Houve um meeting, domingo, em Lisboa contra a marcha politica do gabinete. A commissão executiva resolveu levar uma representação á camara dos deputados, e convidou os que quizessem adherir a ella a reunirem-se no largo das Côrtes. A concurrencia foi grande e o governo mandou occupar o largo pela municipal e policias civis. Não procedeu bem o governo e a maneira insólita como andou levou o sr. Pinheiro Chagas a protestar no parlamento.
O que hade porém succeder? Quasi que se não acredita o que vamos narrar mas é verdade. A presidencia reprehendeu o nosso illustre correligionario, e reprehendeu-o brutalmente! O sr. Pinheiro Chagas replicou, e de uma das galerias o publico victoriou-o, o que deu causa ao protesto de alguns deputados. O sr. presidente pôs o chapéu na cabeça e, censurando os espectadores, mandou evacuar a galeria pela policia civil e soldados da guarda. Reaberta a sessão quiz fallar de novo o sr. Pinheiro Chagas mas foi-lhe cortada a palavra. Consultada a camara sobre se devia ou não concedel-a, resolveu-se negativamente em votação nominal. O sr. Pinheiro Chagas pediu-a de novo para um negocio urgente mas a presidencia recusou-lh’a terminantemente. Então o que se passou foi inenarravel, lastimoso e improprio do decôro que deve sempre manter-se no seio da representação nacional. Cruzaram-se os mais vehementes protestos, as phrases mais inconvenientes, acompanhadas de gestos significativos e irritantes, injurias rasteiras, levantando um estrepitoso tumulto que converteu o templo das leis n’uma praça de touros. O espectaculo foi triste e vergonhoso para o paiz. A policia e a guarda entrou de novo na galeria com sabres e bayonetas desembainhadas. Fel-as evacuar. Foi no meio deste labyrintho que se passou da sessão publica á sessão secreta.
O povo retirou das Côrtes e tomando pela calçada dos Paulistas, foi-lhe cortada a passagem por uma força da municipal. Alguns grupos encaminharam-se para o largo de S. Roque e soltaram gritos sediciosos em frente da typographia do Diario Popular. Embora o procedimento politico do governo possa desagradar á opinião publica, não podemos approvar os ataques individuaes e os gritos subversivos. O governo não será forte se lhe faltar a opinião, e as manifestações, fóra do campo da legalidade, só podem contribuir para lhe restabelecer a auctoridade.
N’uma das ultimas sessões o sr. Braamcamp, na camara dos deputados, declarou que o governo não desistia do imposto de rendimento e estava com todos os recursos necessarios para cobral-o a despeito das protestações e gravissimas reluctancias que se vão manifestando. Prazem-nos as situações francas e definidas e pela nossa parte agradecemos ao chefe da granja a sua profissão de fé. Se o paiz teima, a granja teima tambem. O conflicto está travado e quem melhor as tiver, melhor as jogará. Repetimos, agrada-nos a franqueza do sr. Braamcamp e agradecemos á maioria os applausos com que festejou as palavras do chefe do gabinete.
Ao que corre o governo deve, por estes dias, apresentar ao parlamento uma proposta excluindo os jesuitas do mesmo, e outra sobre reforma eleitoral com a representação das maiorias nas sédes de todos os districtos do reino, e a creação de um tribunal especial para julgar as eleições contestaveis.
Votou
se, terça feira, na camara dos deputados o tratado de Lourenço Marques negociado pelos regeneradores, assignado pelos regeneradores e de que o partido progressista teve de tomar a responsabilidade. Pois querem saber o que succedeu? Os regeneradores ao votar-se o tratado fugiram! Um tal procedimento já é a vergonha de um partido. Aqui sim que cabe bem dizer-se: Que corja!
Na casa electiva houve um facto importante: o pronunciamento franco e aberto do sr. Fialho Machado contra o procedimento do governo e da maioria. O sr. Fialho Machado distinguiu-se desde a sessão passada pela nobre isempção do seu caracter. Acompanhou lealmente os seus amigos politicos, até que a sua consciencia se revoltou abertamente contra os actos do governo. Tambem, apenas manifestou o seu modo de pensar, foi logo riscado pelo Progresso das fileiras do partido progressista. É porque lá querem, como disse muito bem o sr. Fialho Machado, gente que vote, e não gente que pense.
Foram approvadas na camara dos deputados as seguintes propostas de lei: 1.ª fixando a força do mar para o anno economico de 1881-1882; 2.ª fixando a força do exercito no anno corrente; 3.ª fixando o contingente para o exercito e armada no anno de 1881; 4.ª auctorisando o governo a crear até 2.000:000$000 reis da moeda de bronze para substituir as moedas de cobre e bronze que actualmente estão em circulação no continente e ilhas adjacentes; 5.ª auctorisando a transferencia de sobras de uns capitulos do ministerio da fazenda para outros; 6.ª reformando o serviço maritimo da nossa costa e ilhas adjacentes; 7.ª estabelecendo a quantia que os vapores de reboque na barra do Porto hão de pagar ao cofre dos pilotos; 8.ª ácerca das assembléas eleitoraes do concelho do Rio Maior.
Antes de hontem na casa electiva o sr. Fialho Machado disse ser opposição ao governo, mas não opposição ao partido progressista; que era da opposição, que ficara na camara para regeitar o tratado de Lourenço Marques, mas que não pertencia á opposição, que fugira para não o regeitar. A regeneração ouviu e callou.
Ha domingo outro meeting em Lisboa e affirmam
nos que os republicanos estão divergentes deixando uns de adherir ao movimento, esperando occasião em que o seu partido tenha unicamente a responsabilidade, hesitando outros em concorrerem ao meeting por não julgarem aquella manifestação puramente republicana. Por outra os republicanos não querem tornar a servir de degrau, a serem comidos mais uma vez pelos da penitenciaria e pelos que tendo negociado o tratado de Lourenço Marques fugiram quando se tratava da approvação d’elle. Bom é que vão aprendendo. Nós já sabemos alguma coisa, pouco é verdade, mas é bastante para... não correr a foguetes. E basta.
Quarta feira o sr. deputado Nobre de Carvalho declarou na casa electiva que se estivesse presente á sessão secreta em que se votou o tratado de Lourenço Marques, tel-o-hia regeitado. Isto entende-se, porque o partido constituinte pronunciou-se sempre contra a venda aos inglezes d’aquella nossa rica possessão, que os bons dos regeneradores diziam que haviam roubado; que não era roubo e que foi por isso mesmo que negociaram o tratado, mas vendo a parte liberal do paiz reprovál-o, fugiram covardemente da sala renegando assim a sua obra.
Continua em discussão na camara dos dignos pares a estudadissima questão dos coronéis. Depois de ser debatida e repisada á saciedade na discussão da resposta ao discurso da corôa, ahi a temos em segunda edição, mais incorrecta ainda e enormemente augmentada, sob a fórma de um bill de indemnidade, que não pode ter util nem resultado pratico, e com o qual vae consumida uma parte do terceiro mez da sessão legislativa! Os sophistas e palradores do Byzancio acharam entre nós quem lhes levasse as lampas.
O sr. ministro das obras publicas apresentou na camara dos deputados uma proposta de lei para a conclusão das linhas ferreas do Alemtejo e do Algarve. As linhas a construir são: do Algarve até Faro; um ramal de Tunes ou S. Bartholomeu de Messines a Villa Nova de Portimão por Silves; a linha da fronteira desde a margem esquerda do Guadiana na direcção do Rosal de Oiuristina por Pias e arredores de Moura; e a ligação das linhas de sueste e leste provavelmente por um ramal de Vendas Novas a Ponte de Sôr pelo Couço e Santa Justa. Para occorrer aos encargos que podem resultar d’estas obras são creadas receitas especiaes a saber: modificações na pauta dos direitos dos cereaes estrangeiros; sujeição de todo o arroz estrangeiro ao imposto do real d’agua; modificação no imposto sobre os terrenos cultivados de arroz, mais forte nas culturas proximas de povoações, modico nas culturas afastadas, muito pequeno nos paizes actualmente existentes e distantes dos povoados. A construcção das linhas ferreas deverá ficar concluida em 4 annos a contar da assignatura do contracto com a empreza, que em praça publica obtenha a adjudicação das obras.
Acontecimentos na Europa
A transformação radical que se está operando na situação politica da Europa é já tão palpavel que os proprios conservadores e reaccionarios de todos os matizes são obrigados não só a reconhecel-a mas até mesmo a demonstrar com factos positivos a sua impotencia ante o movimento revolucionario que de dia a dia mais se accentua. Os povos vão comprehender que a epocha da realeza já passou e que não podem nem devem servir de manequim nas mãos de orgulhosos tyrannetes. A Hespanha, a Italia, a Allemanha, a Inglaterra e até mesmo a Austria, onde predomina o partido ultra-conservador, estão pelos factos que se repetem amiudadamente corroborando o que avançamos.
Acontecimentos na Europa
Uma grande parte da imprensa italiana no estudo sobre a questão politica interna exclama com satisfação: “È stato meglio, quando si stava peggio.” Quaesquer effeitos a Italia sente-se agora em peiores condições do que na epocha em que jazia oppressa pelo despotismo dos bourbons e completamente desmembrada. Este facto facilmente se explica. É que a nação italiana reconhece a imperiosa necessidade de se libertar totalmente do poder theocratico que ainda a domina e almeja pela hora de destruir para sempre esse poder ante o qual a monarchia se mostra, ao que demonstra, impotente. Uma grande força de jesuitas expulsos de França foram engrossar as fileiras do ultramontanismo na Italia e por em quanto debalde teem servido as repetidas e justas reclamações da imprensa liberal democratica contra a benevolencia do governo dispensada ao jesuitismo. Annunciou-se ha tempo uma resolução energica do governo contra os jesuitas e contra todas as ordens religiosas, que seria um golpe de morte sobre os eternos inimigos da civilisação e da liberdade, mas a medida tomada pelo governo não foi tão energica como seria para desejar. Á ultima hora e contra o que se esperava moderou-se nas suas resoluções e o resultado foi que o partido ultramontano continua a respirar e a mostrar-se forte. D’aqui o mal estar dos italianos e o seu desejo em proclamar o definitivo triumpho da liberdade e da democracia.
Acontecimentos na Europa
Na Allemanha, apesar das idéas manifestadas por Bismark contra a existencia do systema parlamentar, e por tanto em pró d’um retrocesso que seria a vergonha para essa laboriosa nação, os comités revolucionarios, isto é, socialistas, vão augmentando de numero e é em vão que o partido ultra-conservador tem tentado para lhe destruir os effeitos. Como já está findando o reichstag allemão, é interessante conhecer as forças de que dispõem os differentes partidos. O Centro ultramontano consta de 101 deputados; os conservadores são 50; os liberaes conservadores 48; os liberaes nacionaes 53, divididos em duas fracções de 38 e 15; os liberaes 17; os progressistas 27; os polacos, que geralmente votam com os ultramontanos, são 14; os socialistas 10; e mais um bom numero de independentes. Como se não fossem bastantes, a Germania diz que está em via de formação um novo partido que se chamará “Mittelstands” e recrutará correligionarios entre os pequenos fabricantes e os operarios partidarios dos gremios. Os socialistas declararam-se hostis ao projecto apresentado pelo principe de Bismark ao conselho economico do reino da Prussia, estabelecendo o seguro obrigatorio para os operarios. A resolução dos socialistas não deve causar espanto. O conselho economico é, conforme o declara uma folha de Turin, “a tentativa de um novo systema politico” pelo qual Bismark não só pretende acabar com o parlamentarismo mas estabelecer medidas ainda mais rigorosas do que as existentes contra o socialismo. N’este assumpto a attitude do partido socialista é muito significativa. Bismark, observa parte da imprensa liberal, está arrastando a nação a uma situação tremenda e approximando o momento da revolução. O tempo nos demonstrará o resultado das loucuras do chanceller allemão.
Acontecimentos na Europa
O partido liberal austriaco mostra uma grande natividade e, comquanto o socialismo pouco tenha conseguido entre os austriacos, comtudo os conservadores, apesar de terem nas suas mãos as redeas do poder, não se mostram satisfeitos com a situação, e, ao que nos parece, não estamos longe de serios e importantes acontecimentos. A lucta religiosa pronunciada ha tampouco na Belgica e da que temos por varias vezes fallado, vae produzindo beneficos resultados. O ultramontanismo continua a perder terreno e de dia para dia mais impossivel se torna o accordo com a curia de Roma. O governo belga não se mostra disposto a transigir com as exigencias da curia que na sua totalidade são bastante humilhantes para o partido liberal, e pela sua parte a curia não quer acceitar modificação alguma lembrada pelo gabinete de Bruxellas. D’aqui a impossibilidade do accordo. Abstrahindo das noticias relativas á guerra entre os inglezes, os boers e os basutos, as quaes continuam a offerecer interesse pelas derrotas successivas que os inglezes teem supportado, vemos que a imprensa occupa-se e com a mais alta importancia da questão do Oriente. As attenções voltam-se ainda para a Grecia e pelas recentes noticias voltam, ao que parece, a surgir os receios de guerra. Este assumpto, pela sua gravidade, tem de ser detidamente analysado, o que faremos no proximo numero.
Portaria determinando que os secretarios geraes dos governos civis, logo que lhes conste que não foram attendidas as reclamações da administração do hospital de S. José acerca da inspecção nos orçamentos, quer das misericordias, quer das camaras municipaes, das quantias em divida áquelle estabelecimento, interponham recurso contencioso para o conselho de districto por infracção do referido alvará.
Convenção entre o governo portuguez e o luxemburguez acerca da entrega reciproca dos individuos, accusados ou condemnados como auctores ou cumplices de crimes ou delictos, taes como homicidio voluntario, parricidio, infanticidio, envenenamento, espancamento ou ferimento feito voluntariamente e com premeditação, e de que tenha resultado a morte, attentado contra o pudor, rapto de menores, aborto, bigamia, roubo, fogo posto, fabrico de moeda falsa, quebras falsas, etc., exceptuando os crimes ou delictos politicos, não implicando com a pessoa do rei.
Deram entrada, sabado, na cadeia civil dois ladrões. Vieram de Mertola. Eram escoltados por policias civis.
Ferreira
No sitio da Conceição em Ferreira, na noite de tres do corrente, foi encontrada, abandonada, uma creança do sexo masculino. Deu entrada no hospicio de Beja no dia 6.
Tem sessenta dias de licença o vereador effectivo, o nosso bom amigo, o sr. Francisco Paes de Mattos Falcão.
Domingo a banda do 17 tocou da uma hora ás tres da tarde, no largo Nove de Julho.
Foi hontem o beneficio dado pelos academicos ao hospital civil. A salla estava repleta de espectadores e o espectaculo correu o melhor possivel. Não faltaram applausos e bem dispensados foram.
Foi rendido, por outro do mesmo corpo, o destacamento do 17 de infanteria, que se achava em Aljustrel.
Passou por Beja e seguiu para o Algarve um forte destacamento de cavallaria n.º 5.
O nosso velho e bom amigo, o sr. Antonio Henriques Vital, foi nomeado tabellião interino d’esta comarca. Os nossos parabens.
O Cavaleiro Negro, por Ponson du Terrail; recebemos e agradecemos o 18.º fasciculo.
As amas dos expostos e mães subsidiadas receberam, no dia 7 do corrente mez, os salarios de fevereiro.
No dia 7 d’este mez fez a camara pagamento aos menores desamparados.
A carne suina regulou de 3:000 a 3:200 reis, cada 15 kilogrammas, ao mercado de domingo.
A camara, no dia 20 do corrente mez, hade em praça publica vender por tempo de um anno as lezirias do Guadiana.
Quando se installam as commissões municipaes e parochiaes para o imposto de rendimento?
O relogio continua regulando como... os antigos candieiros da rua Augusta.
Acaba de vêr a luz de publicidade a caderneta n.º 13 dos Communistas no Exilio.
Recebemos e agradecemos mais um fasciculo da obra de Paulo de Kock, A Casa Branca.
É esperada em Beja a companhia dramatica que actualmente trabalha no theatro da Vidigueira.
Regulou de 190 a 200 reis o kilogramma de carne de marranita, no mercado de terça feira.
Um cigano, preso por ladrão, evadiu-se aos guardas que o acompanhavam.
A irmandade d’Ao Pé da Cruz não faz este anno procissão de Paschoa. Anda acortadamente.
Concluiu a revisão da matriz predial.
Foi quinta feira vistoriado, medido e avaliado uma porção de terreno ao Pé da Cruz pedida de aforamento á camara.
Sahiu, sabado, uma diligencia de policia civil. Conduziu um criminoso.
Terminaram as obras na esquadra de policia.
Vão apparecendo os estragos causados nas cearas pela invernia.
No mez de fevereiro frequentaram a escola de Beringel 48 alumnos, a da Salvada 26, a da Cabeça Gorda 35, a de Quintos 17, a de Santa Maria de Beja 97, a do Salvador de Beja 44, a de Santa Maria de Beja (sexo feminino) 44, a de Albernôa 17 e a de Baleizão 35.
Chegaram os cavallos para o posto hypico desta cidade.
Os rocios, principalmente a parte denominada de Santa Catharina, estão cheios de estrumeiras.
Quintos
Deu entrada hoje, no hospicio, uma creança recemnascida. Estava abandonada em Quintos.
Sahiu para Cuba uma diligencia de policia civil.
Foi recebido definitivamente o cano do Collegio.
Está em reparação a estrada da estação do caminho de ferro ás portas de Mertola.
Continuam as pequenas reparações nas estradas municipaes.
O Camões: publicou-se o numero 27 do segundo anno d’este interessante semanario popular illustrado. O Camões custa por assignatura no Porto 260 reis por trimestre ou 13 numeros; na provincia, enviado pelo correio, 300 reis por trimestre; e nas terras onde ha correspondentes, 20 reis cada numero. Redacção, praça de D. Pedro, 131, Porto.
O Jesuita, assim se intitula um novo jornal que se publica em Lisboa, e de que recebemos o 1.º numero. Agradecemos a visita do collega e desejamos-lhe as maiores venturas.
Moura
Os vogaes da commissão para o imposto de rendimento, no concelho de Moura, resolveram, ao que corre, pagar a multa e não reunirem.
A commissão central do phyloxera enviou á junta geral d’este districto uma porção de sementes de videira.
Barrancos
Foi mandado para Barrancos fazer serviço o conductor da direcção de obras publicas d’este districto, o sr. Borges.
O sr. Joaquim da Fonseca Carvalho, pagador das obras publicas d’este districto, foi julgado quite para com a fazenda publica.
O salario das mulheres empregadas na monda regulou, esta semana, por 140 reis.
Messejana
Foi encontrada, abandonada, em uma rua de Messejana, uma creança recemnascida do sexo masculino.
Monte da Alfarrobeira
No monte da Alfarrobeira cahiram n’um poço tres creanças. Morreram.
Os Casamentos tragicos: publicou-se mais uma caderneta d’este explendido romance.
Partiu para Almodovar o pessoal de engenharia districtal. Vae estudar o lanço da estrada n.º 129 comprehendido entre Almodovar e o Vascão.
Está a concurso a parochial egreja de Albernôa n’esta diocese.
O sr. governador civil officiou á camara para que ella informe se no concelho ha algum traço de terra que esteja nas condições de ser aproveitado para uma escola agricola de reforma.
O vinho continua a subir de preço.
Está restabelecido dos seus incommodos o nosso bom amigo o sr. Cesar Banha.
Está intransitavel a rua do Sacramento.
Para as estradas do concelho a camara comprou uma porção de oliveiras.
Os cofres para a arrecadação voluntaria das contribuições do anno de 1881, nos concelhos de Aljustrel, Almodovar, Alvito, Barrancos, Castro, Cuba, Ferreira, Moura, Odemira e Serpa, fecham impreterivelmente no dia 31 do corrente.
Moura
Sahiu hoje para Moura um destacamento de policia civil. Vae render outro.
Quinta feira, no theatro provisorio, ha grande espectaculo de prestidigitação.
Lisboa—8-3-81. Cidadão redactor
Realizou-se no domingo o meeting promovido pela redacção do Seculo; a commissão promotora lançou mão do theatro de D. Fernando, onde convocou o grande comicio. O comicio foi presidido pelo cidadão Sousa Brandão, servindo de secretarios os cidadãos Silva Lisboa e dr. Anselmo Xavier. Não cabendo no theatro grande numero de cidadãos que se agglomeravam no pateo contiguo e na rua, resolveu-se, de accordo com a commissão, fazer outro meeting no referido pateo; presidio a este o sr. dr. Leonardo Torres e serviram de secretarios os cidadãos dr. Eduardo Maia e M. Bruno. Discursaram os srs. drs. Theophilo Braga, Magalhães Lima, Evaristo Brandão e os cidadãos Augusto de Figueiredo, Gomes Leal, Elias Garcia, Agostinho da Silva e Contrairas. Na assembléa que se constituiu no pateo fallaram os srs. drs. Leonardo Torres, Eduardo Maia, Vasconcellos Abreu e Barros e Cunha (conselheiro de estado e deputado da nação); e os cidadãos M. Bruno e um outro que não se inscreveu por isso que não lhe sabemos o nome. Todos os oradores foram muito applaudidos e particularmente Theophilo Braga, Fialho Machado, Magalhães Lima e Figueiredo. Durante a sessão chegaram dos differentes pontos do paiz e foram lidos muitos telegrammas de adhesão. Foi lido um protesto e nomeada uma commissão para no dia seguinte o entregar no parlamento; em seguida o cidadão dr. Eduardo Maia, de accordo com todos os oradores e com a propria mesa, convidou a assembléa e todo o povo lisbonense a que no dia seguinte se reunisse á 1 hora da tarde no largo das Côrtes afim de acompanhar a commissão. No dia 7 ao meio dia já o largo das Côrtes estava literalmente cheio de povo; á 1 hora compareceu a commissão que foi recebida no meio de estrondosos applausos. A auctoridade representada pelo general Macedo e commissario geral de policia, mandaram armar sabres e bayonetas a uma força de infanteria e outra de caçadores que estavam de reforço da guarda das Côrtes, formada em dois pelotões em frente dos dois vestibulos lateraes que dão ingresso para o edificio; a este tempo o general Macedo mandou buscar 20 praças de cavallaria municipal a uma companhia que estava formada no Caminho Novo e prompta á primeira voz. A guarda municipal e a policia intimaram o povo para que se retirasse do largo. Ás 3 horas sahiu a commissão que foi recebida e acclamada pela multidão; seguiu pela Calçada da Estrella, rua de S. Bento e do Poço dos Negros, Calçada dos Paulistas. A multidão era compacta, as acclamações a Magalhães Lima e Theophilo Braga e os vivas á independencia nacional, ao partido republicano; os morras a Marianno de Carvalho, abaixo o ministerio e abaixo o tratado de Lourenço Marques, emfim a manifestação foi incessante até aos Paulistas onde o general Macedo se atravessou diante do povo com uma força de cavallaria. Não sabemos qual foi a intenção de Mil-homens; uma grande parte do povo prevendo que a tropa o accomettesse, poz-se em guarda e resolvido a oppor resistencia; porém, como não fosse possivel á guarda municipal vedar duas travessas que veem sair á St.ª Catharina, o povo começou a evadir-se por ali vindo collocar-se ao Largo do Calhariz; n’esta occasião passava Raphael Bordallo Pinheiro, a multidão rompe em enthusiasticos vivas ao Antonio Maria e leva Bordallo Pinheiro em triumpho até casa. Mil-homens continua com as suas guerreiras strategicas, manda formar no Largo da Abbadaria a companhia municipal que está no Carmo, o povo dirige-se para o largo de S. Roque; o general Macedo corre ali com dois piquetes do municipal, o povo dispersa e pouco depois volta ao largo de S. Roque resolvido a escangalhar tudo que encontrasse na typographia do Diario Popular; desta vez houve pancadaria. Ás 7 horas da noite o povo dirigiu-se para a praça do Commercio (Terreiro do Paço) porque sabia que a maioria governamental se reunia no ministerio do reino; o general Macedo entra no recinto com uma companhia da cavallaria, outra de infanteria, uma força de policia e faz sair do Terreiro do Paço todo o povo que ali se encontrava, e forma a tropa em cordão nas boccas das ruas que davam accesso para aquelle local, não permittindo ao povo o transito por aquelles sitios. As tropas hoje estão de prevenção e o general Macedo está no largo das Côrtes com uma força de cavallaria municipal; a concurrencia de povo vae engrossando, receiam-se ainda hoje tumultos, porém até á hora (meio dia) em que estou escrevendo não ha novidade, as houver transmittil-as-hei pelo telegrapho, se a auctoridade m’o consentir. M. Bruno.
A Europa Pittoresca
Distribuiu-se o 3.º fasciculo desta esplendida publicação da qual é proprietario e director o sr. Salomão Saraga, actualmente residente em Paris, e gerente em Portugal o sr. David Corazzi, editor e proprietario da empreza Horas Romanticas. Será sempre pouco tudo o que se disser d’esta publicação, uma das melhores e mais importantes que no genero temos conhecimento. Esta obra é illustrada com um grande numero de gravuras executadas pelos principaes desenhadores e gravadores do mundo, representando tudo que ha permanente pelo lado pittoresco, tanto nos aspectos da natureza como nas obras do genio artistico em Portugal, Hespanha, França, Inglaterra, Allemanha, Italia, Grecia, etc. As gravuras são perfeitissimas e muito esplendidas. Cada fasciculo 600 reis. A publicação é mensal.
A Moda Illustrada
A empreza Horas Romanticas acaba de distribuir o numero 53, 3.º anno d’esta utilissima publicação que no genero nada deixa a desejar. Os figurinos sempre variados são das toilettes mais modernas em Paris e offerecem a mais alta novidade. Por absoluta falta de espaço não inserimos o summario, missão que por certo nos será relevada. O presente numero é correspondente ao dia 1.º do corrente mez. A mesma empreza acaba de distribuir o fasciculo 122 do Diccionario de Geographia Universal que vae na letra K R O, e bem assim continua com a maxima regularidade a publicação das obras que traz no prélo.
Os Mystérios do Povo
Vae muito adiantada a publicação do 1.º volume desta excellente e admiravel obra de Eugenio Sau a qual a empreza da antiga Bibliotheca dos Dois Mundos tem no prélo. A distribuição dos fasciculos é feita com toda a regularidade e todas as semanas se distribue um fasciculo de 6 folhas pelo diminuto preço de 60 reis.
A Casa Branca
O segundo volume desta obra de Paulo de Kock que a Empreza Noites Romanticas está publicando acha-se quasi terminado. O romance é illustrado e o primeiro volume custa brochado 500 reis. A mesma Empreza vae brevemente publicar duas obras do grande merecimento litterario e que podemos assim dizer são a verdadeira conclusão da grande obra de Ponson du Terrail—Os Dramas de Paris—intitulam-se A volta do Rocambole e são devidas á pena de Constant Guéroult, auctor do Lubin & C.ª A assignatura está aberta no escriptorio da Empreza. Lisboa. Sebastião J. Baçam.
Serpa—9 de março de 1881. Sr. redactor
Acham-se provadas as duas primeiras affirmativas da minha correspondencia de 25 de janeiro, resta explicar o folhetim publicado no n.º 107 do Jornal do Povo relativo á segunda d’aquellas affirmativas, que trata disfarçadamente d’uma audiencia de julgamento d’um reu accusado pelo ministerio publico de haver subtrahido uma porção de queijadas. A irmandade da misericordia d’esta villa, segundo o antiquíssimo costume estabelecido, dá todos os annos em quinta feira santa um jantar aos presos, e fazia parte do jantar no anno de 1877, como em todos os annos, uma porção de queijadas de que o carcereiro se appropriou em porção maior da que lhe fora destinada. Sabido isto pela auctoridade competente foi levantado processo, julgado e condemnado o homem pelo abuso de confiança praticado. Exercia então nesta comarca as funcções de delegado do procurador regio o ex.mo sr. dr. Veiga, cavalheiro de baixa estatura e de feições juvenis e que por isto apresentava menos idade do que realmente tinha sem comtudo poder ser classificado como homem menino. Leia-se agora o folhetim e creio se conhecerá quanto é transparente o veu com que se pretende encobrir a critica feita ao julgamento, e que o imaginado sonho não é mais do que a couraça com que se pretende pôr ao abrigo de perigosas eventualidades. Este systhema poderá ser conveniente para evasivas e retiradas; mas que a pratica hade provar não ser proveitoso por não dar sempre os resultados desejados, principalmente em alguns casos, é certo. Ninguem deixará de conhecer no folhetim quem é o homem menino, bem como o gatinho que com a cabeça encostada á mãosinha direita tomára ares de amador de comedia! Que se critiquem os actos dos funccionarios judiciaes quando d’elles resulte manifesto desprezo da lei e dos direitos dos cidadãos poderá admittir-se se a seriedade e o respeito devido á corporação não for esquecido, mas que se pretenda ridicularizar um tribunal unicamente porque cumpre os preceitos da sua missão, não percebo qual seja a utilidade de semelhante procedimento. (Continua.)