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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 18
4 notícias

Suicídio

Geral

Suicidou-se, no dia 26 do corrente, ás duas horas da tarde, na Horta dos Pombaes de cima, distante proximamente tres kilometros d'esta cidade, Innocencio Galrito, trabalhador, solteiro, de 29 annos dc edade. Não se sabem, porem quanto, com bastante exactidão, as causas que levaram aquelle desgraçado a pôr termo á duração de sua vida. O infeliz, engatilhou uma espingarda, que encontrara carregada na casa aonde habita o hortelão, e prendendo um fio por uma das extremidades ao gatilho da arma, e pela outra ao primeiro dedo do pé direito, disparou contra si o tiro, cujo projectile, penetrando pela parte anterior e superior do pescoço, entrou na cavidade cranneana, e o matou subitamente.

Incêndio

Acidentes e sinistrosExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoCrimesEstradas e calçadasGoverno civilIncêndios
Governo Civil · Interpretacção incerta

Pelas 3 horas e meia da madrugada de 29 do corrente as torres d’esta cidade começaram de dar o signal de incêndio. O fogo havia-se ateado n’uma casa da rua dos semblanos, onde residem as sr.as Gamitas, e começando pela palha de um enxergão, as chammas dentro em pouco tempo, se communicaram ao edifício, e tomaram um aspecto verdadeiramente assustador. Appareceram, immediatamente, no lugar do sinistro S. Ex.a o Sr. Ayres Guedes Coutinho Garrido, Governador Civil d’este districto, e o Ill.mo Sr. José de Moraes Corrêa de Mello, administrador substituto d’este concelho, acompanhados pelos Regedores, cabos de Policia e uma força de Caçadores n.° 8. O incêndio teria, por certo, as mais funestas consequências, se não fosse energicamente atalhado pelas medidas tomadas debaixo das ordens do Sr. José de Moraes, as quaes foram as mais acertadas e opportunas. O Sr. José de Moraes é, na realidade, digno dos mais subidos louvores, pelo zello e pela actividade com que desempenha todas as funcções a seu cargo, e nos serviços prestados no sinistro, que noticiámos, tem S. S.ª mais um motivo, que justifica a muito consideração e muita estima, em que o tem todos os habitantes d’esta cidade. Por informações exactas de differentes pessoas que presencearam o incêndio, nos consta que a energia e intelligencia desenvolvidas pela auctoridade de que fallávamos no meio do perigo não podem ser excedidas. Ao proprio Sr. Governador civil, que se conservou presente a todo este terrível acontecimento, ouvimos tecer os ma io

Ascenção aerostatica

Cultura e espectáculo
Beja · Portugal

O director da companhia equestre, que trabalha n’esta cidade, cumpriu o que promettêra. O povo de Beja viu hoje elevar-se ás regiões superiores do seu vasto horisonte o arrojado aeronauta, que, ha dias, promettêra dar-lhe este espectáculo, verdadeiramente sublime e magestoso. E tão difficil e tão arriscada julgáramos nós, e ainda julgamos, esta ascenção, pela falta de condições de segurança, que a consideráramos impossível. Enganámo-nos. Que de arrojados commettimentos não é susceptível o espirito humano!!! Hoje, ás 8 horas da manhã, começou o povo a dirigir-se para a praça, onde trabalha a companhia, e grandes grupos de gente a apinharem-se pelas janellas, e pelos logares mais elevados dos edifícios da cidade, anciosos, todos, por ver subir o ballão. Ás dez horas o aerostato achava-se cheio e, livre das cordas que o prendiam á terra, á ordem do director da companhia, elevou-se na athmosphera. Sobre o lado inferior d’um trapesio, que pendia da boca do aerostato, via-se o impávido aeronauta, de pé, seguro com ambas as mãos aos lados do trapesio, que só deixava, alternativamente, para saudar com o adeus da despedida o povo de Beja, que o admirava extático, debaixo de seus pés!!

Immoralidade e crime

Justiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localReligiãoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAbastecimento de águaBeneficênciaCapturasCheiasCulto e cerimóniasDiligênciasHomicídiosPobres e esmolas
Beja · Ervidel · Portugal

Teve ha poucos dias lugar, junto á villa de Ferreira, na herdade denominada Arrabida, um acontecimento horroroso, um crime hediondo, e inaudita immoralidade, para que não temos expressões bastantes com que o fulminar. Eis o facto: No dia 24 do corrente, pela manhã, uma pobre, mas muito virtuosa rapariga da villa de Ferreira, de desoito annos de idade, andando apanhando grãos juntamente com outras mulheres, foi incumbida pela quadrilha trabalhadora, de ir buscar agua para beberem todas n’aquelle dia. Tomando o cantaro á cabeça, a virtuosa donzella destacara das suas companheiras de trabalho, e alegre e contente se dirigira para o poço, que ficava a bastante distancia, para cumprir a missão, que lhe fora encarregada. Chegada a este sitio, um monstro com forma humana, chamado Iguacio Canhoto, casado (!) e morador na aldêa de Ervidel, sahio ao encontro da desditosa virgem, e fez-lhe algumas propostas, que a sua honra energicamente repellio. Frustrados os meios suasorios, o aggressor passou aos meios da força e de ameaça, e, agarrando-a brutalmente por um braço, mostrou-lhe na ponta de uma navalha, o meio mais proprio de premiar a sua virtude. Mesmo assim, no descampado de um valle, sem protecção de ninguém, vendo brilhar diante de seus olhos o ferro do assassino e os olhos do monstro enraivecido, a virgem preferio a morte á deshonra, e, lavada em pranto, e cheia de afflicção, offereceu o peito ao punhal, mas continuou a negar a offensa á sua virtude. Então o monstro, deitando uma das mãos de ferro ao debil pescoço da donzella, e com a outra tapando-lhe a boca para abafar seus gritos de soccorro, entrou n’uma luta tão desigual como cobarde, e depois de algum tempo, extenuadas as forças, a pobre rapariga cheia de contusões e de feridas, maltratada por todas as formas foi vencida pelos brutaes instinctos d’esta fera, que sem receios das leis divinas e humanas se arrojou a perpetrar tão feio crime, que não pode narrar-se, sem a mais pronunciada aversão pelo seu auctor. Procedeu-se ao corpo de delicto e fazem-se diligencias pela captura do criminoso. Sr. Administrador do concelho de Ferreira, perseguição enérgica contra este monstro. Sr. Juiz de direito da comarca de Beja, justiça contra o infame perpetrador d’este attentado. Seremos sempre tão promptos em retribuir o mérito e a virtude pelo louvor, como inexoraveis em fulminar o crime — Justiça!