Arquivo
O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 1042
42 notícias

Beja 17 de dezembro

Cultura e espectáculoExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroDecretos e portariasEstacçõesJulgamentosLivros e publicaçõesReformasSecas
Beja · Portugal

Lê-se na ultima ordem do exercito: «Hei por bem, tendo ouvido o conselho de ministros, suspender a execução do decreto de 10 de setembro ultimo e dos mais que a elle se referem, pelos quaes foi concedida indemnisação de preterição para effeitos de reforma a diversos coroneis de infantaria, até que, depois de consultadas as estações competentes, se adopte sobre o assumpto resolução definitiva. O ministro e secretario de estado dos negocios da guerra assim o tenha entendido e faça executar. Paço, em 9 de dezembro de 1880.—REI—José Joaquim de Castro.» Declara, portanto, o governo que despediu o sr. João Chrysostomo por uma conducta que não sabe qualificar num julgar. E’ uma comedia! O sr. João Chrysostomo, diz o Jornal da manhã, consultou a secção consultiva do conselho de estado, que julgou justa a reforma dos coroneis com o voto do sr. Braamcamp, presidente do conselho de ministros; o governo deixa passar alguns dias sobre as concessões sem as condemnar, e por ultimo, reune-se em capitulo, vota contra ellas, censura-as em termos taes que o ministro da guerra se demitte, sendo a demissão immediatamente acceite, e, passados bastantes dias depois de resolvida a crise, vem o governo declarar em um decreto que não sabe se haveria motivos para censurar como censurou o sr. João Chrysostomo, e que não sabendo qual o direito a observar, vae ouvir umas estações, e emquanto as não ouve, suspende o que não entende! Mas que estações serão as que o governo vae ouvir? Haverá alguma acima da secção consultiva do conselho de estado? Ninguém sabe da existência d’essas estações mais superiores. Então o governo consulta com certeza as instancias inferiores. E hade regular-se por ellas? Ahi temos nós a primeira instancia acima da suprema! Assim não será de admirar que, regulando-se em outro assumpto pelo supremo tribunal de justiça, mandem ouvir os juizes ordinarios! A ignorancia arrasta a estas miserias, a estas vergonhas, a estes contrasensos. Mas qual ignorancia, nem meia ignorancia! O que anda nas questões é a velhacaria e a immoralidade. O verdadeiro escandalo commetteu-se n’este decreto. O novo ministro revela que se sujeitou a ser um automato ou maniquim. Fez o que lhe mandaram. Será bemquisto pelos seus collegas, mas fará uma figura triste perante o paiz e o exercito.

Economia e comércioFeiras

Corre com grande insistência o boato de que na proxima quinta feira será convocado o conselho de estado, para ser ouvido ácerca da nomeação de novos pares. Tambem se diz que a lista está feita e consta de dezesseis nomes, entre os quaes estão os dos srs. Fernandes Vaz, Antonio José da Rocha, Alves Carneiro, Pires de Lima, Henrique de Macedo, José Luciano de Castro, Pereira Dias, Pedro Castello Branco, Antonio Pereira da Silva de Menezes, Bazilio Teixeira de Queiroz, dr. Henriques Sêcco, Marianno de Carvalho, Paes Villas Boas, Pedro Franco.

Meteorologia e fenómenos naturais

se no Espectro da Granja: «O Bejense mostra-se indignado por o havermos em tempo classificado como folha ministerial. Damos o dito por não dito. Tem razão o collega.»

Acontecimentos na Europa

Cultura e espectáculoEducacção e instruçãoEstatísticasExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoPreçosReligiãoTransportes e comunicaçõesCorreioDebates políticosDenúncias e queixasEscolasExamesFestas religiosasHomicídiosInstrução públicaJulgamentosLivros e publicaçõesMovimentos de tropasObras de infraestruturaObras religiosasPrisõesProfessoresReformasTrânsito e circulacção
Paris · Roma · Alemanha · Bélgica · Espanha · Europa · França · Itália Correspondência · Exterior / internacional · Igreja · Interpretacção incerta

A questão religiosa é o assumpto obrigado no mundo diplomático a todas as discussões, e o que durante a pretérita semana mais preocupou os espiritos a julgar pelas noticias que nos trouxe o correio d’além das fronteiras. Na Hespanha, conforme já minuciosamente relatámos, a questão religiosa, favorecida pela politica adoptada nos clubs conservadores, continua a tomar uma feição bem pouco lisonjeira para os interesses da democracia. Novos collegios ultramontanos se teem aberto e nas provincias vascongadas a propaganda em pró dos principios nefandos dos jesuitas tem ultimamente e com a chegada dos jesuitas expulsos de França tomado espantoso incremento. Na França, o governo continua e com a maxima energia a responder ao repto que lhe foi lançado pelos ultramontanos. As attenções começam porém a voltar-se para a Belgica onde a questão tem tomado uma feição bastante caracteristica. Demoramo-nos um pouco em consubstanciar as folhas belgas as quaes encetaram a publicação d’uma memoria acompanhada de documentos sobre a ruptura das relações diplomaticas da Belgica com a Santa Sé. A obra é precedida de uma introducção escripta pelo primeiro ministro, sr. Frère Orban, que é um resumo historico d’essas relações desde 1830 até o momento da ruptura, fazendo-se notar que o periodo decorrido desde 1855 até o presente, as relações diplomaticas durante os primeiros cinco annos d’esse periodo quasi se limitaram á notificação do advento ao throno de Leopoldo II, e que dos outros vinte annos, correram mais de dezesete durante os quaes a Belgica não teve ministro formalmente acreditado em Roma, onde se teve representada por secretarios da legação. O partido liberal estava completamente resolvido a quebrar as suas relações com a Santa Sé, quando o advento de Leão XIII, que annunciava intenções conciliadoras, e que parecia comprehender as exigencias da sociedade moderna e apreciar as necessidades de nossos tempos, o fez desistir do proposito, levando-o a tentar nova experiencia. Os compromissos contrahidos na opposição pelo partido liberal, obrigam-o, logo que foi chamado ao poder, a reformar a lei de 1842 sobre a instrucção publica, como meio de atacar a propaganda ultramontana, que ameaçava fortemente as instituições liberaes. Retiraram-se, pois, as relações, afim de se conseguir que a Santa Sé convidasse o episcopado belga a pôr termo aos ataques á Constituição. Durante um anno, diz a Memoria, parecia que Leão XIII respondia ás esperanças concebidas pelo partido liberal, e suppoz-se que sua santidade havia transmittido aos bispos ordens para que não se oppozessem ás reformas projectadas pelo governo. O governo belga esperava que o alto clero obedeceria ás insinuações do chefe da Egreja, porém, o tempo passava, e a guerra, em lugar de diminuir, augmentava no pulpito e na imprensa catholica. Por este motivo, o embaixador da Belgica em Roma fez reclamações, e declarou ao seu governo que, tanto o papa como o seu secretario, cardeal Nina, operavam em sentido duplo, e que se cruzavam grandes influencias que produziam athmosphera hostil ao governo. N’estes factos se apoia o governo belga para justificar a ruptura das suas relações com o Vaticano. A questão religiosa que se estende á Allemanha acaba de se declarar igualmente na Suissa onde o partido ultramontano se apresenta perfeitamente disciplinado. Em uma das nossas pretéritas revistas fallámos dos successos da Allemanha e demonstrámos o estado em que ali se encontram os espiritos. Fallemos agora da Suissa. Em diversos cantões da Suissa catholica organisou-se uma manifestação a favor das Irmãs do ensino, por occasião de se tratar dos requerimentos de alguns individuos do cantão de Lucerna, que pediram que ellas fossem afastadas das escolas publicas. O governo de Zoug acaba de endereçar á Assembléa federal uma Memoria em que conclue pela estabilidade das Irmãs do ensino como professoras. Allega o governo que o artigo 27.º da constituição federal não exclue de modo algum as irmãs ou, em geral, os membros pertencentes a ordens religiosas, do ensino nas escolas publicas. Allega tambem que não podem ser invocadas seriamente quaesquer outras disposições da constituição, visto que as Irmãs não perturbam a paz confessional, e que não se póde pretender que sejam, nas suas funcções escolares, perigosas para o estado. A assembléa federal ainda não resolveu a questão, que é interessante em vista dos recentes acontecimentos que determinaram a expulsão das congregações em França. Fóra d’este assumpto, aliás importantissimo, temos de tratar do processo instaurado no 8.º districto do tribunal de Paris pelo general Cissey contra os srs. Laisant e Rochefort, redactores principaes do Petit Parisien e do Intransigeant por difamação, e a sentença pronunciada contra estes dois jornalistas, foram o acontecimento importante do qual muito se occupam as folhas de Paris. Fallemos com maior minuciosidade d’este successo. As audiências dos dias 25 e 26 de novembro demonstraram a absoluta falta de fundamento das accusações formuladas pelos srs. Laisant e Rochefort. O general Cissey era accusado de haver entregue ou de ter consentido na entrega aos inimigos do Estado certos papeis importantes, que revelavam o segredo dos planos da mobilisação do exercito. Accusavam-no tambem de ter feito por este meio negocios torpes, e de ter vendido a honra dos seus secretarios no ministerio, no tempo em que geriu a pasta da guerra. O sr. Rochefort, completamente desconcertado com a defesa, viu-se obrigado a confessar que não fôra mais do que o echo de certas noticias que circulavam no publico, e que não podia comprovar as suas affirmações. O advogado do general Cissey elevou-se a grande altura, pela sua energica e conveniente defesa, proferindo discursos que o collocaram na primeira plana dos oradores politicos. O tribunal condemnou os srs. Laisant e Rochefort na multa de 4:000 francos e 8:000 francos de perdas e damnos, cada um. Do S. Petersburgo enviam ao periodico radical de Paris La Justice o seguinte: «Hoje, pela manhã, em todas as paredes de S. Petersburgo, appareceram proclamações nihilistas, em que se diz aos russos haver chegado o momento de se descartarem do tyranno. As proclamações conteem ameaças contra a vida do czar, e predizem que, antes de findar o anno de 1880, o throno de Alexandre, o homicida, ficará vago. A policia arrancou as proclamações; porém, não poude descobrir quem as tinha affixado. O grande numero d’ellas prova serem muitos os revolucionarios que se dedicaram, ao mesmo tempo, a esse trabalho, por isso é para estranhar que nenhum fosse preso.» Não sabemos qual a veracidade da noticia dada pelo correspondente moscowita á folha parisiense, orgão de mr. Clemenceau; em todo o caso demonstra que os manejos do nihilismo continuam com a maxima actividade. Tornar-se-ha em realidade a affirmação do correspondente? Dissemos acima que a importante questão grega constitue um dos assumptos importantes que devemos tratar. Ficará para a semana.

Parte official

Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoEducacção e instruçãoMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localReligiãoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesArquitectura históricaAssociaçõesAssociações recreativasDiligênciasInstrução públicaRuínas e monumentosSessões da câmaraTrânsito e circulacção
Igreja

Circular aos governadores civis recommendando-lhes algumas das principaes disposições da nova legislação sobre instrucção primaria, afim de que sem perda de tempo as referidas auctoridades promovam, perante as juntas geraes dos seus districtos, camaras municipaes e juntas de parochia a adopção das deliberações necessarias para no dia 1.º de julho de 1881 entrar em vigor o novo systema de ensino. Ditta para que os governadores civis que, de accordo com os respectivos commissarios dos estudos, não só deem a necessaria publicidade ás disposições relativas á verba destinada a auxiliar a iniciativa particular e as associações no estabelecimento de jardins de infancia, cursos de adultos, bibliothecas, etc., mas tambem diligenciem por si e pelos seus delegados organisar associações que se proponham crear alguns dos estabelecimentos indicados, ás quaes será opportunamente concedido o conveniente subsidio dentro da verba a esse fim applicada. Ditta aos governadores civis para que expeçam as necessarias instrucções ás camaras municipaes, para que satisfaçam com urgencia ás requisições e esclarecimentos que lhes forem pedidos pela associação dos architectos civis e archeologos portuguezes, que foi encarregada superiormente de indicar os edificios publicos do paiz que devem ser considerados monumentos nacionaes.

Noticias diversas

Transportes e comunicaçõesEstradasObras de infraestrutura
Almodôvar · Portugal

Foi approvado o projecto do lanço da estrada districtal de Sines a Almodovar, situado entre Sines e Barranca, no comprimento de 13:805m,29.

ExércitoJustiça e ordem públicaCrimesMovimentos de tropas
Ourique · Portugal

Foi reforçado o destacamento da policia civil em Ourique.

ExércitoMovimentos de tropas
Évora · Portugal

Regressou de Evora, tendo sido rendido por egual força do regimento, um destacamento do 17 de infantaria.

Transportes e comunicaçõesEstradasObras de infraestrutura
Moura · Portugal

Foi approvada a ligação das estradas dentro da villa de Moura.

Justiça e ordem públicaFurtos e roubosJulgamentos

Continuemos a noticia do resultado das audiências geraes: 5.º réu—accusado de furto—absolvido; 6.º réu—idem—condemnado a dois annos de degredo; 7.º, 8.º e 9.º réus—accusados de falsificação, roubo e abuso de confiança—condemnados, um em quatro, outro em tres annos de degredo, e o ultimo absolvido; 10.º réu—accusado de furto—absolvido.

Economia e comércioJustiça e ordem públicaPreçosPreços e mercadosPrisões

Na rua da Cadeia Velha n.ºs 28 e 29, acaba de abrir-se provisoriamente um novo estabelecimento de fazendas, ainda as mais modernas, que nós recommendamos aos leitores não só pela modicidade de preços como pela excellencia e qualidade.

Está a proceder

Geral

se á liquidação a qual termina hoje.

Aljustrel · Portugal Geral

Na noite de 17 do corrente foi encontrado abandonado, um recemnascido ás portas de Aljustrel. Deu entrada no hospicio.

Geral

Recebemos e agradecemos o fasciculo 1.º do excellente romance A Herança Tragica. Edita a obra David Corazzi. Está feita a recommendação.

ExércitoNomeaçõesQuartéisTransferências
Évora · Portugal

A ultima ordem do exercito transferio de Extremoz para Evora a sede do quartel general desta divisão militar.

Economia e comércioJustiça e ordem públicaTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacçõesFeirasFurtos e roubosPrisões
Beja · Portugal Caminho de ferro

A policia civil de Beja, segundo ouvimos, prendeu terça feira tres gatunos implicados em roubo. A prisão verificou-se na estação do caminho de ferro desta cidade.

Atravez do Continente Negro

Geral

Publicou-se o 22.º fasciculo.

ExércitoBanda militar

A banda do 17 de infantaria tocou da uma ás 3 da tarde, domingo, no largo Nove de Julho.

Município e administracção local
Câmara Municipal

A camara adjudicou por 518:000 reis a Domingos Antonio da Silva Moira, o estuque e pintura do andar terreo do novo edificio dos paços do concelho.

Fez

Geral

se domingo a publicação da bulia da cruzada.

Anda a reparar

Transportes e comunicaçõesEstradasObras de infraestrutura

se parte da estrada de circumvallação, no sitio comprehendido entre o Poço Pequeno e a Estalagem.

Município e administracção localReligiãoSessões da câmara
Câmara Municipal · Igreja

A camara municipal, na sua sessão de hontem, agradecendo ao digno vigario pro-capitular d’esta diocese a Memoria que lhe enviou, deu-lhe louvores pelos serviços por sua ex.ª prestados em prol da conservação do bispado. Este procedimento honra os vereadores.

Município e administracção local
Câmara Municipal

Estão assentes todas as portas interiores do novo edificio dos paços do concelho.

Publicou

Geral

se o fasciculo n.º 14 do 1.º volume do Genio do Mal.

ExércitoNomeaçõesQuartéisTransferências

Foi transferido para caçadores 7, o tenente quartel mestre do 17 de infantaria, o sr. Mathias Joaquim Fernandes.

ExércitoNomeaçõesTransferências

Para infantaria 7, foi transferido o tenente do 17 da mesma arma, o sr. Carlos Augusto Moreira Freixo.

ExércitoNomeaçõesQuartéisTransferências

O sr. João Caetano da Palma, tenente quartel mestre de caçadores 7, foi transferido para infantaria 17.

Festejou

Cultura e espectáculoEconomia e comércioReligiãoConcertosFeirasFestas religiosas
Igreja

se segunda feira, por musica vocal e instrumental, na parochial de S. Thiago a martyr Santa Luzia. A philharmonica artistica tomou parte na festa e prégou o sr. dr. Mendes Lima.

Cuba · Portugal Geral

Na Cuba, os malsins do real d’agua fizeram duas tomadias de importancia.

Geral

São más, geralmente, as fundas da azeitona.

Gazeta illustrada

Geral

Recebemos o n.º 7 do Atheneu, publicação de ensino e educação scientifica illustrada de esplendidas gravuras que dentro em pouco vae encetar o grande romance geographico illustrado Os Pescadores de Nucar de Luiz Jacolliot, o sabio orientalista, um dos escriptores mais distinctos e de mais nomeada. Assigna-se na Imprensa Internacional, rua da Victoria, 166.

Europa · Portugal Exterior / internacional · Geral

A nossa collecção de objectos de arte foi enriquecida esta semana com um primor de typographia e gravura. Intitula-se a Europa Pittoresca. Dirige a publicação Salomão Saragga e é gerente em Portugal David Corazzi, o nosso primeiro editor. A Europa Pittoresca está patente no nosso escriptorio para quem a quizer vêr.

Cultura e espectáculoBailesFestas civis e popularesLivros e publicações
Porto · Portugal

Em face da historia, discurso proferido pelo sr. Guedes de Oliveira no sarau socialista realisado no Porto no dia 19 de setembro, é o titulo de um folheto com que fomos presenteados. Agradecidos.

Geral

Vae para oito dias que não temos a honra de ser visitados pelo nosso collega o Progresso.

Meteorologia e fenómenos naturaisSecas

Recebemos e agradecemos o Almanach Ecclesiasticum, para 1881, que o seu auctor o sr. dr. Camacho, nos offereceu. Vae annunciado na respectiva secção.

Cultura e espectáculoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesCostumes e hábitosLivros e publicaçõesNavegacção
Braga · Londres · China · Portugal · Reino Unido Exterior / internacional

Recebemos e agradecemos o n.º 15 do excellente semanario O Camões. Eis o summario: Texto: A cathedral de Rochester; Ao redor do mundo sem sahir de casa; A velhice (fragmento d’um livro inédito) por A. Herculano; Ao sol posto (poesia) por Alexandre Braga; Os dramas do mar: Um navio em chammas; Os homens uteis de todos os paizes; Pestalozzi; Costumes da China; A mesquita do sultão Achmed; A pobreza e o trabalho, por Jayme; Em Londres; A cathedral de Colonia; O teu olhar (poesia) por Amelia Janny; Os cavalleiros do amor (romance historico); Chronica; Enygma; Zig-Zags; Auroras boreaes; Expediente; Prospecto. Illustrações: Cathedral de Rochester; Uma dama chineza; A mesquita do sultão Achmed; Lapões em viagem.

Lisboa 14-12-80

Cultura e espectáculoPolítica e administracção do EstadoReligiãoSociedade e vida quotidianaConferênciasCostumes e hábitosDebates políticosNomeações eclesiásticasTeatro
Lisboa · Portugal

Cidadão redactor.—Tem nas ultimas tres semanas manifestado-se uma crise de trabalho que tem aterrado as classes operarias, e muito particularmente os pedreiros e carpinteiros. Era de esperar que esta crise se desse, visto que a companhia das aguas concluiu o encerramento do Alviella e o governo não readmittiu algumas dezenas de operarios que para ali mandou. Realisou-se no dia 5 do corrente, uma conferencia no theatro da rua da Conceição; foi conferente o cidadão L. Cigma, presidiu o cidadão P. da Fonseca, e serviram de secretarios cidadãos M. Bruno e F. Lobo. A conferencia versou sobre a permanencia das congregações jezuiticas em Portugal e os tristes resultados do fanatismo religioso. O conferente orou proficientemente sendo muito admiravel a sua verbosidade e repetidas vezes interrompido por freneticos applausos, sobre os quaes se levantaram os jesuitas de casaca a insultar o orador e o partido republicano. Narremos os factos: A ceita negra enviou para ali uns 18 ou 20 membros com o fim de empalmarem a conferencia, caso lhes fosse concedida a palavra, o que a mesa de fórma alguma podia conceder, não só aos jesuitas senão a quaesquer outros que pedissem a palavra, posto que é praxe sabida, n’uma conferencia só é permittido fallar o conferente. Como se lhes não permittisse fallarem foram frustrados os seus planos, porém não cederam do seu perfido intento; como é de costume n’aquella damninha ceita, resolveram fazer tumulto provocando os cidadãos que estavam na platéa e que elles conheciam como republicanos. Da provocação resultou o tumulto e d’este a pateada em que os taes jesuitas apanharam um bom quinhão. Nunca nos persuadimos que o jesuitismo, essa ceita prescripta quasi de todas as nações, tivesse o arrojo de vir a um theatro repleto de espectadores, levantar o insidioso grito de «viva os jesuitas!» Cremos que se não tivessem plena confiança no actual governo não se arriscariam a tanto. Não é só o partido republicano que protesta contra a estabilidade dos jesuitas em Portugal, é todo o partido liberal que se une como um só homem e reclama do governo o fiel cumprimento das leis promulgadas pelo grande estadista marquez de Pombal, leis que vigoram no paiz, porque não houve legislação que as revogasse, de contrario, houve a legislação de Joaquim Antonio de Aguiar que as reforçou. Ao governo cumpre respeitar e fazer cumprir as leis vigentes no paiz, aliás não é digno de respeito. Consta que por estes dias reunirá o conselho de estado para deliberar a nomeação da nova fornada de pares. Al. Bruno.

Pedem

ExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisSociedade e vida quotidianaCheiasMovimentos de tropasPobres e esmolasQuartéis
Ourique · Roma · Itália · Portugal Exterior / internacional · Interpretacção incerta · Islâmico

nos a publicação do seguinte: Discurso, do sr. Mattos, proferido no Sarau Litterario, no dia 1.º de dezembro: Corria o anno de 1139. Por este tempo já n’um pequeno condado, que mais tarde havia de ser um povo d’heroes, se manifestavam idéas d’independencia, ainda que fracas e timidas. Porém, com o alvorecer do dia 25 de julho, do já mencionado anno de 1139, raiava segundo alguns historiadores, a aurora d’uma nacionalidade; surgia no solo, que outr’ora fora dos Viriatos, Apimanos e Sertorios, um povo pacifico, que havia de levar as armas da conquista ás plagas africanas, ás regiões além dos Ganges. Sim, surgia um povo bellicoso; porque, conjuntamente surgiam genios guerreiros, como os de Affonso Henriques; vassallos d’abnegação, como Egas Moniz. E, acalentado por estes vultos, que te consagravam um amor sem meta, esse amor, que os portuguezes d’outr’ora consagravam á patria, não podias morrer, oh povo bellicoso; eras invencivel, porque teus filhos, unificando-se nas idéas, nas aspirações, anciavam horizontes dilatados, que podessem consolidar a sua grande obra—a d’uma nacionalidade. Se não fosse este amor patrio, este amor ardente, que germinava em peitos portuguezes, como é que Ourique seria ainda hoje uma vaga recordação, do que foste ao nascer, oh athleta, oh gigante do passado?!... Como é que Sallado, Aljubarrota e Valverde se teriam vinculado na tua historia, tão fecunda em feitos valerosos?! Ou estes factos se haviam registar, ou a tua existencia havia de ser ephemera; e então não tinhas historia. Mas não; tinhas d’ir mais longe ainda; por isso avassallaste os mares tenebrosos, assim chamados pela lenda. Senhores, quando a providencia quer formar grandes estados, grandes imperios, dá-lhes legisladores, como Lycurgo; oradores, politicos, capitães, como Pericles; conquistadores, como Phelipe da Macedonia e seu filho Alexandre Magno; dá-lhes finalmente Julios Cesares, como deu a Roma. Como a apparicção d’estes grandes homens é condição essencial para formar e tornar florescente qualquer estado, Portugal tambem sem ella não podia nascer, Portugal sem ella não podia attingir ao seu bem alto grão d’explendor; por isso teve Diniz, o rei amante e protector das lettras, Affonso 4.º, o vencedor de Sallado; por isso, quando essa mulher impudica, que tão fatal nos ia sendo; essa mulher indignamente estremecida pelo 9.º rei da 1.ª dynastia, nos atirava ás garras do leão de Castella, não lhe faltou um Mestre d’Aviz, para dar a seu nome um realce imponente e talvez immortal. Portugal tem desempenhado entre as nações europeas e na evolução social um papel importante. Chegou o seu arrojo a fazer partilha dos mares com a nação visinha. Seria isto devido á sua fraqueza? Não. Era devido ao seu esplendor. Se Portugal fazia partilha dos mares com a nação visinha, é porque n’aquella epocha fora a nação, que mais desenvolvera a arte nautica; é porque, dispondo de meios fornecidos pela mesma arte, fôra a 1.ª potencia, que sulcára mares, nunca d’antes navegados. E quem te havia dizer, que, nascendo pobre e pequeno, como Roma, e alargando-te como ella de conquista em conquista, havias, depois d’envolto n’um manto aureo de felicidade, cahir do apogeu das tuas glorias, talvez immorredouras? E’ este o fatal destino dos povos; porque teem, á semelhança do homem, seu nascer, sua juventude, e no ultimo quartel da vida, sua morte, seu derradeiro alento, sua derradeira agonia! A tua vida foi, desde o raiar da tua nacionalidade, até á malfadada expedição de Tanger, uma serie não interrompida de victorias. Este facto lastimoso, que veio empanar a gloria da tua phalange d’intrepidos guerreiros, era já preludio da tua decadencia; era já o primeiro symptoma da doença, que te corroia até á medulla; era já o verdadeiro inicio do drama tragico, em que havias dar o ultimo suspiro, o ultimo soluçar de moribundo!!... Oh drama tragico, oh drama d’horror, como no teu inicio se menoscabava a gloria das armas portuguesas; como no teu inicio o mouro cuspia affrontas para um reino refulgente; como no teu inicio ainda não bastava isto!... Cumpria, que a alma candida d’um infante, d’um martyr, expiasse nos horrores d’um carcere as imprudencias da patria. Todavia, não foi ainda o facto desastroso de Tanger uma barreira, que se oppôz á intrepidez d’uma nação cheia d’iniciativa, d’uma nação emprehendedora. (Continua).

Bibliographia

Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisPreçosPreços e mercados
Paris · Alemanha · Bélgica · Espanha · Europa · França · Grécia · Itália · Países Baixos · Portugal · Reino Unido · Rússia Exterior / internacional

A Europa Pittoresca.—A litteratura portugueza vae ser enriquecida com uma importante e esplendida publicação, a distribuição da qual está a cargo da acreditada empreza Horas Romanticas, da qual é proprietario o sr. David Corazzi. A Europa Pittoresca pelo seu merito artistico e importancia litteraria dispensa todos os encomios. E’ uma obra por assim dizer unica entre nós e que só uma vontade de ferro, um espirito verdadeiramente emprehendedor, poderia abalançar-se a publicar. Na Europa Pittoresca todos os paizes terão o seu quinhão: A Inglaterra, a França, a Allemanha, a Hollanda, a Belgica, a Russia, a Italia, a Grecia, a Turquia, a Hespanha, etc. Portugal terá, porém, um logar importante n’esta collecção. A obra é impressa em Paris e illustrada com um grande numero de gravuras executadas pelos principaes desenhadores e gravadores do mundo. Constará de 48 fasciculos divididos em 4 volumes. Todos os mezes se distribuirá um fasciculo de 24 paginas, brochado, contendo 12 a 16 gravuras, pelo modico preço de 500 reis por assignatura e 600 reis avulso. A empreza Horas Romanticas honra-se com esta esplendida publicação honrando ao mesmo tempo o paiz.

Bibliographia

Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoPreçosExamesInstrução públicaLivros e publicaçõesPreços e mercados

Almanach D. Luiz I para 1881.—Por Anna d’Albuquerque. A extraordinaria acceitação que este livrinho tem gozado entre nós, é a prova mais evidente e positiva da sua grande utilidade e da fórma brilhante como está redigido. Com effeito este livrinho, publicado sob protecção do chefe do estado, contem numerosas tabellas indispensaveis a livros do mesmo genero e uma escolhida e selecta parte litteraria. Um grande numero de artigos são redigidos muito scientificamente e utilissimos á difusão da instrucção. A ex.ma sr.ª D. Anna d’Albuquerque é uma distincta senhora que se esmera em bem corresponder ás sympathias que o publico dispensa ao seu livrinho. O Almanach custa apenas a modica quantia de 240 reis, preço insignificante e ao alcance de todas as bolsas. Acha-se á venda nas principaes livrarias.

Bibliographia

Geral

A Casa Branca.—Continua com a maxima regularidade a publicação d’esta obra de Paulo de Kock que está sendo distribuida pela empreza Noites Romanticas.

Bibliographia

Lisboa · Paris · França · Portugal Exterior / internacional · Geral

Os Communistas no Exilio.—Com a terminação do romance As Doidas em Paris começou a empreza Serões Romanticos a publicação do romance de Henrique Rochefort ácerca do qual temos por varias vezes fallado. Os Communistas no Exilio é um romance que entre nós promette fazer epocha. Lisboa. Sebastião J. Baçam.