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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 186
13 notícias

É de justiça

Justiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesFalecimentosNomeações e cargosObras de infraestruturaObras municipaisPontesPrisões
Câmara Municipal

Acha-se vago o lugar de continuo da camara municipal, e no numero dos concorrentes conta-se o sr. Antonio Maria Proença. Este individuo serralheiro de profissão, acha-se desde o dia 9 de julho de 1833, quasi impossibilitado de exercer o seu officio, porque assistindo n’aquelle dia á luta que a liberdade travou com o despotismo nesta cidade, ficou todo inutilisado, e quasi morto o arrastaram para as cadeias publicas. Se este emprego fosse dado pelo governo ou pelas suas authoridades, não ousaríamos nós lembrar este martyr da liberdade porque bem sabíamos que primeiro que tudo e antes de tudo estavam os galopins eleitoraes, os afilhados e os insignificantes; mas como a nomeação é da camara municipal, é do povo, esperamos que a camara tomando em consideração as circumstancias que se dão neste seu conterrâneo, o nomeará para aquelle lugar, gratificando assim este defensor da liberdade, como em tempo o fez ao fallecido Pontes.

Celleiros communs

Economia e comércioMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoDecretos e portariasImpostos e finançasNomeações eclesiásticas
Correspondência · Igreja

O Diario publica a seguinte carta de lei: Artigo 1.º Ficam extinctas as juntas creadas pelo artigo 3.º do decreto de 14 de outubro de 1852 para administrar os celleiros commums, monte pios agrícolas ou montes de piedade. Artigo 2.º A administração dos celleiros communs, de qualquer denominação que sejam, passa para as camaras municipaes ou juntas de parochia, segundo as regras estabelecidas no codigo administrativo e mais legislação em vigor. Art.º 3.º O rendimento destes celleiros fará parte da receita ordinaria municipal ou parochial. Art. 4.º As camaras municipaes ou juntas de parochia nomearão os empregados necessários para o desempenho do acréscimo de serviço que resulta das disposições desta lei. Art. 5.º Os celleiros instituídos por particulares com o mesmo fim e cujo capital lhes pertence serão administrados pelos seus fundadores ou representantes, segundo as regras de sua instituição ou contrato, debaixo da fiscalisação do governo. Art. 6.º Nas execuções promovidas no interesse dos celleiros, de que trata esta lei, quando os devedores não pagarem no decennio legal, se addicionarão ás custas mais 6 por cento, dos quaes terá 2 1/2 o agente do ministerio publico, 2 1/2 o solicitador e o escrivão. O pagamento destes 6 por cento só se fará em proporção das quantias liquidas que forem entrando nos cofres dos celleiros.

Recrutamento

ExércitoRecrutamento
Beja · Portugal

É de 112 o numero dos recrutas, com que deve contribuir no presente anno para o exercito, este districto de Beja.

Mesa da Misericordia

ReligiãoFestas religiosasNomeações eclesiásticas

Tomou posse a mesa da santa casa da misericórdia continuando a exercer o cargo de provedor, o sr. Marinho Joaquim de Sousa Feio, e o de escrivão o sr. padre José Ignacio de Mira; o thesoureiro, o sr. José Cláudio d’Andrade, é a vez primeira que exerce tal lugar.

Agradecimento régio.= Governo civil do districto de Beja—1.ª repartição—n.º 5012—Illm.º sr

Município e administracção localPolítica e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaBeneficênciaDecretos e portariasGoverno civilRepartições públicas
Beja · Portugal Governo Civil

Tendo-se dado o devido destino ás quantias collegidas nesse concelho para soccorrer os habitantes do archipelago de Cabo-Verde victimas da fome, foi s. m. el-rei servido determinar-me em portaria de 21 do mez ultimo, expedida pelo ministério da marinha e ultramar, que as agradeça em seu real nome a todos os habitantes d’este concelho, que subscreveram com alguma quantia para aquelle fim; pelo que em observância d’aquella real ordem v. s.ª se apressará em dar a todos os subscriptores conhecimento da consideração em que o mesmo augusto senhor se dignou ter o generoso e philanthropico acto por elles praticado, no qual v. s.ª tem grande parte pelo zelo e actividade com que promoveu a referida subscripção.—Deus Guarde a v. s.ª Governo Civil de Beja 6 de junho de 1863—O governador civil—José Borges Pacheco Pereira—Illm.º sr. administrador do concelho de Beja.

Caminho de ferro do norte

Transportes e comunicaçõesCaminho de ferroCorreio
Lisboa · Vila Nova · Portugal Caminho de ferro

Teve lugar no dia 7 do corrente a abertura provisória do caminho de ferro do norte. Os comboios mixtos partem de Lisboa ás 9 horas e 15 minutos da manhã, e chegam a Villa Nova, ás 6 e 20 minutos da tarde, e os do correio ás 4 e 20 minutos da tarde e chegam ás 7 horas da manhã; de Villa Nova partem os comboios mixtos ás 5 horas da manhã, e chegam a Lisboa ás 7 horas da tarde, e os do correio ás 5 horas e 40 minutos da tarde, e chegam a Lisboa ás 4 horas da noite.

Contracto do tabaco

Município e administracção localPolítica e administracção do EstadoNomeações e cargosRepartições públicas

Os caixas geraes do contracto acabam de nomear visitador das administrações do tabaco e rapé na repartição do sul o sr. Thomaz Bernardino de Mello, actual administrador deste concelho.

Reino do Algarve

Cultura e espectáculoLivros e publicações
Algarve · Lisboa · Portugal

Recebemos o primeiro n.º deste jornal que começou a publicar-se em Lisboa no dia 10 do corrente. Agradecemos a remessa.

Despachos

Município e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoDecretos e portariasFestas religiosasLicençasNomeações eclesiásticas
Mértola · Sobral · Portugal Igreja

Por despachos effectuados em 30 do mez passado foi concedida ao presbytero José Joaquim Sobral, parocho collado na igreja de S. Theotonio neste bispado, e José Joaquim do Mattos parocho collado na igreja de Nossa Senhora das Relíquias no mesmo bispado, a permissão de permutarem entre si os respectivos beneficios. Maio.—Por despacho effectuado na mesma data, foi declarado sem effeito o decreto de 18 de fevereiro ultimo, pelo qual fora apresentado na parochial igreja de Selmes, neste bispado, o presbytero Joaquim Pedro d’Alcantara. Mais.—Por despacho effectuado de 7 do corrente mez, foi apresentado na parochial igreja da aldêa do Espirito Santo, no concelho de Mertola n’esta diocese, o parocho collado na igreja de S. João dos Caldeireiros, o sr. João Gonçalves de Medeiros.

Expediente

Religião
Loulé · Portugal Correspondência

A correspondência do sr. M. J. do Rosário ainda não póde sahir n’este numero por falta absoluta de espaço, fica já composta e irá sem falta no numero seguinte. A outra correspondência do mesmo sr. sobre o sr. Leitão irá tambem logo que haja espaço, ou em appenso. Igualmente por falta absoluta d’espaço não publicamos uma correspondência de Loulé concernente á maneira como ali correram os negocios de recebedor n’aquella comarca. Irá no n.º seguinte sem falta. As correspondências dos srs. padre Malta e Francisco Sérgio, vão no lugar competente. Sobre esta questão não admittimos mais publicações na nossa folha, porque a julgamos sufficientemente discutida.

Pagamento aos professores

Educacção e instruçãoProfessores

Foram expedidas as ordens para o pagamento do mez de junho ultimo, a todos os professores do districto.

Musica

Cultura e espectáculoExércitoBanda militarTeatro
Beja · Nápoles · Itália · Portugal Exterior / internacional

Toca no domingo no jardim do regimento 17 a banda do mesmo regimento, e desempenhará as seguintes peças: 1.ª parte: Duo de dois tiples opera a Estrella de Napoles. Aria de tenor final do 2.º acto opera do Pelagio. Quadrilha de waltz por D. José Navarro, as flores de Beja. 2.ª parte: Final do 4.º acto opera Trovador. Aria de baixo opera Attila. 3.ª parte: Grande waltz por D. José Navarro. Schotz El proveedor por D. José Navarro.

Desgraças

Economia e comércioJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAgressõesAgriculturaBebedeiras e desordensCaminho de ferroComércio localCostumes e hábitosDenúncias e queixasDiligênciasEstacçõesEstradasFrio intensoObras de infraestruturaPobres e esmolas
Porto · Portugal Caminho de ferro · Correspondência · Interpretacção incerta

Diz o correspondente do Commercio do Porto, que ha dias deram-se duas desgraças nos nossos caminhos de ferro, que são muito para lamentar, e que provam a necessidade de se empregar um systema de fiscalisação e de policia muito rigoroso nas nossas vias férreas. No caminho de ferro do sul, entre os kilometros 32 e 33, depois de chegar á estação do Poceirão, vinha o comboio com a velocidade do costume. O machinista viu ao longe um carro puxado a bois, atravessando a via ferrea, posto que ainda estivesse em distancia apitou. O carro continuava na via sem que apparecesse o carreiro. O machinista continuou a apitar até que de dentro do carro se levantou o carreiro, que naturalmente ia a dormir, e que acordou ao som dos apitos. Suppoz o machinista que o perigo estava passado e que o homem tiraria o carro da estrada, mas enganou-se. O carreiro deitou-se outra vez, apesar da proximidade da locomotiva, e os bois continuaram no mesmo lugar. Tinha o machinista duas grandes desgraças diante de si. Ou perda talvez total das vidas dos passageiros do comboio, ou a vida do carreiro e dos bois. Parar era inutil porque o caminho era em descida, o carro estava muito proximo do comboio e o perigo era inevitável. Que fazer? O machinista, que é homem experimentado e entendido, viu que só havia um meio de se salvar n’aquelle apertadissimo e apurado transe. Deu a maior força á machina, que vindo com a maior velocidade contra o carro fez tudo em estilhas! Carreiro, bois e carro tudo ficou despedaçado! Ao comboio nada succedeu e os passageiros que vinham nas carruagens só souberam do acontecido quando, ao chegar á 1.ª estação, o machinista deu parte ao chefe do que se tinha passado. É a primeira vez que este caso se dá nos nossos caminhos de ferro. O machinista houve-se com sangue frio e intrepidez. Sacrificou a vida de um homem á de muitos. Foi uma triste necessidade a que elle não podia fugir. No embate da machina com o carro, quem mais risco corria era o machinista, que ia na frente, e que podia saltar fóra com a pancada. Do corpo do carreiro encontraram-se apenas fragmentos em grande distancia. Os pedaços de craneo que se encontraram, eram de comprimento de uma pollegada! Soube-se depois que o carreiro era um pobre homem, muito dado a bebidas espirituosas e que costumava embriagar-se. É provável que n’aquella occasião tão pesada tivesse a cabeça que não percebesse o perigo que o ameaçava, e que por isso se deitasse novamente. A outra desgraça deu-se no caminho de ferro de leste entre os kilometros 157 e 158. Um guarda deitou-se na via, tendo a cabeça sobre o carril. Era de noute, o machinista não viu o homem deitado e a machina cortou a cabeça ao guarda. Pela manhã foi-se dar com o corpo do guarda sem cabeça. Este caso não é novo. Denunciará elle um novo meio de suicidio? Quem sabe!