O Tanas e o perdão d’acto
O Tanas vocifera contra os estudantes de Coimbra, injuria-os e com aquella linguagem grosseira, que lhe é própria, calumnia uma academia onde elle nunca seria conhecido senão fosse esta alcunha, que o immortalizou pelo ridiculo. Que outro qualquer se revoltasse contra a idéa d’um perdão d’acto não nos admirava; mas o Tanas que recebeu esta graça dois annos seguidos, de certo nos maravilha. Porque não escreveu este sr. nessa occasião contra a clemência decretada? Porque apresentou para ser empregado as suas cartas de bacharel ubiqueoque? para que allegou conhecimentos de direito de que não deu provas académicas? São sempre assim todos os Tanas. Tudo é bom quando os favorece, e máo quando a utilidade não é para elles. Prossiga nesse systema devasso de calumniar todo o mundo que a patria agradecida o recordará sempre com desprezo.
Theatro
Cultura e espectáculoJustiça e ordem públicaConcertosCrimesFestas civis e popularesTeatro
Quinto concerto lyrico dramatico dado pelos artistas Munnés, e pela quinta vez noite de festa no theatro artistico. Compoz-se o espectaculo do duetto Waterloo, duetto da zarzuela Estrella do Lago, comedia em um acto La emancipacion de las mujeres, e do tango da Marina. Os actores foram muito applaudidos e chamados ao proscenio no final do duetto Estrella do Lago; na comedia a sr.ª D. Camila andou bem, e o sr. Munné no tango com toda a maestria, pelo que o publico o applaudio phreneticamente e lhe pedio bis. Num dos intervallos o sr. Carlos recitou uma poesia do sr. Freitas que apesar de mal recitada e do actor andar a agarrar-se pelas paredes agradou muito, e o publico formou d’ella um juizo favoravel.
ExércitoBanda militarQuartéis
29 d’abril, dia em que o immortal Pedro IV nos outorgou a constituição foi festejado nesta cidade, illuminando-se os edifícios públicos e fazendo-se a guarnição de grande uniforme. Á noite tocou na praça a banda do regimento 17 seguindo depois para o quartel.
Caminho de ferro
Acidentes e sinistrosArqueologia e patrimónioTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstradasObras de infraestruturaRuínas e monumentos
Tornamos novamente a pedir aos srs. directores do caminho de ferro de Vendas Novas a esta cidade, para que sem demora o numero de guardas d’aqui á Casa Branca seja augmentado, aliás poderão acontecer alguns desastres, pois sabemos que em alguns sitios as sebes de viação estão muito arruinadas, e vimos, que as portas das estradas que communicam com a via ferrea não se fecham quando o comboyo passa, falta esta que póde dar funestos resultados, porque não ha nada mais facil do que uma creança, ou mesmo pessoa maior, atravessar a via e ficar esmagada pela machina. Esperamos ser attendidos pelos srs. directores por interesse seu e do publico.
Partida
Município e administracção localTransportes e comunicaçõesCorreioPartidas
Partio desta cidade para Santarem o sr. Menna administrador do correio. S. s.ª vae com licença.
Suspensão
Foi suspenso por 30 dias, o conductor das maltas de Lisboa a esta cidade por ser desleixado no cumprimento de seus deveres. Que castigo merece então o sr. João Chrysostomo por ser assiduo? Veja-se o nosso n.º 174 e digam-nos depois quem merece a suspensão se o conductor se o ministro.
Bibliotheca das damas
Cultura e espectáculo
Publicou-se o n.º 19 da terceira serie contendo o tomo sétimo do Judeu Errante por Eugénio Sue.
Archivo juridico
Política e administracção do EstadoDecretos e portarias
Publicou-se o n.º 33 contendo o decreto eleitoral de 30 de setembro de 1852, despachos e noticias.
Expediente
Por falta d’espaço vemo-nos obrigados neste numero a retirar alguns artigos e uma correspondência do sr. Manoel José Rodrigues de Villa Aba. Irá no n.º seguinte sem falta.
Lúcifer
Cultura e espectáculoLivros e publicações
Recebemos o n.º 13 deste jornal satyrico. Agradecemos.
Jornal do Povo
Cultura e espectáculoLivros e publicações
É este o titulo de um novo jornal que se começou a publicar em Barcellos. Agradecemos a remessa, e desejamos-lhe longa vida.
Errata
Estatísticas
No nosso n.º anterior, na columna 4.ª, pagina 1.ª, linhas 4.ª, onde se lê quebrou-se, lea-se quebrou-se. Na mesma columna linhas 43 onde se lê poder, lea-se poderem. Na pagina 2.ª, linhas 5.ª, onde se lê deferencia, lea-se deferencia. E na pagina 4.ª, linhas 55 onde se lê numeros, lea-se semanas.
As damas da companhia Lopes
Não posso neste momento deixar de tributar ás illustres damas, que pertencem á companhia da sr.ª viuva Lopes, os devidos louvores pelo bem que andaram na representação do drama do sr. Biester—Fortuna e Trabalho. Estas sr.ªs e os curiosos d’esta cidade tornaram-se merecedores dos maiores elogios, e com especialidade o sr. Luiz da Costa, distincto artista d’esta cidade. Por estas linhas lhe fica sumamente agradecido um artista, que confessa ficar com saudosas recordações d’aquellas sr.ªs. Évora 27 de abril de 1864. * *
A ULTIMA HORA
Economia e comércioMunicípio e administracção localTransportes e comunicaçõesAgriculturaSessões da câmaraTelégrafo
Em Figueiró dos Vinhos o povo reuniu-se e reclamou contra a elevação das matrizes. A força que foi mandada para reprimir os tumultos fraternisa com o povo, e desobedeceu ás ordens da authoridade que a mandara atirar contra os amotinados. A camara dos deputados indeferiu o requerimento dos estudantes de Coimbra. Diz-se que o governo mandára para o Porto um telegramma que concedia aos estudantes um praso para regressarem a Coimbra, findo o qual se começarão a marcar-lhe falta. Em Coimbra reuniu o conselho de decanos, houve nova reunião académica e deliberou-se que o resto dos estudantes partisse para o Porto.
LISBOA 4 DE MAIO DE 1864. (Correspondencia particular)
Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoEconomia e comércioJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAcidentes de trabalhoAgriculturaCaminho de ferroDesabamentosEstacçõesEstradas e calçadasFeirasHomicídiosImpostos e finançasJulgamentosLivros e publicaçõesMercados e feirasObras de infraestruturaPecuáriaPobres e esmolasTouradas
Serei hoje breve e resumido. Os dois factos que teem atraído a attenção publica são os acontecimentos da universidade e a galga do novo Saturno em Lisboa. O facto da universidade é já do dominio da imprensa e do paiz por isso não me occupo d’elle. Disse-vos que a galga do Saturno tem posto os habitantes de Lisboa em sobresalto. O caso é o seguinte. No sabbado, espalhou-se que um vendilhão de alfebra e gergelim furtava as creanças e as assassinava para d’ellas extrahir oleo humano. Como ha nestes casos sempre quem esteja bem informado havia quem tivesse visto o homem levar uma creança ao collo e a mãe procurar a casa do assassino; havia tambem quem o tivesse visto passar por a Boa Hora cercado de soldados e levando n’um saco 30 cabeças de creanças. O caso é que o canard correu e deu entrada na Chronica de um jornal e este publicou-o; na segunda feira aglomerou-se nas visinhanças do tribunal e esteve o largo sempre cheio de povo para ver a sincera e horrenda cara do monstro. Ás nove e meia horas da noite ainda havia gente no largo e no final o caso não é mais do que uma peta. Com que fins se espalharia? Ninguém sabe. No sabbado ás 8 horas desabou a parede que sustentava as asnas de ferro que deviam servir para se levantar o pavilhão onde deveriam entrar os comboyos da estação do caminho de ferro de leste em Lisboa, morreram 4 operários e ficaram 8 ou 10 feridos, o panico foi immenso e no Bairro d’Alfama parecia que uma grande calamidade o atacara—pois que a maior parte das familias dos operários moram neste sitio, e sahiram á rua a procurar os maridos, paes, irmãos etc., era um espectaculo que causava dó ver esta pobre gente toda aterrada. Um dos engenheiros publicou que a causa fora o pouco cuidado dos operários, mas o que é certo, é que a parede tem segundo me dizem dois e meios palmos, e perto de 4 andares de altura, tinha 17 asnas de ferro já parafusadas, e não havia parede alguma onde ellas se aprumassem. O governo que devia mandar examinar este acontecimento até hoje nada fez. Bateo-se a cavilha da fragata D. Pedro V; a este acto assistio el-rei, o que teve lugar pelas 2 horas da tarde, a fragata tem 325 pés. A canhoeira Rio Minho está quasi cavernada e prompta a poder levar as obras interiores e a forrar. A tourada de domingo não prestou, o gado era repontão, os bandarilheiros hespanhoes nada fizeram de notável. Por hoje nada mais posso dizer se não que fui approvado o artigo 1.º do projecto do tabaco na camara dos pares, e que continua a discussão do orçamento das obras publicas, na camara baixa, e que hontem devia verificar-se a interpellação do sr. Thomaz Ribeiro, na camara sobre os acontecimentos, e hontem o sr. duque de Loulé não appareceu, é assim que s. ex.ª ama os princípios liberaes. P.