Arquivo
O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 1069
55 notícias

Acontecimentos na Europa

Cultura e espectáculoMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoCalor extremoConferênciasDebates políticos
Madrid · Paris · Espanha · Europa · França Exterior / internacional

As folhas de Madrid e de Paris fallam com muito interesse das conferencias realisadas entre os chefes de partido republicano hespanhol em Biarritz, das quaes o resultado, conforme era de esperar, foi muito lisonjeiro aos interesses da democracia. Ás conferencias assistiram entre outras notabilidades os srs. Salmeron, Echegaray, Montero, Zorrilla, Gonzalez e Ascarate. Os pontos a tratar foram os seguintes: União democratica? Convem a fusão com os federaes? Convindo, ha logar para coligação de democratas e federaes? Qual programma da união democratica, e quaes os meios de propaganda, meios eleitoraes, meios revolucionarios? Como se resolve a questão do juramento de fidelidade ao rei ao entrarem nas côrtes? Como era natural foram desencontradas as opiniões nos debates e este facto deu occasião a que as folhas monarchicas e as do partido reaccionario espalhassem que o desacôrdo era manifesto e que os chefes se separariam sem nada poderem resolver; o calor nas discussões abrandou e o accôrdo pôde estabelecer-se. Resolveu-se de commum accôrdo reorganisar as commissões do partido por meio do suffragio universal. A continuação da residencia em Paris do senhor Zorrilla, por assim se tornar conveniente aos interesses da democracia, e deixar ampla liberdade ás commissões de proceder na campanha eleitoral como seja mais util aos interesses da democracia, tratando de manter a integridade do manifesto de 1880. As folhas democraticas mostram em excellentes artigos o seu contentamento pelo bom resultado da reunião em Biarritz e ao mesmo tempo não encobrem a esperança de que para Hespanha surgirão em breve dias de maior grandeza e de mais liberdade. Na qualidade de liberaes folgámos igualmente com tão grande acontecimento que marcará na historia do partido republicano hespanhol uma data gloriosissima.

Acontecimentos na Europa

Município e administracção localPolítica e administracção do EstadoDebates políticosEleições
Europa · França Exterior / internacional

Continua e de dia a dia com mais actividade a faina eleitoral em França. Conquanto ainda não esteja officialmente marcado o dia em que terão logar as eleições geraes julga-se porem que se verificarão em 20 de setembro. Repetimos officialmente nada se sabe a tal respeito e comtudo é de presumir que as eleições se façam no mez de setembro ou quando muito na primeira quinzena de setembro. Collige-se dos trabalhos que a victoria para o partido republicano moderado será brilhantissima. A lucta, a julgar pelos trabalhos dos partidos, será animadissima. O partido ultramontano desenvolve poderosa actividade na esperança de obter alguns lugares na futura camara. Os socialistas pelos seus exageros estão dando força ao partido republicano moderado porque, acceitando a França a politica de aventuras, politica prejudicialissima aos seus interesses, e não estando disposta a abraçar as medidas extremas que lhe poderiam ser fataes ás suas relações no estrangeiro, sustenta-se no trilho da moderação e prosegue na politica iniciada por Thiers, a mais conveniente a todos os seus interesses.

Acontecimentos na Europa

Política e administracção do EstadoSaúde e higiene públicaDebates políticosEpidemias
Paris · Europa · França · Rússia Exterior / internacional · Interpretacção incerta

Em todo o caso eis como escrevem os socialistas na folha de papel vermelho tarjada de negro e impressa a tinta negra a Semaine Rouge: «O inimigo é Deus. O principio da sabedoria é a cólera de Deus. Todas as oppressões politicas e civis, todas as servidões, todas as tyrannias sociaes e privadas provêm d’esta fonte.» O artigo é assignado por Gustavo Florens. E em um outro artigo assignado por Luiza Michel lê-se o seguinte a proposito do nihilismo na Russia: «São decorridos dez annos e Paris, sempre através a sombra, sente dominar o horror do maio de 71! Potencias da Russia! hecatombes do 71! destruição eterna das multidões para feriar os tyrannos! matança dos povos para lhes dar o sangue a beber! Martyres, nós vos saudámos! Revolução! seremos dignos de ti!» No mesmo tom escreve o Excommunié. O socialismo no entanto tem a sua razão de ser e não seremos nós que o stygmatisaremos. A existencia da republica moderada deve-a a França á revolução communahsta em 1871 e se não fôra essa poderosa revolução a republica talvez tivesse desapparecido quando antes da discussão da constituição de 25 de fevereiro.

Acontecimentos na Europa

Justiça e ordem públicaCrimes
Berlim · Londres · Paris · Roma · Viena · Alemanha · Áustria · Europa · França · Itália · Reino Unido Exterior / internacional · Interpretacção incerta

As noticias de S. Petersburgo continuam a offerecer o maximo interesse. Referem alguns jornaes, que o governo russo trata de estabelecer nas diversas capitaes da Europa corpos de agentes seus, que exerçam policia secreta para o pôrem ao facto de todos os movimentos e de todas as tentativas revolucionarias. Parece que em Genova ha já funccionando quatro agentes policiaes russos e que vae havel-os brevemente em Londres, Paris, Vienna, Berlim, Roma e nas outras cidades principaes da Europa.

Cultura e espectáculoJustiça e ordem públicaReligiãoConcertosNomeações eclesiásticasPrisõesProcissões

Ora vejam o que são as coisas! No outro dia, porque um homem se não descobria ao passarem os cavallos do estado de S. Jorge, esquadra com elle, domingo uns tantos policias batiam na frente da procissão da posse de kepi na cabeça e as bandas de musica que a acompanhavam iam tambem cobertas! Dar-se-ha caso que para policias e gaiteiros S. Sezinando e o Baptista não sejam dignos do respeito publico? Mas que dirá a isto o individuo que foi preso?

Meteorologia e fenómenos naturaisSociedade e vida quotidianaFalecimentosSecas

Morreu o tabellião de notas, d’esta cidade, o sr. Manoel da Matta Janeiro. Era um homem de bem. Em 1865 e 1866 collaborou no Bejense na secção economica, e na politica em 1870. São magnificos os seus artigos.

Economia e comércioJustiça e ordem públicaReligiãoSociedade e vida quotidianaBeneficênciaFeirasIrmandades e confrariasPobres e esmolasPrisões

Segunda feira, a irmandade do Santíssimo de S. João, foi em corporação, levar uma esmola aos presos.

Fizeram

Sociedade e vida quotidianaCostumes e hábitos

se, no triduo de Corpus Christi, as festividades ao Santíssimo Sacramento com a pompa e luzimento do costume.

Município e administracção localAbastecimento de água

A camara vae mandar reconstruir o poço de Trigaxes e fazer o lavadouro da Cabeça Gorda.

Domingo, os carolas pegaram

Geral

se na rua da Esperança.

Geral

Houve, domingo, reunião de familias na Sociedade bejense.

Justiça e ordem públicaCrimes

O serviço de policia durante a festividade do Santíssimo, foi bem dirigido. Apraz-nos fazer justiça.

Economia e comércioExércitoMunicípio e administracção localChegadasFeirasMovimentos de tropas

Chegou, segunda feira, a esta cidade em companhia de sua esposa, o nosso bom amigo o digno general o sr. Antonio Joaquim da Fonseca. Seja bem vindo.

Beja · Portugal Geral

Foi grande o numero de forasteiros que estiveram em Beja, nos dias 17, 18 e 19, do corrente, para gosarem as festividades ao Santíssimo.

ExércitoNomeaçõesTransferências

Foi transferido para o regimento 17 de infantaria o sr. Quintino, coronel do 4 da mesma arma.

ExércitoNomeaçõesTransferências

A ultima Ordem do exercito transfere para caçadores n.º 5 o sr. capitão Bacellar do 17 de infantaria e para este regimento o do 12 da mesma arma, o sr. capitão Baptista.

ExércitoNomeações

Foi promovido a tenente para o 17 de infantaria, o alferes do mesmo regimento, o sr. Mineiro.

ExércitoQuartéis

Foi chamado ao ministerio da guerra o sr. quartel-mestre do 17 de infantaria.

Exército
Beja · Portugal

Retirou de Beja, o nosso bom amigo o sr. coronel Bramão. Vae commandar infantaria n.º 4.

Transportes e comunicaçõesEstradasObras de infraestrutura
Barrancos · Beja · Moura · Serpa · Portugal

O governo approvou o projecto do ramal de ligação da estrada real de Beja a Barrancos com a rua de Serpa na villa de Moura, na extensão de 224,31 metros.

Publicou

Cultura e espectáculoLivros e publicações

se o n.º 7 do magnifico jornal illustrado O Atheneu e o n.º 106 do Jornal de Viagens.

ReligiãoProcissões

Na procissão do Sacramento figurou o S. Pedro, magnifica esculptura em sandalo, que pertenceu aos jesuitas.

Lisboa · Portugal Geral

Partio para Lisboa o nosso correligionario, o sr. dr. Mendes Lima.

Economia e comércioReligiãoFeirasProcissões

Segunda feira foram procissionalmente levadas do convento para o templo, as imagens da Conceição e Baptista.

Geral

Hoje teem logar as festividades ao coração de Jesus e ao Baptista.

Acidentes e sinistrosExplosõesIncêndios

Sabado houve principio de incendio na Sociedade bejense originado por ter cahido e rebentado um dos candieiros de petroleo do gabinete de leitura. Os prejuizos são pequenos.

Despediu

ReligiãoIrmandades e confrarias

se da irmandade do Salvador o seu escrivão o sr. Francisco Antonio Penedo.

Acidentes e sinistrosEconomia e comércioAgriculturaIncêndios

Foi bom o fogo que, na noite de sabbado, se queimou no campo de Oliva.

Transportes e comunicaçõesEstradasObras de infraestrutura

Proseguem as pequenas reparações nas estradas concelhias.

Beja · Lisboa · Portugal Geral

É esperada em Beja uma companhia dramatica composta de actores de Lisboa.

Município e administracção localTransportes e comunicaçõesEstradasEstradas e calçadasObras de infraestruturaObras municipais
Beja · Vidigueira · Portugal

A camara foi favoravel á conversão da estrada de 3.ª classe em 1.ª de Beja, por S. Mathias, á Vidigueira, e contra a mesma não houve reclamações dos visinhos do concelho.

Geral

A producção de legumes é, ao que se diz, menos do que regular.

Economia e comércioPreçosPreços e mercados

A fava subiu de preço.

Economia e comércioJustiça e ordem públicaTransportes e comunicaçõesCrimesDiligênciasFeiras
Aljustrel · Portugal

Regressou a diligencia de policia civil que tinha ido a Aljustrel por occasião da feira.

Economia e comércioMunicípio e administracção localAgricultura

A camara mandou limpar o campo de Oliva.

Publicou

Cultura e espectáculoEducacção e instruçãoInstrução pública
Porto · Portugal

se o numero 6 da Revista da Sociedade de Instrucção do Porto.

Geral

Vão adeantadas as obras no paço episcopal.

Acidentes e sinistrosReligiãoIncêndios
Igreja

Sabado houve principio de incendio na tribuna do altar mór da egreja do Salvador.

Município e administracção localReligiãoProcissões

Brincando, brincando, andou por trinta e tantos mil reis que o municipio dispendesse vulgarmente com o bando catholico conhecido vulgarmente por procissão de Corpus Christi.

Município e administracção localEstradas e calçadasObras municipais
Beja · Portugal

A camara vae dar por empreitada a construcção das calçadas mais precisas em Beja e freguezias ruraes.

Município e administracção local

A camara cedeu para a administração do concelho uma sala no edificio onde esteve a secretaria do municipio no predio a S. Thiago.

Vão fazer

Justiça e ordem públicaPrisões

se na cadeia civil alguns reparos.

Festejou

Arqueologia e patrimónioDescobertas e achados

se na Conceição o S. João o Baptista. Uma philharmonica tocou á porta d’este templo e a sua fachada esteve illuminada. O adro era circumdado por uma arcada de verdura.

Economia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaTransportes e comunicaçõesDiligênciasFeirasPrisões
Évora · Lisboa · Portugal

Sahiram, antes de hontem, duas diligencias do 17 de infantaria, uma para Lisboa a conduzir presos e outra para Evora para policiar nos dias de feira.

Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisFeiras

As grandes chuvas de quarta feira causaram prejuizos nas cearas em debulha e nos entulhados.

Em Beja soube

Economia e comércioFeiras
Beja · Portugal

se que quinta feira era vespera do Baptista por assim o dizer a folhinha. Les dieux s’en vont...

Economia e comércioJustiça e ordem públicaBebedeiras e desordens

Hoje houve no açougue grande desordem. A policia não deu por isso e se deu fez ouvidos de mercador. Bem bom.

Justiça e ordem públicaMunicípio e administracção localJulgamentos
Beja · Portugal

A questão levantada entre os empregados publicos e a camara de Beja, se esta devia collectar por inteiro os ordenados ou só em metade, acaba de ser resolvida. O supremo tribunal administrativo accordou em favor da camara.

Barrancos

Acidentes e sinistrosArqueologia e patrimónioCultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoEstatísticasJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAbastecimento de águaCasamentosCemitériosConcertosCorreioCostumes e hábitosDesabamentosDescobertas e achadosEscolasEstradas e calçadasFalecimentosHomenagensHospitaisImpostos e finançasIncêndiosInstrução públicaMédicos e cirurgiõesMortalidadeObras de infraestruturaObras municipaisObras religiosasPrisõesProfessoresRepartições públicasRuínas e monumentos
Barrancos · Beja · Moura · Portugal Câmara Municipal · Hospital · Igreja · Interpretacção incerta

Barrancos e seu estado de abandono—A trinta kilometros pouco mais ou menos de Safara, e a 50 de Moura, encontra-se a villa de Barrancos, pertencente ao concelho do mesmo nome, districto de Beja, tendo apenas uma freguezia com 632 fogos, e 2:390 almas. Segundo dizem os antigos, foram os habitantes d’aquella villa que em 1820 deram o primeiro grito de liberdade em Portugal; mas infelizmente de nada lhes valeu tão grande coragem, porque além de terem sido castigados pelo absolutismo d’aquelle tempo, foram, e ainda são hoje olvidados dos poderes publicos. Não ha n’aquelle concelho um unico melhoramento, as vias de communicação são pessimas, e é por serras e valles que se tem de andar para se ir a este, ou aquelle ponto; acontecendo muitas vezes no inverno, ficar-se incommunicavel por alguns dias, em consequencia das enchentes nas ribeiras, e com especialidade a do Mortigão, que dista da villa uns dezoito kilometros. As ruas da villa, quasi todas em plano inclinado, estão pessimamente calçadas. De dia é preciso muita cautella no andar por ellas, para se não soffrer o desgosto d’uma perna quebrada, ou pelo menos a torcedura d’um pé. De noite, os proprios praticos, teem que se munirem de lanternas, para chegarem ao seu destino a salvamento. N’um ponto elevado da villa, está collocado o cemiterio, que é muito pequeno, e sem condições algumas de aceio. Ha alli um costume extravagante, e de grande risco para a saude publica. Quando fallece alguma pessoa com meios de fortuna, pede antes de morrer para ser depositado em um jazigo, que é construído sobre o solo, e tendo o leito d’uma tumba, feita de lages ou tijolos, e á proporção que vae augmentando o numero de mortos, vão-se formando jazigos sobre jazigos. Hoje tem o cemiterio já tres ordens d’esses depositos mortuarios, os quaes pela construcção, e pelas fendas que teem, os corpos exalam um cheiro horrivel. A egreja matriz, está edificada n’uma praça e defronte das repartições publicas. Este templo de medonha apparencia, que em 1876, já o administrador do concelho, Lobo Pimentel, dissera officialmente, que mais parecia um armazem de negociante fallido do que uma egreja; não tem d’então para cá um simples concerto, sendo certo porém, que continuando assim, aos breve deixará de existir. Nota-se tambem que o numero de fieis que quotidianamente vão ouvir os officios divinos é assaz limitado, dando talvez causa a isso as condições do templo, receiando os fieis serem victimas d’um desabamento. As repartições publicas estão dispostas da seguinte maneira. N’um primeiro andar ha duas casas, uma que é a moradia do carcereiro, e outra que serve de secretaria e sala de sessões da camara municipal. O tecto d’esta está em misero estado de ruina, e em grande risco de um dia abater. A mobilia que ornamenta aquella sala, é composta de tres cadeirões de páo, alguns bancos, e duas mesas. Nas lojas está a administração do concelho, a repartição de fazenda, e junto a esta a cadeia, que é lageada, com tecto tambem de lage, não tendo nenhuma tarimba onde os presos se possam deitar. Pois n’aquelle recinto estão armadas 26 camas de ferro, juntas umas ás outras, com enxergões rotos e immundos. Os soldados comem o rancho em cima das camas, pela falta d’uma mesa. Por esta casa paga a delegação d’infanteria legal 453000 reis annuaes. A casa que serve de escola d’instrucção primaria, na qual têm aula 47 alumnos, é um sotão abuhardillado, com o tecto em risco de algum dia sepultar alguns innocentes victimas. A escola das meninas, é no pavimento térreo da mesma casa, está em melhores condições, isto é mais aceiada, e tem tecto de abobadilha; as alumnas matriculadas são 57. Pelo ultimo orçamento da camara, consta que a renda annual da casa das escolas é de 673000 reis, e que a mesma camara subsidia a professora com 60305 reis, e o professor com 500300 reis annuaes. A população, segundo o movimento parochial do anno findo, augmentou: os nascimentos foram 78, os casamentos 41, e os obitos 99. E’ verdade porem que no orçamento municipal ha a verba de 1206000 reis para material do ensino, quantia insignificante para haver um aproveitamento real. A casa do professor, que pela renda do seu ordenado se vê, anda mal da comida, está sem agua, e o poço da rua da Esperança, para onde vão as mulheres e as crianças levar agua, é um perigo para quem ali passa. A casa que serve de hospital é pequena, sem condições de aceio, e sem um medico permanente. Não ha tabellião, nem agente do ministerio publico, e quem deseja reconhecer uma assignatura, ou comprar um sello ou um vale do correio, tem de se dirigir a Moura, com grande transtorno. O povo de Barrancos, comtudo, não é rebelde no pagamento de tributos, antes se torna notavel em não dever um só recruta. Sendo o concelho de Barrancos composto de uma só freguezia, e tendo em cofre dinheiro de viação, fora de esperar que fosse empregado em melhoramentos da villa, que tanto carece e tanto ambiciona aquelle povo esquecido. Ferreira 11 de junho de 1881. A. C. Sampaio.

Lisboa—20 de junho de 1881. Cidadão redactor

Arqueologia e patrimónioEconomia e comércioExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoEleiçõesEstradas e calçadasFeirasFestas religiosasGoverno civilMercados e feirasMovimentos de tropasProcissõesRuínas e monumentos
Lisboa · Índia · Portugal Câmara Municipal · Correspondência · Exterior / internacional · Governo Civil

N’esta minha correspondencia não irei encher as columnas do Bejense com a relação das perseguições, torpesas e infamias destes celebres lidadôres; e apenas me occuparei de alguns factos que deem mais interesse aos estimaveis leitores. Também não relatarei os absurdos e iniquidades deste tyro, que para escarneo é governador civil da capital; porque quando então encheria as columnas do Bejense e não chegariam. Na quinta feira houve a costumada procissão de Corpus Christi que ia ficando bem na memoria do povo lisbonense. Foi caso que um dos pretorianos do general Macedo, quando passava a procissão, lembrou-se de chegar as esporas ao cavallo, para pisar o povo; o pouco mais ou menos já se deve ver o resultado. O povo começou a correr d’um para outro lado da rua; mas um sr. capitão de infantaria 5 entendeu que era melhor aportar o povo, e mandou unir fileiras. Os soldados começaram ao socco ao povo e pisaram uma mulher e uma criança. Então um popular tirou a baioneta ao soldado e deu-lhe com ella; depois os camaradas vieram acudir e foram recebidos a murro e pontapé e bengalada. Por fim levantou-se tal confusão, que os padres fugiram uns para um lado e outros para outro; um até chegou a marinhar para cima d’um candieiro; o homem da basilica fugiu pela rua dos Fanqueiros, os irmãos fugiram tambem; emfim foi uma peça carnavalesca. Estas scenas já deviam ter acabado em honra á civilisação e á moralidade, porque só servem para fazerem escarneo. No ultimo conselho de ministros tratou-se definitivamente de fixar o dia para as proximas eleições; e consta que serão para o fim d’agosto. Alerta povo! A ti e só a ti, cumpre vigiar os teus interesses! Vê quem mandas ao parlamento! É tempo de acordares d’este teu criminoso somno: olha que da proxima legislação depende o nosso futuro! Estuda bem os teus representantes, seus principios... Não mandes ao parlamento homens que estejam compromettidos na ruina da nossa querida patria. A camara municipal vae levantar um empréstimo de mil contos: encher có-cót é encher. O transporte India sahe no dia 25 para fora. Já chegou o Vasco da Gama de Times. Os progressistas dirigiram um manifesto ao paiz assignado por 84 deputados da maioria. São sete a mais que os traidores. Causa dó vel-os espernear na agonia da morte... e ainda tentam levantar-se; mas ao povo compete enterra-los na cova que elles cavavam para a patria: que é a nada. Por hoje nada mais. Fernando Augusto de L. e Mello.

Lisboa—14-6-81. Cidadão redactor

Cultura e espectáculoJustiça e ordem públicaPolítica e administracção do EstadoCapturasDebates políticosGoverno civilLivros e publicaçõesTeatro
Lisboa · Portugal Correspondência · Governo Civil

Estamos em pleno poder pessoal, é a maior noticia que posso dar aos nossos leitores. O governo constituiu-se em dictadura, e não sabemos até que ponto chegarão as arbitrariedades. O que é certo é que os povos de alguns districtos não estão resolvidos a pagarem contribuições, por não saberem em que os seus dinheiros serão gastos; é justa esta resolução dos contribuintes. O sr. governador civil d’este districto, tendo tornado celebre na perseguição ao partido republicano, prohibiu a Marselheza nos theatros, ás philharmonicas e nos cafés em que ha pianos, só resta prohibil-a nas salas particulares! Os vendedores dos jornaes republicanos são perseguidos pela policia; o sr. dr. Manoel de Arriaga está processado pelo facto de querer fundar em Almada um centro eleitoral republicano; O Seculo está processado por publicar o protesto da commissão fundadora do centro eleitoral republicano de Almada; o sr. Gomes Leal tambem está processado pela publicação do pamphleto A traição, carta a el-rei D. Luiz; está processado o dono da typographia e o editor responsavel da Marselheza, o sr. José Elias Garcia, tambem está processado pelo mesmo motivo do sr. dr. Arriaga. O sr. Arrobas odeia os republicanos desde que lhe empolgaram o comicio em S. Carlos, tem razão... mas os regeneradores na opposição queriam fazer côro com os republicanos! Ridiculo!... Ridiculo!... M. Bruno.

Physica Elementar

Cultura e espectáculoEducacção e instruçãoPreçosEscolas

É este o titulo do oitavo livrinho da Bibliotheca do Povo e das Escolas da qual é editor o sr. David Corazzi. O livrinho está elaborado ao alcance de todas as intelligencias e muito comprehensivel. É illustrado com doze gravuras. Custa a insignificante quantia de 50 reis.

Mystérios do Povo

Cultura e espectáculoEconomia e comércioPreçosLivros e publicaçõesPreços e mercados

Da segunda edição d’esta admiravel obra de Eugenio Sue que a empresa da Bibliotheca dos Dois Mundos está publicando, acha-se á venda o primeiro volume e concluídos o segundo e terceiro. Custa cada volume brochado e illustrado com boas gravuras 500 reis. A publicação continua com a maxima regularidade, e todas as semanas se distribue um fasciculo de seis folhas pelo diminuto preço de 60 reis.

O Barbeiro de Paris

Paris · França Exterior / internacional · Geral

Está concluido e posto á venda pelo custo de 500 reis o primeiro volume brochado e illustrado com quatro gravuras d’esta obra da collecção das obras de Paulo de Kock. A publicação é feita pela empresa Noites Romanticas do sr. Francisco Nunes Collares. O segundo volume está no prélo e vae muito adiantado. A distribuição é aos fasciculos semanaes. A assignatura continua aberta no escriptorio da empresa.

Casa a Vapor

Transportes e comunicaçõesNavegacçãoObras de infraestrutura
Lisboa · Portugal

Da maravilhosa collecção das obras de Julio Verne que a empresa Horas Romanticas tem publicado acha-se quasi concluida esta nova obra recentemente dada á publicidade pelo auctor, e que foi premiada pela Academia das Sciencias. A fama dos excellentes trabalhos, universalmente reconhecida, dispensa quaesquer encomios. Lisboa. Sebastião J. Baçam.