BEJA 2 DE NOVEMBRO
Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPreçosReligiãoSociedade e vida quotidianaBeneficênciaCapturasDescobertas e achadosFalecimentosIndústriaLivros e publicaçõesMovimentos de tropasObras municipaisObras religiosasParadas e cerimóniasPartidasPreços e mercadosReformasRuínas e monumentosTeatroTreinos e manobras
Revista da semana—Está levantado o acampamento de Tancos e por este anno concluídas as grandes manobras. As tropas regressaram já á capital e no domingo, juntamente com as que estiveram fazendo a guarnição de Lisboa, devem ter uma grande parada. Hade ser um bom espectaculo para o povinho. Do que se fez em Tancos, que pouco foi, ficou-se conhecendo bem a insciencia de alguns paspalhões agaloados que vencem soldos de general e tem esse posto officialmente, mas que nem para mandarem uma companhia servem. Quanta firmeza os soldados mostraram tanta imperícia se vio na mesma parte d’aquelles que os commandavam. Isto porem não admira, o contrario, se se desse, é que surprehenderia. Uma carta que o sr. duque de Saldanha dirigiu ao sr. Latino Coelho explicando qual a razão porque não foi ao Porto assistir á inauguração do monumento de D. Pedro IV, tem sido a ordem do dia. Uns commentam a impressão que um tal documento fez nas diversas regiões políticas e outros discursam ácerca das explicações que teem sido dadas sobre o caso. Havemos de publicar tambem a carta do marechal e reservamo-nos para então expormos o que entendemos. Comtudo sempre diremos, aqui baixinho, que se toda aquella ladainha de batalhas, combates, feitos brilhantes, desconsiderações e... modéstia, for tão exacta em tudo como no que lá se diz a respeito de Silva Carvalho, Sertorius, barão de S. Cosme e do batalhão francez, é uma peça digna de figurar no Almocreve das petas. Ainda ha rumores de recomposição ministerial e esta semana começaram alguns periódicos a tractar da projectada reforma administrativa. No artigo de fundo, baseando-nos nas informações que podemos colher, dizemos tambem algumas palavras sobre o assumpto. Acaba de dar-se um facto que devemos registrar e que muito mais abona ainda o sr. procurador geral da corôa cuja rigidez de princípios é bem conhecida. O sr. Alexandre Pinto da Fonseca Vaz, como é sabido, requereu para que se lhe instaurasse processo, e deferido o seu requerimento, a immensa papelada foi enviada ao sr. procurador geral o qual examinando-a a devolveu para o ministerio das obras publicas dizendo que não encontrava motivo pelo qual intentasse processo contra aquelle a quem respeitava. Que dirão a isto os perseguidores do sr. Vaz? E o sr. ministro das obras publicas que fará? Reparará a injustiça que praticou? Partiu para o Minho o sr. duque de Saldanha. No Diario não encontrámos cousa digna de menção. Diz-se que o sr. Martens Ferrão tem prompto o seu projecto de reforma administrativa e que o submetterá já á approvação do conselho de ministros. Consta-nos que é largo o trabalho do sr. secretario de estado dos negocios do reino e que se for approvado em côrtes, como é de esperar, fará uma revolução na machina administrativa fazendo-a funccionar por systema inteiramente novo. Dizem-nos que a reforma trazer-nos-ha a descentralisação, que os conselhos de districto serão compostos de bacharéis formados em direito, que ás municipalidades serão dadas mais largas attribuições, que o pessoal administrativo terá augmento de ordenado e reforma e que alguns districtos serão supprimidos. Ora não tendo nós circumscripção parochial nem de concelhos accommodada ás necessidades e conveniências dos povos e da administração e ressentindo-se a dos districtos, como muito bem diz o nosso illustrado collega do Jornal do Porto, desta falta mal pode emprehender-se a reforma a respeito destes á mingua de base em que assente. Supprimir districtos, antes d’aquella circumscripção e prevalecendo a actual divisão territorial, é de algum modo imaginar castellos no ar, ou quando muito edificá-los sobre areia movediça, perdendo-se tempo e trabalho, para ve-los cahir tão depressa como se constroem. Reconhecemos a necessidade de supprimirem alguns districtos em que não vemos razão de ser senão a viciosa circumscripção das freguezias e concelhos quinhoando por tanto o mesmo vicio d’origine; mas evitai-o ou removel-o por uma reforma com respeito aos primeiros essencial se torna começal-a pelos segundos e para esta fallecem todos os elementos indispensáveis; porque se exceptuarmos a triangulação geodesica, que suppomos quasi concluida, tudo o mais que possa haver, para nada serve, pela incompetencia das pessoas a quem foram commettidos tão importantes trabalhos, a respeito da inutilidade dos quaes, mais que ninguém deve estar convencido o sr. Martens Ferrão, se por ventura, como suppomos os tem consultado e examinado. É isto o que entendemos sobre a suppressão dos districtos, agora sobre outros pontos da reforma vamos tambem expor a nossa opinião. Achamos justissimo que o estado remunere condignamente o empregado mas somos contra a reforma do mesmo no fim de um certo numero de annos de serviço porque sempre considerámos as reformas ou aposentações, além de um onus para o paiz, um prêmio á imprudencia. O empregado publico como outro qualquer homem não deve tratar só do presente, deve olhar tambem para o futuro e preparar as cousas de modo que elle lhe seja senão brilhantissimo pelo menos supportavel. Para isso basta-lhe, por exemplo, levar aos monte-pios ou ás caixas de seguros de vidas, a pequena somma que durante o anno tiver economisado. Mas, se não fizer isto, se não empregar o seu dinheiro de modo que colha algumas vantagens e se chegado á velhice se encontrar sem pão que soffra as consequencias da sua imprevidencia. O estado é que não deve soccorrel-o porque não é para sustentar perdularios que o proprietário, o industrial, o cerealista, o artista—que são os que contribuem para as urgencias do thesouro—deixam as mais das vezes os filhos sem pão para irem levar ás recebedorias o dinheiro que ganharam á custa do suor do seu rosto e muitas vezes até com risco de sua propria vida.
A INAUGURAÇÃO DA ESTATUA DE D. PEDRO IV
Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoEstatísticasExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localReligiãoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAgriculturaArquitectura históricaarremataçõesAssociaçõesAssociações recreativasComércio localConcursos e provisõesCondecoracçõesCulto e cerimóniasDescobertas e achadosEstradas e calçadasFestas religiosasHomenagensMovimentos de tropasNavegacçãoNumismáticaObras de infraestruturaObras municipaisObras religiosasParadas e cerimóniasPontesRestauro e conservacçãoRuínas e monumentosSessões da câmaraTeatroTrânsito e circulacçãoVisitas pastorais
O Porto acaba de ser theatro de uma das mais importantes scenas. A homenagem de respeito á memória de um grande rei, traduzida n’esse monumento que os mais patrióticos e bem succedidos esforços levaram a effeito, teve a consagração de que era digna, pelo povo que tomava a seu cargo desempenhar-se d’esta divida nacional. Tributo de gratidão a quem possuira a dupla realeza do império e do amor de seus súbditos, dois reis se dignaram tomar parte n’elle, engrandecendo o que já era solemne. A inauguração do monumento do senhor D. Pedro IV, que hontem teve logar, ficará sendo uma data gloriosa por todos os esplendores que concorreram a abrilhanta-lo. Não demoraremos aos leitores, que não assistiram a esta magestosa cerimonia, os pormenores d’ella. Será o pallido reflexo de um brilhante quadro, porém suprirá a imaginação dos que nos lerem, a deficiência da descripção, fazendo desapparecer a distancia entre a majestade do espectáculo e a pintura que d’elle fazemos. Eis as primeiras instantaneas que as nossas reminiscencias conservaram d’esta grandiosa scena: O interior da praça de D. Pedro, em que se ergueu o monumento ao monarcha que lhe deu o nome, achava-se em volta vistosamente decorada de mastros, em cujo topo tremulavam galhardetes de variadas cores. Em frente da estatua levantava-se o pavilhão destinado a receber suas magestades. Duas ordens de vasos com flores, dispostos sobre pedestaes quadrangulares, se estendiam desde as grades fronteiras á camara, circuitavam o monumento e rodeavam igualmente o pavilhão. Este compunha-se de um corpo octogono, sustentado por oito columnas, tendo adjuntos dois corpos lateraes, especie de galerias com tres arcos de frente e um de topo, de cada lado. As cupulas que deviam rematar estas construcções não chegaram a ser collocadas, por falta de tempo. Esta falta dava motivo a que o pavilhão perdesse muito do seu effeito. Todavia era excellente o aspecto que offerecia. Na frente do entablamento, para o lado do edificio dos Loyos, achava-se collocado o brasão da cidade, e na frente, voltadas para a praça, as armas portuguezas. Aos lados, em cada angulo do estabelecimento, achavam-se dispostos, entre tropheus, oito escudos com differentes datas relativas aos principaes factos da campanha da liberdade. Eis-aqui essas datas: Entrada no Porto, 9 de julho de 1832.—Ponte Ferreira, 23 de julho de 1832.—Cerco do Porto, 29 de setembro de 1832.—Tomada da esquadra, 5 de julho de 1833.—Linhas do Porto, 25 de julho de 1833.—Cerco de Lisboa, 9 de setembro de 1833.—Torres Novas, 27 de janeiro de 1834.—Asseiceira, 16 de maio de 1834. Pequenos mastros com galhardetes ornavam a parte superior dos dois corpos lateraes. No meio do pavilhão, sobre o estrado, achavam-se duas cadeiras para suas magestades. Cobria a estatua um longo véu listrado das cores nacionaes. Todos os predios em volta da praça estavam festivamente adornados de colchas de damasco, muitos embandeirados. N’este numero contava-se o edificio dos paços do concelho e o dos Loyos, que apresentava um magestoso aspecto. Em todas as janellas se via uma numerosa multidão de senhoras. Aos lados da praça e na embocadura das ruas, que a ella convergem, via-se igualmente um numeroso concurso de povo, que algumas horas antes da cerimonia já se entrecruzava n’aquelle local em tal quantidade, que mutuamente se impedia o transito. No interior da praça tinham tomado logar as senhoras dos subscriptores do monumento e todas as pessoas chamadas a fazer parte da cerimonia da inauguração. Eram estas as auctoridades civis, administrativas, ecclesiasticas e judiciaes, deputações das associações e representantes da imprensa. Alem d’estas, os voluntarios de caçadores n.º 5 e da Rainha, os quaes constituíam a guarda de honra ao monumento, debaixo do commando do sr. barão de Grimancellos, que fôra convidado pela ex.ma camara para este fim por ter sido s. ex.ª o ultimo coronel do regimento dos voluntarios da Rainha que tanto se distinguira nas campanhas da liberdade. A’s duas horas da tarde, previamente formada em volta da praça a tropa da guarnição, assomou n’ella o préstito real. Suas magestades vinham em carro descoberto, acompanhados dos srs. presidente do conselho de ministros e ministro da fazenda. As musicas n’esta occasião tocaram o hymno e a tropa apresentou armas. A’ entrada da praça esperavam suas magestades a ex.ma camara e a commissão auxiliadora do monumento. Suas magestades encaminharam-se para o pavilhão, onde tomaram logar. Ahi o sr. presidente da camara, visconde de Lagoaça, pronunciou um discurso, a que sua magestade el-rei se dignou responder. Em seguida o sr. presidente convidou sua magestade o senhor D. Luiz a desenterrar a estatua do seu augusto avô. Suas magestades desceram do estrado, seguidos da sua comitiva, e depois deram uma volta em roda do monumento a fim de examinarem os baixos relevos. El-rei, tomando o cordão que prendia o véu, tornou patente ás vistas do publico a imagem da immortal duque de Bragança. Esta solemnidade foi saudada com numerosos foguetes, tocando as musicas o hymno da carta. N’esta occasião o sr. visconde de Lagoaça levantou os vivas a suas magestades o senhor D. Luiz e senhora D. Maria Pia, ao principe real, ao senhor D. Fernando, á imperatriz, a toda a familia real, á carta constitucional e á cidade do Porto. As torres annunciaram o fausto acontecimento da inauguração e a bateria da Serra do Pilar e o vapor de guerra Lance salvaram com vinte e um tiros. Suas magestades andaram em seguida em volta do monumento examinando a estatua. Tendo mandado chamar o estatuario, o sr. Clenels, e o sr. Verern, que superintendeu nos trabalhos da fundição, os reaes personagens dirigiram a ambos umas lisonjeiras expressões acerca do seu trabalho. No pavilhão, onde suas magestades voltaram depois de terminada a cerimonia, foram-lhes offerecidos n’uma salva de prata dois exemplares em oiro da medalha commemorativa da inauguração e outros dois ao sr. visconde de Almeida e Manuel Correia de Sá, para d’elles fazerem entrega, o primeiro a sua magestade a imperatriz, a quem n’esta cerimonia representou, e o segundo a sua alteza a infanta D. Izabel Maria, de quem igualmente foi representante na mesma solemnidade. Terminado este acto, os reaes personagens e sua comitiva dirigiram-se para os paços do concelho, onde suas magestades se dignaram apparecer á janella e saudar o povo, sendo n’esta occasião enthusiastícamente victoriosados pelo povo. A tropa desfilou em continencia por diante de suas magestades, tocando as musicas o hymno de el-rei, e dirigindo-se para a Lapa a fim de ali formar. Tendo suas magestades recolhido á sala das sessões e occupado os lugares que lhes estavam reservados, foi pelo secretario da ex.ma camara lida a acta da inauguração, e acabada a leitura foi assignada por suas magestades, pelas pessoas da sua comitiva e muitas outras das quaes se achavam presentes. Em seguida a ex.ma camara acompanhou suas magestades ao logar em que se achava o trem real, e tendo os augustos personagens entrado n’elle, acompanhados dos srs. presidente do conselho de ministros e ministro da fazenda, como tinham vindo, partiram em direcção á Lapa, a fim de assistirem ali ao Te Deum, mandado celebrar pela municipalidade. A’ porta do templo foram suas magestades recebidos debaixo do pallio, e, depois de haverem feito oração, teve logar o Te Deum. Officiou n’este o ex.mo bispo da diocese, e a oração gratulatoria foi recitada pelo sr. Santa Anna, abbade de S. Martinho da Barca. O sr. Santa Anna, derivando o seu discurso das palavras de sua magestade o senhor D. Luiz, quando, em resposta á felicitação do municipio, chamando o Porto povo independente e novo povoamento fundado na sua dedicação inexcedivel, fallou com subida eloquencia da historia liberal de 1820-1834 e da biographia immorredoura de sua magestade imperial o senhor D. Pedro IV, e no fim lembrou a missão do monumento e a sua significação. A’s quatro horas e meia terminou o Te Deum regressando suas magestades e a sua comitiva para o paço. A guarda de honra á porta do templo era feita pelos voluntarios da Rainha e de caçadores n.º 5, uma força de infanteria n.º 3, com a respectiva bandeira. Depois do Te Deum os voluntarios do caçadores n.º 5 e da Rainha vieram pela rua do Almada até aos paços do concelho, onde estes ultimos fizeram entrega da bandeira que antes da cerimonia ali haviam ido buscar. Ambos estes contingentes eram precedidos de musicas. A dos voluntarios da Rainha era a do palacio de crystal; a de caçadores n.º 5 era uma outra batida. Alem das pessoas d’esta cidade que assistiram á cerimonia esteve presente a ella uma commissão dos voluntarios da Rainha residentes em Lisboa, que d’ali veio para este fim. N’esta commissão já demos noticia d’outra occasião. Veiu tambem, como representante do municipio da capital, o vereador o sr. José Joaquim Rodrigues da Camara. Igualmente se fez representar n’esta solemnidade o centro promotor das classes laboriosas pelo seu presidente, o sr. Vieira da Silva. Assistiram tambem, alem de todos os que temos mencionado, uma força do 3.º batalhão de veteranos, e alguns individuos que militaram em differentes corpos sob as ordens do augusto personagem a quem era tributada a homenagem que seu augusto neto solemnemente veiu consagrar, com grande ufania para esta cidade e jubilo para todo o paiz. (Commercio do Porto)
Direcção geral de instrucção publica
Cultura e espectáculoEducacção e instruçãoEstatísticasMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoConferênciasDecretos e portariasEscolasInstrução públicaProfessoresRepartições públicas
4.ª repartição—Manda sua magestade el-rei que os governadores civis, commissarios dos estudos, inspectores extraordinarios das escolas de instrucção primaria e administradores de concelho cumpram, na parte que a cada um pertence, as instrucções que acompanham a presente portaria. Paço, em 12 de outubro de 1866.—João Baptista da Silva Ferrão de Carvalho Martens. (Instrucções sobre a inspecção ás escolas d’ensino primario: antecedentes das portarias e leis de 1844, 1859, 1861-1863; necessidade de inspecção ordinaria e extraordinaria; bases e indicações para a reforma da instrucção primaria; deveres dos inspectores; modo de visita ás escolas; inquéritos; conferencias de professores; urbanidade nas advertencias; promoção de casas de escola; mappas da visita; cooperação de governadores civis e auctoridades; e a recomendação final de exacto cumprimento.) [texto longo conforme OCR das paginas 2-3; onde houver truncagem: [ilegível]] [ilegível]
Grande galla
ExércitoMunicípio e administracção localReligiãoSociedade e vida quotidianaBanda militarCostumes e hábitosFestas religiosasiluminação públicaParadas e cerimónias
Os dias 29 e 31 d’outubro, anniversarios natalicios de sua magestade el-rei D. Luiz e de sua magestade a senhora D. Maria Pia festejaram-se n’esta cidade na forma do costume; houve repiques na egreja e na câmara, toque de alvorada, a banda do regimento 17 d’infanteria tocou na praça publica e á noute na parada, fez-se a guarnição de grande uniformidade, illuminando-se os edificios publicos e alguns particulares e dando-se no fim da câmara os classicos repiques.
Theatro
Cultura e espectáculoEconomia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisCalor extremoFeirasTeatro
Arave Bellocchio, bravo Laurelli, muito bem Filibert! Cantastes primorosamente. Não se podia, no domingo, exigir-se-vos mais. Estivestes sublimes e por isso o publico vos applaudiu muito e muito, e esses applausos são mais um florão para a vossa corôa artistica. Sois bons cantores e se não brilhaes na magestosa Scala, na Grand opera e no formosissimo S. Carlos fulgurasteis entre nós e para nós no nosso humilde e modestissimo theatrinho. Como foram frenéticos os applausos que os artistas receberam, calorosos os bravos que arrancaram e innumeras as chamadas que tiveram! E estas demonstrações foram justas. A sr.ª Laurelli cantou com muito sentimento o longo adagio (bisado) com gosto a romanza da Luiza Miller e com muito mimo a cavatina da opera Crispino e la comadre. No duetto da Maria Padilla, que cantou com a sr.ª Bellocchio, andou tambem perfeitamente assim como esta que executou, além da sua parte do duo, o Brinde da Lucrezia Borgia, com muita bravura pelo que foi chamada fóra e o repetiu, e muito regularmente o waltz Le garde de la reine. E Filibert? oh! esse que bem andou em todo o decurso do espectaculo! Com que sentimento não disse elle a romanza da Traviata! E a aria do Elisire d’amore com que perfeição, com que naturalidade a não cantou! Mas na de Il Barbiere, foi onde o distincto cantor mostrou os recursos de que dispõe. Enthusiasmado o publico pediu bis e Filibert entre brados e palmas cantou novamente sendo depois chamado quatro vezes ao proscenio e em todas coberto de applausos. Alguns cavalheiros d’esta cidade, preitaram-se de melhor boa vontade a dar ainda uma soirée aos distinctos cantores. As peças á excepção da cabaletta da opera Leonora, cantada pela sr.ª Laurelli, da romanza do Ballo in Maschera, pelo sr. Filibert, da aria da Traviata, pela sr.ª Bellocchio, e do duo dos Diamantes da carona, foram as mesmas que ouvimos no domingo. E cantadas real e applaudos muitos. Foram pois duas bellas noutes a de domingo e quarta feira e as impressões que o publico n’estas recebeu não as ha de esquecer facilmente.
Concurso
Educacção e instruçãoReligiãoConcursos e provisõesFestas religiosasInstrução públicaNomeaçõesNomeações eclesiásticas
Pela direcção geral de instrucção publica, se mandou abrir, perante o commissario dos estudos n’este districto, concurso de 60 dias, os quaes começaram a decorrer desde 30 do passado mez, para provimento das cadeiras d’ensino primario de Barrancos, Mertola, Colos, Santa Barbara de Padrões, Santa Luzia, Selmes, Villa Alva e Villa Nova de Mil Fontes.
Exercício
Acidentes e sinistrosEconomia e comércioExércitoTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacçõesFeirasIncêndiosTreinos e manobras
Na tarde de terça feira teve exercício de fogo o regimento 17 d’infanteria aqui estacionado.
Accusamos a remessa
Cultura e espectáculoLivros e publicações
Recebemos e agradecemos o Jornal de Setúbal. Ao nosso collega desejamos longa e prospera vida.
Os olhos
Sociedade e vida quotidiana
Os olhos riem, gemem, choram, suppriam e meditam. Os olhos são a linguagem dos namorados, assim como o sussurro é a linguagem dos zephyros. As donzellas namoradas fixam os olhares no chão ou no leque; as namoradas caminham olhar para a rua; as pobrezinhas, de quem ninguem fez caso, olham para o céu. O namoro opera-se tão somente com os olhos e os labios, isto é, consta de olhares e sorrisos. Os namorados, quando se miram nunca estão calados. A alma estremece com um olhar timido; chora com um olhar triste; ama com um olhar occulto e vacilante; despreza com um olhar altivo. Por isso se diz com frequencia que os olhos são um espelho d’alma. Os olhos azues de uma innocente donzella são como os lagos que espelham o ceu. Os olhos negros de uma onça namorada, são um poema de mysterios, de amores e de delírios. Os olhos das meninas puras parecem muito mais formosos quando derramam lagrimas.
O novo theatro
Cultura e espectáculoEconomia e comércioEstatísticasTeatro
Eis a nota da despeza, effectuada com a construcção do novo theatro d’esta cidade, até ao dia 27 de outubro findo: Despendido até 29 de setembro (Vid. Bejense n.º 302) 350$940. Semana finda em 6 d’outubro: Mão d’obra 22$440; Remoção d’entulhos e conducção de pedra 17$220; Areia (12 moios) 7$200; Empreitadas (construcção de paredes, arranco de pedra, desaterros, abertura d’alicerces e demolição de paredes) 24$720; Despesas diversas 1$620; Somma 73$200. Semana finda em 13: Mão d’obra 16$600; Conducção de pedra 11$400; Areia (13 moios) 7$800; Empreitadas (arranco de pedra) 9$210; Despesas diversas 1$980; Somma 46$020. Semana finda em 20: Mão d’obra 16$460; Areia (8 moios) 4$800; Empreitadas (demolições de paredes) 6$840; Despesas diversas 1$885; Somma 29$985. Semana finda em 27: Mão d’obra 21$760; Empreitadas (demolições de paredes e abertura d’alicerces) 6$040; Cal (incluindo a conducção) 4$800; Tijolo 2$400; Lambaz 3$400; Areia (13 moios) 7$800; Despesas diversas 310; Somma 46$510. Recapitulação: Despendido até 29 de setembro 350$940; 1.ª semana d’outubro 73$200; 2.ª dita 46$020; 3.ª dita 29$985; 4.ª dita 46$510; Total 546$655.
Economia e comércioJustiça e ordem públicaPreçosPreços e mercadosPrisões
Venda barata!—Foi preso em Caem (França) um marido que vendeu sua mulher por 890 reis. Se pega a moda, é de presumir que baixe ainda o preço.
Caricatura
Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisTransportes e comunicaçõesAgriculturaCheiasNavegacção
O Punch, folha satyrica de Londres, apresenta a paz fazendo uma visita a Vulcano, na forma de um anjo e vestida com ampla tunica branca. A paz, com a cabeça descaida para diante e com os olhos inundados de lagrimas, dá parte das suas magoas a Vulcano, que está muito occupado. Como! pois está tão occupado o sr. Vulcano? Nunca estive tanto. Não sabe que me fiz fornecedor-mór de Plutão? E ao mesmo tempo indica-lhe uma columna em que estão apontadas as seguintes encomendas: 500:000 agulhas prussianas; 200:000 carabinas para lighteens; 300:000 espingardas Chassepot; 2 milhões de toneladas de ferro para navios couraçados; 500 torres de fixas de ferro para monitores.
Preparativos em Veneza
Meteorologia e fenómenos naturais
A gondola que a cidade de Veneza prepara para o rei da Italia será conduzida por dezoito remadores. Tem na proa o leão de S. Marco, segurando nas garras o escudo de Saboya; na popa vê-se uma figura que representa Veneza coroando a Italia. O casco, todo bordado d’esculturas doiradas, recorda as formas das antigas gondolas. Na popa eleva-se um docel de veludo carmezim forrado de seda azul, bordado a ouro, o qual constitue um verdadeiro throno. O docel é supportado por columnas doiradas e resguardado por uma luxuosa armação. Em caso de mau tempo, póde ser fechado por meio de elegantes vidraças. Um genio segura nas mãos as bandeiras do throno; no centro da gondola eleva-se a bandeira [ilegível].
Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
Preços por que correm os generos em Beja: Trigo alqueire 520 reis; Milho 400; Centeio 400; Cevada branca alqueire 210 reis; Feijão 900; Chicharo 400; Fava 400; Grão de bico 700; Batatas 500; Azeite almude 3:600; Vinho 1:500.
Paris, 24
É fóra de duvida que o sr. Moustier não escreveu nada acerca da pendência romana.
Vienna, 24
A nomeação de Goluchowski para Galicia, suscitou uma polemica violenta entre os periodicos russos e austríacos. A «Imprensa» de Vienna proclama a nacionalidade polaca.
Quebec, 19
Acidentes e sinistrosEconomia e comércioAgriculturaIncêndios
Foram destruídas por um incêndio 2500 casas. As perdas avaliam-se em 15 milhões.
Rio Grande, 12
Exército
Mij a inteiramente batido pelo exercito principal dos liberaes deante de Montery. Em Matamoros reina a anarchia no seio das facções.
Paris, 27
Economia e comércioAgricultura
A «Patrie» desmente a existencia de um empréstimo de mil milhões e diz que não se trata de nenhum, nem grande nem pequeno.
New-York, 17
Os radicaes continuam a alistar-se para formularem a accusação a Johnson.
Constantinopla, 27
Os turcos metteram a pique perto de Stakia onze barcos de pescadores.
Paris, sem data
A côrte parte para Compiegne a 7 de novembro.
Veneza, 27
Foi o seguinte o resultado do plebiscito: 636:676 eleitores votaram pelo sim e 68 pelo não.
Francfort, 27
Política e administracção do EstadoDecretos e portarias
Sabe-se de boa fonte que o imperador de Áustria assignou o decreto nomeando o sr. Beust seu ministro.
Vienna, 20
Cultura e espectáculoJustiça e ordem públicaTransportes e comunicaçõesDiligênciasPrisõesTeatro
No sabado á noute realisou-se a prisão do rapaz, a respeito do qual havia serias suspeitas de querer attentar contra a vida do imperador. O capitão Pulwer prendeu-o no momento em que elle levantava a mão direita com uma pistola carregada de balla, na occasião em que o imperador saia do theatro Teheque e entrava na carruagem.
Génova, 29
Política e administracção do EstadoEleições
Na eleição do conselho nacional triumpharam os conservadores.
Paris, 29
Exército
Diz a «Patrie» que o general Bazaine, na conformidade das ordens que recebeu, tem tornado as suas disposições para embarcar as tropas francezas do México.
Paris, 27
O «Moniteur» d’hoje diz que teve logar a nomeação da commissão e que a presidencia declarou que o imperador Napoleão ha de procurar os meios de collocar as forças nacionaes em circumstancias de defender o territorio e de manter a influencia politica da França.
Paris, 29
No «Moniteur» de hoje vem nomeada uma commissão, presidida pelo imperador, para collocar as forças nacionaes em condições de defender o territorio nacional e de manter a influencia politica da França.
Roma, 30
Religião
O Papa na sua allocução fallou contra a perseguição que soffre a egreja na Italia e na Rússia.
Tarento, 27
Religião
O padre feniano, Maben, foi condemnado á morte.
S. Petersbourgo, sem data
Economia e comércio
Houve reducção no orçamento da marinha; a esquadra do mar Pacifico foi supprimida.