Sorteamento
No dia 9 com assistencia do sr. administrador do concelho procedeu-se, na camara, ao sorteamento dos mancebos recenseados para o serviço do exercito.
No dia 9 com assistencia do sr. administrador do concelho procedeu-se, na camara, ao sorteamento dos mancebos recenseados para o serviço do exercito.
Sob o commando dos srs. tenentes Wenceslau e Oliveira marcharam no sabado dois destacamentos do regimento 17 de infanteria. Um foi para o Redondo e o outro para Fronteira.
Folheto—«Miguel Queriol, os seus amigos e exame critico d’alguns factos memoraveis» é o titulo de um folheto que recebemos e de que é auctor o nosso collega F. A. G. Moraes Sarmento. Agradecemos a remessa. O folheto respeita a questões nos caminhos de ferro do norte e leste; vende-se em todas as lojas e custa 60 reis.
Começou a debulha das cevadas e favas. Estas estão fundindo pouco; as cevadas regularmente.
Em Baleizão ardeu na eira uma grande porção de cevada em rama pertencente ao sr. Rufino. Diz-se que o fogo foi posto.
O da egreja do Salvador ficou concluido na terça feira.
Acha-se nesta cidade desde segunda feira, o sr. marquez de Vallada.
Em data de 11 do corrente dizem-nos: Cearas—Os trigos apresentam o melhor aspecto que ha muitos annos ha memoria. Calcula-se ser a sua colheita, este anno, ainda maior que a de 1857; e que o preço de cada decalitro descerá, n’algumas freguezias, a 200 e 190 reis. Já começaram as ceifas nos terrenos altos. As cevadas não estão más; porem não ha probabilidades de descerem do elevadissimo preço a que attingiram no corrente anno. Os milhos estão promettedores: as ultimas e extemporaneas aguas muito vieram realçal-os. As oliveiras pouco, ou nada, promettem. As vinhas (escassas neste concelho) rebentaram e vingaram bem. Se o terrivel oidium, ou o novo flagello phylloxera vastatrix as não empolgar, e o tempo lhe não correr desfavoravel, podem, os pequenos vinicultores deste concelho, experimentar algumas esperanças de bom resultado das suas labutas.
Em data de 11 do corrente dizem-nos: Partida—Sahiram hoje d’esta villa, com destino a essa cidade, aonde vão passar a festa do S. Sacramento, os ill.mos srs. José Maria Lopes Falcão, e José Francisco Arraes Falcão Beja, e suas excellentissimas esposas.
Em data de 11 do corrente dizem-nos: Jogo—Chamamos a attenção do illm.º sr. administrador deste concelho, para o terrivel desenfreamento de jogo de parada, que reina e lavra com intensidade na florescente aldeia do Cercal. Homens e rapazes, ainda de tenra idade, misturam-se e estadeiam-se nas espeluncas, tabernas e casa de bilhar d’aquella povoação, e alli, muito commodamente e á sua vontade, exercitam-se diurna e nocturnamente na terrivel arte do jogar. Os paes, soffrem em geral—e ainda bem por emquanto—a rapinagem de uns filhos, que levados, ou illudidos, vão deixar na casa de perdição, o que seria para alimento seu, e de irmãos menores. Apoz a rapina aos paes, regue-se... o que se deve prevenir e evitar. Diz-se mais (e dizem-n’o pessoas de caracter respeitavel) que o agente da auctoridade administrativa n’aquella freguezia, protege descaradamente os jogadores, dizendo-lhes: «rapazes, joguem foitos; não tenham medo que eu estou aqui», isto é de mais. Temos a firme convicção de que ao illm.º e recto administrador deste concelho, são desconhecidos estes promenores; e por isso temos a certeza de que s. s.ª usará dos meios coercivos para pôr termo a um mal, que tem raizes fundas, e que póde ser a origem de muitas desgraças. Realmente é para lastimar, que em vez da mocidade do Cercal, frequentar a eschola d’instrucção primaria (a cuja frente se acha um habil e intelligente professor), procure por unica e exclusiva distracção o jogo—com toda a sua cohorte de terriveis consequencias. Remedio em quanto é tempo.
Deu hontem a segunda reunião de familias, n’este semestre, a sociedade bejense. A concorrencia de senhoras foi limitada. A orchestra era composta de musicos do 17 d’infanteria. O serviço foi profuso. Servio-se o chá ás 11 horas, á 1 hora os refrescos e ás 2 a cea volante. A reunião terminou ás 6 horas da manhã. Entre socios e convidados estiveram perto de duzentas pessoas. N’um dos intervallos, tocou no violino o sr. Theotonio, de Serpa e houve-se admiravelmente.
Tiveram o fóro de moços fidalgos com exercicio no paço os exm.os srs. José Manoel Guedes Pimenta e Fernando Guilherme Guedes Pimenta. Damos-lhes os nossos sinceros parabéns.
Celebrou-se hontem no Salvador a festividade de Corpus Christi. A missa foi vocal e por orgão e assistio a ella o sr. vigario capitular. Pelas cinco e meia horas da tarde sahio a procissão. Rompia o préstito a imagem de S. Jorge e seguiam-se os cavallos de estado, lindamente ajaezados, as irmandades, em pequeno numero, e apoz estas a cruz da sé, ecclesiasticos revestidos de pluviaes e o pallio sobre o qual conduzia a custodia, o reverendo vigario capitular. Seguiam-se ao pallio, a camara municipal, as auctoridades civis, judiciaes e militares e o regimento 17 de infanteria no maior accio fechava o préstito. Ao recolher a procissão o regimento deu as descargas do estylo.
Lemos um livro que ha pouco tivemos a honra de receber, e que n’essa occasião agradecemos ao seu auctor o ex.mo sr. D. Antonio da Costa, e por isso podemos hoje aconselhar aos nossos assignantes a compra do livro o qual vae abaixo annunciado. Em 349 paginas ninguém diria tanto nem melhor. É um estudo social de que ha muito a aproveitar na epocha actual. O mundo romano de que o auctor se occupa mais largamente é estudado com consciencia e sciencia. Na deducção logica e historica mostra o auctor como o mundo romano se engrandeceu e fortaleceu cada vez mais pelo seu valor e virtude até ao ponto em que o luxo, a devassidão, a prostituição da mulher, da familia e das instituições levaram o maior imperio do mundo á sua completa ruina. O mundo barbaro ahi é desenhado com a sua rudeza, ignorancia, ferocidade e independencia individual de um modo a não deixar nada a desejar. Entre este extremo e rude amor da liberdade individual e o extremo opposto de escravidão romana a humanidade deseja a luz e a luz apparece como per encanto com o mundo christão que offerecendo as mãos aos dois mundos os fraternisa pelo amor, e os leva a ceder cada um da sua parte o que constituia o excesso impossivel no estado social para virem ao justo meio em que a humanidade se desenvolve, e é feliz, caminhando sempre nas conquistas do ideal que antevê mas que será para ella o seu pomo prohibido, não o podendo jamais realisar. Pedimos licença ao auctor para honrar este jornal com a transcripção do seguinte: «Assistimos ao desmoronamento de um imperio que tinha absorvido o mundo pelo valor do seu braço casado com o poder das suas virtudes, e patentearam-se as causas que derribaram o gigante, mais suicidado do que vencido. Presenciamos outro imperio de povos differentes vir occupar o logar que as circumstancias e as suas qualidades lhe conquistaram. Vimos o apparecimento de um poder moral, que lançando-se no meio da luta ajudou a salvar a sociedade. Estes elementos, primeiramente dispersos, depois confundidos, vieram por fim a ligar-se, produzindo a ordem. A luta durou seculos, e foi assombrosa. Durante ella o mundo, agitado nos seus fundamentos, dir-se-ia que passava por um sonho. As crises porém não são eternas. Adormeceram nas trevas; acordava no esplendor de um sol. A Europa amanhecia christã. Os povos fundavam as suas nacionalidades á sombra do christianismo. Tres mundos tinham formado um complexo que exprimia como pensamento social a individualidade humana. Á unidade da conquista succedia a nacionalidade. O homem era substituido á classe. D’aquelle cahos saiu uma obra formosa. Cada um d’aquelles mundos produziu uma força para a sociedade que nascia. O romano deu-lhe a tradição e a experiencia, o christão deu-lhe o espirito e a educação social, o barbaro deu-lhe o impulso que refundia povos e que fortalecia as gerações. O mundo velho comprehendera o estado, mas não a humanidade. O ente humano de qualquer dos sexos, de qualquer das condições, só agora se conhecia livre. As instituições liberaes, como hoje as entendemos, não eram da epocha, mas d’aquella natureza independente germinava o principio da emancipação individual. Foi então que o espirito humano, respirando da longa oppressão em que as trevas o tinham trazido, viu raiar uma luz, que, imperceptivel no começo, brilhante depois, ambicionava alumiar o mundo: a civilisação pela justiça. E a alma da humanidade, chorosa e triste com tanto padecimento, rio-se e alegrou-se. O mundo novo mandava-o Deus caminhar.»
Sahio hontem para Mourão, sub o commando do digno capitão Lage, um destacamento de 60 bayonetas do regimento 17 de infanteria.
Regressou a Lisboa o sr. Brito Taborda, director do caminho de ferro de sueste, que fôra a Madrid tratar da compra de varias machinas para a linha.
Partio, na quarta feira para Lisboa o exm.º sr. visconde da Boa Vista, Francisco.
Tem o numero 23:841 a inscripção que o sr. barão de Castello de Paiva averbou a favor da casa pia desta cidade.
Foi transferido para infanteria n.º 17, o sr. alferes Fonseca Quintello.
O caminho de ferro de sueste rendeu, na semana finda em 24 de maio ultimo, reis 7:422$560, isto é, mais 558$410 reis do que em egual periodo do anno de 1873.
O desenvolvimento da importação na alfandega de Serpa e suas delegações foi, no mez de janeiro, de reis 2:120$020, em valores produzindo 155$482 reis, em direitos. O da exportação foi de 52:749$350 reis, em valores, produzindo 961$695 reis, em direitos.
O sr. Thomaz Halfendeu foi reconhecido como proprietário da mina de manganez da herdade do Castello, freguezia e concelho de Almodovar; e da mina de ferro e manganez da Fonte Santa de Baixo, freguezia do Cercal, concelho de Odemira, neste districto. O sr. Alfredo Anduze foi reconhecido como proprietário da mina de ferro e manganez da Fonte Ferrenha, freguezia de S. Luiz, concelho de Odemira. O sr. Joaquim Antonio Trindade foi reconhecido como proprietário da mina da Fonte de Moura, freguezia de Santa Maria, neste concelho. O sr. José Guijarro de Orla e Antonio Guijarro de Orla, foram reconhecidos como proprietarios da mina de manganez e ferro da Mesa dos Algares, na freguezia de S. Theotonio, concelho de Odemira.
Esta empreza acaba de publicar mais dois novos livros, o primeiro volume de Os Mascaras Vermelhas, de Ponson du Terrail, traduzido em portuguez pelo sr. A. M. da Cunha e Sá, e o segundo volume de O Diabo na Córte, do auctor hespanhol Ortega y Frias e traduzido pelo mesmo sr. Cunha e Sá e ornado com gravuras. Além d’estas obras, a empreza annuncia que está no prelo o 2.º volume dos Mascaras Vermelhas e o terceiro do Diabo na Córte. No fim da publicação d’estes dois romances a empreza distribue valiosos brindes aos assignantes.