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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 79
15 notícias

Festa do Sacramento

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Lisboa · Portugal

Pertenceu este anno a irmandade da freguezia de S. João esta festa, que se fez, segundo o costume, com toda a pompa e solemnidade. Houve missa cantada nos tres dias de sexta feira, sabbado e domingo, com musica vocal e instrumental, e vésperas na sexta e sabbado. A philharmonica bejense, e alguns músicos de fóra da terra e do regimento 17 constituíam a orchestra do côro. Á porta tocava a banda marcial da philharmonica dos artistas. A concorrência foi numerosa como sempre. Pregaram na sexta feira, sabbado de tarde e domingo de manhã os revd.°s padres Joaquim Vital da Cunha Sargedas e Antonino José de Figueiredo e Sá, que por convite da irmandade vieram de Lisboa expressamente para esse fim. No sabbado de manhã pregou o revd.° padre Alexandre Ramos Cid.

Educacção e instruçãoReligiãoSociedade e vida quotidianaFestas religiosasHomenagens

Em homenagem á verdade devemos dizer que o revd.° padre Antonino não correspondeu á expectactiva do publico, que o ouviu, e que antes perdeu alguma cousa dos créditos que havia adquirido, e das sympathias que tinha sabido despertar quando pela primeira vez se fez ouvir nesta cidade. Especialmente o segundo discurso que proferio na festividade d’este anno desagradou muito, não só pelos erros d’historia e anachronismos indisculpaveis que commetteu, mas pela doutrina menos conveniente que pretendeu sustentar, e que era imprópria do lugar que occupava. Não soou bem ao auditorio ouvir dizer do púlpito: que a perda da nossa independência em 1580 fôra como que um castigo do céu pelos progressos que o protestantismo, e o que é mais, o voltairianisme e racionalismo haviam feito entre nós. Mas o que sobre tudo desagradou foi a apologia do absolutismo, ou da monarchia pura, e o appello que fez ao povo aconselhando-o a não poupar meio, nem ainda o das armas, na defeza d’esse principio, unico que poderia salvar-nos dos cataclysmos, que a sua phantasia nos creou. Sentimos que o sr. padre Antonino se esquecesse por tal modo do lugar em que estava, e que trouxesse para alli questões e assumptos impróprios da cadeira do Evangelho, porque possue muito brilhantes dotes oratorios, de que lhe seria facil tirar importantes vantagens.

Religião

O sr. padre Sargedas foi muito feliz no seu segundo discurso. O auditorio ficou plenamente satisfeito, e o orador, que dispõe de bastantes recursos intelligentes e oratorios, soube conciliar a attenção e o respeito dignos do assumpto que tratou, sem grandes pompas de estylo, mas com eloquente singeleza.

O revd.° padre Alexandre soube elevar

ReligiãoCulto e cerimónias
Beja · Portugal Islâmico

se á grandeza da sua missão evangelica. Começou brilhantemente, e terminou na mesma altura. Os atavios de estylo, e a pompa das imagens foram dignos do assumpto sobre que discursou, seguindo sempre uma lógica inflexível nas demonstrações que emprehendeu. Beja tem razão para ufanar-se de ser a patria d’um tão bello talento. Parabéns sinceros d’aqui damos a S. S.ª pelo brilhante successo do seu eloquente discurso.

Acidentes e sinistrosIncêndios

No sabbado á noite houve um brilhante fogo de vistas na praça, a que concorreram milhares de pessoas.

Jantar dos presos

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No domingo depois da missa teve lugar a procissão do jantar dos presos. É costume antigo ser o jantar levado á mão e percorrer as ruas da procissão para ser visto por toda a gente. Vae na frente a cruz alçada seguida da musica, e depois o pão e mais iguarias de que se compõe: o jantar é levado em alcofas simplesmente, ou em tachos de lata collocados nas alcofas, pegando a cada uma d’ellas duas pessoas por meio d’uma toalha dobrada que lhe atravessa as argolas. As pessoas que as conduzem são os irmãos da irmandade, com as suas ópas vestidas, devotos e convidados. Costumam fechar a procissão as dignidades da irmandade e as auctoridades, que também são convidadas, e a quem as dignidades offerecem as chamadas insígnias, que são uma faca e garfo de trinchar, bacia e jarro (de prata) e toalha.

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Interpretacção incerta

Que significarão aquellas insígnias levadas na procissão do jantar? É evidente que significam que o jantar primitivamente era repartido pelas próprias dignidades, que por um acto de caridade e humanidade verdadeiramente christã iam servir estes nossos irmãos desgraçados, porque os criminosos são desgraçados de que devemos ter compaixão, mesmo pelos males que elles causaram aos seus similhantes. Actualmente o jantar é distribuído ás alcofas pelos presos, não só com largueza, mas até com excessiva profusão; e com quanto muita gente necessitada receba parte do jantar que se chama dos presos, parece-nos que poderia chegar a mais pessoas e satisfazer melhor o preceito da caridade repartido por outro systema. As alcofas este anno eram 192. O jantar constava de sopa de pão, carne cozida com toucinho e linguiça (chouriço de carne), arroz, carneiro assado com batatas e ensopado, azeitonas, arroz doce, laranjas, bolo de mel e vinho. Far-se-ha idea da profusão sabendo-se que aos oito presos que estavam na enxovia se lhes distribuiram 19 alcofas com as differentes iguarias que compunham o jantar.

Procissão

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No domingo de tarde teve lugar a procissão com os irmãos das confrarias do Santíssimo das quatro freguezias da cidade, levando, alem d’outros andores, os dois riquíssimos andores de prata de S. João Baptista e S. João Evangelista que pertencem aos partidos das s.ªs religiosas no convento da Conceição. São duas preciosidades pelo seu valor intrínseco e pelos seus delicados lavores. As ruas do transito da procissão são juncadas d’espadana e as janellas adornadas de colchas de seda. Seguiam a procissão as auctoridades e muitos cavalheiros. Era acompanhada por uma guarda d’honra do regimento 17. O concurso de povo era immenso.

Posse

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Igreja · Interpretacção incerta

Depois de recolher a procissão a irmandade que termina a festa vae dar a posse áquella a quem compete no anno seguinte levando o andor de S. Sezinando, bispo, natural d’esta cidade. Tomou posse este anno a freguezia de S. Thiago, em cuja igreja se cantou o competente Te-Deum. A chegada do santo da posse á igreja é festejada por successivas girandolas de foguetes, que se repetem ao acabar do Te-Deum. Gastaram-se este anno na posse 75 dúzias de foguetes. As irmandades ao entrar na igreja possuem-se de tal enthusiasmo, que parece delirio—ouvem-se gritos estrondosos d’alguns irmãos, e do povo bradando: viva a tripa, morra a carda, epithetos por que são designadas as duas irmandades de S. Thiago e S. João. Com quanto estas manifestações tenham um character pacifico e não conste mesmo que tenham produzido nunca desordens, causam certa extranheza, e parecia mais proprio, mais christão, mais fraternal que os irmãos dessem vivas uns aos outros, porem morras nunca.

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Beja · Bragança · Portugal Igreja

A irmandade do SS. Sacramento da freguezia de S. João desta cidade de Beja foi instituida de novo no anno de 1589 e seus estatutos approvados pelo arcebispo deste arcebispado D. Theotonio de Bragança. A procissão solemne do SS. já n’aquella época se fazia no domingo immediato á 5.ª feira de Corpo de Deus, conforme fora ordenado na bulia do S. Padre Paulo 3.º, que impunha esta obrigação a todas as confrarias do SS. no seguinte paragrapho: «Cada anno no domingo seguinte depois da festa do Corpo de Deos farão uma procissão solemne pela egreja e por fóra d’ella ao redor com suas vellas e tochas accendidas».

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Igreja

A festa do sacramento nesta cidade desde épocas remotas se faz com grande solemnidade—Achamos curiosa a nota da despeza feita em 1784: Verbas principaes: Musica d’igreja 731$140; 5 sermões 102$400; Armação da igreja 144$000; Cera do throno e reforma dos cirios 39$185; Fogo 46$140; Conducções de pregadores, músicos, etc. 126$600; Toirada 389$440; Diversas despezas 86$750. Somma 1:689$455. Os 10 toiros que se correram custaram 50 moedas. A carne era depois distribuída pelos pobres.

Jantar dos presos

Economia e comércioJustiça e ordem públicaAgriculturaPrisões

Generos empregados na sua preparação em 1862: Um boi que pesou 227 kilogrammas. Carneiros quatorze. Carne ensacada 10 kilogrammas. Toucinho 10 kil. Arroz 22 kil. Leite 16 canadas. Assucar 8 kil. Laranjas 500. Azeitonas 3 alqueires. Vinho 3 almudes. Bolo de mel 20 kil. Farinha 20 alqueires. Batatas, hortaliças, etc.

Festa do Corpo de Deus

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Viena · Alemanha · Áustria · França · Reino Unido Exterior / internacional · Igreja · Interpretacção incerta

A festa do Corpo de Deus foi instituida para dar a Jesus Christo culto particular no Santíssimo Sacramento. Urbano IV foi o pontífice que no anno de 1264 determinou para esta eucharistica solemnidade a primeira quinta feira depois da festa da Santíssima Trindade. Parece que já antes d’este pontífice o bispo de Liaga na Alemanha a instituira na sua diocese, obtendo mais tarde para isso uma bulia particular, que por causa das guerras entre os guelfos e os gebelinos não chegou a ter effeito; mas no concilio celebrado em Vienna em 1311, sendo pontífice Clemente V, foi essa bulia confirmada na presença dos reis de França, Inglaterra e Aragão e publicada em todo o orbe catholico. O papa João XXII acrescentou-lhe o outavario, e ordenou a procissão publica. O officio que se reza no dia da festa foi composto por Angélico Santo Thomaz, doutor em theologia. Desde o anno de 1387 que começou a ir na procissão de Corpus Christi a imagem de S. Jorge, a cavallo, com muita compostura e brio, representando um famoso general armado de lança e adarga, acompanhado de alferes vestido de armas brancas, pagem de lança e uma pomposa comitiva de cavallos custosamente ajaezados e os melhores das pessoas reaes.

Bazar

Cultura e espectáculoLivros e publicações
Tavira · Portugal

Dizem-nos de Tavira que no dia 13 do corrente houve n’aquella cidade um bazar, cujo producto era destinado á construcção d’um estabelecimento para banhos na fontainha da Atalaia grande, cuja agua tem virtudes curativas. Rendeu proximamente 900$000 rs. Em o n.º 37 d’este jornal tratou das propriedades therapeuticas desta agua o sr. Belhago, digno facultativo d’aquella cidade.

Ao Pharol do Alemtejo

Alentejo · Portugal Geral

O Bejense não disse por gracinha que lhe constava que o sr. capitão Gomes não tinha tido parte na polemica do Pharol com o nosso periodico. Temos em nossa mão um documento que nos auctorisa a fazer esta declaração, e por isso a fazemos, e não para introduzir zizania n’aquella redacção, como erradamente diz o Pharol.