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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 280
39 notícias

Revista da semana

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Aljustrel · Coimbra · Lisboa · Loulé · Paris · Porto · Roma · França · Itália · Portugal Correspondência · Exterior / internacional · Igreja · Interpretacção incerta · Moderno · Relatório

Foi nomeado interinamente para a pasta da guerra o sr. visconde da Praia Grande de Macau, e conselheiro de estado effectivo o sr. ministro da fazenda Antonio Maria de Fontes Pereira de Mello. O decreto da sua nomeação foi-lhe entregue pela propria mão de el-rei que benevolamente lhe indicou que era vontade sua que acceitasse. Foi apresentado ao parlamento, o contracto celebrado entre o governo e o sr. Debrousse, e n’elle acha-se comprehendida a linha ferrea de Cintra. Diz o Jornal do Commercio que o governo garante um rendimento liquido, ao concessionário de 6 3/4 por cento sobre o capital que se despender. Esta somma fica indefinida e ha de ser determinada, por accordo, entre o emprezario e o governo. Garantir 6 3/4 por cento de rendimento liquido sobre um capital, por força avultadissimo, e em uma empresa que não póde render tanto, é ir, como bem diz o nosso collega, tomar um pesado encargo inconciliável com as tristes condições do nosso orçamento. Declarámos com toda a franqueza que não percebemos as economias do governo actual. Falla em matar o déficit, e as verbas da despeza crescem diariamente; apregoa economias severas, e vae pedir ás cortes pensões para as viuvas do conde de Casal e de Salvador da França, e authorisação para ficar com o resto das acções do palheiro de crystal do Porto para que o paiz contribuiu já com 70 contos de reis. O que nos resta é ir-o pedir lambem uma pensão para a viuva de Julio Gomes, que ficou... desgraçada. Tem talvez de seu um milhão de cruzados! Pois mesmo por isso se deve dar-se-lhe com que passar. O escórtesesão só nalgum lugarzito de amanuense. Lembra-nos isto as economias do sr. Lobo d’Avila, que se resumiram em 40$000 reis que tirou ao carrasco. Foi regeitada a proposta do sr. José Dias Ferreira sobre o casamento civil, e adoptada, por grande maioria, na commissão, a doutrina do codigo. Quando a sacristia descompunha já o nobre deputado o que não faria ella se a sua proposta fosse adoptada? Não bata porem as palmas porque se a commissão a regeitou, póde a camara approval-a. Está a concurso a mina d’Aljustrel, n’este districto. O praso, segundo se lê na portaria, começou no primeiro deste mez e termina em 27 de setembro. Os proponentes devem apresentar as suas propostas em carta fechada e depositar 5:000$000 rs. no banco de Portugal. A adjudicação porem será feita a quem se obrigar a pagar ao estado maior quanto sobre a base de 500 rs. por tonelada de minério bruto, obrigando-se o concessionário a extrair, annualmente, o minimo de 20 mil toneladas. A mina fica isempta de impostos. Alem d’esta portaria trouxe lambem a folha official uma outra approvando o novo horário, e augmento de um comboio ascendmte e outro descendente nos caminhos de ferro do sul e sueste. N’outra secção d’esta folha encontra-se-ha o horário. Alem do contracto Debrousse, da ordem do exercito n.º 13 e da lista de despachos pelo ministerio da justiça, trouxe mais a folha official a carta de lei prorogando por mais seis mezes o praso estabelecido para os encartas de que tracta o artigo 12.º do regulamento de 11 d’agosto de 1847, e a ordem da armada n.º 48. Estão vagos os circulos eleitoraes de S. Ildefonso (Porto) e 114 (Lisboa). Falla-se em prorogação de cortes. Os boatos relativos a achar-se a companhia dos caminhos de ferro de sueste em criticas circunstancias, adquirem força e credito na capital. Foi apresentado ao parlamento e brevemente entrará em discussão um projecto de lei que affecta grandemente esta província e talvez que todo o paiz. Fallámos da proposta, para serem confirmadas as disposições do decreto de 11 d’abril do anno passado ácerca da admissão de cereaes estrangeiros. O relatorio do sr. Moraes Soares vai ter mais para o sr. ministro das obras publicas, que as representações das municipalidades do reino e da real associação de agricultura portugueza. Assim era de esperar. Não mandou o sr. conde de Castro, o sr. Soveral a Pariz para fazer a convenção postal e isto porque aquelle diplomata morava ao pé do correio? Que admira pois que proclamando o chefe da repartição de agricultura o decreto de 11 de abril do anno passado «a melhor providencia dos tempos modernos» sua ex.ª o adoptasse? Poderá ser que o decreto de 11 d’abril de 1865 seja o que diz o sr. Moraes Soares mas nós estamos convencidos do contrario. Contra certas proposições a que sua ex.ª avançou, principiámos a escrever alguma coisa e se a não demos a publico, foi porque a illustrada e respeitável municipalidade de Some refutou, na sua representação á camara dos deputados, os bocadinhos bonitos que o sr. chefe da repartição d’agricultura architectou, baseando-se em estatísticas tão verdadeiras, como o juizo do anno de qualquer folhinha. Se o sr. Moraes Soares se não enfronhasse tanto em documentos officiaes sobre producção e preço de cereaes, desde o tempo de Junot e do Maneta até aos nossos dias, e attendesse aos justíssimos clamores da classe productora; se encarasse desapaixonadamente a questão, com certeza não aconselhava ao governo a adopção do decreto de 11 de abril de 1865, que não passa de um documento tristissimo que o gabinete Maria fina legou ao paiz para mostrar quanto lhe eram caros os interesses do olho vivo. A agricultura portugueza ficou annihilada completamente com tal medida, e os lavradores n’uma tristíssima condição porque não acham proporção no preço porque são obrigados a vender os generos, com aquelle porque pagam os jornaes e outras despezas de cultura. Mas que importa isso? Não transbordam de ouro as arcas do olho vivo e não dá bailes esplendidos o representante da companhia? Parece-nos que é caso de dizermos como Sá de Miranda: ... vejo nos povoados Muitos dos salteadores, com nome e rosto de honrados, Andar quentes e forrados, Das pelles dos lavradores. Mas na mão dos representantes do paiz está o remédio para os males que affligem a classe productora, e bem simples é elle—augmento de imposto, não inferior a 100 rs. por alqueire de trigo que entrar pelos portos seccos ou molhados do reino, elevando-o proporcionalmente sobre os mais cereaes. D’esta maneira fica estabelecida a igualdade de circumstancias porque o productor estrangeiro que paga 60 rs. por alqueire de trigo ficará igual ao productor nacional que paga approximadamente 90 rs. isto é, 15 % sobre o preço medio de 600 rs. por alqueire. É justo o principio da liberdade de commercio e em these, presuppondo todas as nações no mesmo grau de adiantamento industrial, nada ha mais racional, porem, em muitos casos, o bem social pede a modificação d’aquelle principio absoluto. Quando uma nação produz melhor e mais barato do que a outra quem pode duvidar, que a livre concorrencia dos productos d’aquella vem esmagar os productores da segunda? É isto o que se verifica entre nós, porque a nossa industria agricola acha-se ainda em grande atrazo, relativamente á de outros paizes, pois que o desenvolvimento de qualquer industria não depende só de condições naturaes, mas de muitas outras circunstancias que entre nós se não dão por ora sendo por isso um erro abandonar inteiramente o systema protector, o que dará em resultado acabar com a primeira e essencial industria do paiz. Mas se a livre troca é aconselhada pela economia, se se deve proclamar a liberdade do commercio e acabar com o systema protector, então não sejamos exclusivistas; applique-se esse principio a todas as industrias; do contrario dá-se uma desigualdade revoltante, desigualdade que ha-de dar por ultimo o aniquilamento da industria agricola. E poderão os representantes do paiz concorrer para isso com o seu voto? Fazemos-lhes a justiça de o não acreditar. A camara dos pares vae para duas semanas que não faz cousa alguma. Na dos deputados lambem pouco se tem feito. Está em discussão o orçamento do ministerio da guerra, e antes da ordem do dia tem-se votado alguns projectos de interesse secundario. Entre elles figura o que torna extensiva, ás camaras municipaes, as disposições da lei de 16 de julho de 1863, ácerca da demolição de edificios. Se o Jornal do clero sabia, que contar-nos a farça que se representou no Vaticano, depois das festas da semana santa, era gastar cera com um ruim defuncto, escusava de fallar-nos n’ella. Encomendámos-lhe acaso o sermão? Mas visto que tocou n’isso dir-lhe-hemos que as adhesões do duque de Rohan Chibol, ao pontifico rei, representam tanto os sentimentos da França, como o Jornal do clero os de Portugal. A não ser para mais uma vez so cobrir de ridiculo, não sabemos para que a folha da rua dos Fanqueiros nos fatiou no entremez de segunda feira de paschoa, onde entraram até judeus! Também elles, como o duque de Rohan-Chabol, estarão promptos a sustentar na cabeça do rei de Roma a tripla coroa, e a arrancar-lhe os espinhos á custa de seu proprio sangue? Em quanto ao outro beliscão que nos deu por causa da maçonaria, saiba que jámais a quizemos defender. Dissemos é verdade que ella conta no seu gremio muita ralé e muitos homens de bem. Sucede-lhe o mesmo que a outra qualquer sociedade. O redactor do Bem publico, a quem chama cavalheiro respeitável e digno de toda a consideração, em gremio foi maçon, pertenceu á ralé como bem o mostrou depois; no numero dos homens de bem esteve José Estêvão por exemplo, e estão os srs. duque de Loulé, cardeal patriarcha, Mendes Leal, bispo de Coimbra, de Vizeu etc., etc. Ao mais que diz o Jornal do clero não respondemos porque não queremos enxovalhar-nos. São indecências como as do Torniquete. Não segue pois bom caminho a folhada sacristia e se hade continuar n’elle, aconselharnol-a a que deite fóra a penna, compre um barril e vá para o chafariz. Cada um para o que nasceu. Temos a santa inquisição na alfandega grande de Lisboa, e o cardeal patriarcha feito verificador daquella casa fiscal. Parece-nos, á vista disto, estar já ouvindo os leitores exclamarem, como o sr. Castilho de uma mascarada: Que novo prodígio este? Delirio?... Este sitio encerra As profissões, as loucuras, As crenças de toda a terra.

Apotres de Renan na alfandega

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Braga · Lisboa · Portugal

(Do Jornal de Lisboa.) Um livreiro mandou encommendar, no uso dos seus incontestáveis direitos, alguns exemplares da obra franceza Apotres, de Renan, auctor da Vida de Jesus. Chegaram hontem á alfandega os indicados livros, e o sr. Palmeiro Pinto ordenou logo aos empregados que lhe pozessem impedimento no despacho provavelmente por aquella obra haver sido condemnada pelo Index. Como nem s. ex.ª nem os empregados menos graduados fossem formados em theologia para decidirem este difficil ponto, consta-nos que s. ex.ª mandára um exemplar ao sr. cardeal patriarcha para se resolver se os livros devem ou não ser despachados! Que lhe importa o sr. director da alfandega grande, o livro de Renan? Se não gosta d’elle porque é beato, porque é hypocrila, porque segue a santa religião de Braga, não o leia. Está no seu direito. O que s. ex.ª porem não póde é prohibir isso aos outros nem prejudicar o commercio para servir a reacção. Estas scenas irrisórias não são proprias da epocha e desacreditam-nos aos olhos dos estrangeiros. Que dirão elles quando souberem que se prohibe o despacho da obra Apotres, porque é seu auctor o admiravel estilista E. Renan, e porque o Index a condemnou? Era melhor que o sr. Palmeiro Pinto em vez de estar a dar escandalo e de estudar as determinações do Index, propozesse os meios de facilitar o expediente da casa fiscal que dirige, a qual é um perfeito cahos, como o Jornal do Commercio o tem mostrado. Se s. ex.ª porem não póde introduzir a boa ordem na sua repartição, porque é incapaz disso, então demitta-se, metta-se em casa e rese nas contas. E digam lá que a reacção não triumpha, Iriumpha.

Orçamento—Saude publica (discurso do sr. José Pedro Antonio Nogueira)

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Portugal

Continuam a merecer a mais seria attenção desta folha os louváveis e crescentes esforços, que o digno secretario do conselho de saude publica do reino emprega no parlamento, para melhorar a sorte deste malfadado paiz, no ramo mais importante da sua publica administração. O discurso que abaixo começamos a publicar, proferido pelo sr. José Pedro Antonio Nogueira na camara electiva, é digno de ser lido por todos, porque a par da dedicação de s. ex.ª pelos interesses da saude dos povos, ha a li verdades de um apreço superior, que o publico deve conhecer, e que fielmente desenham o quadro da administração de saude publica em Portugal. Prova o discurso alludido muita intelligencia, muita dedicação, e muito saber. Apreciamol-o como merece, e não podemos deixar de louvar no zelloso funccionario a nobre independência com que advoga os mais caros interesses dos povos no seio da representação nacional. A palavra do sr. Nogueira devia ser bastante para que o governo acordasse da lethargia em que jaz com respeito á saude publica. As considerações apresentadas pelo digno deputado por Torres Vedras, os preciosos dados estatisticos que exhibio no seu discurso, as confrontações que apresentou, deviam desde logo mover o governo e o parlamento a accudir á primeira das necessidades desta terra, que é a mais imperiosa de todas, que é a primeira entre todas a ser attendida pelas nações que se prezam de civilisadas. A camara ouvio com toda a attenção o sr. Nogueira, applaudio-o completamente, felicitou-o, todos se compenetraram das verdades apresentadas por s. ex.ª, mas queremos acreditar que as coisas continuarão no mesmo estado, por que este governo figura-se-nos ser—governa grande nas coisas pequenas, governo de ninharias, governo com que temos vivido enganados, e que não faz nada que preste. Eis o discurso: O sr. Nogueira:—Sr. presidente, pedi a palavra para, em desempenho de um grande dever, romper o silencio em que o capitulo 6.º do orçamento do ministerio do reino costuma piscar... (texto conforme OCR; termina nesta edição em:) ... Sobre a verdade desta breve exposição, appello para o testemunho insuspeito dos nobres deputados das srs. deputados das províncias (Continúa).

Correspondencia particular (Lisboa 45 de abril)

Meteorologia e fenómenos naturaisSociedade e vida quotidianaFalecimentos
Leiria · Lisboa · Portugal Correspondência

Pouco satisfactorias são para o paiz as noticias que hoje tenho o dar-lhes. O decantado contracto Debrousse foi apresentado ás cortes, pelo sr. Fontes, porque o sr. conde de Castro não teve coragem para isso. Este contracto é prejudicialissimo para a nação; é como um cancro que vem acabar de roer as entranhas do nosso thesouro; n’uma palavra, para se saber a natureza de tal contracto, basta que lhes diga que é patrocinado pela sr. A Augusto Teixeira de Vasconcellos redactor da Gazeta de Portugal. A reprovação é geral, e todos pasmam de ver a munificência do nosso governo, pois muita gente havia, e eu era um d’elles, que tinha algumas esperanças no actual gabinete. O tempo tem-me-os desenganado. O governo proclamou economias, mas em lugar de as realisar, propõe para as viúvas daquelles que, emquanto viveram, receberam pingues ordenados, por alguma cousa que fizeram, do muito que lhes competia fazer, avultadas pensões com que aggrava o estado do nosso thesouro. O paiz meus amigos é só propriedade de quem tem títulos nobiliarios. O lavrador, o proprietário, e o artista, que muitas vezes prestam nação bons serviços, se morrem e deixam a sua familia na orphandade e na miseria, nem se lembra d’elles! Mas lembram-se e dão-se pensões a quem a ella não tem direito, e quem d’ellas precisa! Isto assim não vai bom. Lembre-se o governo que indo por este caminho desacredita-se a si e anima o paiz. Agora corre que se vão a tornar os pinhaes de Leiria; se tal vejo acabo de descrer de tudo e de todos. Agradeço a rectificação que fizeram á minha correspondencia na parte em que eu chamava ao sr. Fortunato representante d’essa cidade... (continua conforme OCR; termina em:) Diz-se que o sr. Mendes Leal será nomeado conselheiro de estado extraordinario no lugar que ficou vago pelo fallecimento do conselheiro Lopes de Vasconcellos. G.

Correspondencias (Cuba 30 de abril de 1866)

Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoEducacção e instruçãoMunicípio e administracção localEpigrafiaInstrução públicaLivros e publicaçõesProfessores
Cuba · Portugal Correspondência

Sr. redactor.—No ultimo numero do seu jornal publicou v., sob a epigraphe—Instrucção primaria na Cuba— algumas linhas em que são verberados o professor regío d’aquella villa, por falta de actividade no cumprimento das suas obrigações, e o sr. administrador e camara, por não constrangerem aquelle a desempenhar o seu mandato. Confio por tanto, que v. não negará entrada no seu primeiro numero a estas linhas... (defesa do administrador e da camara; resposta ao “embuçado”; termina:) Creia, sr. redactor na consideração com que sou De v. etc. Joao Aurelio de Carvalho.

Correspondencias (Beja 26 de abril de 1866)

Beja · Portugal Correspondência · Geral

Eam propuMlionrm in ío. cujus veritas ed laetcr n hiccL Sr. redactor—Memorar a philantropia dos mertolinos elevando-a até tocar os termos da sua exaltação seria cousa... (continua; lista de subscriptores e agradecimentos; termina:) Beja 26 de abril de 1866. Luiz Guerreiro da Conceição.

Theatro

Cultura e espectáculoTeatro

Estreou-se hontem a companhia hespanhola de que é director o sr. D. Ricardo. Levou á scena o drama em 3 actos André et Tj... e a comedia... No drama, o actor que desempenhou o papel de protagonista e as actríses a quem couberam os papeis de Helena e Maria, nada deixaram a desejar, o que o publico bem demonstrou nos justos applausos que lhe fez. Os demais actores lambem andaram bem. No fim do 2.º e 3.º acto houve duas chamadas a toda a companhia e uma especial ao protagonista e damas. A comedia foi bem desempenhada pelo que os actores foram lambem muito applaudidos. No domingo havera novamente espectaculo. Compor-se-ha do drama em 5 actos intitulado ... e da comedia ... São boas as peças escolhidas para essa noite. Achamos desnecessário recommendar á protecção do publico a companhia. Nunca elle deixa de dal-a a artistas de muito.

Achado

Arqueologia e patrimónioDescobertas e achadosRestauro e conservacção
Almodôvar · Castro Verde · Portugal Romano

No dia 30 do passado mez, um trabalhador por nome Francisco Gallo que se achava cavando, no rocio de S. Sebastião, junto a Castro Verde, achou n’um pequeno humulo d’argamassa, entre cinzas que o mesmo continha, dois braceletes romanos de ouro pesando ambos 17 tomas. Os braceletes estão em perfeito estado de conservação, têem de comprimento 0,058, de circumferencia, na parte mais larga 0,028, e na mais estreita, 0,2. E os braceletes foram mandados para a capital. Levou-os o sr. Manuel Joaquim Almodovar, por conta do seu possuidor. É de suppor que os apreciadores de relíquias archeologicas os paguem como merecem.

Algarve · Barreiro · Portugal · Reino Unido Exterior / internacional · Geral

Porque será?—A companhia constructora das linhas ferreas desta cidade para o Guadiana e Algarve, despediu no sabbado todos os trabalhadores desta ultima linha. Das officinas do Barreiro lambem despediu grande numero de artistas. Alguns empregados devem partir hoje para Inglaterra, e regressaram muitos dos engenheiros da linha do Algarve a esta cidade.

Melhoras

Geral

O nosso amigo o sr. Carvalho continua experimentando algumas melhoras.

Foi transferida

ReligiãoSaúde e higiene públicaFestas religiosasIrmandades e confrariasNomeações eclesiásticas

A festa da Cruz de maio que devia ter lugar no domingo proximo foi transferida, por deliberação unanime da irmandade de Nossa Senhora d’ao Pé da Cruz, a cujas expensas é feita, para o dia 13 do corrente mez, e isto em consequencia de achar-se gravemente enfermo o escrivão da irmandade o sr. Antonio Joaquim de Carvalho.

Missa

ReligiãoCulto e cerimóniasIrmandades e confrarias

Consta-nos, que quando ao Altissimo approuver dar melhoras ao sr. Antonio Joaquim de Carvalho, a irmandade de Nossa Senhora d’ao Pé da Cruz, de quem sua s.ª é digno escrivão, tenciona mandar dizer uma missa solemne a que assistirão todos os irmãos.

Caminho de ferro

Transportes e comunicaçõesCaminho de ferroTrânsito e circulacção
Algarve · Portugal Caminho de ferro

Estão bastante adiantadas as linhas ferreis d’esta cidade para o Algarve e Guadiana. Para o principio de junho, segundo nos consta, será aberta a circulação a ultima, e da primeira o lanço até Cazével.

Novo horário

Transportes e comunicaçõesCaminho de ferro
Beja · Lisboa · Portugal

No dia 3 do corrente começou a vigorar nas linhas do sul e sueste de Portugal o novo horário. Em vez de um comboio ascendente e outro descendente, ha, durante o termo do corrente anno, dois ascendentes e dois descendentes. O primeiro comboio ascendente parte de Lisboa ás 6 horas da manhã e chega a Beja á 1 hora e 5 m. O 2.º ás 10 e 1/2 m. e chega a Beja ás 6 horas e 25 m. O primeiro comboio descendente sahi de Beja ás 7 horas e 45 m. e chega a Lisboa quasi ás 2 e 45 m. O 2.º ás 12 horas e chega a Lisboa ás 7 e 20 m.

Searas

Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisAgriculturaColheitas

Apresentam-se esperançosaes. A chuva que cahio nestes ultimos dias beneficiou-as bastante.

20 de abril (anniversario da outorga da carta constitucional)

ExércitoBanda militarParadas e cerimóniasQuartéisTreinos e manobras
Correspondência

Festejou-se n’esta cidade tocando a alvorada, na praça publica, a banda do regimento 17 d’infanteria e seguindo depois para o quartel. Os sinos—caso raro!—não estiveram em exercicio. Nem pelo menos o badalo camarario deu um repique. Á noite tocou até ao recolher, a banda do regimento 17 no largo da parada do quartel. As repartições publicas illuminaram-se. A guarnição foi feita de grande gala.

Movimento de tropa

ExércitoMovimentos de tropasQuartéis
Estremoz · Portugal

Chegou ao seu quartel n’esta cidade, depois de haver sido rendido, o destacamento d’infanteria n.º 17 que se achava em Estremoz.

Doente

Município e administracção localSaúde e higiene pública

Acha-se mui doente o sr. administrador substituto d’este concelho o sr. José de Moraes Corrêa de Mello. Desejamos-lhe o seu prompto restabelecimento.

Administrador

Município e administracção localSaúde e higiene pública

Em consequencia do mau estado de saude do sr. administrador substituto, acha-se servindo no lugar de sua s.ª o vice-presidente da camara.

Concessão de mina

Município e administracção local
Castro Verde · Serpa · Portugal

Foi feita a concessão provisória da mina de manganez, sita no serro de Serpa, concelho de Castro Verde, n’este districto, ao sr. Francisco Guijarro.

A quem competir

ReligiãoFestas religiosas

As lavadeiras continuam lavando roupas nos chafarizes do Cano, Pelame e Santa Clara. Chamamos para isto a attenção de quem competir.

A revolução hespanhola

ExércitoMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAssociaçõesGoverno civilHospitaisMovimentos de tropasPartidasTelégrafo
Itália · Reino Unido Exterior / internacional · Governo Civil · Hospital · Telégrafo

Os animos da nação nossa visinha ainda não inspiram confiança ao ministro O’Donel, porque as mudanças de corpos e o estado de sitio ainda continuam. A causa que defendia Prim, era nobre, sympathica, e se hoje se acha expatriado, comtudo deixou implantada no seu paiz a grande idéa a liberdade sem abuso. Prim o heroe da liberdade hespanhola partiu d’Inglaterra para a Italia no dia 14, e os inglezes souberam comprehender o que significa Prim, assim como os habitantes desta hospitaleira e nobre cidade pelos furos que conquistou, plejando a favor de liberdade, que gosa ha 6 lustros. Em Soulhampton foi brilhante a recepção do general Prim, segundo noticiaram alguns jornaes. Commissões de varias associações políticas, e bem assim immensos cavalheiros, e grande numero d’officiaes de todas as armas receberam o illustre emigrado. Em seguida foi visitado por immensas pessoas, das quaes muitas o procuraram com caracter official. Não succedeu pois outro tanto com s. ex.ª o sr. governador civil deste districto, que para dar ao governo uma prova do seu bom senso, lhe perguntara telegraphicamente, segundo ouvimos dizer, se sim ou não devia ir cumprimentar general Prim, porem o governo entendeu que a palavras louras orelhas mancas. Se é verdade isto, que por ahi corre sem contestação, s. ex.ª podia deixar a sua auctoridade no governo civil, e ir cumprimentar um cavalheiro, que trabalhava, para gosar aquillo que s. ex.ª gosa, comnosco, e demais a mais inculcando-se s. ex.ª um liberal. Porem para nós é certo, que aquillo que o berço dá a tumba o tira.

Preços por que correm os generos em Beja

Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
Beja · Portugal

Trigo alqueire 580 reis; Milho 480; Centeio 440; Cevada branca 480; Feijão 900; Chicharo 400; Fava 500; Grão de bico 850; Batatas 480; Azeite almude 3:600; Vinho 1:200.

EXTERIOR

Paris · França · Itália Exterior / internacional · Geral

Paris, 27 de abril—O «Constitutionnel» desmente a noticia de estar a Italia fazendo armamentos.

EXTERIOR

Berlim · Alemanha · Áustria · Itália · Prússia Correspondência · Exterior / internacional · Geral

Berlim, 26 de abril—A «Gazetta da Cruz» diz que, se a Áustria fizer armamentos contra a Italia, deve esperar augmento correspondente nos armamentos na Prussia.

EXTERIOR

Exército
Viena · Áustria · França · Reino Unido Exterior / internacional

Vienna, 26 de abril—O governo italiano declarou á França e á Inglaterra que eram falsos os boatos de concentração de tropas.

EXTERIOR

Município e administracção local
Florença · Itália Exterior / internacional

Florença, 27 de abril—A camara dos deputados, respondendo a uma moção de desconfiança no governo, adoptou por 158 votos contra 72 o projecto de exercício provisorio conforme pedira o ministro da fazenda.

EXTERIOR

Londres · Reino Unido Exterior / internacional · Geral

Londres, 28—Passou o bill de reforma em 2.ª leitura por maioria de 5 votos.

EXTERIOR

Economia e comércioExércitoFeirasNomeações
Paris · Áustria · Europa · França · Veneto Exterior / internacional

Paris, 28—No corpo legislativo discutir-se-ha quinta feira a força do contingente para o exercito; o sr. Olivier annunciou que por essa occasião interpellará o governo acerca da situação geral da Europa. Um despacho de Munich confirma que a Áustria declarou ver-se obrigada a fazer armamentos no Veneto.

EXTERIOR

Florença · Itália Exterior / internacional · Geral

Florença, 30—O ministro decidiu-se a apresentar ao parlamento um projecto sobre as medidas que exige a situação actual da Italia.

EXTERIOR

Paris · França Exterior / internacional · Geral

Paris, 1—Assegura-se que no conselho de ministros, celebrado hontem, se tratou da situação, que augmenta de gravidade.

EXTERIOR

Cultura e espectáculoLivros e publicações
Paris · França Exterior / internacional

Paris, 30 de abril—O jornal Ost-Deutsche-Post diz que os dois despachos austríacos enviados a 27 do corrente são relativos: o 1.º aos armamentos e o 2.º á urgência de se resolver a questão dos ducados.

EXTERIOR

Exército
Florença · Itália Exterior / internacional

Florença, 29 de abril—Em caso de guerra o rei tomará o commando do exercito e o príncipe de Carignan será regente.

EXTERIOR

ExércitoTransportes e comunicaçõesCaminho de ferro
Veneto Exterior / internacional

Brescia, 30 de abril—Desde amanhã chegarão todos os dias 8 comboios militares ao Veneto.

EXTERIOR

Economia e comércioExércitoMunicípio e administracção localImpostos e finanças
Florença · Viena · Áustria · Itália · Veneto Exterior / internacional

Florença, 30 de abril—A camara dos deputados votou unanimemente a proposta do governo authorisando-o a procurar os recursos necessários para as despezas do estado. Foi muito acclamado o rei de Italia; as noticias de todas as províncias asseguram que o povo e a tropa estão cheios de enthusiasmo. A «Gazette de Vienna» combate a exactidão da declaração do general La Marmota de que a Italia só fez armamentos por a Áustria os ter feito no Veneto.

EXTERIOR

Exército
Florença · Itália Exterior / internacional

Florença, 1 de maio—Houve uma demonstração popular em Florença e Palermo a favor da guerra.

EXTERIOR

ExércitoTransportes e comunicaçõesTelégrafo
Paris · Alemanha · Áustria · França Exterior / internacional · Telégrafo

Paris, 3—Os telegrammas de Allemanha certificam que a Áustria concentra as suas tropas e toma outras medidas militares na Bohemia, Moravia e Silesia.

EXTERIOR

Economia e comércioFeiras
Berlim · Alemanha Exterior / internacional

Berlim, 2—Os armamentos são augmentados. A armada italiana saiu de Genova segunda feira, o seu destino é desconhecido.

EXTERIOR

Economia e comércioPolítica e administracção do EstadoAgriculturaDecretos e portarias
Florença · Itália Exterior / internacional

Florença, 2—Um supplemento á Gazeta official acaba de publicar um decreto real, onde se diz que o Banco Nacional emprestará ao thesouro 250 milhões; o banco dispensou o pagamento descontando á vista as suas notas.