Melhoramento oenologico
A machina de esmagar uva que o nosso amigo o sr. Lourenço Antonio da Silva, d’esta cidade, construiu em 1869 e que tão bons resultados tem dado, addicionou este anno o seu auctor uma importante melhoramento. A machina esmagava perfeitamente a uva, sem triturar a grenha e o engaço, mas este cahia juntamente com a massa para o ripanço onde tinha de ser separado por operarios. O sr. Silva para remover este inconveniente addicionou á sua machina um desengaçador, e conseguiu com o melhor exito o fim que teve em vista. Hoje a machina do sr. Silva satisfaz completamente. Esmaga bem a uva, separa o engaço perfeitamente, e conduz o mosto para a dorna ou ladrão. A machina esmaga 200 kilos de uva por hora. Consta-nos que muitos dos nossos lavradores, reconhecendo as grandes vantagens produzidas pela machina do sr. Silva, tratam de a adquirir para o seu serviço. O nosso amigo o sr. Antonio Cesar Ranha, o primeiro que fez acquisição desta machina, já a tem a funccionar na sua adega, dando-lhe óptimos resultados. Parabéns ao sr. Silva.
Destacamento
ExércitoMovimentos de tropas
Partio no dia 20 para Evora no comboyo, um destacamento de infanteria 17, commandado pelo sr. tenente Santos.
Graça
Município e administracção localReligião
Foram agraciados com o habito da Conceição o sr. Ignacio José Benteutes administrador do concelho de Serpa, e com o de Christo o sr. Antonio José Parreira, secretario da dita administração, pelos relevantes serviços prestados na captura de diversos criminosos.
Licença
Sociedade e vida quotidianaBeneficência
Por despacho de 9 do corrente, foram concedidos 30 dias de licença para fazer uso de banhos ao conservador privativo d’esta comarca, o sr. dr. José Virgolino Carneiro. Fica-o substituido durante a sua ausência o seu ajudante o sr. Joaquim Ignacio das Dores Arques.
Setubal
Cultura e espectáculoJustiça e ordem públicaFurtos e roubosLivros e publicaçõesTeatro
Recebemos do nosso amigo o sr. José Francisco d’Assis Coelho a seguinte carta. Publicando-a retificamos o que dissemos sobre o roubo de que sua s.ª foi victima. Eis a carta: Amigo senhor.—Vi no nosso jornal o Bejense a noticia do roubo feito em minha casa no dia 3 do corrente e quando fui a Beja no dia 3 encontrei arrombado um gavetão d’onde me roubaram um par de brincos grandes de diamantes—umas argolas de ouro com diamantes—uma peça de peito de ouro com diamantes—umas pulseiras de prata com diamantes—um cordão de ouro e dez mil reis em dinheiro. Emquanto a roupas e mais objectos de casa, só poderei saber quando minha família regressar a casa. Sen etc. José Francisco d’Assis Coelho. Beja 11 de setembro de 1871.
Prisão
Justiça e ordem públicaFurtos e roubosPrisões
O rapaz que roubou o sr. José Francisco Coelho, foi preso em Em-y, terra da sua naturalidade, e já se acha na cadeia d’esta cidade. Confia-nos que confessou ter-lhe entregado o sr. Coelho todas as chaves da casa, e que depois dos amos partirem para Lisboa fora ao quarto da ama e abrira uma gaveta d’onde tirara 10 meias corôas e 3 moedas de cinco reis novas, e que os brincos, argolas etc. os embrulhara n’um papel e mettera na gaveta da mesa da casa da cevada, e que quando foi por elles já lá não estavam. Emquanto a roupa diz não ter levado nenhuma.
Arqueologia e patrimónioEconomia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroDescobertas e achadosEstacçõesObras de infraestrutura
Cada vez peor!—O sr. Taborda tem-se tornado celebre na direcção do caminho de ferro do sul e sueste. O comboyo deve chegar aqui á uma hora e vinte minutos, mas o sr. Taborda tem-nos feito a pirraça de o fazer chegar, quasi sempre uma a duas horas depois. Hontem veio ás duas e um quarto! Hoje chegou ás duas e meio! Suppomos que estas irregularidades não incommodam o sr. Taborda. Temos ouvido queixar muitas pessoas que tem mandado serenes pelo caminho de ferro, porque fazendo-os o sr. Taborda conduzir em wagons descobertos apanham agua e deterioram-se. Ha por ahi estações como a do Carregueiro que não tem capacidade para recolher meia duzia de alqueires de cereaes, tem estes de ficar expostos á chuva, á espera que haja wagons sufficientes para os conduzir. As mercadorias remettidas de Lisboa continuam gastar tanto tempo no transporte como quando eram conduzidas pelo Porto de Rey. Estamos cançados de pedir providencias ao sr. Taborda, mas como elle só vê economias e não o bom serviço, appellaremos para o sr. ministro das obras publicas.
Theatro
Cultura e espectáculoEconomia e comércioJustiça e ordem públicaCrimesFeirasTeatro
Nas noites de quarta e quinta feira tivemos recita no theatro da moeda dada por parte da companhia do theatro da rua dos Condes que se acha n’esta cidade de passagem para o Algarve. Os espectaculos constaram, na primeira noite—da opera em 1 acto—O 66!—da scena comica—Luizinha a leiteira—e das comedias em 1 acto—Cima experiência—e Crimes do grandão—e na segunda noite, da opereta em 1 acto—Tio Uras—da scena comica—Alto Vareta!—e das comedias em 1 acto—Gato por... homem e Uma criada impagável. Todos os actores desempenharam magistralmente os seus papeis merecendo especial menção a sr.ª D. Luiza Fialho, a quem pela primeira vez tivemos occasião de avaliar o seu mérito. Esta sr.ª nos differentes caracteres em que a vimos trabalhar em todos revelou muita intelligencia e profundo conhecimento da scena. Por isso o publico não duvidou compensar-lhe o seu trabalho com os applausos enthusiasticos de que dispõe sempre que vê diante de si intelligencias iguaes á da sr.ª Fialho. Oxalá que não sejam estas as ultimas noites que esta sr.ª nos proporcione afim de que a possamos admirar e applaudir como merece. Hoje é a ultima recita e vae á scena a comedia em 1 acto Nem tanto ao mar...—a opereta—João e Helena—o entre-acto O burro foi-ra contando o Barba Azul—e a opereta Tio Sobrinho. E’ de esperar que haja concorrência não só porque o espectáculo é interessante e digno de ver se senão porque os actores estão acima do elogio que lhe fazemos.
Presos
Economia e comércioJustiça e ordem públicaFeirasPrisões
Foram presos na feira de Ferreira 15 individuos dos que costumam frequentar as feiras para se jornausem. Deram entrada nas cadeias d’esta cidade na quarta feira.
Ramalhete do Christão
Cultura e espectáculoEconomia e comércioEstatísticasPreçosReligiãoSociedade e vida quotidianaBailesBeneficênciaFestas religiosasPreços e mercadosVisitas pastorais
Publicou-se o n.º 6 d’este hebdomadário religioso, ornado de gravuras, de que é director litterario o rev. pad. F. da Silva Figueira, prior d’Ajuda, em Lisboa. Contém:—A dôr de S. Pedro (gravura, copya d’um quadro de Heutaui Lautrencu)—A basilica de S. Pedro, em Roma—Ensino religioso; preliminares—As sete palavras de Christo (continuação)—1.ª palavra—A morte—Biographia de Moyses (continuação)—Exemplos de Moral Christã, O bispo do baile—A meada (conto, continuação)—Muason ou Nason—Ave Maria, poesia—Pensamentos—Noticias etc. Preço da assignatura (adiantada): 3 mezes (13 numeros) 500 reis. Toda a correspondencia deve ser dirigida á administração do Ramalhete do Christão, rua da Atalaia, 65. Assigna-se em Lisboa, no escriptorio—rua da Atalaia, 65, na Livraria Catholica, rua dos Capellistas, e na livraria de J. P. M. Lavado, rua Augusta 85. Também se assigna no Porto e em Braga, nas livrarias de E. Chardron, e em Coimbra, na livraria Acadêmica, dos Medinaes.
Setubal 18
Meteorologia e fenómenos naturaisReligiãoSaúde e higiene pública
Desde os fins de julho que tem sido esta cidade muito visitada por distinctos hospedes e hoje nella muitos se acham, que com suas familias illustres ac vem banhar no crystallino Sado, tendo sido este n’um anno a concorrencia superior á dos transactos; está pois Setubal bem recebêda de gentis e formosas damas e de cavalheiros muito respeitáveis; que continuem nos mais annos, é o que desejamos pela importancia que d’alto nos resulta. Está tambem n’esta cidade a companhia dramatica de que é director o sr. Soares, que tem aqui dado nesta epocha algumas recitas, levando entre ellas: Pedro, O Alfageme, Morgadinha de Val flôr, etc. O desempenho tem sido muito regular e os espectadores tem sabido sempre dando provas de agrado. Deu-se hontem á sepultura o cadaver da viuva do sr. Agostinho Rodrigues Abine, proprietaria e houve na parochial egreja de S. Julião officio e encommendaçao instrumental dirigida pelo regente Sant’Arma Junior. O tempo vae por cá muito húmido, venta do sul e faz com que a grande serenata no Sado, que devia ter lugar no dia 20 deixe de o ter, na serenata deviam apresentar-se as duas philharmonicas que aqui ha, Firmeza e Capriche e bem assim a orchestra de que é director Sant’Arma Junior, que deveria acompanhar os coros de trinta rapazes, pelo mesmo director ensaiados para este fim. Fico por aqui e até á semana. Saude e energia a todos por
EXTERIOR
Acidentes e sinistrosArqueologia e patrimónioExércitoJustiça e ordem públicaTransportes e comunicaçõesAcidentes de trabalhoDestruição de patrimónioDiligênciasIncêndiosJulgamentosPrisõesRuínas e monumentosVandalismo
Sentença—O conselho de guerra em Versailles, declara: —O reu Ferré culpado em todos os pontos da accusação, attentado contra o governo, provocação da guerra civil, levantar tropas sem authorisação de um governo regular, ingerência em funcções publicas, cumplicidade na morte dos refens e nos incêndios por provocação, diligencia para alcançar os meios de commetter esses crimes, destruição de monumentos publicos e casas particulares, prisões e cárcere privado sem authorisação legal. —O reu Assi, culpado nos quatro primeiros pontos; e não culpado nas mortes, incêndios e destruição de monumentos; culpado de fabricação de instrumentos de guerra, de prisões e cárcere privado sem authorisação legal. —O reu Urbain, culpado em todos os pontos da accusação, mas com circumstancias attenuantes. —O reu Billioray, culpado em todos os pontos excepto nas mortes e incêndios. —O reu Jourde, culpado nos quatro primeiros pontos; não culpado nas mortes, incêndios, destruição de monumentos, prisões, arrancamento de sellos e desvio de dinheiros publicos; admissão de circumstancias. —O reu Trinquet, culpado em todos os pontos da accusação como Urbain, mas com circumstancias attenuantes. —O reu Champy, culpado nos quatro primeiros pontos; não culpado nas mortes e nos incêndios; culpado de destruição de monumentos e de prisões arbitrarias. —O reu Régére, culpado nos primeiros pontos; não culpado nos outros. —O reu Lullier, culpado de attentado contra o governo, provocação de guerra civil, levantamento de tropas, officiação e commando de força armada. —O reu Rastoul, o mesmo que a respeito de Régére; não culpado de destruição de monumentos publicos; admissão de circumstancias attenuantes. —O reu Paschal Grousset, culpado nos primeiros quatro pontos da accusação; não culpado nos outros, assim como em subtrahir documentos e roubar papel. —O reu Verdure, o mesmo que Rastoul mas sem circumstancias attenuantes. —O reu Ferral, culpado de attentado contra o governo, de excitação á guerra civil e de levantamento de tropas. —O reu Ibbamps, não culpado em todos os pontos. —O reu Clement, culpado de usurpação de funcções, mas com circumstancias attenuantes. —O reu Courbet, culpado da destruição da columna Vendome. —O reu Parent, não culpado em todos os pontos. N’estes termos o conselho de guerra absolve e manda pôr immediatamente em liberdade os cidadãos Descamps e Vuattut, e condemna: Ferré e Lullier á pena de morte. Urbain e Trinquet a trabalhos publicos por toda a vida. Assi, Billioray, Champy, Régére, Paschal Grousset, Verdure e Ferral a deportação em recinto fortificado. Jourde e Rastoul a deportação simples. Courbet a 6 mezes de prisão e 500 francos de multa. Clement a tres mezes de prisão. E todos os reus nas custas do processo. O presidente lê em seguida as disposições do codigo militar ordenando que a sentença seja lida aos accusados, por diligencia do commissario promotor, demitte da guarda tornada.