardo da Rocha Leite, na de S. Domingos, no mesmo concelho.
Nomeação
Município e administracção localPolítica e administracção do EstadoDecretos e portariasNomeações e cargos
Para servir o cargo de escripturario do escrivão de fazenda no concelho da Cuba, foi nomeado, por decreto de 15 de agosto, o sr. Antonio Alves da Silveira.
Tribunal de contas
Justiça e ordem públicaMunicípio e administracção localTransportes e comunicaçõesCorreioJulgamentosSessões da câmara
Por accordam d’este tribunal foram julgados quites para com a fazenda publica: O presidente e vereadores da camara municipal d’esta cidade, desde 1 de julho de 1853 até 30 de junho de 1854. Sebastião Vasques Peres, director do correio da Cuba, desde 17 de setembro de 1864 até 31 de dezembro do mesmo anno. José Gonçalves Godinho, director do correio d’Alvito, desde 1 de julho de 1864 até 30 de junho de 1865. Eusebio Fernandes Charrua, director do correio de Castro Verde, desde 9 de agosto de 1864 até 30 de junho de 1865.
Acusamos a remessa
Cultura e espectáculoExércitoLivros e publicações
Recebemos, agradecemos e recommendamos a leitura de um folheto intitulado—Duas palavras sobre o progresso do exercito por José Virgolino Carneiro, alferes do regimento 17 d’infanteria e bacharel em direito.
Professor
Educacção e instruçãoMunicípio e administracção localProfessores
Foi provido de propriedade, na cadeira de ensino primário, da freguezia de S. Theotonio, concelho de Odemira, n’este districto, o professor de igual cadeira em Villa Alva, no concelho da Cuba, o sr. Eduardo Antonio Botelho.
Que heroina
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Houve na batalha de Sadowa um episodio terrível e dramatico. Um official prussiano foi ferido com uma estocada pelas costas em um dos combates que precederam a batalha; o moribundo acabou de ver que o seu covarde adversario não era austriaco, mas um moço saxonio, que em Berlim requestara sua jovem esposa, até que por ter esta revelado a seu marido as criminosas intenções do saxonio, o desesperado amante se viu obrigado a fugir. O official prussiano, conhecendo quem assim o feria, escreveu antes de morrer no hospital militar uma carta a sua mulher, narrando-lhe o succedido. No dia da batalha de Sadowa todos admiravam o valor de um moço militar prussiano que marchava na vespera ao exercito, e que accommodava os austriacos com incrível bravura. Em um dos encontros bateu-se espantosamente contra um official saxonio, conseguindo afinal feril-o com dois tiros de revolver. Quando o viu por terra, apontou-lhe a espada á garganta dizendo-lhe: —Assassino, conhece-me! Sou Mathilde, esposa do homem que mataste covardemente. E cravou-lhe a espada no peito. Terminada a batalha, alguns officiaes que tinham presenciado este facto, contaram-no ao príncipe Frederico Carlos, que desejou conhecer a heroina. Procuram-na sem resultado, disse um soldado, que vira o cadaver de Mathilde estendido no campo de batalha!
Um episodio interessante
Acidentes e sinistrosExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisCrimesIncêndiosParadas e cerimóniasVentos fortes
Na batalha de Custozza, um batalhão do 41.º regimento de infanteria italiana achou-se cortado e accusado de todos os lados por forças inimigas muito superiores. A situação era terrível por não ser possível abrir passagem pelo centro das ruasias austríacas. Morrer pouco importava, mas os soldados contemplavam todos com pesar a bandeira tricolor confiada á sua guarda e que elles não podiam defender. Súbito um dos officiaes solta um grito de alegria, acabara de descobrir os meios de salvar o precioso estandarte! O batalhão fez activíssimo fogo, desapparecendo no meio da poeira e do fumo. Cinco officiaes ficam de pé, fazem em pedaços a bandeira e dividem entre si estes pedaços, que occultam no peito. Depois vendo que seria inútil qualquer resistência, renderam-se. Estes 5 officiaes estiveram prisioneiros dos austriacos por espaço de dois mezes. Entretanto o regimento acreditava que a sua bandeira tinha cahido nas mãos do inimigo. Ha alguns dias, depois da troca dos prisioneiros, os officiaes italianos chegaram finalmente a Udina na Venecia. Mostraram então os pedaços da bandeira que haviam guardado cuidadosamente. Reuniram-se estes pedaços, e no dia seguinte o 41.º regimento de infanteria marchava arrogantemente para a parada, emquanto todo o exercito dava palmas vendo fluctuar ao vento a bandeira despedaçada, remendada e manchada de sangue. Estava salva a honra do regimento.
Annuncio certo
Economia e comércioFeiras
L’Un périodique de Londres recebeu o seguinte: «Uma senhora ainda nova, viuva, sem filhos, bonita e esbelta, deseja um marido. A interessada passeiará na praça na segunda feira, 6 de agosto, ás tres horas da tarde, pelo lado do norte de Blooms Square, para receber as propostas por escripto. Levará chapeu de cor de rosa com pluma azul e véu verde.»
A corôa de ferro
A corôa de ferro de qual tanto fallam os jornaes estrangeiros, e que o governo austriaco mandou transladar para Vienna, é o diadema com que Albuino cingiu a sua testa, quando julgou que era chegado o momento de assumir o titulo de rei dos lombardos ou longobardos. Este diadema foi successivamente cingido por Odoacro, Adaeldo, Annohbo, Rotaria, Gondiberto, Garibaldo, Alboin e Desiderio; emfim... pelos trinta successores de Alboino. Carlos V julgou conveniente adornar-se com ella, porém, desde Carlos V até Napoleão I a corôa de ferro permaneceu no seu armaria. Em 1859, quando a Áustria se viu obrigada a evacuar a Lombardia, o annel que encerrava a corôa de ferro foi transportado de Monza para Vienna. Veremos se o barão Ricasoli consegue fazer com que a Áustria restitua esta preciosa relíquia á sociedade de Monza.
Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
Preços por que correm os generos em Beja. Trigo alqueire 510 reis; Milho 400; Centeio 400; Cevada branca 360; Feijão 900; Chicharo 400; Fava 400; Grão de bico 700; Batatas 250; Azeite almude 3:400; Vinho 1:300.
Saúde e higiene públicaHospitais
Movimento do hospital na 1.ª quinzena do mez de setembro—Maria Lucia Chibant, exposta, menor, Beja. Affril de S. Thiago, exposta, menor, Beja. Maria Ph., exposta, menor, Beja. Cecilia, menor, 5 mezes, Beja. Anna Amelia, exposta, menor, Beja.
NOTICIARIO
Município e administracção local
Inspecção—Acompanhado, pelo sr. administrador interino d’este concelho, LemarH, ha tres dias, visitando os estabelecimentos, para conhecer se usam dos pesos legaes, o sr. inspector de pesos e medidas d’este districto Franco e Sá.
NOTICIARIO
Economia e comércioJustiça e ordem públicaBebedeiras e desordensFeiras
Desordem—Na terça feira, pela volta das duas para tres horas da manhã, houve uma desordem entre dois indivíduos, no largo do duque de Beja. Um dos contendores dizem-nos que sovou bem o outro a ponto de obrigal-o a tomar as de Villa Diogo.
NOTICIARIO
A quem competir—É vergonhosa a travessa da Pescadaria, a rua da Moeda e beco do Ultimo não o estão menos. Pedimos a quem competir que mande remover as immundicies que estão n’aquelles sitios.
NOTICIARIO
Cultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoAgriculturaBanda militar
Musica—No domingo, desde as cinco e meia horas da tarde até ás sete tocou, no campo de Oliva, a banda do regimento 17 d’infanteria. Depois de amanhã tocará no mesmo local e a iguaes horas. Este programma: [ilegível]
NOTICIARIO
ExércitoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesBeneficênciaCaminho de ferroEstacçõesNomeaçõesTransferências
Alferes—O sargento ajudante de infanteria n.º 5, Sebastião Antonio Ribeiro Nogueira, foi, pela ultima ordem do exercito, promovido a alferes, sendo transferido d’aquelle regimento para o n.º 17 da mesma arma estacionado n’esta cidade.
NOTICIARIO
Cultura e espectáculoLivros e publicações
Presente litterario—Recebemos o 1.º numero de um jornal litterario assim intitulado que começou a publicar-se em Lisboa na semana passada. Agradecemos.
NOTICIARIO
As mulheres—Calderon, celebre escriptor hespanhol, fallando das mulheres em uma de suas obras, diz com muita verdade: «São as mulheres um manjar digno dos deuses quando não é cozinhado pelo diabo.»
EXTERIOR—Berlin, 13
Município e administracção local
Diz-se que se for rejeitado o emprestimo proposto pelo governo, será dissolvida a camara dos deputados.
EXTERIOR
Economia e comércio
O «Moniteur» publica a convenção assignada no 31 de julho concedendo ao governo francez as alfandegas marítimas do Mexico para pagamento das obrigações e emprestimos e outras sommas devidas ao [ilegível].
EXTERIOR—Athénas, 6
Acidentes e sinistrosEconomia e comércioExércitoAgricultura
Continuam os combates na ilha de Candia, perto da cidade do Canea. As tropas turcas e egyptcias, em força de trinta mil homens, ficaram senhoras do campo, depois de um combate em que houve 230 mortos e 230 feridos. Foi uma deputação a Constantinopla queixar-se ao corpo diplomático. Os ministros da Russia e de Inglaterra prometeram verificar a situação.
EXTERIOR—Mexico, 25
Justiça e ordem públicaPrisões
Foram presos muitos americanos como conspiradores.
EXTERIOR—Florença, 13
Município e administracção local
As difficuldades [ilegível] e a divida leihxiana encontram grandes obstaculos. A Austria insiste em relação á divida posterior a 1859, na applicação do que foi estipulado no tractado de Zurich. A Italia sustenta a divida especial. Só a Venecia está empenhada á possessão do municipio.
EXTERIOR—Paris, 17
Exército
O Moniteur de hoje publica uma circular de M. Drouyn de Lhuys com data de 16. A circular, falando do estado das cousas, mostra que as mudanças recentes são favoraveis á França, e são uma garantia da paz da Europa. A coalisão das tres corôas do Norte está desfeita. A Allemanha e a Italia estão libertadas do passado, que nos foi hostil, e estão ligadas comnosco; todavia os resultados da guerra indicam a necessidade de aperfeiçoar a nossa organização militar; sem ameaçarmos ninguém. A Europa considera o horisonte d’onde se levantam [ilegível].
EXTERIOR—Nova York, 15
Política e administracção do EstadoEleições
Algodão a 31 1/2. Os radicaes venceram as eleições do maire.
EXTERIOR—Florença, 17
Exército
A noite passada penetraram em Palermo insurgentes. Não houve combate com a força armada. Mandação de tropa á [ilegível].
EXTERIOR—Nova York, 7
Maximiliano foi recebido em Chicago com enthusiasmo.—O Congresso dos Estados decidiu-se nada. Juarez recusou reconhecer Corbojn. Corre que os francezes tomaram Tampico outra vez.
EXTERIOR—Constantinopla, 18
Economia e comércioExércitoAgricultura
Annuncia-se uma batalha na ilha de Candia, perto da cidade do Canea; as tropas turcas e egyptcias em força de trinta mil homens ficaram senhoras do campo, depois da evacuação do acampamento dos insurgentes, que eram cerca de 40:000. [ilegível]
EXTERIOR—Paris, 18
Município e administracção localPartidas
O «Moniteur» de hoje diz que o imperador Maximiliano recebeu uma carta do rei dos hellenos com a grã cruz da [ilegível] para o príncipe imperial. A imperatriz do Mexico partiu para Roma.
EXTERIOR—Florença, 19
Ainda não estão restabelecidas as communicações com o interior d’ Palermo.