Arquivo
O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 316
76 notícias

Perderam o tempo

Cultura e espectáculoEconomia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisReligiãoAgriculturaColheitasFeirasFestas religiosasObras religiosasTeatro
Interpretacção incerta

Nada escapa. Souberam uns ladrões que no sitio onde assenta o cunhal da parede do novo theatro, que faz angulo para as ruas da Conceição e Santo Antonio, se tinham lançado algumas moedas; como supposessem que faziam boa colheita e que ellas estavam no cunhal foram, na noite de sexta feira, ao local da obra, deitaram por terra as pedras do cunhal mas nada levaram. Felizmente as moedas e o cofre, que as encerra, estavam talvez quasi meio metro abaixo do nível da rua, o que se fez mui de proposito antevendo-se que haviam de ser procuradas pelos amigos do alheio.

Tempo

Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisFeirasFrio intensoTrovoadas

Estamos em verdadeiro inverno. Agua a cantares, frio intenso, nevoeiro cerrado, ventanias fortíssimas e para coroar a obra tivemos na manhã de terça feira feita uma boa trovoada acompanhada de agua de pedra.

Nomeação

Município e administracção localNomeações e cargos
Almodôvar · Portugal

Foi nomeado administrador do concelho de Almodovar o sr. Manoel Joaquim Carrilho Garcia, bacharel em direito.

Capella dos pobres

ReligiãoSociedade e vida quotidianaBeneficênciaPobres e esmolas
Lisboa · Portugal Igreja

Nas vésperas do Natal foi distribuida em esmolas aos infelizes das quatro freguezias d’esta cidade a quantia de 146:000 reis do rendimento da capella dos Pobres instituída na igreja de S. João Baptista, de que é actual administradora a ex.ma sr.ª D. Maria da Piedade Telles de Menezes, residente em Lisboa, a qual, segundo nos consta, é muito caritativa e tem feito sacrifícios em benefício dos pobres. Tambem nos consta que os reverendos srs. parochos não se teem poupado a incommodos e se teem prestado da melhor vontade á distribuição das esmolas, e que o rev.mo sr. padre José Maria Carreira, procurador da dita capella, nesta cidade, emprega todos os meios ao seu alcance para que os bens da mesma produzam o maior rendimento possível; o que tem conseguido, porque desde que se acha encarregado da sua administração o rendimento dos bens tem augmentado, e por consequência tem sido contemplado maior numero de pobres.

Movimento de tropa

Economia e comércioExércitoMunicípio e administracção localTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroFeirasMovimentos de tropasPartidas
Estremoz · Portugal Caminho de ferro

Na terça feira partiu pelo caminho de ferro, commandado pelo sr. capitão Moraes, um destacamento do 17 de infantaria que vae render o do mesmo corpo, que está ha mezes em Estremoz.

Mina

Arqueologia e patrimónioMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoDecretos e portariasDescobertas e achados
Odemira · Portugal

Por portaria de 15 do passado mez foi reconhecido como proprietário legal da descoberta de uma mina de ferro, sita no concelho de Odemira, n’este districto, o sr. Antonio Joaquim da Silva Negrão.

Confirmação

Transportes e comunicaçõesCorreio

O sr. José Gomes da Fonseca, que exercia temporariamente o lugar de praticante da administração central do correio d’esta cidade, foi vitaliciamente confirmado no mesmo lugar, segundo nos consta.

Commissão

Cultura e espectáculoMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoExposiçõesGoverno civilNomeações e cargos
Governo Civil

A que foi nomeada pelo governo civil para conhecer das causas da mortalidade dos expostos, apresentar os meios de obviar e de evitar a exposição, installou-se hontem na administração do concelho d’esta cidade. Preside o sr. administrador e são membros os srs. doutores José Maria Ganso de Almeida e Manoel Martins de Sant’Anna e os srs. Constantino Feliciano de Menezes e José Baptista Vidigal.

Concurso

Educacção e instruçãoInstrução públicaNomeações

Pela direcção geral de instrucção publica se mandou abrir concurso de sessenta dias, os quaes começaram a decorrer desde 9 d’este mez, para o provimento das cadeiras de ensino primario da Conceição, Silvadas e S. Mathias, neste districto.

Curso nocturno de doutrina

Educacção e instruçãoSociedade e vida quotidianaBeneficênciaEscolasInstrução públicaPobres e esmolasProfessores
Beringel · Portugal Interpretacção incerta

Consta-nos que o professor de instrucção primaria da villa de Beringel, João Baptista Pereira, abrira, espontaneamente, no dia 19 do mez ultimo, um curso nocturno de doutrina, o qual é já frequentado por 27 alumnos; entre os quaes se contam algumas meninas de 4 a 14 annos de idade, estando estas convenientemente separadas d’aquelles. É louvavel o procedimento d’este diligente professor, e tanto mais, quanto é a expensas suas que é feita a illuminação da escola. Desgraçadamente vemos por ahi muitas raparigas sem educação alguma e até sem ao menos saberem os rudimentos da doutrina christã. Ainda ha pouco uma piedosa senhora querendo suffragar a alma de um filho, distribuiu diversas esmolas e como na occasião de as dar pedisse resassem por alma de seu filho, respondeu-lhe uma rapariga de mais de vinte annos, que não lhe acceitava a esmola porque ella não sabia rezar! e entendia que a não devia enganar! Isto é lamentável, e por isso tornam-se dignos de elogio todos os que contribuem para fazer desapparecer as trevas em que se acha encerrada uma grande parte da humanidade.

Districto de Evora

Évora · Portugal Geral

Recebemos, agradecemos, e muito apreciamos o Districto de Evora, folha política, que se começou a publicar na capital da nossa província no dia 6 do corrente mez. Ao novo collega desejamos longa e prospera vida.

Expediente

Vidigueira · Portugal Geral

Pede-se ao sr. Vicente Fontes Serra, da villa da Vidigueira, mande satisfazer os nove mezes de assignatura, visto que se não dignou pagál-os quando por mais de uma vez lhe foram apresentados os recibos. Igual pedido se faz ao sr. H. José da Sagrada Família, da mesma villa, que ficou devendo um semestre, e não teve a delicadeza de o satisfazer quando lhe apresentaram os respectivos recibos.

Educacção e instruçãoEscolasInstrução pública
Cuba · Portugal

Movimento da escola (Instrucção primaria, do sexo feminino) de S. Vicente da Cuba: Existiam em 1.º de setembro de 1866 56; Entraram de novo 3; Sahiram 2; Frequentaram o mez 59; Ficaram existindo em 31 de dezembro 57.

Freguezia de Santa Maria de Beja

ReligiãoSociedade e vida quotidianaCasamentosFalecimentosFestas religiosas
Beja · Portugal

Eis o movimento desta freguezia no mez de dezembro de 1866: Baptismos 5, sendo masculinos 1 e femininos 4—Casamentos 1—Obitos 3, sendo masculino maior 1, masculino menor 1, femenino maior 1.

Anecdota

Meteorologia e fenómenos naturaisTransportes e comunicaçõesDiligências

Um rapaz de 18 annos fazia a corte a uma menina de 15, que lhe não dava attenção. Cansado das infructiferas diligencias que empregou, e vendo-a um dia a foliar com um outro sujeito, disse-lhe com um modo de despedir hospedes: —Ó menina, se quer a merenda vou-lhe mandar dar uma fatia de pão com manteiga. Ao que ella respondeu: —Não meu senhor: não tenho tempo de a comer porque estou encarregada pela sua mamã de lhe defumar os cueiros! (Lisbonense)

Um furacão

Acidentes e sinistrosEducacção e instruçãoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesBeneficênciaDoenças contagiosasEscolasHospitaisNaufrágiosNavegacçãoPrisõesTempestadesVandalismo
Hospital

Em 22 de outubro estalou um violento temporal nos Estados-Unidos. Um despacho de Halifax annuncia que em Turks-Island foram destruídas mais de oitocentas casas. Pereceram vinte pessoas, e o numero dos feridos é grande. Mais de tres mil habitantes estão sem asylo. Toda a população laboriosa d’aquella colonia ficou reduzida á miseria. As escolas publicas, o arsenal, os edifícios da cadeia, da quarentena, do hospital e das repartições do governo, tudo foi arrasado pelo furacão. Foram dispersos cento e vinte mil alqueires de sal. Perderam-se seis navios estrangeiros e doze indígenas, morrendo vinte homens das suas tripulações.

Estatistica

Estatísticas
Portugal

Lê-se no Diário de Noticias: «Averiguou-se que em 1864 havia em Portugal 615:621 homens casados, e só 594:766 mulheres casadas. Segue-se que 20:858 esposas vivem fóra da patria e do lar conjugal, isto é se o recenseamento geral da população não mente, o que nós não vamos jurar; e havia 174:790 viuvas e 84:323 viuves, 74:700 mulheres mais que homens.»

Um porco

Cultura e espectáculoExposições
Madrid · Paris · Espanha · França Exterior / internacional

De Madrid deve ir para Paris, para figurar na próxima exposição, um porco que pesa 440 kilogrammas.

Cultura e espectáculoLivros e publicações

Que pai!—Em Comines nasceu a um jornaleiro belga o seu 37.º filho. Tem vivos 27. É casado em terceiras núpcias.

A agua sulphureo para as laranjeiras

Arqueologia e patrimónioDescobertas e achados
Interpretacção incerta

Conta um dos nossos jornaes que sendo lançada a agua de uns banhos sulphureos ao pé de uma grande laranjeira, que “estava a definhar-se”, esta reverdecera poucos dias depois, e que por este facto fora salva. Reproduzimos a noticia para conhecimento dos nossos lavradores, afim de usarem d’ella como lhes parecer. Inclinamo-nos um pouco a que esta descoberta, filha do acaso, como quasi todas, dará os resultados que se diz, tendo-se em vista que a qualidade do enxofre diluído na agua será o bastante para debellar o mal que se pretende curar.

Nova invenção photographica

Economia e comércioAgriculturaComércio local

Do Diário Mercantil: Um photographo sueco acaba de adoptar uma singular maneira de operar. Colloca o seu cliente em um quarto escuro, depois no momento do trabalho, por meio de um certo apparelho, este quarto torna-se subitamente esclarecido porém esta claridade dura apenas alguns segundos e o retrato fica prompto: esta luz é produzida pelo magnésio pulverisado e cloro de cal, encerrados n’uma capsula de ferro e aquecidos sobre uma lampada com espirito de vinho.

A Europa em cincoenta annos

Política e administracção do EstadoDebates políticos
Áustria · Europa · França · México · Prússia · Rússia Exterior / internacional · Interpretacção incerta

É curioso recordar a situação da Europa em 1817 e na entrada de 1867. Este ultimo meio século viu desapparecer tres reinos, um gran-ducado, oito ducados, e quatro republicas. Formaram-se tres reinos novos e um transformou-se em império. Ha hoje quarenta e um Estados na Europa; havia cincoenta e nove em 1817. Não é menos digna de observação a extensão territorial dos grandes estados do mundo. A Rússia tem augmentado com a incorporação de 567:364 milhas quadradas; os Estados Unidos com 1:968:009; a França com 4:620; a Prússia com 29:784; a Sardenha com 83:041; o império britanico nas Indias com 451:660. Os principaes Estados que perderam terreno foram a Turquia, o México, a Áustria, a Dinamarca e os Paizes Baixos. Que será da Europa e de todo o mundo passado mais meio século?

Papel de madeira

Economia e comércioPreçosIndústriaPreços e mercados
América Exterior / internacional

Já se fabrica o papel, e papel magnifico, da madeira das arvores. Assim o referem da America, onde acaba de formar-se em Schuylhill, perto de Philadelphia, uma companhia que na sua fabrica converte diariamente vinte toneladas de madeira em polpa da mesma, de que sae bello papel branco e compacto. Uma reunião de membros do congresso e de sabios do paiz acaba de visitar esta grande fabrica, onde a seus olhos foi abatido um choupo que vegetava proximo, para d’ahi a cinco horas estar todo desfeito em massa e reduzido já a um excellente papel de escrever. O preço do papel na America já baixou mais tres a quatro por cento desde que se installou esta fabrica.

O que são os tempos

Economia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localPreçosCrimesImpostos comerciaisPreços e mercadosSessões da câmara

Entre muitos outros documentos que tivemos occasião de analysar, e vão juntos a um processo, deparou-se-nos com um assaz curioso, e que abaixo vae transladado. É o regimento dos sapateiros, que a camara e senado de Vouzelh passou em 18 de abril de 1818. Por elle se vê que o andar dos tempos deu menos valor ao dinheiro, e que por isso os sapateiros de hoje já não adoptam, nem ao menos como base, os preços taxados no dito regimento. Eis o referido documento: «O dr. juiz de fora, presidente, vereadores e procurador do senado da camara deste concelho e deputado de Latões, etc. Fazemos saber que o regimento do officio de sapateiro é pela fórma seguinte: Primeiramente levarão por uns sapatos de homem de duas solas, com salto ordinario 550 reis. Por uns sapatos de bezerro ou cordovão de oito a dez pontos de tres solas, 600 reis. E de uns sapatos de quatro ou cinco pontos, 360 reis. E de uns sapatos de menino de uma sola até sete annos, 160 reis. E de uns sapatos de uma sola só com soleta de vacca, ou bezerro com seu salto ordinario, 480 reis. De uns sapatos de duas solas de vacca, assento largo até oito ou nove pontos, 478 reis. Por uns sapatos de mulher de oito ou nove pontos com duas solas ou soletas com o seu salto ordinario e sendo de cordovão 400 reis. E sendo de carneira com uma sola só e palmilhado sem salto, 240 reis. E sendo de cinco pontos até sete de cordovão e com uma sola e sem salto 250 reis. E de uns sapatos de lacaios ou criados de servir de boa vacca e de duas solas e palmilha com seu salto da mesma sola, 450 reis. E sendo de carneira ou cordovão, 240 reis. E de sapatos de lacaio, de boa vacca e duas solas, palmilha e com salto da mesma sola largo, 600 reis. E os officiaes que trabalharem fóra de suas casas, dando-lhe de comer levarão a 60 reis. E sendo aprendiz sem ter examinado levarão 50 reis. E de deitarem umas solas dando o sapateiro tudo, sendo solas das mulheres com seus rostos que cubram os sapatos levarão 180 reis. E sendo de mulher 100 reis. E toda a pessoa que vende sola alqueimada a venderá sendo da melhor a 100 reis, e da mais somenos a 80 reis. E o que não vae aqui declarado se concertarão os sapatos com as partes e serão obrigados a irem trabalhar para onde os chamarem, pena de seis mil reis, e debaixo da mesma pena terão pregado este regimento em um taboa na loja onde trabalharem. Dado e passado em Vouzelh, aos 18 de abril de 1818.»

O anno velho e o anno novo

Educacção e instruçãoExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisReligiãoSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesConflitos locaisCrimesEpidemiasEstradasExamesObras de infraestruturaPobres e esmolasReformasSismosTempestades
Roma · Alemanha · América · Áustria · Brasil · Espanha · Europa · França · Grécia · Itália · Polónia · Portugal · Prússia · Reino Unido · Rússia Exterior / internacional · Interpretacção incerta

Despedimo-nos do anno de 1866, que para Portugal, se não foi um anno de venturas, tambem não foi de calamidades. D’uma calamidade escapamos, que affligiu quasi toda a Europa. A epidemia da cholera-morbus ainda n’este anno nos poupou, e disto devemos dar infinitas graças a Deus. O anno foi abundante de fructos da terra; e os lavradores, em geral, viram abençoados os seus suores e os seus capitaes. De longe sentímos ainda alguns resultados da guerra que assolou a Allemanha, porque não podíamos escapar ao abalo geral que esse desastroso successo produziu na Europa. O anno de 1866 lega ao de 1867 uma serie de questões importantes, e cujos resultados ou desenlace não é dado a ninguem prever. Ás consequências da guerra emprehendida pela Prússia contra a Áustria, apresentam uma face ainda complicada. Um povo resiste á annexação imposta pela Prússia victoriosa. O Hanover quer a sua autonomia, e a Prússia quer forçar esta nação a perdê-la. E o Hanover lucta como pode para protestar contra tamanha violência. A Italia recuperou, em resultado da sua alliança com a Prússia e dos seus proprios esforços, os estados que ainda eram avassalados pela Áustria. O estrangeiro já não domina na Italia. Este povo, com o maior bom senso, com o mais singular patriotismo, está mostrando ao mundo que era e é digno de ser uma nação livre e independente. Roma lá está ainda envolta nas trevas de um futuro incerto. A civilisação e o progresso ainda não puderam vencer o fatal Non possumus do papado. O throno temporal do rei de Roma, assente nas velhas instituições da edade media, intenta negar a força invencível, que mau grado seu o tem já abalado. A Rússia opprime e devasta ainda a Polonia. A Turquia pretende comprimir o grito da nacionalidade hellenica que se levanta em Candia. As nacionalidades ainda opprimidas, aqui a Polonia, além a Irlanda, acolá a Grécia, querem reconquistar os seus fóros; mas a força subjuga-as. Para 1867 vae a brota. Qual será o resultado d’ella? A Rússia, sempre com os olhos em Constantinopla, favorece a revolta dos hellenicos, e a política vê a possibilidade de em 1867 surgir novamente a questão do Oriente. Já se falla em uma alliança da França, Inglaterra, Italia e Prússia, para contrariar os planos da Rússia. O autocrata quer ter a sede de seu império política e religiosa na velha cidade de Constantinopla; quer ser o pontifice do Oriente, tendo o seu throno na capital do antigo império do Oriente. Tem sido este, ha muitos annos, o sonho dourado dos cesares da Rússia. A Europa tarde consentirá que o sonho venha a ser uma realidade. Triste é a sorte dos gregos ainda escravisados pelos turcos; mas a dos polacos avexados pelos russos será menos triste? Tanto direito tem o sultão dos turcos para possuir uma parte da Grécia, como o imperador da Rússia para avassalar a Polonia. A pobre Hespanha entra no anno novo bem atribulada, e tendo ante si um futuro pavoroso. Quem póde dizer qual será o caminho da revolução que nesse povo está imminente? Quem póde prever até onde irá o desforço d’uma nação tão opprimida, no dia em que se resolver a ser livre? O futuro de Hespanha é medonho. Na America o Brazil debate-se em uma guerra já prolongada em demasia, que o não deixa cuidar do seu progresso e da sua civilisação. O anno de 1867 apresenta-se-nos promettedor de gravíssimos successos. Mas seja qual for a sorte dos impérios, em virtude das questões pendentes, a causa da liberdade dos povos, a causa da civilisação dará mais um passo. Basta a discussão; basta a imprensa para não consentirem que o mundo retrograde. E ainda quando apparentemente a reacção pareça ganhar terreno, a revolução dará depois um passo mais agigantado para diante. Com o livre exame, com o conhecimento que os povos vão adquirindo dos seus direitos, a liberdade vae segurando as suas victorias, e os sedentos do passado vão sumindo-se, como sombras vãs, como espectros, que a maravilhosa luz da liberdade e da civilisação fará desapparecer para sempre. Para 1867 peçamos a Deus que nos conserve a liberdade de que goza Portugal; mas que inspire a sabedoria e a prudência aos seus governos, para que elles pensem seriamente na reforma da administração publica, e em dar leis á força de que precisam para que sejam efficazes. Não carecemos de mais liberdade, carecemos só de mais juizo nos governos. Deus abençoe o novo anno, afim de que Portugal avance na estrada do progresso e da civilisação, conservando esta ditosa paz que desfructa ha quinze annos. Deverá ter sido mal proficua, é certo; mas em fim temos andado para diante, e é isto que importa sobretudo. J. do C.

Freguezia do Salvador

Sociedade e vida quotidianaCasamentosFalecimentos

O movimento desta freguezia no anno de 1866 foi o seguinte: Baptismos 36 (masculinos 22, femeninos 14); Obitos 18 (masculinos 8, femeninos 10); Casamentos 9.

Gado suíno

Economia e comércioPreçosAgriculturaPecuáriaPreços e mercados

O preço do gado suíno tem regulado no mercado d’esta cidade por 2:900 rs. a arroba.

Preços por que correm os generos em Beja

Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
Beja · Portugal

Trigo alqueire 540 reis; Centeio 400; Milho 400; Cevada branca alqueire 360; Feijão 900; Chicharo 400; Fava 400; Grão de bico 750; Batatas 320; Azeite almude 2:700; Vinho 1:100.

HOSPITAL REAL DE BEJA

EstatísticasMunicípio e administracção localSaúde e higiene públicaHospitaisMortalidade
Beja · Portugal Hospital

Movimento e mortalidade dos doentes do hospital no 1.º semestre de 1866 a 1867: Doentes do concelho 162; Ditos de fóra do concelho 303. Designações (Hom./Mulh./Total): Existiam do anno antecedente 19/5/24; Entraram até 31 de dezembro 277/104/381; Somma 296/109/405; Saíram (Curados 229/60/289; Melhorados 29/21/50; Mortos 14/14/28); Ficam existindo 24/14/38; Somma 296/109/405. Beja 31 de dezembro de 1866. José Francisco de Paula Soares.

EXTERIOR

Cultura e espectáculoEducacção e instruçãoExércitoJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaAssociaçõesBeneficênciaDebates políticosEstradas e calçadasGoverno civilInstrução públicaJulgamentosLimpeza urbanaLivros e publicaçõesNomeaçõesPrisõesSegurança públicaSessões da câmaraTreinos e manobras
Lisboa · Madrid · Espanha · Portugal Correspondência · Exterior / internacional · Governo Civil

D’uma correspondência de Madrid, que publicou o Diário de Lisboa, extrahimos o seguinte: «A Gazeta e todos os jornaes de Madrid publicam hoje uma ordem do capitão general, communicada ao governador civil, nos seguintes termos: Tendo chegado ao meu conhecimento que alguns sujeitos inimigos da ordem publica e da sua segurança privada, concorreram e assignaram um protesto contra os actos do governo, ha mais de dous mezes publicados e recebidos pelo paiz com as demonstrações de espontaneo assentimento e da liberalidade que todos acabamos de vêr, e de não se terem reunido as côrtes no presente anno, interpretando falsa e malignamente os preceitos constitucionaes; estando firmemente persuadido de que os deputados da nação, achando-se legalmente privados do exercicio de seus papeis políticos, e a capital em estado de sitio, não tomam parte n’esse que deploro, e tenho o imperioso dever de castigar duramente; mas seguro tambem de que o protesto de que se trata esteve exposto para que se designasse clandestinamente no congresso dos deputados, tratando-se d’este modo ás leis no sanctuario em que se fazem, decidi que não se repita tal escandalo e que tracte a auctoridade civil de que se cumpram com a maior pontualidade as ordens e disposições que na sua presença ditei, no mencionado edifício, prohibindo a entrada e sahida nelle a todas as pessoas que não sejam os conservadores e os dezeseis empregados que teem ali o seu domicilio e estão encarregados da sua guarda e limpeza. Seguem a esta despótica e ridícula ordem outras amarguíssimas communicações officiaes, próprias do sr. conde de Cheste e do sr. Gonzalez Bravo, que são hoje entre nós os únicos e mais impassíveis defensores do abuso e da reacção. Agora vêr-se-ha de que modo prudentíssimo e significativo termina a mencionada ordem; que explica o estado do ministério, e comprova as nossas considerações: “Se v. ex.ª tiver noticia de que a indicada reunião se celebra no domicilio de algum militar, avise-me opportunamente para que eu possa proceder contra elle que o farei desde logo, por mais brilhante que seja a sua categoria, e por mais estimavel que seja a sua pessoa.” Todos os jornaes receberam tambem instruções para que não omittam nem demorem, se preciso for, a circulação do jornal. Por isto póde formar-se idéa exacta do estado d’este governo. Mas que ganhará o paiz com a substituição prevista de O’Donnell e da sua camarilha? (...) Tornaram-se precauções militares e o publico de Madrid assiste com visivel agitação a estes dramas de grande espectáculo político, nos quaes se disputa só e unicamente a posse do poder, e não a salvação da patria nem a iniciação de princípios regeneradores. Depois do que deixamos consignado nada mais conseguimos saber, ficando com avidez na expectativa por tudo e para tudo. Terminamos por hoje a nossa revista sem registarmos noticias geraes, tanto porque carecem de interesse, como porque os successos indicados absorvem a attenção geral, e merecem toda a preferencia. Veremos amanhã o que posso communicar, que de certo deve ser alguma cousa importante, a julgar pelo movimento de generaes e ajudantes que se observa nas ruas de Madrid. A’ ultima hora. Foram hoje metidos na cadeia mais de 100 deputados do partido unionista, incluindo o presidente da camara popular, o sr. Rios Rozas, em consequencia do capitão general de Madrid, o sr. Pezuela, tel-os surprehendido em uma reunião onde se havia redigido um protesto á rainha assignado por todos os membros principaes do partido unionista. Afirma-se que esta noute sahirão para Cadiz, e para Cartagena o sr. Rios Rozas e demais presos, que o governo manda pôr á disposição dos respectivos capitães generaes. Corre n’esta côrte o boato de que no momento de se apresentar na reunião de unionistas o capitão general, sr. Pezuela, para os prender foi expulso d’alli, e de mau modo, pelos mesmos unionistas. Rios Rozas, Dronism, Roberg, Posada Herrera, Fernandes de la Hoz, Saavedra, e um official da secretaria do congresso acham-se nas prisões militares. Rios Rozas não quiz abrir a porta da sua casa quando foi a policia prendel-o. Desde a meia noute do dia 29 permaneceu cercada a sua morada, e ás quatro horas da manhã arrombaram a porta para o conduzirem á cadeia antes que amanhecesse, para que o publico não presenceasse o facto. Que elle o presenceasse era o que desejava conseguir o preso. Continuam-se fazendo muitas prisões de deputados, e calcula-se que passam já de oitenta as pessoas arrancadas do seio das suas famílias. Todas essas pessoas occupam boa posição na sociedade, e a maior parte são deputados e ex-ministros da corôa. Este ministerio immortalisa-se. É possível que succeda alguma cousa importante, mas posso affirmar que se se trava a lucta entre unionistas e moderados, o povo sahirá para as ruas e lhes imporá a lei, isto é, será o seu triumpho.»

Constantinopla, 2

Geral

Submissão completa de Selino e Kimmos, duas posições fortificadas que os insurgentes cretenses occupavam. Os insurgentes foram completamente derrotados com perda de 200 homens, e fugiram desordenadamente para o mar. A maior parte d’elles embarcou, abandonando a ilha.

Madrid, 5

Madrid · Espanha Exterior / internacional · Geral

Na madrugada de 2 do corrente houve um tremor de terra em Argel; Blidah padeceu graves perdas; e as aldeias de Chifla, Ain-ben-mmi e Monzaiarotte ficaram quasi inteiramente destruídas.

Paris, 6

Paris · França · Reino Unido Exterior / internacional · Geral

Diz a «Patrie» que a França e a Inglaterra aconselham á Turquia moderação, e censuram os candienses. A «Gazeta da Cruz» diz que a questão do Oriente principia a assumir grandes proporções.

S. Petersburgo, 7

Polónia Exterior / internacional · Geral

Foi publicado um ukase restringindo a autonomia da Polonia.

Constantinopla, 7

Geral

Está inteiramente submettida a ilha de Candia.

Vienna, 7

Viena · Áustria Exterior / internacional · Geral

A folha official de Vienna diz que a Áustria não quer o fraccionamento do império turco, mas sim manter o «statu quo», para satisfação dos justos pedidos dos christãos.

Constantinopla, 7

Itália Exterior / internacional · Geral

A dissenção que existia entre a Turquia e a Italia foi accommodada pelo embaixador inglez.

EDITAL

Economia e comércioMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesCostumes e hábitosEstradasEstradas e calçadasGoverno civilMercados e feirasObras de infraestruturaObras municipaisPosturas e regulamentos
Beja · Portugal Câmara Municipal · Edital · Governo Civil

A camará municipal d’esta cidade de Beja etc. Faz publico que sua ex.ª o sr. governador civil d’este districto lhe ordenou que pozesse immediatamente em pleno vigor a postura seguinte: «Nenhuma pessoa pode no Mercado, ou Praça, atravessar, ou comprar por junto até ao meio dia, e para tornar a vender, caça, ou outros quaesquer mantimentos destinados para o abastecimento da cidade, sob pena de dois mil reis, e perdimento de genero. § unico. Nas mesmas penas incorrem os que sahirem ás estradas em qualquer dia e hora, a atravessar os ditos mantimentos, para os tornar a vender.» Pelo que recommendam aos competentes interessados que se abstenham de comprar e vender nos termos prohibidos na dita postura sob a pena que a mesma fulmina. E para que assim conste e se não allegue ignorância será este affixado nos logares públicos e do costume. Beja 10 de janeiro de 1867. O presidente. Manoel Thomaz Ferreira Nobre de Carvalho.

Perderam o tempo

Cultura e espectáculoEconomia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisReligiãoAgriculturaColheitasFeirasFestas religiosasObras religiosasTeatro
Interpretacção incerta

Nada escapa. Souberam uns ladrões que no sitio onde assenta o cunhal da parede do novo theatro, que faz angulo para as ruas da Conceição e Santo Antonio, se tinham lançado algumas moedas; como supposessem que faziam boa colheita e que ellas estavam no cunhal foram, na noite de sexta feira, ao local da obra, deitaram por terra as pedras do cunhal mas nada levaram. Felizmente as moedas e o cofre, que as encerra, estavam talvez quasi meio metro abaixo do nível da rua, o que se fez mui de proposito antevendo-se que haviam de ser procuradas pelos amigos do alheio.

Tempo

Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisFeirasFrio intensoTrovoadas

Estamos em verdadeiro inverno. Agua a cantares, frio intenso, nevoeiro cerrado, ventanias fortíssimas e para coroar a obra tivemos na manhã de terça feira feita uma boa trovoada acompanhada de agua de pedra.

Nomeação

Município e administracção localNomeações e cargos
Almodôvar · Portugal

Foi nomeado administrador do concelho de Almodovar o sr. Manoel Joaquim Carrilho Garcia, bacharel em direito.

Capella dos pobres

ReligiãoSociedade e vida quotidianaBeneficênciaPobres e esmolas
Lisboa · Portugal Igreja

Nas vésperas do Natal foi distribuida em esmolas aos infelizes das quatro freguezias d’esta cidade a quantia de 146:000 reis do rendimento da capella dos Pobres instituída na igreja de S. João Baptista, de que é actual administradora a ex.ma sr.ª D. Maria da Piedade Telles de Menezes, residente em Lisboa, a qual segundo nos consta é muito caritativa, e tem feito sacrifícios em benefício dos pobres. Também nos consta que os reverendos srs. parochos não se teem poupado a incommodos e se teem prestado da melhor vontade á distribuição das esmolas, e que o rev.mo sr. padre José Maria Carreira, procurador da dita capella, nesta cidade, emprega todos os meios ao seu alcance para que os bens da mesma produzam o maior rendimento possível, o que tem conseguido, porque desde que se acha encarregado da sua administração o rendimento dos bens tem augmentado, e por consequência tem sido comtemplado maior numero de pobres.

Movimento de tropa

Economia e comércioExércitoTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroFeirasMovimentos de tropas
Estremoz · Portugal Caminho de ferro

Na terça feira partio pelo caminho de ferro, commandado pelo sr. capitão Moraes, um destacamento do 17 de infantaria que vae render o do mesmo corpo, que está ha mezes em Estremoz.

Mina

Arqueologia e patrimónioMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoDecretos e portariasDescobertas e achados
Odemira · Portugal

Por portaria de 15 do passado mez foi reconhecido como proprietário legal da descoberta de uma mina de ferro, sita no concelho de Odemira, n’este districto, o sr. Antonio Joaquim da Silva Negrão.

Confirmação

Transportes e comunicaçõesCorreio

O sr. José Gomes da Fonseca, que exercia temporariamente o lugar de praticante da administração central do correio d’esta cidade, foi vitaliciamente confirmado no mesmo lugar, segundo nos consta.

Commissão

Cultura e espectáculoMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoExposiçõesGoverno civilNomeações e cargos
Governo Civil

A que foi nomeada pelo governo civil, para conhecer das causas da mortalidade dos expostos, apresentar os meios de obviar e de evitar a exposição, installou-se hontem na administração do concelho d’esta cidade. Preside o sr. administrador e são membros os srs. doutores José Maria Ganso de Almeida e Manoel Martins de Sant’Anna e os srs. Constantino Feliciano de Menezes e José Baptista Vidigal.

Concurso

Educacção e instruçãoInstrução públicaNomeações

Pela direcção geral de instrucção publica se mandou abrir concurso de sessenta dias, os quaes começaram a decorrer desde 9 d’este mez, para o provimento das cadeiras de ensino primário da Conceição, Silvadas e S. Mathias, neste districto.

Curso nocturno de doutrina

Educacção e instruçãoSociedade e vida quotidianaBeneficênciaEscolasInstrução públicaPobres e esmolasProfessores
Beringel · Portugal Interpretacção incerta

Consta-nos que o professor de instrucção primaria da villa de Beringel, João Baptista Pereira, abrira, espontaneamente, no dia 19 do mez ultimo, um curso nocturno de doutrina, o qual é já frequentado por 27 alumnos; entre os quaes se contam algumas meninas de 4 a 14 annos de idade, estando estas convenientemente separadas d’aquelles. É louvavel o procedimento d’este diligente professor, e tanto mais, quanto é a expensas suas que é feita a illuminação da escola. Desgraçadamente vemos por ahi muitas raparigas sem educação alguma e até sem ao menos saberem os rudimentos da doutrina christã. Ainda ha pouco uma piedosa senhora querendo suffragar a alma de um filho, distribuiu diversas esmolas e como na occasião de as dar pedisse resassem por alma de seu filho, respondeu-lhe uma rapariga de mais de vinte annos, que não lhe acceitava a esmola porque ella não sabia rezar! e entendia que a não devia enganar! Isto é lamentável, e por isso tornam-se dignos de elogio todos os que contribuem para fazer desapparecer as trevas em que se acha encerrada uma grande parte da humanidade.

Districto de Evora

Évora · Portugal Geral

Recebemos, agradecemos, e muito apreciamos, o Districto de Evora, folha politica, que se começou a publicar na capital da nossa província no dia 6 do corrente mez. Ao novo collega desejamos longa e prospera vida.

Expediente

Vidigueira · Portugal Geral

Pede-se ao sr. Vicente Fontes Serra, da villa da Vidigueira, mande satisfazer os nove mezes de assignatura, visto que se não dignou pagál-os quando por mais de uma vez lhe foram apresentados os recibos. Igual pedido se faz ao sr. H. José da Sagrada Família, da mesma villa, que ficou devendo um semestre, e não teve a delicadeza de o satisfazer quando lhe apresentaram os respectivos recibos.

Educacção e instruçãoEscolasInstrução pública
Cuba · Portugal

Movimento da escola (Instrucção primaria, do sexo feminino) de S. Vicente da Cuba: Existiam em 1.º de setembro de 1866 56; Entraram de novo 3; Sahiram 2; Frequentaram o mez 59; Ficaram existindo em 31 de dezembro 57.

Freguezia de Santa Maria de Beja

ReligiãoSociedade e vida quotidianaCasamentosFalecimentosFestas religiosas
Beja · Portugal

Eis o movimento desta freguezia no mez de dezembro de 1866: Baptismos 5, sendo masculinos 1 e femininos 4—Casamentos 1—Obitos 3, sendo masculino maior 1—masculino menor 1—femenino maior 1.

Anecdota

Meteorologia e fenómenos naturaisTransportes e comunicaçõesDiligências

Um rapaz de 18 annos fazia a corte a uma menina de 15, que lhe não dava attenção. Cansado das infructiferas diligencias que empregou, e vendo-a um dia a foliar com um outro sujeito, disse-lhe com um modo de despedir hospedes: —Ó menina, se quer a merenda vou-lhe mandar dar uma fatia de pão com manteiga. Ao que ella respondeu: —Não meu senhor: não tenho tempo de a comer porque estou encarregada pela sua mamã de lhe defumar os cueiros! (Lisbonense)

Um furacão

Acidentes e sinistrosEducacção e instruçãoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesBeneficênciaDoenças contagiosasEscolasHospitaisNaufrágiosNavegacçãoPrisõesTempestadesVandalismo
Hospital

Em 22 de outubro estalou um violento temporal nos Estados-Unidos. Um despacho de Halifax annuncia que em Turks-Island foram destruídas mais de oitocentas casas. Pereceram vinte pessoas, e o numero dos feridos é grande. Mais de tres mil habitantes estão sem asylo. Toda a população laboriosa d’aquella colonia ficou reduzida á miseria. As escolas publicas, o arsenal, os edifícios da cadeia, da quarentena, do hospital e das repartições do governo, tudo foi arrasado pelo furacão. Foram dispersos cento e vinte mil alqueires de sal. Perderam-se seis navios estrangeiros e doze indígenas, morrendo vinte homens das suas tripulações.

Estatistica

Estatísticas
Portugal

Lê-se no Diario de Noticias: «Averiguou-se que em 1864 havia em Portugal 615:621 homens casados, e só 594:766 mulheres casadas. Segue-se que 20:858 esposas vivem fóra da patria e do lar conjugal, isto é se o recenseamento geral da população não mente, o que nós não vamos jurar; e havia 174:790 viuvas e 84:323 viuves, 74:700 mulheres mais que homens.»

Um porco

Cultura e espectáculoExposições
Madrid · Paris · Espanha · França Exterior / internacional

De Madrid deve ir para Paris, para figurar na próxima exposição, um porco que pesa 440 kilogrammas.

Cultura e espectáculoLivros e publicações

Que pai!—Em Comines nasceu a um jornaleiro belga o seu 37.º filho. Tem vivos 27. É casado em terceiras núpcias.

A agua sulphureo para as laranjeiras

Arqueologia e patrimónioDescobertas e achados
Interpretacção incerta

Conta um dos nossos jornaes que sendo lançada a agua de uns banhos sulphureos ao pé de uma grande laranjeira, que “estava a definhar-se”, esta reverdecera poucos dias depois, e que por este facto fora salva. Reproduzimos a noticia para conhecimento dos nossos lavradores, afim de usarem d’ella como lhes parecer. Inclinamo-nos um pouco a que esta descoberta, filha do acaso, como quasi todas, dará os resultados que se diz, tendo-se em vista que a qualidade do enxofre diluído na agua será o bastante para debellar o mal que se pretende curar.

Nova invenção photographica

Economia e comércioAgriculturaComércio local

Do Diario Mercantil: Um photographo sueco acaba de adoptar uma singular maneira de operar. Colloca o seu cliente em um quarto escuro, depois no momento do trabalho, por meio de um certo apparelho, este quarto torna-se subitamente esclarecido porém esta claridade dura apenas alguns segundos e o retrato fica prompto: esta luz é produzida pelo magnésio pulverisado e cloro de cal, encerrados n’uma capsula de ferro e aquecidos sobre uma lampada com espirito de vinho.

A Europa em cincoenta annos

Política e administracção do EstadoDebates políticos
Áustria · Europa · França · México · Prússia · Rússia Exterior / internacional · Interpretacção incerta

É curioso recordar a situação da Europa em 1817 e na entrada de 1867. Este ultimo meio século viu desapparecer tres reinos, um gran-ducado, oito ducados, e quatro republicas. Formaram-se tres reinos novos e um transformou-se em império. Ha hoje quarenta e um Estados na Europa; havia cincoenta e nove em 1817. Não é menos digna de observação a extensão territorial dos grandes estados do mundo. A Rússia tem augmentado com a incorporação de 567:364 milhas quadradas; os Estados Unidos com 1:968:009; a França com 4:620; a Prússia com 29:784; a Sardenha com 83:041; o império britanico nas Indias com 451:660. Os principaes Estados que perderam terreno foram a Turquia, o México, a Áustria, a Dinamarca e os Paizes Baixos. Que será da Europa e de todo o mundo passado mais meio século?

Papel de madeira

Economia e comércioPreçosIndústriaPreços e mercados
América Exterior / internacional

Já se fabrica o papel, e papel magnifico, da madeira das arvores. Assim o referem da America, onde acaba de formar-se em Schuylhill, perto de Philadelphia, uma companhia que na sua fabrica converte diariamente vinte toneladas de madeira em polpa da mesma, de que sae bello papel branco e compacto. Uma reunião de membros do congresso e de sabios do paiz acaba de visitar esta grande fabrica, onde a seus olhos foi abatido um choupo que vegetava proximo, para d’ahi a cinco horas estar todo desfeito em massa e reduzido já a um excellente papel de escrever. O preço do papel na America já baixou mais trez a quatro por cento desde que se installou esta fabrica.

O que são os tempos

Economia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localPreçosCrimesImpostos comerciaisPreços e mercadosSessões da câmara

Entre muitos outros documentos que tivemos occasião de analysar, e vão juntos a um processo, deparou-se-nos com um assaz curioso, e que abaixo vae transladado. É o regimento dos sapateiros, que a camara e senado de Vouzelh passou em 18 de abril de 1818. Por elle se vê que o andar dos tempos deu menos valor ao dinheiro, e que por isso os sapateiros de hoje já não adoptam, nem ao menos como base, os preços taxados no dito regimento. Eis o referido documento: «O dr. juiz de fora, presidente, vereadores e procurador do senado da camara deste concelho e deputado de Latões, etc. Fazemos saber que o regimento do officio de sapateiro é pela fórma seguinte: Primeiramente levarão por uns sapatos de homem de duas solas, com salto ordinario 550 reis. Por uns sapatos de bezerro ou cordovão de oito a dez pontos de tres solas, 600 reis. E de uns sapatos de quatro ou cinco pontos, 360 reis. E de uns sapatos de menino de uma sola até sete annos, 160 reis. E de uns sapatos de uma sola só com soleta de vacca, ou bezerro com seu salto ordinario, 480 reis. De uns sapatos de duas solas de vacca, assento largo até oito ou nove pontos, 478 reis. E por uns sapatos de mulher de oito ou nove pontos com duas solas ou soletas com o seu salto ordinario e sendo de cordovão 400 reis. E sendo de carneira com uma sola só e palmilhado sem salto, 240 reis. E sendo de cinco pontos até sete de cordovão e com uma sola e sem salto 250 reis. E de uns sapatos de lacaios ou criados de servir de boa vacca e de duas solas e palmilha com seu salto da mesma sola, 450 reis. E sendo de carneira ou cordovão, 240 reis. E de sapatos de lacaio, de boa vacca e duas solas, palmilha e com salto da mesma sola largo, 600 reis. E os officiaes que trabalharem fóra de suas casas, dando-lhe de comer levarão a 60 reis. E sendo aprendiz sem ter examinado levarão 50 reis. E de deitarem umas solas dando o sapateiro tudo, sendo solas das mulheres com seus rostos que cubram os sapatos levarão 180 reis. E sendo de mulher 100 reis. E toda a pessoa que vende sola alqueimada a venderá sendo da melhor a 100 reis, e da mais somenos a 80 reis. E o que não vae aqui declarado se concertarão os sapatos com as partes e serão obrigados a irem trabalhar para onde os chamarem, pena de seis mil reis, e debaixo da mesma pena terão pregado este regimento em um taboa na loja onde trabalharem. Dado e passado em Vouzelh, aos 18 de abril de 1818.»

O anno velho e o anno novo

Educacção e instruçãoExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisReligiãoSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesConflitos locaisCrimesEpidemiasEstradasExamesObras de infraestruturaPobres e esmolasReformasSismosTempestades
Roma · Alemanha · América · Áustria · Brasil · Espanha · Europa · França · Grécia · Itália · Polónia · Portugal · Prússia · Reino Unido · Rússia Exterior / internacional · Interpretacção incerta

Despedimo-nos do anno de 1866, que para Portugal, se não foi um anno de venturas, tambem não foi de calamidades. D’uma calamidade escapamos, que affligiu quasi toda a Europa. A epidemia da cholera-morbus ainda n’este anno nos poupou, e disto devemos dar infinitas graças a Deus. O anno foi abundante de fructos da terra; e os lavradores, em geral, viram abençoados os seus suores e os seus capitaes. De longe sentímos ainda alguns resultados da guerra que assolou a Allemanha, porque não podíamos escapar ao abalo geral que esse desastroso successo produziu na Europa. O anno de 1866 lega ao de 1867 uma serie de questões importantes, e cujos resultados ou desenlace não é dado a ninguem prever. Ás consequências da guerra emprehendida pela Prússia contra a Áustria, apresentam uma face ainda complicada. Um povo resiste á annexação imposta pela Prússia victoriosa. O Hanover quer a sua autonomia, e a Prússia quer forçar esta nação a perdê-la. E o Hanover lucta como pode para protestar contra tamanha violência. A Italia recuperou, em resultado da sua alliança com a Prússia e dos seus proprios esforços, os estados que ainda eram avassalados pela Áustria. O estrangeiro já não domina na Italia. Este povo, com o maior bom senso, com o mais singular patriotismo, está mostrando ao mundo que era e é digno de ser uma nação livre e independente. Roma lá está ainda envolta nas trevas de um futuro incerto. A civilisação e o progresso ainda não puderam vencer o fatal Non possumus do papado. O throno temporal do rei de Roma, assente nas velhas instituições da edade media, intenta negar a força invencível, que mau grado seu o tem já abalado. A Rússia opprime e devasta ainda a Polonia. A Turquia pretende comprimir o grito da nacionalidade hellenica que se levanta em Candia. As nacionalidades ainda opprimidas, aqui a Polonia, além a Irlanda, acolá a Grécia, querem reconquistar os seus fóros; mas a força subjuga-as. Para 1867 vae a brota. Qual será o resultado d’ella? A Rússia, sempre com os olhos em Constantinopla, favorece a revolta dos hellenicos, e a política vê a possibilidade de em 1867 surgir novamente a questão do Oriente. Já se falla em uma alliança da França, Inglaterra, Italia e Prússia, para contrariar os planos da Rússia. O autocrata quer ter a sede de seu império política e religiosa na velha cidade de Constantinopla; quer ser o pontifice do Oriente, tendo o seu throno na capital do antigo império do Oriente. Tem sido este, ha muitos annos, o sonho dourado dos cesares da Rússia. A Europa tarde consentirá que o sonho venha a ser uma realidade. Triste é a sorte dos gregos ainda escravisados pelos turcos; mas a dos polacos avexados pelos russos será menos triste? Tanto direito tem o sultão dos turcos para possuir uma parte da Grécia, como o imperador da Rússia para avassalar a Polonia. A pobre Hespanha entra no anno novo bem attribulada, e tendo ante si um futuro pavoroso. Quem póde dizer qual será o caminho da revolução que nesse povo está imminente? Quem póde prever até onde irá o desforço d’uma nação tão opprimida, no dia em que se resolver a ser livre? O futuro de Hespanha é medonho. Na America o Brazil debate-se em uma guerra já prolongada em demazia, que o não deixa cuidar do seu progresso e da sua civilisação. O anno de 1867 apresenta-se-nos promettedor de gravíssimos successos. Mas seja qual for a sorte dos impérios, em virtude das questões pendentes, a causa da liberdade dos povos, a causa da civilisação dará mais um passo. Basta a discussão; basta a imprensa para não consentirem que o mundo retrograde. E ainda quando apparentemente a reacção pareça ganhar terreno, a revolução dará depois um passo mais agigantado para diante. Com o livre exame, com o conhecimento que os povos vão adquirindo dos seus direitos, a liberdade vae segurando as suas victorias, e os sedentos do passado vão sumindo-se, como sombras vãs, como espectros, que a maravilhosa luz da liberdade e da civilisação fará desapparecer para sempre. Para 1867 peçamos a Deus que nos conserve a liberdade de que goza Portugal; mas que inspire a sabedoria e a prudência aos seus governos, para que elles pensem seriamente na reforma da administração publica, e em dar leis á força de que precisam para que sejam efficazes. Não carecemos de mais liberdade, carecemos só de mais juizo nos governos. Deus abençoe o novo anno, afim de que Portugal avance na estrada do progresso e da civilisação, conservando esta ditosa paz que desfructa ha quinze annos. Deverá ter sido mal proficua, é certo; mas em fim temos andado para diante, e é isto que importa sobretudo. J. do C.

Freguezia do Salvador

Sociedade e vida quotidianaCasamentosFalecimentos

O movimento d’esta freguezia no anno de 1866 foi o seguinte: Baptismos 36 (masculinos 22, femeninos 14); Obitos 18 (masculinos 8, femeninos 10); Casamentos 9.

Gado suíno

Economia e comércioPreçosAgriculturaPecuáriaPreços e mercados

O preço do gado suíno tem regulado no mercado d’esta cidade por 2:900 rs. a arroba.

Preços por que correm os generos em Beja

Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
Beja · Portugal

Trigo alqueire 540 reis; Centeio 400; Milho 400; Cevada branca alqueire 360; Feijão 900; Chicharo 400; Fava 400; Grão de bico 750; Batatas 320; Azeite almude 2:700; Vinho 1:100.

HOSPITAL REAL DE BEJA

EstatísticasMunicípio e administracção localSaúde e higiene públicaHospitaisMortalidade
Beja · Portugal Hospital

Movimento e mortalidade dos doentes do hospital no 1.º semestre de 1866 a 1867: Doentes do concelho 162; Ditos de fóra do concelho 303. Designações (Hom./Mulh./Total): Existiam do anno antecedente 19/5/24; Entraram até 31 de dezembro 277/104/381; Somma 296/109/405; Saíram (Curados 229/60/289; Melhorados 29/21/50; Mortos 14/14/28); Ficam existindo 24/14/38; Somma 296/109/405. Beja 31 de dezembro de 1866. José Francisco de Paula Soares.

EXTERIOR

Cultura e espectáculoEducacção e instruçãoExércitoJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaAssociaçõesBeneficênciaDebates políticosEstradas e calçadasGoverno civilInstrução públicaJulgamentosLimpeza urbanaLivros e publicaçõesNomeaçõesPrisõesQuartéisSegurança públicaSessões da câmaraTreinos e manobras
Lisboa · Madrid · Espanha · Portugal Correspondência · Exterior / internacional · Governo Civil · Interpretacção incerta

D’uma correspondência de Madrid, que publicou o Diario de Lisboa, extrahimos o seguinte: «A Gazeta e todos os jornaes de Madrid publicam hoje uma ordem do capitão general, communicada ao governador civil, nos seguintes termos: Tendo chegado ao meu conhecimento que alguns sujeitos inimigos da ordem publica e da sua segurança privada, concorreram e assignaram um protesto contra os actos do governo, ha mais de dous mezes publicados e recebidos pelo paiz com as demonstrações de espontaneo assentimento e da liberalidade que todos acabamos de vêr, e de não se terem reunido as côrtes no presente anno, interpretando falsa e malignamente os preceitos constitucionaes; estando firmemente persuadido de que os deputados da nação, achando-se legalmente privados do exercicio de seus papeis políticos, e a capital em estado de sitio, não tomam parte n’esse que deploro, e tenho o imperioso dever de castigar duramente; mas seguro tambem de que o protesto de que se trata esteve exposto para que se designasse clandestinamente no congresso dos deputados, tratando-se d’este modo ás leis no sanctuario em que se fazem, decidi que não se repita tal escandalo e que tracte a auctoridade civil de que se cumpram com a maior pontualidade as ordens e disposições que na sua presença ditei, no mencionado edifício, prohibindo a entrada e sahida nelle a todas as pessoas que não sejam os conservadores e os dezeseis empregados que teem ali o seu domicilio e estão encarregados da sua guarda e limpeza.» Seguem a esta despótica e ridícula ordem outras amarguíssimas communicações officiaes, próprias do sr. conde de Cheste e do sr. Gonzalez Bravo, que são hoje entre nós os únicos e mais impassíveis defensores do abuso e da reacção. Agora vêr-se-ha de que modo prudentíssimo e significativo termina a mencionada ordem; que explica o estado do ministério, e comprova as nossas considerações precedentes: «Se v. ex.ª tiver noticia de que a indicada reunião se celebra no domicilio de algum militar, avise-me opportunamente para que eu possa proceder contra elle que o farei desde logo, por mais brilhante que seja a sua categoria, e por mais estimavel que seja a sua pessoa.» Todos os jornaes receberam tambem instruções para que não omittam nem demorem, se preciso for, a circulação do jornal. Por isto póde formar-se idéa exacta do estado d’este governo. Mas que ganhará o paiz com a substituição prevista de O’Donnell e da sua camarilha? Os seus actos não vão tão longe que a infidelidade da lembrança possa dar-lhe o menor acolhimento na opinião publica. Parece-nos que a rainha se illude e muito em continuar a sustentar nos seus conselhos os moderados; mas se duvida deve continuar sempre receando e temendo tudo, no caso de rehabilitar na sua graça os unionistas. Não será difficil que assim succeda, porque a gente da união liberal tem um grande merecimento para o paço, que é o de ter vencido, e saber vencer revoluções. Sob todos os aspectos que sejam considerados os victorialistas e regeneradores a regia prerogativa não lhes póde achar outro, que não seja o attractivo de haver contribuido para deixar sem effeito a constituição decretada pelas côrtes constituintes em 1854, e de haver desatinado a milicia nacional, neutralisado o movimento de Prim, e fuzilado ultimamente os sargentos sublevados no quartel de S. Gil. Tudo isto como se sabe foi em nome da rainha e da conservação do seu throno, como o proprio duque de Tetuan declarou solemnemente no parlamento. Deve pois Isabel esquecer estes serviços? Actualmenle parece que assim acontece. Rios Rozas, presidente do congresso, Salvaterra, ex-ministro da fazenda, Posada Herrera, ex-ministro do reino e outros deputados e generaes unionistas pediram uma audiência particular á rainha para entregar-lhe, segundo se diz, o protesto que acabavam de assignar, e ponderar-lhe de viva voz o estado da opinião publica, e do paiz em geral. A resposta foi a negativa e acclamação in continenti de um conselho de ministros no paço. Todos esperamos conhecer as deliberações tomadas n’elle, que segundo uns, serão a demissão do ministério, e segundo outros, a prisão dos homens que se atrevem a oppor-se a Gonzalez Bravo e Narvaez. Tornaram-se precauções militares e o publico de Madrid assiste com visivel agitação a estes dramas de grande espectaculo político, nos quaes se disputa só e unicamente a posse do poder, e não a salvação da patria nem a iniciação de princípios regeneradores. Depois do que deixamos consignado nada mais conseguimos saber, ficando com avidez na expectaliva por tudo e para tudo. Terminamos por hoje a nossa revista sem registarmos noticias geraes, tanto porque carecem de interesse, como porque os successos indicados absorvem a attenção geral, e merecem toda a preferencia. Veremos amanhã o que posso communicar, que de certo deve ser alguma cousa importante, a julgar pelo movimento de generaes e ajudantes que se observa nas ruas de Madrid. A’ ultima hora. Foram hoje metidos na cadeia mais de 100 deputados do partido unionista, incluindo o presidente da camara popular, o sr. Rios Rozas, em consequência do capitão general de Madrid, o sr. Pezuela, tel-os surprehendido em uma reunião onde se havia redigido um protesto á rainha assignado por todos os membros principaes do partido unionista. Affirma-se que esta noute sahirão para Cadiz, e para Cartagena o sr. Rios Rozas e demais presos, que o governo manda pôr á disposição dos respectivos capitães generaes. Corre n’esta côrte o boato de que no momento de se apresentar na reunião de unionistas o capitão general, sr. Pezuela, para os prender foi expulso d’alli, e de mau modo, pelos mesmos unionistas. Rios Rozas, Dronism, Roberg, Posada Herrera, Fernandes de la Hoz, Saavedra, e um official da secretaria do congresso acham-se nas prisões militares. Rios Rozas não quiz abrir a porta da sua casa quando foi a policia prendel-o. Desde a meia noute do dia 29 permaneceu cercada a sua morada, e ás quatro horas da manhã arrombaram a porta para o conduzirem á cadeia antes que amanhecesse, para que o publico não presenceasse o facto. Que elle o presenceasse era o que desejava conseguir o preso. Continuam-se fazendo muitas prisões de deputados, e calcula-se que passam já de oitenta as pessoas arrancadas do seio das suas famílias. Todas essas pessoas occupam boa posição na sociedade, e a maior parte são deputados e ex-ministros da corôa. Este ministerio immortalisa-se. É possível que succeda alguma cousa importante, mas posso affirmar que se se trava a lucta entre unionistas e moderados, o povo sahirá para as ruas e lhes imporá a lei, isto é, será o seu triumpho.»

EXTERIOR—Constantinopla, 2

Geral

Submissão completa de Selino e Kimmos, duas posições fortificadas que os insurgentes cretenses occupavam. Os insurgentes foram completamente derrotados com perda de 200 homens, e fugiram desordenadamente para o mar. A maior parte d’elles embarcou, abandonando a ilha.

EXTERIOR—Madrid, 5

Madrid · Espanha Exterior / internacional · Geral

Na madrugada de 2 do corrente houve um tremor de terra em Argel; Blidah padeceu graves perdas; e as aldeias de Chifla, Ain-ben-mmi e Monzaiarotte ficaram quasi inteiramente destruídas.

EXTERIOR—Paris, 6

Paris · França · Reino Unido Exterior / internacional · Geral

Diz a «Patrie» que a França e a Inglaterra aconselham á Turquia moderação, e censuram os candienses. A «Gazeta da Cruz» diz que a questão do Oriente principia a assumir grandes proporções.

EXTERIOR—S. Petersburgo, 7

Polónia Exterior / internacional · Geral

Foi publicado um ukase restringindo a autonomia da Polonia.

EXTERIOR—Constantinopla, 7

Geral

Está inteiramente submettida a ilha de Candia.

EXTERIOR—Vienna, 7

Viena · Áustria Exterior / internacional · Geral

A folha official de Vienna diz que a Áustria não quer o fraccionamento do império turco, mas sim manter o «statu quo», para satisfação dos justos pedidos dos christãos.

EXTERIOR—Constantinopla, 7

Itália Exterior / internacional · Geral

A dissenção que existia entre a Turquia e a Italia foi accommodada pelo embaixador inglez.

EDITAL

Economia e comércioMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesCostumes e hábitosEstradasEstradas e calçadasGoverno civilMercados e feirasObras de infraestruturaObras municipaisPosturas e regulamentos
Beja · Portugal Câmara Municipal · Edital · Governo Civil

A camará municipal d’esta cidade de Beja etc. Faz publico que sua ex.ª o sr. governador civil d’este districto lhe ordenou que pozesse immediatamente em pleno vigor a postura seguinte: «Nenhuma pessoa pode no Mercado, ou Praça, atravessar, ou comprar por junto até ao meio dia, e para tornar a vender, caça, ou outros quaesquer mantimentos destinados para o abastecimento da cidade, sob pena de dois mil reis, e perdimento de genero. § unico. Nas mesmas penas incorrem os que sahirem ás estradas em qualquer dia e hora, a atravessar os ditos mantimentos, para os tornar a vender.» Pelo que recommendam aos competentes interessados que se abstenham de comprar e vender nos termos prohibidos na dita postura sob a pena que a mesma fulmina. E para que assim conste e se não allegue ignorância será este affixado nos logares públicos e do costume. Beja 10 de janeiro de 1867. O presidente. Manoel Thomaz Ferreira Nobre de Carvalho.