BEJA 14 DE DEZEMBRO
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Revista da semana — Recommendoa, por portaria de 4 d’este mez, o sr. ministro do reino, aos administradores de concelho a maior lealdade, vigilância e circomspecção, no recenseamento eleitoral. Esta sollicitude do sr. Martens Ferrão é louvável porque sendo o recenseamento a base de uma eleição, como esta é a base do systema representativo, toda a pureza é necessária para que a agua constitucional, como diz o nosso primeiro publicista, não se corrompa na sua origem e não envenene os que a tomam. Documentos como o de que tratámos é da maior conveniência que sejam conhecidos por todos, por isso, n’outra secção, o offerecemos á apreciação dos nossos assignantes. Cremos que darão por bem empregado o tempo que consumirem na sua leitura. Com o fim de colher esclarecimentos de quaes sejam os instrumentos que devam empregar-se nos estudos hydraulicos, e nos de estradas e caminhos de ferro, foi dirigido pelo director geral de obras publicas, aos engenheiros um officio, e por um decreto foi confirmada a deliberação do governador geral de Moçambique de extinguir a recebedoria particular da capital entregando-a ao thesoureiro da junta de fazenda. No Diario, além d’isto encontramos mais uma portaria do sr. ministro do reino mandando preparar nas administrações de concelho as casas necessárias para o estabelecimento, proximo, das conservatórias, e uma outra do sr. ministro das obras publicas ordenando que as épocas do affilamento sejam, d’ora em diante, fixadas pelos inspectores de pesos e medidas dos districtos attendidas as conveniências dos povos, a necessária economia e o bom regimen do serviço. Desta forma o artigo 6.º do decreto de 7 de março de 1861, fica sem effeito. Também na folha official se encontra uma portaria louvando o facultativo de Villa Flôr pelos serviços prestados em Lagoaça por occasião da epidemia que ali grassou, e o regulamento geral para o serviço dos corpos do exercito. Precede-o um decreto. Não ha outras novidades officiaes a não serem os festejos pela chegada da rainha de Hespanha. D’elles dámos noticia n’outro artigo.
Visita da rainha de Hespanha
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Suas magestades catholicas e suas altezas reaes, o príncipe das Asturias, herdeiro presumptivo da corôa hespanhola, e infanta D. Isabel chegaram na tarde de 11 d’este mez á formosíssima capital do nosso reino e foram officialmente recebidas com todas as demonstrações de attenção e cortezia. Apezar dos aggravos que como homens verdadeiramente amigos da liberdade temos dos martyrios porque D. Isabel II e os seus ministros a leem feito passar, estimamos que a herdeira de Fernando VII fosse acolhida em Lisboa com a proverbial fidalguia da nossa patria. Recebendo os reaes hospedes como os recebeu o governo fez-se o que se devia fazer mormente sendo uma senhora, a visitante. Se com homens se deve usar da cortezia com as damas ainda mais. Mas que não fosse uma senhora o chefe de estado da nação visinha dever-se-hia tratar com todo o brilhantismo porque as festas não significam só graciosidade e deferencia para com a pessoa do rei; são mais alguma cousa—são um tributo de respeito pelo povo que o visitante representa. Longe das festas impossível nos era descrevel-as, por isso soccorremo-nos aos jornaes da capital e delles transcrevemos o que dizem a tal respeito. Ouçamos o Jornal de Lisboa: «Conforme estava annunciado, esta manhã se começou a dispor tudo para a recepção de sua magestade catholica a rainha de Hespanha. A estação do caminho de ferro de leste estava exteriormente decorada com bandeiras portuguezas, hespanholas e italianas. Pela parte interior viam-se tropheus, e pendiam colchas das janellas. Na plataforma foram admitlidas além das pessoas que officialmente iam esperar a real visitante outras que haviam recebido convite da companhia. N’aquelle local achava-se a banda da guarda municipal de Lisboa tocando differentes peças de musica. Logo pela manhã foi para defronte da estação do caminho de ferro de leste a corveta do systema mixto Bartholomeu Dias. Cerca das duas horas da tarde collocaram-se as divisões, compostas do batalhão de caçadores n.° 2, que formou á direita, regimentos de infanteria n.os 1, 2 e 7, e batalhão de caçadores n.° 5, e regimentos de infanteria n.° 10, 16 e 18 sob o commando do marechal sr. conde de Santa Maria. Toda a divisão formada em linha se achava postada desde o caes dos Soldados até o campo das Cebolas. Toda a força estava de grande uniforme e em ordem de marcha, no melhor aceio. A força montada era composta de lanceiros n.° 2 e cavallaria n.° 4. Uma parte da guarda municipal de cavallaria e infanteria coadjuvaram efficazmente toda a policia, havendo a melhor ordem. Perto das tres horas da tarde a corveta Bartholomeu Dias, que estava embandeirada nos topes, embandeirou em arco, com o pavilhão hespanhol no tope grande, subindo a marinhagem ás vergas. Foi o primeiro signal de se haver avistado o comboio que conduzia a Lisboa sua magestade a rainha de Hespanha e toda a comitiva. Assim que o comboio chegou á plataforma e se verificou o desembarque de sua magestade catholica, uma girandola de foguetes subiu aos ares. Então a marinhagem deu os tres vivas do estylo, e a corveta Bartholomeu Dias saudou a augusta visitante com vinte e um tiros. Na estação esperavam-a suas magestades D. Luiz e D. Fernando, grandes do reino, ministério e a muitas outras pessoas da corte. O sr. infante D. Augusto havia partido hontem á noite para Elvas, regressando daquelle ponto com a comitiva hespanhola. Eram nove as carruagens que conduziram a comitiva real. As primeiras carruagens eram tiradas a quatro, principiando pela dos dois ajudantes de campo d’el-rei o sr. D. Luiz e dois dos de Hespanha. O general Narvaez, presidente do conselho de ministros em Hespanha, ia com o sr. duque de Loulé em carruagem de dois logares. Em outra carruagem ia o príncipe das Asturias, herdeiro presumptivo da corôa de Hespanha. Via-se em outra a princeza de Hespanha D. Isabel. A carruagem em que ia o rei de Hespanha, sr. D. Francisco de Assis, acompanhado d’el-rei o sr. D. Fernando, era tirada a seis cavallos. Na ultima das nove carruagens via-se sua magestade catholica a rainha de Hespanha e o sr. D. Luiz. Tanto a rainha D. Isabel II como sua filha trajavam vestidos azul celeste com rendas brancas. Depois das nove carruagens luxuosas da casa real, seguiam-se outras do serviço ordinario, que conduziam alguns militares hespanhoes que faziam parte da comitiva, os ministros de estado effectivos e honorarios, e outras pessoas que fazem parte da corte. Assim que todas as carruagens da casa real passaram, indo na frente a cavallaria, a força de infanteria desfilou para os quarteis depois das quatro horas e meia da tarde. A corveta Bartholomeu Dias suspendeu logo ferro e seguiu para defronte do paço de Belem afim de se reunir á divisão. A’s cinco horas da tarde salvaram os navios da divisão fundeada em Belem por haver sua magestade catholica chegado ao paço da sua residência. A concorrência de povo era extraordinaria em todas as ruas por onde passou o cortejo, apezar do trajecto ser bastante longo. As janellas estavam todas litteralmente cheias de damas. A’ noite illuminou-se a estação dos caminhos de ferro portuguezes. A fragata D. Fernando illuminou-se brillantemente, e nas corvetas, Bartholomeu Dias, Estephania, Gago Coutinho, Pedro Nunes pozeram-se fogos de Bengala.» Agora vejamos o que se passou no dia seguinte. Diz o Jornal do Commercio do dia 12: «A recepção no paço de Belem principiou hoje a o meio-dia e terminou a uma hora dada. A guarda de honra foi feita pela infanteria da municipal que ao mesmo tempo policiava a praça de D. Fernando, formando-se do lado do palacio e por entre as quaes passaram depois as tropas em continencia. Em seguida desta revista foi feita a retirada das tropas na direcção das suas respectivas praças em linha. Extraordinária era a concorrência do povo n’aquelle local, e nem melhor podia ser ainda depois da retirada das tropas por se verificarem ahi milhares de pessoas de todas as classes, principalmente só por curiosidade. A parte do passeio do dia 11 não foi a mais vistosa do palacio e do paço de Belem. A entrada do palacio e do paço da Ajuda apresentava-se com esplendor e magnificencia. Os beijos foram mais efficazes ainda depois; isto prova que o esplendor do dia muito contribuiu para ainda mais o realçar. Em todo o caso estavam centenares de hespanhoes entre o povo, e eram conhecidos bem pelo seu modo de trajar. Pedida a licença á rainha para desfilarem es tropas, foi um ajudante de ordens chamar as carruagens com os seus cavalos. Na frente da divisão e somente acompanhado por quatro officiaes do seu estado maior, ia o sr. conde da Ponte de Santa Maria, marechal do exercito e commandante da 1.ª divisão militar. Seguiram-n’o immediatamente seis baterias de artilheria de campanha do regimento n.° 1 e a 7.ª de montanha do 4.°, todas por divisões ao passo. Apoz a artilheria passaram os regimentos de cavallaria n.° 2 de lanceiros da rainha, n.° 4 de caçadores e a municipal, todos em columnas de meios esquadrões e também ao passo. Esta brigada era commandada pelo sr. general Maldonado e apresentou-se na força de pouco mais de 700 cavallos. Seguiu finalmente a divisão de infanteria formada por duas brigadas: tal/ commandada pelo sr. general Maldonado, e composta pelo batalhão de caçadores n.° 2 e regimentos de infanteria n.os 1, 2 e 7; a segunda commandada pelo sr. general Magalhães e formada pelo 5.° batalhão de caçadores e regimentos de infanteria n.os 10, 16 e 18. Todos os corpos desfilaram por entre as alas da municipal de infanteria, em columna aberta de pelotões a passo ordinário. Diante de ss. mm. da rainha e d’el-rei de Hespanha, descobriam-se as bandeiras dos diversos corpos que passavam pela frente. A infanta D. Isabel trajava um vestido de setim preto com uma sobre saia de glacé cor de peito de rola. Broche e brincos de brilhantes, e o cabello bem penteado, mas sem enfeites alguns. A rainha vestia de branco e cor de rosa; e o sr. D. Luiz vestia-se o fardamento do batalhão de caçadores n.° 2. Assim que as tropas acabaram de desfilar, ss. mm. levantaram-se, saudaram o povo e retiraram-se.» Foi isto o que se passou pela manhã. Agora perguntamos aos leitores se tiveram noticia do que houve á noute. Diz o mesmo jornal: «A’ noite assistiu sua magestade a rainha D. Isabel ao espectaculo em S. Carlos. O exterior do theatro apresentava um majestoso effeito. Quatro renques de focos de gaz, em numero de 560, conforme no livro do passeio da fronteira e ao redor, e no lado, e em frente das armas reaes, e na balaustrada da varanda. Do lado do mar Nova do Wanyttes o theatro estava illuminado com lanternas. Eram nove horas e vinte e cinco minutos quando a rainha chegou ao theatro, e cinco minutos depois compareceu na tribuna com el-rei s. ex.ª o sr. presidente do conselho, e os ministros portuguezes. A rainha D. Maria não assistiu ao espectaculo. A rainha ao chegar á tribuna fez um galantissimo cumprimento ás senhoras dos camarotes, voltando-se para um e outro lado da sala, e depois aos espectadores da platéa. A sala apresentava um espectaculo imponente. As senhoras todas em pé, elegantíssimas, gallas das mais ricas e gallas brancas, com muitas das quaes saudavam com os seus brilhantes: os espectadores da platéa estavam quasi todos de casaca, gravata branca e luvas brancas. A decoração do theatro era verdadeiramente de luto. Duzentas e vinte e quatro luzes de gaz tinham as serpentinas collocadas nos camarotes, com 226 bicos, que tem o theatro, eram 450 as luzes que illuminavam a sala. Apenas suas magestades appareceram na tribuna, a orchestra executou a marcha nacional hespanhola, conservando-se suas magestades em pé. Finda a marcha começou o espectáculo. Na porta de entrada para a tribuna real, armou-se um alpendre todo desetim, illuminado com um renque de luzes em torno do alto da cimalha. A illuminação da franjaria e a armação do alpendre e sua illuminação foram á custa da empresa, não dependendo menos 700 a 800$000 reis as obras, e estavam bem dispostas. A tribuna real tinha cortina nova, e as salas foram de novo forradas de papel, e uma mobilia de novo. Estava esplendida. S. m. a rainha vestia de branco e côr de rosa, e requintadissimos ornatos e adereços de brilhantes. No camarote do sr. conde de Farrobo estavam as senhoras do corpo diplomatico. A’ meia-noite ainda as pessoas reaes estavam no theatro, e havia acabado o 3.° acto do espectaculo, que era o 3.° da opera os Lombardos; faltavam ainda o baile e o 5.° acto do Fausto.» Da que se passou na manhã do dia immediato dá-nos o Jornal de Lisboa noticia seguinte: «Sua magestade catholica a rainha de Hespanha foi esta manhã á grandiosa igreja dos Jeronymos, onde visitou todas as capellas ouvindo missa, acompanhada do padre Claret e de parte da sua comitiva. Finda a cerimonia religiosa, dirigiu-se sua magestade catholica ao paço da sua residência, e depois acompanhada de d’el-rei o sr. D. Luiz foi para o caes de Belem a fim de darem um passeio pelo mar. Achavam-se no caes quatro ricos bergantins e oito escaleres, que levaram suas magestades a rainha de Hespanha e o seu esposo, príncipes, e el-rei o sr. D. Luiz, e a comitiva da augusta visitante. Toda esta brilhante comitiva navegou, com as solemnidades do estilo até o Dafundo. Logo que as pessoas reaes embarcaram, salvaram os navios de guerra com vinte e um tiros, subindo a marinhagem ás vergas. Assim que chegaram ao Dafundo, voltaram para o caes e de lá a comitiva dirigiu-se para o arsenal da marinha. Ali era esperada a real comitiva pelo ministerio, major general da armada e seus ajudantes e mais alguns officiaes superiores da marinha. Dentro do arsenal estavam poucos circumstantes, por ser vedada a entrada n’aquelle estabelecimento. Sua magestade catholica e todas as pessoas da comitiva real demoraram-se pouco tempo porque se dirigiram depois á casa da inspecção, mas tiveram lá ao menos alguns minutos. Toda a familia real hespanhola e portugueza foi em carruagem descoberto pela rua Auva, rua oriental do Passeio, seguindo pela rua do Ouro, rua Nova do Carmo e Chiado até á egreja de S. Roque. Todas estas ruas estavam litteralmente cheias de povo, a ponto de um piquete de batalhão municipal, que vinha em frente, ter com difficuldade passagem para a comitiva real. Sua magestade catholica visitou com toda a magnanimidade a riquissima capella de S. João Baptista, instituida pelo sr. rei D. João V, na egreja de S. Roque, e viu tambem o estabelecimento dos expostos. Nesta visita demorou-se a comitiva cerca de uma hora e meia, saindo depois ás Ave-Marias, pela Patriarchal. A’ noite houve no Tejo o combate simulado.» Eis o que diz o mesmo jornal: «Verificou-se hontem, o combate naval simulado, em frente do paço de Belem. Achava-se no centro a fragata D. Fernando, tendo a boreste pela amura de estibordo, a corveta Bartholomeu Dias, e pelo de bombordo, o brigue Pedro Nunes; para oeste para alheia da estibordo da fragata, a corveta Estephania, e por alheia de bombordo d’esta, a corveta Gago Coutinho. A’s oito horas da noite principiou o combate simulado, entre os navios da divisão. Principiou o combate com fogos por filas, em ambos os bordos, successivamente em todos os navios; seguindo logo o fogo por divisões, a bombordo, lado do norte, e por bandas por estibordo. Depois deste soldado (D. Fernando) o combate começou a fogo á vontade, dando-se conjunctamente fogo de fuzilaria. Assim que terminou esta batalha naval, subiram os navios ás vergas, com foguetes, e deitaram todos uma salva, dando vivas a sua magestade catholica, b'rando depois uma salva geral em toda a divisão. Depois as guarnições formaram na borda dos navios, como para a abordagem, apresentando differentes fogos de cores, que mostravam lindo matiz. Foi mais uma demonstração de boa e inalteravel harmonia, que existe entre duas nações amigas, como são Portugal e Hespanha. A marinha portugueza mostrou-se verdadeira e militar, e que sabe apparecer em todo o aperto com a provada perícia, que lhe é peculiar. Concluindo o combate dirigiram-se ss. mm. á Ajuda, onde teve logar um esplendido baile. Hoje pelas 12 horas do dia, em comboio partiram os srs. D. Luiz e D. Fernando para os sms. acompanharam os reaes Catholicos de Hespanha até á estação dos caminhos de ferro. O que desejamos é que a familia real hespanhola conserve gratas recordações d’esta terra, berço da tolerância, e couto da liberdade na peninsula.»
Circular do sr. Martens Ferrão, sobre o recenseamento eleitoral
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DIRECÇÃO GERAL D’ADMINISTRAÇÃO POLÍTICA 1.ª REPARTIÇÃO — Circular — Approximando-se a epocha em que, segundo a lei, devem começar as operações preparatorias da revisão do recenseamento eleitoral; e sendo conveniente e opportuno adoptar providencias tendentes a evitar, quanto seja possível, a repetição das irregularidades e omissões que nos annos anteriores mais frequentes se teem dado, obviando ao mesmo tempo a duvidas suscitadas sobre este importante ramo de serviço: lu sua magestade el-rei por bem, conformando-se com o parecer do conselheiro ajudante do procurador geral da corôa junto do ministerio do reino, ordenar o seguinte: 1.º Que os administradores de concelho, comparecendo, como lhes cumpre, na reunião dos quarenta maiores contribuintes, a qual, nos termos do artigo 7.º, § 3.º, da lei de 23 de novembro de 1859, deve effectuar-se no dia 11 de janeiro proximo, se empenhem com diligencia pelo exacto cumprimento da lei, verificando se deixam de concorrer algumas das pessoas que são obrigadas a intervir na eleição das commissões recenseadoras, promovendo que nas actas respectivas se faça menção d’essas faltas e que se extraiam as copias de que trata o artigo 42.º da mesma lei para os effeitos devidos, na intelligencia de que só podem ser isentos da correspondente penalidade os que faltarem por alguma das duas causas taxativamente declaradas no § 6.º do artigo 41.º «molestia ou consternação de família por fallecimento de algum de seus membros»; 2.º Que em cada uma das hypotheses declaradas no do citado artigo 41.º se façam duas actas; uma em que na primeira dellas se mencione circunstanciadamente tudo o occorrido na sessão, apontando-se as pessoas que estiverem presentes, assim como as que faltaram, e as escusas apresentadas; e que na segunda acta somente se declarem os nomes dos que deixaram de comparecer sem haverem justificado in continenti a sua falta, para lhes ser imposta a pena correspondente pela fórma estatuhida nos artigos 42.º e seguintes da citada lei; 3.º Que os administradores de concelho observem se as commissões recenseadoras se constituem, como devem, no dia 18 do sobredito mez de janeiro, e se nos termos da lei, publicam por editos os dias, hora e local das suas reuniões para conhecimento dos interessados; cumprindo que para esse fim os referidos magistrados assistam áquelle acto; 4.º Que vigiem igualmente se as mesmas commissões procedem com a necessária exactidão e com respeito ás diversas partes do processo da revisão do recenseamento, cujos prasos são fixados nos termos da lei em relação dos seus actos, a fim de que o livro do recenseamento esteja impreterivelmente organisado no dia 11 de fevereiro, na conformidade do artigo 10.º da mesma lei; 5.º Que attendam também, com todo o zêlo, ás operações da revisão, para que na inscripção dos eleitores, elegíveis, jurados e mais contribuintes se guardem escrupulosamente os preceitos da legislação em vigor, reclamando e interpondo os competentes recursos nos casos em que as ditas commissões se afastem de taes preceitos; 6.º Que observem semelhantemente se ás sessões das commissões assistem todos os indivíduos que as compozerem, e as pessoas que devam fornecer-lhes os necessários esclarecimentos, para, no caso contrario, lhes serem impostas as penas estabelecidas na legislação eleitoral; 7.º Que fiscalisem igualmente, com escrupuloso cuidado, o exacto cumprimento dos preceitos estabelecidos nos artigos 11.º a 15.º, 17.º §§ 2.º e 3.º, 18.º, e 19.º da lei eleitoral, dando conta immediatamente, sob sua responsabilidade, de que qualquer falta ou irregularidade que occorrer; na intelligencia de que sendo a apresentação das reclamações, feitas pelos interessados no recenseamento á commissão recenseadora no praso marcado no § 2.º do citado artigo 11.º, deve assistir, como assiste aos de mais actos, a maioria da commissão, e não sómente alguns de seus membros em numero insufficiente para a constituição d’aquelle corpo collectivo. O que tudo se participa aos governadores civis dos districtos do continente do reino e ilhas adjacentes, para seu conhecimento e effeitos devidos. Paço da Ajuda, em 4 de dezembro de 1866.—João Baptista da Silva Ferrão de Carvalho Martens.
CORRESPONDENCIAS
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Ao ex.mo ministro do reino — Beja 12 de dezembro de 1866. — Sr. redactor.—Não venho fazer da imprensa estatua de Pasquino, nem tão pouco instrumento de vinganças mesquinhas, que rebaixam sempre quem as pratica, e que só são próprias d’almas rachiticas, e tacanhas. O nosso fim é inteiramente diverso: nossa mira é mais nobre e mais sublime. Trilhámos sempre o caminho da honra, para não descermos aguia a pomba. Temos respeitado sempre os nossos superiores e eguaes, e inferiores, em harmonia com os principios que nos legaram nossos mestres. Fomos e somos sempre superior a toda e qualquer vingança, ou maledicencia nefasta, que se nos proponha, quando não venha d’encontro com a nossa honra, e reputação, porque não abaixamos a fronte, receiosos de que as nossas faces possam mudar de côr: por termos sido injustos, para com pessoa alguma, e usado de armas traiçoeiras, como accusar etc. Os nossos escriptos teem por cunho a verdade, sujeitando-a á critica judiciosa e imparcial para os contestar, se achar fundamento para isso, porque a verdade é unica e exclusivamente a nossa arma contra os punhaes e revolveres. Eis pois, sr. redactor a maneira, porque venho hoje tambem advogar a justiça que assiste ao sr. Eugênio Jorge da Graça que possue a cadeira de francez e inglez do lyceu d’esta cidade, assignando-me aos meus compatriotas, que pela imprensa teem advogado a sua causa. Não venho falar das desintelligencias pelos reparos e conservação da mesma que o sr. Thomaz Nobre de Carvalho tem com o corpo e [ilegível] e muitos menos dos motivos ou pontos, que concorreram para tal porque por ora pomos ponto. Venho unicamente mostrar, e indicar os meios por onde s. s.ª pode conhecer a superioridade do sr. Graça, e as habilitações, difficuldades, e serviços, que o recommendam para o magisterio. Somos superior, sr. Nobre, a qualquer procedimento menos justo, que s. s.ª tivesse para comnosco, para deixarmos de advogar a sua causa, se estivéssemos convencidos, que lhe assistia justiça, e estivesse nas condições especiaes em que se acha o sr. Graça. Se duvida do que advogamos, mande tirar no lyceu de Lisboa certidão dos exames do sr. Graça, e verá a superioridade, que elle tem sobre s. s.ª. Se quizer ir á escola polytechnica, e aulas do commercio, ahi encontrará uma frequencia distincta; se quizer conhecer os serviços do sr. Graça vá á subinspecção geral dos correios, e ahi verá que só no correio de Lisboa serviu 10 annos, e seis no d’esta cidade; se quer saber a maneira distincta, porque se houve como professor n’este lyceu e qual o bom resultado do seu ensino, peça ao ex.mo ministro do reino, que mande ouvir o conselho do lyceu para ver as nossas asserções, corroboradas tambem gratuitamente por cavalheiros, cujo saber, honradez e probidade tem merecido a estima, e respeito dos habitantes de Beja. Finalmente consulte o ex.mo sr. Magalhães Coutinho, que ainda deve estar lembrado de ter nomeado o sr. Graça para amanuense da sociedade das sciencias medicas, pelo facto de reconhecer n’elle muita intelligencia, e conhecimento cabal das linguas allemã, franceza e inglesa. Consulte o sr. dr. José Maria Ganço d’Almeida, digno delegado de saude, e intelligente professor do lyceu, ácerca do conceito que mereceu o sr. Graça na escola polytechnica aos seus condiscipulos, o lentes, e saberá que foi o 1.º distincto do seu curso. Por tanto, pode v. s.ª, sr. Nobre, ou os meus proselytos se é que os tem, stigmatisar-nos de procedermos mal; em nome da instrucção, sem motivos, que já é o pão, que a gente sensata, e amante da verdade espera do digno ministro do reino. Jornal do Commercio, Jornal de Lisboa, Diário Popular, e a Presse, onde pela terceira vez se pede justiça para o sr. Graça; porque outra cousa não precisa elle, além das suas óptimas habilitações. A.
Aljustrel 9 de dezembro de 1866
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Sr, redactor.—Ha de haver dez annos, que as cunharias desta freguezia foram extinctas e os seus rendimentos applicados para a casa pia d’essa cidade. Por este facto ficaram os respectivos templos em miserável abandono e desamparo, por lhes ser tirados os recursos de que podiam dispôr, e como consequencia foram cabindo em ruínas as egrejas de N. S. do Castello, e de Santo Antonio. Mas o que a lei da extincção não providenciou, providenciou a piedade religiosa dos fieis; e neste sentido, foi creada, em ha pouco, na villa de Aljustrel, uma commissão composta dos srs. Joaquim Pedro de Sousa Pincão, presidente —Romão Lhão Fernandes, thesoureiro —Reverendo prior Lourenço José de Matos, Antonio Joaquim Godinho de Barahona, vogaes—Antonio Teixeira dos Santos, secretario, para examinar o estado de ruína da egreja de N. S. do Castello, proceder ao orçamento das despezas necessárias para a sua conservação e á acquisição dos meios necessários, por meio de esmolas e [ilegível]. Esta commissão desempenhou com zelo e actividade como se vê das obras feitas, o encargo a que voluntariamente se votou; terminando a pintura das terras hontem de manhã, procedeu de tarde o reverendo paroch o á benção da egreja, sendo acompanhado n’esta solemnidade pelo reverendo vigário da vara, o sr. padre Frederico Guilherme Ramos Cid, e pela philharmonica desta villa.—Concorrendo tambem a maior parte da população. Hoje teve lugar a procissão de regresso de N. S. do Castello para a sua egreja, onde se celebrou missa solemne com instrumental, e orou o reverendo prior de Matos; a esta assistiu toda a gente da villa e sua vizinhança, que por doença, ou outra causa legitima não estava impossibilitada. A oração que o reverendo amador proferiu agradou a todos; combateu elle a indifferença religiosa, mas fê-lo, com tanta candura, e com argumentos tão palpáveis e adaptados ao facto que se acabava de praticar, e n’uma linguagem tão correcta e clara que, sem receio de errar, ouso affirmar que foi por todos comprehendida. Para se ser religioso não é necessário ser fanático. Para se amar a Deus não é preciso incutir no animo do povo os horrores do inferno com que elle nos ha de castigar... Pois não se ama pela dor. Este povo é religioso; fanatismo não lhe diviso. As obras que agradam a Deus tenho-lhas visto praticar. Vi-o concorrer para minorar as desgraças das victimas da febre amarella, vi-o contribuir para as desgraças que em Cabo Verde lutaram com a fome, vi-o hoje, finalmente, concorrer abundantemente para a reparação dos templos onde se presta o culto a Deus. Bem haja pois á illustre commissão que tão energicamente desempenhou a missão que se impuz, e a todos os que com suas esmolas concorreram para tão piedoso e util fim. A egreja de Santo Antonio já se acha também reparada e bastante adiantada a sua pintura. Os dignos festeiros juiz e thesoureiro, o sr. padre Frederico Ramos Cid, e o sr. Francisco Manilhas são dignos de louvor, pelo zello que n’esta obra teem desenvolvido. Quando não é illudida a applicação do obulo do povo, quando os que tomam a iniciativa em obras d’esta teem uma reputação illibada, e se lhe nota a honestidade, como norma da sua vida publica e particular, o resultado é o que aqui se deu com a reparação e ornamento d’estes dois templos. Um observador
Moura 6 de dezembro de 1866
Economia e comércioEducacção e instruçãoMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localAgriculturaColheitasInstrução públicaSecas
Sr. redactor.—Os lavradores d’este concelho que maldiziam já a sua sorte, porque viam nascidas mas enfesadinhas as poucas sementes que haviam deitado á terra, deixadas pelos damninhos passares, que teem a admirável prespicacia de as desenterrar, acham-se já mais animados depois das chuvas que caíram, porque os campos já apresentam uma especie de panorama agradavel. É certo que, como observámos antes da chuva apparecer, as arvores, afinal, se divisavam; isto era por cá onde as terras são de outra tempera do que as de outras partes, e que difficilmente supportaram uma secca. Soube-me por um conhecido lavrador que, elle mesmo lançando á terra 20 alqueires de semente apenas agora tem apparecido alguma nascida, não excedendo a 4 ou 5 alqueires approximadamente. E com estas notícias que pronosticavam um anno de ruim colheita, por um hoje teem melhores esperanças, devidas á mudança do tempo. Se a chuva vier com a mesma divisão e brandura como a que ultimamente veio, será de certo para os campos d’este concelho, um optimo adubo com o que todos poderão folgar; e talvez, atrevome a dizel-o, os monopolistas de searas. Estes campos parecem em geral pouco productivos; porem havendo uma soffrivel colheita pode dar para exportação, posto que em pequena abundancia. Parece o seu solo bem inferior e de pouca fertilidade; todavia temos notado que todas as plantas n’elle são bem creadas, e que produzem mais que regular, sendo os seus fructos magnificamente grandes. O que é pena é que não haja quem se tenha dedicado ao seu fabrico, e plantado arvoredo; pois apenas aqui ou além se vê uma ou outra arvore, bem como hortas, etc. Desejava sobre isto ter alguma instrucção; pois então poderia mais ampla e efficazmente fallar; mas com tão poucos predicados cumpre-me deixar o campo aos seus verdadeiros proprietários; e elles que com todos os cabedaes da sciencia sabem planear e pôr em execução seus projectos. J. F. B. Bravo.
Festividades
Cultura e espectáculoExércitoJustiça e ordem públicaReligiãoBanda militarCrimesCulto e cerimóniasFestas religiosasNomeaçõesNomeações eclesiásticas
No sabbado, festejou-se no convento das religiosas de Nossa Senhora da Conceição, a Padroeira do reino. O templo estava vistosamente adornado, mas a capella mór destacava do resto da egreja pelo bom gosto que presidio á sua decoração. O throno estava bem illuminado e a distribuição de flores pelos degraus d’elle que pela ida foi feita com acerto. Aquelle conjuncto de luzes, flores e sedas era primoroso. Na véspera cantaram-se matinas e no dia da festividade missa. Alguns solos sahiram bem sobretudo o de Laudamus e Qui sedes. Orou de manhã o sr. padre Feio, e de tarde o sr. padre Roma o Presas. Muitos dos principaes cavalheiros d’esta terra assistiram á festividade. Outra—Festejou-se hontem na igreja matryz a martyr Santa Luzia. De madrugada houve muito [ilegível] e instrumental, e á noute ladainha por musica e sermão. Orou o sr. dr. Emigdio que agradou ao numerosissimo audictorio. A banda do regimento 17 d’infanteria tocou pela manhã e á noute á porta da egreja e acompanhou ao acto da posse, os festeiros. Para o anno foram escolhidos para juiz da festa a ex.ma abadessa do Santa Clara, para escrivã a ex.ma escrivã da mesma communidade e para thesoureiro o reverendo padre Alexandre Ramos Cid, prior da mMriz.
Sahida do destacamento da tropa
Economia e comércioExércitoTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroFeirasMovimentos de tropas
A fim de render o destacamento de infanteria n.° 17 que se acha em Evora, partio na segunda feira, pelo caminho de ferro, um outro do mesmo regimento.
Necrologia
Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisSociedade e vida quotidianaFalecimentosFeiras
Falleceu na segunda feira, de madrugada, a sr.ª D. Felisarda Maria de Menezes, de 104 annos de edade. Esta senhora cosia sem auxilio de oculos até ha pouco tempo.
Crime em estrada
Justiça e ordem públicaTransportes e comunicaçõesEstradasHomicídiosObras de infraestrutura
N’um dos dias da passada semana, segundo nos informam, um hespanhol que de Mertola seguia para esta cidade foi acometido no caminho pelo estafeta Flores ou Florido d’aquella villa que puxando de uma faca o obrigou a entregar-lhe o dinheiro que trazia. O hespanhol entregou um duro (que era o que tinha) e o estafeta que achou pouco tirou-lhe o capote. O desgraçado hespanhol que se vio roubado, e temia ser assassinado largou a cavalgadura e fugiu entrando n’esta cidade onde se queixou á auctoridade competente. Este tratou de sindicar e chegando ao conhecimento de que era veridico o que o hespanhol dizia, chamou o ladrão á sua presença, o qual não negou o crime mas quiz attenual-o dizendo «que o que havia feito era uma brincadeira». O sr. administrador, restituído o dinheiro pelo estafeta ao hespanhol, mandou aquelle em paz.
Proclamas
No dia 8 d’este mez fizeram-se, nas freguezias da cidade, os proclamas seguintes: Joaquim Manoel Engana, com Maria José, solteiros. José Vicente da Palma, viuvo, com Antonia Rita, solteira. João Custodio Guerreiro, com Maria das Pedras-Alves, solteiros. E no dia 9: José Vicente da Palma, viuvo, com Antonia Rita, solteira. João Custodio Guerreiro, com Maria das Pedras-Alves, solteiros.
Erratas importantes
Cultura e espectáculoTeatro
Na noticia o novo theatro e na recapitulação onde se lê 06:45# faça-se 5$:420. na linha seguinte, onde está 52:434 deve ler-se—52:435 e na linha onde diz 545:665 deve ler-se—546:653.
Estradas
Economia e comércioTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacçõesEstradasObras de infraestrutura
Eis a nota da despesa feita no 4.º trimestre de 1863 com as estradas d’este districto: Estrada de Beja a Alcácer — Trabalhos de construcção 1:945$860; Pessoal technico e administração 272$205; Trabalhos graphicos 38$555; Conservação dos lanços concluídos 699$335; Somma 2:955$955. Estrada de Beja a Mertola — Trabalhos de construcção 2:844$480; Pessoal technico e administração 92$780; Trabalhos graphicos 125$140; Conservação dos lanços concluídos 91$000; Somma 3:153$400. Ramal das Sobranas a Villa Nova de Baronia — Trabalhos graphicos 1$240. Estrada de Portel á Cuba — Trabalhos graphicos 50$070. Estrada de Ferreira a Sines — Trabalhos graphicos 29$765. Ramal de Alvito á estação do caminho de ferro — Trabalhos graphicos 49$960. Estrada de Alcácer, ás Alcáçovas — Trabalhos graphicos 338$585; Pessoal da direcção 701$340.
Nascimentos
Transportes e comunicaçõesCorreio
O Correio de Natividades diz o seguinte: Uma mulher de Armamar deu á luz uma creança com duas boccas, dois narizes e quatro orelhas. Em uma das boccas tinha alguns dentes.
Accusamos a remessa
Cultura e espectáculoEducacção e instruçãoInstrução públicaLivros e publicações
Recebemos e agradecemos o [ilegível] jornal litterario e instructivo de que são proprietarios os srs. L. A. R. de Mesquita, M. J. Monteiro e J. H. Cunha. Ao novo collega desejamos longa vida.
Matrimonios
Justiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisCrimes
Diz a Beira de [ilegível] o seguinte: 1.º—Preguiça isto é. 2.º—Mentira a tempo. 3.º—Murmuração perpetua. 4.º—Hypocrisia constante. 5.º—Vangloria sempre. 6.º—Golosina, com disfarce. 7.º—Odio mascarado. 8.º—Vingança, com excesso. 9.º—Intriga delicada. 10.º—Abjuração do sofrimento. 11.º—Apologia do proprio crime. 12.º—Calumnia da virtude alheia.
EstatísticasPolítica e administracção do EstadoRepartições públicas
Quanto [ilegível] o bicho?—Diz o K[ilegível] Trato que um empregado publico do districto de Vizeu dirigiu o seguinte officio á repartição competente: «Ex.mo sr.—Vou perante v. ex.ª imprecar a exacção de 14 folha de papel para o primoroso acabamento do mappa da repartição do corrente anno, isto no menor sucinto, que a v. ex.ª seja possível. 29 de novembro etc.»
Cautela que deve haver no tarso das conservas
Sendo o sulfato de cobre um corpo muitíssimo venenoso, e acontecendo algumas vezes as conservas terem pequenas porções d’elle; por serem de cobre os vasos em que os fabricantes as fazem: julgamos conveniente ensinar aos nossos leitores uma maneira muito simples de o conhecer. Introduzindo no frasco que contém a conserva uma faca ordinaria de ferro, ella nos apparecerá manchada de vermelho, quando ali existir alguma porção de sulfato de cobre. A mancha vermelha é devida ao cobre que se precipitou sobre o ferro. Se pelo contrario a faca nos apparecer da mesma maneira que a introduzimos, podemos affirmar que a conserva não contem sulfato de cobre e se acha em bom estado.
Ah santa relíquias da Paixão
Arqueologia e patrimónioReligiãoEpigrafiaFestas religiosasRestauro e conservacção
1.º—O pau da cruz.—As maiores porções estão na cathedral de Paris, na egreja de Santa Cruz de Jerusalém, e em Roma. 2.º—A inscripção da cruz.—A taboinha sobre a qual estava a inscripção J. N. R. J. está igualmente na egreja de Santa Cruz em Jerusalém, que foi construída para conter o pedaço da cruz, e a taboinha. 3.º—A corôa de espinho.—Está na cathedral de Pariz, mas desprovida de espinhos, que foram distribuídos por differentes egrejas. 4.º—Os pregos—O primeiro foi lançado no mar Adriático por Santa Helena, para apaziguar as tempestades contínuas d’aquelle mar; o segundo formou a celebre corôa de ferro dos reis de Italia, e o terceiro está na cathedral de Paris. 5.º—A esponja—Conserva-se em Roma na egreja de Latran. 6.º—A lança—Está também em Roma. 7.º—O lençol—A cidade de Turim crê tambem possuir o panno de linha, com que Verônica limpou o rosto a Christo. 9.º—A túnica—Está na egreja de Argenteuil. Foi dada por Carlos Magno ao prior de Argenteuil, onde sua irmã era abbadêça. 10.º—A columna da flagelação,—Está na egreja de Saint Praxedes em Roma. Foi levado para Roma no começo do decimo terceiro século.
Preços por que correm os generos em Beja
Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
Trigo alqueire 530 reis; Milho 400; Centeio 400; Cevada branca alqueire 360; Feijão 900; Chicharo 400; Fava 400; Grão de bico 750; Batatas 320; Azeite almude 3:400; Vinho 1:100.
EXTERIOR
ExércitoMovimentos de tropas
Paris, 6.—Diz o «Moniteur» que se tem expedido ordens para preparar a saída das tropas francezas do Mexico. Não veio nenhuma noticia digna de credito depois do primeiro de novembro.
EXTERIOR
ReligiãoCulto e cerimónias
Florença, 5.—Diz a «Gazeta» que Vegezzi renovou a missão de Roma, que foi confiada ao conselheiro de Okello e ao advogado Marinsio.
EXTERIOR
Paris, 7.—A «Patrie» diz que o projecto de ajustes da parte das potências catholicas, que se deve submetter ao governo pontificio, consiste em formar uma lista civil ao papa.
EXTERIOR
Berlin, 6.—A lei da dotação foi approvada por 219 votos contra 80.
EXTERIOR
Exército
Roma, 9.—O regimento 50 partio para França.
EXTERIOR
Acidentes e sinistros
Constantinopla, 8 (official).—Um convento na ilha de Candia foi totalmente destruído em consequência de um assalto; a perda dos insurgentes foi de muitas centenas; os turcos tiveram 55 mortos e 150 feridos; a resistência dos insurgentes foi extraordinaria.
EXTERIOR
Economia e comércioPolítica e administracção do EstadoAgriculturaDecretos e portarias
Florença, 9.—Um decreto real authorisou a emissão de cinco milhões de títulos de renda, para pagar á Austria as sommas convencionadas.
EXTERIOR
Cultura e espectáculoLivros e publicações
Paris, 11.—O jornal «A Patrie» diz que quando o imperador Maximiliano soube da doença da imperatriz Carlota resolveu partir, e mudou de idéa em consequência dos pedidos dos conservadores — e por fim resolveu voltar ao mexico e abdicar solemnemente. Ignora-se se depois d’isto mudou ainda de resolução.
EXTERIOR
ExércitoTransportes e comunicaçõesTelégrafo
New-York, 1.º—Diz um telegramma de Washington que o governo federal está perfeitamente satisfeito com a intenção de Nepolvão de retirar as tropas do Mexico.
EXTERIOR
Exército
Paris, 13.—O «Moniteur» publicou o projecto da organição do exercito conforme as indicações feitas já pelos periódicos.
EXTERIOR
México, 9.—O imperador Maximiliano continua a estar em Orizaba.
EXTERIOR
Exército
Roma, 11.—Concluiu-se a evacuação das tropas francezas. Chegaram a Roma os zuavos pontifícios, e a Civita Vechia uma fragata americana.