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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 454
17 notícias

CORRESPONDÊNCIAS Odemira 1 de setembro de 1869. Sr. redactor

Meteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoDebates políticos
Aljustrel · Odemira · Portugal Correspondência · Interpretacção incerta

Falla-se por aqui na transferência do administrador d’Aljustrel para Odemira. Pela nossa parte não ligamos importância alguma a taes boatos, vista a maneira porque são referidos. . . são novas de caminho destituídas de todo o criterio, e muitos assim o pensam. Se o administrador d’Aljustrel não fura o bem conhecido bacharel o sr. João Penha, então podíamos dar algum credito a taes noticias ; mas sendo !—quem poder A acreditar que esta s. s.ª queira commetter o grande erro de pôr em risco a sua carreira, transferindo-se d’Aljustrel onde pôde ir vivendo por largos annos dhfnictando uma vida rasgada, para Odemira, onde lhe é impossível exercer semelhante cargo !!!,.. Imaginará por ventura, este Sr. bacharel, que se pôde governar, ainda mesmo reagindo os elementos indispensáveis para a boa ordem, e em cujas bases deve assentar o poder administrativo ? L . . Não se lembrará este sr. bacharel, da grave situação, que os seus desvairamentos. .. lhe crearam em Odemira ? 1. . . Julga acaso que ha de congressar-se com todos, a quem retribuiu, com ignominia, obséquios dalgum valor, pura que o deixem, a seu salvo, tocar o ponto sedado !!.. . Engano-se. Querer-se impor a força, lambem não... porque nem a entidade administrador cnin o seu codigo administrativo de hoje, é o fac-símile do antigo capilão-mór, com a su» ordenação I. . .nem o systema que nos rege, 4 a emanação do tempo dos inaufurireis ! ! ! Odemira é uma das terras bem socegadas do nosso Almnkjo, e onde prescnlemente não ha partidos,—quando muito, haverá aguillo a que, em phrase vulgar, se pôde chamar «arrufos particulares» (para o que talvez o sr. bacharel com as suas estouvadas pretensões contribuísse.. .) mas que por se darem entre cavalheiros em nada se alteram a boa convivência : é certo, todavia, que certas tendências de paz perpetua que assumam nos horisontes de Odemira poder-se-iam esvaecer, quando por ventura o tó» preclaro catão houvesse de nos governar! ! !. . . Veremos. Z.

Odemira 31 de agosto de 1869. Sr. redactor

Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisReligiãoAgriculturaColheitasDestruição de patrimónioFestas religiosasJulgamentosLivros e publicaçõesTempestadesTrovoadasVentos fortes
Odemira · América · Portugal Exterior / internacional · Interpretacção incerta

No numero 452 do seu mui lido jornal, dissemos que o espirito dos odemirenses estava seve^ameute pvenuiciado contra o sr. Z de Odemira. Não nos surprehendeu a sua resposta á nossa proposição, que logo comprovaremos : já a esperavamos porque sabemos do muito de que é capaz e de quanto é façanhudo o sr. Z. Antes de entrarmos em matéria requer o assumpto, que saibamos quem é o sr. Z. Será por ventura alguma zebra? Talvez ; pelo indomável e insociável, como sempre se tem mostrado o sr. Z assim nos quer parecer, porque tem muita analogia com aquélle animal, que ainda ninguém poude trazer ao caminho da educação e da domesticidade. Quem sabe se será alguma Aorra ? Bem o parece, porque bastantes pontos de contacto tem o sr, Z com aquel- le bicho, queé manhoso, astuto e matreiro como talvez nenhum outro em toda a escala zoulogh a. Passando dos animaes para homens ainda uma vez perguntamos: será o Z algum zoilo ? Muito o parece porque nos seus escriptos sempre se tem revelado a sua ciilica satyrica e injustas censuras. Finalmente será algum novo Zuiwglio ? Assim o tem mostrado nas heresias, que sempre tem commetlido contra o bom senso e contra a sua própria dignidade. Mas não, sr. redactor; á primeira vista se nos dá a conhecer, quem é o ar Z : e# digito gigans pelo dedo se conhece o gigante. Muito bem conhecem todos os ode* mirensos quem é o sr. Z e por conhecei*o perfeitamente lhe dão o despreso que merece. Não ha que aventar juízos temerários porque todos couberem o sr. Z. Agora no Bej^nse de boje, vem o sr. Z com uma pergunta a tempo, em que cheio de imprudência, mentindo á sua própria consciência, quer saber quem é que está indignado contra o sr. Z. Quer saber quaes são as pessoas que tem reprovado o seu mudo indecoroso de se desagravar d’uma injuria ? Conte os habilanks de>la villa, e quantos furem, lautos serão os que teem levado a mal o seu procedimento e n'este numero pôde contar os seus amigos. Sem excepção, Iodas as pessoas honradas teem asperamente censurado a maneira pouco delicada e airosa como por aquelle sr. km sido tractadas questões no tribunal auguro da imprensa, onde só devia imperar h cordura e onde nunca deviam ser ultrapassadas as mias d» boa educação e do comme dtmeulo. Diz-nos o sr. Z, quasi no fim do seu arrasoado : — «que vive com todos os odemireQses e pur todos é ©bsfequiado com mais ou menos vunlade»—Disso uma duríssima verdade o snZ. Assim é : com mais ou menos vontade, porque se os udemi- ren^es tivessem a cara estanhada e nâo tivessem pundonor e brio cumo o sr. Z, já a esla hora o sr. Z leria demandado a America para ali marrar com os pretos e pentear macacos. Os odemirenses são du- tadusde bons seíiiimenUs e d uma pacien* ria Fem hmiltes» e se o sr. Z seguisse os exemplos dos seus conterrâneos, de certo sei ia mais prudente nas suas publicações de interesse particular. O sr. Z esquece-se que tem semeado ventos e que a colheita não pôde ser senão de tempestades: espere por elías que as lerá... Bom seria que se fosse lembrando de Santa Barbara e S. Jeronimo advogados contra as trovoadas; e a que está eminente sobre a cabeça do sr. Z pôde pôde muito bem ser que seja Umerusa» Acceitamos o repto com toda a satisfação. Sempre nos ha de achar quando nos procurar. Não regeitamos a guerra seja de quem fôr, seja com que a> mas fôr. Não nos amedrontam os golpes subtis do escalpelo da critica, nem tão pouco os golpes pesados e rudes do machado da maledicência. Sr. redactor, tenho que pedir a v. o ao publico, que nos desculpem a linguagem pouco própria para se dar á estampa : ha cnmtudo casos, em que é preciso descer até aos abjectos e faltas de vergonha para lhes fazer sentir o látego da correcção. y.

EXPEDIENTE

Transportes e comunicaçõesCorreio
Estremoz · Portugal Correspondência

Rogamos aos nossos assignantes das localidades onde não temos correspondentes, que se acham em divida de suas assignaturas, se dignem mandal-as satisfazer em vales do correio descontando o prémio, ou em estampilhas. Ao sr. capitão Antonio Cândido Pinheiro Furtado, residente em Estremoz, pedimos se não esqueça do conteúdo das cartas que lhe temos escripto.

Festividade

Geral

No domingo, nos conventos da Conceição e Esperança, teve lugar a festividade da degolação do Baptista. Os templos estavam primorosamente decorados. Na Conceição especialmente fazia gosto estar. A riqueza dos adornos casava-se com a maneira porque estavam dispostos.

Recita

Cultura e espectáculoTeatro

A sociedade União dramatica dá no domingo proximo, no theatro da Moeda, uma recita. Dizem-nos que o espectáculo é o seguinte : O Guincho ou amor e gloria, comedia em 2 actos=Historia de um homem bonito, comedia em 1 acto, e o entreacto comico, de Manoel Rossissadi.=Os dois candidatos e a scena cómica —A negra cor.

Boa notícia

ReligiãoTransportes e comunicaçõesFestas religiosasNavegacção
Mértola · Vila Real · Portugal

Dizem-nos de Mertola que brevemente vae começar uma carreira de barcos de navegação a vapor entre aquella villa e Villa Real de Santo Antonio. Os vapores pertencem á sociedade Bandeira, Pereira & C.ª.

Nomeação

Município e administracção localNomeações e cargos
Alvito · Portugal

Para o lugar de administrador do concelho de Alvito, vago pelo despacho du sr. Guerreiro Fakiru para secretario geral do districto da Guarda, foi nomeado o sr. dr. Anselmo de Assis e Andrade.

Nova sociedade dramatica

Exército
Interpretacção incerta

Dizem-nos que os dignos sargentos do regimento 17 de infanteria se constituiram em sociedade dramatica para proteger um artista. Parece que a primeira recita terá lugar brevemente.

Sociedade escolastica

Educacção e instruçãoEscolas
Cuba · Portugal

Informam-nos que esta sociedade, por occasião das festas na Cuba irá dar algumas recitas revertendo o producto d'ellas a favor dos srs. Mendonça e Soares. Louvamos a sociedade por continuar a dispensar a sua protecção a quem d'ella se torna digno.

Proclamas

Meteorologia e fenómenos naturaisNeve

No dia 29 do corrente proclamaram-se nas freguezias da cidade: Joaquim Antonio Mestre, com Joaquina do Rosário, solteiros. Joaquim Maria, com Maria das Dores, solteiros. José Joaquim da Graça, com Maria das Neves solteiros. João Maria Patinha, com Eufratia de Jesus, solteiros. Domingos Antonio, com Cardina Rosa, solteiros. José da Graça, com Maria das Dores, solteiros. Manoel Guerreiro Pratas, com Marta da Silva, solteiros.

Theatro

Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoAgriculturaEscolasTeatro

Domingo tivemos recita no theatro da Moeda. Foi em beneficio da intelligente actriz a sr.ª D. Maria José Soares. Tomaram parte no espectáculo alguns actores da ex-companhia lisbonense e a sociedade escolástica. Subío á scena o Grumete, o entreacto comico o Retrogado e o progressista, e a scena cómica Effeitos do vinho novo. Dos curiosos não temos senão a louval-os pelo bem que disseram as partes que lhes foram confiadas. Pouco conhecedores do palco uns, e outros debutando, demais a mais com poucos ensaios, os curiosos foram até onde não esperavamos. Dos actores mencionaremos em primeiro lugar a sr.ª D. Maria José. Desempenhou cóm o costuma lo esmero, o difficil papel de Jeny e colheu muitos applausos. No fim do drama, recebeu a talentosa actriz uma linda corôa. Bem merecida foi. Do sr. Soares não desgostámos apesar de se desmanchar por vezes. O sr. Mendonça foi, bem..

Lanço

Beja · Ervidel · Portugal Geral

O da entrada de Beja a Ervidel, comprehendido entre esta cidade e a Pia Quebrada, já, em alguns sítios, está empedrado.

A quem competir

Economia e comércioAgriculturaColheitas

Chamamos a attenção de quem competir para o abuso que se está praticando de colher-se folha das arvores do campo de Olivâ. O desaforo chega a tanto que vão colhel-as em pleno dia, e alguns para melhor colheita fazer vão munidos de escada e faca! Se se quizer ensinar um dos pilhadores não será difficil. Veremos o que se faz.

Accusamos a remessa

Cultura e espectáculoPolítica e administracção do EstadoReligiãoDebates políticosLivros e publicações
Paris · França Exterior / internacional

Recebemos e agradecemos : As folhas 29 e 30 do romance Nossa Senhora de Paris, edição da Bibliotheca dos bons actores : Um livro do sr. Mattos de Carvalho, intitulado Systema legal de medidas, estudos ao alcance de todos. Precede-os grande numero de tabellas de reducção das antigas medidas para as modernas de todos os concelhos do continente e ilhas : O Camartello, folha republicana.

Errata*

Odemira · Portugal Correspondência · Geral

Na correspondência de Odemira publicada no n.* anterior, onde se lê bacharelorie, leia-se bacharelorio, e em vez de prejadas, deve ler-se forjadas.

Recita

Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoAgriculturaBailesEscolasExamesProfessoresTeatro

No domingo (29) deu no theatro da Moeda, em beneficio das sr.ªs D. Maria José Soares e D. Candida Adelaide Mendonça, uma recita a sociedade escolastica, em que tomaram parte algum dos actores da ex-companhia lisbonense. Subiram á scena a comedia-drama em 2 actos «O Grumete», a scena cómica,«Os effeitos do vinho novo» e o entreacto comico «O retrogado e o progressista». O drama foi muito bem distribuído, bem estudadu e ensaiado. O sr. Soares, encarregou-se do difficil papel de Julião, (O Grumete), que com tudo o enthumsmo e naturalidade o desempenhou maravilhosamente, tendo duas chamadas fora e applaudido freneticamente. Ao sr. Pancada, coube o papel de Fícenfê, que pela primeira vez que pisa no palco, mostrou a sua intelligencia, desempenhando o seu papel, muito além do que se esperava. O sr. Mascarenhas» que fez o de fíalandier. mestre de dança, mereceu applausos, porque apresentou um typo perfeito e um desempenho bom. O sr. Masçarenhas. é estudioso e habiL O sr. Guedes. que fez o papel de tio Lagartixa, colheu tambem não poucos applausos. Fez de Henrique, o sr. Telles de Menezes, e agradou. O sr. Mendonça, desempenhou o seu papel perfeitamente, A' sympathica actriz D. Maria José, coube o não pouco dífricil papel de Jeny. que o desempenhou com lodo o esmero e mimo, pelo que foi muito applaudida, recebendo no fim do drama, uma linda corôa de flores, que lhe foi offerecida em nome da sociedade escolástica, e duas poesias, offerecidas por um espectador, como uma prova de gratidão e amizade. A sr.ª D. Candida apezar do seu papel ser pouco importante não deixou de agradar. A scena cómica ~=O* e/feitos do vinho novo^ foi bem desempenhada pelo sr.'Guedes, sendo appla udido. O entreacto comico — O retrogado e o progressista, desempenharam-n'o os srs. Pancada e Guedes, cabalmente, sendo muito applaudidos e com todo o enthusiasmo chamados fóra. * * *

Noticias de Barrancos

Educacção e instruçãoExércitoInstrução públicaMovimentos de tropas
Barrancos · Portugal Interpretacção incerta

Em data de 2 do corrente dizem-nos o seguinte : Quando a necessidade urge, devem empregar-se os meios para repellir os obstáculos que perturbam a ordem e a paz na sociedade ; mas quando esses obstáculos desapparecem, deve succeder o mesmo aos meios que se empregaram até essa epocha. Refiro-me aos militares que se acham para este lado, por causa dos bandos políticos, carlistas, que foram dispersos e que hoje nâo ha vestigios de haver o mais mínimo receio de sermos invadidos, porque taes grupos já não existem ; além d'isso é justo que os destacamentos que se acham na raia, sómente para aquelle fim. regressem aos seus corpos ; pois resulta de ahi economia, disciplina e instrucção para os corpos, que quasi sempre estão divididos em fracções. Pede-se ao ex.mo ministro da guerra que não deixe de aproveitar estas verdades, fazendo assim um serviço que reuna algumas vantagens para a nação.