Moura
O sr. deputado visconde de Moreira de Rey apresentou um requerimento da misericórdia de Moura, pedindo que lhe seja concedido o edifício do extincto convento do Carmo, afim de n’elle poder estabelecer um hospital.
O sr. deputado visconde de Moreira de Rey apresentou um requerimento da misericórdia de Moura, pedindo que lhe seja concedido o edifício do extincto convento do Carmo, afim de n’elle poder estabelecer um hospital.
Reunião do centro constituinte. Esteve extraordinariamente concorrida a sessão de inauguração do centro constituinte. Por proposta do sr. conselheiro José Dias Ferreira, foi nomeado por acclamação presidente da assembléa o digno par do reino o sr. Manoel Vaz Preto, vice-presidente o sr. conde da Ribeira Grande, secretários o sr. Manoel José Vieira, deputado pela Madeira, e o sr. Nobre de Carvalho deputado por Beja, e vice-secretários o sr. Fernando Caldeira, e Anthero Augusto da Silva Moreira. Em seguida usou da palavra o sr. conselheiro Dias Ferreira que expôz rápida e brilhantemente a traços largos o programma do partido, e depois fallaram com grande applauso os srs. visconde de Benalcantôr, dr. João de Mattos, Pinheiro Chagas e visconde de Moreira de Rey. A sessão acabou perto das 11 horas. Apesar de se terem restringido os convites unicamente a Lisboa, fizeram-se representar vários centros constituintes da província, e receberam-se vários telegrammas de adhesão e de felicitação.
19-2-79. (Correspondência particular.) Meu caro redactor. — Vão realisando-se os planos do governo ácerca de empatar as camaras a fim de que não seja discutida a lei do orçamento. Umas vezes adoecem os ministros, outras não se reunem os deputados! No dia 17, não houve sessão. Ora como havia de haver numero, se o sr. Fontes tinha de se defender das accusações que o povo lhe faz? Está claro que sim, e até era uma imprudência se n’este dia houvesse sessão, visto que se tratava de um negocio tão importante, com o qual o paiz tanto lucra: a defeza do sr. Fontes perante a opinião publica! É uma das primeiras necessidades do paiz! Pois não é?... O Partido do povo, faz as seguintes reflexões ácerca da concessão da Zambezia: «Desde os fins de outubro que se segreda em Lisboa o seguinte: 1.º que estavam lançadas em Inglaterra as bases de uma poderosa companhia, para tomar posse de uma das nossas provincias ultramarinas; 2.º que a esta companhia se ia fazer uma concessão na provincia de Moçambique; 3.º que esta companhia destinava para Portugal UM MILHÃO DE LIBRAS; sendo SEISCENTAS MIL a pretexto de emprestimo, e QUATROCENTAS MIL LIBRAS PARA ALTOS PERSONAGENS, cabendo, na partilha, ao maior de todos elles a medica quantia de MIL OITOCENTOS CONTOS. Ultimamente deixaram de ser segredo, para muitos homens politicos, aquellas incriveis noticias, porque se diz, que estão plenamente confirmadas por cartas chegadas de Londres.» Os scepticos começam agora a abrir os olhos, a approximar e comparar esta noticia com os factos e circumstancias que se deram na concessão Paiva de Andrade. 1.º — a transgressão das leis; 2.º — rapidez com que se fez a concessão; 3.º — a falta de prévio deposito pecuniario; 4.º — o desprezo do parecer da Junta Consultiva do Ultramar; 5.º — não ser ouvido o procurador da corôa nem o governador geral de Moçambique; 6.º — dois mezes depois da primeira noticia em segredo da existencia e planos da tal companhia, fez-se a concessão Paiva de Andrade. — No dia 17 foi entregue ao sr. D. Luiz o punhal que desappareceu na noite do baile no palacio da Ajuda. O punhal estava em poder d’um gandaieiro, quer dizer, d’um d’esses homens que andam pelas ruas apanhando trapos e papeis; mas por certo este não foi ao baile real; e a policia anda aos alcances de saber quem foi o ladrão, e quem foi o fidalgo lambareiro que veio dizer ao Zé povinho que ao baile real também iam ladrões. Dos fidalgos que extraviam os dinheiros das casas bancarias, diz-se que estão alcançados; mas os que se apossam dos objectos da casa alheia, como se lhe hade chamar? — Está concluida a reedificação do palacete em que habitou D. Philippa de Vilhena em 1640. Dirigiu os trabalhos o notavel architecto o sr. Manuel Lourenço Junior. — A alfandega rendeu até 17 do corrente 666:984$281 reis. M. Bruno.
Chega amanhã a Beja o nosso amigo o sr. Nobre de Carvalho.
Publicaram-se os fascículos 127 e 128 do Diccionario popular.
Domingo, e hontem percorreram as ruas da cidade algumas mascaras. A tourada agradou muito e de tudo o que vimos foi a unica cousa a que presidia um pensamento.
Estiveram brilhantes os bailes de mascaras dados hontem e domingo, na casa do antigo bilhar Gomes. Amanhã e nos dias de entrudo a diversão continua.
A fazenda está damnada com os srs. regedores. O do Salvador cantou-lhe o conto-lhe direito, e em melhor tom que os outros seus collegas. Já se pedem, superiormente, copias dos officios e para que? Que querem fazer aos srs. regedores? O tempo do papão já lá vae, e os que trabalharam ainda esperam pelos 800 reis que a fazenda, contra o que propôz o digno administrador substituto deste concelho, houve por bem reduzir a 300 reis e nem esses pagar. É resistir e resistir pacificamente. A fazenda hade ceder. O exemplo está dado. Que continue a achar imitadores é o que desejamos. Não a deitem para os srs. regedores.
Os montados estão lindos.
A direcção que ha de funccionar no corrente anno, na associação de soccorros mutuos d’esta cidade, ficou assim composta: Presidente — Francisco Nunes de Oliveira. 1.º Secretario — Antonio Joaquim Belgrano. 2.º dito — Sezinando do Carmo. Relator — João Antonio Soares. Vogaes — Amaro da Silva Guia, e José Francisco Domingues.
Nos dias 15, 17 e 19 de março proximo vão á praça differentes bens nacionaes nos concelhos de Vidigueira, Serpa, Alvito e Odemira.
Conforme já tivemos occasião de dizer o sr. barão de Mendonça, advogado e ex presidente da camara municipal de Lisboa, foi para Bordéus na qualidade de consul de Portugal, e, ampliando a noticia, diremos que s. ex.ª antes de se installar na sua nova residência, foi a Pariz visitar o sr. Mendes Leal, e na sua estada na capital da republica franceza occupar-se-ha do projectado boulevard do Passeio ao Campo Pequeno tão justamente reclamado pela população de Lisboa. Será sem duvida mais um serviço, aliás importante, que o sr. barão de Mendonça prestará á nossa capital. Ha dias recebemos e muito agradecemos um exemplar do Relatorio que o sr. barão, no regresso da sua viagem a Londres, apresentou á municipalidade, em 1855, então por elle presidida, e no qual indicou medidas indispensaveis para os melhoramentos da cidade, as quaes foram infelizmcnte esquecidas pela mesma municipalidade. O trabalho honrou-o assim como o honra o seu novo logar.
Esteve muito concorrida a reunião de familias que a sociedade bejense deu quinta feira.
No ultimo mercado, a carne suina regulou de 2:700 a 2:900 reis, cada 15 kilogrammas.
Publicou-se a caderneta 21.ª da Mulher do Saltimbanco e a 7.ª dos Padres e Beatos.
Segunda feira á noute roubaram de casa do canteleiro Miguel Cerqueira, 100$000 reis.
Com o temporal cahiram alguns eucalyptus e pimenteiras do campo de Oliva.
Erratas. — Na bibliographia do nosso amigo o sr. Baçam, publicada no pretérito numero da nossa folha, sahiram alguns erros pela pressa com que foi feita a revisão que vamos corrigir. Assim, pois, na primeira linha onde se lê — encontra — lêa-se accenlua-se; na sétima linha onde se lê — o censo — lêa-se curso; na decima terceira linha onde se lê — censo — lêa-se curso; na decima quinta onde se lê — appendiu — lêa-se appendice.
Bibliographia. Publicou-se o n.º 4 do jornal A Moda illustrada. O summario d’este numero é o seguinte: Gravuras — Vestuario para baile e grande sarau, vestuario de baile de menina de dezaseis annos, tiras bordadas para roupão, guarnição de bordado, Richelieu, enfeite para camisa, cabeção com os cantos voltados, touca feita com um lenço, quadrado de rede bordada, almofadas para alfinetes, camisa de noite, camisa de noite com rendas, roupa de travesseiro, laço feito com um lenço, extremas de crochet e minhardise, trajo curto para menina de dezaseis annos, trajo curto para passeio, capa grande para carruagem, enygma. Supplementos: Figurino de modas colorido, folha de moldes e debuchos. Recommenda-se mais uma vez e com boa vontade esta esplendida publicação da empreza Horas românticas, de Lisboa. Da mesma empreza recebemos o seguinte: — Na Africa. Vae muito adeantada a publicação d’este romance da collecção das obras de Julio Verne. A Galera Chancellor, recentemente publicada, custa 18$ reis. Em seguida ao romance Na Africa será encetada a publicação da obra A descoberta da terra, em dois vol., traducção do sr. M. Pinheiro Chagas. — As Tragédias de Lisboa. Continua com a costumada regularidade d’esta empreza, a publicação do 2.º vol. que vae muito adeantado. O primeiro vol. custa 700 reis.
Educando Physica, pelo dr. A. Filippe Simões. Acaba de sair em 3.ª edição esta importantissima obra. A sua grande procura prova cabalmente o seu merito e a grandissima importancia e nem outra cousa era de esperar. Basta que se cite o nome do seu auctor para a obra se tornar recommendada. É um bello vol. de 400 paginas e custa 800 reis. Divide-se este livro em 13 capitulos que tratam dos seguintes assumptos: Os Progenitores; Regimen da gravidez; Soccorros aos recem-nascidos; Amamentação materna; As amas; Lactação artificial; Hygiene da puericia; Hygiene da infancia; Endurecimento do corpo; Creação da infancia desvalida; Educação intellectual; Educação publica. Vende-se na livraria Ferreira, rua do Ouro, 132-134, Lisboa, e remette-se franco de porte a quem enviar 840 reis em estampilhas ou em vale do correio. Na livraria Ferreira uma das mais acreditadas, acham-se á venda obras de todos os generos de literatura. Recommenda-se na convicção intima de prestarmos um bom serviço ao seu proprietário que se esmera o mais possivel para bem servir o publico.
Narrativas para operários, de João de Campos Silva, é o titulo de um livro do qual repetimos a intenção de que o nosso redactor fez ha dias no seu escriptorio. Com isto não queremos dizer que no livro do sr. João Campos Silva não haja bastantes narrativas repletas de bôns exemplos; quer só dizer que poderâo notar alguns trechos, além de bem escriptos, que exaltam dos protagonistas do primeiro capitulo que não passam de ambiciosos, mas commove-nos o terrivel infortunio do mestre sapateiro, e ao mesmo tempo incita-nos o desejo de imitar André no seu generoso procedimento, no seu ditado predilecto que é: um por todos e todos por um. No segundo capitulo, prova o distincto escriptor, que da economia e da boa administração provem o bem estar das classes. Commove-nos o estado desolador da sr.ª Anna da Saude, e repugna-nos o deboche do seu marido Marcos, o carpinteiro; mas infelizmente abundam esses desgraçados na classe operaria. Quanto ao mais, o livro Narrativas para operários, muito conveniente a classe, porque d’elle livre poderá qualquer artista colher bons exemplos e conselhos de grande utilidade e facil de seguir. O livro custa apenas 240 reis, tem 112 paginas em 8.º francez. Toda a correspondencia deve ser dirigida a João de Campos Silva, rua de S. José n.º 15, Lisboa. N’este mesmo escriptorio se assigna O universo illustrado, Semanario de instrucção e recreio. Cada volume d’este semanario contem 52 numeros de grande formato, de 8 paginas ou 16 columnas cada um com duas excellentes gravuras, formando cada volume um elegante album com 104 gravuras. Está em publicação o 3.º volume, custa 1$800 reis em brochura. Quando tivermos tempo poremos os nossos leitores ao facto da importancia litteraria e scientifica d’este semanario. — Maravilhas da creação. Começará a distribuição d’esta importantissima obra no principio de março proximo; e como é a primeira publicação n’este genero em Portugal, é este o motivo por que a recommendamos segunda vez para que não escape aos nossos leitores uma obra escripta para todas as edades e comprehensões, e principalmente para as pessoas que não tendo conhecimento das sciencias naturaes, desejam contudo encontrar na contemplação scientifica das numerosas maravilhas da natureza, passatempo proveitoso e instrucção facil e agradavel. Toda a correspondencia deve ser dirigida, franca de porte, para a livraria Franco Lusitana de Wilier & C.ª, editor das Maravilhas da creação, rua do Ouro n.º 246 e 248, onde se dão os esclarecimentos necessários.
Occorrencias policiaes (L. S.). Dia 15 — Por desordem estiveram detidos na esquadra dois individuos. Dia 16 — Por embriaguez esteve detido um individuo. Dia 17 — Por embriaguez estiveram detidos dois individuos. Dia 18 a 21 — Nada.
3 de fevereiro de 1879. Sr. redactor. — Nada entendemos de lei, assim como de tudo mais, mas, desconfiados de que outro tanto como nós, entendem alguns que se atólam de muito entender, por isso pedimos a v. sr. redactor, o favor de nos deixar expôr aqui no seu muito lido jornal, umas certas duvidas, em que desejamos, e até pedimos por caridade ser instruidos. É o caso: D’entre as muitas coisas que se estão dando na administração da junta de parochia de Santa Maria d’esta villa, onde a receita do orçamento se achou transformada com um augmento importante para a parochia, devido senão á lei, ao zelo, astucia e actividade do actual presidente, e que hoje, (graças não á lei, porque essa lava a mão do feito, mas a outras... concomitancias dos affectos), está arriscada a ser reduzida, (com bem pena de não ser totalmente), ás acabadas e antigas proporções, o que não deixaremos passar sem o devido protesto, e de que trataremos em tempo de tornar patente. O mais curioso e o que mais nos dá no goto, é a maneira de entender e praticar a doutrina do art. 155 do cod. adm. «A junta de parochia — diz o art. — compõe-se de cinco membros» O § 2.º diz: «O parocho toma parte e vota em todas as deliberações, da junta, nos assumptos que respeitam aos interesses ecclesiasticos da parochia, e á administração da fabrica.» (Continua.)