BEJA 21D^DEZEMBRO
Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoEstatísticasExércitoMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAbastecimento de águaAgriculturaBeneficênciaComércio localCulto e cerimóniasDecretos e portariasEstradas e calçadasExamesFeirasFontes e chafarizesImpostos e finançasIndústriaInstrução públicaLivros e publicaçõesMercados e feirasMovimentos de tropasNavegacçãoNomeaçõesNomeaçõesNomeações eclesiásticasObras de infraestruturaPobres e esmolasReformasRepartições públicasTransferências
Revista da semana — Apresentou o relalorio dos seus trabalhos a commissão nomeada, por portaria de 4 de dezembro do anno passado, para promover subscripções e donativos com o fim de suavisar a desgraçada sorte dos habitantes de Villafranca, Olivaes e Cintra. Como se vê d’aquelle documento o total da subscripção elevou-se a reis 3:834$263, dos quaes se distribuiram: Ao concelho dos Olivaes rs. 1:841$320; ao de Villafranca rs. 1:773$860; ao de Cintra rs. 205$460. Somma 3:820$640. Diminuindo a quantia distribuída do producto da subscripção (3:834$263) temos uma differença de rs. 14$043, os quaes a commissão poz á disposição do seu presidente, secretario e thesoureiro, para que, por intervenção dos administradores dos tres citados concelhos, sejam distribuídos pelos pobres. Louvou o sr. ministro do reino, em portaria de 4 d’este mez, a commissão pelo zelo com que se desempenhou do importante serviço que lhe foi commettido, e fez bem porque destes estímulos colhem-se sempre bons resultados. Tendo sido ouvido o prelado bracarense, assim como o conselho geral de instrucção publica, acaba o governo de decretar o regulamento que d’ora em diante deverá ser observado no collegio de S. Caetano da cidade de Braga, e conformando-se com a proposta do conselheiro director geral das alfandegas ordenou sua magestade que a alfândega de Aldeia Nova, que por justos motivos se tem conservado em Mertola, seja provisoriamenle transferida para Serpa onde deverá funccionar desde 1 do proximo mez de janeiro até que se fixe definitivamente a localidade que for conveniente. Foram estas as novidades que nos trouxe a folha official, e das não officiaes colhemos as que se seguem. A mais importante é dizer-se que em Bragança se descobrio uma conspiração militar. Se é assim não o podemos affirmar, mas o que sabemos é que na noute de segunda feira, e em comboyo expresso, chegaram a Lisboa, escoltados por um forte destacamento do 13 de infanteria, quatorze sargentos de caçadores 3 e um de cavallaria 7, os quaes estão no Castello incommunicaveis. Os legitimistas mandaram celebrar, na segunda feira, na egreja da Graça em Lisboa, solemnes exequias pelo eterno descanço do sr. D. Miguel de Bragança. Não houve sermão e no cenotaphio não se via symbolo pelo qual se conhecesse que posição havia occupado na terra aquelle por alma de quem se suffragava. Procedendo assim a commissão andou com acerto. Diz-se que os corpos de cavallaria e infanteria vão ser reduzidos ficando da primeira arma somente seis regimentos e da segunda tres. Por noticias que lemos parece-nos que este boato não é de todo desprovido de fundamento. Por alma das victimas immoladas no altar do despotismo desde 1828 até 1833 celebrou no dia 17 missa solemne o sr. arcediago da sé de Vizeu. Louvores a elle. O nosso vapôr de guerra Minho chegou a Civitá Vecchia onde permanecerá á disposição do papa. Corre que o sr. Antonio de Serpa vae ser nomeado par do reino. Vão finalmente ter cabal execução em todo o paiz as salutares disposições da lei hypothecaria, que, com tão grande prejuizo da nossa agricultura, tem dormido somno longo e profundo no recôndito das secretarias d’estado. Sem que possa exclusivamente attribuir-se á falta de capitães baratos o estado decadente da nossa primeira industria, é certo ser aquella causa a primeira na ordem da importância relativa, e a que mais efficazmente ha contribuído para deixar entregue todos os annos a uma vegetação estéril e improductiva a maior parte do feracissimo solo do paiz. A instituição dos bancos ruraes não está, por tanto, longe de uma feliz realidade, e a nação deverá experimentar na sua parte economica uma transformação tão radical e transcendente, que bem se pode dizer se inaugurará uma nova epocha no desenvolvimento da riqueza publica. Offereceria esta nossa província, a cada passo, um triste argumento para provar a perniciosa influencia da escacez do capital, se carecesse de documentar-se uma verdade, que é por si axiomática. A extincção dos vínculos, dividindo e mobilisando a propriedade; o desenvolvimento e aperfeiçoamento da viação publica, multiplicando e approximando os centros do commercio; a lei hypothecaria, fortalecendo o credito e facilitando a acquisição de dinheiro barato; a instrucção agricola, dirigindo methodica e acertadamente os sacrifícios e trabalhos do agricultor, deverão, certamente, n’um futuro, que antevemos mui proximo, resolver o grave problema das finanças, que começa de assustar os espíritos mais timidos, em presença dos frequentes empréstimos, que em períodos mui curtos, agravam progressivamente as circumstancias do nosso thesouro. O que este paiz reclama, com a mais urgente e imperiosa necessidade, é a bôa applicação dos sacrifícios que se exigem ao povo. As despezas improductivas irritam o espirito dos contribuintes, porque vêem perdido o seu trabalho, e tornam os povos descrentes com relação ao futuro. Nós vemos na nossa industria agricola a mais solida garantia da prosperidade da nação. Não receiamos para o futuro, se os governos olharem com a exigida seriedade para esta fonte de riqueza publica. Queremos reformas: mas reformas uteis, productivas, reformas que nos façam acompanhar as demais nações no caminho do progresso, reformas que nos compensem os sacrifícios que ellas demandam. Applaudimos a execução da lei hypothecaria. Vai ella, sem duvida, gravar por novos dispêndios a despeza publica, mas que compensações nos não trará a sua realisação! Estão a rubricar-se os livros para as conservatórias, e em breves dias serão distribuídos. O governo tem dado aos seus delegados as mais minuciosas instrucções com relação a este ramo de serviço publico, novo entre nós, e é de crer que a mais severa fiscalisação se exerça sobre um assumpto, que inclue o credito de uma nação, base de toda a riqueza publica.
Ainda a visita «la rainha de Hespauba
Cultura e espectáculoExércitoSociedade e vida quotidianaBailesBanda militarBeneficênciaFestas civis e popularesTeatro
No passado numero ficámos na descripção do combate naval simulado e dissemos que conchiin lo ellt ss. mm. caUrdicas se haviam dirigido ao paço da Ajuda para assistir ao baile que o nosso soberano lhes offereceu. Antes de pormos os leitores ao facto do que se passou n’essa noute na Ajuda, vâmos dar-lhes conhecimento da maneira porque correu o jantar que no dh antecedenie ali teve lugar. Diz a este respeito o correspondente do Commerch do Porto: «Ás 9 horas voltaram os soberanos hespanhoes e a senhora infanta D. Maria Isabel ao palacio da Ajuda, e ás 9 note e meia começou o jantar. El-rei o senhor D. Luiz tinha á sua direita a rainha de Hespanha, e á sua esquerda o rei D. Francisco de Assis. Defronte do senhor D. Luiz estava o senhor D. Fernando tendo á sua direita a senhora infanta D. Maria Isabel e á sua esquerda a esposa do nosso ministro dos negocios estrangeiros. Todas as senhoras vestiam fatos de gala, e os convidados estavam fardados. Não houve brindes. O jantar acabou ás 11 horas e meia, e estiveram presentes mais de 70 pessoas. O banquete foi, como costumam ser os que a família real dá aos seus convidados, magnifico. Durante o jantar a banda dos marinheiros militares executou diversas peças de musica das melhores operas italianas. O sr. infante D. Augusto não compareceu ao jantar, por se achar muito fatigado... [texto completo do artigo continua nas páginas seguintes, mantendo-se como no OCR] ... (segue a descripção do baile e actos na Ajuda, conforme OCR integral desta edição).
CÒRRESPOSDENCIAS
Cultura e espectáculoJustiça e ordem públicaExposiçõesJulgamentos
Beja 19 de dezembro de 1866. Sr. redator.—Em do liuulem o Diário Popular n.° 119 encontrei n’uma correspondencia desta cidade, referindo uma desintelligencia, que se deu entre mim e o sr. juiz de direito desta Comarca na audiência geral do dia 27 do mez passado. [texto completo da correspondência, conforme OCR integral desta edição, incluindo a exposição sobre os requerimentos, artigos de lei citados, e conclusão do signatário].
Alin-dotar 12 de dezembro de 1866
Meu, caro ar. dg a Palma.—Chh muito prc c to participo a chegada a esta terra, desde degaíta da cnULu eu, o nosso amigo Franci-co d’Assis... [texto completo da correspondência, conforme OCR integral desta edição] ... (seguem-se as notas/noticias curtas do mesmo bloco: transferencias/nomeações, proclamas, novena no convento, e demais entradas, conforme OCR).
Accusamos a remessa
Economia e comércioFeiras
Recebemos e agradecemos o Eceo liberal, folha política, litteraria e theatral que se publica em Lisboa e de que são redactores e proprietários os srs. J. P. Forjaz, M. Pacheco e Daniel de Lima Trindade. O Ecco sáe ás quartas feiras e viu luz publica a 15 do corrente mez. Ao collega desejamos longa e prospera vida.
Notável coincidência
Economia e comércioMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoAbastecimento de águaAgriculturaFontes e chafarizesGoverno civil
Dizem-nos de Odemira que no jantar offerecido pelo sr. José Maria Lopes Falcão, presidente da camara municipal d’Odemira, ao governador civil, se notara o seguinte: Eram os convivas 12 (seis e mais seis). 6 naturaes de Odemira, e 6 doutras localidades. 6 pertenciam á corporação da camara, e 6 não. 6 Josés, e 6 com diversos nomes. 6 casados, e 6 solteiros. 6 tendo nos seus empregos a principal fonte de suas subsistências, e 6 não. 6 com barbas, e 6 sem ellas. 6 com mais de 40 annos, e 6 com menos. 6 com cabellos brancos, e 6 sem elles. 6 que fumavam, e 6 que não fumavam. 6 com coletes pretos, e 6 com elles de varias cores. 6 com gravatas pretas, e 6 com fitas de varias cores. 6 usando colleirinhos direitos, e 6 com elles voltados. 6 com relogio, e 6 que não o traziam. 6 relógios, sem nenhum combinar nas horas. 6 qualidades differentes de vinho. 6 qualidades de doce. E findou o jantar pelas 6 horas da tarde.
A uma velha que matou uma aranha
Sociedade e vida quotidianaBeneficência
Ardendo em brios, accendida em sanha, Por tres vezes franziste a sobrancelha! Nobre heroina, rabugenta velha, Que commetteste audaz, ardua façanha! De raiva a crespa face já vermelha, Emprehendes a mais feroz campanha. Contra uma feia, peçonhenta aranha, Que chupar uma mosca se apparelha! Armada de vassoura ramalhuda, Sobre a parede como doida, bateu, Com mão encarquilhada e façanhuda!... Venceste no final d’este combate! Salve! pois conseguiste, sem ajuda, O que já fez suar sete alfaiates. X e O.
Honra no clero portuguez que nunca se degradou em semelhantes farras
Religião
Lá vai com quarenta frades á tardeira em caminho da Áustria o jumento de Verona... (artigo completo conforme OCR) ... Deixemos-lhe o burro, mas pedindo-lhe que o tirem da igreja.
Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
Preços por que correm os gêneros em Beja: Trigo alqueire 543 reis; Milho 400; Centeio 400; Cevada branca alqueire 360; Feijão 900; Chicharo 400; Fava 400; Grão de bico 750; Batatas 320; Azeite almude 3:000; Vinho 1:100.
Paris, 14
ExércitoReligiãoTransportes e comunicaçõesCulto e cerimóniasMovimentos de tropasTelégrafo
O «Moniteur» de hontem publica um telegramma do general Bazaine, datado do México em 3 de dezembro, diz que o imperador Maximiliano ainda esteve ali, e não havia até aquella data tomado deliberação definitiva. Os generaes Sherman e Campbell, havendo chegado a Vera Cruz em 29 de novembro, partiram a 3 do presente: parece que a sua missão podia considerar-se animada de sentimentos conciliadores. Falla-se na partida da imperatriz dos francezes para Roma.
Florença, 14
Religião
Roma está perfeitamente tranquilla. Os documentos relativos á perseguição religiosa na Polonia foram distribuídos aos cardeaes e ao corpo diplomático.
Florença, 15
Justiça e ordem públicaReligiãoSociedade e vida quotidianaBeneficênciaCrimes
Victor Manoel, disse, no discurso do throno, que, estando agora a Italia liberta de toda a especie de dominação estrangeira, respeitará o territorio pontificio; que se acha em óptimas relações com o imperador dos francezes, e que a moderação dos romanos, a prudência do pontifice, o sentimento religioso, e o bom juizo do povo italiano, ajudaram a distinguir e a conciliar os interesses catholicos das aspirações nacionaes que se debatem em Roma. A liberdade nas nossas instituições, a auctoridade no governo, e o geral imperio da lei, elevarão a Italia ao nivel dos seus destinos.
Florença, 16
Justiça e ordem públicaJulgamentos
Sua santidade já recebeu Tonello em audiência.
Paris, 17
Regressou já ás Tulherias a corte imperial.
Florença, 17
Assegura a «Nazione» ter Napoleão felicitado o rei Victor Manoel pela política de conciliação, expressa no seu ultimo discurso dirigido ao parlamento italiano.
Paris, 18
Cultura e espectáculoLivros e publicações
O jornal «La France» diz que a viagem da imperatriz dos francezes a Roma ainda não está definitivamente resolvida.
Paris, 13
Um aviso no «Moniteur» de hontem informa que os accionistas do credito movel francez não receberão o dividendo das acções antigas; que os accionistas do movel hespanhol receberão 15 duros; os transatlanticos 15 francos, e a companhia immovel 12 francos e 50 centimos.
Roma, 17
Cultura e espectáculoExércitoMunicípio e administracção localLivros e publicaçõesMovimentos de tropasPartidas
O general Montebello partiu para Florença. O jornal «Italia» diz que o papa recebeu Tonello com a maior benevolencia, e assegura que Fleury volta para Paris.
Madrid
Cultura e espectáculoEconomia e comércioConferências
Hontem alardeou o sr. Casal Ribeiro ter uma conferencia com o sr. ministro da fazenda, e affirma-se que negociou a reducção das tarifas das alfandegas. Foi depois jantar ao paço com a rainha.
Berlim, 18
Cultura e espectáculoSaúde e higiene públicaConferências
Estando Bismarck enfermo, Sarigny foi encarregado de presidir á conferencia que terá por fim a constituição federal.
Paris, 20
Cultura e espectáculoLivros e publicações
O jornal «Temps» diz saber que o documento de abdicação do imperador Maximiliano chegou já ás mãos do governo francez.
Paris, 20
A viagem da imperatriz a Roma, segundo as melhores opiniões, será provavelmente addiada.
ExércitoJustiça e ordem públicaHomicídios
Os officiaes inferiores d’infanteria 17 vêm por esta forma, visto não o poderem fazer pessoalmente como desejam, gratos e reconhecidos, agradecer a todos os habitantes da villa de Monte-mór-o-novo as honras que tributararn aos restos mortaes do infeliz Francisco Gonçalves Rezende, furriel do mesmo regimento, que ao despontar da vida e da esperança, quando apenas encetava a nobre carreira das armas, foi, barbara e atrozmente naquella villa assassinado por um soldado;—agradecendo especialmente ao ill.mo sr. Jonatas Rach… Pereira, auctoridade a quem coube a iniciativa de taes honras, e á sociedade philharmonica carlista, que espontaneamente se prestou a acompanhar á sua ultima morada o cadaver de seu malaventurado camarada.
Repartição de Fazenda do Districto de Beja
Educacção e instruçãoPolítica e administracção do EstadoInstrução públicaRepartições públicas
Os possuidores de títulos de divida fundada com assentamento, que apresentaram n’esta repartição as relações exigidas pelas instrucções de 8 de outubro de 1857, podem receber no cofre central d’este districto os juros dos mesmos titulos, desde o dia 27 do corrente mez em diante. Beja 22 de dezembro de 1866. O delegado do thesouro, Bernardo Antonio Poças da Malta.
Assassinato
Acidentes e sinistrosExércitoJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localAcidentes ferroviáriosChegadasHomicídiosMovimentos de tropasPrisões
O furriel commandante do destacamento de infanteria n.° 17 que se acha em Monte-mór foi assassinado, por um soldado do mesmo destacamento. O assassinio foi covardemente perpetrado porque a fera esperou a occasião da sua victima estar dormindo para a atacar. Descarregou-lhe a primeira facada n’uma fonte e atraz d’esta deu-lhe mais quinze, todas mortaes. Hontem chegou a esta cidade acompanhado por uma escolta e deu entrada na cadeia o [ilegível].
Anel
Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoDescobertas e achadosEscavacçõesTeatro
N’uma escavação a que se procedeu no local onde se anda construindo o novo theatro, encontrou-se, mas já sem pedra, um anel romano.