Arquivo
O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 1044
53 notícias

Acontecimentos na Europa

Justiça e ordem públicaSociedade e vida quotidianaConflitos locaisDenúncias e queixasFalecimentosJulgamentosPrisões
Madrid · Paris · Espanha · Europa · França Correspondência · Exterior / internacional

As folhas parisienses occupam-se muito da polemica levantada a proposito dos artigos inseridos por Le Voltaire, firmados por Historias, pseudonymo em que se occulta, diz-se, um amigo de Gambetta. Demoremo-nos um pouco n’esta questão. A origem da polemica provém de Rochefort não ter assistido aos funerais de Alberto Joly; a ausencia foi principalmente notada pelos redactores do Voltaire, inserindo esta folha um violento artigo de censura a Rochefort no qual entre outras cousas dizia que lhe devia ser muito grato pelos favores que o fallecido lhe prestou durante a prisão em 1871; o Intransigeant, orgão dos radicaes e escripto por Rochefort, respondeu immediatamente ao Voltaire, negando redondamente. O Voltaire replicou sustentando a affirmativa; o articulista declarou mais que ouvira o contrario no dia 20 de outubro ultimo, ás 5 da tarde, da bocca do proprio Alberto Joly, no salão do Prado de Madrid, e accrescentou que os passos dados por Joly não deviam ser os ultimos, posto que Rochefort fosse condemnado a deportação, porque permaneceu em Paris até 24 de maio, do que deduzia que semelhante favor não se concedia a um obscuro advogado, como era então Albert Joly. Novas negativas do Intransigeant obrigaram o Voltaire a publicar uma carta dirigida n’aquella época pelo sr. Rochefort ao sr. Gambetta, publicada n’esta carta. Rochefort dirigiu-se ao Voltaire reclamando violentamente o nome do auctor, sem que podesse sabel-o, e tratou de historiar o seu procedimento durante o processo de 1871. Na sua narrativa, que não podemos traduzir por ser demasiado extensa, diz que nunca fez o menor esforço para que se modificasse a sentença que o condemnava, e affirma que não podia prohibir que qualquer pessoa se interessasse por elle; não nega a carta escripta a Gambetta, mas diz que o fez por conselho do seu advogado, que não conhecia n’essa época. Os artigos teem sido de parte a parte muito violentos e d’esta questão, na qual os conservadores pretendiam ver a possibilidade d’um duello entre Rochefort e Gambetta, tem resultado a perda do prestigio para o primeiro.

Acontecimentos na Europa

Cultura e espectáculoEducacção e instruçãoTransportes e comunicaçõesExamesInstrução públicaNavegacção
Porto · Roma · Washington · Espanha · Estados Unidos · Europa · Itália · Portugal Exterior / internacional · Interpretacção incerta

Fora d’esta questão, a imprensa continua a preoccupa-se dos assumptos do Oriente, principalmente da questão grega, os quaes são já bem conhecidos dos nossos leitores. Fallámos em a nossa preterita revista ácerca da questão levantada a proposito de certas e determinadas negociações ao que parece entaboladas entre os gabinetes de Constantinopla e Washington, e temos hoje de fallar d’um incidente diplomatico que acaba de surgir entre a Porta e a embaixada d’Italia. É um novo assumpto que vivamente preoccupa o mundo diplomatico. Os jornaes turcos fornecem muitas versões ácerca d’este incidente, muito semelhante aos que ultimamente teem havido entre Portugal e Hespanha. A noticia do Vakit, reproduzida pelo Stamboul sob o titulo “Incidente de Metelin”, parece ser a mais acceitavel: “Ha dias, a população da aldeia de Kalonia atacou os barcos de pescadores italianos, por causa do lançamento das redes, e feriu muitos homens das suas tripulações. Em seguida a este incidente, o consul italiano em Metelin pediu satisfação official a Kémal-Bey, o governador da ilha. Kémal-Bey recusou a satisfação solicitada pelo consul, o qual protestou na sua embaixada contra o procedimento do governador. O conde Corti, embaixador d’Italia, communicou immediatamente a occorrencia ao gabinete de Roma, e o governo italiano, sem proceder ás formalidades preliminares para obter a satisfação, deu ordem ao couraçado Ryka para partir sem demora para Syra. O navio já fundeou no porto. A fragata ficará provisoriamente em Syra, ás ordens do embaixador italiano, e se ao terminar o praso indicado pela embaixada para a satisfação pedida, o governo não a der, o couraçado italiano partirá para Metelin. Segundo as instrucções enviadas pelo gabinete de Roma, a satisfação pedida pelo embaixador d’Italia, já consignada n’uma nota entregue á Porta, consiste nos quatro pontos seguintes: 1.º De conformidade com a lei, os aggressores serão punidos exemplarmente; 2.º Os pescadores victimas da aggressão serão completamente indemnizados; 3.º Uma satisfação será dada ao pavilhão italiano, insultado por essa aggressão; 4.º Kémal-Bey, governador de Metelin será demittido. A sublime Porta ainda não respondeu á nota e o Vakit diz que não póde prever as consequencias que d’ella podem resultar.” É provavel que este incidente termine amigavelmente; a presença da fragata italiana nas aguas turcas é sufficiente para obter as satisfações pedidas. Entretanto, esta demonstração naval isolada, dá margem a que se deplore ser indispensavel o recurso da força, todas as vezes que surge a menor pendencia entre a Turquia e os governos estrangeiros. A imprensa ingleza continua a preoccupa-se com a importante questão de agitação na Irlanda.

Geral

Circular aos delegados do thesouro para que informem ácerca do pessoal empregado no serviço do real d’agua.

Geral

Programma para a sessão real de abertura das cortes.

Município e administracção localPolítica e administracção do EstadoDecretos e portarias
Câmara Municipal

Decreto dissolvendo a camara municipal de Villa Flôr.

Geral

Ditto tendente a crear provisoriamente um direito addiccional dos direitos especificados nas tarifas e um leve direito geral ad valorem sobre os productos actualmente livres na importação e na exportação, para habilitar os cofres de Moçambique a occorrer a gastos imprevistos.

Economia e comércioImpostos comerciais

Circular, a respeito do serviço para a distribuição do imposto do rendimento.

Política e administracção do EstadoDecretos e portarias
Interpretacção incerta

Parecer da procuradoria geral da corôa e fazenda ácerca do decreto que mandava suspender, para os effeitos da reforma, o que beneficiava os coroneis de infanteria.

Arqueologia e patrimónioJustiça e ordem públicaPrisõesRuínas e monumentos

Está aberta no escriptorio do “Bejense”, rua da Cadeia Velha n.os 15 a 17, a subscripção nacional para um monumento que se ha de erigir ao grande escriptor Alexandre Herculano.

Economia e comércioMunicípio e administracção localImpostos e finanças

A camara incluio verba no seu orçamento para a instituição de um curso nocturno e dominical.

Cultura e espectáculoReligiãoConcertosCulto e cerimónias

A missa do Natal em S. Thiago foi por musica vocal e instrumental.

Economia e comércioEducacção e instruçãoMunicípio e administracção localEscolasImpostos e finanças
Câmara Municipal

No orçamento geral, para o anno civil proximo, a camara municipal incluio verba para duas escolas do sexo masculino e tres do feminino.

Cultura e espectáculoMunicípio e administracção local

Ha projecto da municipalidade abrir por todo o anno proximo a bibliotheca popular.

Hoje ha Te

Religião
Igreja

Deum em todas as egrejas parochiaes e nos conventos.

Esteve mal, mas felizmente acha

Geral

se em via de restabelecimento, o digno commandante do 17 de infanteria.

ExércitoQuartéis
Beja · Évora · Portugal

Regressou ao seu quartel em Beja a força do 17 de infanteria que estava guarnecendo Evora.

Aljustrel

Aljustrel · Portugal Geral

Em Aljustrel foram encontradas, nas noites de 20 e 21 deste mez, abandonadas, duas recemnascidas do sexo feminino.

Economia e comércio

Os mercados, nesta semana, teem estado abundantissimos.

Suicidou

Economia e comércioFeiras
Beja · Portugal

se na madrugada de segunda feira no largo do Duque de Beja, disparando sobre a região parietal um revolver, o nosso amigo o sr. Fernando César Penedo. Era um homem de bem. Paz á sua alma.

Domingo fez

Economia e comércioPolítica e administracção do EstadoAgriculturaEleições

se a eleição da direcção da Sociedade philharmonica bejense, sahindo eleitos os srs. Antonio Cesar Banha, Antonio Henriques Vital, Demetrio Duarte de Campos, José Gomes Xavier de Mattos, Manoel Thomaz da Matta Veiga, e para thesoureiro Francisco de Paula Soares.

Município e administracção local
Beja · Ourique · Portugal

Esteve em Beja o nosso collega e digno administrador do concelho de Ourique, o sr. Gomes Pardieiro.

Geral

Está completamente restabelecido o distincto advogado, o nosso amigo o sr. dr. Rafael da Cunha Barradas.

Economia e comércioMunicípio e administracção localAgriculturaarrematações

A camara arrematou domingo, em dois lotes, o trigo de fóros, quintos, juros e capitães do celleiro commum. Um lote foi arrematado por 285 reis cada decalitro e o outro por 280 rs.

Geral

Passa a tomar assento, na commissão executiva, o substituto o sr. Sousa Telles.

Arqueologia e patrimónioMunicípio e administracção localRuínas e monumentos

Alguns jornaes teem louvado a nossa camara por haver subscripto para o monumento a Alexandre Herculano.

Política e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaAssociaçõesBeneficênciaEleições
Porto · Portugal

Domingo teve logar a eleição dos membros que devem compôr a mesa da assembléa geral, direcção e mais cargos da associação de soccorros mutuos dos artistas bejenses. Foram mais votados: Assembléa geral: presidente—Antonio Joaquim de Sant’Anna; vice-presidente—Amaro da Silva Guia; secretarios—João Maria Madeira e João Tavares e Lança. Direcção: presidente—João Antonio Soares; vice-presidente—José Francisco Domingues; 1.º secretario—José Francisco Duarte Seilheiro; 2.º dito—Antonio Augusto Duarte; vogaes—Francisco Vicente, Antonio Manoel Domingues, José Vicente da Palma. Thesoureiro—Antonio Ignacio de Sousa Porto. Commissão de revisão de contas: Manoel Thomaz da Matta Veiga, José Augusto Pacheco da Silva e Manoel Joaquim Palma.

Brasil · Índia · Japão · México Correspondência · Exterior / internacional · Geral

Do dia 1.º de janeiro de 1881 em diante, o premio fixo de registro para a correspondencia destinada para os paizes que fazem parte da união postal universal, passa a ser de cincoenta reis; fica pois abolido o actual premio do registro de cem reis. Os paizes para onde o premio fixo do registro passa a ser de cincoenta reis são os seguintes: Adem, Bermudas (ilhas), Brazil, Ceylão, colonias dinamarquezas, francezas, hespanholas e portuguezas via de Marselha, Confederação argentina, Costa do Ouro, estabelecimentos inglezes do estreito de Malaca, Falkland, Gambia, Guyana ingleza, Hong-Kong, India Ingleza, Jamaica, Japão, Lahore, ilhas Mauricias, ilhas Seychelles, Almirante, Mexico, Salvador, Serra Leoa, ilhas da Trindade, Siberia e Leboim.

Justiça e ordem públicaCrimes

Já se acha instalada na rua da Caina a esquadra de policia civil.

Educacção e instruçãoReligiãoEscolasFestas religiosasProfessores

Occupa já nova casa na rua do Mestre Manoel a escola do ensino primario para o sexo feminino, da freguezia de Santa Maria desta cidade.

Política e administracção do EstadoEleições

Domingo, no club artistico, deve verificar-se a eleição de nova direcção.

Município e administracção local
Odemira · Portugal

O sr. Richard Elihu Dickinson foi considerado descobridor legal da mina de ferro manganesifero da herdade da Ataboeira, na freguezia de S. Luiz, concelho de Odemira, neste districto.

Publicou

Preços
Porto · Portugal

se o n.º 17 do Camões. Custa avulso 20 reis, e por assignatura 300 reis por trimestre, na provincia. O escriptorio da redacção é na praça de D. Pedro 131, Porto.

Geral

Diz o Diario Illustrado que pediu a sua reforma o digno governador da Ilha do Principe, o nosso amigo e patrício, o sr. Antonio Joaquim da Fonseca.

Geral

Continua chuvosa a quadra.

Portugal Geral

Recebemos e agradecemos o Almanach de Portugal para 1881.

Cultura e espectáculoExércitoLivros e publicaçõesQuartéis

O sr. D. Antonio d’Almeida publicou um folheto intitulado: Pelado social nos fins do ultimo quartel do seculo XIX. Agradecemos os exemplares que nos enviaram.

Economia e comércioAgriculturaPecuária

O gado suíno, na barreira, regula por 25700 a 26900 reis cada 15 kilogrammas.

Município e administracção localTransportes e comunicaçõesEstradasEstradas e calçadasObras de infraestruturaObras municipais
Baleizão · Beja · Portugal

Anda em reparação parte da estrada municipal de Beja a Baleizão, no sitio do Ribeiro dos Frades.

Em S. João, o Te

Cultura e espectáculoEconomia e comércioConcertosFeiras

Deum, sexta feira, foi por musica vocal e instrumental.

Foi nomeado sub

ExércitoNomeações

chefe de estado maior desta divisão militar o sr. [ilegível].

Geral

O aluguer do curral produziu 2$560 rs.

Economia e comércioImpostos comerciais

O imposto de 15 rs. em kilogramma de carne esfoladiça rendeu, no mez findo, 686$647 rs.

Amanhã extrahe

Geral

se a pauta dos jurados que hão de servir no primeiro semestre de 1881.

Economia e comércio

O mercado rendeu no mez findo 32$070.

A’ ultima hora

Exército

El-rei concedeu a nova fornada. Os novos pares são os srs. João Chrysostomo, Pequito de Seixas, Pires de Lima, Fernandes Vaz, Secco, Pereira Dias, Aguiar, Magalhães Aguiar, Mendes Pinheiro, coronel Cunha, Horta, Henrique de Macedo, Gusmão, Teixeira de Queiroz, Relvas, e Ferreira Lapa. O conselho de estado votou contra a fornada.

Lisboa—27-12-80. Cidadão redactor

Cultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoPreçosTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroDebates políticosDiligênciasEstacçõesEstradas e calçadasGoverno civilImpostos comerciaisImpostos e finançasPreços e mercadosQuartéis
Estremoz · Évora · Lisboa · Portugal Câmara Municipal · Correspondência · Governo Civil · Interpretacção incerta

O Diario Popular, de 28 do corrente, insere uma correspondencia datada d’Evora que é, alem de um insulto áquelle povo, uma falsidade repugnantissima. Não seria um ministro progressista que ordenou que o quartel general voltasse para Estremoz? Como é que o auctor da correspondencia pretende attribuir ao partido regenerador, ou constituinte, um insulto que um ministro progressista inflingiu ao povo eborense, em lhe tirar d’ali, por simples vingança, o quartel general? Para se avançar semelhante blasphemia, é preciso que um individuo se revista de toda a hypocrisia que caracteriza um deturpador officioso. Não sou affeiçoado ao partido regenerador, nem mesmo ao constituinte; para mim tanto valem os progressistas como os regeneradores; os meus principios politicos são muito differentes, não é uma idea politica que me impelle a destruir as falsas informações do auctor da dita correspondencia, é o impreterivel dever que eu tenho de defender os meus compatriotas, sempre que um quidam qualquer se lembre de os fazer instrumentos d’uma politica odiada pela maioria do paiz. Analysemos a correspondencia: referindo-se ao regresso do quartel general diz: «... Este voltou, dizendo-o bem alto, pelos esforços do sr. Pinheiro Borges, da camara municipal e dos amigos do governo, pela boa vontade deste em extinguir todos os vestigios d’um conflicto quasi imaginario.» Direcção-o tambem bem alto: se o quartel general está em Evora foi o governo regenerador que para lá o fez remover e se elle de lá voltou para Estremoz, foi por ordem do governo progressista. Negue, se a tanto se atreve. Emquanto á bajulação feita ao sr. Pinheiro Borges é elle que lhe agradeça. Se o sr. Pinheiro Borges e a camara municipal influiram com o governo para que o quartel general para ali voltasse, cumpriram sómente com o seu dever; o povo eborense, se elegeu o sr. Pinheiro Borges seu representante, foi para lhe zelar os seus interesses; se assim o não fizesse o povo tinha o direito de lhe retirar o mandato. Depois descreve mais uns tres paragraphos [ilegível] de provocações que não merece a pena analysar, e em seguida diz: «Os trinta trens dos regeneradores, (trinta) que metade eram typoias (naturalmente eram quinze palanquins) de carga (?) estavam mettidos nas travessas, ninguem os via; o sr. governador civil e camara municipal tinham na estação para acompanhar o sr. general Maldonado e o seu estado maior dezessete carruagens... etc.» Então dezessete é mais que trinta? Deus nos dê paciencia! Mais abaixo diz que o sr. Ramalho regougou um viva a el-rei e que os progressistas são todos amigos do monarcha. São, não ha duvida; a prova está, quando pela bocca do Diario Popular lhe chamaram capa de ladrões e que um dos actuaes ministros o ameaçou de lhe pôr escriptos no palacio que habita; os progressistas não são só amigos do rei, são até amigos do povo, por isso decretaram uma rede de impostos, por cujas malhas nem os desgraçados trapeiros escapam! Ora vejam, até as girandolas de foguetes eram progressistas! Talvez fossem feitas pelo pyrotechnico de S. Roque e neste caso foram feitas á custa dos cofres da nação, e o diabo o jure, são capazes de tudo! Até a muzica da casa pia tambem era progressista! Esta nem ao diabo lembra! Oh srs.! por quem são? Não toquem na casa pia! Não toquem n’aquelle nicho de abusos! M. Bruno.

Serpa—28 de dezembro de 1880. Sr. redactor

Cultura e espectáculoMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoDebates políticosGoverno civilLivros e publicaçõesNomeações e cargos
Serpa · Portugal Câmara Municipal · Correspondência · Governo Civil · Interpretacção incerta

Não pretendemos competir em sciencia com o sr. Graça Affreixo cuja superioridade reconhecemos; pretendemos sómente mostrar o desamor á verdade da qual o citado sr. anda tão affastado. É n’este intuito que vimos protestar contra [ilegível] asserções do sr. Affreixo, estampadas no Jornal do Povo de quinze deste mez. Seria muito para desejar, e é possivel que o espirituoso sr. venha ainda a concordar comnosco, que o sr. Graça não se affastasse do seu ministerio e ainda mais que não aventasse falsidades que só provam a sua pouca seriedade e falta de bom senso, sem comtudo attingirem o bom conhecido fim a que se propõe. Diz o sr. Affreixo na sua correspondencia que s. ex.ª o sr. governador civil passou pela camara municipal e administração do concelho, etc.; isto é o que [ilegível]. O ex.mo governador civil visitou este concelho e não viu cousa alguma, não prestou attenção (talvez por ignorancia) nem inquerio do estado destas repartições, nem tão pouco conheceu das necessidades d’este concelho; no dizer do sr. da Graça tudo isto é tão prehenchido que era de esperar, talvez no ex.mo governador civil as prelecções do illustre pedagogo, competentissimo para ensinar ao magistrado os deveres do seu cargo! Pois é completamente falso tudo quanto o illustre sabio avança a este respeito e se ainda este termo não for bastante expressivo dir-lhe-hemos que... mente. O ex.mo governador civil visitou a camara municipal e administração do concelho não de passagem, mas detalhadamente, examinando minuciosamente tudo, e ouvindo tantas informações quantas lhe foram precisas; é isto o que nós vimos e o sr. Affreixo não viu por estar em sua casa e ninguem se lembrando de lhe prestar contas do que se passou, esquecimento na verdade para lamentar porque então poderia o rabino assumido critico desde logo prover de remedio a tanta ignorancia! Fazemos ponto por não querermos polemica, mas ficamos resolvidos a corrigir o sr. Affreixo sem pre que se desmande ou seja atacado pelos seus costumados accessos de espirito tolo. De v. etc. (Segue-se o reconhecimento.)

Beja—30 de dezembro de 1880. Sr. redactor

Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaReligiãoSaúde e higiene públicaAgressõesAgriculturaBebedeiras e desordensDenúncias e queixasFestas religiosasHospitaisLivros e publicaçõesPrisõesQuartéisSegurança pública
Beja · Mértola · Portugal Hospital · Interpretacção incerta

Lendo no Jornal do Povo uma noticia relativa ao acontecimento que teve lugar na noite de 24 para 25 do corrente, n’esta cidade, cumpre-me dizer que, ou o noticiarista colheu má informação do succedido, ou fallou a favor da policia e reserva da parte da classe militar. Segundo o que se colheu de verdade, sabe-se que o unico culpado do caso alludido, que podia ter um resultado funesto, foi o guarda n.º 30, Antonio Joaquim de Sant’Anna, que abandonando o seu posto de serviço que era na rua de Mertola, foi, talvez por interesse proprio, á rua da Branca e bateu á porta da meretriz Anna das Dores, onde se achava o soldado n.º 46 da 6.ª companhia d’infanteria 17, Antonio Fernando, e dizendo-lhe este que nada tinha ali que fazer por isso que ninguem reclamava a sua presença, aquelle o provocou com palavras offensivas, terminando por desafil-o para o campo do Carmo, o que o referido soldado acceitou, saindo em seguida para acompanhal-o. Chegados á rua de Mertola, o policia, talvez com receio de que poderia ser tozado pelo soldado, puxou do traçado e atirou-lhe alguns golpes, de que resultaram ferimentos de gravidade, segundo declararam os peritos competentes; o soldado, mesmo ferido, conseguiu apoderar-se da arma, e podendo então tirar distorço do seu aggressor arrojou-a para longe, sem que lhe dirigisse alguma pancada por isso que se lembrava perfeitamente o comprometimento em que incorria; foi n’essa occasião quando o [ilegível]. Porque o não fez antes? Se a policia serve para a manutenção da ordem publica e não para a provocar, qual a razão porque não chamou logo quem o coadjuvasse para proceder á prisão do culpado se é que elle só o podia fazer? Quando n’aquelle local compareceu a força que sahio do quartel do regimento, o soldado em questão foi encontrado prostrado pelos golpes que recebeu e conduzido para o hospital, onde se acha em tratamento, declarando o official d’inspecção, que n’essa occasião compareceu para dar as convenientes providencias, que o soldado não tinha signal algum d’embriaguez, o que prova que é falso o que escreveu o Jornal do Povo, e que a policia continua a ter proselytos, ainda que raros, n’esta santa terra. A auctoridade competente procederá ao auto de corpo de delicto e brevemente se confirmará o que deixo dito. De v. etc.

Historia de Portugal Illustrada

ExércitoPolítica e administracção do EstadoDebates políticos
Lisboa · Portugal

A Empreza Litteraria de Lisboa acaba de distribuir mais um fasciculo do 6.º volume d’esta importante obra que tem merecido os mais justos encomios dos nossos principaes vultos da republica das letras. A gravura em bom papel velino, que acompanha este fasciculo e relativa á invasão dos francezes, e representa: Os aldeãos fugindo ao exercito invasor. O sexto volume é escripto pelo sr. Pinheiro Chagas, um dos nossos maiores talentos. A Historia de Portugal é distribuida em fasciculos, contendo tres folhas de 8 paginas, formato in-folio com duas columnas, typo completamente novo e optima papel, e uma gravura impressa em papel velino. Cada fasciculo 100 reis.

Maravilhas da Creação

PreçosSociedade e vida quotidianaCostumes e hábitos

Distribuiu-se a folha 14.ª, 3.º volume d’esta importante obra, que é publicada sobre a direcção do sr. Pedro Posser. As Maravilhas da creação é uma perfeita compilação dos trabalhos dos principaes geologos e está escripta ao alcance de todas as intelligencias. A presente folha refere-se ainda aos usos e costumes de differentes aves, e contem varias gravuras perfeitamente impressas. Cada folha custa a insignificante quantia de 60 reis.

A Casa a Vapor

Transportes e comunicaçõesNavegacçãoObras de infraestrutura

Vae muito adiantada a publicação d’esta nova e importante obra da collecção das obras maravilhosas de Júlio Verne, que está sahindo dos prelos da Empreza Horas Romanticas. A Casa a Vapor é a ultima obra de Julio Verne. Divide-se em dois volumes. A mesma empreza continua e com a maxima regularidade a distribuição do romance Lubin & C.ª, em seis volumes. É um romance replecto de peripécias dramaticas e prende muito a attenção do leitor.

A Casa Branca

Lisboa · Portugal Geral

A empreza Noites Romanticas, da qual é proprietario o nosso amigo o sr. Francisco Nunes Collares, prosegue com a regularidade que lhe é peculiar na publicação d’este bem conhecido romance de Paulo de Kock. A empreza tenciona dar á estampa a importante collecção das obras do fecundo romancista que tanto ennobreceu a litteratura franceza. A traducção está perfeita e a nitidez da impressão nada deixa a desejar. Lisboa. Sebastião J. Baçam.

Almanach de Portugal para 1881

Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPreçosReligiãoSaúde e higiene públicaTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroComércio localCorreioEscolasEstacçõesEstradas e calçadasFeirasFestas religiosasImpostos comerciaisImpostos e finançasIncêndiosJulgamentosMédicos e cirurgiõesMercados e feirasPreços e mercadosSecasTelégrafo
Belém · Coimbra · Faro · Lisboa · Porto · Tavira · Vila Real · Portugal Correspondência · Igreja · Telégrafo

3.º anno. Contém: Eclipses, computo ecclesiastico, Temporas, Festas moveis, Estações e bençãos, tabellas de incendios em Lisboa, Porto, Coimbra, Belem e Olivaes, calendario, mercados e feiras, relação dos advogados, dos negociantes matriculados e não matriculados, nacionaes e estrangeiros, solicitadores, facultativos em Lisboa, Belem e Olivaes, tabellas do correio, do serviço telegraphico e submarino, direitos parochiaes, tabellas de caminhos de ferro americanos, ditas do imposto do sello, ditas dos caminhos de ferro portuguezes—Minho, Douro e Sueste, junta geral do districto de Lisboa, policia civil, administrações dos bairros de Lisboa, concelho de Belem e Olivaes, supremo tribunal de justiça, procuradoria geral da corôa, bibliographia, Ponson du Terrail, artigo biographico, tribunal da relação e do commercio, juizes do civel e do crime, juizes de paz, ditos ordinarios, escola medico-cirurgica, um bom velho de outro tempo, modelos de cartas para differentes fins, ditos para numerosas petições, receitas de cosinha dedicadas ás donas de casas, outras ditas para artistas e officiaes, ditas para fazer doces pouco conhecidos, e para preparar licores raros. Maneira de tratar plantas. Secção de historia portugueza, secção litteraria, poesias e variedades. Preço 200 reis, pelo correio 210 em estampilhas. Carta a J. T. da Costa, rua do Arco do Limoeiro 44-4.º. Á venda em todas as livrarias de Lisboa. Em Faro em casa do sr. Antonio Pedro Correia Bailo. Em Tavira, na do sr. Antonio Augusto Soares. Em Villa Real de Santo Antonio na do sr. Antonio da Encarnação d’Azevedo.