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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 1024
34 notícias

Acontecimentos na Europa

Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoAcidentes de trabalhoConferênciasCrimesDebates políticosEleiçõesExplosõesFestas civis e popularesIncêndiosLicençasMovimentos de tropasSessões da câmara
Alcácer · Berlim · Lisboa · Paris · Alemanha · Europa · França · Grécia · Itália · Portugal · Reino Unido Exterior / internacional · Interpretacção incerta · Islâmico

Promettemos no preterito numero apresentar o texto da nota enviada á Turquia e á Grecia pelas potencias signatarias do tratado de Berlim, mas antes de darmos cumprimento á nossa promessa seja-nos concedida a permissão de fallar em primeiro logar dos successos de França. As eleições para conselheiros geraes deram, conforme se esperava, nova e assignalada victoria aos republicanos; a derrota dos conservadores e clericaes foi monumental; os republicanos obtiveram mais de duzentos e quarenta logares de conselheiros geraes, facto importante e que demonstra por uma fórma bem clara que a França, não obstante os esforços do ultramontanismo para a perderem, está firme no seu posto de honra para sustentar a liberdade, o progresso e a republica, unica fórma de governo que a salvou da horrivel desgraça que lhe preparou o imperio. Os conservadores, de mãos dadas com os ultramontanos, tinham todas as esperanças na lucta eleitoral; os seus trabalhos eram formidaveis; a urna, porém, declarou-se-lhes adversa, e os inimigos da liberdade tiveram de curvar a cerviz e de se confessarem vencidos. Gloria á republica franceza! Na Republique Française e noutras diversas folhas de Paris encontrámos dois importantes documentos, referimo-nos ás mensagens que os centros republicano federal e republicano democratico de Lisboa enviaram á municipalidade da grande capital e á imprensa, por occasião dos festejos em commemoração da tomada da Bastilha. Damos um dos documentos, a mensagem dos republicanos moderados de Lisboa, e sentimos que o espaço nos inhiba de transcrever o segundo documento. Durante a semana passada reuniu-se em Paris um congresso regional de operarios, ao qual a imprensa republicana não deu grande attenção e cujas doutrinas só duas ou tres folhas acceitam; a imprensa reaccionaria fez, a seu gosto, grande espalhafato com as theorias que no congresso se expozeram. A reunião intitulou-se Congresso regional de operarios revolucionarios collectivistas. A reunião compõe-se naturalmente de maioria e minoria, e esta, que é pouco numerosa, sustenta o programma do delegado do Havre, que publicam com satisfação algumas folhas republicanas, pois não contem proposições revolucionarias, mas manifesta a firme esperança de que a evolução ascendente do actual proletariado se verificará a favor das instituições republicanas. O programma da maioria é muito differente, porque é resolutamente revolucionario e comprehende que o seu ideal só é realisavel pela força. Este ideal é uma sociedade fundada sobre o principio do collectivismo, isto é, da communidade fraccionada. O facto dos reaccionarios se encommendaram com as reuniões dos collectivistas é bastante significativo. Passando porém dos assumptos da politica interna de França para a questão oriental, somos obrigados a dizer que as negociações travadas entre a Turquia e a Grecia para a rectificação das suas fronteiras não tendo dado resultados alguns, os plenipotenciarios das potencias chamados pelas provisões do acto de 13 de julho de 1878 a exercer a mediação entre os dois Estados reuniram-se em conferencia em Berlim e adoptaram por unanimidade o traçado seguinte: a fronteira seguirá o thalweg do Kalamas, desde a embocadura d’este rio no mar Jonio até á sua nascente, nas vizinhanças de Han Kalabaki, depois as cumeadas dos montes que formam a linha de separação entre as bacias: ao norte da Wouitz, de Halikmon e do Mavroneri e seus tributarios; ao sul, do Kalamas, da Arta e Aspropotamos e do Salambryas, para ir terminar no Olympo, de onde seguirá as alturas até á sua extremidade oriental sobre o mar Egeu. Esta linha deixa ao sul o lago de Janina e todos os seus affluentes, assim como Metzowo, que ficarão pertencendo á Grecia. Conquanto o sultão, mal aconselhado pelos softas, haja declarado que recusa satisfazer aos desejos das potencias signatarias do tratado, os embaixadores, e mui principalmente os embaixadores da França, Inglaterra e Italia, empregam ainda os maximos esforços para resolverem a Sublime Porta a acceitar as decisões da conferencia. Vamos finalisar por hoje este nosso trabalho com a importante noticia dos graves successos em Marrocos. Conforme é sabido, rebentou ha tempo uma sublevação entre as tribus montanhezas fronteiras d’Alcazar, contra o sultão de Marrocos. As hostes imperiaes acaudilhadas pelo pachá de Laracha teem sido por vezes derrotadas, tendo que refugiar-se em Alcacer Kibir, cuja população estava muito consternada á data das ultimas noticias, pois os montanhezes vencedores tratavam de forçar a entrada da cidade a ferro e fogo. Os sublevados estavam a menos de uma hora de distancia e em negociações com os mouros da planura, cuja tribu defende o ingresso da cidade. Talvez alcancem com ameaças o que não consigam com razões. As cabylas revoltosas acclamarão por unico chefe um pastor chamado Buemba, joven de muita energia, cujo nome infunde terror ás tropas inimigas. De Fez esperavam-se reforços, mas n’esta capital tambem se temia sublevação, á qual se attribuia a não chegada dos reforços, e, por tanto, a situação do imperio era gravissima, que continua ameaçado d’um movimento popular contra a tyrannia do sultão que é peior do que a dos seus antecessores. Os mouros mais illustrados e prudentes, conhecidos pela reserva das suas opiniões, começam a censurar altamente o governo e a maldizer o sultão. Como remate d’estas noticias, devemos dizer que fugiram das prisões todos os prisioneiros que estavam em Wazen, cidade proxima de Alcacer e residencia do grande xerife, tendo sido mortos, pelos evadidos, os guardas que os custodiavam.

Vill’Alva

Acidentes e sinistrosExércitoJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localHomicídiosMovimentos de tropasPartidas

Foi morto, sabado, das nove para as dez horas da noite, a tiro, o negociante Capello de Vill’Alva, e ferido levemente o prior da mesma localidade. Capello, o prior e o regedor, estavam conversando tranquillamente na loja do primeiro. A espingarda de que o assassino fez uso foi carregada com cinco ballas e onze zagalotes. Que os animos de ha muito estavam excitados em Vill’Alva sabiamo-lo todos, mas do que nunca ninguem se lembrou foi que se chegasse a meios extremos. Para Vill’Alva partiu uma força do 17 de infantaria. Oxalá as coisas melhorem.

Cultura e espectáculoEconomia e comércioFeiras

O Camões e dois cosmoramas, eis as distracções offerecidas aos feirantes. Espectaculos de 40 rs., que apesar de baratos teem sido pouco concorridos.

Justiça e ordem públicaCrimes

O serviço de fornecimento da carne tem sido irregularissimo n’estes dias. Que faz a policia que não impõe aos marchantes as multas estipuladas no contracto?

Publicou

Cultura e espectáculoConcertos

se o n.º 6 do Recreio musical.

Saúde e higiene pública
Correspondência

Continua, infelizmente, doente, o nosso correspondente, o sr. M. Bruno. Fazemos votos pelo seu restabelecimento.

Saúde e higiene pública

Partio para as Caldas, a fim de se restabelecer da enfermidade que tanto o tem opprimido, o nosso collega do Diario da Manhã, o sr. Pinheiro Chagas. Desejamos promptas melhoras.

Odemira

Município e administracção local
Odemira · Portugal

Pedio os diplomas de descobridor legal das minas de manganes e ferro, situadas, uma na herdade de Valle da Pedra, freguezia de S. Luiz, concelho de Odemira, e outra na herdade do Cerro, na mesma freguezia e concelho, Thomaz Carr.

Geral

Sahiu o 7.º fasciculo dos Martyres do Christianismo.

Economia e comércioAgriculturaFeirasPecuária
Interpretacção incerta

Esteve má a feira. Um mercado da somenos aldeia do norte mette mais gente e mercadorias, mas ainda assim nem o pouco que appareceu teve compradores. O trigo preto nenhuma procura, e pelo lobeiro fino offereceu-se 440 rs.! Gados, cada um vendeu-os pelo que lhe offereceram, excepto o muar que teve valor.

Cultura e espectáculoTouradas

E de touradas? O que era de esperar. Más.

Justiça e ordem públicaCrimes

O sr. José Maria de Andrade, juiz de direito d’esta comarca, tem licença por trinta dias.

Serpa

Economia e comércio
Serpa · Portugal

Foi encarregado de dirigir a alfandega de Serpa, o segundo official da alfandega do consumo, o sr. Antonio de Pina Manique.

Publicou

Paris · França Exterior / internacional · Geral

se a 34.ª caderneta de As Doidas em Paris.

ExércitoSaúde e higiene públicaBanda militarHospitais
Hospital

A banda do 17 de infantaria e a Philharmonica artistica teem tocado, alternadamente, perto da barraca do bazar em beneficio do hospital civil.

Distribuiu

Geral

se o n.º 27 da primorosa illustração Os Dois Mundos.

Publicaram

Geral

se os fasciculos 107 e 108 do Diccionario de geographia universal.

ExércitoNomeaçõesTransferências

O sr. Correia Leotte, tenente coronel do 12 de infantaria, foi transferido para o 17 da mesma arma, e o do 17, o sr. Bramão, para caçadores n.º 10.

EstatísticasSaúde e higiene públicaHospitais
Beja · Portugal Hospital

O bazar em beneficio do hospital de Beja, louvavelmente realisado pela actual mesa, tem rendido até hoje o seguinte: dia 10, 167$040; dia 11, 99$405; dia 12, 54$590; total, 321$035.

Município e administracção localSociedade e vida quotidianaFalecimentos
Mértola · Portugal

Pelo fallecimento do sr. João Paulo de Freitas, vagou o logar de escrivão de fazenda do concelho de Mértola, n’este districto.

Geral

Foi nomeado escripturario do escrivão de fazenda d’esta comarca, o sr. Pires Lavado.

ReligiãoSaúde e higiene públicaHospitais
Alvito · Portugal Hospital

RELAÇÃO das pessoas que teem concorrido com prendas para o bazar que se vae realisar em beneficio do hospital desta cidade: Miguel Joaquim de Brito, José Joaquim d’Almeida e sua esposa, D. Maria Ignez, D. Constança Augusta Goinhas, Fernando Cesar Penedo, Joaquim Antonio Trindade Junior, D. Estefania Octavio Rego Junqueira, D. Maria Emilia Negrão Barradas, D. Amalia Esteves Mendes, Antonio Mendes Carôxo, dr. Francisco Xavier de Menezes, Duarte Barrão, João Rodrigues Mano e esposa, D. Maria Carlota Ramos e irmã, Padre Joaquim José de Vargas, Joaquim Poças Leitão, Joaquim Antonio da Rosa Mendes, D. Marianna Maxima de Sousa Segurado, Francisco José Penedo Nobre de Carvalho, José Duarte Laranja Palma, José d’Oliveira Fernandes e familia, Fermino Penedo Manso, João Nunes d’Oliveira, D. Marianna Rita Barbosa de Lemos, D. Isabel Lopes Puppe, Marqueza d’Alvito, D. Maria E. M. Lopes Aguiar, D. Maria Adelaide Moreira, D. Maria José das Dores Guerreiro, D. Adelaide Elvira Poças, D. Maria das Dores Castro e Sousa, dr. Rafael da Cunha Barradas, Miguel José de Mendonça e esposa, Manoel de Castro e Brito, José Pedro Ponita, D. Luiza Grill, D. Maria Carlota Grill, Luiz Antonio Infante Passanha, José Francisco da Silva, Manoel Thomaz da Matta Veiga e esposa, D. Marianna Maldonado Passanha, D. Maria Christina Maldonado Passanha, D. Camilla Maldonado Passanha, e Luiz da Affonseca Maldonado Passanha.

Cuba

Cuba · Portugal Geral

O delegado do procurador regio na comarca de Cuba, o sr. dr. Fortunato Frederico de Mello, foi transferido para Mafra.

Cuba

Cuba · Portugal Geral

Foi transferido da Mafra para Cuba o delegado do procurador regio.

Beja · Portugal Geral

O sr. engenheiro José Gomes Ribeiro foi mandado servir na direcção das obras publicas de Beja.

Geral

Já tomou posse o primeiro engenheiro districtal, o sr. Poças Leitão.

ExércitoBanda militar

Tocou, domingo, no largo nove de julho, das 6 ás 8 da tarde, a banda do regimento d’infantaria 17.

Aljustrel

Município e administracção localPolítica e administracção do EstadoGoverno civil
Aljustrel · Portugal Câmara Municipal · Governo Civil

Mandou-se, pelo governo civil, syndicar dos actos da camara municipal de Aljustrel.

Aljustrel 2 de agosto

Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoAbastecimento de águaAgriculturaColheitasFurtos e roubosGoverno civilLivros e publicaçõesNomeações
Aljustrel · Portugal Governo Civil · Interpretacção incerta · Islâmico

Aljustrel tem dentro de si o ex.mo sr. Augusto Cesar de Sampaio, digno administrador de Ferreira, que vem syndicar os actos da camara d’este concelho do anno de 1868 a esta parte. Os bons creditos que goza o ex.mo syndicate são garantia sufficiente para darmos os parabens ao concelho e ao ex.mo governador civil por tão acertada nomeação; e que, segundo o que temos lido n’este jornal e o que temos ouvido a pessoas competentes, leva-nos a crer que s. ex.ª fará uma boa colheita para o cofre municipal que tem sido um poço de prodigalidades para certos figurões, que pelo muito que comeram n’outro tempo vão agora vomitar. É de grande proveito para este concelho a syndicancia; por ella se descobrirá a verdade do que se tem escripto e quem são os meninos que teem feito d’este concelho um Pinhal d’Azambuja e a protecção escandalosa que lhe foi concedida pelo ultimo consulado do sr. visconde da Boa-vista. Tem o sr. Sampaio que trabalhar muito se quizer descobrir os mysterios que reduziram este concelho ao mais lastimavel estado de abatimento moral e material; n’elles descobrirá s. ex.ª o negocio infame que se fazia com os expostos e o roubo de que eram victimas os contribuintes com as derramas municipaes. Sentimos que o illustre funccionario só tenha ordem para syndicar de 1868; se a auctorisação se estendesse mais, cremos que a colheita seria melhor. Contaram-nos que o sr. Metello tem recebido a mais do seu ordenado 2:100$000 reis que as vereações teem de pagar, isto em consequencia do ordenado ser de 150$000 e a camara h’o elevar a 300$000 reis sem ir a concurso. É talvez por o sr. Metello ter comido tanto, que vomita ao ver a mais pequenina ferida.

A Moda illustrada

Economia e comércio

Distribuiu-se o numero 39, 2.º anno, d’este excellente periodico de familias, o primeiro no genero entre nós, e que muito honra a acreditada Empreza Horas romanticas que o publica. Esta publicação torna-se de dia para dia mais util e interessante.

Os Martyres do Christianismo

Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoEconomia e comércioPreçosEpigrafiaLivros e publicaçõesPreços e mercados
Porto · Portugal

Está publicado o fasciculo n.º 6 do romance que sob esta epigraphe está sahindo dos prelos da Bibliotheca do Cura de Aldeia do Porto. Com o 8.º fasciculo finalisa o segundo e ultimo volume d’este romance que tem prendido a attenção de todos que sabem apreciar os bons livros. Todas as semanas sae regularmente um fasciculo de 48 paginas, pelo preço de 60 reis. A remessa para as provincias é feita quinzenalmente, custando cada fasciculo de 96 paginas 120 reis.

Jornal de Viagens

Cultura e espectáculoLivros e publicações

Distribuiu-se o numero 63.

Novissimo Diccionario Orthographico e Prosodico da Lingua Portugueza, por Gaspar Alvares Marques

Economia e comércioPreçosReligiãoFestas religiosasObras religiosasPreços e mercados
Lisboa · Porto · Portugal

Está publicado o fasciculo n.º 6 d’este diccionario riquissimo em vocabulos, como nenhum outro diccionario de egual tamanho e preço até hoje publicados, tendo por fim especial indicar a melhor orthographia e a mais recta pronuncia, tornando-se por isso indispensavel a quantos fallam e escrevem a lingua portugueza. Esta obra, para a qual se assigna no escriptorio da Empreza Maravilhas da Creação, travessa de Santa Justa, 95, 1.º Lisboa, constará de um volume com mais de 400 paginas, dividido em 10 fasciculos, pelo preço de 120 reis cada um, pago no acto da entrega em Lisboa e Porto, sendo a assignatura para as demais terras do paiz paga adiantadamente por tres vezes, depois de recebidos o 1.º, 5.º e 8.º fasciculos, ou 400 reis de cada vez.

Os Homens da Cruz Vermelha

Economia e comércioPreçosPreços e mercados

Está concluido o 3.º volume do excellente romance historico de Carlos Pinto de Almeida, e que sob este titulo foi editado pela Empreza das Horas Romanticas. No prelo está o 4.º e ultimo volume, do qual já se distribuiram as primeiras folhas. No escriptorio da Empreza continua aberta a assignatura. Todas as semanas se distribue um fasciculo de cinco folhas e uma gravura, pelo diminuto preço de 50 reis.