Beja 12 de novembro
Arqueologia e patrimónioEconomia e comércioEducacção e instruçãoEstatísticasExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoPreçosSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesBeneficênciaCorreioEpigrafiaEscolasFrio intensoGoverno civilGranizoHospitaisImpostos comerciaisImpostos e finançasInstrução públicaObras de infraestruturaObras municipaisPobres e esmolasPreços e mercadosReformasRepartições públicasSessões da câmara
Reuniram os onze da ordem, e desta vez foram uns verdadeiros doutores sangrados. Aquelle famoso typo que todos temos admirado no Gil Braz de Santilhana, encarnou-se na maioria dos nossos bons procuradores. Vão lendo e admirando. Levantou-se um e disse que as latrinas do governo civil lhe não passavam do nó da guella; se haviam de bater-lhe nas costas, abriram a lanceta e zás, sangria na bolsa publica para passar o engasgo ao homem! Mandaram fazer novas latrinas. Vae depois outro começa a dizer que o grand salon de hiver não estava decente, que a casa reclamava reposteiros, bambinellas, lustres etc. etc. Sim? Pois demos-lhe reposteiros, bambinellas e lustres, acodem em côro os bons dos procuradores e isto, já se sabe, á custa do publico. Segunda sangria. Um terceiro achou que o engenheiro districtal não podia prover á sua decente sustentação com menos de 800$000 reis por anno, e que o conductor precisava de uns trezentos e tantos. — Mas a engenheria districtal tem, por lei, um quadro, os ordenados tambem estão n’ella marcados; disse á boca pequena o sr. dr. Machado. — A junta é suprema, grita a turba. Ita volumus per nos... Que se deem os 800$000 reis ao engenheiro, e os trezentos e tantos ao amanuense. — Bom, diz um outro todo satisfeito, para viver já os homens teem, mas o que é verdade é que trabalho não lhes falta e deve, no mau entender, diminuir-se-lhes. — Apoiado, apoiado, berra a turba ignara. Do pão do nosso compadre grossa fatia ao afilhado. Criemos mais um logar de conductor, e a quem doer que se torça. E o logar foi creado, e terceira e quarta sangria foi dada na bolsa publica. — Mas senhores venham cá, diz um da suprema, os senhores procuradores vão ter um bom e luxuoso salão, os engenheiros e conductores melhor ordenado e menos trabalho, um nosso collega está desengasgado, mas nós tambem queremos alguma coisa: queremos os condemnados gabinetes da repartição de obras publicas, aquellas casinhotas infectas tornadas confortaveis e dignas da nossa prosapia. — Que se decorem e mobilem. E ao povo applicaram ainda mais uma sangria — a quinta — os seus bons procuradores! Era porem preciso attenuar o mau effeito destas cousas, e que fizeram então os procuradores? Votaram um subsidio de 300$000 rs. para o hospital de Beja! Se nos perguntarem se applaudimos a esmola dizemos que não; mas se nos perguntarem se gostámos que o subsidio fosse votado pela junta actual, dizemos que sim e sabem porque? Porque vimos o sr. dr. Machado, que poz em duvida uns dados estatisticos que, na passada sessão, um procurador lhe offereceu, vir confessar a veracidade e exactidão desses dados, porque vimos o sr. Castro e Lemos engulir o seu famoso discurso, o sr. Metello os seus propositos, e o sr. dr. Menezes caçoar d’aquella tropa, porque, no fim de contas, elle e o sr. Henrique Fonseca triumpharam. E nada mais fizeram os snrs. procuradores? Ah! é verdade; a suprema votou louvores a si propria e distribuiu-se a quota para as despezas do districto. Bem podem pois as camaras preparar-se para entregar a tão altos senhores o melhor de suas rendas, o suor dos seus municipes. Lê-se no Districto de Vizeu: «Accusam o governo em primeiro logar do exagero das propinas que chamam vexatorias e cuidam que é do regulamento a taxa que foi votada em cortes. Não, srs. sabios! O regulamento não poderia alterar o preço das propinas porque a lei de 14 de junho o fixou. E quando essa lei foi discutida, nenhum membro da opposição orou em favor da bolsa do contribuinte. Todos acharam regular o imposto e ninguem o combateu.» E para se sahir com isto ruminou vinte e sete dias o bom do Districto de Vizeu!! Ora não ha!... Lê-se no Diario de Portugal: «Dizem de Faro que o numero de matriculas abertas este anno no lyceu d’aquella cidade é inferior ao do anno passado.» Ora toma lá pinhões Districto de Vizeu. Vae o Districto de Vizeu ouvir ainda mais alguns collegas sobre as propinas. O tempo vae frio, é verdade, mas nós é que não prescindimos de que a tosquia seja rente, bem rente. Tem a palavra o Correio do Norte: «... a reforma da instrucção secundaria que passa a ser vendida pelo estado a peso de ouro, leva a tristeza ao seio de todas as familias que teem filhos para educar. Dentro de poucos annos, a permanecer de pé a reforma, o nivel intellectual do paiz terá descido de um modo espantoso, porque poucos serão os portuguezes que possam ter uma instrucção regular. Só os ricos, só os opulentos.» Agora oiça a Correspondencia da Figueira: «Nem sabemos se lastimar mais a imbecilidade que presidiu a similhante reforma, se a ingratidão do governo para com o seu dilecto povo, que ha de ficar analphabeto por falta de meios, e que é mister que seja estupido e selvagem para não comprehender a importancia e a força que tem.» O Constituinte diz: «Aproveitar a reforma da instrucção secundaria para fazer pezar sobre o contribuinte um novo vexame fiscal, é realmente um pensamento deploravel, e que merece o mais severo castigo. E’ verdade que, segundo parece, o Progresso já disse terminantemente que a instrucção secundaria não era para os pobres. Assim o referiu o Diario de Noticias nos seus Echos dos jornaes e não nos consta que o Progresso proteste contra esta interpretação das doutrinas de um artigo que não vimos. Assim a instrucção secundaria não é para os pobres! Eis o lemna profundamente democratico que o regulamento assignado pelo sr. José Luciano de Castro, o regulamento dos 15 dias por semana, inscreve na sua bandeira.» No Diario do Lisboa deparámos com o seguinte, sob a epigraphe fornada: «O sr. visconde das Altas Moras, que tem de receber em Moura, com foguetes e vivorio, o infeliz Ulysses dos errores do Porto, de Coimbra e da Figueira da Foz, indemnisando-o pela testa que lhe prepara dos desgostos e fiascos, foi convidado pelo sr. Saraiva a acceitar os arminhos de par, na proxima fornada.» Aqui ha coisa de mais ou coisa de menos. O tempo o mostrará. Mas serio, serio, a fornada faz-se?
Acontecimentos na Europa
Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoEstatísticasExércitoJustiça e ordem públicaPolítica e administracção do EstadoReligiãoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAgressõesBeneficênciaCapturasConferênciasConflitos locaisDebates políticosDecretos e portariasHomenagensHomicídiosIncêndiosJulgamentosLivros e publicaçõesNomeaçõesNomeações eclesiásticasPrisõesRecrutamentoSegurança públicaTelégrafo
Voltamos á questão do Oriente. A entrega de Dulcigno aos montenegrinos não está ainda officialmente confirmada; algumas folhas de Londres noticiaram, apoz o decreto de Constantinopla para a entrega pacifica da cidade, que os montenegrinos tinham avançado e tomado posse e que tudo se havia passado em boa ordem, sabe-se porem que a noticia necessita de confirmação e até se dá como boato espalhado para entreter os espiritos que mais se preoccupam n’esta melindrosa questão. Noticia official, repetimos, não ha, por emquanto, e tudo nos leva a crer que o celebre decreto de Constantinopla foi mais uma artimanha da politica ottomana para empatar a questão. Agora, e segundo os recentes telegrammas, novas difficuldades parecem ter surgido para a entrega de Dulcigno. A République Française publicou um despacho de Cettinge, dizendo que o delegado turco Bedri-Bey apresentou ao delegado montenegrino Matanovitch um projecto de convenio na entrevista que ambos tiveram em Virbazar. Esse projecto abraçaria os pontos seguintes: 1.º Os montenegrinos marcharão doze dias depois da assignatura do convenio. 2.º O commandante montenegrino será avisado vinte e quatro horas antes pelo commandante turco. 3.º Os montenegrinos entrarão no districto de Dulcigno, não por Mazura mas por Veh Corana. 4.º As tropas ottomanas manter-se-hão a 1:000 metros de distancia. 5.º Logo que termine a occupação, o commandante montenegrino informará o commandante turco. 6.º A Porta não será responsavel dos acontecimentos que possam sobrevir á occupação. 7.º A marcha dos montenegrinos será modificada se o commandante turco assim o entender. 8.º Haverá previa intelligencia entre os dois respectivos commandantes, afim de terem a faculdade de concluir a sua acção, se essa cooperação for necessaria para evitar a effusão de sangue. 9.º O praso de 12 dias é susceptivel de ser prolongado. O mesmo despacho diz que a esquadra austriaca mudou de posição, fundeando á parte, na bahia de Megline, junto a Castelnuovo. Houve rixas frequentes entre os marinheiros austriacos e italianos, e diz-se que alguns destes insultaram o archiduque, o almirante italiano teve de dar as devidas satisfações. O despacho inserido na République Française é assaz importantissimo e claro para que se comprehenda que o Dulcigno não é uma questão tão facil de resolver como se julgou ás primeiras impressões apoz o encerramento da conferencia de Berlim. Conforme se sabe na Grecia, a exitação dos espiritos contra a Turquia, é cada vez maior; e centenares de mancebos correm ás armas para estarem aptos, no caso d’uma guerra com a Porta, que se obstina em tratar do arredondamento das fronteiras gregas. O ministro da guerra passou ha pouco uma revista a 4:500 recrutas, assistindo consideravel multidão que os acclammou, e os preparativos militares continuam com a maior actividade. O effectivo do exercito comprehende actualmente 42:000 homens. As 15:000 praças da reserva serão chamadas logo depois da abertura do parlamento. A questão agraria na Irlanda continua preoccupando a imprensa e mui principalmente a de Londres. A questão apresenta de dia para dia um caracter mais serio, e, comquanto o governo inglez determinasse perseguir pelo meio dos tribunaes os chefes do movimento, comtudo este expediente em lugar de intimidar os espiritos ainda os exitou mais. O processo criminal, segundo as ultimas noticias, é instaurado contra os seguintes individuos da liga agraria: Parnell, Biggar, Dillon, O’Sullivan, Sexton O’Sullivan, irmãos O’Connor, Brennau, Egan, Kettle, Boyton O’Sullivan, secretario da liga, e Redpath, jornalista americano. Eis, porem, o effeito produzido com a publicação de tal resolução. Os deputados irlandezes sabendo que os membros da Liga vergam sob a ameaça de prisão, foram filiar-se n’ella; de modo que se o governo insiste no seu proposito, terá que fazer processar mais de cem deputados. A situação, portanto, é muito melindrosa, e não será para estranhar que venham a surgir divergencias no seio do gabinete. Foi preso o secretario do sr. Parnell, mr. Healy. No grande meeting, que se celebrou em Galway, e ao qual assistiram 40:000 pessoas, o sr. Parnell censurou os reforços de tropas e policia que o governo mandou para Galway. Qualificou o sr. Froster de hypocrita. «O governo é o unico responsavel dos assassinatos commettidos. A unica causa do assassinio de lord Mountmorris é a pessima administração ingleza na Irlanda. Porem o governo sabe que, se o systema sobre o qual está baseada actualmente a propriedade fosse abolido, a Inglaterra não poderia sustentar já o seu dominio na Irlanda. Esse é o verdadeiro motivo das perseguições que o governo se propõe dirigir contra os chefes da agitação agraria.» Outros meetings houve em differentes pontos do paiz, mas não se sabe se em alguns d’elles foi alterada a ordem publica. Os telegrammas recebidos de Calcutta teem causado em Londres a mais viva impressão. Sabe-se que a situação das tropas inglezas no Cabo da Boa Esperança, é angustiosa. Attacadas pelos basutos as forças do coronel Bayly em Maseru, e depois de bater-se durante um dia, conseguiram que se retirasse a guarnição, receiosa de uma surpreza. Os basutos saquearam a povoação, incendiaram a casa do governador, egrejas, quarteis e edificios publicos, e retiraram satisfeitos da proeza. O major Carrington achava-se em pessimas condições; suppunha-se que Mafeteng corria grave risco, e a ansiedade na colonia era grandissima. Por ultimo, o coronel Clarke, partio á frente de 1:000 homens em soccorro dos alliados, libertando-os depois d’encarniçado combate. Estavam as coisas n’este estado quando um telegramma recente nos informou, que a situação do Natal e Basutolandia era gravissima e que varios europeus tinham sido assassinados. Pediam-se reforços á metropole; as forças na cidade do Cabo eram escassas, e a defeza do paiz estava confiada ás tropas indigenas, por cujo espirito não póde responder nenhum militar pratico. Os resultados d’essa confiança sabem os inglezes quanto lhes teem custado n’aquelle extremo d’Africa. A estes acontecimentos junte-se o que se está passando na Irlanda e temos explicada a razão da preoccupação e impressão dos espiritos nos circulos politicos na grande capital de Grã-Bretanha. As folhas de Madrid trouxeram-nos ha pouco a dolorosa noticia da morte de Orense (marquez de Albaida) o decano da democracia hespanhola. O partido republicano está de lucto. Orense era um convicto republicano federal e a liberdade em Hespanha deve-lhe innumeros serviços. O nome do strenuo apostolo da democracia jamais será esquecido. Na qualidade de liberaes seja-nos permittido n’estas curtas palavras, que ficam traçadas, prestar o nosso preito de homenagem ao magestoso vulto que acaba de desapparecer d’entre os vivos, modelo de virtudes, de hombridade, de abnegação e de patriotismo.
Parte official
Política e administracção do EstadoDecretos e portarias
Novas regras para evitar abalroamentos no mar, approvadas por decreto de 18 de outubro de 1880. Decreto nomeando uma commissão para rever a tabella dos emolumentos e salarios judiciaes, composta do conselheiro Abilio Maria Mendes Pinheiro, presidente da relação de Lisboa, e dos deputados Manoel C. Emygdio, Antonio José da Rocha, Emygdio Navarro, Francisco Antonio da Veiga Beirão, Antonio L. Tavares Crespo, Joaquim José M. de Oliveira Valle e A. Alves Pereira da Fonseca, servindo o primeiro de presidente e o ultimo de secretario.
Educacção e instruçãoInstrução públicaProfessores
Pedio a sua exoneração o sr. Joaquim Jeronimo Raposo, professor de instrucção primaria em Albernôa.
Política e administracção do EstadoGoverno civil
O sr. governador civil começou a visita ao districto.
Município e administracção local
Estão recebendo rebôco fino as restantes abobadas do andar terreo dos paços do concelho.
Município e administracção localObras municipais
Está assentada, nos paços do concelho, a maior parte da obra de madeira.
Recebemos e agradecemos o Almanach de Lembranças, para 1881.
Preços
Da empreza Horas romanticas, recebemos e agradecemos um volume de 301 paginas, que se intitula A Chimica na Casinha. Custa apenas 500 reis.
Sabado, as amas dos expostos, receberam os salarios do mez de outubro.
Está
se procedendo em todas as administrações dos concelhos do districto ao alistamento das eguas-fontes que seus donos queiram destinar á reproducção nos postos hippicos que se devem estabelecer em Beja na primavera de 1881. Podemos assegurar que os cavallos que vêm este anno para Beja, são dos melhores que possue o governo nos seus depositos. Foram escolhidos pelo intendente de pecuaria do districto, que foi a Lisboa para esse fim. Um dos cavallos é o celebre Perdigoto de raça anglo-arabe, vencedor em muitas corridas nos hippodromos de Lisboa e Porto; o outro é o Eluio, filho do arabe Califa. Ambos os cavallos teem altura superior a 1,54. Em outros districtos teem produzido magnificos poldros.
Educacção e instruçãoReligiãoExamesFestas religiosas
A junta de repartidores concluiu o exame das reclamações contra differentes verbas da matriz predial de Santa Maria e começou com as do Salvador.
Salvada
Na Salvada a vespera de S. Martinho foi solemnisada a tiro e a cacete. Da rusga estão n’esta cidade, em tratamento, dois individuos e um bastante mal.
Economia e comércioReligiãoFeirasProcissões
Sahio, na noite de quarta feira, a procissão de S. Martinho. Ia em melhor ordem que muitas a que chamam sérias.
E’ esperado brevemente em Beja, o sr. ministro das obras publicas.
Do romance As Doidas em Paris, sahio a caderneta n.º 17.
Começaram as sementeiras nos terrenos areneosos.
A Herança Tragica, é o titulo de uma nova obra que a empreza Horas romanticas, está editando e de que recebemos e agradecemos a 1.ª caderneta.
Economia e comércioPreçosPreços e mercados
O Repertorio; Rei dos reportorios para 1881. Preço 40 reis. Vende-se na casa da editora Viuva Jacintho Silva. Porto.
ExércitoLicenças
Está licenciado o digno tenente coronel do 17 de infantaria.
Economia e comércio
Vae ser modificada a planta e orçamento do novo mercado.
Recebeu mobilia nova a salla das sessões da junta geral.
Messejana
Meteorologia e fenómenos naturaisTempestadesVentos fortes
No domingo 14 fomos aqui surprehendidos por uma tempestade horrorosa. A chuva foi torrencial, o vento espantoso. E’ rara a habitação que não soffresse prejuizos. N’algumas casas a agua arrastava os trastes para o meio da rua. Houve derrocadas de muros. As hortas ficaram arrasadas. O graniso despojou as oliveiras.
Publicou-se o fasciculo n.º 20, da excellente obra de Stanley
Atravez do Continente Negro.
Educacção e instruçãoEscolasProfessores
No lyceu nacional d’esta cidade, foram definitivamente collocados os seguintes professores: Luiz de Vasconcellos Correia Baião — na 1.ª cadeira (lingua portugueza). Joaquim Augusto de Sousa Macedo — na 2.ª cadeira (lingua franceza). Bernardino José de Almeida Rebello — idem na 3.ª cadeira (lingua latina). Rafael da Cunha Barradas — idem na 4.ª cadeira (geographia, cosmographia, historia, etc.). Provisoriamente: Dr. Mendes Lima, 4.ª cadeira (geographia, cosmographia e historia). Manoel Ignacio de Mello Garrido, 5.ª cadeira (arithmetica, geometria plana etc.). Dr. Menezes, 6.ª cadeira (physica, chimica e historia natural). Wenceslau José de Sousa Telles, 8.ª cadeira (desenho).
O Camões
Publicou-se o n.º 10 deste excellente semanario.
Economia e comércioMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoImpostos e finançasObras municipaisRepartições públicas
Na distribuição da quota com que as camaras municipaes teem de contribuir, no anno civil de 1881, para as despezas do districto, tocou á de Beja 4:729$260 reis para os expostos e outras despezas, e 453$870 reis para repartição de obras publicas.
Cultura e espectáculo
Está em Beja uma companhia equestre. Hoje é o primeiro espectaculo.
Economia e comércioExércitoReligiãoCulto e cerimóniasFeiras
O digno coronel do regimento 17 mandou quinta feira celebrar missa pelo eterno descanço do sr. D. Pedro V. Assistiu o regimento, differentes authoridades etc. etc.
Vae abrir
Educacção e instruçãoMunicípio e administracção local
se concurso para o estuque e pintura do andar terreo dos paços do concelho, com excepção do vestibulo.
Município e administracção local
Foi recebida provisoriamente a cupula do novo edificio dos paços do concelho.
Fraude
Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoEconomia e comércioEstatísticasJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisPreçosSaúde e higiene públicaAgriculturaContrabandoDenúncias e queixasDescobertas e achadosDestruição de patrimónioEpigrafiaImpostos comerciaisIndústriaJulgamentosLivros e publicaçõesPreços e mercadosSecasVandalismo
Não tomamos a responsabilidade pela veracidade do boato; corre, que na manipulação dos tabacos se estão empregando a parra e folha de beterraba. Contra o abuso (se melhor nome lhe não cabe) escreveu o nosso collega Diario de Noticias, no seu n.º 5:283, sob a epigraphe — Questões do dia — um artigo, chamando para o assumpto a attenção dos poderes publicos. A este artigo respondeu a Companhia Nacional de Xabregas com uma carta, que o nosso collega inserio no n.º 5:287, annotando-a com as reflexões que a mesma lhe suggerio. Tanto os artigos como a carta, são, a nosso ver, mais que sufficientes para illucidar os nossos leitores do assumpto; e sendo elle, cada vez mais, de maior importancia, pedimos venia ao nosso collega para aqui os transcrever, unindo os nossos votos aos d’elle, para que se tomem immediatas providencias: «Por varias vias nos teem vindo informações de que o augmento realisado no imposto do tabaco tem dado logar, não só ao desenvolvimento consideravel do contrabando, principalmente pela raia secca, equivalente a sommas importantes e a certa ordem de fraudes, nas quaes não só é prejudicado o thesouro, mas o consumidor. Sabe-se que uma parte do tabaco manipulado tem apparecido no mercado, por parte de uma ou outra fabrica, falseado no peso apesar da fiscalisação, que, aliás mais de uma vez tem podido evitar que o publico seja assim prejudicado. Alem d’isso consta que ultimamente teem vindo pela linha de leste grandes porções de folha de parra e beterraba devidamente preparada, diz-se que para involver com o tabaco e com destino a fabricas de tabaco. Já se vê que se estas folhas teem o destino que se lhes attribue, o damno que ellas podem produzir na saude dos consumidores é de certo muito menor, do que occasiona o tabaco, mas não é no intuito de beneficiar a saude publica que ellas são importadas. Essas folhas não pagam direitos, e o tabaco paga mais de 1$800 reis por cada kilo, preço que o thesouro deixa equivalentemente de receber, e que o consumidor por sua vez paga ao fabricante, elevado ao preço do consumo. Se uma tal combinação fosse verdadeira, seriam a um tempo lesadas ou antes espoliadas estas duas entidades, ambas muito respeitaveis, e uma formada das contribuições da outra, o publico e o thesouro. Custa a crêr que seja verdade o que se diz com relação a este ponto, mas a averiguação é por isso mesmo mais necessaria e util para todos. Fizemos sentir em a nossa folha de 19 a necessidade de se averiguar officialmente a verdade diversas fraudes que, segundo é notorio, existem na fabricação do tabaco, e que lesam ao mesmo tempo o thesouro e o consumidor, bem como a conveniencia de estabelecer uma fiscalisação mais rigorosa do que a existente, contra ellas e o contrabando que n’esse genero se faz. Com relação a esse assumpto recebemos dos srs. caixas geraes da Companhia Nacional de Tabacos de Xabregas a carta que abaixo inserimos, e a qual não faz senão dar força ás breves observações que publicamos, no interesse publico, e no cumprimento do nosso dever, sobre a urgencia de uma apertada fiscalisação, com a qual não só ganharão o thesouro e o consumidor, mas ainda as fabricas que procederem, como a carta abaixo diz que procede a Companhia Nacional de Tabacos de Xabregas. O conhecimento da verdade é util a todos, e o poder central tem obrigação n’este caso de o preocupar rigorosamente por meio dos seus fiscaes e por quaesquer averiguações extraordinarias visto que, alem do que temos ouvido, ainda agora temos presente uma folha operaria, A Voz do Operario, que, desenvolvendo as considerações do nosso artigo, põe em duvida o rigor e imparcialidade d’essa fiscalisação; diz que é antiga introducção das folhas de parra e de outros vegetaes n’esse fabrico, e que n’uma visita fiscal ultimamente feita a algumas fabricas, visita a que tambem alludimos, se encontraram fraudes no peso dos tabacos manipulados. Quanto ao contrabando, que o alludido jornal operario diz exercer-se em grande escala no Alemtejo e no Algarve, nós sabemos que não é menor o que se exerce pelas fronteiras do Minho e das Beiras, isto apesar do consideravel augmento das despezas e pessoal da fiscalisação, principalmente desde que se elevaram os direitos do tabaco. Eis a carta referida, que repetimos, dá muita força ás nossas considerações. Sr. redactor do Diario de Noticias.—A companhia nacional de tabacos em Xabregas, a mais antiga do nosso paiz, aquella que mais favor tem merecido do publico pela pureza e perfeição dos seus productos, e que nós, honrados que nos julgamos de dirigil-a, não podia ser indifferente á leitura do artigo que, sob a epigraphe “Assumptos do dia”, publicado no numero 5:283 do seu acreditado jornal, em data de 19 do corrente. N’elle aconselha v. aos poderes publicos que averiguem o que possa haver de verdadeiro nos boatos que dizem terem-se espalhado, de que os elevados direitos que paga o tabaco, teem feito, não só augmentar o contrabando d’este genero, mas introduzil-o na sua manufactura em grandes porções de folha de parra e de beterraba, e isto em prejuizo do thesouro, que não recebe os direitos que devia receber, e do publico, que paga como tabaco o que o não é. Permitta-nos v. que o acompanhemos no justo desejo que mostra ter de que a industria do tabaco se exerça no nosso paiz em perfeita harmonia com as disposições da lei de 13 de maio de 1864, tornando-se effectivas todas as penalidades que alli se acham designadas para aquellas fraudes e para outras quaesquer que possam ser commettidas. Não é só o thesouro é o publico que com ellas são prejudicados. Não ha industria licita, e que empregue com materia prima um genero do qual o estado, pelo seu elevado direito, precisa tirar um dos seus maiores rendimentos, que possa resistir a fraudes de qualquer especie que sejam. As companhias que, como a que representamos, capricham no fiel cumprimento do seu dever e na escrupulosa execução das disposições d’aquella lei, são igualmente prejudicadas com os abusos que se commetterem no fabrico e como a introducção sem pagamento de direitos, de um genero que ellas tão caro pagam. Tem v., pois, ao seu lado esta companhia a pugnar pelos interesses que v. advoga, porque sobre serem justos, tambem são os nossos. Incessantemente havemos reclamado dos poderes publicos, e, grato é confessal-o, por vezes com proficuo resultado, providencias para que a fiscalisação se faça por modo a evitar o contrabando do tabaco. Não menos nos temos interessado em que se faça effectiva a disposição da lei que obriga os volumes a terem o peso nos mesmos indicados. E apesar da sua longa existencia, affirmamos com ufania que nunca alguem teve de instaurar processo contra a companhia, accusando-a de menos escrupulosa no desempenho dos seus deveres. Quem assim procede revela claramente que, no campo da legalidade, não receia concorrencia alguma; que deseja corresponder na qualidade dos seus productos á confiança publica que lhes dá a justa preferencia que lhes merecem; e que cumprindo a lei em todas as suas disposições pretende manter ilesa a reputação de que sempre gosou perante o paiz, já no tempo do monopolio, que ella foi a ultima a ter, já no tempo da liberdade que ella foi a primeira a gosar. Esta companhia nunca deixou nem deixará de franquear todas as suas officinas á mais escrupulosa inspecção official. Deseja que alli se exerça para com todas o seu mais completo rigor. E se v. em quaesquer dias e a quaesquer horas inesperadas, quando as suas muitas occupações lhe deixarem alguns momentos livres, nos quizer honrar com a sua visita, de certo se convencerá que em tudo quanto havemos dito, só temos por fim defender com fundamento e com verdade o credito da companhia que representamos. E’ ella a que maior capital tem empregado na industria do tabaco, a que proporciona trabalho ao maior numero de operarios, e a que mais procura corresponder á confiança publica e particular. Procedendo todos por modo igual e radicada no publico a convicção d’esse facto, os desejos de v. ficarão satisfeitos, e destruidos os boatos que tanto atacam a honra das companhias como ferem os interesses do estado e os nossos. Podendo v. fazer d’esta o uso que lhe approuver, nos assignamos com toda a estima e consideração. Do v. etc. — Os caixas geraes da companhia nacional de tabacos em Xabregas, Fonsecas, Santos & Vianna. Thomaz da Costa Ramos, Francisco Ribeiro da Cunha, João Henrique Ulrich Junior. Lisboa 21 de outubro de 1880.»
A’ ultima hora
Diz-se que está realisado o emprestimo portuguez com a casa Sterne.
Pedio a demissão o ministerio francez.
Bibliographia
Estatísticas
Diccionario de Geographia Universal.—Está publicado o fasciculo n.º 114 d’esta importante publicação da Empreza Horas Romanticas. O Diccionario é collaborado por uma sociedade de homens de sciencia, e composto segundo os trabalhos geographicos dos melhores authores brasileiros, portuguezes, francezes, inglezes, allemães, e de accordo com as ultimas publicações chorographicas e estatisticas dos differentes paizes. Cada fasciculo 100 reis.
Bibliographia
Cultura e espectáculoEconomia e comércioLivros e publicações
A mesma empreza distribuiu o n.º 45 do excellente jornal de familias A Moda illustrada, importante publicação, muito indispensavel a todas as boas donas de casa e modistas. A Moda illustrada rivalisa admiravelmente bem com os melhores jornaes que no mesmo genero se publicam no estrangeiro. Recommendamol-a.
Bibliographia
Economia e comércioPreçosPreços e mercados
A Casa branca.—As primeiras folhas d’este magnifico romance de Paulo de Kock que a Empreza Noites Romanticas, de Lisboa, tem no prelo, devem ser distribuidas no dia 15 do corrente. A este romance seguir-se-hão outros romances do mesmo author, porque a empreza tenciona, e por preço modico ao alcance de todas as bolsas, publicar a collecção das obras d’esse fecundo espirito que tanto ennobreceu a litteratura franceza.
Bibliographia
Meteorologia e fenómenos naturais
Os Communistas no exilio.—Estão no prelo as primeiras folhas d’este notavel romance por Henrique Rochefort que a Empreza dos Serões Romanticos, da qual é proprietario o sr. Belem, tem no prelo e que serão distribuidas logo que termine a publicação do romance As Doidas em Paris. — Os Communistas no exilio é uma obra de boa e salutar propaganda democratica. Rochefort descreve miudamente todas as peripécias, e todos os factos succedidos na Nova Caledonia durante o tempo que alli estiveram os emigrados politicos francezes, victimas da politica conservadora de Mac-Mahon. A distribuição é feita ás cadernetas e todas as semanas se distribuirão cinco folhas a 10 reis cada folha. Lisboa. Sebastião J. Baçam.