Voltámos ainda ao negocio da caixa postal na esquadra de policia. Esta grande commodidade para o publico obtem-se sem a menor despeza; basta mudar a caixa de que o sr. Tavares é depositario para a esquadra. E collocal-a tres metros mais adiante. Fica na mesma rua e o publico deixa de dar uma caminhada, alta noute, até ao correio geral. Pedimos pois que nos attendam não esquecendo darem-nos o carteiro que a lei nos dá.
A fiscalização das estradas de terceira ordem deste concelho passa, ao que ouvimos, a ser superintendida pela repartição districtal de obras publicas. Tomou a camara uma resolução acertada. A continuar as cousas como até aqui, dentro em pouco, ficávamos sem estradas.
E uma vez que se quer tratar a serio das estradas e suas dependencias, lembramos que os terrenos que confinam com a da Salvada, Baleizão e Ervidel sejam medidos e vendidos. Ao que temos ouvido ha já bastante terreno na posse dos proprietarios. Isto mostra como por parte dos fiscaes é observado o que o decreto de 31 de dezembro de 1864 dispõe. Ainda mais outra cousa. Ha oito annos que temos cantoneiros e ainda nenhum d’elles accusou uma transgressão! E todavia o arvoredo é quebrado, cada um abre passagens onde muito bem lhe parece etc. etc.
O glorioso S. Martinho teve este anno festa de truz. Foguetes, procissão e até o carrilhão municipal, que felizmente tem estado callado nos festejos nacionaes, repicou como um damnado na vespera e dia da solemnidade.
Publicou
se a caderneta n.º 21 dos Lobos de Paris.
O capellão do regimento 17 de infanteria, foi mandado fazer serviço no collegio militar, durante o tempo que estiver com licença o capellão d’aquelle estabelecimento — cinco mezes.
No sitio das Atalayas, ao charruar
se uma terra, encontrou-se uma magnifica columna de tres metros de comprimento e bastantes tijolos romanos.
Caso raro. A media dos bêbados que diariamente são mandados para a esquadra de policia é de 4. Pois na vespera de S. Martinho só lá pernoitou um!
Na semana finda em 21 de outubro o caminho de ferro do sueste rendeu 9:778$530 rs. mais 2:387$670 do que em egual periodo do anno antecedente.
Por ser o XVI anniversario do passamento do monarcha D. Pedro V, celebrou-se segunda feira na egreja matriz, uma missa suffragando a sua alma, a que assistio o regimento 17 de infanteria de grande uniforme, e o corpo de policia civil.
As audiencias geraes, n’esta comarca, abrem no dia 27 do corrente mez.
Serpa
Em dezembro de 1876 a alfandega de Serpa cobrou de direitos de importação reis 1:742$410 e de exportação reis 2:654$545.
Serpa
O sr. Hermenegildo Arthur Quintino de Mendonça e Britto, aspirante da alfandega de Serpa, tem 60 dias de licença com vencimento.
Choveu durante a semana.
Recebemos e agradecemos o Correio do Sado, folha que se publica em Setubal e de que é responsável o sr. F. M. Bugalho. Muita vida e prospera é o que desejamos ao novo campeão.
Reentrou da cadeia o policia n.º 21.
Vão concluir
se, ao que ouvimos, as edificações junto á egreja de S. Thiago. O parocho encommendado, o sr. dr. Mendes Lima, pedio ao sr. visconde da Boa Vista que adiantasse a quantia necessaria para terminar a obra, e s. ex.ª annuio da melhor vontade.
Vianna do Castello
O nosso condiscípulo e amigo o distincto official de artelheria o sr. Ernesto Julio Goes Pinto, é indigitado para a futura vereação de Vianna do Castello. Folgaremos se o virmos eleito e podemos assegurar aos vianenses que difficilmente acharão quem melhor os represente. No nosso amigo encontra-se intelligencia, muita illustração, cavalheirismo e probidade inconcussa; todas as boas qualidades do homem particular, todos os predicados exigidos no homem publico.
Os adubos chimicos que o agronomo deste districto adquiriu em Lisboa vão ser ensaiados em uma das folhas da Malta.
A commissão administrativa do hospital escreveu ao sr. visconde de Mason agradecendo-lhe em seu nome e no dos pobres, o valioso donativo ultimamente feito ao estabelecimento.
Vão construir
se na raia mais algumas casêtas para postos fiscaes.
Lisboa
Foi atropellado por uma carruagem na praça de D. Pedro, em Lisboa, o sr. Visconde das Foulaiukas, que recebeu no peito uma grande pancada com a ponta da lança.
Publicou
se o n.º 45 do Universo illustrado.
Moura / Lisboa
Foi preso em Lisboa como refractario do exercito, o pintor Antonio José de Menezes, natural de Moura.
Eis o jury de exames ao magisterio primario, neste districto: Presidente
José Ferreira Lima, commissario dos estudos; Vice-presidente — Joaquim Augusto de Souza Macedo, professor do lyceu; Luiz de Vasconcellos Corrêa Bayão, Francisco Antonio de Castro Lança, Manoel Maximo Cardoso e Silva, Manoel Lopes d’Almeida e Cunha, Francisco Matheus Palma Junior, Catharina do Carmo Veiga de Araujo, Maria José Palma, Joaquina Aurelia Baptista Guerreiro.
Teve approvação superior o programma do curso de zootecnia, professado no lyceu, pelo sr. intendente de pecuaria do districto.
Começou o assentamento do guarda vento da parochial egreja de S. Thiago.
Conserva o preço de 3:000 reis, por cada 15 kilogrammas, a carne suina.
Safára
O sr. Vicente Antonio Guerreiro, aspirante da alfandega de Safára, tem licença por 60 dias.
Lisboa / Moura / Ourique / Odemira / Beja
No correio de Lisboa está retida a seguinte correspondencia: um impresso para o administrador do concelho de Moura; um ditto para o de Ourique; um ditto para o de Odemira; um masso de amostras para Francisco Xavier de Menezes — Beja.
No mez de outubro, na camara de Beja, foi registada uma mina de cobre.
Évora
Theatro. É ainda impressionado de agradáveis recordações que escrevo esta pequena noticia. Chegou a esta cidade uma companhia dramatica lisbonense, que tenciona percorrer as melhores terras do Alemtejo. O scenario que trazem é todo novo e pintado pelo insigne Eduardo José Machado, e mais o adereço os que estavam feitos para S. Carlos. No domingo foi a primeira representação da magica A Pomba de ouro, na terça feira a segunda. Houveram enchentes, applausos e chamadas etc. etc. Os srs. Araújo no papel de Rei Girasol, Menezes no de Príncipe do Reino Azul, Silva no de Escudeiro, Almeida no de [ilegível], a sr.ª D. Maria do Carmo no de Fada, a sr.ª D. Emilia no de Princesa das ilhas verdes e a sr.ª D. Ermelinda no de Aia, foram inexcediveis; os restantes nada deixaram a desejar ainda que seus papeis fossem de segunda ordem. No dia 8 representou-se a fina comedia o Correio amoroso em que a sr.ª D. Maria do Carmo, no papel de viuva nova, rica e formosa que precisa casar mas não acha homem com quem sympathise, a sr.ª D. Ermelinda no de creada e o sr. Silva no do Caetano, mereceram os applausos que lhe não foram poupados. Na Justiça, drama em 2 actos de Camillo Castello Branco, desempenharam perfeitamente a sr.ª D. Maria do Carmo o papel de uma desgraçada infeliz, seduzida e raptada pelo marquez Luiz d’Abreu que fez o sr. Silva, sem poder ser excedido, assim como o de Ignez a sr.ª D. Ermelinda, e o de pai d’esta infeliz, o sr. Amaro. A concorrencia n’esta noite foi pouca, mas da melhor sociedade d’esta cidade. Os Huriadores, béxiga em um acto, agradou tambem bastante e todos os actores andaram perfeitamente.
Mertola / Villa Real de Santo Antonio
Está restabelecida a carreira por barcos a vapor entre Mertola e Villa Real de Santo Antonio.
A absoluta falta de espaço obriga
nos a retirar, neste numero, alguns escriptos e entre elles uma correspondencia de Aljustrel.
Quarta feira teve revista o regimento 17 de infanteria.
O chefe fiscal desta divisão está em Lisboa com licença.
Estão concluidas as abobadas dos corredores do pavimento terreo dos paços do concelho.
A policia civil prohibio nas casas publicas o jogo de quino. Estranha-se esta prohibição mas a policia segue o determinado em Lisboa.
Teve hoje exercicio o regimento 17 de infanteria.
Ourique / Setubal
Foi transferido para Setubal o delegado do procurador regio na comarca de Ourique, o sr. Cabrita.
Lisboa / Rio de Janeiro
Homenagem a Alexandre Herculano. (Continuado do numero antecedente.) O sr. visconde de Alemquer disse que era seu proposito apresentar na sessão de hoje uma proposta assignada pelo seu collega o sr. Pequito, e por elle orador, proposta que ficára prejudicada pela do sr. presidente que o antecipára no seu pensamento. Por este facto não tinha lugar a sua apresentação, mas como o sr. vereador Pequito estava ausente e assignára antes de partir para o Alemtejo em commissão de serviço publico, julgava-se obrigado a dar conhecimento d’ella á camara, e por isso pedia licença para a ler afim de ficar consignada na acta. A camara conveio n’este pedido. O orador leu: «Os vereadores Rodrigo Affonso Pequito e visconde de Alemquer apresentavam a seguinte proposta: que a camara municipal interpretando o pensamento dos seus municipes, e acompanhando o paiz no transe doloroso por que acaba de passar, lance na acta um voto de sentimento pela perda do grande historiador Alexandre Herculano.» Accrescentou que esta proposta era um tributo de gratidão e respeito ao distincto escriptor, que ennobreceu a patria com os productos da sua illustração. Propoz mais, como additamento á proposta do sr. presidente, que se enviasse a ex.ma viuva do insigne historiador uma copia authentica da primeira parte da presente acta. Assim se deliberou. O sr. Serzedelo Junior declarou tencionar fazer egual proposta á dos srs. presidente e visconde de Alemquer, e era provavel que todos os srs. vereadores tivessem as mesmas ideas, porque a isso incitavam as altas virtudes civicas, merecimentos e sobretudo os relevantes serviços prestados por aquelle illustre cidadão aos municipios de Portugal. Contentava-se com ter votado a proposta do sr. presidente. Por iniciativa do sr. visconde de Alemquer resolveu-se que fosse assignado por toda a vereação o officio que se dirigisse á ex.ma viuva de Alexandre Herculano, acompanhando a copia da primeira parte d’esta acta. O mesmo sr. vereador Serzedelo Junior fez a seguinte proposta: «Que a camara municipal de Lisboa, renunciando aos eminentes serviços que Alexandre Herculano prestou ao principio municipal do nosso paiz, e á grande gloria que resulta a Portugal de ter possuido tão elevado engenho, e tão brilhante historiador, resolva que o busto d’aquelle benemerito cidadão seja collocado em um logar distincto na sala das suas sessões.» Considerada urgente, foi unanimemente approvada. O sr. Tedeschi disse que a sua adhesão ás propostas votadas mostrava claramente que se associava ao pensamento dos oradores que o precederam. O sr. dr. Luiz Jardim pediu em seguida a palavra e disse que era desejo seu fazer n’esta sessão uma proposta identica á do sr. presidente, uma vez que s. ex.ª o prevenira, e que, tendo votado aquella proposta tão fervorosamente apoiada pelos seus dignos collegas, era do seu dever não deixar passar esta occasião sem declarar o seu voto e sem pedir que aquella proposta fosse ampliada. Disse mais que Alexandre Herculano, entre nós, iniciára em estylo inimitavel e cheio de amor pela democracia a historia do terceiro estado, que escrevera da burguezia, e que sempre defendera os interesses verdadeiramente nacionaes, constituindo o braço do povo, isto é, a parte forte da nação. Por tudo, os municipios que directamente representam o povo deviam sentir a morte do seu historiador, e maxime o municipio de Lisboa, o primeiro do paiz. Entrando em discussão a proposta, e não havendo quem pedisse a palavra, foi submettida á votação, e egualmente approvada por unanimidade. Está conforme. Secretaria geral da camara municipal de Lisboa, primeira repartição, 22 de setembro de 1877. No impedimento do escrivão da camara, João Augusto Marques. A empreza do theatro de D. Maria II vae consagrar uma recita á memoria do grande escriptor Alexandre Herculano, representando O Bobo. No Rio de Janeiro effectuou-se homenagem de respeito e de consideração a que tinha perfeito e incontestavel direito o grande da nação portugueza. Solemnes e sumptuosas foram as exequias mandadas celebrar no templo de S. Francisco de Paula, sendo tal a concorrencia das pessoas que ali foram dar a ultima prova de apreço ao eminente historiador, que, por não caberem nas naves da egreja, muitos cavalheiros ficaram no adro e nos corredores. Esteve tudo o que ha de bom. A commissão, que se dirigiu a S. M. o Imperador a fim de convidal-o para a solemnidade, teve em resposta do mesmo Augusto Senhor que sentia não poder comparecer aquelle acto religioso, mas que o seu pensamento acompanhava aos que fossem prestar homenagem á memoria de Alexandre Herculano. Em demonstração de pezar e de luto, cerráram as portas dos edificios em que funccionavam as seguintes sociedades: Portuguesa de Beneficencia, Caixa de Soccorros D. Pedro V, R. S. Club Gymnastico Portuguez (que tiveram os seus estandartes a meio pao), Gabinete Portuguez de Leitura, Lyceu Litterario e Retiro Litterario, no qual se celebrou á noite uma sessão funebre. Durante a solemnidade, esteve á disposição das pessoas que a ella assistiram um livro onde podessem inscrever seus nomes.
Aljustrel
Ill.mo sr. José Romão Nunes Senior. Sei que expede ordens para eu e alguns dos meus collegas sermos excluidos da futura camara. Não posso estranhar a sua resolução, porque presidente e vereadores que exigem do sr. escrivão da administração as contribuições municipaes que deve e a importancia do trigo da barca que ha annos comeu, não podem convir ao sr. Nunes. Não toquemos por hora mais neste assumpto. Tambem não estranho que o sr. Nunes trabalhe, como escrivão da administração (já se vê, porque sem isso é zero) para que eu seja illuminado da lista futura, porque os sellos, e outras coisitas... entende... Na minha casa não entram perús, gallinhas, etc. etc. etc. provenientes do cargo, entende. Faz-me muito favor se conseguir o seu fim, mas espere. Iremos mais adiante se me puxar. José Maria de Brito. Aljustrel em 10 de novembro.
Aljustrel
Aljustrel em 10 de novembro. É’ no dia 25 que o povo deste concelho tem de decidir da sua sorte! É’ no dia 25 que elle por meio do seu voto consciencioso tem de dar a sua sentença de vida ou de morte, de livre ou de escravo, de sensato ou imprudente, de progressista ou retrogrado. Caminhar como até aqui votando nos homens que por tantos annos e por tantas vezes teem gerido os negocios municipaes, é suicidar-se, e trabalhar toda a sua vida para de muito livre vontade lhe ir entregar o suor do seu rosto, para o applicarem em seu proveito. Para que o novo paiz se desvie desse papel triste que tem representado; para que o povo veja o seu dinheiro empregado em melhoramentos; para que o povo possa trilhar o caminho do progresso e por consequencia da felicidade, só lhe basta uma cousa, votar nos homens indigitados pela opposição. É bem facil esta tarefa, é bem simples o remedio para o seu mal, como claro é adivinhar as consequencias futuras do seu passo, pelos precedentes. Votar com os homens que representam o esbanjamento, é a morte; votar com aquelles que levantaram o grito da emancipação, é a vida. Escolhei. Para o povo não ha mysterios, para o povo só deve haver a verdade, nua e crua como aqui a temos dito, desmascarando tanta miseria e tanta infamia praticada por esses homens que se tentam reeleger para nosso flagelo. Por isso, o povo não acredite em cousa alguma que lhe digam; ponha o povo de parte as paixões partidarias ou pessoaes, as promessas falsas e indignas que só teem em vista falsear o seu voto, lembrando-se só da sua dignidade, da sua consciencia e da sua liberdade tanta vez calcada aos pés. O povo é nobre e digno com tanto que saiba sustentar os seus direitos. O fidalgo, o rico, o sabio, o branco e o catholico, não é mais do que o plebeu, que o pobre que o sabio, que o preto e que o athêu; tudo são homens feitos da mesma massa, com os mesmos direitos e obrigações; somos todos eguaes, valemos todos a mesma cousa. Que valem essas riquezas tão apregoadas em algumas mãos que tu bem conheces, povo? Que vantagem te vem d’ellas? Só se é o escarneo com que te olham, o desprezo com que te fallam e o servilismo com que te pedem fazer esquecer os teus direitos, a tua dignidade e a tua liberdade?! Será isto o que te obriga a desprezares os teus interesses? Não é de certo. Que te importa os refractarios, aos partidos que os receberam em seu seio, com a lealdade que caracteriza o homem de bem? Que te importa que os influentes sejam hoje pretos, amanhã brancos? Trabalham segundo os seus interesses? Pois trabalha tu segundo a tua convicção e serás livre e feliz. Deixa-os a elles, que um dia virá que ninguem os queira e que tu mesmo os lances ao ostracismo da opinião publica como elles teem feito aos teus interesses. Temos a consciencia do ter cumprido com o nosso dever. Temos feito graves accusações e ainda ninguem nos veio pedir nos tribunaes as provas d’ellas; é que nós temos dito a verdade, como verdade é não termos dito ainda metade. Onde estão as calçadas, onde estão as estradas, onde estão as fontes, onde estão as casas de escola e tantas outras necessidades que ha no nosso concelho? Onde? Em parte alguma. Desappareceu o dinheiro, como desappareceram as fayas que a camara tinha em Alvalade; desapparece tudo quanto passa por esses homens que teem feito do nosso concelho, o concelho mais desprezivel de Portugal. É tudo pouco para elles. Em Aljustrel o dinheiro dos orphãos desapparecia como por encanto; trabalhava um pae noute e dia para deixar o pão a seus filhos, entrava por sua morte o dinheiro na caixa dos orphãos, para outros se governarem com elle, emquanto que os desgraçados morriam de fome; as derramas já de si bastantes crescidas vinham tambem com a percentagem legal uma outra lançada por elles e que era repartida irmãmente, porque um excesso tão avultado não podia entrar legalmente no cofre; no recrutamento quantas iniquidades se não praticaram, quantos paes não ficaram sem filhos para irem satisfazer vinganças, servindo em logar de outros?! E tudo isto é por culpa do povo que se tem deixado enganar; e que continuará a acontecer se tivermos a desgraça d’elles serem reeleitos; se porem tal acontecer não é por falta de aviso, é porque o povo chegou ao auge da decadencia moral e politica. Salvemo-nos pois pondo na rua os intrujões que teem levado couro e cabello aos pobres poupando os ricos de quem elles precisam. E se tal acontecer gritemos todos: Viva a liberdade do povo do concelho de Aljustrel. É preciso que o povo tenha a maior prudencia para não dar logar a dissabores; soffra com paciencia os olhares dos Ferrabrazes, porque é mais uma lição que elles recebem.
Questão do Oriente
Um telegramma da ultima hora, como é sabido, deu Erzeroum em poder dos russos, mas é falsa a noticia. Mouktar, depois do desastre que soffreu, recolheu-se áquella praça a qual os russos attaccaram no dia 9 d’este mez sendo repellidos com grandes perdas. Um telegramma de Belgrado, com data de 13, diz que os montenegrinos tomaram por assalto o forte Sutorman fazendo prisioneira a guarnição e tomando 12 canhões. Sutorman domina a cidade de Antivari. Da Bulgaria nada consta. Nem uma correria do general Gourko para entreter. Como os russophilos continuam a afinar pelo conhecido diapasão — Plevna não tem mantimentos; a sua queda está proxima.
Occorrencias policiaes (L. S.)
Dia 11 — Estiveram detidos na esquadra por embriaguez 6 individuos. Dia 12 e 13 nada. Dia 14 — Foi mandado apresentar ao ex.mo sr. juiz de direito José João Toucinho por vadio. Dia 15 — Estiveram detidas na esquadra duas meretrizes por embriaguez e desordem. Dia 16 — Nada.