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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 1019
40 notícias

Acontecimentos na Europa

Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localReligiãoTransportes e comunicaçõesAcidentes de trabalhoComércio localConferênciasDenúncias e queixasEstradas e calçadasIncêndiosNomeaçõesNomeações eclesiásticasSessões da câmaraTelégrafo
Berlim · Paris · Roma · Alemanha · Áustria · Bélgica · China · Europa · França · Grécia · Itália · Japão · Reino Unido · Rússia Correspondência · Exterior / internacional · Interpretacção incerta · Telégrafo

Promettemos em a nossa pretérita revista, sobre os successos que mais preoccupam o mundo diplomático, fallar ácerca da importante questão—as fronteiras gregas—que tem sido largamente tratada na imprensa, questão que parece ter chegado ao seu termo. No palacio do príncipe de Hohenlohe, segundo as correspondências enviadas de Berlim ás folhas parisienses, procurou já a conferencia de Berlim resolver esta questão n’uma sessão preparatória na qual se regulou tudo quanto diz respeito á ordem e processo dos seus trabalhos. Outras sessões terão logar e poremquanto cousa alguma ha que nos leve a duvidar do bom exito de tão importantes trabalhos. Ouçamos no entanto o que nos diz a Republique Française: O accordo far-se ha, de certo, entre todas as potências. Sabe-se, com effeito, que todos os membros do congresso de Berlim, acceitando as propostas que partiram da iniciativa de França, se mostraram favoráveis ás justas pretenções da Grécia, ratificando-as solemnemente, embora n’uma forma um pouco vaga, no texto do tratado. Concordou-se que a Grécia seria compensada pela sua boa attitude durante a guerra por meio de uma rectificação de fronteiras, que teria podido obter com armas na mão, mas que preferiu dever a uma politica bem entendida e á racional submissão aos conselhos da Inglaterra e da França. De todas as pequenas nacionalidades do Oriente, foi a Grécia a única que não se envolveu no sanguinolento conflicto que dilacerava a Turquia em fragmentos; e não porque não estivesse em estado, como as outras, ou ainda em melhores condições, de representar o seu papel n’uma aventura em que as derrotas eram tão proveitosas como as victorias, mas porque não quiz ajuntar mais um elemento de perturbação áquelles que já tão profundamente convulsionavam a Europa. Urgia, pois, que a sua moderação não se convertesse em logro, em burla: porque, dando-se o caso de assim succeder, o exemplo teria sido deploravel para o mundo, e a própria Grécia victima da sua prudência, e impellida, a procurar a primeira occasião para fazer revisar pela força o que a sabedoria lhe não deu. Foi isto o que se resolveu no congresso de Berlim. Diz porem com muita rasão um correspondente:—«Infelizmente, o congresso terminou pelo fogo de artificio que lord Beaconsfield fabricou para sua maior gloria pessoal nas margens da ilha de Chypre. E os gregos deviam de pagar os foguetes, naturalmente.» A causa da Grécia, aliás justissima, conforme todos sabem, não teve desde a sua origem campeões mais ardentes que lord Beaconsfield e o marquez de Salisbury. Mas o facto é que do meado das sessões por diante, os plenipotenciários inglezes concordaram em a abandonar, o que fizeram posto que lentamente, e na occasião em que o tratado era assignado, estava dominado pela mais absoluta frieza. Eis um facto que nem mesmo as folhas favoráveis á politica do marquez de Salisbury tentam contestar. Deve acreditar-se que, pelo facto do sacrifício da Grécia, foi que o ministerio conservador obteve tão largas concessões em Chypre? Difficil é de saber á justa este ponto obscuro da politica, mas não é absolutamente temerario suppor que a verdade anda por ahi. O que é certo é que, a partir do encerramento do congresso de Berlim, a diplomacia franceza encontrou sempre da parte da Inglaterra a mais pronunciada má vontade, todas as vezes que procurava conseguir das potências o cumprimento das suas promessas, feitas em commum á Grécia, e emquanto a Allemanha, a Italia, a Áustria e a própria Rússia, mostravam por diversas graduações as melhores disposições, a Inglaterra recusava obstinadamente toda e qualquer combinação que podesse obrigá-la, e de forma alguma queria obrigar-se ao assumpto. A França, pois, retomando parte activa na questão mostrou aos gregos a sua alta sympathia pela causa do direito e da justiça. Um despacho de Athenas ao Daily-Telegraph diz que a nova fronteira grega partindo dos pincaros mais elevados do monte Olympo segue a Ralpari, Calamans e d’ahi vae até ao mar. Ficará esta questão resolvida assim? As noticias que temos respondem affirmativamente. As folhas recemchegadas de Paris occupam-se largamente ácerca da ordem de expulsão contra os jesuítas e bem assim da attitude do senado para com o projecto de amnistia ampla. A ordem de expulsão deu logar, conforme era de esperar, a muitos protestos levantados pelos jesuítas na occasião em que a auctoridade collocava os sellos nas portas das abbadias; em vários conventos os padres encerraram-se nas cellas e esperavam que a policia os obrigasse a sahir á força. Nas ruas algumas mulheres fanatisadas pelos membros das congregações não reconhecidas pelo estado não só pediam a benção aos padres mas levantavam gritos sediciosos contra a actual ordem de cousas, dando vivas aos jesuítas e ao Vaticano. A ordem porem não foi alterada. Conforme era de esperar o senado não se mostra favoravel ao projecto da amnistia ampla. A camara é de opinião que deve haver clemencia mas não para os que tomaram parte na revolução communalista de Paris. É este um assumpto de muitissima importância e que pode dar logar a graves successos. O dualismo entre as duas camaras começado na discussão do artigo 7.º das leis de Ferry está agora rectificado. O facto, porem, não espanta a pessoa alguma. A democracia, conforme temos por vezes dicto, impõe-se a todos os governos; é poderoso o seu influxo e cousa alguma ha que lhe possa resistir. Não é só os governos da monarchia na Europa que se encontram na necessidade imperiosa de lhe obedecer—no Oriente, entre as tricas muitas vezes forjadas nos haréns, os governos sentem igualmente a mesma necessidade e nem por outra forma se explica a revolução liberal e democrática que se apresenta em Constantinopla e nas demais capitaes dos paizes que tem passado afastadas do trato europeu e sujeitas ao marasmo desde que a civilisação cahiu entre elles. A propósito vamos transcrever uma importante communicação de Tokio, Japão, á Italie, de Roma: «O governo japonez que, como é já sabido, pede uma revisão dos tractados de commercio concluídos com as potências estrangeiras, e tem a intenção de augmentar os direitos de entrada, communicou recentemente e pelas vias officiaes as suas propostas a este respeito aos representantes das potências respectivas acreditadas junto da nossa côrte. O governo japonez, com o fim evidente de dispor favoravelmente a seu respeito os governos respectivos, e para conseguir a acceitação das suas propostas, assim como para facilitar a abertura das negociações em Tokio, procedeu a uma série de modificações na sua representação diplomática no estrangeiro.» O movimento que se accentua no Japão confirma plenamente o que temos avançado. O Oriente prepara-se para receber o influxo da democracia e do progresso e oxalá que as victorias se succedam ali umas após outras. Já que de novo fallamos nos successos do Oriente não podemos deixar de mencionar um facto que produziu agradavel impressão em Berlim—referimo-nos ao tratado entre a Allemanha e a China, tratado que foi agora revisto, e que, segundo telegrapharam de Pekin para Berlim, ficou resolvida a concessão para o estabelecimento de depósitos allemães no celeste imperio. As folhas allemãs applaudem essa resolução e manifestam a esperança de que a China em breve entre em largas relações commerciaes com todas as potências da Europa, medida de ha muito reclamada pelo commercio chinezo que tem reconhecido a necessidade das mesmas relações para que possa attingir ao ponto de grandeza a que tem jus. O telegrapho forneceu-nos n’estes ultimos dias uma noticia importantissima—o rompimento das relações diplomáticas entre a Bélgica e o Vaticano, e, segundo o Times, o gabinete de Bruxellas retirará no começo do corrente mez o seu embaixador junto á côrte pontificia. Faltam-nos informações mais amplas para que possamos fallar meudamente ácerca d’este assumpto e por isso o reservamos para occasião mais opportuna.

Município e administracção localPolítica e administracção do EstadoGoverno civil
Lisboa · Portugal Correspondência · Governo Civil

Carta de lei auctorisando a aposentação de D. João Pedro da Camara, como governador civil de Lisboa.

Geral

Ditta abrindo um credito extraordinario de 66:000$000 para compra de 15 torpedos.

Educacção e instruçãoExércitoEscolas

Ditta estabelecendo a maneira da promoção ao posto de major, dos capitães de infantaria ou cavallaria, que forem lentes das escolas superiores.

Município e administracção local
Câmara Municipal

Ditta concedendo á camara municipal de Vizeu 500 metros de terreno.

Educacção e instruçãoEscolas

Ditta considerando de utilidade publica as expropriações necessarias para as escolas de tiro.

Exército

Ditta admittindo na real collegio militar, Bemvindo do Carmo Leal Guimarães.

Economia e comércio

Ditta auctorisando a despeza de reis 150:000$000 com as fortificações e carreiras de tiro.

Educacção e instruçãoPolítica e administracção do EstadoDecretos e portariasExamesNomeações

Decreto fixando em dois annos, a contar do dia em que tiverem sido dadas as provas publicas, o praso durante o qual devem vigorar as classificações obtidas em concurso para provimento dos logares de primeiro e segundo official que vagarem nas direcções geraes do ministerio da fazenda.

Município e administracção localNomeações e cargosObras municipais

Ditto permittindo que as juntas geraes dos districtos do continente depositem na caixa geral dos depósitos os fundos destinados ás obras da viação a seu cargo, os quaes, attenta a sua natureza e fim a que são applicados, serão escripturados pela fórma que está estabelecida para os definitos de fundos especiaes de viação municipal.

Município e administracção local
Porto · Portugal Câmara Municipal · Correspondência

Carta de lei auctorisando o governo a contractar com a camara municipal do Porto a expropriação das lojas existentes nos baixos do edificio da academia polytechnica d’aquella cidade.

ExércitoMunicípio e administracção localReformas

Ditta estabelecendo as regras para a admissão dos officiaes inferiores do exercito, sua promoção, gratificações, reformas etc., e bem assim para a reforma das praças de pret do exercito, musicos militares, e officiaes interiores das guardas municipaes.

Exército

Ditta mandando dispendir até á quantia de 4:000$000 reis, com subsidios ás viuvas e orphãos dos officiaes do exercito.

Política e administracção do EstadoDecretos e portarias
Correspondência

Portaria resolvendo duvidas sobre a execução da carta de lei de 17 de maio, sobre contribuições.

ExércitoNomeações
Angola Exterior / internacional · Islâmico

Foi promovido a coronel, continuando na commissão em que se acha, o tenente coronel da guarnição da provincia de Angola, o nosso patrício e amigo o sr. Antonio Joaquim da Fonseca. Damos-lhe os parabéns.

Acidentes e sinistrosEconomia e comércioFeirasIncêndios

Quarta feira, pelo meio dia, deu á torre signal de incendio. Foi n’umas estrumeiras.

Saúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaBeneficênciaHospitais
Beja · Portugal Hospital

A mesa administrativa da misericordia e hospital de Beja vae, para agosto, fazer um bazar em beneficio do hospital. Oxalá que esta festa de caridade seja concorrida, e que aquelles a quem a mesa se vae dirigir não faltem com as suas dadivas.

Economia e comércioFeiras

As amas dos expostos receberam, quarta feira, os salarios do mez de junho.

Educacção e instruçãoEscolas

Tem sido grande o numero de reprovações na mesa de francez, deste lyceu.

Exército
Beja · Portugal

Está em Beja o sr. general Innocencio de Souza Feyo. Seja bem vindo o distincto militar e antigo representante deste circulo.

Saúde e higiene pública

Está bastante doente o nosso collega Pinheiro Chagas. Sentimos e fazemos votos pelo seu prompto restabelecimento.

Geral

Nos dias 22, 23 e 24 deste mez vão á praça differentes bens nacionaes neste districto.

Município e administracção local
Aljustrel · Portugal

Foi suspenso o escrivão da camara de Aljustrel.

O sr. Costa Godolphin presenteou

Cultura e espectáculoLivros e publicações

nos com dois exemplares do seu folheto As caixas economicas. Por hoje limitamo-nos a agradecer o presente.

Vae collocar

Correspondência · Geral

se uma caixa, onde pode ser lançada correspondencia a toda a hora, na praça de D. Manoel.

Publicou

Paris · França Exterior / internacional · Geral

se a 24.ª caderneta de As Doidas em Pariz.

Educacção e instruçãoInstrução públicaProfessores
Alvito · Portugal

Foi transferido para a cadeira de instrucção primaria de Sant’Anna da Serra, o professor da de Alvito, o sr. Maximino Ferreira da Silva.

Educacção e instruçãoEscolas

A empreza do Diario de noticias distribuiu pelas escolas deste districto, gratuitamente, 105 exemplares dos Lusíadas, sendo para as escolas do sexo masculino 72, e para as do feminino 33.

Geral

Reuniu, domingo, em assembléa geral, a Sociedade philharmonica artistica bejense e approvou os seus estatutos.

Procedeu

Política e administracção do EstadoSaúde e higiene públicaEleiçõesHospitais
Hospital

se, no dia 3, á eleição da mesa da Misericordia que, no corrente anno economico, ha de administrar aquella casa e o hospital, e foram eleitos: Provedor—Manoel Thomaz Ferreira Nobre de Carvalho. Escrivão—dr. José Mendes Lima. Thesoureiro—Antonio Rodrigues da Costa Soares. Mesarios—José Baptista, José Pedro Ponita, José Penedo do Castro e Sousa, José Nunes d’Oliveira, João Nunes, Francisco Matheus Palma Junior, Miguel Joaquim de Brito, José Augusto Pacheco, Amaro da Silva Guia, Deodato Antonio Vargas.

Geral

Na distribuição de fundos para obras publicas tocaram a este districto 28:827$700 reis.

Saúde e higiene pública
Islâmico

Foi nomeado delegado de saude n’este districto, o sr. dr. Antonio Xavier de Britto. Os nossos parabéns.

Justiça e ordem públicaSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaBeneficênciaHospitaisPobres e esmolasPrisões
Lisboa · Portugal Hospital

O filho do sr. visconde de Masson, que esteve de visita n’esta cidade, e que retirou para Lisboa sabado, deu de esmola para o hospital civil 4$500 rs., e para os presos da cadeia egual quantia.

Cultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoFeiras

Quarta feira, pela uma hora da tarde, teve revista o regimento 17 d’infanteria.

Meteorologia e fenómenos naturaisSecas

A Financial and Mercantile Gazette, folha que em inglez se tem publicado entre nós, com destino ao estrangeiro e que tantos serviços nos tem prestado restabelecendo a verdade dos factos em relação á politica do nosso paiz e especialmente aos phenomenos economicos, cuja verdade restabeleceu sempre, passou a publicar-se em portuguez, continuando porem a dar uma secção financeira em inglez.

Geral

O seu novo titulo é Gazeta Financeira, continuando a ser redigida pelo sr. William Alton.

Geral

Aos nossos bons collegas da The Financial and Mercantile Gazette, agradecemos o n.º commemorativo do centenario. É uma publicação explendida.

Educacção e instrução
Almodôvar · Pedrógão · Portugal

Foram providos, por tres annos, nas cadeiras de ensino primario do sexo masculino da Conceição e Almodovar, os srs. Antonio Augusto Baptista e João Gaspar Coelho, e na de ensino primario do sexo feminino de Pedrogão, a sr.ª Maria Candida da Fonseca e Silva.

Geral

Recebemos, agradecemos, e muito apreciamos a folha Luiz de Camões, n.º unico, publicado no Funchal, no dia 10 de junho, pelo Real collegio Luso-Britanico.

Política e administracção do EstadoDebates políticos
Porto · Portugal

Sahiu, no dia 4 do corrente, no Porto, uma folha republicana federal. Intitula-se O Estado do Norte. Muita vida e prospera tenha o novo collega.