Do ministerio das obras publicas mandaram
nos dous exemplares do decreto para o recenseamento geral da população a que na noite de 31 de dezembro, deste anno, se hade proceder. Agradecemos.
nos dous exemplares do decreto para o recenseamento geral da população a que na noite de 31 de dezembro, deste anno, se hade proceder. Agradecemos.
se asphaltando o pavimento do açougue municipal. O incansavel vereador do pelouro, o sr. Costa, é digno de todo o louvor pelo empenho que tomou em remover a asquerosa calçada e em aceiar, como convem, o estabelecimento.
Depois das ultimas chuvas, o oidium tuckeri, appareceu nos vinhedos em grande força.
Foi transferido da alfandega de Idanha a Nova para a de Serpa, o aspirante o sr. Antonio Joaquim Freira do Andrade Mousinho Almadanim, e da de Serpa para a de Idanha, o sr. Antonio Augusto Rodrigues de Miranda.
Morreu o prior encommendado do Espirito Santo, o sr. Barreiro. Acerca da morte ha tantas versões, que não sabemos por qual decidir-nos. Em todas porem ha a inverosimilhança.
se o 5.ª caderneta dos Lobos de Paris. É publicação da empresa Idem & C.ª a qual não cessâmos de recommendar ao publico.
Chega a ser indecente a maneira porque se tem procedido relativamente á valla da rua de S. Francisco. Que esperam para a tapar? Mais algum desastre? Isto é uma torrinha... famosa.
Está esgotada a edicção do codigo municipal de 1839, e das posturas addicionaes de umas ha poucos exemplares e de outras nenhum. Isto tem causado muitos transtornos, graves conflictos e um sem numero de transgressões impunes. No interesse publico principiamos hoje a dar a parte de policia interna e economica do codigo e os addicionamentos que com ellas tenha relação, apontando os numeros revogados pela legislação geral, ou por deliberações camararias. Se nisto prestamos bom ou mau serviço não sabemos, do que porem temos certeza é que o nosso trabalho porá os cidadãos ao facto do que as disposições camararias prohibem, e a policia civil fica sabendo o que lhe cumpre fazer observar. O novo codigo não regerá tão depressa o concelho, e o que é lei municipal, em vigor, não se deve deixar desprezar por mais tempo. Ha abusos a que, por honra de nós todos, cumpre pôr cobro. Damos as posturas para poderem ser brochadas, com isto parece-nos que aquelles que as colleccionarem, ganham. Deste numero e dos demais em que publicarmos as posturas, faremos uma larga tiragem, e vendemos cada numero avulso por 40 rs.
Regressou de Roma o nosso amigo o digno prior da matriz, o reverendo Alexandre Ramos Cid.
Foi nomeado juiz para a comarca da ilha das Flores, o delegado do procurador regio nesta comarca, o sr. dr. Vasconcellos, e transferido para Beja o delegado do procurador regio em Cuba, o sr. dr. Falleiro. Corre porem que o nosso amigo não acceita a transferencia.
O sr. Ramos Cid, pedio ao papa que na distribuição das alfaias e outros objectos do culto, contemplasse a egreja que sua revd. parochia.
Pedimos á camara que volva olhos misericordiosos para as arvores plantadas na praça do D. Manoel. Estão a morrer de sêde as pobrezinhas.
Chegou do Ribatejo o nosso José Mendes e trouxe vinte e seis lindos, gordos e bravissimos toiros para as corridas nos dias da feira. A noticia dos bichos despertou os amadores e ha já do curro bastantes logares vendidos e alguns camarotes escolhidos e isto para os tres dias! Bom será que cada um se vá prevenindo para com commodidade insistir á tourada. O cavalleiro é o sr. Monteiro, espinhas Peixinhos (pae e filho) e Tubaça e Sanches, acompanhados de um valente grupo de homens de forcado. Além disto um capinha de 13 annos, Rafael Peixinho, por favor picará dois toiros, dois formosissimos animaes, expressamente offerecidos para tal fim ao emprezario pelo lavrador o sr. João Vicente, de [ilegível]. O espectáculo não póde portanto ser mais bem posto e escolhido. Resta que o publico compense os empresários de tantas e tamanhas fadigas.
O dia 24 de julho, anniversario da entrada dos liberaes em Lisboa, solemnizou-se nesta cidade com as costumadas demonstrações de regosijo.
Está calculado em 4:000$000 rs. o embellezamento do campo de Oliva.
Da empreza Horas romanticas, recebemos o 1.º volume do Plantadores da Jamaica interessante e instructivo romance de Meyn Reid. Como os demais o romance é luxuosamente impresso e a broxura a côres e ouro. É trabalho perfeitissimo. Agradecemos tão delicado brinde.
Teve approvação do orçamento geral para o futuro anno economico, a camara municipal de Mértola.
Por despacho de 12 deste mez, ao que nos consta, o agronomo do districto de Vizeu foi transferido para o de Beja. Mas o que vem o homem cá fazer?
Recebemos e agradecemos o Bombeiro.
No dia 1.º de agosto a policia civil dará varejo nos estabelecimentos, para verificar se foram ou não aferidos, os instrumentos de pesar e medir.
Recebemos com o Primeiro de Janeiro, um appenso intitulado Orthographia tonica. Assigna-o o sr. Barbosa Leão.
O supremo tribunal administrativo declarou sujeitos ao recrutamento: Francisco, filho de Antonio Manoel Mestre, da Salvada, concelho de Beja, Marcellino Correia, filho de José Francisco Correia, de Vidigueira, Diogo, filho de Sebastião de Sousa, e José, filho de José da Costa, de S. Pedro de Sullis, concelho de Mértola.
Trova da filha do maçon, dedicada á tergessima filha de Latona, por D. Beatriz de Figueiredo Carrilho e Maia, é o titulo de um folheto que nos foi enviado e que muito e muito agradecemos. A trova da filha do maçon não se vende, os que porem desejarem possuil-a podem pedi-la á auctora que vive em Santarem.
O caminho de ferro de sueste, na semana finda em 24 de junho, rendeu reis 10:635$230 mais 1:037$435 do que em igual periodo do anno passado.
Estão a concurso as seguintes cadeiras do ensino primario neste districto: sexo masculino Nossa Senhora da Graça, Cabeça Gorda, S. Miguel do Pinheiro, S. Pedro de Sullis, Sobral e Ficalho. Sexo feminino Alvito, Sant’Anna de Cambas.
Teve revista, quarta feira, o regimento 17 de infantaria.
Na primeira epocha do 1877, no lyceu desta cidade concorreram 6 indeviduos a exame para o magisterio primario, sendo classificados bons 2 e suffriveis 4.
A banda do 17 de infantaria, domingo, tocou desde as oito horas até ás nove e meia da noite, no largo de S. João.
O nosso collega David Corazzi, o intelligente director das Horas romanticas, aceitou a gerencia, em Portugal, de Os dois Mundos, periodico de que é proprietario o sr. Salomão Saragga e em que collaboram os nossos mais festejados litteratos. Os dois Mundos é impresso em Pariz e as gravuras trabalham-nas os mais habeis artistas francezes e inglezes. As gravuras representarão monumentos, reproducções das obras primas de pintura ou da estatuaria, bem como das maravilhas da industria, as grandes obras, os grandes machinismos, ceremonias publicas, marinha, petrechos de guerra, scenas de costumes, sports, retratos de homens eminentes nas letras, nas sciencias, nas artes ou na politica, n’uma palavra, um conjuncto variado a que se póde bem chamar uma encyclopedía pittoresca. As gravuras porem, por mais bellas e perfeitas que sejam, não fariam justiça ao periodico se não viessem illustradas e explicadas por escriptores habeis e competentes, ao valor litterario e scientifico da redacção. Quanto á tal necessidade se o sr. Saragga reuniu na folha litteraria a intelligencia nacional e a estrangeira, os nomes mais illustres e festejados das nossas letras. Para Os dois Mundos assigna-se na empreza Horas romanticas, rua da Atalaya 42, Lisboa e o ter esta empreza ligado-se por contracto com o sr. Saragga, é a melhor prova de que o periodico Os dois Mundos será uma das boas publicações que se teem emprehendido.
O dia 24 de julho, commemorativo da entrada em Lisboa do exercito libertador, ás ordens do immortal e heroico duque da Terceira, então conde de Villa Flor, em 1833, não passou desapercebido entre os habitantes d’esta villa. Ao raiar da aurora, a novel phylarmonica artistica odemirense percorreu as ruas, tocando o hymno da constituição, subindo então aos ares grande numero de foguetes. Junto ao meio dia, teve logar na parochial egreja de Santa Maria um solemne Te Deum em acção de graças pela libertação da capital monarchica, fomentado pela sociedade artistica, a cuja frente se achou o sr. José de Mattos Reis Junior e a que assistiram, além dos revs. priores das freguezias de Santa Maria, Salvador e S. Theotonio, as auctoridades judiciaes, administrativas, empregados da fazenda, alguns particulares e povo. Á noite illuminaram-se os paços do concelho, casas da associação artistica e alguns particulares. Na sala do theatro da sociedade artistica odemirense, teve logar a exhibição do novo e elegante scenario, ultimamente pintado pelo distincto presidente da associação o ill.mo doutor Axel da Silva [ilegível], tocando a excellente phylarmonica da casa lindas e variadas peças do seu reportorio. A plateia achava-se litteralmente cheia de espectadores. Assim terminou um dia de regosijo para todos os liberaes.
Occorrencias policiaes (E. S.) — Dia 21—nada. Dias 22 e 23—Estiveram detidos na esquadra João Lopes Carrasco, filho de Antonio Lopes Branco, natural de Beja, por embriaguez e fazer motim na cidade, e Antonio Manoel Goes, filho de Domingos Antonio Frade, por não obedecer ao que lhe ordenou o guarda n.º 5, todos foram mandados para suas casas, ás 10 horas da manhã do dia seguinte. Dia 25—nada. Dia 26—Foram mandados apresentar ao ex.mo sr. delegado com auto formado, Manoel Antonio Bandeira, filho de Antonio [ilegível], natural de [ilegível], por espancar e ferir pelas 9 e meia horas da noite, Marianna Carolina e Joanna dos Martyres, filha de Francisco Antonio, natural de Faro, por não obedecer e resistir ao guarda n.º 3, quando este a advertia honestamente.
Nada se sabe ácerca das posições dos exercitos turco e russo entre os Balkans e o Danubio; annunciam-se combates mas não se dão conhecidos resultados. O que porem é certo é terem as avançadas do grão duque Nicolau passado os Balkans e acharem-se em Jamboli. No Danubio, os turcos repeliram uma tentativa da passagem, pelas forças romanas, em [ilegível]. Nos Balkans a columna russa que se dirigia para Philippopolis foi repellida em Kaloper, nas proximidades de Kasanlik. Nenhum d’estes feitos d’armas parece comtudo de importancia. Nem os proprios telegrammas lha dão. Marcham mais morosamente os exercitos do que os desejos dos noveleiros; e é mais facil forjar noticias do que mover numerosas forças militares. A passagem dos Balkans não teve o alcance que ao principio queria attribuir-se-lhe. Uma folha de Vienna diz mesmo que aquelle feito é sem duvida um episodio militar de valor, mas não um acontecimento politico. Os telegrammas chegados hoje dizem: S. Petersburgo, 23.—O periodico Golos deixa entrever a possibilidade de proximas negociações para a paz. Accrescenta que, estabelecidas taes negociações, a Russia não será muito exigente. Constantinopla, 25.—Os turcos ficaram vencedores em Rasgrad. Os russos tambem foram metidos em Schumla por Eyyub-pacha. Concentravam-se em Yamboli grandes forças turcas.
Correspondencias — Beja 21 de julho de 1877. Sr. redactor.—Peço-lhe um cantinho do seu jornal para levar ao conhecimento do sr. commissario de policia uma arbitrariedade commettida na noute de 22 deste mez, pelo cabo, o sr. Navarro. Eu, João Manguito, Diogo Palma e Francisco Lobo, estavamos conversando ás portas de Mertola. Não gritavamos em voz alta e o grupo, no sitio onde estava, não impedia o transito publico. O sr. Navarro porem veio entender comnosco e tratando-nos asperamente ordenou-nos que nos fossemos deitar. Os meus companheiros callaram-se e eu respondi que deitar-me não ia, porque não tinha vontade, porque não queria. O que imagina v. ex.ª sr. redactor, que me replicou o sr. Navarro? Dando-me voz de prisão e mandando-me para a esquadra acompanhado pelo guarda [ilegível]. Fui. Não resisti, nem vontade tive de o fazer, mas sobrou-me a de dar vivas ao corregedor Noronha. Se me custara ver-me assim vexado, ao sr. Navarro roía-lhe na consciencia a arbitrariedade que havia praticado, e a prova está em que, passadas pouco tempo, mandou soltar-me. Se a prisão me surpreendeu, o porem-me em liberdade, alada me surpreendeu mais, porque preso eu, não era um policia que podia soltar-me: (artigo 51.º do regulamento § unico.) Tem-se pois: Um cidadão reprehendido e preso por estar conversando. Ora se o cabo observasse o n.º 1 do artigo 11.º do regulamento, tal se não daria. Infringido o § unico do artigo 51.º do regulamento, pelo mesmo cabo, porque se eu fui preso ao sr. commissario e não a elle competia mandar-me em paz e isso somente no caso de eu ser mandado, para averiguações, á esquadra. Finalmente que a policia é um elemento de desordem, e se continuarem a dar-se destes casos póde ser que nem todos tenham a paciencia que eu tive. Ao sr. commissario queixo-me do succedido porque é necessario reprimir as demasias dos seus subordinados. Eu pago para a policia, pago para que ella me defenda e aos meus concidadãos, a vida e fazenda. Não lhe pago para me vexar, para me prender... por não querer ir metter-me na cama em uma noite de julho. Sou sr. redactor, de v. etc. Antonio Manoel Goes. (Segue-se o reconhecimento.)