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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 443
21 notícias

Sr. redactor

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África Exterior / internacional · Hospital · Interpretacção incerta

O Diarifí Popular, sem apresentar nenhum documento mais do que a sua palavra honrada, escreveu ahi umas coisas sobre a uinocencia de dor condemnados que estavam prestes a embarcar para Africa, fazendo que as palavras, que leem realmente o cunho da convicção e boa fé, fossem acreditadas, e originassem interpellaçõe* em ambas as camaras, a que o ministério deve responder um destes dias. O Diário Popular foi sem duvida mganado. e, segundo o que escreveu posteriormente, tem informações fidedignas do contrario que afirmou. Entretanto não deixou de haver-se mahuma vez recorrido ao poder moderador, que mandou suspender a partida dus dois réus, até se verificar o que havia de verdade a tal respeito. Foi acatar muito a imprensa, por isso aqui agradecemos a tão delicado gabinete, ainda que taes finezas só merece a imprensa amiga. Estamos perfeitamente ao facto do occorrido relativamente a este assumpto, por isso e porque os promenores de crime tão horrendo não são maiormente conhecidos do publico, porque a imprensa os não publicou, julgamos conveniente apresental-os ao leitor para elle tirar as illações que lhe aprouverem. A família dos Ricos originaria de Arrayullos tornòu-se nestes annos odiosa por uma serie de crimes, mais ou menos justificados que todos attribuiam a grande parte dos membros da mesma família, e pela impunidade com que os praticavam escudados pela protecção da authoridade administrativa de então. Passamos em silencio os outros attentados para só resumirmos o ultimo, é que na realidade atroz, segundo o contaram as testemunhas actuaes que depozeram nas audiências da comarca de Monte-mór, onde os réus foram condemnados. O guarda da herdade das Rolans, concelho de Arrayullos, encontrando um dos irmãos Rico a fartar-lhe lenha, deu-lhe umas pancadas, de que resultou feril-o levemente na face. Este dirigiu á villa, queixando-se á irmã, cuja índole violenta elle conhecia: Marianna Rico, a celebre heroína, correu a chamar José Francisco Gomes Rico, e mais parentella, que se achavam n’uma vinha: ella propria ministrava cavalgadura; rasgava os vestidos de que fazia buchas para as clavinas, e incitando os irmãos lamentava não ter também calças. Depois de grande balbúrdia, sem ninguem ousar intervir, porque a autoridade tudo permittia áquella gente, e que todo o povo temia e odiava, partiram emfim em cata do guarda. Este fallava com um boieiro no momento em que ao longe appareceu a cavalgada dos assassinos: julgando o que seria pediu ao companheiro que se afastasse e só elle ficou em campo. José Rico vindo na frente, foi o primeiro a apontal-o e a desfechar uma clavina de dois canos, errando-o com ambos os tiros, o guarda desfechou também mas a espingarda não tomou fogo, o que lambem aconteceu ao outro irmão de José Rico; o boieiro que era homem decidido correu de faca em punho sobre este, que deitou fugir: José Rico, indo sobre os dois a galope, passou um cartucho á clavina, e, cuidando para não ferir o irmão, fez fogo a ó queima roupa sobre o guarda, que caiu por terra: foi este momento que deu logar a uma scena horrorosa: os Ricos cahiram sobre o infeliz, arrancaram-lhe a faca e faquearam-no por longo tempo: quebraram-lhe as pernas e braços com um machado que haviam pedido n’um monte proximo, á herdade da Pontega: cobriram depois o cadaver com uma manta e carregaram-no sobre o cavallo, que montava José Rico, indo escondel-o n’um centejal. Dizem que um cabreiro que os encontrou foi ameaçado de ter egual sorte á do que levavam se por acaso fallasse no que estava vendo; o cabreiro porem que estava por curioso não pôde ter-se de espreitar o que era o embrulho que os Ricos esconderam; achou um cadaver tão horrivelmente mutilado. Nessa noite diz-se que fôra um carro buscar alli o cadaver, fazendo-o desapparecer sem que até hoje se soubesse d’elle. Foi isto, em resumo, o que se provou em audiência, e que concorreu com outros crimes mais para a condemnação dos laos irmãos Ricos. Querem agora saber o estratagema de que se valeram para gosarem por uns mezes mais dos ares da patria, escapando-se nos calores da Africa, que os espera? Forjaram umas certidões, por meio de que pretenderam provar, que o guarda da herdade dos Rolans, fôra morrer pacificamente ao hospital de Canba com uma febre paludosa! E assim illudiram cremos nós, o juiz de Aldéa-gallega, a redacção do Diário Popular, e todos quantos tomam a serio os asseitos dos jornaes melhor informados. É de crer que uma questão tão ridícula, tão pouco seria termine brevemente, porque em casos desta ordem não se devem fazer cousas de certo gravidade, como é alterar a pratica da lei, sem fortes razões, que ainda não vimos produzir. Continuaremos sobre o assumpto se tanto fôr necessário, que temos informações dignas de credito. X

Mertola 15 de junho de 1869. Sr. redactor

Acidentes e sinistrosArqueologia e patrimónioEconomia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisReligiãoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAcidentes de trabalhoAgriculturaBeneficênciaCaminho de ferroComércio localCorreioDestruição de patrimónioEstacçõesEstradasFestas religiosasIncêndiosNaufrágiosNavegacçãoObras de infraestruturaObras religiosasPrisõesRuínas e monumentosTelégrafoTrânsito e circulacçãoVisitas pastorais
Algarve · Badajoz · Barreiro · Beja · Lisboa · Mértola · Pomarão · Porto · Vila Real · Espanha · Europa · França · Portugal Caminho de ferro · Correspondência · Exterior / internacional · Igreja · Interpretacção incerta · Telégrafo

Tivemos um dVsies em Mertola os hospedes mais illuslres c - ha século* pisam as nossas calçadas—o filho de Luiz Felippe. de França—a filha Fernando VII de HêSpanha. e as lind^ lhas e netas destes illusires personagem, que escolheram este transito para transportarse á Hespanha. Chegaram pela manha — descançaram numa humilde estalagem, e embarcaram tarde em direcção ao Pomario aonde baldearam para um vapor da empreza de S. Domingas, e pouco mais abaixo para um outro vapor, que dizem ser da casa do sr. duque, que ahi os esperava, trazendo a seu bordo um bispo hespanhol, e que os conduzio a Villa Real de Santo Antonio. O sr. duque passeou pela villa; foi ao correio e á estação telegraphica, e observou algumas das antigas ruínas das muralhas mouriscas. Sabe-se que o sr. de Montpensier deitára carta no correio d’esta villa para o general Serrano e outros personagens de Hespanha, e não sabemos se também telegraphou. É notorio que sua alteza viera, dias antes, a Mertola, explanar os campos e ver se por aqui podia seguir, mas com tal disfarce que apenas n’esta segunda vez se notou ser a mesma pessoa. Magoa-nos sobre modo não termos breves indícios de que eram tão distinctas personagens, para que fossem acolhidas, senão com estrondosa recepção ao menos com mais decencia, como é dever dos povos civilizados, para com os filhos de notaveis reis da Europa, e quem sabe se futuros reinantes de Hespanha, como não parece muito duvidoso; mas os habitantes de Mertola só tiveram a certeza de quem eram quando o Bejense o disse; se bem que não hesitámos da elevada categoria dos illustres transeuntes, porque a grandeza tantas vezes se disfarça a um ponto de indifferença. O sr. duque de Montpensier deu por sua mão, duas libras aos pretos da cadeia desta villa; tres libras ao barqueiro que o conduzio ao Pomarão; e pagou com mão generosa tudo, e a todos que lhe prestaram qualquer pequeno serviço. Conheça, e sirva de estímulo ao nosso governo que é este o ponto premo, por onde transitam e transitarão de futuro: o pessoal d’uma grande parte da Hespanha, pelo menos de Chança até Cadiz, e de todo o Portugal e Algarve, devendo por isso dar incremento aos trabalhos da estrada entre Beja e Mertola, e á navegação a vapor entre Villa Real e esta villa. Ha quantos séculos esta via fluvial seria navegavel a vapor, se pertencesse a outra nação? Não estaria de certo desaproveitada; e não ficaria em Mertola o fluxo e refluxo das marés, mas, quiça o Tejo ajudaria este movimento na sua confluência artificial. Olhe pois o governo para isto. Deixe-se de caminhos de ferro ao sul — trate de navegar o Guadiana e terá feito quanto é possível e precizo. Os caminhos de ferro portugueses debilitam o thesouro, matam os povos, e enfraquecem o commercio, sem fallarmos da proficuidade que resulta a bem, tão sómente do passageiro; mas dar vida a cem para matar mil não é negocio de sabia administração, maxime, com dinheiros a alto juro—a experiencia já o vai demonstrando a governantes e governados. Portugal na sua pequena latitude abunda-lhe o ramal que o liga por Badajoz ao reino vezinho. Não abram muitas portas de viação rapida se seriamente se propalam os receios do iberismo. Não atêem o fogo que um dia nos pode queimar, ou não juntem a lenha que com uma faísca pode ser incendiada; e no seu juizo sómente o caminho de ferro de Lisboa ao Porto, e do Barreiro a Mertola; tudo mais é luxo e mau governo. Afinal resta-nos observar que os srs. Jeremias, e Simões, creatum das obras publicas, tem andado sondando o rio e consequentemente estudando os vãos junto a Mertola. Emitindo, sobre tal assumpto, nossa humilde opinião diremos que: as nossas obras publicas todas são morosas e caras. Verão em quantos contos orçam aquelles srs. a despeza de tal exploração, e, ha pouco o sr. visconde de Mason de S. Domingos disse: que lhe dessem 150 l. as que se obrigava á limpeza dos vãos com resultados navegáveis por barcas da maior lotação. Isto d’um inglez; mas os portugueses só a poder de tempo e de dinheiro realizam o pouco que nos tem arrastado. Fico hoje por aqui, para não abusar. Vm camponez mertolense.

Theatro

Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoReligiãoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesCostumes e hábitosFeirasNavegacçãoTeatro
Vila Nova Interpretacção incerta

Repeliu-se no domingo o Jovtn Telemaco com egud applauso. Na quinta feira subiu á scena o Trabalho e honra, comedia dram* do «r. César de Lacerda, que agradou muito, sem duvida mis pelo merecimento do drama do que pelo desempenho. Ê realmenle este trabalho do sr. Lacerda uma das suas mais interessantes produções. Está bem architectado, tem muito effeito e em toda a parte transparece a moralidade, que é sempre o traço mais brilhante e conceituoso destes quadros dramaticos. O desempenho não devemos chamar-lhe máo. Ê certo, que o scenario deu mais vida, mais variedade e mais força a muitas scenas do seu drama, mas é certo também que os actores, se não se esmeraram muito, não prejudicaram todavia o valimento do drama e o bom nome do seu auctor. O sr. Sauguinetti interpretou regularmente o papel característico do barqueiro de Villa Nova de Gaia Christovão Martins e empenhou-se sinceramente em vencer as grandes difficuldades, que lhe pertenciam. E foi feliz e soube comprehender bem e as vezes com mimo muitas scenas do seu papel, especialmente na parte cômica. Desejaríamos entretanto, que o sr. Sauguinetti desse mais gravidade a certas scenas, onde usou, na nossa opinião, dos seus recursos comicos. O sr. Soares foi a victima do Trabalho e honra, porque lhe distribuiram o difficil papel de Carlos Martins. O filho do barqueiro é quasi um papel impossível, falta aos melhores actores recursos e inspiração para o representar com a distincção, que lhe compete. O maior esforço de um actor n’este papel é sempre um trabalho esteril e massador. Ou ha de ser um actor notável ou o seu desempenho desapparece e não impressiona. Ainda assim o sr. Soares revelou mais uma vez os recursos dramaticos, de que dispõe, e conseguiu fazer-se applaudir n’algumas scenas. O sr. Silva Junior e a sr.ª D. Gasparinha representaram bem os seus papeis. Á sr.ª D. Maria José pertenceu o papel de Olympia. Estamos tão acostumados ao trabalho esmerado d’esta actriz, que estranhámos a pouca consideração, que lhe mereceu a mulher de José Fernandes. É verdade, que o papel era muito insignificante para o merecimento da actriz, mas nós, senão o papel, esperavamos mais empenho da sua parte. A sr.ª D. Candida no papel de Genoveva estava completamente deslocada, não é esse o seu caracter, nem este o genero em que costuma trabalhar. Luctando todavia com as difficuldades do papel e com a impropriedade do caracter conseguiu agradar. Apresentou um bello typo, e sustentou-o muito regularmente. N’esta occasião devemos dizer, que nos parecia mais acertada a distribuição, em que a sr.ª D. Gasparinha se encarregasse do papel de Genoveva, a sr.ª D. Maria José do papel d’Amelia e o de Olympia podia fazel-o a sr.ª D. Malhilde. Assim o desempenho do drama seria melhor e as actrizes estariam mais á vontade nos seus papeis. O sr. Mendonça fez bem o seu papel e o resto dos actores não transtornaram o bom andamento do drama. Notaremos ainda de passagem, a pobreza e por vezes a impropriedade do scenario. Bem sabemos que as difficuldades, com que luta o sr. director de scena desculpam estas faltas, mas pouco tudo bastaria para melhorar, quanto possível, a scena do terreiro actual, especialmente. Não podemos exigir a casa de Carlos Martins, e o complemento de toda a scena do 1.° acto, nem tampouco o apparecimento do navio, em que Carlos parte para a Australia, no segundo acto, nem muitas outras cousas, mas o que não queriamos era ver uma cadeira de palhinha, uma mesa de polimento e não sabemos que mais n’um bosque ou jardim, ou mesmo praça. Era facil collocar na scena um banco de pedra, onde o barqueiro descançasse das suas fadigas para comer o seu caldo verde. São cousas pequenas mas que revelam descuido e pouco gosto no sr. director de scena. O espectáculo de domingo vae annunciado no lugar do costume.

Exames

Educacção e instruçãoExamesInstrução pública

Começaram no dia 14 e terminaram no dia 15 os exames de instrucção primaria. Todos os examinados foram approvados.

Nossa Senhora de Paris

Cultura e espectáculoEconomia e comércioPreçosReligiãoLivros e publicaçõesPreços e mercados
Lisboa · Paris · França · Portugal Exterior / internacional

Recebemos 14 folhas do 1.° volume d’este excellente romance do auctor dos Miseráveis, que em Lisboa está publicando a empreza da Bibliotheca de bons auctores.—O papel é superior e a impressão feita com muito aceio, podendo mesmo rivalisar com a maior parte das edições françezas. Até hoje ainda não tínhamos visto publicação feita por entregas semanaes, com o esmero com que esta se apresenta. Recommendamol-a aos nossos leitores que desejarem possuir livros de bons auctores. Vê-se como Victor Hugo—Lamartine—Balzac—Eugênio Sue—Walter Scott, etc., nomes com que a empreza se propõe ornar a Bibliotheca. Prestigio a publici-lo d’esta publicação, porque cremos ser esta empreza a primeira no nosso paiz que se apresenta a publicar ás folhas, e por baixo preço, livros que podem ornar o mais luxuoso gabinete de leitura, rivalisando com os estrangeiros.—No lugar competente publicamos o annuncio.

Destacamento

ExércitoMovimentos de tropasQuartéis

O do regimento 17 de infantería que estava em Monte-mor o-Novo, regressou ao seu quartel por ter sido rendido.

Caminho de ferro

Transportes e comunicaçõesCaminho de ferroTrânsito e circulacção
Caminho de ferro

Dentro em um mez o mais tardar, estará aberta á circulação a via ferrea do Guadiana.

Minas—Por decreto de 31 do passado mrz foi feita á sociedade Oliveira & C

Educacção e instruçãoMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoDecretos e portariasFestas religiosas
Aljustrel · Ervidel · Portugal

concessão provisória das seguintes minas no concelho de Aljustrel, neste districto: De manganez, situada na herdade do monte dos Gomes, freguesia de Aljustrel; Idem situada na herdade da Margaridinha*, freguezia de Ervidel; Idem no Serro de Santo Aulão, freguesia da Aljustrel.

Despacho

Arqueologia e patrimónioExércitoSociedade e vida quotidianaBeneficênciaDescobertas e achadosNomeações

O sargento ajudante do regimento 13 de infantería, o sr. Adrião Urbano de Moraes Castro, foi despachado alferes, para o 17 da mesma arma.

Talhos de Beja

Beja · Portugal Geral

No mez de março, abril e maio o movimento dos talhos d’esta cidade foi o seguinte: Março: Vaccas 33—carneiros—14. Abril: Vaccas 25—carneiros—108. Maio: Vaccas 38—carneiros 186.

Impostos

Economia e comércioEstatísticasMunicípio e administracção localAgriculturaImpostos comerciaisImpostos e finançasPecuária

O de quatorze reis em cada kilogramma de carne, e o do curral imposto em cada cabeça de gado abatida, renderam nos trez ultimos mezes para o município 291,034 reis, sendo: No mez de março 74:837; no mez de abril 85:636; no mez de maio 130:561. Total 291:034.

Revista

Cultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoFeiras

Passada pelos commandantes de companhias, teve, na quarta feira, revista de corrame e armamento, o regimento 17 de infanteria.

Regimento d’infanteria n.° 13

Exército

Alferes. o alferes do regimento d’infanteria n.° 9, Manoel Pedro da Cruz, continuando na commissão em que se acha.

Licença

ExércitoLicençasNomeações

A de quinze dias concedida pela Commandante desta divisão militar, ao alferes do regimento 17 d’infanteria, o sr. Adrião Urbano Moraes Castro, foi confirmada pela ultima ordem do exercito.

Relatorio

Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisSaúde e higiene públicaAgriculturaCheiasHigiene públicaIndústriaVentos fortes
Aljustrel · Alvito · Cuba · Moura · Odemira · Ourique · Serpa · Portugal Relatório

Recebemos e agradecemos o Relatorio apresentado ao governo pela junta central de administração dos trabalhos de melhoramento sanitario, com o resultado do inquerito sobre pantanos e arrosaes. No documento com que fomos brindados, encontramos a respeito do nosso districto o que se segue: Os pantanos e terrenos encharcados d’este districto, nos concelhos de Aljustrel, Alvito, Cuba, Moura, Ourique e Serpa, são em pequeno numero, e de áreas pouco extensas. Nos restantes concelhos existem, disseminados pelas charnecas, muitos charcos de superficies desconhecidas, e sem importancia em relação á salubridade publica, ou á agricultura, attenta a grande distancia das povoações, e por serem totalmente incultos e desaproveitados os terrenos circumstantes. São porém em grande numero as ribeiras e riachos, nos quaes durante o verão se conservam aguas estagnadas, não só em avultadissimo numero de pégos, alguns de grandes superficies, como em charcos marginaes. As ribeiras mais nomeadas, não só por apresentarem consideráveis alagamentos, mas pela circumstancia de passarem próximas, e ás vezes contíguas, ás principaes povoações, e nas peiores condições em relação aos ventos reinantes no sitio, são as de Bêguina, Cuvilhar, Roxo, Campilhas, Alvito, Moinhos, Quilo, Oeiras, Banhas, Targd, Celemira, Selmes, Marmellar, e o rio Guadiana na parte que atravessa este districto. E á influencia d’estas ribeiras, e também á cultura do arroz, que a commissão districtal attribue especialmente o elevado grau de insalubridade que suppõe não seria muito difficil nem dispendioso remediar. A cultura do arroz faz-se nos concelhos de Aljustrel, Alvito, Ferreira, e Odemira por pequenas parcelas, e na maior parte em terrenos pantanosos e inundados. Censura tambem a commissão districtal os cultivadores do linho, pelas represas que fazem nas ribeiras, causando estagnações muito prejudiciaes. É para notar outro abuso no modo porque, junto a muitas povoações, e até no interior das mais importantes, se extrahem terras para diversas industrias, deixando grandes covas em que se conservam aguas estagnadas; muito conviria que as autoridades obstassem a semelhante prejuizo da saude publica. A superficie invadida pelas aguas n’este districto é a seguinte: Pantanos 20h73’; terrenos encharcados 52h13’Mc; arrosaes em terrenos pantanosos 25h15’09c; arrosaes em terrenos anteriormente aproveitados em outra cultura 911186’03c; total mh9C33’.

Exercício

Economia e comércioExércitoAgriculturaFeirasTreinos e manobras
Elvas · Portugal

Na terça feira, um pelotão do regimento 17 de infanteria teve exercício no campo de Elvas. Commandou o sr. capitão Gomes.

Estimamos

Japão Exterior / internacional · Geral · Interpretacção incerta · Islâmico

Desappareceram o Japão e a Lanterna. Aos collegas damos os nossos sinceros parabéns.

Relatorio

Exército
Relatório

Recebemos o Relatorio apresentado ás cortes pelo ministro da guerra, o sr. marquez de Sá da Bandeira. Agradecemos a offerta.

Força

Exército

No dia 31 de dezembro de 1868 a força do regimento 17 de infanteria era de 503 praças.

Musica

Cultura e espectáculoExército

A do regimento 17 d’infanteria tocou no domingo na praça desde as seis até ás oito horas da noute.

Condecorados

ExércitoCondecoracções

Com a medalha de cobre pelo seu comportamento exemplar, foram condecorados os srs.: Francisco Pedro Valente, cabo de esquadra n.° 7 da 6.ª companhia do regimento 17 de infanteria; Bernardo José, soldado n.° 56 da 7.ª companhia do mesmo regimento; e Ciríaco José da Cunha, primeiro sargento n.° 52 da 6.ª companhia do mesmo regimento.