Inauguração
Transportes e comunicaçõesCaminho de ferro
No domingo passado pela uma hora da tarde chegou de Lisboa, em um comboio especial, a commissão que veio inaugurar os trabalhos da linha ferrea desta cidade para o Guadiana. Feita a ceremonia usada em actos taes, serviu-se um abundantíssimo lunch ao qual assistiram muitos convidados. O lunch foi fornecido da hospedaria do sr. Valladão, nesta cidade.
Fogo
Acidentes e sinistrosSociedade e vida quotidianaBeneficênciaIncêndios
Pelas duas e meia horas da tarde de sabbado passado, deram as torres signal de incêndio. Foi n’umas estrumeiras junto aos muros desta cidade, e julga-se que o fogo foi posto de proposito. Os soccorros foram promptos e extinguiu-se logo.
Nova escola
Educacção e instruçãoMunicípio e administracção localReligiãoEscolasNomeações eclesiásticas
Por despacho effectuado em 8 do corrente mez foi creada na villa de Ferreira n’este districto, uma escola de meninas com o subsidio de 10$000 rs. annuaes, alem da gratificação legal pela camara municipal, e 30$000 rs. annuaes pela junta de parochia.
Tribunal de contas
Justiça e ordem públicaTransportes e comunicaçõesCorreioJulgamentos
Por accordam do tribunal de contas proferido no corrente mez, foi julgado quite para com a fazenda publica, pela sua gerencia, desde o 1.º de julho de 1862 até 30 de setembro do mesmo anno, o director do correio de Mertola Pedro Feliciano Nobre.
Triumpho
Cultura e espectáculoEconomia e comércioPolítica e administracção do EstadoAgriculturaConcertosEleiçõesFeirasFestas civis e populares
Dizem-nos de Portimão: O sr. Bivar teve desta vez muitos inimigos na sua candidatura, porém foram derrotados e bem derrotados, e o sr. Bivar teve no fim da eleição a maior de todas as ovações do povo desta villa. Na segunda feira à noite entrou nesta o povo de Lagoa com uma banda de musica e à frente d’ella uma bandeira que dizia — viva o nosso deputado F. Almeida Coelho Bivar — de maneira que os dias 11 e 12 do corrente foi aqui uma festa nacional. Os agentes do governo só tiveram uma boa lição com a opposição que fizeram ao sr. Bivar, pois da freguezia da villa só tiveram 72 votos por quatrocentos e tantos, e nas freguezias do campo a mesma sorte; em Lagoa tambem houve grande maioria. Está eleito deputado por este circulo o sr. Bivar com 994 votos contra 300 e tantos.
Festa de caridade
Arqueologia e patrimónioExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisReligiãoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAssociaçõesBeneficênciaCrimesEstradasFestas religiosasObras de infraestruturaObras religiosasRuínas e monumentos
(Correspondencia do noticiário) — O immenso prazer que sentimos a ponto de brotar-se-nos uma nuvem de contentamento ao darmos publicidade à magnífica festa, d’essa nobre imprensa da publicidade e da beneficencia, é de nossos princípios; e bem convictos da nossa pouca capacidade, e dos escassos meios de que dispomos, não nos assusta a idéa d’um desfavorável juízo publico; porque com elle contamos; o que realmente nos penalisa, é ser tão debil a nossa voz, que não possamos tecer um elogio, tão digno, quanto merecido, ao povo mourense, que a passos gigantescos, caminha pela estrada do progresso. Sendo pois para nós tão escassa a natureza, não podemos mais do que apresentar os factos só em si destituidos de tudo o brilhantismo e colorido, que uma penna productiva lhe poderá dar, e deixarmos a sua apreciação a talentos mais desenvolvidos, que de certo de nós terão commiseração. Lançai uma vista retrospectiva, antigos mourenses, e confrontai esse solo, que em epochas não muito remotas, nos deixastes tinta com o vosso sangue, e juncado com os nossos corpos, com o delicioso jardim em que hoje se acha transformado, e onde vegetam as productivas plantas da Caridade e união. Vereis os homens de então a reparar os estragos de uma guerra civil, e os de hoje entregues a uma festa de caridade, e n’ella achareis milhares de provas da paz, que o Ente Supremo é servido outorgar-nos. Esta festa é um basar, instituído a favor do montepio, para o que concorreram todos sem distincção de classe, nem prejuízo da ridicula vaidade humana. Ah! se viam quatrocentas e seis prendas, no valor de trezentos e quarenta mil reis, sendo mais de dois terços, a primor da arte, e producto da applicação d’aquellas que com suas virtudes, tambem nos sabem compensar os revezes da vida humana. Sem auxilio externo e no curto praso d’um mez, só o amor do próximo e o bem interpretado espirito de associação, podia fazer que n’uma terra de terceira ou quarta ordem, se debutasse com um valor tal, pois era para nós uma instituição inteiramente estranha; mas onde nada falta para poder competir com as de mais alta categoria e até mesmo sobrepujal-as proporcionalmente. Foram damas das mais respeitáveis pelas suas virtudes e posição, quem distribuíram os bilhetes, acompanhadas por cavalheiros tambem distinctos pelo seu porte e qualidades moraes. Finalmente nada houve a desejar, essas mesmas leves faltas commettidas a inexperiência as desculpa, e não dá lugar à censura e crítica mordaz, que sempre procura uma victima. E para vós mourenses, que ainda respiraes essa atmosphera corrupta do orgulho, ahi vos fica um exemplo, com que podeis consolidar o vosso mal fundamentado monumento d’aristocracia balofa, e que só vos deixa ver por um escuro prisma. E vós tambem habitantes dos povos circumvizinhos, tomai daqui o exemplo para vossos povos refractarios, e ensinai a vossos filhos a desarraigar do coração essa vingança mesquinha, que lhe transmitis, e fazei que aprendam a amar-se com a divisa, com que nos deveis distinguir, a caridade e amor do próximo. Gloria pois ao povo mourense, gloria aos associados em geral e em especial àquelles, que com seu excessivo trabalho tão inequívocos exemplos deram d’observancia aos dogmas da mais pura das religiões. A. A. P.
É indecente
Continuam as estrumeiras junto aos muros d’esta cidade, ha disposições que ellas não permaneçam nestes sítios; porque será que se não hão de obrigar os donos das estrumeiras a removel-as para os terrenos que lhe são determinados?
Demência por amor materno
Cultura e espectáculoEconomia e comércioSaúde e higiene públicaAgriculturaBailesLivros e publicações
Uma mulher de uns vinte e cinco annos, em extremo formosa e vestida ricamente, conta o jornal pariziense o Pays, passava às sete horas e meia do dia dez pela beira do canal, seguida de grande numero de gaiatos, que a perseguiam com gritos e chufas. Ora caminhava com precipitação, ora parava para executar alguns passos de dança. Às vezes erguia os olhos ao céo com gestos de desesperação e cortava essa muda demonstração com estridentes gargalhadas. Outras vezes, embuçando-se no seu chalé, declamava versos de tragédia. De repente, por uma corrida excessivamente rápida, metteu grande distancia entre ella e o seu cortejo de rapazio. Dirigia-se para uma creança de seis annos que andava a brincar à porta de seu pae, negociante de vinhos. A mulher parou um instante defronte do pequeno, contemplou-o, tomou-o nos braços, cobriu-o de beijos e lagrimas, e depois, levando-o comsigo, deitou outra vez a correr precipitadamente e arremessou-se ao canal. Por felicidade, havia perto alguns marinheiros, que acabavam de amarrar um barco, e que se preparavam para irem ao armazem de vinhos, findo o seu trabalho. N’um abrir e fechar de olhos, salvaram a mulher e a creança. No mesmo momento chegaram algumas pessoas que pareciam movidas de funda anciedade. Andavam a procurar a infeliz, que pertence a uma boa família e acabava de fugir d’uma casa de saude situada na vizinhança. Ferida de alienação mental em consequência da morte de seu primeiro filho, tinha sido mandada para aquelle estabelecimento, onde havia dois annos que estava em tratamento. Julgaram-na quasi totalmente curada, e como se pensasse que breve seria retirada do estabelecimento, tinha-se afrouxado um pouco a vigilância até então exercida sobre ella. Mas este acontecimento demonstrou que a sua cura estava muito longe de ser perfeita e foi reintegrada na casa de saude.
Bibliotheca das damas
Cultura e espectáculo
Publicou-se o n.º 29 da terceira serie, contendo o 2.º tomo da Dama das Camélias, romance por A. Dumas filho.
Expediente
Religião
Por falta absoluta de espaço, não publicamos hoje a correspondência do sr. padre Antonio Augusto Pereira, irá no numero seguinte.