Arquivo
O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 68
12 notícias

Expediente

Cultura e espectáculoLivros e publicações
Correspondência

Recebemos uma correspondência do sr. J. M. Rozado que não publicamos por ser imprópria d’este jornal pelas injurias pessoaes que contém, e pela sua linguagem inconvenientíssima.

Chegada

ReligiãoVisitas pastorais
Lisboa · Portugal Igreja

S. Ex.ª o sr. Bispo d’esta diocese chegou hontem de Lisboa.

Valentia anachronica

ExércitoJustiça e ordem públicaBebedeiras e desordensJulgamentosMovimentos de tropasQuartéis

Uma das noites d’esta semana um anspessada do destacamento de lanceiros levou uma desordem com paizanos em que se julgou offendído. Estava desarmado. Desejando mostrar a sua valentia foi ao quartel buscar uma espada jurando vingar-se no primeiro paisano que a sorte lhe deparasse. Vai senão quando encontra o sr. Alferes Sá, inspector dos pesos e medidas do districto, que socegadamente recolhia para sua casa. Na sua furia marcial o valente anspessada alça a durindana, arremette contra o sr. Sá e tel-o-hia decapitado se não fosse contido por uma pistolla de dois canos que lhe fez comprehender que as quixotadas já não são d’esta epocha.

Mais pormenores acerca do roubo do sr. Victorino Antonio Alves

Acidentes e sinistrosExércitoJustiça e ordem públicaAcidentes ferroviáriosFurtos e roubosJulgamentosMovimentos de tropas
Interpretacção incerta

Na estalagem em que este sr. foi roubado estava aquartellado no palco ou descarregadouro um destacamento de 20 homens de cavallaria n.º 3 que chegara na vespera, o qual tinha uma sentinella da guarda de cavallariça. Havia alem d’isso alguns almocreves deitados no mesmo pateo. Esta circumstancia que parece devia garantir o sr. Victorino d’um roubo, foi-lhe duplamente fatal: primeiramente porque o afoutou a julgar a sua fazenda mais segura, e em segundo logar porque o grande numero de pessoas que estava na estalagem tornava menos reparavel a entrada e sahida de gente.

Justiça e ordem públicaCrimes

A dona da casa tinha dado ao hospede que perpetrou o crime um quarto fronteiro ao do sr. Victorino, e cujas portas distam uma da outra apenas 1 metro e 38 centimetros, separadas por um corredor, circumstancia que favoreceu singularmente os ladrões para agarrarem o sr. Victorino, quando estava abrindo a porta do seu quarto, cuja fechadura é difficil de abrir.

Economia e comércioFeiras

O sr. Victorino, surprehendido por tres homens armados de punhaes prestes a serem-lhe cravados no peito ao mais leve grito (o que já lhe era quasi impossível por lhe haverem tapado a bocca) succumbiu completamente. N’este estado foi levado para dentro do quarto e atirado sobre a cama, onde, depois de vendado com o próprio lenço do pescoço, foi amarrado de pés e mãos de tal forma que apertava os pulsos quando pretendia fazer qualquer movimento com os pés, e vice versa. Antes d’isto já os ladrões lhe haviam introduzido na bocca, abrindo-lh’a com a ponta d’um punhal, uma mordaça feita com dois lenços, que existem em poder da justiça. N’esta occasião, buscando os ladrões ver se estaria alguém debaixo do leito, encontraram cordas do sr. Victorino que lhe serviam para o seu mister de feirante, com as quaes o amarraram ao leito de maneira que lhe era impossível atirar-se ao chão.

Acidentes e sinistrosJustiça e ordem públicaAcidentes ferroviáriosFurtos e roubos

Dois dos ladrões permaneceram junto d’elle, promptos a fazer-lhe pagar com a vida o mais leve esforço que empregasse para se salvar, em quanto o terceiro procedeu á abertura das caixas e á extracção do que ellas continham. Feito isto, o hospede desconhecido desceu á cavallariça, puxou para fora o macho em que viera montado; um dos seus cúmplices, a pretexto d’acender um cigarro, apagou a luz do pateo, e aquelle aproveitou o ensejo para, por entre as differentes pessoas que estavam deitadas no descarregadouro, atravessar com o roubo. O facto d’apagarem a luz foi motivo de reparo para a sentinella, que contou depois que o homem que a tinha apagado a accendera a instancias suas, e que ia vestido de sobrecasaca e chapéu redondo.

Meteorologia e fenómenos naturais

Durante todo este tempo foi o sr. Victorino guardado por um dos ladrões que lhe não abandonou a cabeceira da cama em quanto não ouviu na rua o tropel do macho; porque só depois disso se retirou, fechando-lhe a porta por fóra.

Saúde e higiene pública

Quando o sr. Victorino conheceu que estava só, começou a dar gritos abafados pela mordaça, mas que, apezar disso, foram desde logo ouvidos pelos soldados. Tudo parecia, porem, haver-se conspirado contra o desgraçado, porque, dando-se a coincidência de estar gravemente doente o dono da casa, suppozeram serem d’elle os gemidos; e esta supposição fez com que os soldados não ligassem importância ao facto, por que a dona da casa, com o seu genio irascível e destemperado, os tinha nessa tarde descomposto por lhe haverem invadido um pateo mais interior, o que determinou n’elles um certo despeito que quizeram revelar pela indifferença com que ouviam os gemidos.

Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisAgricultura

Estes, porem, continuavam sem interrupção e com um som que finalmente despertou a attenção aos soldados, que, commovidos pela insistência d’aquelles sons ululativos, se resolveram a ir accordar a dona da casa e acompanhal-a na indagação da pessoa donde partiam. Foi então que, dirigindo-se ao corredor, perceberam que vinham do quarto do sr. Victorino, e vendo que a porta se achava fechada por fóra a abriram, encontrando-o no lastimoso estado que já descrevemos, e em que não podia permanecer com vida por muito tempo, por lhe haver cahido para o nariz, a força dos movimentos da cabeça, o lenço que lhe tapava os olhos e quasi o asphyxiava.

Justiça e ordem públicaCrimes

Este crime tem preocupado a attenção publica, não só pelo exemplo de audacia que põe em perigo a segurança individual, mas pelo interesse que tem despertado a desgraçada victima d’elle, geralmente bem conceituado n’esta cidade, e a quem todos os homens sensatos lamentam sinceramente. Cremos que as auctoridades hão poupado esforços para se descobrir os auctores de tão horrível attentado, e se o conseguirem grande serviço prestarão á sociedade.

O Rouxinol

Cultura e espectáculoEconomia e comércioPreçosConcertosLivros e publicaçõesPreços e mercados

Jornal de musica publicado por J. Heliodoro de Vargas. Começará a sahir em havendo numero d’assignaturas sufficiente para cobrir as despezas da publicação. Sahirá duas vezes por mez, cada numero meia folha. Preço d’assignatura: por trimestre 930; por semestre 1$800; por anno 3$600. Recebem-se assignaturas no escriptorio d’este jornal, pagas adiantadas.